1. Spirit Fanfics >
  2. Ápeiron >
  3. Linha

História Ápeiron - Capítulo 5


Escrita por: Voltarie

Notas do Autor


Elmo: capacete que Hades usa e fica invisível, eu acho.
Boa leitura <3

Capítulo 5 - Linha


~***~

 

                Enquanto escutavam o belo som dos pássaros recém colocados no submundo, Luffy e Law se encaravam com olhares desafiadores e provocantes, não era todo dia em que empatavam em uma luta. Ambos estavam suando, se encarando divertidos e até se permitiam rir. Kid e os servos do submundo tinham uma expressão incrédula no rosto e afirmavam que os dois foram feitos um para o outro, ambos cínicos não ligando para o quanto estavam machucados, sem contar a tensão sexual que não se importavam em esconder.

            Cabelo grudado na testa, chapéu enrolado no pescoço, calção preto e regata colada no corpo era o que Law conseguia descrever em Luffy, e pelos deuses, ele estava lindo. Seu sorriso desafiador chamava o tatuado para a luta, e ele com certeza não negaria o pedido do mais novo. Nunca negaria nada para o de cabelos negros e todos sabiam disso.

            O mais velho usava seu elmo* para atacar Luffy de surpresa, sumindo no ar e deixando todos com dúvida estampada no rosto, menos o mais novo que já sabia das habilidades do marido. Podia-se ouvir barulhos de terra se abrindo, rachaduras formando por todo o campo de treinamento do submundo e Eustass agradeceu internamente por não estar ali. Luffy manuseava com maestria toda a atmosfera ao seu redor, desde as gotículas d’água até a terra do local, transformando em titãs de pedra. Seu punho ia de acerto com o rosto de Law, sendo reforçado pelos seus poderes elementares, causando um impacto no tatuado que não esperava ser descoberto por Luffy. Oras, estava invisível afinal.

-Certo, você ganhou. – O mais velho pronuncia, se levantando tonto com o baque no rosto. Luffy tinha feito um grande estrago. – Como conseguiu saber onde eu estava? Eu usei meu elmo.

-Agora faltam 100 vitórias para eu conseguir te superar! – O moreno de feição alegre pulava de alegria por ter mais uma vitória registrada por ambos. Desde que Law contara sobre seus poderes, insistiu em treinar para saber mais a cada dia sobre eles. Estava fascinado por cada detalhe, e não escondia isso. Se deparou com Law o encarando sorrindo, rapidamente tratando de levar sua mão para a bochecha do mais velho. – Me desculpa, Torao. Tá doendo muito?

-Não está. Obrigado por se preocupar. – Diz, se aconchegando na mão do mais novo. Abraça o menor, e ficaria para sempre em seu abraço se algo não martelasse a sua cabeça. – Agora como você conseguiu me ver?

-Eu controlo tudo que vem da terra. A umidade daqui é alta e as gotículas de água caíram sobre você e eu consegui sentir onde estava. Maneiro, né? – Sorri para o marido, depositando um selinho em seus lábios.

-Você nunca deixa de me surpreender, meu amor.

-Quero ser útil para você.

-Lu-ya, eu já disse que...

-Não estou ouvindo! – Sai do abraço de Law e anda em direção a Kid que segurava uma toalha em suas mãos. – Valeu Kid. Tô com fome.

-Tem comida no quarto de vocês. – E assim que diz isso, Luffy corre para o quarto, deixando um Kid na presença de um Law irritado por ter sido ignorado. – Hades, o deus do submundo, conhecido por sua frieza e face pacata, é ignorado a sangue frio pela rainha do submundo. Eu amo ver o quanto você é manso com ele. Vira outra pessoa. – Law desaparece na sua frente. Confuso, só conseguiu sentir uma dor extremamente forte na região do estômago, logo vendo que Trafalgar o bateu. – Filho da puta!

-Silêncio, Kid. Obrigado pela toalha. – Sacudiu as mãos em forma de despedida.

 

Kid acenou com a cabeça e sentou no chão. Logo voltou seu olhar a Law, perplexo, que o encarava com um sorriso zombeteiro.

 

-Essa toalha é minha, Plutão!

