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História Apartamento 46 - Capítulo 30


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Notas do Autor


Boa tarde, meus amores! Esse é o último dessa semana. Na semana que vem, voltamos ao nosso normal de postar segunda, quarta e sexta, certo? Faltam dez capítulos para o fim, então... Aproveitem. Boa leitura!

Capítulo 30 - Parabéns pra você.


Jessica

No fundo, todos temos motivos pra desistir de tudo. Seja por um amor que achamos que seria pra sempre, por perder alguém que amamos ou por apostar tudo naquele número da sorte que sequer deu as caras no resultado final. Tentamos superar aquilo que sempre dá errado, mas nada é tão difícil quanto tentar superar alguém que amamos. É o meio termo entre o “sinto a sua falta” com “espero que exploda em pedaços e que eu nunca mais te veja”. É que tudo dói e cinco minutos são o suficiente para criamos a ilusão de que talvez as coisas possam se resolver. Nunca fui boa com cálculos, mas sei que a ordem dos fatores não altera o produto. Não dá pra somar com quem só sabe dividir.

Dabria me contou o quanto sente medo por pensar em Gina ainda a perseguindo, por isso a acompanho até a casa de Sky, que é onde ela está ficando por um tempo. Prendo a minha língua sobre contar ou não sobre o seu ex-marido estar colocando capangas atrás de mim e de Kaleb, mas me seguro. Dabria está assustada o suficiente com a ideia de Gina estar fazendo isso pra eu ainda lhe fazer mais medo.

— Não quer entrar? — pergunta quando abre a porta. — Sky não mentiu, tem um pedaço de torta esperando por você. Foi ela quem fez, então deve imaginar que se for embora sem experimentar, ela vai ficar furiosa.

Concordo com a cabeça e entro.

Dabria caminha para o quarto, tira a sua roupa, começando pela calça jeans e em seguida pela blusa, ficando de calcinha e sutiã no cômodo. Observo suas curvas de soslaio, sentada na sala.

— Achei que estava correndo de mim — a voz de Sky me assusta, me traz de volta a realidade.

— Sabemos bem o que aconteceu da última vez que você cozinhou alguma coisa — a relembro.

Ela assente, lembrando do último bolo recheado que fez e que ao invés de colocar açúcar pra fazer o recheio, colocou sal.

— Queria poder ficar conversando com você, mas estou tão cansada — se espreguiça quando Dabria aparece na sala vestindo sua roupa de dormir: uma regata e um short curto. — Vou indo, boa noite pra vocês.

Franzo o cenho e Dabria ri baixo de algo que não consigo entender. Na geladeira, ela tira o pedaço de torta que me aguarda em um prato e reviro os olhos ao lembrar do quanto Sky pode ser ansiosa as vezes.

— Não acho que tenha ficado tão ruim — Dabria pega um pedaço da torta com recheio de chocolate com o garfo e se aproxima de mim, com o garfo de em direção a minha boca. — Experimenta.

Abro a boca.

Doce.

Pela primeira vez desde que conheço Sky, ela conseguiu preparar algo sem errar a receita. A explosão de sabor do recheio de chocolate com a cobertura de coco é paraíso em minha boca. Se não tivesse ido dormir e visse o estado em que estou, ficaria orgulhosa de si mesma.

Quase reviro os olhos.

Mastigo o pedaço e Dabria pega outro, fazendo o mesmo processo de trazer até a minha boca, mas dessa vez, se inclina um pouco mais sobre mim e sua boca fica a milímetros de distância da minha. Demoro a abrir a boca novamente e Dabria é quem come o pedaço de torta, me encarando profundamente com seus olhos negros faiscando um desejo que incendeia a ponta do meu fósforo.

— Uma delícia — murmura e me dá as costas para pegar outro pedaço, mas o tesão em mim fala mais alto e quando ela se debruça sobre a mesa, eu me encaixo meu sexo em meu traseiro. — Jess...

Reconheço esse tom de voz safado e instigante, relembro de tudo o que passamos juntas, de todas as vezes que fizemos amor e seus gemidos são como um ímã. Seguro em seu cabelo com tanta força que Dabria torna a ficar em pé, mas ainda de costas para mim e com o corpo colado ao meu, ela mexe os quadris numa tentativa de me provocar ainda mais.

