História Apenas 50 dias. - Projeto Setembro Amarelo - Capítulo 2


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Palavras 5.176
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - Praia e sorvetes.



(...)



— Eu posso te pedir mais uma coisa, Alex? – Pergunta após um momento de silêncio, com a brisa da praia batendo no seu rosto.


— Po-pode.. – Alexander sussurrou enquanto tentava se acalmar com o barulhinho do mar.


— Você promete se esforçar para tudo que eu te propor por esses 50 dias?


— E-eu não sei, Miles.. – Turner abriu os olhos e olhou novamente para o outro que lhe encarava de modo gentil. – Não sei tenho forças pra cumprir algo que eu prometa hoje.


— Eu estou aqui te pedindo isso para você se esforçar, Alexander. – Sorri levando uma das suas mãos a bochecha do outro. – Eu só quero isso, eu quero que você faça o seu melhor.



Turner assente um tanto envergonhado com o toque alheio. Não demora muito pra se afastar e soltar da mão de Kane. Já este fica sem graça depois do afastamento repentino mas entendia o outro garoto, ele precisava de um tempo.



— Você está pronto para a página 1 das 50 que vamos escrever?


— Eu acho que sim. – Alexander respira fundo e sente seu corpo arrepiar.


— De 0 a 10, quanto você acha que tem de coragem pra entrar comigo na água agora?


— A-acho que 6,5. – Alexander riu da ideia um tanto maluca do outro, mas não poderia negar que havia gostado se sua ousadia.


— Você aceitou minha proposta internamente que eu sei. – Miles tira a jaqueta escura que estava por cima de sua camiseta, a jogando junto com seus sapatos na areia da praia. – Vamos?



Alexander acaba cedendo ao outro e tira sua blusa quente também, seguindo o outro que já corria em sua frente. Ambos os garotos não perceberam o quanto tempo ficaram nas águas frias da praia mas acabaram assistindo o nascer do sol dentro da água salgada.

Quando estavam cansados, deitaram na areia e começaram a brincar de olhar as nuvens, adivinhando o que elas formavam. Até o momento em que Alexander não segurou sua curiosidade sobre algo. 



— Miles.. porquê você está fazendo isso.. por mim?


— Minha alma andou procurando a sua então é meio que por isso que eu estou fazendo isso. – Suspirou. – Eu estava sentindo que alguém precisaria de ajuda como eu precisei há um ano, eu sentia que a pessoa que apareceria no prédio hoje seria a pessoa que a minha alma estava gritando que precisava de ajuda. E bom, eu senti isso quando te vi sentado lá.


— No-nossa.. isso é muito bonito, Miles. – O moreno fixou seus olhos no céu azul e ficou pensando no que outro menino havia falado. Aquilo realmente o tocou profundamente.


— Eu espero que eu consiga cumprir a missão que o universo me proporcionou. Eu quero que você consiga ver uma luz. E, se eu conseguir, quero que você vá comigo em qualquer lugar ver baleias. E bom, eu já fiz minha promessa se eu não conseguir…


— E q-qual é a promessa..? – Turner acabou virando sua cabeça para o outro um tanto curioso.


— Eu deixarei você ir e farei mais qualquer coisa que você quiser, pode escolher.


— Er.. preciso escolher agora..? – Turner estava com dificuldade em desvendar aquele garoto, mas gostava do mistério que ele exalava.


— Você tem 50 dias para decidir isso mas eu amaria um spoiler do que você poderia me pedir. – Miles aperta os olhos quando sente um grão de areia entrando em seus olhos.


— E-eu.. não faço ideia.. – Alexander não sabia o que pedir. Naquele momento de desesperança ele só queria se desfazer no meio do mar, como as ondas quando chegam na superfície da areia, se transformando em espuma e desaparecendo pra sempre.


— Então deixarei você pensar e quando decidir, você me fala, ok? – Miles olha para o outro, que apenas concorda com a cabeça. – Mas minha pergunta é: se eu conseguir, você vai ver as baleias comigo?



