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História Apatia - Capítulo 1


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Notas do Autor


voltei pro spirit só pra ficar triste k

Capítulo 1 - Desligamento


 Ela estava parada, observando, assistindo, observando tudo e nada.

  Não tinha expressão alguma no rosto a não ser aquela apática que sempre carregava com si. A expressão que nunca dizia nada, nem expressava felicidade tampouco tristeza. Só uma face com duas sobrancelhas retas, boca fechada e maxilar travado. Se não fosse o movimento dos pés e das coxas, poderia se passar por uma boneca de cera largada na carteira da escola.

 Em uma das mãos segurava uma prova. Nota não muito impressionante, apenas um pouco acima da média, o suficiente para passar por aquela etapa, mas não para se destacar. A sua "eu" do passado, a toda certinha e com notas impecavelmente altas, teria chorado ao perceber a total falta de emoção da "eu" atual ao encarar aquela prova. Mas não havia mais nada a se fazer. Na realidade, as perspectivas que a garota anteriormente alimentava foram muito piores que o resultado final. Até que tinha se saído bem.

 Apesar da face inexpressiva, seu cérebro às vezes fervilhava tanto que até causava incômodas dores de cabeça. Contudo, naquele momento, nada sentia. Só estava refletindo.

 Recordou-se que gostava de rotina. A ideia de seguir um plano cuidadoso que nunca sofria desvios e não a direcionava para um desconhecido misterioso, sendo que a deixava acomodada, lhe trazia uma sensação confortável. Gostava de aventuras, mas a ociosidade era sua nova companhia, e ela não se dava bem com todo o trabalho que requeria se levantar e se lançar ao desconhecido. Não, dormir no sofá da sala era mais conveniente. (Mais uma vez, sua "eu" do passado teria ficado chocada com tal afirmação).

 Ela sabia bem quando tinha mudado da "eu" antiga para a atual. E sim, aconteceu do nada. Ela sofreu uma mudança na vida e se acomodou do melhor jeito que conseguiu. Embora esse jeito a tenha deixado mais ou menos deprimida constantemente.

 O novo furacão da mudança estava chegando, devagar, mas em velocidade constante, e ela olhava para toda aquela massa assustadora de problemas da vida adulta com um desânimo bem apresentado em um prato com um leve toque de desespero. Conforme crescia, suas expectativas para o futuro mudavam tanto que agora se encontravam completamente desconhecidas. Alguns poderiam dizer que ela deve ter se perdido em algum lugar no meio do caminho, mas na verdade ela achava que nunca tinha sabido para valer o que queria. E agora o futuro estava tão perto e ela só sabia olhá-lo como se olhasse para alguém que a interrompesse em alguma soneca.

 Ela era feliz? Não sabia responder. Deveria, pelo tanto de bênçãos e pela vida relativamente tranquila que levava. Não era ingrata ao ponto de não reconhecer que haviam pessoas em piores situações, e tinha plena consciência de suas próprias vantagens. Porém, ela não achava que estava sentindo tudo aquilo que alguém deveria sentir estando na situação dela.

 Ela era infeliz? Infeliz era uma palavra muito forte, assim como "desgraças". Ela não gostava dessa palavra. Para ela, infelicidade representava um sentimento absoluto, quase impossível de ser contornado. Por isso, não usava com muita frequência aquela palavra, mesmo em seus textos. E ela alimentava alguns estereótipos (infundados, porém fixos) sobre pessoas infelizes, depressivas e solitárias, porém não identificava com eles. Racionalmente, não se achava infeliz. Sabia que o desânimo a descreveria melhor.

 Ela deveria tentar? Tentar requer vontade, e, embora ela sentisse isso de vez em quando, nunca ia adiante por não saber quanto tempo aquele sentimento permaneceria ali.

 Sentia-se preguiçosa, desanimada, nervosa com a primeira menção de sair de casa. Nunca tinha nada de interessante a dizer e, ao seu ponto de vista, parecia impossível alguém se interessar por ela. Não se sentia feliz com seu corpo, mas também não fazia nada para mudá-lo. Sentia-se inútil na maior parte do tempo, este que ela, provavelmente, estaria gastando perdida em pensamentos fantasiosos muito longe da realidade. Ainda se importava e sentia muitas coisas, mas, parecia que estava fazendo uma gradual transição para se desligar. Não sabia exatamente o que todas aquelas coisas significavam e, sinceramente, não queria saber e não tinha medo.

 Só o que ela sabia é que aquele furacão iria, muitíssimo em breve, bater na casa dela e faze-la tomar alguma decisão. E ela teria que pegar toda aquela matéria massiva de pensamentos e ideias abstratos e jogá-los fora, mas não queria porque aquele traço de imaginação era a única coisa que a apatia não tinha posto o dedo. Ela temia por isso.

 Virou-se para o quadro da sala quando a professora entrou porque ainda precisava manter o básico: tentar não decepcionar quem quer que ainda estivesse acreditando nela, porque nem mesmo ela conseguia.

 Era uma sensação horrível não sentir nada.


Notas Finais


tururururu


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