Deslizo minha mão do seu seio, onde o apalpo com força, até a parte da frente do seu short. Enfio a minha mão dentro da sua calcinha e toco em sua intimidade, Dabria estremece e geme baixo. Está tão molhada que mal tenho forças para continuar de pé e caminho com ela até o quarto de hóspedes, onde está ficando.

Rapidamente tiro a minha roupa e Dabria faz o mesmo, com um pouco mais de dificuldade em tirar a sua blusa e eu a ajudo, jogando a peça pelo chão. Os seios de Dabria são maravilhosos, tão grandes e redondos que minha boca saliva de vontade de chupá-los. Com a ponta da língua brinco com o bico de cada um, dando a devida atenção aos dois e ela pressiona a minha cabeça contra o mesmo para que eu o abocanhe.

— Oh — geme baixo e levo minha mão a sua boca para impedi-la de fazer barulho.

— Sky pode nos ouvir, preciso que fique calada — eu digo.

Dabria balança a cabeça positivamente, desesperada. Seguro em sua perna a colocando sobre o meu ombro e abrindo espaço para colar nossas intimidades uma na outra. Cuspo para tornar o atrito ainda maior e Dabria fecha os olhos e arqueia as costas na cama em resposta e antes que eu possa fazer os movimentos, ela é quem dá início mexendo os quadris.

**

A minha consciência pesa e dou-me conta de que estou em um labirinto procurando por uma saída que está me fazendo dar voltas e voltas. Passei a noite com Dabria, transamos e tudo isso quando pedi a Eva para que tomasse conta de Lynn. Não foi como se eu tivesse planejado dormir com Dabria, mas conversamos sobre tantas coisas que acabou acontecendo. Deveria culpar Sky por ter inventado uma desculpa esfarrapada sobre eu ir pegar um pedaço de torta e em seguida ir dormir para me deixar a sós com a sua amiga, mas a única culpada sou eu.

— Oi — eu digo, entrando no banheiro.

Eva está na banheira de calcinha e sutiã, junto com Lynn que brinca na água com um patinho de borracha enquanto Eva lhe dá banho. Ela evita o meu olhar, ignora a minha presença enquanto ensaboa o corpo de Lynn.

— Não fala nada — me interrompe assim que abro a boca para me explicar. — Qualquer coisa que você disser vai me fazer desistir de você e eu não quero fazer isso, Jessica.

Me aproximo da banheira e pego Lynn nos braços, a envolvendo na toalha e vou ao quarto para vesti-la com uma blusa branca e uma calça moletom, a transformando em uma versão menor de mim. Como noto a bolsa de Lynn pronta para que Vitor, nossa babá, venha buscá-la para passear, aguardo no sofá brincando com Lynn em meu colo. Eva remexe na bolsa do bebê, coloca o copinho de água e um pequeno vaso com frutas cortadas em pequenos cubos para que Vitor possa alimentá-la caso ela sinta fome.

— Desculpe o atraso, precisei pegar uns livros para estudar na casa do meu amigo — Vitor me mostra a mochila em suas costas e estende os braços para pegar Lynn. — O mesmo horário de sempre?

Eva se aproxima com a bolsa de Lynn e entrega ao rapaz de dezesseis anos.

— Às 18h00minn — ela fala forçando o seu melhor sorriso. — Caso não me encontre aqui, pode bater no meu apartamento. Jessica vai estar no trabalho, então ficarei com Lynn.

Vitor assente e eu e Eva nos despedimos da pequena com um beijo no rosto. Para que Vitor não carregue tanto peso, eu pego a sua mochila e a coloco sobre o meu sofá, assim quando voltar, ele pode pegar suas coisas.

Eva se mantém ainda em silêncio, caminha até o sofá e se deita. Sei o quanto está magoada comigo e a minha consciência pesa muito quando vejo as lágrimas escorrerem por seu rosto.

— Em uma escala de um a dez, o quanto você está magoada comigo?

Ela senta no sofá e entendo como uma deixa para que eu possa me aproximar e tentar me resolver. É o que faço, me sentando ao seu lado.

