História Aos Olhos de Um Titã - A Revolução (volume 2) - Capítulo 6


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Romance e Novela, Terror e Horror
Avisos: Heterossexualidade, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Decisão


Dr. Jeferson Queen.

 

            Nunca me senti tão mal com um gesto de carinho. O garoto abraçou minha assistente assim que ela foi encarregada de interpretar o papel de mãe dele. Seu nome era Loreta, tinha pouco mais de 28 anos – não sei ao certo, nunca perguntei – e era dona de uma beleza incomparável, com seus longos cachos escuros e sua pele morena. De fato, eu não esperava que ela fizesse o tipo que se adaptaria no emprego de babá, muito menos no papel de mãe, mas ainda assim ela pareceu feliz com o novo laço familiar falsificado que adquiriu. Mulheres pareciam ter mesmo muito mais afinidade com crianças que os homens, sejam crianças de qualquer espécie. Eu fiquei imaginando se o motivo de sua felicidade era que, como mãe adotiva – ou adotada, no caso – ela seria a última pessoa para quem ele levantaria a mão. Aquilo era um fato, ele estava muito feliz com a nova mãe e não a machucaria, mas mesmo assim eu não entendia como ela conseguia manter tanto a calma perto dele.

            O garoto ainda me tinha como pai adotivo e não diminuiu a ligação que havia entre nós. Muito pelo contrário. Ele realmente queria que ele, Loreta e eu vivêssemos juntos naquele pequeno espaço do laboratório como uma família de verdade. Para ele, aquele espaço de poucos quartos era como nossa casa, Loreta era a mãe que cuidava dele e o alimentava e eu era o pai que não passava muito tempo em casa por causa do trabalho. Eu tinha certeza mais que absoluta que tudo aquilo não passava de uma encenação da parte dele, um apelo desesperado para ter algo parecido com uma vida normal. Por vezes, eu o via virando o rosto para um canto, suspirando com uma expressão triste. Ele não parecia tão satisfeito quanto dizia estar, mas não comentava o que mais poderia ser feito para que ele se sentisse contente.

            Eu tinha certeza que havia algo errado. Alguma coisa nele me perturbava... Ele quer algo, alguma coisa que não podia pedir. Seja o que for, é algo que ele não vai responder se eu perguntar. Só espero que não seja algo ruim, mesmo com as ideias que ele já compartilhou conosco sobre seu objetivo.

* * *

Oliver Gomes.

 

            Depois que toda a confusão foi resolvida, entramos novamente na cabana para conversarmos como gente civilizada – de novo. Voltamos para a sala de estar, e Lira e Melany ainda estavam no andar de cima.

            - Bom – Eu disse, passando os olhos por Drake, depois me virando para Lorence. – Você tem minha atenção, capitão, mas não posso simplesmente ir com você para resolver tudo sem a garantia que Lira e Melany ficarão sãs e salvas enquanto eu estiver fora.

            - Podemos providenciar um local seguro para... – Ele olhou nos meus olhos e sorriu. – Você quis dizer seguro da gente, não é? Se é assim, pode escolher um lugar para escondê-las, não vamos tentar impedir.

            - Receio que não possa confiar em vocês. Não há garantias que não irão fazer algo contra elas ou mantê-las de reféns para me chantagear. Seja como for, não posso confiar em vocês.

            - E por que não? – Ele indagou, como se não soubesse realmente o porquê.

            Olhei para Miles com desprezo, fitando seus olhos e rangendo os dentes.

            - Acho que ainda se lembra que alguém aqui atirou na minha esposa. Além de que alguém ameaçou explodir tudo aqui.

            - Peço desculpas pelos eventos, mas foi algo necessário.

            - E se vocês acharem necessário ferir minha família enquanto eu estiver fora? Vamos ser diretos, eu não posso, não quero e não vou confiá-las a vocês.

