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História Apartamento 46 - Capítulo 14


Escrita por:


Notas do Autor


Hey, meus amores. Boa noite! Um pouco tarde, mas como prometido.. Está aí.
Boa leitura!

Capítulo 14 - Yeah, I got issues


Jessica

Saio do seu colo e seguro na borda da sua blusa, levantando a mesma para examinar o seu corpo e quero vomitar quando vejo mais hematomas em sua barriga e na costela. Minha visão fica turva por conta das lágrimas que se formam no canto dos meus olhos, a bile amarga e fecha minha garganta, quero falar algo, mas não consigo. Ao mesmo tempo em que quero chorar, quero sair em procura do John e acabar com ele.

— Aquele filho da puta bate em você? — meu tom de voz sai mais alto que o habitual, quase como um grito. — Dabria, que droga é essa? O que ele fez com você?

— Jessica... — Dabria segura em minha cintura, mas me desvio do seu toque e começo a andar de um lado para o outro, nervosa. — Não é nada do que você está pensando.

— Ah, não? E como que surgiram esses hematomas, Dabria? — questiono e ela se mantém calada. — Eu vou matar o seu marido e vou fazer isso com a arma que ele carrega no coldre.

Dabria começa a chorar e a puxo para um abraço, ela se encolhe em meus braços em busca de proteção. Beijo o topo da sua cabeça quando ela apoia a mesma em meu peito. Sei que o que ela menos precisa é dar explicações sobre o que aconteceu ou o que acontece dentro de sua casa, mas não quero que John a machuque, ele como policial deveria saber que isso é violência doméstica e que dá cadeia, mas com certeza não se importa.

— John não costumava ser assim — justifica entre soluços. — Quando que as coisas mudaram tanto?

— Fica comigo — peço e ela levanta a cabeça. — Não volta pra ele, fica comigo. Não tenho muito a te oferecer, mas tudo o que eu tenho é seu. Juro que nunca lhe faltará nada e que se faltar, você tem a mim, Dabria. Você sempre terá a mim e eu jamais seria capaz de olhar pra qualquer outra mulher ou homem na minha vida, porque a minha vida é você.

— Jess...

— Não, me deixa falar — a interrompo. — Eu te amo, Dabria. E eu não consigo mais esconder o que sinto, você tem ideia de como eu queria poder sair gritando para todas as pessoas do mundo que estamos juntas? Que você é minha? Quando você passa o dia comigo, tudo vale a pena, mesmo que haja uma briga, sempre vale a pena, porque estive ao seu lado. Quero poder segurar a sua mão, te apresentar para os meus pais e viajar o mundo ao seu lado. Eu quero ter filhos com você, a gente poderia adotar.

Me calo quando Dabria leva as mãos ao rosto e começa a chorar novamente sem tréguas, abaixo a cabeça com a certeza de que ela não queria nada daquilo comigo. Nossos sentimentos não são os mesmos, ela gosta de mim, encontra em mim o que não tem em casa, mas é só isso. Quando John está com ela, dificilmente ela deve sentir a minha falta.

— Vou te levar em casa — digo e me afasto para pegar a chave da moto.

**

Não entendo como pude me deixar levar pelo momento, eu fui tão idiota de ter falado sobre meus sentimentos pra Dabria daquela forma. É obvio que ela nunca vai me corresponder da mesma forma, ela ama seu marido e está enciumada por ele estar tendo um caso com a minha melhor amiga. E por mais que John a trate mal, não importa o que faça, ele tem o seu coração e eu não posso competir com isso. Eles são marido e mulher, moram juntos, tem uma rotina de casal, compartilham a mesma cama todos os dias e eu estou de escanteio, no banco reserva. Quando ele não está, deve ser fácil me procurar pra não se sentir só.

Toco a campainha do apartamento de Rose.

Eva atende usando uma saia longa e uma blusa branca.

— Não esperava que me procurasse tão cedo — ela diz.

— Quer assistir um filme comigo?

— Assistir? — ri baixo e ergo uma sobrancelha, sorrindo de canto. — Acho que você quis dizer... Se eu quero transar com você, não é?

— A porta vai estar aberta — digo e me afasto, indo em direção ao meu apartamento.

— Outra coisa vai estar aberta também — fala com malícia e paro no meio do corredor, quando olho para trás, Eva dá uma piscadela e sibila um “me espera”.

Porra, isso teve contato direto com o meu sexo.

Os minutos passam e nada de Eva chegar, decido ir tomar um banho quente e ainda consigo comer alguma coisa. Talvez ela tenha desistido e pode ser que tenha sido melhor assim, ela estuda e precisa focar nisso antes de qualquer outra coisa. Na cama, olho para o relógio na parede, estou esperando por ela faz mais de meia hora.

— Jess? — ouço a sua voz da sala.

— Estou no quarto — grito pra ela que surge na porta do mesmo. — Achei que tinha desistido.

Eva sobe na cama e se senta em minha pernas, aproxima seus lábios dos meus e me beija lentamente. Seus quadris ganham vida própria quando começam a se mexer em meu colo e no mesmo instante sinto minha calcinha molhar. Não sei o que Eva tem, mas ela me deixa louca em questão de segundos.

— O que aconteceu? — pergunta de repente. — Vi quando você e Dabria saíram, pareciam brigadas.

— Então, você viu? — Eva faz que sim com a cabeça. — Eu falei que a amava e pedi para que ela ficasse, que não voltasse para o marido e ela preferiu ir, preferiu ele.

— Espera — Eva pede como se estivesse tentando juntar todas as peças. — Ela é casada?

