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História Apenas 30 Dias - Capítulo 7


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Notas do Autor


Gente, eu pretendo focar bastante na cultura dos países e estou pesquisando muito para não errar. Eu cometi alguns erros na cultura japonesa porque não pesquisei muito e porque eu não quis focar lá; minha preocupação maior era o passado do Gaara, tanto que nem os fiz explorar muito o país.

Enfim... Me arrependi um pouco por isso, mas não irei cometer o mesmo erro com os outros.


Espero que gostem do capítulo. Bjs ❤️

Capítulo 7 - 7. Desejo


                                   ~⌛~

Ino bocejou pela milésima vez dentro do carro. Os orbes estavam marejados por conta do sono e direcionados ao homem que dirigia tranquilamente pelas ruas vazias de algum lugar da China. Chegaram na capital e, com o carro alugado, puseram os pés na estrada. A loira ainda não sabia qual era o destino e perguntava-se o porquê de não terem ficado em Pequim. Parecia um bom lugar para turistas visitarem...

Observou Gaara olhá-la por alguns segundos e voltar a atenção para a pista. O céu estava nublado e caíam finas gotas de chuva no veículo. A Yamanaka achava aquele clima gostoso; ainda mais quando tinha alguém para abraçar e se entupir de chocolate quente. Mordendo o lábio inferior, imaginou por um momento ter o ruivo agarrado consigo. Estava se sentindo estranha demais desde o beijo no lago. Sentia as sensações que deveria sentir com seu namorado, não com seu melhor amigo. 

Arhg! Como é difícil! Martirizava-se. Precisava se livrar daquilo. Gaara já tinha uma paixão e deixava bem explício o quanto era louco por ela... Mas então, por que as vezes, ele parecia querer algo consigo? "Posso te dizer agora, nesse exato momento, como se sentiu em meus braços quando nos beijamos." Será que ele estava brincando com ela? Ele sempre fizera piadinhas e sabia que no início, quando se conheceram, ele tinha vontade de ficar uma noite com ela. Mas por ter namorado, nunca conseguiu. Então tornaram-se bons amigos. E só. 

Deixe de ser paranóica, mulher. Gaara é seu melhor amigo e ponto final. Esqueça essa vontade de beijá-lo. Esqueça essa vontade de abraçá-lo a todo momento. Pensava, sem notar que ainda o encarava.

— O que foi? — ele indagou, estranhando a forma esquisita que ela o observava.

— Ahmm... O quê? Ah, nada. Por que acha que tem algo de errado comigo? — perguntou de volta. As bochechas coravam violentamente.

— Está me olhando há um tempo de forma estranha. Achei que estivesse com alguma ferida no rosto ou sei lá... 

— N-não é nada, eu só... Eu só estava pensando. — sorriu amarelo — Para onde estamos indo?

— Sichuan. 

— Ah... E por que você não quis ficar na capital? Parecia ter pontos ótimos.

— Você sabe que não gosto de lugares tumultuados. Só ficamos em Tóquio porque eu nasci lá — disse — E Sichuan tem tudo o que gosto. Sempre quis conhecer o estado. Acho que você vai gostar também.

— E estamos chegando?

— Mais uma hora de estrada, pelo que consta no mapa. Acha que aguenta mais um pouco sentada?

— Talvez. Se eu receber alguma massagem depois — espreguiçou-se — Minhas costas já não são mais as mesmas.

— Podemos resolver isso quando chegarmos ao hotel — sorriu mínimamente — Sabia que minhas mãos são bem faladas por todas as mulheres que elas tocam? 

A secretária revirou os olhos.

— Homens são tão pervertidos.

                                    ⌛

Segurando a mão da Yamanaka, Gaara a guiava cautelosamente até o hotel. A China era um belo país, no entanto, os cuidados que tinham que tomar para não serem tachados de desrespeitosos eram grandes. Assim como a maioria dos países orientais. Os sinais ocidentais que eram considerados inofensivos, normalmente, eram vistos com outros olhos pelos orientais. E por Ino ser cheia de gestos e caras e bocas, era mais seguro mantê-la quieta.

