1. Spirit Fanfics >
  2. Apartamento 46 >
  3. Meu maior erro foi não ter insistido mais.

História Apartamento 46 - Capítulo 13


Escrita por:


Notas do Autor


Hey, meus amores! Boa noite!
Sim, eu sei que prometi postar toda segunda, quarta e sexta, mas na última sexta-feita ambas as autores tiveram problemas técnicos e não tivemos como postar, então... Sinto muito. Por este motivo, conversamos entre nós e decidimos postar um capítulo a mais essa semana. Sendo assim, amanhã, terça-feira, postaremos outro capítulo.

Boa leitura!

Capítulo 13 - Meu maior erro foi não ter insistido mais.


Jessica

Na situação que me encontro, eu não posso deixar o meu ciúmes falar mais alto, não posso ser hipócrita de lhe cobrar alguma coisa. Dabria e eu não temos e nunca teremos nada. Somos amantes, amigas, parceiras no sexo ou qualquer outra coisa que defina o que temos sem que haja um compromisso. Essa noite eu transei com Eva, porque sabia que Dabria e John haviam transado. Não posso e não devo cobrar algo de Dabria.

Não temos nada.

Absolutamente nada.

— Jess, sobre ontem... — Dabria começa.

— Não — a interrompo. — Deixa pra lá, está tudo bem.

— Jessica? — Mark grita do balcão. — Pode ir pra casa, não faremos entregas hoje, vou fechar a pizzaria. — ele tira as chaves da moto do bolso do seu jeans velho e surrado e as lança pra mim. — Leve a moto com você, não posso arriscar em deixá-la aqui.

Assinto e Sebastian se aproxima balançando as chaves do meu apartamento, ele me abraça forte e enfia as chaves dentro do meu bolso. Dabria vira o rosto incomodada com a intimidade que Sebastian tem comigo e ergue as sobrancelhas, contorcendo a boca em desaprovação.

— Você as esqueceu na mesa, aliás, onde dormiu? — pergunta, atraindo o interesse de Dabria a nossa conversa.

— Na Sky — minto.

Sebastian me conhece melhor que qualquer pessoa, ele sabe que estou mentindo, mas para a minha sorte ele apenas assente e senta-se à mesa. Sky entra na pizzaria procurando por mim e me afasto, deixando Sebastian e Dabria a sós. Posso sentir o olhar dos dois sobre mim, mas finalmente posso soltar o ar dos meus pulmões por Sky ter me tirado dali.

— Parecia em apuros — brinca rindo e me abraça. — É a Dabria? — faço que sim com a cabeça e Sky observa a mulher que está fodendo com a minha vida. — Ela é linda, Jess.

— Tira o Sebastian daqui? Preciso ficar a sós com Dabria hoje.

**

Estou em um pequeno estabelecimento de milk-shake, Dabria e eu fizemos nossos pedidos há alguns minutos e estamos em silêncio desde então, sentadas em uma mesa no fundo, observando cada cliente que entra e sai como se esse fosse o maior entretenimento do mundo. Dabria fixa seus olhos em mim e congelo, seguro meu cabelo no alto da minha cabeça e o prendo em um coque improvisado com a caneta.

— Não gostei desse lugar — reclamo.

— Por que?

— Aquele babaca — aponto com o queixo para um homem sentado na mesa ao nosso lado. — Ele não para de olhar para você.

Dabria disfarçadamente o olha de soslaio e dá de ombros.

— Não seja boba, olhar não arranca pedaço.

— Mas esse olhar dele seria capaz de arrancar a sua roupa.

Ela gargalha e isso me deixa mais irritada, porque chama ainda mais a atenção do homem que a está comendo com os olhos. O babaca começa a rir vendo Dabria rir daquela forma, com um sorriso de canto cafajeste, cerro o maxilar e meu punho ao lado do corpo.

— Jess? — Dabria me chama a atenção e a encaro. — Você é tão ciumenta.

Reviro os olhos e um dos atendentes traz nossos pedidos, enfio o canudo dentro do meu copo e começo a tomar o meu milk-shake, mas perco a vontade quando um homem se aproxima da gente. Olhos puxados, aparentemente vinte e poucos anos, lábios finos, cabelos negros e lisos, corpo esguio.

— Seria um pouco indelicado eu pedir o seu número? — pergunta a Dabria que sorri branco. Eu solto um rápido riso nasal e enfio todo o canudo dentro do copo do milk-shake. — Não consigo parar de te olhar, estou encantado com esses olhos azuis.

Mas os olhos de Dabria não são azuis.

Levanto o olhar e dou-me conta de que não é o mesmo homem que come a Dabria com o olhar ao nosso lado, olho para Dabria e decido provocá-la, como ela tinha dito que eu era ciumenta, algo dentro de mim me instiga a tirar a prova dos nove com ela.

— Não, não seria nada indelicado — respondo sorrindo de forma bastante simpática. — Só que...