Alex apenas acena novamente pois duvidava que conseguiria ser convencido de algo que já estava tão decidido.



— Me diga, qual foi a última coisa que você fez e teve satisfação em fazer aquilo?



Turner pensou e pensou, mas não conseguiu lembrar com facilidade de algo que teve prazer genuíno em fazer.



— Sem resposta? – Levanta a sobrancelha, ainda sem tirar os olhos do outro moreno. – Bom, eu fiz uma lista de coisas para se fazer mas não sei se toparia fazer tudo então pensei em ir para o básico, como passeios e doces, você tem cara de quem gosta de sorvete.


— E-eu amo sorvete de chiclete.. – Alexander sorriu rindo e acenando empolgado, pois amava sorvete.


— Sorvete de chiclete? Esse eu não conheço. – Sorriu.


— Podemos experimentar agora.. não é? – Alex levantou e estendeu sua mão para o outro que sorriu ainda mais com o gesto.


— Podemos sim. – Diz passando sua outra mão nos seus cabelos. Ele se recusava a soltar a mão de Alex agora. – Vai ser difícil achar uma sorveteria aberta agora, mas se você souber de alguma você pode dizer.


— Minha tia tem uma sorveteria.. e eu tenho a chave. – Turner sorriu malandro. – Deve ser por isso que eu conheço vários sabores diferentes.



Com isso, Alexander puxou a mão alheia quase não deixando o outro pegar os sapatos. Apostaram corrida até a frente do comércio e o menino melancólico já estava rindo sem parar por Miles ter caído quase umas duas vezes durante o caminho.



— Eu tenho direito de... – Kane respira fundo, tentando recuperar o fôlego. – ..tomar uma casquinha de chocolate depois do de chiclete?


— E-eu.. vou pensar.. no seu caso. – Alex ria e tentava respirar ao mesmo tempo que procurava a chave em seus bolsos. 



Não demorou para ele a encontrar e abrir a lojinha, entrando em seguida do outro.



— Eu acho que não conseguiria trabalhar com um negócio desses. – Olha em volta enquanto via o outro ir para trás do balcão com as massas de sorvetes para casquinha.


— Acho que foi por isso que a minha tia me dispensou fazem alguns meses.. dava só prejuízo pra ela..! – Alexander dizia ao mesmo tempo que servia um copinho com o sorvete de chiclete que era todo colorido. – Vou colocar no copinho pra a gente poder comer vários sabores diferentes, okay?



Miles apenas concordou alegremente, olhando para os cantos.



— Acho que esse seria o motivo de eu não ter um negócio desses. Eu não iria abrir e acabar comer todos os sorvetes... Provavelmente eu faria isso com uma pizzaria também.



Alexander riu do outro e lhe entregou o sorvete, servindo para si mesmo em seguida.



— Eu gostei pra caralho disso. – O outro diz assim que toma uma colher, sentando num dos bancos do balcão.


— Uau.. Miles Kane, o Salvador de Almas.. falando palavrão? – Alex diz provocador ao mesmo tempo que dava uma colherada em seu sorvete multi colorido também.


— As vezes. – Vira o rosto para Turner. – O que, vai dizer que o príncipe de chiclete não fala um palavrão? – Morde os lábios, tentando chegar no mesmo tom provocativo do outro garoto.


— Jamais. – Alexander riu com a boca cheia de sorvete, quase se engasgando por isso.


— Eu não acredito. Eu não aceito isso. – Diz pegando seu banco junto com seu sorvete e vai até onde Alex estava. – Olha nos meus olhos e diz que o Príncipe de Chiclete não fala um puta que pariu de vez enquanto quando bate o dedinho na quina da parede.


— E-eu só não estou acostumado a dizer essas coisas.. – Alex acabou gaguejando quando o outro chegou bem mais perto de si. – Sempre fui proibido de dizer qualquer coisa chula assim.


— Acho que estamos quites... Eu nunca usei a palavra chulo no meu vocabulário. – Miles gargalha, tomando mais uma colher da sobremesa. – Eu tô falando, você é um membro da família real, certeza.