            Drake abriu a boca para dizer algo, mas se calou assim que viu meu olhar para ele. A mulher, Rita, se pôs em minha frente, ajoelhou para ficar à minha altura enquanto sentado e disse:

            - Eu já fui mãe. Há uns anos atrás, vi minha única filha morrer, vítima de um tiroteio. Na época eu era apenas policial, e me recusei a participar de uma operação para combater a um cartel de drogas. Eu sempre foquei meus esforços para combater o crime no meu bairro e nos bairros vizinhos. Aquela era minha área de atuação, por isso eu não precisava me envolver na operação maior a qual fui “convidada”. Tudo que eu queria era manter minha filha e meus amigos seguros onde eu vivia, mas tudo deu terrivelmente errado na operação do cartel e alguns traficantes fugiram para longe, justamente pelo bairro onde minha casa ficava. Eu estava a serviço e tinha deixado minha filha com a babá. Eu fui chamada para a ocorrência que estava acontecendo na minha área de atuação, NA PORTA DA MINHA CASA. Dirigi para lá feito uma louca, mas era tarde. A polícia estava trocando tiros com os traficantes durante uma perseguição de carro justamente na hora que minha filha e a babá estavam voltando do mercado...

            - Então as duas foram pegas pelos disparos... – Completei, com uma feição que transparecia um pouco de sensibilidade.

            - Ela ainda estava viva quando cheguei até ela... – Rita começou a chorar como se estivesse revivendo tudo aquilo passou. – A última coisa que ela disse foi que estava com dor... ela chorou e soluçou sangue me pedindo para fazer a dor parar até morrer. Eu me culpo desde aquele dia. Se eu tivesse ido quando fui chamada, talvez pudesse evitar que as coisas saíssem do controle e minha filha estivesse viva hoje. Desde esse dia eu nunca mais recusei um chamado ou desobedeci uma ordem.

            Ela segurou minha mão e apertou com força.

            - É triste, eu sei – Eu disse. - Eu realmente sinto muito por você, mas já estou acostumado a ver olhares tristes. Já perdi muita gente que amava, já vi muitas pessoas morrerem em meus braços. Também já matei muitas pessoas, já recebi tantos olhares de ódio que qualquer humano teria desistido de viver se fosse o alvo deles. Não é uma história tocantes que vai me convencer. Eu entendo como você se sente, e é exatamente por isso que não vou sair de perto da Lira ou da Melany nem por um segundo.

            - Você acha que eu estava errada? – Ela perguntou seriamente, mas não entendi bem do que se tratava.

            - Em quê?

            - Em lutar para fazer um pedacinho da cidade mais segura para minha filha.

            - Não acho. Você estava pensando nela, na segurança dela. Assim como eu – Eu sabia que ela estava prestes a fazer alguma analogia sobre a morte da filha dela com a minha situação, e como Lira e Melany poderia se ferir se eu não fosse, mas deixei que ela continuasse.

            - Se eu estivesse em casa naquele dia, talvez eu tivesse morrido no lugar da babá. Talvez, se eu tivesse ido na operação, eu tivesse morrido lá ou não tivesse conseguido fazer nada para evitar que eles fugissem pelo meu bairro e matasse minha filha. Talvez tudo tivesse dado errado, independente do que eu fizesse.

            - Onde quer chegar?

            - Não adiantou nada manter aquele pedaço de cidade segura, pois o restante da cidade não estava. Aquilo veio de fora, eu não pude impedir nada. Uma pessoa sozinha não pode mudar o mundo, mas você pode. Você pode evitar que todo esse mundo entre em colapso, pode evitar a morte de milhares, de milhões, não só da sua mulher e da sua filha. Você estará deixando o mundo mais seguro para elas e para todos.

            Confesso que aquilo me fez pensar um pouco. Ainda que eu estivesse mais inclinado a ir, havia outros fatores que impediam.

            - Não posso ficar longe da Lira... – Eu disse em meia voz.

            - É só por um tempo – Insistiu ela.

            - EU NÃO POSSO! – Perdi o controle e gritei. Levantei quase em um salto, assustando-a e fazendo-a cair para trás. – Eu não posso sair de perto dela. Eu... eu... preciso dela.

            - O que quer dizer com isso? – Jeremy deu um passo à frente e perguntou.

            - Eu... não posso me alimentar mais de pessoas... eu me isolei tanto tempo por causa disso. Aprendi a controlar a fome por pessoas, mas longe da Lira eu não vou conseguir me segurar muito. Eu passei muito tempo faminto nesses dias em que vocês estiveram vindo para cá.