— Ela está sem celular — Dabria interfere. — Roubo. — explica seriamente, gesticulando com as mãos. — E ela está comprometida, estou apenas informando caso você não tenha notado o pingente no pescoço dela. Jes e S de Sebastian, o namorado dela.

Quase me engasgo com o milk-shake, quando o homem pede desculpas e se distancia de nós, Dabria respira fundo e começa a brincar com o canudo dentro do milk-shake, pensativa, reflexiva. Fico em silêncio por um tempo sem saber o que dizer, ou por onde começar.

— Amor, eu posso explicar.

— Pode, Jessica? — seus olhos fixam nos meus e engulo em seco. — E o que você vai me explicar? Que o Sebastian continua investindo em você e que vocês transam sempre que podem? E pelo que vejo, ele fez questão de deixar a marca dele sempre que estivermos juntas.

Ela aponta com o queixo para o meu colar, eu toco no pingente e sinto-me mal. Não havia pensado nisso, quando ganhei o colar não consegui pensar em um motivo para o significado dele, apenas que Sebastian queria que eu tivesse algo dele, mas ao que parece é só uma forma de deixar evidente para Dabria que ele ainda está interessado em mim e que não vai desistir.

— Não acho que o Sebastian tenha me dado o colar com essa intenção.

— Não vejo nenhuma outra, mas você é quem sabe.

Terminamos o milk-shake e subimos na moto para ir até o meu apartamento passar um tempo juntas. Dabria ainda está chateada em relação ao colar, apesar de ter tentado explicar diversas vezes que Sebastian não tinha nenhuma chance comigo enquanto ela estivesse por perto. Não tinha ideia de que Dabria era tão ciumenta, mas eu estava feliz por ela não querer me dividir, apesar de que nossas situações sejam tão diferentes.

O sinal fica vermelho, me obrigando a parar atrás de um Jeep laranja.

— Desculpa — Dabria sussurra em meu ouvido, me abraçando pela cintura. — Eu sei que vocês são amigos, mas ele é um tipo de amigo que quer algo a mais e depois que eu soube que vocês transam... Eu não gosto dele, Jessica.

— Desculpa também, eu errei por ter escondido isso de você.

Aos poucos o seu abraço se torna vago, olho para ela pelo retrovisor e seus olhos estão vidrados no Jeep à nossa frente, seguindo o seu olhar para ver o que tanto lhe chama a atenção noto John Wilson no carro, no banco ao lado do motorista. Uma mulher está no volante.

— Siga esse carro.

— O que?

— Segue a droga desse carro — pede quando o mesmo dá a partida após a abertura do sinal.

Faço o que Dabria me pede, dando apenas dois carros de distância do mesmo. Pegamos uma curva e seguimos direto até chegar em um bairro da alta classe, com casas que mais parecem mansões, mas o Jeep estaciona em frente em uma casa pequena, simples, cor de creme, com uma grande árvore na frente ao lado da caixa de correios. John desce do carro depois de alguns segundos e dá a volta no mesmo para abrir a porta para a mulher com quem está.

— Quem é aquela mulher? — Dabria murmura quase sem fala.

Assim que a mulher desce, meu queixo cai no chão.

— Sky? — minha voz sai num sussurro.

Não posso acreditar no que estou vendo à minha frente, a minha melhor amiga beijando John Wilson, marido da mulher que está tendo um caso comigo. O mundo é muito pequeno, jamais poderia imaginar que Sky está tendo um caso com John Wilson. Eu fodendo a mulher dele e a minha melhor amiga fodendo com o marido dela. Pelo retrovisor da moto, noto que Dabria não está tão surpresa quanto eu, talvez ela já esperasse que o marido tivesse amantes, mas provavelmente nunca teria imaginado que daria de cara com uma delas.

— Ela é aquela sua amiga, não é? — questiona.

Assinto e ela solta um rápido riso nasal.

— Me tira daqui — pede impaciente. — Me tira logo daqui.

Seguimos para o meu apartamento em silêncio, eu não sabia se Dabria estava com ciúmes do John por ele está tendo um caso ou se estava chateada comigo por ser a minha melhor amiga a pessoa pra quem John Wilson corre quando diz que vai trabalhar. Talvez Sky não seja a única, existe uma possibilidade de que John tenha muitas amantes por aí, afinal, ele é bastante conhecido e muitas mulheres se impressionam fácil com um homem em um uniforme policial.

— Por que não me contou que a sua melhor amiga está transando com o meu marido? — questiona assim que entramos no apartamento.

— Dabria, eu não sabia — argumento. — Não fazia ideia de que era o John o homem com que ela estava tendo um caso — ela apenas assente e caminha até a cozinha para pegar uma jarra de água gelada na geladeira e despejar um pouco no copo para beber. — Não acredita em mim? — Dabria não responde. — Dabria, você não está achando que eu faço parte disso, não é?