Alexander ri novamente se inclinando demais e acaba caindo do balcão onde estava sentado.



—Alex? – Kane levanta indo diretamente aonde estava Turner. – Está bem?



Turner estava rindo muito pois agora tinha sorvete quase no rosto todo, e ver Miles com aquela cara de assustado era ainda mais engraçado. Apesar de sentir dor na lombar, naquele momento aquilo não era tão importante.



— Quando eu te disse que você era o Príncipe de Chiclete, não era literalmente. – Kane ri.



O garoto todo melecado ri, mas do nada respinga sorvete no outro também, adorando ver sua reação.



— Você tem sorte de que eu gostei disso... – Miles continua a ri, levantando pegando o próprio copo de sorvete. – Quer saber? Que seja. – Diz antes de pegar um pouco do próprio sorvete e jogando no garoto risonho do chão.


— Eii! Isso é injusto! – Alexander levanta e com uma cara desafiadora começa a correr atrás do outro que já ria sem parar.


— Você gastou todo o seu no chão então é justo sim, Príncipe.


— Ma-mas não foi culpa minha, Mi. – Alexander fez sua melhor carinha de bebê e foi se aproximando aos poucos de Miles.


— Você me chamou do que? – Aquele apelido havia feito Miles parar e olhar para Alex.


— Mi..? – Alex diz ainda de modo "manhoso" olhando agora para o chão. – Você não gosta..? De-desculpe, e-eu..


—Não.. Eu, na verdade, amei. – Começa a se aproximar em passos curtos a medida que Alex também se aproximava.



Alexander sorriu quando ouviu Miles dizer que havia amado o apelido. Começou a sentir a respiração do outro encostar em seu rosto e não conseguia tirar seus olhos dos dele.



— Eu gosto dos seus olhos, Príncipe de Chiclete. – Disse assim que chega a poucos centímetros de Alex.


— Também gosto dos seus, Salvador de Almas. – Alexander sorri sem graça e limpa com o polegar direito o sorvete que Miles tinha em uma das bochechas.


— Eu não nego, amei o Salvador de Almas. – Sorri assim que sente a mão alheia sobre seu rosto.


— Tenho que confessar que Príncipe de Chiclete não é ruim. – Alexander ruborizou quando sentiu os dedos de Miles acariciando sua mão também. – É bem fofo..


— Agora ele faz sentido, não é? – Morde os lábios.


— A-acho que sim.. – Alexander sente seu corpo arrepiar quando olha Miles mordendo os próprios lábios. Seu rosto começou a incendiar e nem sabia direito o porquê.


— Mas agora faz mais. – Diz rindo, passando sua mão ainda suja de sorvete pelo rosto de Alex, o lambuzando por completo.


— Ei, Miles..! – Alexander pegou pelo pulso alheio para que o mesmo não continuasse o que fazia e nisso começaram a "brigar" até que Alex caísse em cima de Miles que amorteceu sua queda ao chão novamente.


— Para alguém magrinho, você é bem pesado. – O outro ri olhando para os olhos de Turner.


— E você é bem fraquinho por ser maior do que eu.. – Turner retrucou enquanto olhava cada detalhe do rosto angelical alheio.


— Ah é? – Miles pergunta vendo o outro concordar com a cabeça. Depois disso não demorou nem três segundos para que Kane desse um impulso, fazendo-o ficar em cima de Turner. – E agora, Príncipe?



Alexander riu mas em seguida começou a se sentir mal, mas não pela sensação tão próxima do outro, mas por o quê aquilo parecia. Não queria estar sentindo atração por Miles, mas estava e aquilo Alex não considerava normal.



— O que você tem, príncipe? Medo de mim? – Miles pergunta tentando ser o mais cômico possível quando viu o olhar sério do garoto abaixo de si. Na vontade de trazer o garoto zoeiro e animado de volta, Kane lambe a bochecha de Alex que havia sujado por último.