Adentraram o estabelecimento e foram recebidos imediatamente pelo recepcionista. Havia sido difícil encontrar um local onde algum chinês falasse inglês; geralmente os turistas tinham que se virar para se comunicar, já que eram raros os chineses que falassem uma segunda língua. O que fez a loira se espantar quando Gaara contou.

Adentraram o quarto, notando a cama de casal um tanto parecida com a cama da casa de Hinata e Naruto. O Sabaku bufou, balançando a cabeça negativamente. 

— Ele deve ter entendido errado. Irei resolver isso ag...

— Está tudo bem, Gaara. Vai esquentar a cabeça com isso para quê? — bocejou — Eu estou cheia de sono e cheia de fome. Louca para experimentar a culinária chinesa e saber o que o senhor pretende fazer aqui.

Ele sorriu.

— Saberá logo. Mas acho válido descansarmos primeiro — sugeriu — Vamos deitar um pouco. 

Ela encarou a cama mais uma vez.

— Abaixar para se deitar... Minhas costas agradecem, viu, cultura chinesa? — resmungou. Sentia os ossinhos querendo estalar ao mesmo tempo em que se abaixava para deitar sobre o colchão — Não é possível que uma mulher jovem como eu sinta dor na coluna.

Antes que pudesse deitar de vez, as mãos do empresário seguraram seu corpo por trás, impedindo-a de prosseguir. O hálito quente batia em seu pescoço, causando-lhe leves arrepios.

— Irei ajudá-la a livrar-se da dor — murmurou — Posso?

Sentiu os dedos dele fazerem menção em subir a camisa juntamente com o casaco. A loira engoliu em seco. Aquilo estava lhe parecendo uma péssima ideia. Ainda mais por não estar usando absolutamente nada por debaixo das roupas. Eram apenas casacos. 

— E-eu... N-não estou usando... — mordeu o lábio inferior — Você sabe... 

Enrolava-se a cada palavra. E estava odiando-se por aquilo. Nunca tivera problemas em dizer o que lhe desse na telha. Porém, aquela viagem estava despertando toda a vergonha e timidez que jamais demonstrou ter um dia.

— Sutiã? — completou. A secretária parecia um tomate de tão vermelha que estava. O que Gaara não notou por ela estar de costas — Não se preocupe. Não farei nada com você e nem olharei o que não devo. 

Ela fechou os olhos, expirando.  Apesar da vergonha, desejava muito receber os toques do amigo. E que Sai a perdoasse por estar sendo tão filha da puta.

— C-certo — gaguejou.

Ino ergueu os braços para cima da cabeça, deixando o ruivo despi-la lentamente. Sentia os dedos roçarem levemente contra sua pele, obrigando-a a segurar leves suspiros. Não queria demonstrar de forma alguma que ele estava a afetando.

Ao notar que já estava nua da cintura para cima, cobriu os seios quase que de forma automática com os braços. A pele se arrepiou pelo frio e pela mão que afastava os cabelos de sua nuca. E, sem conseguir segurar mais, soltou um suspiro de alívio ao sentir os ombros serem massageados de forma lenta e atenciosa. O calor começava a tomar seu lugar no ambiente juntamente com a tensão de seu corpo que ia embora.

— Tem algum óleo ou coisa parecida para que eu possa passar? — indagou, tirando-a do transe em que se encontrava.

— Acho que tem na minha mala... — disse, puxando o lençol para cobrir a nudez — Eu vou pegar, não se preocupe.

Logo o ruivo pode ver o frasco nas mãos da secretária. A face angelical corada e o tecido fino do lençol tapando os belos atributos da Yamanaka. Se ela soubesse como estava desejando-a naquele momento. Maldita hora em que resolveu tomar aquela decisão. Só estava piorando sua situação.

— Aqui. — entregou-lhe o frasco — Tem um pouco.

Ele assentiu.

— Deite-se agora. Irei passar em suas costas. 

A garota obedeceu. O óleo escorreu por sua pele ao mesmo tempo em que Gaara a massageava. Emitia gemidos baixos de alivio e de satisfação quando o Sabaku apertava os pontos mais doloridos, o que o rapaz tentava ignorar. Tentaria acabar com aquilo o mais rápido possível antes que a agarrasse. Tocá-la de forma tão direta ao mesmo tempo em que não podia era torturante.