— Não — responde finalmente. — Eu sei que você não seria capaz de fazer isso comigo, é só que é muita coincidência, você não acha? Estou tendo um caso com a melhor amiga da amante do meu marido.

Aproximo-me de Dabria e seguro em seu rosto com minhas duas mãos, seus olhos negros estão marejados e sei que está se esforçando muito pra não chorar na minha frente.

— Você o ama mesmo, não é?

— Sabia que ele tinha amantes, mas estou tão decepcionada por ter visto ele com outra. Você viu a casa onde eles se encontram? Viu como ele foi um verdadeiro cavalheiro ao abrir a porta do carro pra ela? — as lágrimas caem pelo seu rosto e sua voz fica trêmula. — Ele nunca abriu a porta do carro pra mim, nunca me deu um beijo daqueles em público e nunca me deu flores ou chocolates. John nunca, sequer, me levou para um lugar onde pudéssemos passar um tempo juntos a sós.

Abraço-a forte e Dabria desaba em meu peito, seu choro me parte o coração, mas não mais do que já está partido. Vê-la chorar por ele é como se alguém estivesse sugando a minha vida aos poucos, sinto-me sem forças para ficar de pé, mas tento com o pouco que me resta. Não compreendo como uma mulher como Dabria pode ficar em casa esperando pelo marido e ele mesmo assim, insatisfeito com o que tem, sair a procura de outras.

— O que você vai fazer?

— O que eu posso fazer, Jessica? — ela me encara. — Eu também não sou uma esposa exemplar, estou traindo ele também.

— É, há pouco tempo — as palavras saltam da minha boca e me arrependo no mesmo instante em que me dou conta do peso delas.

— Como assim? — Dabria me solta e se afasta um pouco de mim. — Está sabendo de alguma coisa?

— Quando Sky me contou que estava tendo um caso com um homem casado, ela me disse que já fazia um pouco mais que um ano. E eu sei que é a última coisa que você quer ouvir, mas foi ele quem começou a dar em cima dela.

Dabria fica imóvel com as costas apoiadas na parede da sala, olhando fixamente para o nada a sua frente, pensativa, como se estivesse juntando todas as peças do quebra-cabeças em sua mente.

— Então era ela? — pergunta baixinho como que para si mesma e senta-se na cadeira. — Não posso acreditar...

Me agacho no chão à sua frente.

— Não pode acreditar em que?

— Faz um tempo em que encontrei um bilhete no bolso da calça do John — murmura com dificuldade e suas lágrimas começam a cair de novo pelo seu rosto. — “Estou sentindo a sua falta e o nosso bebê também” — balanço negativamente a cabeça e Dabria continua: — No final do bilhete tinha as siglas S.F.

— Skyla Ferrer — murmuro. — Mas a Sky não tem filhos...

— E se ela perdeu?

A realidade me machuca com um soco no estômago. Recordo-me que ano passado Sky viajou de repente sem avisar nada a ninguém, descobri sobre a viagem, porque fui procurá-la no trabalho e me avisaram. Liguei para ela algumas vezes e Sky me disse que o motivo tinha sido por conta dos seus pais, mas sempre que eu pedia pra falar com a Sra. E o Sr. Ferrer, ela me dava alguma desculpa e no final das contas, eu não consegui falar com nenhum deles.

Sinto-me um lixo ao pensar que a minha melhor amiga perdeu um bebê e que passou por tudo isso sozinha, se ela tivesse me contado eu teria estado ao seu lado, mas talvez Sky tivesse medo que eu a julgasse por estar tendo um caso com um homem casado.

Dabria segura em meu rosto, obrigando-me a encarar suas órbitas negras e me beija intensamente, levanto do chão sem interromper o nosso beijo e sento em seu colo, com uma perna de cada lado. Suas mãos sobem pela minha cintura até os meus seios e ela os apalpa, deixando-me soltar um gemido em sua boca. Levo minha mão aos seus cabelos e os puxo levemente enquanto nosso beijo fica cada vez mais intenso, com a mão livre, vou até a sua barriga e acaricio a mesma por debaixo da sua blusa.

— Jess, eu não posso — fala interrompendo o beijo. — Desculpa, não estou no clima.

— Tá tudo bem, me desculpa — seguro em uma das suas mãos e levo a minha boca, depositando um beijo no local.

Noto que Dabria fica desconfortável com o meu pequeno gesto, porque disfarçadamente retira a sua mão, mas consigo segurar em seu pulso e ela solta um gemido como se eu tivesse a machucado. Levanto a manga da blusa que veste e examino o hematoma que se predomina em seu pulso.

— O que é isso, Dabria? — pergunto, segurando seu pulso e exibindo o hematoma para ela. Dabria é incapaz de olhar pra mim, fixa seu olhar no chão.

Umedecendo os lábios como se estivesse ganhando tempo para pensar no que dizer, ela solta:

— Nada, eu só me machuquei.


Notas Finais


Até amanhã, pessoal!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...