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História Apartamento n°6 - Kim Taehyung - Capítulo 2


Escrita por: Mariaclaraazd

Capítulo 2 - A festa


Fanfic / Fanfiction Apartamento n°6 - Kim Taehyung - Capítulo 2 - A festa

No decorrer da semana Hector estava empenhado a me adaptar da melhor forma e me apresentou muitas possibilidades no campus. Eu já tinha vários folhetos de grupos de estudo e pesquisa, também uma pilha de  folders de grupos que cuidavam das atividades extracurriculares do meu curso, fora as dezenas de indicações de grupos de debate que eu teria que ler com bastante calma antes de encarar qualquer um. 

Fora todas as indicações relacionadas a faculdade, Hector também se dedicou a fazer a tal festa na sexta e todas as vezes que esbarrávamos em algum dos nossos vizinhos, ele aproveitava para fazer um convite. 

—Pare de ficar chamando pessoas assim, não vai caber aqui dentro.—Foi a única vez que Taehyung parecia indisposto com todo esse lance de preparação pra festa. 

Então nada satisfeito o Hector teve a brilhante ideia de transferir nossa pequena festinha em casa lá pro terraço, com decoração e o dobro de bebidas prevista. O pessoal entrou na cota rapidamente, nós ficamos responsáveis pela compra e organização de tudo, mas não acho que isso tenha sido um problema desta vez, pra falar a verdade eu tava bem feliz de organizar algo assim. 

Na noite antecedente à festa Hector e eu nos dedicamos firmemente a correr contra o tempo pra deixar tudo nos conformes e embora eu já estivesse me sentindo cansada por numa quinta a noite ter que separar cadeiras e praia e luzes pelo ambiente, nós estávamos gostando de como tudo estava ficando. 

—Que horas são? 

—Acho que perto de sete...—Suponho 

—Droga...—Ele termina de puxar o último cordão de luzes da iluminação da festa. 

—Tem compromisso? 

—Fiquei de jantar com um casal de amigos e o Antony. 

—Pode ir se arrumar, eu consigo dar conta do resto. 

—Eu vou ser bem sincero, realmente preciso correr, esse casal de amigos nossos deve ir embora amanhã e não teremos outra chance. Vou pedir pro Taehyung subir com as bebidas e te ajudar com os últimos detalhes, ok?

—Tá... Eu não acho que ele se anime pra fazer isso, posso fazer sozinha sem problemas. Aproveita o jantar.—Eu digo com muita honestidade.

—Você é maravilhosa, vou te recompensar por isso!—Ele me abraça e depois corre pro elevador todo animado. 

Apesar de Taehyung pouco parecer animado e interessado nessa festa, ele deve ter reunido suas forças do dia e acabou disposto a subir com todas as bebidas em quatro viagens de elevador quase quarenta minutos depois que Hector havia descido. 

—Acabou?—Pergunto 

—Essas são as últimas e amanhã chegam os barris de cerveja...—Ele olha para todas as garrafas que fui colocando na mesa. 

—Não é muita bebida? 

—Não... na verdade nós estamos no limite, devem aparecer umas quarenta pessoas e eu espero que eles tragam mais. 

—Acho que não tenho muita noção então—Admito. 

—Você não bebe?—Ele caminha pelo espaço e vai analisando as luzes que penduramos. 

—Eu já bebi, mas nada demais, só tomei vinho com minhas amigas. Acho que nunca vi tantas opções assim. Eu nunca tive ressaca pra você ter uma ideia.

—Você é a típica garota do interior?—Ele me encara.

—Não gosto desse termo... Eu só sempre fui mais quieta, mas isso não me encaixa nesse estereótipo. Até porque meu interior é muito bem desenvolvido. 

—Eu acredito em você. —Se isso tivesse partido de qualquer outra pessoa acho que eu duvidaria muito, mas ele foi extremamente sincero agora e não tem porque não ser. —Deixa eu perguntar uma coisa... Vocês testaram as luzes?—Ele aponta pra tomada desconectada.

—Ainda não, ia testar quando você começou a subir com as coisas...—Explico.

Ele liga imediatamente as duas tomadas no interruptor e só uma parte delas se acende. Eu caminho até a que ainda está apagada e observo lâmpada por lâmpada, até chegar em uma mal conectada e aperto um pouquinho. Agora todas estavam acesas. 

