História Apenas colegas. - Capítulo 12


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Jhope!bottom, Jikook, Namgi, Namjin, Vhope, Vtop
Visualizações 85
Palavras 1.350
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Cross-dresser, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 12 - A família.


Era madrugada e o silêncio mórbido era interrompido vez ou outra pelo barulho dos motores apressados dos carros que se aventuravam pelas estradas à aquela hora. A cidade, sempre bem iluminada, dispensava o brilho escasso dos astros celestes que pouco apareciam, perdidos entre as nuvens negras que cobriam o céu.

Era final de outono e tempo estava mais frio e cinzento. Da janela do 15° e último andar daquele prédio, um homem já vivido, mas que ainda carregava feições bonitas e duras, observava o cenário pelas enormes paredes envidraçadas do apartamento. Nem o frio nem o sono lhe atingiam, apenas tinha na cabeça um pensamento incômodo.

“ele é igual a ela.”

Suspirou. Lembrar da filha ainda era doloroso. 25 anos haviam se passado e a culpa ainda lhe machucava. O neto, a quem sempre criou como se fosse seu próprio filho, estava seguindo no mesmo rumo desastroso da mãe. Ele séria capaz de morrer de amor por aquele outro rapaz?

A resposta era mais que óbvia, Taehyung tinha muito da mãe com quem ele mal conviveu. O velho soltou outro suspiro, se isso estivesse acontecendo há 25 anos atrás sua decisão seria outra, mas ele estava se tornando um velho de coração mole. Ele não podia perder Taehyung também.

(…)

Hoseok não conseguia levantar os olhos do próprio prato. Onde ele havia se metido? Ele nunca havia estado em Gangnam antes, muito menos num restaurante tão chique. Taehyung estava ao seu lado, é claro, e sua expressão era tremendamente séria e dura, um reflexo mais jovem do homem do outro lado da mesa.

Depois daquele dia, Taehyung havia lhe dado algumas explicações sobre sua própria vida e tudo parecia mais claro agora. A ausência traumática da mãe, a educação rígida que recebeu do pai e a grande responsabilidade que tinha nas costas por ser o único herdeiro de um enorme monopólio comercial, tudo contribuiu para a aquela personalidade amarga e retraída. Hoseok também se sentiu surpreso e culpado por saber que desde a infância ele havia nutrido sentimentos por si, que aos 15 anos ele havia fugido da família só para não perder o vínculo consigo, sendo que tudo que fez por uma vida inteira foi desprezá-lo. E agora ele se sentia na obrigação de retribuir todos aqueles anos, dar o amor que Taehyung nunca teve.

Mas estando ali, vendo quem Taehyung realmente era e de onde ele pertencia, Hoseok já não tinha mais certeza de nada. A diferença entre eles era gritante. Taehyung era filho de uma família rica e bem posta e ele era o quê? Ele não era ninguém!

–O que você ainda quer comigo? Eu pensei que minha resposta tivesse ficado mais que clara naquele dia!– Taehyung perguntou seco e o homem do outro lado da mesa soltou um suspiro de derrota, engolindo o orgulho.

–Eu, nossa família, a nossa empresa ainda precisa de você, Taehyung-ssi... Eu não vou desperdiçar o meu sangue e o esforço que eu tive em lhe educar por um detalhe tão pequeno.– O homem lançou um olhar de relance a Hoseok na última parte da frase e Taehyung contraiu os lábios irritado pelo desprezo visível na voz do progenitor.

–Mas eu não preciso! Eu não preciso de nada vindo de você.– o mais novo se impôs.

–Taehyung-ssi! Não dificulte as coisas. Eu estou sendo compreensivo com você, não desperdice essa chance que eu estou lhe dando. Você não precisa se mudar para França, nem abandonar seu amante. Só tome seu lugar na presidência e nada mais.– O homem apelou por fim e Taehyung olhou para Hoseok como se esperasse uma confirmação e este lhe deu um sorriso fraco, porém terno. Ele não se sentia no direito de dizer ao namorado o quê fazer. Por ele, os dois apenas viveriam suas vidas em paz, mas ele não queria prender Taehyung numa vida medíocre por um sentimento egoísta. 

–Tudo bem então... Mas eu gostaria que o senhor tivesse mais respeito pelo Hoseokie, ele não é meu amante, ele é meu namorado. Ele não é um detalhe pequeno, ele é minha vida.– o mais jovem falou por fim e o velho torceu os lábios.