            - Fala como se estivesse com fome por estar longe da garota – Disse Rita, após se levantar. Ela era esperta e não demorou muito para ligar os pontos. – Como ela alimenta você? Ela tem a regeneração maior que a de uma pessoa normal, mas tenho certeza que você não está se alimentando da carne dela nem nada do tipo. Talvez sangue.

            - Ela me alimenta, sim, mas não é com sangue. Eu sou muito boca aberta, mas nunca vou dizer isso a vocês. Tudo que precisam saber é que eu preciso que ela me alimente, ou a fome que tenho por humanos vai me dominar novamente... – Ao admitir isso em voz alta, percebi que ainda não tinha bebido o suficiente do leite de Lira para me saciar. O cheiro deles estava ficando cada vez mais “suculento” a cada segundo que passava.

            - Leve-a conosco – Disse Lorence. – Ela pode ficar em um dos acampamentos que montarmos quando chegarmos a ilha. 

            Por mais absurda que fosse a ideia, Lira e Melany tinham que ficar perto de mim, e eu tinha que ir. Lira não era minha maior preocupação, e sim Melany. Se não muito distante de mim, eu poderia confiar Melany a Lira para ser protegida. Era arriscado, era verdade, mas se realmente a catástrofe que Drake disse estivesse mesmo prestes a acontecer, eu precisava evitar. Olhei para Drake e disse:

            - Certo, eu vou, e vou levar Lira e Melany. Você tem que garantir a segurança das duas enquanto eu não estiver perto. E quanto a você, Drake, eu quero saber se o que diz é realmente verdade.

            Andei até ele e estendi a mão sobre seu rosto. Ele não hesitou nem resistiu.

            - Tudo que me disse era verdade? – Indaguei.

            Eu consegui ver vagamente a formação dos pensamentos dele. Foi diferente de quando eu o fiz com outro híbrido, anos atrás. O sistema nervoso de Drake era diferente por causa de suas habilidades, seus pensamentos eram muitas vezes mais velozes do que os dos humanos, até mesmo mais que os meus. Era fascinante. Com toda aquela velocidade de processamento de informações, se um disparo fosse efetuado em sua direção, assim que ouvisse o som do gatilho sendo pressionado, todo o corpo dele se moveria instantaneamente para desviar do disparo antes mesmo de ser efetuado. Era como tinha pensado da primeira vez que nos encontramos: se alguém rápido como Sophia tivesse aquela habilidade, esse alguém seria intocável.

            Os pensamentos dele mostraram sinceridade no que havia dito. De fato, eu tinha um filho. E de fato, ele era uma ameaça global. Já não havia mais nada a ser feito além de concordar em ajudar. A única coisa estranha foi que Drake revirou os olhos assim que tirei a mão de seu rosto e coçou o nariz com a mão.

* * *

Lorence Marley.

 

            Oliver suspirou quando tirou a mão do rosto de Landay, voltando os olhos para mim logo em seguida, e depois para o segundo andar da cabana. Ele pareceu querer me dizer alguma coisa, talvez algo sobre a garota, mas não disse. Lira parecia uma garota gentil, calma e dócil, mas eu tinha certeza que ela não era tão inocente assim. Por mais pura que fosse sua aparência, ela já tinha visto muita coisa terrível na vida, até mesmo a morte do próprio pai, segundo dizem.

            Ele deu alguns passos até a escada, olhou para nós e pediu que esperássemos um pouco. Depois subiu. Eu quis de verdade subir e ouvir o que ele iria falar com ela, mas achei que seria uma péssima ideia. Já tinha sido difícil manter tudo “calmo” até o momento. Se eu bisbilhotasse mais do que deveria, talvez eu acabasse com a cabeça separada do corpo. Instantes depois ele voltou, olhando para nós com um meio sorriso, como se estivesse nervoso. Ou talvez preocupado. Lira e Melany estavam com ele, cada uma segurando uma de suas mãos.

            - Senhores, se puderem fazer a gentileza de me acompanhar. – Ele disse. - E Senhora – Dirigiu-se a Rita. – Aconselho que fique aqui com elas.

