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História Apenas Amigos - Yoonkook - Capítulo 28


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Capítulo 28 - Boy Meets Evil




 Não sei onde estava com a minha cabeça em falar para uma pessoa que me odeia que ela pode desabafar em meu ombro porque irei lhe escutar e lhe ajudar. O quão estranho isso soa? Se contasse isso para meus amigos eles com certeza iriam me chamar de louco mas, por alguma razão, sinto que estou certo em ter tomado essa decisão. O Kim parece ser alguém sem amigos, mesmo estando rodeado de pessoas todos os dias.

    Durante alguns minutos Taeyong apenas chorou. Chorou tanto que me senti desconfortável e intruso naquele local. Vez ou outra, ele parava de chorar e eu pensava que finalmente iria me contar alguma coisa. E então mais uma vez não me entendi, não entendi a necessidade de ajudar quem mais me prejudicou. Talvez esse seja o meu maior defeito, ou talvez seja uma qualidade.

— Ok, vou embora — suspiro, desistindo de continuar ali — Boa sorte aí no seu... momento.

  Me coloco de pé e ando em direção a porta, parando num solavanco ao ouvir a sua voz soar em um tom baixo e sofrido.

— Espere... 

— Ok... — giro meu corpo e coloco as mãos na cintura enquanto lhe encaro — Quer conversar sobre isso? 

— Por que está me ajudando? Sabe... — o ômega desvia o olhar e faz uma careta — Eu fiz da sua vida um inferno..

— Ainda bem que admite — solto uma risadinha e volto para o seu lado, me sentando mais uma vez no piso sujo e frio  — Não sei responder sua  pergunta, e confesso que também quero entender essa necessidade que tenho em lhe ajudar. Talvez seja porque...

    Ele me encara com atenção e ao olhar em seus olhos tive a confirmação do motivo de querer lhe ajudar.

 — Vejo dor em seus olhos. Uma dor tão profunda que não é somente uma rejeição de um alfa. Sinto que você se esconde atrás dessa dor e por isso trata as pessoas daquela forma tão cruel. Você quer descontar em alguém todo o peso que carrega em suas costas.

— Tem certeza de que está fazendo o curso certo? — o ômega ri, mas não achei graça nenhuma.

— Então é isso mesmo, não é? — pergunto gentilmente.

— Minha vida é uma droga, é uma farsa — Taeyong começa a se abrir e resolvi ficar em silêncio, apenas lhe escutando — Vivo em função de ser o melhor, de ser o filho perfeito, o aluno perfeito, o ômega perfeito. Minha mãe sempre quis que eu fosse alguém que estivesse no topo das classes. Um alguém que nunca abaixasse a cabeça, um alguém que fazisse os outros abaixarem a cabeça. Cresci sem pai, na verdade tive duas mães — ele sorri e pela primeira vez pareceu ser um sorriso verdadeiro — Acho que meu irmão nunca mencionou porque é algo que nós não gostamos de falar. Ela era meu suporte, meu apoio, meu tudo. Perder minha mãe me fez ver o meu pior lado, o lado sem sentimentos. Porque se você não ama, você não sente, certo?

 Balanço a cabeça em negação.

— Mas por que você descontava em outras pessoas? Ninguém merecia suas atitudes.

 — Eu sei que não... mas eu... queria ser tudo o que minha mãe esperava de mim. Quero orgulhar alguém.

— E você acha que orgulha? 

— Minha mãe alfa sim.

— E a sua mãe ômega? — toco na ferida, me arrependendo na mesma hora em que vejo seus olhos se encherem de lágrimas mais uma vez — Taeyong e-eu...

— Não, você tem razão — ele interrompe, limpando rapidamente algumas lágrimas que caíram — Minha mãe teria vergonha se me visse agora, ela iria se orgulhar muito de Taehyung, agora de mim... iria me odiar.

— Não, sua mãe nunca iria lhe odiar. Mães amam... — paro de falar ao notar o que acabei de dizer. Nem todas mães amam, a minha por exemplo, deve me odiar — Você sempre pode mudar, pode ser você. Não precisa ser alguém que sua mãe quer.

— Eu moro com ela — ele dispara, balançando a cabeça — Eu nasci ômega e o peso disso é ter que ser perfeito para arranjar alguém perfeito o suficiente para cuidar de mim.

— É assim que você pensa? — pergunto incrédulo — Taeyong, não precisamos de ninguém além de nós mesmos — encosto em seu joelho e faço uma careta — Você não precisa de um alfa para te bancar. Você precisa de alguém que te ame, respeite e lute junto com você, todos os dias da sua vida. 

  — É assim com o Jeon? — pergunta baixinho, me encarando de forma séria. Balanço a cabeça em concordância e ele esboça um sorriso — Desculpa por... você sabe, ser a pior pessoa na sua vida.