Assinto e Eva fica boquiaberta com a minha revelação. Sei que não deveria estar lhe contando tudo e nem passar todos os detalhes, mas eu preciso colocar pra fora tudo o que estou sentindo. E a minha melhor amiga é amante do marido da mulher com quem estou me envolvendo, se antes havia limites para uma conversa com Sky, depois do que descobri hoje há um limite ainda maior.

— Eva, estou confiando em você.

— Não se preocupe, já te disse que isso não é da minha conta — responde sincera, me encarando profundamente. — O que vai fazer agora que ela preferiu o marido ao invés de você?

— Nada.

Infelizmente não há nada que eu possa fazer, se abrir o meu peito e falar sobre os meus sentimentos para Dabria não adiantou, dificilmente qualquer outra coisa vai adiantar. Ela apanha do marido, descobre que ele tem amantes e mesmo assim ela ainda prefere ele, porque o ama, porque acredita que ele possa mudar e olhar para ela da forma que ela deseja. Estou sobrando nessa história que eu não deveria nem sequer ter me metido no meio.

— Acho que podemos só assistir um filme — Eva fala acariciando meu rosto e me dando dois beijos na ponta do nariz. — Romance, comédia ou terror?

— Terror?

— Você vai me proteger durante o filme? — sua pergunta me faz perceber que ela tem medo desse tipo de filme.

— Enquanto eu estiver ao seu lado, não tem porque você ter medo de alguma coisa.

Levanto e vou até a sala procurar algum DVD para assistirmos. Procuro entre a vasta variedade de filmes de terror que tenho aqui em casa, até que acabo decidindo por “Atividade Paranormal”. Quando coloco o filme, Eva reclama alguma besteira antes de começar, sentada ao meu lado na cama, com as costas apoiadas na cabeceira da mesma.

— Ainda prefiro “Diário de uma paixão”.

— Então quer dizer que Eva Morgan é romântica? — brinco.

— Você me deixa mais excitada quando fica calada.

Pego um pouco da pipoca que Eva fez enquanto eu procurava por filme e encho a minha boca, quando mastigo a mesma abro a boca e mostro a Eva que faz cara de nojo e começo a rir. Conforme assistimos ao filme, não consigo controlar minhas gargalhadas cada vez que Eva se assusta com alguma cena e tenho a impressão de que ela passa mais tempo com os olhos fechados do que vendo o filme. Me assusto mais com os gritos dela do que com as cenas de terror do próprio filme.

— Não gosto de filmes de terror, me faz ter pesadelos.

— E de que tipo de filme você gosta?

— Pornô.

— É, parece mesmo o seu tipo de filme.

Eva coloca a mão na minha barriga e começa a fazer cócegas. Rio involuntariamente, não tem nada nesse mundo que eu odeie mais do que cócegas, porque não consigo fazer outra coisa além de me debater e rir de forma desesperada.

— Para! — peço rindo, aos gritos. — Eva!

Eva para e enquanto tento recuperar o fôlego, ela levanta da cama num pulo e sai correndo para a sala, quando me recupero, saio correndo atrás dela para descontar o que me fez. Eva fica atrás do sofá, complicando qualquer movimento que eu faça.

A campainha toca.

— Se salvou dessa vez — digo pra ela, que mostra a língua.

Ao abrir a porta, me surpreendo ao vê-la de cabelos presos em um rabo de cavalo e com um sorriso tímido nos lábios. Dabria usa uma camisa de manga comprida e gola alta, está maravilhosa de preto.

— Acho que não consigo ficar brigada com você — ela fala em um tom de voz doce e calmo.

Olho para trás para me certificar onde Eva está e Dabria por instinto segue meu olhar por cima do meu ombro, quando vê Eva sentada no sofá solta um rápido riso nasal e entra no apartamento de braços cruzados.

— Nossa, você me superou rápido.

— Não é o que você está pensando, Dabria.

— Não é? — questiona-me ironicamente. — Ela está no seu sofá, sozinha com você, Jessica. O que eu deveria pensar?

Eva levanta do sofá, se aproxima de Dabria e sorri inocentemente.

— Oi pra você também — provoca. — Não aconteceu nada entre eu e Jessica, só estávamos assistindo a um filme de terror.

— Quando eu te fizer uma pergunta, você responde — Dabria rebate furiosa.

Eva solta um risinho e ergue as sobrancelhas, impressionada com o ciúmes de Dabria. Se aproximando de mim, ela me abraça apertado e acaricia a minha nuca, saindo pela porta logo em seguida.

— É assim que você diz que me ama?

— Dabria, sabe o que mais dói? É que eu te pedi pra não ir, pra ficar comigo, implorei pra que não me deixasse e o que você faz? Você correu pra ele e eu não quis demonstrar o quanto aquilo me destruiu por dentro, porque eu tenho essa mania de querer aparentar ser mais forte do que realmente sou. Eu sabia desde o começo que nada de bom iria sair disso, mas é muito ruim ter a certeza de que sou facilmente deixada para trás quando o assunto é ele.

— Jessica, você nem me deixou terminar de falar.

— Não me interessa o que você tem a dizer, eu sei que você é casada e que ele é o seu marido, e que eu sou livre pra transar com quem eu quiser além de você, porque no final das contas, você não se importa, contanto que eu volte pra você sempre que você estalar os dedos.

— Eu não posso deixá-lo.

É a minha vez de soltar um riso nasal, ironicamente voltamos pra estaca zero. Estou me declarando novamente pra ela, enquanto mais uma vez ela deixa claro que não pode deixar o seu marido pra ficar comigo.

— É claro que você não pode deixá-lo — falo de forma sarcástica. — Ele é o seu marido e é por isso que estou fora.

Dabria fica tão surpresa quanto eu.

— Você está terminando comigo?

— Estou.


Notas Finais


Até amanhã. Ou seria mais tarde?


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