 

 

~***~

 

                Os dias que foram seguindo eram normais e confortantes. Law se sentia calmo e convicto de que iria conquistar o Chapéu de palha novamente, tentando ser da forma mais natural possível. Depois da conversa da praia, ambos não voltaram a retomar o assunto da perda de memórias de Luffy, e Law achou melhor assim. Não iria focar nessas coisas e sim aproveitar o tempo com o mais velho. Trocas de mensagens eram feitas quase todos os dias, conversas em grupo e provocações do garoto de cabelos negros eram o que passava no cotidiano do tatuado, esse que por vez ou outra – lê-se todas – caia nas provocações e respondia com bochechas coradas, falas embaralhadas e cabeça baixa.

                Luffy era arteiro e todos sabiam disso. Passava o dia na escola provocando o coitado de Trafalgar, e gostava (até demais) de constranger o maior. Sempre fora alguém bastante observador, o que era um tanto irônico por receber o título de hiperativo dos próprios irmãos, esses que acabaram gostando do amigo tatuado. A aparência jovem, mas madura o suficiente para ser considerado alguém mais velho que sua idade, era o que mais destacava o moreno de olhos âmbar, e isso interessava Luffy.

                Todas as mínimas expressões de Law faziam o garoto atrapalhado observar atentamente seu rosto. Gostava quando Law tirava totalmente sua concentração no que estava fazendo e focava totalmente em si; ou quando ele se preocupava sem perceber ao vê-lo se engasgando; até mesmo quando explicava algo que já sabia, só gostava de ouvir a voz do maior. Todos da roda de amigos perceberam a atenção do Mugiwara em Trafalgar e não ousariam falar sobre até um dos dois se pronunciarem.

                Na visão de todos, somente a ideia de Luffy se interessar em alguém podia ser visão de piada. O garoto nunca prestava atenção em nada se não fosse comida, além de que nunca mostrou interesse romântico em alguém, mas mesmo assim era popular por toda a vizinhança por sua simpatia e sua beleza exótica.

                Law não ficava para trás. Todos em Kyoto já sabiam sobre o moreno, sobre sua beleza e seu olhar que muitos diziam ser intenso. Era visto como coração de gelo por ser frio com todos, menos com seu amigo Kid. Boatos se espalhavam facilmente e ambos os amigos sabiam que seria questão de tempo para ser espalhado nessa nova escola.

Foi quando teve a confirmação de que sim, boatos eram espalhados rapidamente se tiver um público interessado.

-Luffy-ya! – Estava surpreso e não tardou de segurar o mais velho, esse que tentava se soltar dos braços do maior e partir para cima de uma pessoa que era desconhecida por Law.

-Me solta Torao! – Luffy tentava inutilmente sair dos braços do maior. Poderia se soltar facilmente, só não queria machucar o outro. – Eles estão falando mal de você!

-Eu não consigo me importar menos com isso. – Diminui a pressão dos braços ao ver que o moreno se acalmou. Virou-o para frente e encarou os olhos negros repletos de fúria que foram se acalmando com o passar do tempo em que encarava Law. – Está machucado?

-Viadinhos de merda. – Um dos rapazes que estavam brigando com Luffy pronuncia, não tardando de receber um soco do menor, que o encarava furioso.

-Cale a merda da boca! – Grita Luffy. Estava irado e todos podiam ver seu rosto se contorcendo de raiva, coisa rara do garoto conhecido por ser alegre e feliz. – Vou arrebentar sua cara!

-Você? – Ria com escárnio – Brinque com alguém do seu tamanho. O que você pode fazer?

-Seu filho da... – É interrompido por Law, esse que afastou Luffy e andou em direção ao grupo reunido no canto da escola. Contava 5 pessoas, poderia acabar com elas facilmente se quisesse, e sabia que Luffy também.

                Caminhava lentamente sobre o olhar atento do moreno mais velho, não deixando de sorrir de canto. Um sorriso totalmente macabro na visão dos rapazes que recebiam o olhar de Law. Com as mãos no bolso, encarava as pessoas na sua frente com um olhar que beirava a mortal: era frio. Tão frio que o clima tencionou, dificultando até a respiração de todos presentes no local.