            Assenti com a cabeça e todos fizeram o mesmo, exceto Landay, que apenas abriu um sorriso e coçou o cabelo ruivo. Oliver saiu da cabana e andou em direção à praia, e todos fomos atrás, sendo guiados por ele, deixando apenas Lira, a menina e Rita na cabana. Ele nos levou até a caverna de antes, o que me deixou desconfiado e preocupado, mas ainda assim imaginei que ele não ganharia nada nos levando até ali para lutar ou para qualquer outra coisa agressiva. Se ele nos quisesse mortos, j[a teria nos matado. Caminhamos através da passagem iluminada pelo musgo fluorescente e vimos aquela lira estranha de antes. Eu a olhei bem de perto, curioso sobre seu estranho funcionamento. Ainda não conseguia entender como algo daquele tipo poderia matar uma pessoa apenas com o som. Confesso que senti um forte desejo de tocá-la, mas já tinha ouvido bastante das melodias que ela transmitia.

            Mais a fundo na caverna, algo ainda mais estranho nos chamou a atenção. Havia uma parede de metal com uma porta, e parecia tudo bem reforçado. Oliver nos olhou com seriedade, e nem precisou dizer que aquele era um local onde deveríamos ter cuidado com o que fazíamos ou tocávamos. Ele abriu a porta com facilidade – apenas com uma mão – e passamos por ela. Ao atravessar a porta, eu a empurrei de leve, mas ela não se moveu. Devia pesar mais de cem quilos pela espessura. Depois dela havia algo que parecia um pequeno laboratório com alguns aquários de vidro, algumas caixas de açúcar, uma mini plantação iluminada por uma lâmpada especial – parecia receber energia de uma bateria recarregável; havia algumas delas atrás de uma mesa – e uma mesa parecida com uma mesa de cirurgia.

            Oliver abriu um dos aquários e colocou a mão dentro, tirando alguma coisa vermelha com a mão. O aquário tinha algumas plantas e água, como um habitat artificial para uma tartaruga ou algo assim. O que Oliver tirou de lá era uma bolinha vermelha esquisita, mas ao olhar bem, percebi que era um pequeno animal. Ele tinha quatro bracinhos curtos e grossos, suas pernas pareciam não sustentar seu corpo direito, então ele usava seus pares de braços inferiores para se apoiar como um macaco e seu corpo era quase oval. Devia ter de 7 a 10 centímetros, lembrando muito uma espécie de um desenho animado. Pude dar uma olhada melhor no bichinho quando Oliver o colocou sobre a mesa e lhe deu um cubo de açúcar. O animal fez um barulhinho engraçado como o de um bebê, mas um pouco parecido com o de um rato ao mesmo tempo. Ele segurou o cubo de açúcar e começou a mordiscar de leve, revelando sua boca que ia de um lado a outro do rosto grudado a seu corpo – ele não tinha pescoço. Depois de comer o primeiro cubo de açúcar, ele olhou para Oliver e pareceu sorrir, saltitando um pouco. Oliver sorriu e lhe deu outro cubo de açúcar, e o bichinho o agradeceu abanando as orelhas finas como antenas.

            - O que é essa coisinha aí? – Jeremy perguntou. Só depois me toquei que eu havia me perdido no pensamento de como ele era interessante e tinha esquecido de perguntar que diabos era aquilo.

            Oliver entregou um cubo de açúcar para Jeremy, para mim e para Kazumi, mas não para Landay.

            - Deem a ele um de cada vez – Disse ele. - Faz mais de uma semana que ele só se alimenta de folhas e musgos que crescem no aquário.

            Fizemos como ele nos disse, Jeremy hesitou um pouco, mas entregou o cubo para a criaturinha, que o recebeu e começou a comer. Depois Kazumi entregou o dele. Quando entendi a mão para lhe entregar o açúcar, a criaturinha segurou meu dedo indicador e começou a balançar. Tive que me segurar para não fazer movimentos bruscos. Pelo toque da criaturinha, pude perceber que ele tinha pelo bem curto, e só então percebi que ele só tinha quatro dedos grossos em cada mão e em cada pé. Olhei para Oliver, buscando saber o que eu deveria fazer, mas ele apenas sorriu, então deixei um pouco o nervosismo de lado e estendi a outra mão para acariciá-lo. O bichinho parecia gostar, ele fechou os olhos e esfregou o rosto em minha mão como um gatinho manhoso.

            - Eu acho que vou querer um desses para mim – Brinquei.