—Ficou bonito.—Digo levemente surpresa. 

—É, ficou legal... Fizeram um bom trabalho. 

—Eu adorei. —Me sento na cadeira de praia e observo um pouco mais como tudo ficou e aproveitei para descansar. 

Ele se aproximou e se sentou na cadeira de frente pra minha e encarou silenciosamente as luzes. 

—Você sempre fala pouco ou é porque eu acabei de chegar aqui?—Pergunto. 

—Eu só estive mais pensativo esses dias, mas em geral eu falo bastante. Acha que não falo suficiente com você?

—Pode ter sido a impressão que tive, mas eu entendi... É bom pensar um pouco as vezes. 

—Por que você não se acha a típica garota do interior? 

—Acho que é um clichê que eu não faço parte... Eu sempre gostei muito de onde nasci e cresci, lá é um local calmo e bom para viver, mas eu também gostava muito de estudar e vi uma oportunidade melhor se viesse pra cá. Não foi por rebeldia ou porque era o meu maior sonho, mas é uma vontade que meus pais acabaram acatando. Eu sei que sou um pouco diferente do resto das pessoas aqui, mas não é como se eu ganhasse o mundo agora...

—E com tanto canto pra estudar, por que decidiu apenas vir para a cidade? 

—Eu cheguei a pensar em ir pra outro país, mas gosto muito de Paris e tenho facilidade pra visitar meus pais quando quiser. E você? Por que está aqui?

—Também gosto de Paris. Eu estudava fotografia em Bisan-dong, que é minha cidade natal, no final do nosso semestre alguns alunos tiveram a oportunidade de expor algumas de suas fotografias e eu fui chamado pra participar. Na exposição um rapaz se interessou e me ofereceu uma bolsa de estudos aqui.—Ele finaliza erguendo as duas mãos rapidamente e sorri num suspiro.

—Isso deve ter sido uma mudança e tanto. 

—E foi... Mas o Hector e a Margot me acolheram bem. 

—Eu imagino. Ela era legal? Apesar de tudo... Fiquei curiosa para conhecê-la, animada por ter mais uma garota.

—Ela não era má pessoa, só era doidinha e sempre acabava metendo a gente em umas confusões, pagamos tantas multas de condomínio por ela.

—Prometo não dar esse trabalho.—Garanto. 

—Não acho que teremos trabalho com você. 

Eu acho que ele tem uma visão ainda equivocada sobre minha pessoa, sei que não sou nem um pouco ousada ou intimidadora, mas também estou longe de ser uma garotinha camponesa, pelo menos acho que sim. 

—Como conheceu a Rosa?

—Ela fez algumas cadeiras comigo. 

—Foi amor a primeira vista?—Brinco

—Não penso que tenha sido assim... Saímos com alguns amigos por várias vezes, eu só fiquei sabendo muito tempo depois o interesse dela em mim e ai as coisas fluíram de outra forma. 

—Não conseguiu perceber que ela tinha interesse? 

—Percebi, mas não queria fazer nada... Se ela realmente quisesse ia acontecer, como aconteceu. 

—Vocês brigaram naquele dia? 

—O dia que a minha nova colega de quarto saiu enrolada na toalha do banheiro?—Ele me encara e lança um sorrisinho.

—Esse mesmo. 

—Sendo bem sincero ela é muito dominante e não gosta de ser pega assim de surpresa. No dia que você chegou ela não estava sabendo que viria, então ficou meio irritada... E no dia da toalha acho que ela se sentiu... Não sei. 

—Você é muito sincero pra falar que não sabe. 

—Acho que ela se sentiu ameaçada, você também não ficaria? Ao ver a colega de apartamento do seu namorado no pós banho? 

—Acho que um pouco... 

—Pois é, talvez ela tenha pensado nisso, e ainda perdeu o debate, o que piora a situação. O Hector sempre encontra um jeitinho de irritar ela, acho que conseguiu de vez.

—E por que você não tenta resolver isso? Essa inimizade entre eles. 

—Acho que tá um pouco tarde pra isso.—Ele se levanta e pega uma garrafa de vinho. —Você disse que bebe vinho, né?

—Uhum. 

—Vamo descer e pedir nosso jantar? Não tem o que fazer hoje. 