-Se ponha no seu devido canto, pedaço de merda. – Diz, sem antes sorrir novamente. Odiava esse tipo de gente e se resistissem, teria o prazer de quebrar a cara de cada um que falasse do seu amado dessa forma. – Você pode falar o que quiser de mim. – Se aproxima – Pode me xingar. Me zoar. Falar de mim pelas costas. – Parou. Encarava de cima, graças a sua altura, a pessoa que xingou Luffy, com um olhar superior. – Mas não ouse manchar o nome de Luffy. Não ouse dirigir sua palavra para ele. Não ouse sequer olhar para ele. E eu te juro, garoto. – Aproximando sua boca no ouvido do outro, sorriu novamente. – Que eu vou te fazer conhecer o inferno.

-Calma cara, já vamos sair. Não queremos problemas.

-Melhor sair mesmo! Ou eu te quebro na porrada! – Luffy gritava entredentes, cerrando os punhos preparado para uma briga, ficando do lado de Law.

-Vão embora. – Diz novamente. Os jovens que pareciam estar também no terceiro ano saem do local, alguns fraquejando e outros saindo contra sua vontade. O clima se dissipou no momento em que Law encara Luffy de volta, aliviado pelo mesmo estar bem. – Você está bem, Luffy-ya? Se machucou? – Segurava os ombros do menor enquanto observava cada parte do seu corpo. Luffy corou.

-Para com isso, Tral! Eu tô bem! Poderia facilmente acabar com todos se você não se envolvesse, sabia? Eu sou forte! – Gesticulava com um semblante magoado. Ficou irritado e frustrado por não conseguir ajudar o maior, e Law percebeu isso. – Eles estavam falando de você...

-Eu não ligo para o que eles falam, é tudo mentira. Você acredita nisso? – Luffy nega – Então está tudo bem. Vamos para a sala.

-Certo, Torao... – Respondeu, triste. Segurava com sua mão o seu chapéu de palha, enquanto andava com Law em direção a sala de aula.

-Se ficar triste eu não vou te dar o sorvete de baunilha que planejo comprar.

-Eu? Triste? Eu não estou triste! Estou super feliz, Torao! Muito feliz! – Parou no corredor e sorriu grande para o moreno de tatuagens.

                Foram andando para o local de ensino, sorrindo e gargalhando pelas histórias que Luffy contava sobre os irmãos. Era um clima agradável, um do lado do outro tendo intimidade consideravelmente rápida, uma vez que fazia apenas 1 mês que se conheceram.  E Law estava amando isso. Chegaram na sala e se depararam com o grupo de amigos desesperados anotando alguma coisa no caderno, e Trafalgar deduziu rapidamente que copiavam lições de casa.

-Luffy-san, se você não fez venha logo fazer, eu acho que dá tempo! Nami-san está passando para a gente. Esquecemos completamente da atividade! – Brook dizia enquanto anotava em seu caderno. Usopp, Zoro e Sanji compartilhavam de seu desespero, uma vez que ambos também esqueceram de copiar a lição de casa.

-Nah, o Tral me passou ontem. – Deu a língua para os amigos. – Se virem aí, shishishi.

                Law se sentou na sua cadeira, observando Sanji. Seus olhos se arregalaram em surpresa quando notou uma aparência duvidosa nos braços do loiro, segurando o pulso esquerdo do mesmo.

-Mas que merda...?  - Chamou a atenção de todos. Sanji contorceu de dor e rapidamente desfez o contato com o moreno, estendendo as mangas de seu uniforme – ação completamente inútil, uma vez que todos viram o estado dos seus braços.

-Sanji, você... – Zoro se aproxima do loiro, segurava as duas mãos do mesmo e não tardou de levantar as mangas da camisa com extremo cuidado, revelando marcas de hematomas roxos e recentes. Levantou a camisa do mesmo, também vendo as mesmas características de agressão. Estava horrível e se perguntava como Sanji aguentou isso até agora.

-Não me toque. Não olhem... Não... - Se encolhia cada vez mais na cadeira em que estava. Se sentia podre, nojento e asqueroso. Sentia nojo de si mesmo. Nesse momento estava focado apenas em quanto se sentia um lixo, colocou as mãos no ouvido em espécie de transe.

-Sanji. – Zoro colava sua testa na do outro. Com cuidado, passou sua mão sobre a do amigo, atento a todas as reações do mesmo, a levando para seu peito onde podia ser sentido o batimento do seu coração. Isso parece ter acalmado Sanji. – Foque em mim. Foque apenas em mim. Não pense mais em nada. Está tudo bem, eu estou aqui, nós estamos aqui. – Sanji parecia ter entendido o que Zoro disse. – Vou te falar o que vamos fazer agora. Nós vamos nos levantar, só eu e você. Vamos devagar sem ninguém perceber até o Chopper, tratar dos seus ferimentos e conversar sobre isso depois. Está tudo bem, eles não estão aqui. Certo? Acha que consegue?