            - Ah, acredite, dá muito trabalho criar essas coisinhas – Oliver respondeu, e virei o rosto para ele, intrigado ao ouvir a palavra “criar”. – Esse aí levou muito mais tempo que os outros. Ele ainda não suporta luz solar e não tem o sistema digestivo muito desenvolvido. Se levasse ele para casa, ele ia sempre procurar lugares escuros para se enfiar e vomitar os restos de comida por toda parte.

            - Você o criou? – Kazumi perguntou. – Como?

            - Alguns livros de genética me deram a ideia. Eu os chamo de Umnbus. O primeiro que criei viveu por três dias, então percebi que não era tempo o bastante para estudá-lo bem, então tentei programar um pouco o DNA para que puxasse um pouco para a capacidade das tartarugas de viver bastante tempo. Esse tem seis semanas, e parece estar na metade da fase adulta.

            - O que quer dizer com “programar”? – Perguntei.

            - Todo ser vivo tem um descendente em comum. As espécies de seres vivos evoluíram dele, mas em seu DNA está gravado o “código fonte original”. Eu criei os Umnbus a partir do meu próprio DNA, então pude modelar a construção genética com mais liberdade. Para simplificar, eu posso controlar para que braços da árvore de evolução ele vai avançar, ou mais simples ainda, posso controlar que caminho evolutivo ele vai seguir.

            - Então, segundo sua lógica, você poderia criar um dinossauro a partir do seu DNA? – Jeremy perguntou, esbanjando sarcasmo.

            - Ainda não tenho meios para criar algo tão grandioso, mas, sim, acredito que em alguns anos eu possa criar um dinossauro. Claro, eu tenho que percorrer alguns traços nas ligações da cadeia de DNA e fazer alguns testes para encontrar qual parte do DNA leva a esse tipo de evolução, teria que criar descendentes do espécime original e fazer testes e experimentos com as crias para então poder entrar no filo, depois cordados até a família das espécies de dinossauros, mas acredito que em uma década ou duas eu consiga fazer algumas miniaturas de dinossauros, porém ainda estou muito longe de reviver um indivíduo dessa espécie exatamente como ele foi no passado.

            Todos olhamos para ele com uma expressão de surpresa. Sempre acreditamos que ele tinha se isolado para se esconder e gastava seu tempo para se manter oculto, mas o miserável estava fazendo experimentos e brincando de cientista. Deslizei minha mão pela mesa e cortei o dedo sem querer em um bisturi que havia à beira da mesa. Foi apenas um arranhão, mas suficiente para fazer uma gota de sangue manchar a mesa. Ao ver aquilo, Oliver se atentou ao Umnbu, que já saltitava desengonçadamente. O bichinho andou até a gota de sangue, lambeu e fez uma carinha como se lambesse limão. Ele olhou para mim e ficou me encarando.

            - Acho que ele não gostou muito do saber – Brinquei.

            De repente, o Umnbu saltou da mesa, expondo suas dezenas de dentes em minha direção, gritando como um macaco enfurecido. Quando ele estava prestes a morder meu rosto, Oliver o agarrou no ar com a mão e o apertou.

            - Infelizmente, eu ainda não consigo isolar a parte ruim do meu DNA – Ele disse. - Ele ainda reage agressivamente quando vê sangue. Seus instintos são de comer carne, mesmo que não seja a dieta que tenho dado a ele desde o nascimento. Essa coisa é perigosa, tem um instinto agressivo e sanguinário, mesmo que seu corpo não seja condizente com o que ele possa fazer. Iria para cima de um tigre ou de um elefante sem medo da morte.

            O Umnbu mordeu a mão de Oliver e gritou como um louco, enfurecidamente. Oliver, por fim, apertou com força, esmagando e matando o Umnbu. Eu percebi que tinha caído no chão devido ao susto, e Jeremy me ajudou a levantar. Naquela hora, eu fiquei imaginando por que diabos ele tinha criado uma miniatura de um monstro. Não era provável que ele tenha sido apenas curioso sobre a vida, ele estava pesquisando, estudando algo. Era certo que ele tinha um objetivo com aquilo.


Notas Finais


Oliver ficou realmente muito esperto. Se ele conseguiu criar vida a partir dele, significa que ele conhece muito sobre si mesmo agora. Ele sabe de coisa, mistérios sobre a vida que ninguém mais conhece. Se ele já sofria quando não sabia o que era, imagine como sofre agora que sabe.


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