Alexander tremia cada vez que Miles o chamava de príncipe. A nuvem de pensamentos invasivos e autodepreciativos se esvaiu quando sentiu a língua do outro em sua bochecha.



— Er, acho que sim. – Disse saindo de cima do outro, sentando do lado em que o corpo dos dois estavam anteriormente.


— Er.. hã.. de-desculpa, Miles. – Alexander abaixou sua cabeça e suspirou voltando a ficar triste como antes.


— Você pede desculpas demais, tem que mudar isso. – Sorri para o outro, levando sua mão até a testa do mesmo, limpando o sorvete do local.


— A-acho que eu fui criado para agradar as pessoas e é tão difícil me desacostumar disso. – Turner disse de modo tímido enquanto fechava os olhos e curtia os toques de Kane em si.


— Que tal você me contar sobre isso enquanto tomamos um sorvete de chocolate? Você me prometeu um sorvete de chocolate.



Alexander riu de modo espontâneo e assentiu ao pedido do outro. Em seguida levantou e pegou casquinhas as servindo de sorvete do sabor que aparentemente era o preferido de Miles.



— Então, jovem gafanhoto... Conte-me tudo, não esconda-me nada. – Miles apoiou a cabeça na mão que estava acima do balcão assim que Turner sentou ao seu lado.


— O-o que você quer saber, Mi? – Alexander o entregou uma casquinha e olhou novamente para aqueles olhos tão bem animados.


— Tudo. Sobre sua família, seus motivos, sua idade que eu ainda não sei, sua criação, o porquê você ainda está me ouvindo, enfim. – Miles sorri falando enquanto lambe uma parte do sorvete.


— I-isso é muita coisa.. mas posso começar dizendo que tenho 16 anos.. e você? – Alexander respondeu um tanto confuso olhando para um ponto fixo da sorveteria.


— Eu também. Sabe, eu achei que você era mais novo que eu mas temos a mesma idade.


— Sério..? Eu realmente achava que você era mais velho também.. pois parece que você é bem mais maduro do que eu, de certa forma.


— Eu? Mais maduro? Me desculpa mas não sou eu que falo coisas como "chulo" com 16 anos. – Miles ri, agora focando no rosto de Turner.



Turner encara o outro fingindo um falso aborrecimento, pois logo em seguida ri e lambe seu sorvete. 



— Eu sempre li materiais técnicos muito cedo. Talvez isso explique algumas palavras "estranhas" que eu fale.


— Não é estranho. É que você fala tão direito que parece que eu estou tomando chá com a Rainha.


— Espero que isso seja um elogio, então. – Turner sorriu sem mostrar os dentes, enquanto abaixava seu olhar novamente.


— Bom, mesmo que tenha indícios que a rainha matou a princesa Diana, eu ainda vou com a cara dela então pode ser que sim.



Alex acabou rindo da tal bobagem que Miles falou. Como aquele garoto tinha o dom de fazê-lo rir com tanta frequência?



— Você ri tanto de mim que eu até me acho alguém engraçado... Ou talvez muito idiota, não sei.


— Você é só idiota mesmo, Miles.. – Alexander disse tentando estar sério, mas falhava miseravelmente. – ..mas me faz bem sendo desse jeito.


 —Fico feliz que isso te deixe feliz porque minha mãe não para de me perguntar se eu não sou retardado ou seja lá o que. —Volta a gargalhar, quase derrubando o sorvete. —De 0 a 10, quais são as chances de sua tia surtar por causa do sorvete no chão?


— Com certeza seria 11. Vamos limpar isso aqui, apesar dela estar viajando e eu estar sozinho em casa.


— Você mora com ela? —Miles levanta a sobrancelha, se levantando, tentando não escorregar com a lambança do chão.

.


Alexander assente tentando não ficar muito no assunto enquanto vai pegar um pano, um balde e um rodo para tentar dar um jeito na bagunça que acabaram fazendo naquele chão. Como não era nada mais que dois copos de sorvete espalhados, ambos acabaram limpando tudo muito rápido. Agora os dois garotos estavam na frente da sorveteria, olhando para o movimento de tudo e olhando como, ainda que umas ruas de distância, era possível ver a linha do mar.