—Claro. —Concordo 

Nós apagamos as luzes e fechamos a porta do terraço, ele chama o elevador e eu começo a descer de escadas. “Você precisa superar isso” ele me avisa e sua voz ecoa nos lances de escada. Eu chego primeiro que ele e entro no apartamento, me sento no sofá e espero que ele entre e feche a porta.

—Ainda cheguei primeiro. 

—Quando você estiver subindo com os livros da faculdade ainda vai se arrepender, escreva o que estou lhe dizendo.—Ele se senta no sofá e pega o celular. 

—O que vamos pedir?

—Vinho combina com massa...

—Então pede massa e eu vou correr pra tomar um banho. 

—Tá certo.—Ele fica na sala fazendo o pedido e eu corro para tomar banho. 

Odeio ter a imaginação muito fértil, assim que entro no chuveiro fico pensando na minha conversa com ele e no quanto ele é legal e ao mesmo tempo é um cara extremamente atraente e coberto de sarcasmo. Eu me sinto um pouco nervosa perto dele, mas disfarço muito bem pra evitar qualquer constrangimento. Sei que ele acabou de terminar o relacionamento e eu muito provavelmente seria a última pessoa para quem seus olhos se voltariam, mas realmente tenho achado ele muito tentador. 

Coloco minha cabeça toda embaixo da água gelada e me obrigo a parar de pensar nisso. Prendo a respiração por alguns segundos e depois começo a rir sozinha já me questionando o tamanho da loucura que se passa facilmente pela minha cabeça. Eu não posso fantasiar com meu vizinho de quarto.

Eu deixo o banho e me visto rapidamente no quarto. Penteio os cabelos e organizo minhas coisas, retorno pra sala ouvindo blinding lights e paro na sala observando ele folhear uma revista. 

—Gosta de The Weeknd?—Me sento novamente no sofá.

—Sim, eu gosto muito de música em geral. 

—Sabe tocar alguma coisa?

—Piano... teclado, já arranhei no violino algumas vezes, também toco saxofone e violão.

—Nossa! Eu toco violino. —Conto 

—Mesmo?

—Uhum, eu fazia ballet quando pequena e gostava quando nossa professora levava o violino pra tocar enquanto ensaiávamos, então uma vez ela contou pros meus pais que meu interesse maior era no instrumento e não na dança.

—Eles te colocaram pra aprender violino então?

—Uhum, também fiz aulas de piano, mas não foi lá muito útil. 

—Trouxe seu violino? 

—Não... Ficou na minha casa. 

—É uma pena, seria legal te ouvir tocar. 

—Então te instrumentos com você?

—Tá no quarto, trouxe alguns. 

—Então pega lá!—Peço 

Ele milagrosamente se levanta sem resmungar e vai até o quarto voltando alguns segundos depois com o violão. Dessa vez eu me sento no chão e abaixo um pouco o volume da música que estava tocando. Ele dedilha algumas coisas e depois me pergunta o que tocar. 

—Eu não tenho ideia, Justin Bieber? Love Yourself.—Acho graça.

—Acho que todo mundo gosta um pouco dessa música, né?—Ele ri e começa a introdução da musica com muita precisão. 

—Demorou muito pra aprender?

—Acho que não... alguns meses, violino é mais difícil, o som precisa ser mais suave, e agora pro violão você tem uma certa vantagem, quer tentar?

—Quero.—Concordo 

—Toma—Ele me passa o violão. 

—Me diz qualquer coisa básica, não quero ficar louca até acertar uma música.—Peço. 

—Certo, então faz isso aqui...—Ele coloca meus dedos nas cordas certas e me indica quais notas seguir, eu toco pouquíssimo devido a falta de prática no próprio violino. Ele é relativamente paciente, acha graça e depois se concentra novamente para passar as coordenadas, acho que daria um bom professor pra quem quer realmente aprender. 

—Da próxima vez que eu for em casa vou lembrar de pegar meu violino—Digo ao devolver o seu instrumento. 

—Vai ser legal te ver tocar. 

—Acho que estou um pouco enferrujada. 

—Nada como um tempinho pra pegar novamente a manha. 

—Pretendo fazer isso.—Concordo

Nosso jantar chega dentro do prazo estipulado pelo restaurante e eu recebo enquanto ele vai na cozinha pegar talher e as taças para o vinho que roubamos da festa. Nos sentamos mais uma vez no chão da sala, e nos organizamos para comer a pasta. 

—Gosto dessa série.—Digo

—Assisti algumas temporadas uns meses atrás, eu gostei de algumas coisas. 