-Sim, eu consigo. – Afirmou, se levantando junto de Zoro e indo em direção a porta, com as mãos entrelaçadas na do esverdeado e de cabeça baixa. O moreno de feição séria olhou para os amigos e acenou com a cabeça onde todos entenderam. Saíram a passos lentos sob o olhar de Luffy que encarava a dupla séria, não diferente do restante dos amigos que sabiam sobre a situação do loiro.

-Eu pensei... Eu pensei que Sanji tinha conseguido se resolver com eles. Eu pensei que finalmente ele seria livre daquela família asquerosa. Como não pude notar isso? – Nami se lamentava, chorosa.

-Sanji sofria abuso da sua família. Ainda sofre, na verdade. Depois de muitas dificuldades, ano passado ele finalmente conseguiu um apartamento trabalhando no Baratie. O tio Zeff sempre foi compreensível com ele, ele também sabia sobre a família. Só que parece que eles estão de volta. – Luffy dizia sem parar de encarar a porta pela qual o Vismoke saiu, explicando para Law que compartilhava da feição séria. – Que droga! Sanji estava se recuperando dos traumas!

-Ele vai passar por cima dessa, o Sanji é forte. Vamos dar apoio a ele, querem sair hoje? Podemos passar no restaurante que Luffy trabalha. Pode animar ele. – Usopp sugeriu enquanto confortava Nami, essa que concordou com a decisão do amigo.

 

.

 

.

 

.

 

-Quer me contar o que aconteceu? – Zoro perguntava ao loiro que estava deitado em seu peito. Estavam na cama de pacientes na enfermaria, onde Chopper fez as ataduras do amigo e saiu para dar espaço a dupla.

-O de sempre, Marimo. – Sanji fazia linhas imaginárias no torso do mais velho, recebendo um cafuné do mesmo. – Judge me achou. Eu acho que ele tem medo de mim, sabe? – ri – Ele nunca fala comigo cara a cara. Sempre manda o Yonji e o Ichiji pra me encontrar e consequentemente – mostra o braço – Acabo assim. Eu sou um inútil mesmo. Não consigo fazer nada contra eles. Eu nem consigo me mexer.

-Você não é inútil, idiota. Qualquer ser humano que passa por um trauma desses agiria desse jeito. A não ser que você não seja um humano, o que eu duvido muito. – Sanji belisca ele – Ai, caralho. É normal agir assim, sobrancelhas.

-Eu só queria fazer algo contra eles, sabe? Eu queria me defender, bater de frente, só que... Não consigo.

-Você é muito bom para eles.

-Talvez você seja bom demais para mim.

-Sanji, não começa...

                Chopper aparece na porta – batendo na mesma para chamar a atenção de ambos os rapazes – e olha para os dois. Sabia, como todos do grupo, como o loiro sofre nas mãos da família. Por mais que os despistasse, ou por mais que não se envolvesse, eles acabavam voltando para o jovem. Só poderia dar apoio emocional e ajudar nos ferimentos.

-Por mais que eu não queira que vocês terminem esse momento que eu acho super fofo, vocês vão ter que ir para a aula. Sanji, se você tiver melhorado, melhor assistir a aula. Você também, Zoro.

-Qual é, doutor, deixa a gente ficar mais um pouco – O esverdeado fala e recebe um soco de leve na cabeça.

-Deixe de preguiça, cabeça de alga. Obrigado, Chopper. Por tudo. – Sanji se levanta junto com Zoro, esse que se espreguiçava em pé.

                Chopper não era besta e já sabia que eles não iriam para a sala de aula, então tomou a providencia mais plausível possível:

-O terraço está aberto. Vocês podem ir para lá, mas em troca eu não quero que Sanji fume.

-Certo, obrigado Chopper. – Zoro puxa com cuidado a mão do parceiro e sai andando em direção ao local.

.

 

.

 

.