— Você não terminou de me contar sobre sua história.


— Nã-não é nada de mais, Miles.. – Alexander sentiu seu coração acelerar e nisso começou a morder os lábios e a brincar com os próprios dedos.


— Eu ainda estou interessado. Algo me diz que você tem histórias para contar então eu quero saber. Podemos fazer assim: Você pode me pedir em troca qualquer informação sobre mim quando você me contar um fato importante da sua história. Acho que isso é legal para nós dois nos conhecermos.



Alexander ainda olhava para a linha horizontal do mar. Parecia que não tinha prestado atenção no que o outro havia dito, mas após alguns minutos assentiu obediente. 



— E-eu fui rejeitado pelos meus pais.. é isso.


— Como assim rejeitado?


— A-acho que acabei sendo um acidente, mas já estava muito grande quando pensaram em abortar. – Turner começou a ter dificuldade em respirar, mas não poderia deixar de responder Miles, não queria perder mais um amigo. – Ficaram me jogando pra lá e pra cá depois que eu nasci. Agora que eu completei 16 anos fui mandado para minha tia..


— E-eu sinto muito, Alex... Eu realmente não imaginava que... Eu só sinto muito…



Alexander estava desesperado pois não sabia se Miles o aguentaria chorando mais uma vez daquele jeito. Acabou colocando ambas mãos no rosto tentando esconder sua vulnerabilidade tóxica.

Kane não sabia o que fazer então chegou mais próximo do outro garoto e colocou uma de suas mãos dentre os cabelos de Alex, começando a fazer carinho no mesmo afim de acalmar o dono das madeixas escuras.

Quando sentiu os toques do outro em si, não demorou para colocar o rosto úmido no pescoço de Kane, abraçando a cintura do mesmo. Num primeiro momento, Miles não abriu a boca, deixando o garoto chorar o que precisava chorar e pensando no que poderia fazer para Alex finalmente lhe contasse suas aflições.



—Você está bem agora, Sr. Chiclete? —Perguntou após quase uma hora. Os seus olhos estavam sendo atingidos pelo sol e isso só estava fodendo seus olhos cada vez mais.


— A-acho que sim, Salvador.. – Alexander levantou seu rosto e percebeu que o outro estava sofrendo com a luz forte em seus olhos. – .. você.. quer ir lá pra casa..?


— Bom, se você não tiver problema com isso, eu agradeço. A luz do sol realmente fode com meus olhos. Talvez eu seja um vampiro e não sei. — Diz se levantando junto ao outro. — Eu sou o Edward Cullen! —Grita rindo.



Alexander ri novamente de Miles e o puxa para fora do comércio, o fechando em seguida antes de puxar o outra para o caminho de sua casa. A caminhada não durou muito já que a residência que estavam procurando não eram mais de 300 metros da sorveteria. Quando entraram, o tamanho e a decoração do lugar impressionou Miles. 



— Sim.. eu tecnicamente sou rico, mas ainda não sou feliz.. como isso é possível?


— Estou aprendendo uma coisa nova sobre você a cada minuto, hum? —O outro olha para os lados e, em seguida, para Alex.


— E não era isso que você queria, Miles..? – Alex sentou no sofá de modo desleixado, fechando os olhos em seguida.


—Não estou reclamando. Na verdade, quero saber mais. —Sentou ao lado de Turner.


— Bom, e-eu estudo na melhor escola da cidade, tenho poucos amigos e estou cansado dessa vida.. – Turner fala de modo exausto e um tanto exaltado. – ..quer mais?


— Se você puder, eu aceito que fale mais. Alex, você resume sua vida como eu tento resumir as respostas das minhas provas de exatas. —Kane revirou os olhos.


— Eu tenho problemas com confiança e amizades.. como vou saber que você ainda vai gostar de mim amanhã?