 Ino também desejava toques mais intensos. Estava entrando em um conflto interno, amaldiçoando-se por querer outro homem além do namorado ao mesmo tempo em que imaginava as mãos do Sabaku tocando-a em pontos mais... Sensíveis. Fechava a mão em punho, como se impedisse os próprios dedos de se infiltrarem em sua calça e tocar a intimidade lentamente sob os olhos do ruivo. 

Frustrada, a loira se levantou assim que a massagem acabou. O corpo queimava feito brasa, ansiando pelo empresário. Sentia a peça íntima úmida pela excitação. Não poderia deixar aquilo acontecer. Não acreditava que estava desejando-o daquela forma. Bandida traidora! Insultava-se, abismada. E, por mais xingamentos que saíssem de sua mente, a vontade de se satisfazer sob as mãos do melhor amigo não passava. 

E jamais passaria se ela não tomasse alguma atitude.

Sem prévio aviso, a loira correu em direção ao banheiro, disposta a resolver aquela situação com as próprias mãos. Literalmente. Pode sentir o olhar de Gaara em suas costas, mas não iria se virar. Apenas fechou a porta com força, sem saber se ficava irritada ou envergonhada com a situação em que se encontrava.

                                   ⌛

Tentava não olhá-lo nos olhos. Temia ter feito barulho demais ao se masturbar na maior cara dura no banheiro, PERTO DELE. Pior, sabia que tinha o chamado durante o "processo". Imagine se ele tivesse escutado? As bochechas coravam só de lembrar. Iria queimar no inferno por estar traindo o namorado. Porque, sim, para ela, só o ato de pensar era considerado traição. E ela havia se tocado pensando em outro! Merecia todo o castigo do mundo por aquilo.

Gaara percebia a loira murmurando coisas incompreensíveis; estava estranha desde o banho que ela havia inventado de tomar. De repente, o cansaço tinha ido embora e, por alguma razão, ela havia decidido que deviam descer para jantar. E por aquele motivo estavam no restaurante do hotel; aguardavam pacientemente o garçom enquanto prediam-se aos próprios pensamentos. O Sabaku tentando decifrar a Yamanaka e a loira se torturando.

— O que vai querer, Ino? — indagou, chamando a atenção da mesma.

— Ahm... Oi? — saiu da conversa que tinha consigo mesma, mas ainda mantinha os olhos presos no cardápio — Bem, eu não sei... Não conheço muitos pratos. Você pode decidir, desde que não tenha bichos vivos.

O empresário arqueou uma sobrancelha.

— O que há com você? Não tira os olhos disso — reitirou o objeto das mãos da mesma, sob protesto —  Você está estranha, Ino. O que foi?

A secretária desviou os olhos para a mesa ao lado; tentava conter a vergonha nas bochechas, mas aquele parecia ser o dia de seu constrangimento. Queria a cadeira para se recostar, mas estava sentada no chão; a mesa era baixa demais e as pernas estavam posicionadas como se fosse meditar ou algo do tipo. Soprou a franja, irritada.

— Não é nada... — murmurou — Só estou com fome. Só isso.

— Sei... E por isso não consegue me olhar?

Ela engoliu em seco. Será que ele sabia? Mordeu o lábio inferior, criando uma coragem absurda para encará-lo. Os orbes verdes estavam confusos e desconfiados. No mais, parecia tranquilo; sabia que se ele estivesse escutado algo, não perderia a oportunidade de provocá-la. Isso acabou tranquilizando-a por um momento.

— Desculpe. Eu estou um pouco... Desconcertada — sorriu amarelo — Vai fazer o pedido?

Ainda desconfiado, ele assentiu. Uma garçonete bastante bonita surgiu diante de ambos, atraindo a atenção do ruivo. Tinha a pele branca, cabelos lisos presos em um coque e a boca avermelhada. Os orbes puxados marcavam sua origem e o kimono florido caía-lhe bem ao corpo. Ela o encarava de forma intensa, arrancando um sorrisinho dos lábios do Sabaku.