 

                Kid e Law fora mais cedo para casa, prometendo estar presente no local em que Luffy trabalhava e ambos estavam ansiosos – Law que estava, na verdade – para ver o amigo em trabalho. Seria uma experiencia divertida.

-Como você pretende conquistar o macaco? Pela barriga? - Kid encarava o amigo que trajava uma camisa de mangas longas preta, uma calça também preta e um tênis all star que todos sabemos a cor. O viu franzir a testa.

-Não chama ele de macaco, seu idiota. – Viu Kid cruzar os ombros e rindo – Eu planejei tudo. Escrevi em um caderno, vou tentar fazer isso baseado nos gostos dele da vida passada. Pela barriga é uma boa ideia, mas tem que ser pelo...

- “Pelo coração”. Santa Gaia, Trafalgar, quando se trata do Luffy você consegue ser um merdinha romântico até demais. – Diz e desvia de um golpe do amigo de cabelos negros que o encarava com um semblante mortal. – Olha isso! Caralho, você muda completamente quando envolve Perséfone, daí você é um cuzão mal humorado!

-Não é para tanto Kid. – Law encarava o amigo com um olhar zombeteiro; o ruivo trajava uma camisa de botões listrada e uma calça jeans também preta. Usava seu típico calçado all star vermelho, tinha confiança em seu olhar e sabia que era bonito. Kid era assim, afinal. – Sou a mesma pessoa de sempre. – Kid arqueou a sobrancelha - Tsc, vamos logo embora.

                Andavam sobre a rua pouco movimentada em uma noite de sexta feira, onde continha somente adultos passando saindo do trabalho e adolescentes jogando em um fliperama perto do restaurante, esse que tinha uma aparência rústica acompanhada de uma música clássica, que pela surpresa da dupla era Brook quem cantava, com a ajuda de um piano.

                Law procurou ao redor a mesa em que ficariam e checou novamente a mensagem que Nami lhe enviou falando o número do cômodo, se deparando com Jinbe, Zoro e Sanji que conversavam sobre algo que não escutava. Se aproximou do local, cumprimentando o trio junto de Kid.

-E aí, caras? – Iniciou o ruivo. Sabia do incidente que houve cedo através de Law que o contou, apesar de serem amigos somente a algumas semanas se preocupava com o bem estar do amigo loiro. – Brook canta até bem. – Aponta para o amigo no palco após receber um cumprimento dos outros três.

-Boa noite. – Acena para o grupo e se senta em uma das cadeiras, procurando com os olhos alguém do qual conhecia muito bem.

                Nami e Robin chegam no local junto de um Frankin emburrado que por sua surpresa vestia uma calça. Deduziu que Robin tinha o obrigado no fim de tudo.

-Nami-san! Robin-chan! Vocês estão muito bonitas nessas roupas! – Sanji falava enquanto corações apaixonados saiam de seus olhos, que ao perceber o ciúme óbvio de Zoro para e segura a mão do mesmo por baixo da mesa, ação que resultou em um sorriso satisfeito do esverdeado que cumprimentou os três amigos que se acomodavam ao seu lado.

-Obrigado, Cozinheiro-kun. – Robin sorri e olha para o “casal” de forma divertida, percebendo a mudança de humor do amigo de três brincos. – Como você está? Não pude estar presente hoje cedo. – Fala e recebe um olhar distante do loiro, esse que por vez confirmou que estava bem e com o tempo os ferimentos sairiam.

                Enquanto todos conversavam e curtiam a música que Brook fazia, sendo aplaudido por um Kid e um Usopp que entrou no restaurante segundos depois das duas amigas, logo procurando Luffy com os olhos e acenando para os amigos que estavam sentados. Chopper chegava com um semblante cansado e rapidamente explicou que estava exausto somente do plantão que fez no hospital em que trabalhava nas horas extras, recebendo um sorriso aliviado dos amigos.

                Sabo e Ace chegaram por último e cumprimentaram divertidos o grupo, acenando para Law que os encarava respeitosamente.

-Boa noite, o que vocês gostariam de pedir? – Uma voz da qual o tatuado conhecia muito bem surge por trás de si, com um sorriso traquina e um olhar que tentava inutilmente ser sério, uma prova disso sendo a risada que o mesmo deu ao falhar na “missão” após ver a cada de espanto de Law. – Oi pessoal! Shishishi. Tá vendo uma alma penada, Torao? – Ri novamente ao ver o amigo constrangido por ser pego o encarando. – O que vocês querem?