—A garantia de que eu irei continuar com você é a mesma garantia que você me deu quando aceitou tentar permanecer vivo. Eu trabalho com igualdade: se você cumprir com sua promessa de se esforçar, eu continuarei aqui.


— O-obrigado, Mi.. – Alex sorriu triste sentado com as pernas cruzadas estilo indiozinho, sentindo o quanto ainda estava deprimido. – Nã-não sei se eu mereço alguém como você na minha vida.


—Descobriremos agora: Você é racista, nazista, homofóbico, preconceituoso, é contra a preservação do meio ambiente ou matou alguém?


— Humm.. talvez eu seja preconceituoso comigo mesmo as vezes.. – Alexander começa a brincar com os próprios dedos e olha para a enorme janela que havia em frente de ambos garotos.


—Com você? —O outro levanta a sobrancelha mas era óbvio que Alex não prestaria atenção nisso.


— Si-sim.. – Turner passa a mão pelo seus cabelos e fica nervoso com o assunto que ele mesmo entrou.


—Eu te acho a cara de um estereótipo ambulante... Por que você sentiria algo tão repulsivo por você mesmo sendo que não há nada em você que seja diferente?


— Er.. é que.. não é a aparência, Miles.. – Turner não conseguia olhar para o outro, sentia como se formasse um nó na própria garganta. – .. é sobre a homofobia..


—Me desculpe ser tão invasivo e direto mas você é gay, Al?


— E-eu não sei.. e nem se se quero saber.. – Turner arrepiou com a forma direta que o outro foi. – E-eu sofro tanto com isso no colégio, só por "aparentar" ser "bicha".. A-acho que eu sofreria ainda mais se me assumisse de fato.


—"aparentar ser bicha"? Esse povo não tem mais o que inventar para perturbar alguém. —Revira os olhos.



Alexander sorri pequeno, mas não sabia como se comportar com Miles. Desde que o viu sentiu algo novo em si, como uma pequena faísca em meio a um lugar frio e abandonado.



—Eu sei, você disse que não sabe mas você sente que é?


— Si-sim.. – Alex assente ansioso por sentir borboletas brotarem em sua boca do estômago e fazer seu coração acelerar. – ..tô sentindo algo agora, na verdade..


—Agora? —Olha o outro com um olhar de desconfiança mas com um sorriso nos lábios.



Turner assente ansioso novamente morrendo de medo da reação do outro. Suas mãos começaram a tremer e sua vontade era correr dali, pois o olhar alheio o deixava ainda mais acanhado.



— Bom, eu estaria mentindo pra mim mesmo se eu chegasse e falasse que eu não estou sentindo nada.



Alexander mantia seus olhos nos próprios pés. Não sabia se aquilo era um sinal de reciprocidade ou não. Seus pensamentos bons se confundiam com os ruins o fazendo ficar confuso e acabar não dizendo mais nada.



— Certo... —Miles diz sem saber o que fazer a seguir já que aquela não era a reação esperada. —Bom, e a escola? Acho que é a única coisa que você não me falou detalhadamente.


— E-eu não gosto de falar desse lugar.. podemos mudar de assunto? – Alexander se levantou rapidamente um pouco confuso por tocar em tanta coisa que faz o possível pra esconder dos outros.


— Não gosta de falar do lugar ou não gosta do lugar em si? —Acompanhou Alex com os olhos.



Tudo que seja relacionado a ele, Miles. – Alex tirou sua segunda blusa de mangas compridas revelando braços com cicatrizes bem fundas e aparentemente recentes.



—Então eu paro com as perguntas, se quiser. —Kane disse tentando olhar para os braços do outro sem que o mesmo se sentisse desconfortável. Ele decidiu não perguntar sobre elas. Ele sabia como era desconfortável e mesmo curado ele ainda se sentia desconfortável quando perguntavam de suas marcas. —Pode decidir sobre o que podemos falar, Príncipe de Chiclete.


— Acho que só quero assistir uns filmes infantis agora.. por favor, Mi. – Alex se virou para o outro e sorriu manhoso.


— O Principe de Chiclete meio dark gosta de filmes infantis?