O que Ino prontamente percebeu, é claro.

— O que desejam? — o idioma inglês saira da boca da mulher; o empresário percebeu ter feito a escolha certa a partir dali.

Pedindo pratos tradicionais e conhecidos para Ino não se espantar, Gaara observou a mulher sumir dentre as mesas. E só tirou os olhos da mesma quando a loira a sua frente beliscou seu braço sem dó.

— Ai! — Exclamou — Louca! Por que fez isso?

— Porque você é sem noção! — exclamou de volta — Não tem vergonha de dar em cima dela estando na companhia de outra mulher? 

— Eu não estava dando em cima dela. Só estava admirando a beleza... — retrucou — E que mal há nisso? 

— Nada, Gaara. Não há mal nenhum — revirou os olhos — Você só é um cafajeste que fica iludindo essas pobres moças. Mas tudo bem, não é? — balançou a cabeça negativamente — E então, o que pretende fazer aqui?

Gaara observava as reações da mulher, cada vez mais confuso. Ino estava pirando, não havia uma explicação mais lógica. 

— Tem alguns pontos que eu gostaria de levá-la. Templos, paisagens naturais, lugares históricos... Sempre desejei conhecer mais da cultura daqui de perto  — disse. Totalmente em alerta devido o furacão a sua frente  — Mas agora... Tenho medo de você me jogar de algum penhasco ou rogar alguma praga chinesa pra cima de mim.

A Yamanaka suspirou. 

— Desculpe. É que eu estou... Nervosa — disse — Você... Não escutou nada de estranho vindo do banheiro, escutou?

Ele negou, observando a garota comprimir os lábios. 

— Gaara, eu preciso conversar com você. —  levantou-se. — Agora. Vamos jantar depois.

O empresário olhou-a, indignado. Mas o que diabos deu nessa mulher?

                                     

Mais uma vez, estavam no quarto. Os dois sentados sobre a cama; Gaara olhando a amiga, confuso, enquanto a mesma demonstrava extremo nervosismo. Não estava entendendo nada. Alguma coisa tinha acontecido para ela agir de forma tão... Estranha. Só esperava que não fosse algo muito grave.

— E então? O que foi? — indagou. Ela suspirou pela milésima vez naquele dia.

— Gaara, nós somos amigos, não somos? — perguntou, vendo-o assentir — Não há segredo entre nós, certo?

— Não... — respondeu, tentando decifrar aquela conversa.

— Então eu acho que tem o direito de saber o que está acontecendo comigo desde que começamos a viajar — disse — Eu acho que estou entrando em um tipo de carência e tudo mais por tudo isso o que está acontecendo, sabe... Ficar longe do Sai ao mesmo tempo em que estou te acompanhando em uma jornada que te leva literalmente a morte... Eu estou me sentindo mal, necessitada de carinho e essas coisas todas...

— Ino... — chamou, interrompendo-a.

— O quê?

— Não faz nem cinco dias que estamos viajando. 

Ela arregalou os olhos. Cinco dias? Então por que pareciam estar naquilo há semanas? Era possível ter tantos sentimentos misturados dentro de si em tão pouco tempo? Não podia ser...

— Parecem mais para mim — murmurou — Para você não?

— Para mim também — sorriu — Acho isso ótimo.

Ela deu um sorriso menor.

— Gaara... O fato é que em tão pouco tempo eu... Passei a sentir coisas estranhas em relação a você — disse entre pausas — Eu não quero que me leve a mal; somos amigos e a última coisa que eu desejo é estragar nossa amizade. 

O ruivo engoliu em seco, sentindo o coração acelerar. O que ela iria dizer?

— Eu realmente acho que isso seja algum tipo de carência. Então gostaria de tranquilizá-lo e dizer que não é para se preocupar...

— Diga logo, Ino!

A loira expirou. Ela não podia mais esconder aquilo. Ela tinha que dizer a ele; precisava contar. 

Precisava dizer ao seu melhor amigo que o desejava da forma mais inapropriada que uma mulher poderia desejar alguém.




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