-O que você recomenda? – Law pergunta.

-Bem, tem o espaguete que o tio faz que é muito bom, tem também a panqueca de carne com acompanhamento que eu recomendo que você escolha suco de laranja. – Dizia enquanto listava com os dedos os pratos que achava mais apetitosos. – Tem bife a milanesa, tem costela com molho shoyu, omelete de arroz, vários sabores de sushis e mais carne, tem também... – Para ver o amigo franzir o cenho.

-Luffy-ya, você falou noventa por cento do cardápio. – Law olha incrédulo para o moreno de cabelos negros.

-Ah, foi mal shishishi. – Ri e recebe um beliscão no braço de Law que ri fraco ao ver Luffy emburrado. – Ai, Tral!

-Você não pode perguntar pra esse idiota o que ele recomenda, ele come tudo! – A risada de Ace ecoa ao redor da mesa enquanto encara a dupla que era composta, no seu ponto de vista, por um gótico perplexo com o que o amigo listou e um idiota ambulante que não tinha noção do quanto sua presença muda o humor do primeiro.

                Quando finalmente Luffy anota os pedidos e vai desajeitado em direção ao balcão, Brook chega no local e recebe elogios dos amigos sobre sua música, fazendo uma reverência engraçada e atrapalhada como forma de agradecimento.

                Todos comem os seus respectivos pedidos e se divertem à custa de um Zoro que brigava com um Sanji sobre o mesmo querer fumar seus cigarros e um Chopper furioso apoiando o comentário do amigo esverdeado, gritando e causando incômodo no restaurante, barulhentos o suficiente para o gerente reclamar de ambos.

                Ace e Sabo bebiam e o primeiro competia com Zoro e Kid sobre quem aguentaria beber mais, sendo parados por uma Nami furiosa pela estupidez dos amigos. Law observava a todos com um sorriso de canto por nunca presenciar um momento assim, devido a ter pouquíssimos amigos no submundo – lê-se Kid – e nunca ter tempo de verdade para isso. Passou todos os 17 anos da sua vida procurando Luffy e finalmente conseguiu desfrutar de uma adolescência de verdade, e Kid ficava feliz com isso.

                Falando a todos que ia ao banheiro, andava a passos lentos em direção a porta que entraria se não fosse por um Luffy sendo prensado na parede por um cara que parecia ter o dobro de sua altura, resistindo ao receber socos do mesmo que o encarava furioso.

-Mas que merda... – Proferiu, em choque, não tardando de ajudar o mais velho e não pensou que quando Zoro falou que ele se mentia em confusão muitas vezes fosse realmente verdade. Empurrou o que deduziu ser um adulto, olhando para um Luffy que avançava sobre o mesmo e o dava um soco certeiro aos berros.

-O que você disse seu desgraçado? – Gritava e Law não sabia o que fazer no momento, nem o incidente cedo da escola se comparava com o ódio e força que o moreno tinha sobre o adulto de madeixas ruivas que o encarava sério antes de receber outro soco.

                Law empurrou e afastou o cara que não retrucava os socos do amigo, o encarando com dúvida. Luffy o olhou irritado e quando ia avançar de novo Trafalgar o barrou.

-Me solta!

-Luffy-ya! Me escuta, o que está acontecendo? – Falava enquanto segurava o menor que não deixava de expressar o quanto se irritou ao ser barrado novamente por Law.

-Ele tá falando merda! Disse que Sanji ia embora!

-O quê?

-Me solta Tral! – Ao ver que ele não iria soltar tão cedo, morde a mão do mesmo que recua surpreso e avança novamente contra o ruivo que estava se levantando.

-Mas que porra Luffy! – O puxa de volta para si e olha aliviado para os amigos que chegaram devido a gritaria do moreno. – Alguém me ajuda!

                Jinbe caminha para onde o tatuado estava e segura Luffy tentando o acalmar.

-Katakuri? – Sanji parecia em transe quando via o ruivo.

-Sanji, eu estava te procurando.

-Sanji, é verdade que você vai se casar? – Luffy berrava para o amigo loiro e recebeu olhares surpresos e um que quase saltava os olhos do rosto, que era Zoro.

-Ele vai o quê? – Zoro pergunta.

-Eu vou o quê? – Sanji continua.