— Nah, esse papel eu deixo para a minha mãe... — brinco, para descontrair.

— Quer conversar?

— Não estamos nesse patamar ainda, vamos com calma — interrompo o ômega, rindo  baixinho — Sabe, está na hora de levantar desse chão e ir viver a sua vida do jeito que você quer. Não pense sobre como sua mãe vai te ver, pense sobre como você quer se ver. Já é maior de idade, pode muito bem trabalhar e pagar sua faculdade. Saia da asa da sua mãe alfa, volte a ter uma convivência com o seu irmão pois ele gosta muito de você.

— Taehyung não me odeia? — seus olhos se arregalam — Eu...

— Ele é seu irmão, claro que não te odeia — suspiro e reviro os olhos, apoiando o corpo na bancada de mármore — Vejo que você não conversa sobre seus sentimentos com ninguém, não é? Seu irmão sequer imagina que você pensa dessa forma.

— Não me sinto confortável.

— E comigo se sentiu?

— Não, mas estava ao ponto de explodir e se não desabafasse eu...

— Explodiria.

— Sim, com toda a certeza — o ômega se encara no espelho e fica em silêncio por alguns segundos — Sabe... nunca pensei que fosse encontrar o meu alfa.

— Como você soube? — ele me olha confuso e me sinto constrangido — Sabe... que ele era seu alfa e tal...

— Ah, eu senti... — suas bochechas ficam vermelhas na mesma hora e arqueio a sobrancelha — Meu corpo começou a formigar, meus amigos falaram que minha pupila dilatou e bom... eu senti meu lobo dizer que era ele.

— O lobo... dizer? — céus, isso tudo é tão diferente pra mim. Sequer tenho isso, sou apenas um beta.

— Sim, não sei explicar só... só soube que era ele no momento em que ele passou do meu lado.

— E ele soube que era você também? 

— Não sei? — ele ri, mas não existe nenhum resquício de humor em sua risada, muito pelo contrário, existe dor — Ele não me diz nada.

— Não entendo o motivo do Jung estar fazendo isso com você e...

— Alguém contou os meus podres — Taeyong me interrompe e me encara de maneira séria — Pensei que tinha sido você, por isso eu...

— Explodiu lá na sala — completo e ele balança a cabeça — Não fui eu.

— Eu sei, agora sei. Foi alguém que eu achava que poderia chamar de amigo, sabe? — o ômega suspira e abaixa a cabeça — Acho que poderia ter dado tudo certo pra mim, talvez ele se interessasse e nós... nós poderíamos ser um casal mas ele acha que eu sou a pessoa mais desprezível.

— Não é impossível, vocês só precisam conversar.

— E você acha que ele quer conversar comigo? Aliás, você acha que alguém nessa faculdade quer conversar comigo como duas pessoas civilizadas? — o Kim abre os braços e mais uma vez seus olhos se enchem de lágrimas — Eu fui um lixo com muita gente, eu estou plantando o que colhi. Com todas as outras pessoas foram apenas palavras rudes, já com você fui alguém muito pior.

 — Por que? — pergunto baixinho, me sentindo estranho. Não gosto do fato de saber que as pessoas me odeiam, me sinto culpado, como se tivesse feito algo de ruim para elas sem nem ao menos saber o quê.

— Senti inveja.

— O que?! — pergunto incrédulo, balançando a cabeça em confusão. Como isso pode ser possível? Eu sou apenas um beta qualquer e ele é um ômega, rico e bonito.

— Coragem — Taeyong deu de ombros e reparei que ele passou a me olhar discretamente de soslaio — Você tem em seus olhos um espírito corajoso e persistente. Tem bondade e parece ser muito amado pelas pessoas. Senti muita inveja porque aquele dia havia tido uma discussão com mamãe, onde ela jogou em minha cara tudo o que não sou e mencionou um aluno novo que mesmo sendo beta, era melhor do que muitos.

— Mesmo sendo beta... — repito a frase com amargura, sentindo lá dentro o tom de preconceito vindo dela.

— Bom, foram essas as palavras que ela usou — o ômega esboça um sorriso amarelo — E também tem o fato de que mamãe queria me casar com um alfa lupús e Jungkook...

— Com todo respeito, sua mãe é uma megera — não consigo controlar minha raiva. Isso tudo é tão surreal para mim, é demais — E desculpe, não sei se consigo entender seus motivos, já que Taehyung é alguém completamente diferente e foi criado pela mesma pessoa.

— Mamãe nunca gostou de Taehyung, então nunca teve toda a pressão em cima dele. Nunca cobrou atitudes de meu irmão, ela simplesmente não ligava — ele sussurra, suspirando baixinho. Senti pena de meu amigo — Mamãe odeia betas, pois uma pessoa que ela amava muito a deixou para ficar com uma beta.