–Tá bom... Tae-ah... Chega disso...– Hoseok falou baixo e apelativo para o namorado, que o ignorou.

–Só pare de tratá-lo como se ele fosse um qualquer.– Ele completou e Hoseok suspirou frustrado. Qual era a necessidade daquilo?

–Você é igualzinho a sua mãe!– Taehyung congelou por um instante, desde que sua mãe morrera nunca, siquer uma vez, ouvira o pai falar dela. –Igualzinho a Soo Mi...– repetiu com o olhar perdido na imagem do neto, como se visse ali a filha que perdera a 25 anos.

–O q-quê?... Por que o senhor...– Taehyung quis perguntar, mas foi interrompido pelo suspiro alto que o velho soltou enquando desviava o olhar pra paisagem além da janela. O céu noturno estava tão negro quanto o da madrugada anterior e a cidade ainda mais iluminada.

–Ela tinha uns 15 anos naquela época.. – Ele começou. –A mãe dela já tinha se ido e ela sofria muito... Eu não podia dar atenção e ela vivia trancada no quarto... Eu achei que era só uma fase, uma besteira e nem liguei... Mas ela estava ficando cada dia mais triste... Eu pensei que já estava na hora de procurar um tratamento pra ela, mas antes disso ela voltou ao normal e eu pude relaxar... Era bom ver minha filha sorrir como nos velhos tempos...– Ele fez uma pausa. –Até que eu descobri que o motivo dessa felicidade era um romance com o filho de uma das empregadas na mansão...– A voz, que antes carregava nostalgia, tomou um timbre mais rancoroso. –Eu não podia aceitar aquilo... Minha preciosa filha se envolvendo com um ninguém como aquele rapaz... Então eu os separei, eu mandei aquele homem embora, bem pra longe da minha Soo Mi...– Ele fez outra pausa. Ainda olhava o horizonte lá fora e parecia contar a história somente a ele. –Ela voltou a ser triste como antes... Não, ela ficou ainda pior... Só depois de algum tempo eu acabei descobrindo que ela esperava um filho daquele desgraçado...– A voz voltou a expressar melancolia e arrependimento. –Eu estava irado, louco e a ameaçava mandar tirá-lhe o bebê, eu não queria aquele sangue impuro manchando a minha família, mas ela protegeu o filho com a própria vida... Ela disse que preferiria morte... E eu só a deixei, pelo estado dela eu tive medo de que ela acabasse se matando se eu continuasse a ameaçando... E quando ele nasceu, eu achei que ela finalmente ficaria tudo bem... Mas... Ela continou definhando... No fim ela não pode esquecer aquele vagabundo... E morreu de tanto amá-lo... 

O silêncio se fez presente quando o homem parou de falar, a voz foi trêmula e dolorida, mas a expressão no seu rosto não havia mudado. Taehyung mantinha os dentes cerrados, o peito ainda mais cheio de cólera. Então aquela era a verdade? O avô, que sempre acreditara ser seu pai, havia sido o responsável também por ter tirado sua mãe, sua família de si? E o ódio e a dor lhe escorriam dos olhos como se queimassem. Aquele monstro não tinha limites.

–Eu não posso perder você também, Taehyung-ah... Eu não posso cometer o mesmo erro e matar você também...– Ele disse por fim e voltou os olhos pra Hoseok. –Cuide bem dele, eu não vou mais me meter no relacionamento de vocês...– O homem levantou e saiu do restaurante deixando os dois jovens pra trás. Hoseok não sabia bem o que fazer a partir dali, Taehyung continuava estático, o olhar perdido em pensamentos distantes. E o abraçou, envolveu o corpo do mais novo entre seus braços e puxou a cabeça dele pra descansar sobre seu ombro. 

–Eu estou aqui com você, Taehyung-ah... Não importa a dor que você estiver sentindo, você sempre terá meu colo pra chorar...– ele beijou os cabelos alheios e acariciou-os, ignorando a presença dos demais no restaurante, que os olhavam curiosos. E Taehyung obedeceu o namorado e chorou, alto e soluçado, expelindo a dor das recém feitas mágoas.

Hoseok tinha razão, o único lar que tinha era o colo dele.



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