A gente come calado assistindo a série. Ele abre a garrafa de vinho e eu bebo aos poucos o líquido da minha taça. Quando eu lembro que estou aqui em casa, só com ele, me bate um nervoso repentino, mas logo em seguida me obrigo a focar na comida e levar tudo com naturalidade. Todas as vezes que nossos copos secam ele enche mais e parece não se importar em ficar bêbado. 

Eu sou uma pessoa fraca pra bebida, extremamente fraca pra falar a verdade, e mentalmente me estresso por já me sentir levemente bebada. 

—Nossa... Eu sou uma ridícula. Não enche mais o meu copo, tô me sentindo tonta já.

—Você não tomava vinho?—Ele acha graça

—Faz tanto tempo isso, eu bebia escondida com minhas amigas. Essa é a primeira vez que bebo desde de que decidi estudar pra prova de vestibular. 

—Tá se sentindo mesmo bêbada?

—Não muito... Eu tô sentindo o efeito, bem leve, mas não quero exagerar agora. 

—Relaxa, ainda tem o resto da garrafa e você tá em casa. 

—Eu sei...—Suspiro e me dou por vencida estendendo minha taça pra ele. 

—Por que tá preocupada?

—Nada, não é nada. 

—Pode parar se quiser.—Ele me serve. 

—Sabe, quando eu cheguei aqui e vi a correria de vocês, fiquei meio arrependida de ter escolhido esse canto, porque acho que sempre imaginei morar com pessoas com quem eu pudesse conversar a noite, durante o jantar, e agora tô vendo que faço um julgamento muito antecipado das coisas, porque eu sei que essa não é sua primeira noite em casa e o Hector também passa bastante tempo aqui. 

—Eu gosto muito de ficar aqui, acho que fico mais do que ele. Eu me sento um pouco, estudo, leio um livro ou outro,  as vezes eu até pinto. É bem comum que eu esteja em casa, inclusive. 

—Acho que vou tentar não pre julgar tudo com tanta pressa. 

A noite foi muito agradável, ele sabia conversar de um jeitinho muito fofo, apesar do seu tempo aqui, em algumas palavras a pronúncia ainda era difícil e eu até consegui ajuda-lo. O tempo todo senti que  ele não precisa enrolar muito para ter uma opinião ou expor algo, é sempre muito original e honesto,  mas sempre evita comentar sobre outras pessoas, como Hector, Antony e até a própria Margot. 

Nós encontramos um jogo e acho que me animei, quando começamos as partidas de Resta UM a proposta era um copo de vodka para quem perdesse. A aposta aumentou ao longo das partidas já que ela era demorada e a bebida estava fazendo pouco efeito, quando virei o terceiro copo e já estava rindo até do vento, comecei a resmungar que deveria ter pensado melhor antes de aceitar jogar algo com ele. 

—Eu não acho que tenha sido uma escolha justa, nunca fui boa nesse jogo—Digo rapidamente e soluço olha do imediatamente pra ele e percebendo que ele ficou surpreso com meu estado.

—Você já tá soluçando?—Ele começa a rir 

—Essa é minha primeira vez com vodka, sorte a nossa eu não ter vomitado tudo. 

—Sorte a nossa?

—Você teria que me ajudar a limpar.

—Então é melhor você parar de beber. —Ele toma o líquido do copo antes de ganhar mais uma vez. 

A porta é destrancada rapidamente e Hector chega abraçado em Antony, os dois no maior clima de romance e gargalhadas, nos encaram surpresos e se aproximam da sala. 

—Pensei que estivessem dormindo.—Hector ri claramente bêbado. 

—A gente roubou uma garrafa de vinho da festa e depois pegamos uma vodka que o Taehyung havia guardado no quarto...—Não dá pra me fingir de sóbria, eu também começo a rir da cara zonza do Hector. 

—Adoraria me juntar a vocês, mas acho que já bebi suficiente e agora eu... agora eu vou aproveitar, se é que me entendem.—Ele passa os braços pelos ombros de Antony e os dois se beijam rapidamente.

—Ah, eu queria não entender.—Taehyung encara eles dois como se fosse óbvio. 

—Boa noite!—Hector diz convencido e o sorriso se abre novamente. 

—Se forem espertos hoje à noite não restará nenhum... —Antony nos lança um olhar intuitivo e sai abraçado em Hector. 