— E isso lá é motivo para odiar uma classe toda?! — disparo incrédulo novamente — Sua mãe tem quantos anos? Cinco?

— Eu não sei, tá legal? — Taeyong parece estar irritado, ele abre os braços e faz uma careta desgostosa — Só estou te falando o que sempre soube. Nunca entendi as atitudes de mamãe.

— Então você começou a me perseguir por que sentia inveja de quem eu sou e por que queria ficar com Jungkook mesmo não amando ele? — pergunto, deixando minha insatisfação amostra — Você queria apenas ficar com o meu alfa para satisfazer as loucuras da sua mãe e para isso usou métodos...

— Sim, me desculpe. Todos foram ideia dela — sua confissão me pegou de surpresa, não pude acreditar que uma mulher adulta e diretora de uma grande universidade pudesse ser tão baixa assim só por conta de títulos de classe.

— Isso... isso é... — sinto meus olhos se encherem de lágrimas e agora sou eu quem está ao ponto de derramá-las.

— Eu quero mudar, Yoongi — Taeyong me encara com os olhos marejados e fico em silêncio, sem saber o que responder — Fui uma pessoa ruim na maior parte da minha vida e cansei, não quero receber o olhar temeroso das pessoas. Não quero que elas falem comigo por medo ou por interesse. Não quero mais ser manipulado pela minha mãe e machucar pessoas que não merecem. Eu estou me sentindo a pior das pessoas agora, estava tão cego em ser o melhor para minha mãe que sequer percebi que estava sendo o pior para mim mesmo. Eu fui ao fundo do poço e continuo nele.

— Basta querer sair, você consegue.

— Não sei se consigo sozinho... preciso de pessoas ao meu lado  — sussurra.

— Taeyong, não sei se consigo ser seu amigo — digo com sinceridade, afinal, foram muitas coisas durantes esses meses e apenas uma conversa de uma hora não seria capaz de mudar todos os sentimentos ruins que guardo contra ele.

— Não te peço isso, só te peço perdão. Se você me perdoar, Yoongi, consigo pelo menos recomeçar sem todo aquele peso na consciência. Você foi a pessoa que eu mais prejudiquei, eu fiz ações contra você, diferentemente de todos os outros.

   Ficamos em silêncio por alguns segundos. Apenas encarei Taeyong e o mesmo me encarou com certa expectativa. Não sei porque o meu perdão significa tanto para si, mas se ele for o suficiente para fazer o ômega mudar de vida e tomar novas atitudes, acho que posso lhe dar um voto de confiança e lhe perdoar.

— Está tudo bem por aqui? — levamos um susto quando a porta foi aberta e um Jaehyun entrou por ela com uma expressão preocupada.

   Tanto o ômega quanto eu, pulamos de susto e encaramos o alfa intruso de maneira surpresa e curiosa, querendo entender a sua pergunta. 

— Como? — pergunto, já que o ruivo do meu lado permanece paralisado.

— Bom, quando estava subindo as escadas vi você entrar no banheiro logo após que sai e como sabia que Taeyong estava aqui dentro...

— Você pensou que eu fosse fazer algo contra ele? — a voz do ômega se pronuncia e o alfa balança a cabeça em concordância, fazendo-me fechar os olhos e suspirar.

— Está tudo bem, não se preocupe — respondo com sinceridade, alternando o olhar entre os dois — Então, o quanto você ouviu?

— Ouvi tudo — o Jung anda em nossa direção e para na frente de Taeyong, que se encolhe no canto da parede por puro reflexo. Faço menção de chegar perto do ômega mas o alfa estica a mão, impedindo-me de continuar — Não irei machucar ele, longe disso. Quero conversar de verdade.

— V-você acredita em mim? — o Kim sussurra, falhando miseravelmente em segurar suas lágrimas e até mesmo um pequeno sorriso.

— Todas as coisas que você fez não podem ser apagadas simplesmente da noite para o dia, mas enquanto fiquei ouvindo sua história, senti que deveria lhe dar um voto de confiança. Não podemos fugir do nosso destino, podemos criar um melhor juntos.

       Os dois mais uma vez entram naquela espécie de 'próprio mundinho' e me sinto completamente um intruso ali, limpando as mãos suadas em minha calça antes de ir me afastando lentamente para não chamar a atenção do mais novo casal. Quando estava alcançando a maçaneta ouvi a voz de Taeyong chamar meu nome e nem precisei me virar para saber que ele queria apenas uma resposta, e depois de pensar alguns segundos e sentir todo aquele peso do rancor ir embora, virei meu rosto para trás e lhe respondi com sinceridade, esboçando um pequeno sorriso.

Eu te perdoo. 



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