-Vocês estão surdos? – O amigo de chapéu os encara, mais calmo, sentando no colo de Law que cora com isso, devido a posição em que estavam: ambos sentados no chão. – Pode me soltar, Law, Jinbe. Não vou fazer mais nada, pode acreditar. – Jinbe o solta e Law o encara aliviado, soltando o mesmo. Luffy se levanta rápido e corre em direção a Katakuri que é surpreendido por mais uma série de socos que o Chapéu de Palha direcionava a si.

-Puta que pariu! – Law bate na testa.

-Luffy! – Jinbe o agarra e Nami bate na sua cabeça.

-Katakuri, como assim eu vou me casar? – Sanji o encara temeroso pela resposta.

-Parabéns. – Se levanta e ajeita a roupa que estava rasgada devido a Luffy. – A família Vinsmoke e a família Charlotte assinaram um contrato de casamento hoje de manhã em que você iria se casar com a minha irmã, Pudding.

-Pudding-chan? – Sanji dizia, não caindo no chão por causa de Zoro que o segurava. Não acreditava no que estava acontecendo. – Eu... Eu não vou me casar! – Gritava e recebeu um raro sorriso do mais velho que o encarava com uma feição que pensava ser dó.

-Você vai. – Anda em passos lentos em direção ao Vinsmoke, colocando a mão no ombro do mesmo e falando em seu ouvido. – Você não pode proteger a todos.

-Como você pode... – Encarava o chão estático e mordia os lábios, sentindo o gosto metálico de sangue e a cabeça latejar, apertando as mãos e lágrimas se formavam em seus olhos. – Tudo bem.

-Tudo bem? – Zoro repetia, incrédulo com a concordância do loiro e não era burro para não perceber que o mesmo não queria isso. Algo muito errado estava acontecendo e temia pelo pior.

-Eu vou me casar com a Pudding.

-Você o quê? – Todos diziam, surpresos.

-Sanji... – Zoro o segurava e encarava seus olhos com uma feição magoada e contida. – Não desvie o olhar. Olhe para mim. – Segura mais forte os ombros do mesmo que voltou seu olhar para si. – Você não quer fazer isso.

-Claro que eu não quero! – Gritava – Zoro, pessoal, não fazem isso ser mais difícil do que já tá sendo, por favor. – Encarava no fundo dos olhos cinzentos do parceiro, tocando cada parte de seu rosto, pelo que achava ser a última vez. Abraçou o mesmo que o encarava sem reação e chateado com sua decisão. – Depois nos falamos.

-Não vai haver depois e você sabe. Você sabe, Sanji! – Zoro segurava sua mão com mais força do que o normal e Katakuri suspirou, andando na frente, sendo seguido por um Sanji que retirou sua mão e andava a passos robóticos para a saída do restaurante que até então prestava atenção no tumulto feito perto do banheiro.

-Sanji! –Luffy berrava enquanto tentava inutilmente sair das garras de Jinbe. Sanji parou. – Não se atreva a passar dessa linha! – Se referindo a linha que separava os banheiros do corredor principal, o amigo de cabelos negros e cicatriz no rosto transferia seu olhar ao Vinsmoke que continuava a andar com pesar no coração.

                O cenário não poderia ser pior. Law sentia angústia no peito pelo que estava acontecendo diante de seus olhos e se lamentava por não poder fazer nada que ajudasse na situação em que estavam, onde todos compartilhando o mesmo sentimento. Nami parecia que desmaiaria a cada segundo de que se passava, Usopp e Chopper engoliram seco ao ver a mudança de clima tão rápida, Jinbe com um semblante mais sério do que o normal nem percebendo que soltou Luffy, onde o mesmo continuava no mesmo lugar e com o olhar direcionado ao amigo de longa data.

                Frankin tentava acalmar a situação do lado de fora junto de uma Robin séria que conversava com o gerente, afirmando que sairiam dali o mais rápido possível para não causar confusões. Kid e Brook encaravam a situação de longe e temiam pelo pior.

-Sanji! – Tudo que conseguiu ver antes de desmaiar foi o amigo de cabelos loiros atravessar a linha e Sabo e Ace correndo em sua direção.

 

.

 

.

 

.