Eu queria estar bebada o suficiente para não entender o que ele havia dito, mas só estava alterada para rir e falhar mais uma vez na tentativa de me manter sóbria depois de ouvir isso. Taehyung olhou pra mim rapidamente e enquanto sentia que ainda estava sendo observada, eu encarava o jogo pressionando os lábios um contra o outro para não rir. 

—Não adianta—Eu começo a achar graça.

—Ele fala muita besteira—Ele ri de maneira mais discreta.

—Olha, eu achava que a noite tava boa, mas depois de ver que tem gente em situação melhor, acho injusto te roubar esse tempo... vou dormir antes que eu comece a dar trabalho, você deveria ligar pra Rosa e fazer com que reste um.—Tento tirar trocadilho mas no caso quem sobrará sou eu, então percebo que me ofendi enquanto levantava e projeto no rosto uma cara de indignação. 

—Você fala demais... E ela terminou comigo.—Ele se põe de pé e pega as taças. 

Eu busco no chão as duas garrafas e nós as levamos para a cozinha. Colocamos as coisas na pia e naquele ambiente escuro eu arrisquei olhar pra ele quando estávamos mais próximos. 

—O que foi?—Ele me diz quando começa a lavar as taças. 

—Nada, só tô esperando você lavar pra eu poder secar...—Minto. 

—Pensei que...—Ele para de falar e me entrega a taça. 

—Não—Acho graça 

—Não disse o que pensei. 

—Mas eu imagino o que tenha sido. 

—Acha que com duas horas de conversa você já me conhece?

—Beleza, retiro o que disse então. —Vou até o armário guardar a taça e quando pego a outra da sua mão ele segura firme e me encara. 

—O que acha que eu ia dizer? 

—Se eu falar, você vai me contar se sim ou se não?

—uhum.

—Pensou que eu estivesse com o que o Antony disse na cabeça?

—Talvez você não seja a garota do interior—Ele esboça um leve sorriso e eu dou um tapa em seu braço. 

Me viro pra colocar novamente a outra taça no armário e sinto um calor subindo pelo meu corpo, não sei se o que ele disse foi positivo ou negativo, mas acabei acertando o que ele quis dizer. Será que passei a impressão de que sinto muita vontade de beija-lo agora? O que ele deve achar disso!?. 

—Eu tô bem bêbada—admito mais uma vez. 

—Anda, vamos pro quarto.—Ele caminha pro corredor e eu o acompanho. 

Taehyung para na sua porta e eu olho pra ele rapidamente. O calor sobe mais uma vez e eu sei que o álcool tem total direito de falar por mim nesta hora. 

—No que está pensando agora? —Ele me pergunta com um tom de voz mais pesado. 

—Em nada...

—Por que tá mentindo? 

—Quem disse que eu tô mentindo? 

Ele suspira e então concorda, desiste de insistir no assunto e olha pro seu quarto.

—Vai dormir agora? 

—Devo tentar...—Ele volta a me encarar. —Vai fazer alguma coisa agora?

—Tentar dormir também.—Me encosto na parede. 

Nós ficamos cinco segundos em silêncio quando começamos a ouvir os gemidos do quarto de Hector, Tae me encara e sorri como quem dissesse “isso é sempre assim”. 

—Tô chocada, achava que as paredes fossem mais grossas. 

—Aqui tem que aprender a gemer baixinho.—Seu sorriso cheio de peculiaridades aparece enquanto ele vai falando devagar e eu encaro sua boca por uns instantes. 

—Bom saber, vou fazer uma lista mental... —Seguro a maçaneta da minha porta. 

—Se for fazer algo hoje a noite lembra que tem gente ouvindo.—Ele pisca um dos olhos rapidamente e gargalha.

—Eu não vou fazer isso!—Reclamo enquanto ele gargalha e entro no quarto com um sorriso no rosto. —Boa noite.

—Boa noite. 

Me deitei na cama e suspirei fundo, foi bom ter vindo pro quarto agora, mais alguns minutos com ele e tenho certeza de que não aguentaria me conter. 

“Sua filha tem sérios problemas agora”—Envio pra minha mãe. 

Dormi antes de esperar resposta, em geral minha mãe trabalha até tarde na fazenda e sempre responde de madrugada, mas eu estava cansada demais esta noite para aguardar por isso. 

 



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