— Doze — brinca sem ânimo e se inclina para sentar em meu colo. — Mas você nunca mentiu pra mim, nunca me escondeu nada do que acontece entre você e ela.

— Posso perguntar como você soube?

— Dabria deixou um recado na sua caixa postal — responde com os olhos cheios de lágrimas. — Disse que adorou a noite que vocês passaram juntas e que tinha certeza que você ainda a amava.

Engulo em seco, sem saber o que falar.

— Jess, você pode avisar a Dabria ou qualquer outra mulher que se atreva a entrar no meu caminho que ninguém vai tirar você de mim?

— Eva, eu não te mereço — murmuro contra os seus lábios.

— Eu te amo — fala tão baixo que quase não a ouço. — Coloca isso na sua cabeça. O meu amor é paciente, não te cobra, não te prende, não te faz refém. Ele te liberta e se então você voltar, ele te algema.

Rio baixo.

Não foi preciso de mais palavras para que eu a tome em meus braços e a beije como se não houvesse amanhã. Tê-la em meus braços é como pular de paraquedas, no início dá medo, mas a adrenalina me fascina. Estou tão confusa com tudo a minha volta que não sou capaz de assimilar os últimos acontecimentos, principalmente em relação a Dabria. Meu subconsciente grita para mim toda vez que estou com Eva que não a mereço, e Eva vem com suas palavras doces e o seu amor incondicional me dando o tempo que preciso. E que desistir é uma palavra que não existe no dicionário e que insistência não é falta de amor próprio, é amar o suficiente que consegue até mesmo amar por dois se assim for preciso.

— Bebê... — murmura quando apalpo seus seios por debaixo da regata que usa, depois de ter tirado a sua calcinha. — Isso...

O meu celular toca e Eva deixa escapar um palavrão em descrença pela quebra do nosso momento. Um número desconhecido surge no identificador de chamadas, é estranho, porque nunca recebo chamadas de desconhecidos.

— Soube que agora você tem uma filha — reconheceria a sua voz mesmo que eu perdesse a memória. — Estou olhando para ela agora e é engraçado, porque ela me lembra muito aquele seu amigo intrometido. Seria uma pena se ela tivesse o mesmo destino que o pai dela.

— John? — murmuro com o coração saindo pela boca. — Não se atreva a encostar um só dedo na minha filha ou eu juro que mato você não importa onde você esteja.

Ele ri e Eva senta-se no sofá preocupada, seus olhos estão atentos em mim e apreensivos no que estou ouvindo do outro lado da linha. Nunca senti meu coração bater tão acelerado, nunca senti tanto medo quanto estou sentindo agora. Decidi me tornar responsável por Lynn para lhe dar tudo o que havia sido tirado e agora essa parece ser a pior decisão que tomei em toda a minha vida.

— Parabéns pra você — cantarola, sendo o primeiro a lembrar do meu aniversário —, nesta data querida, muita tranquilidade, porque eu vou acabar com a sua vida.

John encerra a ligação e rapidamente ligo para Vitor, poupando Eva dos detalhes e levantando do sofá para ir até a janela da sala verificar lá fora se alguém me vigia, mas nada vejo. Vitor não me atende, o que aumenta ainda mais o meu desespero quando vou até a janela da cozinha para olhar a frente do condomínio. O meu coração para, ainda que por um milésimo de segundo ao ver a picape vermelha estacionada bem em frente.

A mesma picape da noite em que Kaleb me salvou. É um dos capangas do John. Disco o número de Kaleb, com as mãos ainda trêmulas.

— Jessica, o que está acontecendo? — Eva pergunta preocupada, mas ignoro.

Para a minha sorte, Kaleb atende no segundo toque.

— John está de olho na Lynn. Ela está no parque central, estou ligando pro Vitor, nossa babá, mas ele não atende — eu digo, atropelando as palavras. — Tem uma picape vermelha em frente ao meu condomínio. Kaleb, eu preciso de você.


Notas Finais


Pra quem ainda não conhece, peço que dêem uma olhadinha na minha história "Correntes do Medo". É uma história de época, acho que vão gostar. Obrigada e até semana que vem.


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