— Quando eu tô triste sim.. – Turner correu no quarto e pegou seu cobertor, sentou do lado do outro e ligou a televisão gigante que tinha na parede.


— Do que o senhor doce das trevas gosta? —Miles se afundou no sofá.


— Tenho saudades de assistir a Mansão Foster dos amigos imaginários, apesar de ser um desenho e não um filme.. – Alex ri pois sabia que o outro o corrigiria assim que tivesse oportunidade. – ..mas nem sei se ainda passa no Cartoon..


— Provavelmente passe mas não sei... Eles sumiram com MAD assim que tiveram oportunidade então talvez sim, talvez não…


— Eu preferia os desenhos antigos.. – Alexander faz um bico ao mesmo tempo que cruzava seus braços.


— Mansão Foster é Millennium comparado a outros como aqueles sombrios do Mickey ou Betty Boop. – Ri do outro menino que ficava incrivelmente fofo com aquela cara de criança mimada.


 — Pare de rir de mim.. isso é sério. – Alexander estava realmente chateado com a nova programação do Cartoon. E pelo jeito estava chateado com Kane pelo mesmo o zoar dele daquele jeito.


— Certo, eu entendo, é sério mas a nova programação do Cartoon não é tão ruim assim. O incrível mundo de gumball não é de fato ruim.



Alexander apenas suspira e muda de canal indo para Nickelodeon que ainda passava desenhos que o agradava.



— Bob esponja hum? Disso eu gosto.



Alex sorri mas em seguida boceja, indicando que não demoraria muito pra pegar no sono. Após alguns minutos já estava dormindo profundamente no ombro de Miles. 15, 25, 50 minutos passaram e Alex continuava a dormir, só que agora sua cabeça tinha descido do ombro para o colo de Miles. Kane estava ficando meio entediado, ainda mais agora que o desenho tinha terminado e foi aí que ele havia terminado e foi aí que ele decidiu andar pela enorme casa.

Era uma casa estranha de fato, já que parecia uma casa que não havia moradores. Acabou, depois de muito tempo, no quarto que parecia ser de Alex. Por que parecia? Porque haviam fotos dele com outras pessoas num dos cantos do lugar e um enfeite de mansão Foster na escrivaninha.



—Miles? —Kane ouviu a voz do outro mas não se importou já que estava ocupado prestando atenção nos detalhes que Alex não havia o contado.



Alexander estava um pouco zonzo por acabar de acordar e lembrar que havia um pseudo estranho em sua casa.  Foi em direção a seu quarto e encontrou o outro hipnotizado por sua coleção enorme de livros. Poderia ser facilmente confundido com uma biblioteca da mansão.

O que chamou a atenção do outro garoto também foram os desenhos melancólicos e as letras de músicas que cobriam quase toda a parede da escrivaninha. Miles havia ouvido o outro entrar e quando percebeu que o outro não iria falar nada, decidiu falar.



— Então quer dizer que o principezinho gosta de livros, desenhar e escrever, hum?


— Si-sim.. gosto de tocar violão as vezes também.. – Alexander sentou em seu grande tapete felpudo e pegou seu violão que estava encostado em uma pequena mesa de centro.


— Canta também? —Pergunta sentando na cadeira da escrivaninha, desviando suas orbes escuras dos desenhos e indo para o garotinho de rosto amassado pelo sono.


— U-um pouco.. – Alex sorriu tímido ao mesmo tempo que dedilhava as primeiras melodias que pareciam doces e leves.


— Você sabe, normalmente "um pouco" não é resposta.


— O-o tiro te acertou e você nem deu conta.. a espada atravessou e você sentiu nada. – Turner acabou decidindo cantar a música que havia escrito fazia poucos dias. – Seu amor foi embora e você nem pergunta.. os dias amanhecem e você nem levanta.



Miles não conseguia tirar os olhos de Alex e nem parar de pensar o quão ele parecia leve cantando. Ele realmente transmitia algo mais quente do que quando falava.