                Luffy acordou em um local que deduziu ser um hospital, se levantando rapidamente e voltando a deitar após quase desmaiar de novo. Segurava a cabeça em uma tentativa falha de cessar a dor aguda que estava tendo e processava os últimos acontecimentos.

                Parecia ser de noite ainda e o clima estava agradável e até curtiria se não fosse pela situação em que estava, se surpreendendo ao analisar o quarto em que se localizava e se deparando com um Law de feição neutra, braços cruzados e cabeça baixa dormindo ao seu lado. Sorriu com isso. Se sentou novamente no colchão, tirou o soro lentamente de sua veia e com sua mão livre acariciou os fios negros do amigo. Nunca pensou que ele seria tão bonito, na verdade nunca pensou sobre a aparência de ninguém.

                Se lembrou de quando Law o protegeu duas vezes só hoje, parando para pensar que na verdade ele sempre o protegeu nesse um mês de amizade. Passava as mãos pelos fios negros, vez ou outra sentindo cócegas por causa dos fios finos e curtos. Tinha cílios longos e percebeu isso por causa que os olhos estavam fechados. Seu nariz era delicado, junto com seus lábios que o chamaram atenção desde o começo e isso o deixou encucado, parando de acariciar sua cabeça.

-Não pare. – Uma voz rouca que veio do tatuado assustou cada célula do seu corpo, fazendo levar a mão em direção ao peito de forma dramática.

-Vo... você tava acordado? – Luffy pergunta, corado por ter sido pego.

-Sim. – Responde, se espreguiçando na cadeira e voltando seu olhar para o outro, sorrindo. – Agora continua.

-Eu te devo desculpas. – Acaricia novamente o cabelo do moreno enquanto balançava os pés. – Por me segurar. Eu não tava pensando bem. – O viu franzir a sobrancelha e riu. – Tá, eu nunca penso bem mas você me segurou e felizmente não aconteceu nada grave. Apesar de eu ter me soltado.

-Tudo bem, eu faço o que é preciso para você ficar bem. – Responde e cora imediatamente após perceber o que falou, sendo acompanhado de Luffy que sorri divertido.

-Você é engraçado, Torao. – Ri. – Você fica envergonhado com o que fala, shishishi.

-Eu não sou engraçado.

-Você é sim! – Law resmunga discordando, causando risadas escandalosas de Luffy.

                Conversavam a base de provocações e piadas por parte de Luffy e o tatuado só respondia com breves sorrisos e aceno de cabeça. Foram barrados quando de repente Zoro chega rapidamente, abrindo a porta e colocando as mãos nos joelhos cansado por ter corrido sem parar até o hospital, tendo se perdido.

-Precisamos conversar, Luffy.

 

 

 

 

 

~***~

 

               

Law carregava mais uma de suas incontáveis carrancas diárias e quem fosse servo do submundo teria se acostumado por sempre receberem esse olhar. Achava um saco julgar cada humano e se fosse possível mandaria todos para o inferno por puro capricho, egoistamente, claro.

-Inferno. – Dizia enquanto batia na mesa com um pequeno martelo, encarando o humano franzir a testa e o encarar surpreso.

-Mas Senhor, eu...

-Inferno. Levem ele. – Falava e viu o humano suplicar em discordância, pedindo infinitos perdões enquanto ficava de joelhos. Era normal até demais tal ação.

-Espere! – Toda a aura negra que Hades não tratava de esconder fora dissipada quando o mesmo ouviu o tom de voz alegre direcionado a si, fazendo-o mudar de humor rápido – até demais, na visão dos servos – e estender os braços esperando um abraço de Luffy, sendo concedido rapidamente. – Torao! – Exclamava o mais novo, inflando as bochechas e apertando a túnica do maior. – Vamos dar uma chance para ele, quero ouvir de novo, ele parece ser tão legal!

                Admirava o quanto Luffy usava bem o seu extinto, e o quanto ele tinha o dom de alegrar todos ao seu redor, trazendo um ar não tão morto para o submundo. Amava aquele garoto.

-Certo, minha rainha. Tudo que é preciso para você ficar bem.

-Obrigado, Tral! – Sorri e senta na cadeira feita para si anos atrás, se preparando para julgar o humano que tinha ganhado uma segunda chance. Mudou completamente seu humor, fazendo Law sorrir de canto. – Recomece o julgamento.

 

 

~***~

 

 

 

 

 

 

 

 

 

               

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...