— A bomba explodiu e você nem viu o clarão.. o veneno tá na veia e você não quer cura. – Alexander fechou os olhos entrando em contato com os sentimentos doloridos, mas que o ajudaram a se expressar daquele jeito. – Seu amor foi embora e você nem percebe.. que os dias amanhecem e você nem acorda. As cores foram embora e você nem se pintou.. o açúcar foi embora levou todo o sabor.. – Alexander engrossa a voz de modo intenso e demonstra que estava bem perto de chorar, mas continua cantando sem gaguejar nem perder o ritmo.  – Tristeza pôs um véu em você, te cegou.. agora todos foram embora, só você se ficou.



Após isso, abaixou a cabeça e começou a chorar baixinho. Era como se a música como sua vida parasse por aí. Mas como Miles mesmo disse, ele iria ajudá-lo a sair do fundo do poço. Talvez sua primeira ajuda ao outro seria continuar a letra da música sem um final trágico como o esperado. Miles não comenta nada sobre a música até chegar ao lado de Turner, afagando seus cabelos do mesmo modo que fez quando o outro chorou na porta da sorveteria.



— Eu adorei a música. – Sussurra perto de Alex. – Mas eu acho que você deveria colocar algo mais otimista abaixo de versos tão bonitos. Sabe porque? Porquê... – Da uma pausa. – Depois que arde o corte sempre alivia.. enquanto os meses vão passando anestesia. – Canta no ritmo que foi os toques de Alex.



Em meio as lágrimas insistentes, Alex conseguiu sorrir e acabou abraçando Miles. Depois de alguns minutos, se afastou poucos centímetros do abraço e se percebeu encarando os lábios alheios.

Miles levantou uma de suas mãos até o rosto de Alexander e passou de leve seu polegar pelo mesmo. Ele queria muito fazer algo mas não sabia o que seu príncipe de chiclete iria fazer, ainda mais tendo acabado de se conhecer mas quem disse que ele se importava? Avançou nos lábios sem cor do outro garoto.

Alex acabou recebendo os lábios de Miles de modo desajeitado e um tanto receoso, mas acabou puxando o rosto alheio para mais perto do seu, transparecendo sua ansiedade. Kane acabou suspirando e sorrindo entre os lábios do garoto quando o sentiu sendo puxado. Aquela era uma reação melhor que imaginava.

Quando percebeu o que realmente aconteceu, retornando sua mente na realidade, se afastou rudemente do outro. 



— Vo-você precisa ir embora, Miles. – Alexander sentia seu coração batendo forte e sua boca um tanto amortecida. – E-eu preciso ficar sozinho..


—M-me desculpa Alex, eu não deveria ter feito isso... —Miles diz assustado com a reação do outro. Mal passava do meio dia, não podia acabar o dia 1 assim.



Alexander simplesmente foi até a porta e a abriu, esperando o outro garoto sair por ela. Miles suspira, indo em direção a porta. Antes de sair, puxa uma das mãos de Alex e tira um papel do bolso, colocando-o na mão do menino.



—Tchau Príncipe de Chiclete. —Sorri pegando seu caminho sem esperar umas resposta do outro. Era óbvio que Turner não responderia afinal.



Turner acaba não pensando direito e amassa o papel que o outro havia lhe dado, mas por algum motivo coloca no bolso da calça. Sem demora, arranca suas roupas, vai em direção ao banheiro e enche a banheira, entrando nela não muito tempo depois. 

No desespero do momento, iria colocar em prática o plano que havia montado. Pegou uma caixinha que havia cartelas de remédio para dormir e algumas lâminas. Após de tomar umas duas cartelas e se cortado de modo profundo em um dos braços, acabou lembrando de um rosto e um sorriso. 


"Minha alma andou procurando a sua então é meio que por isso que estou fazendo isso."



Antes que ficasse mais fraco, pegou o papelzinho que havia voado de sua roupa e com o número escrito lá mandou uma mensagem para o dono da fisionomia que apareceu em sua mente quase vazia. 


"Tchau, Salvador de Almas."






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