História Apenas fique - Capítulo 44


Escrita por: ~

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Categorias Orphan Black
Personagens Alison Hendrix, Cosima Niehaus, Dra. Delphine Cormier, Elizabeth "Beth" Childs, Felix "Fee" Dawkins, Katja Obinger, Krystal Goderitch, Rachel Duncan, Sarah Manning, Siobhan Sadler "Sra. S"
Tags Aluna, Cophine, Cosima, Cosima Niehaus, Delphine, Delphine Cormier, Lesbicas, Orange, Orphanblack, Professora, Romance, Shay, Universitária, Yuri
Visualizações 506
Palavras 4.537
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Hentai, Josei, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Não esqueçam de respirar.

Boa leitura =)

5

Capítulo 44 - Não posso perder Cosima


 

O dia estava quase amanhecendo quando Delphine estacionou o carro de Beth perto do hospital, sua dor de cabeça que já tinha passado há muito tempo começava a voltar, sua cabeça latejava de medo. Tinha medo de como reagiria quando encontrasse seu pai novamente, desejava do fundo de seu coração que não precisasse vê-lo nunca mais, seu pai era um problema, mas o que a deixava naquele momento com mais medo era de como Cosima ficaria se algo acontecesse a Sarah. Era incrível como todos os seus pensamentos sempre terminavam em Cosima, era incrível como a necessidade de protegê-la falava alto. Beth e Siobhan estavam tão apreensivas o caminho todo que Delphine achou que elas morreriam de ansiedade, as duas estavam sem condições de dirigir ou sequer conversar, divididas entre a felicidade da chegada de Kira e o medo de perder Sarah.

-    Merda - Siobhan reclamou descendo do carro com o telefone em mãos - Cosima não atende.

Delphine e Beth também desceram e começaram a acompanhá-la até a entrada do hospital.

-    Tem certeza que quer entrar? - Beth perguntou para Delphine - Cosima vai te ver, é isso que você quer?

-    Eu preciso vê-la, ela deve estar apavorada - Delphine respirou fundo - isso é errado, eu sei, mas ela vai precisar de mim.

-    Ou te mandar embora, ou te odiar, ou brigar com você de novo, ou chorar, você está bagunçando a cabeça dela com esse vem e vai - Beth tocou o ombro da amiga - você precisa decidir se quer se afastar mesmo até tudo se resolver ou ficar junto com ela e arriscar. Não pode fazer isso com a garota…

-    Eu sei, mas…

-    Tudo bem Delphine, não precisa explicar - Beth mostrou um sorriso amigável e compreensível.

-    Oi - Siobhan atendeu o telefone que começava a tocar com um som estridente - Felix? Onde vocês estão? - Beth e Delphine pararam de conversar e começaram a prestar atenção em Siobhan - Ok, ok,  - olhou para as duas - estamos indo - desligou o telefone - vamos - falou para as duas guardando o celular na bolsa.

-    Pra onde? - Beth perguntou.

-    Felix e Cosima estão em um quarto, ele me ensinou como chegar lá.

-    Não vamos avisá-los?

Delphine perguntou apontando para a recepção, Siobhan nada respondeu, apenas passou e cumprimentou uma moça que estava em um dos computadores e entrou em um corredor, seguida por Delphine e Beth.

-    Quarto 32b, quarto 32b - Siobhan repetia - primeiro corredor a direita, segundo a esquerda - e pararam em frente ao quarto indicado por Felix.

Siobhan bateu três vezes antes de abrir e entrar, Delphine foi a última e suspirou ao ver a cena, Felix estava deitado na cama abraçando Cosima que aparentemente dormia, ela estava deitada no peito do amigo que tinha os olhos cansados, mas estava alerta.

-    Fee - Siobhan se aproximou falando baixo e depositou um beijo na testa de Felix - alguma notícia?

Ele negou com a cabeça e olhou para Delphine e para Beth.

-    Vocês três juntas, acho melhor eu nem saber o que faziam - falou baixo para não acordar Cosima, olhou para Delphine que não tirava os olhos de Cosima e suspirou - céus, o que aconteceu com suas mãos? - perguntou para Delphine que nada respondeu, naquela altura do campeonato o menino, muito perspicaz já tinha entendido que algo estava errado em relação a Delphine e o término repentino - Cosima estava cansada demais e agitada demais, eu consegui fazer ela tomar um remédio para conseguir dormir e acabou de fazer efeito, pelo que vejo. Colin ligou para um amigo que é médico aqui e conseguimos interná-la para que ela pudesse dormir em uma cama enquanto esperamos notícias de Sarah - explicou para Delphine.

-    Cosima aceitou tomar remédio para dormir mesmo sem saber da irmã? O que aconteceu? Como Kira está? Por que não me ligaram antes?

Eram tantas as perguntas que Siobhan fazia, Felix antes de responder decidiu se levantar da cama, mas antes mesmo que pudesse colocar os dois pés no chão, seu corpo foi substituído pelo de Delphine, que sem dizer nada deixou sua bolsa no suporte ao lado e tomou seu lugar, abraçando Cosima e deitando-se junto a ex namorada, o que fez o garoto abrir e fechar a boca várias vezes. Delphine não tinha o direito, ou tinha? Agora que ela chegou com Beth e Siobhan, Felix não sabia o que pensar. Delphine posicionou Cosima em seu peito e abraçou seu corpo, colando sua cabeça junto a dela, se Siobhan que era a mãe protetora não falou nada, quem seria Felix para falar? Antes de quebrar o silêncio, Felix sorriu ao ver que Delphine acabara de perceber a marca no pescoço de Cosima, sua reação foi apenas respirar fundo e abrir a boca como se fosse xingar alguém, Delphine não poderia cobrar nada da outra já que ela mesmo deu fim ao relacionamento, aquilo já o deixava bastante satisfeito.

-    Kira é uma bolinha linda e rosada - Fee se virou para Siobhan - está no berçário, esperem aqui, vou ver se vocês conseguem vê-la agora.

Felix saiu do quarto deixando as quatro sozinhas, Beth se sentou na cama e respirou fundo, todos queriam notícias de Sarah e aquela espera era agonizante.

-    Vai ficar tudo bem - disse Delphine para as duas.

Cosima tentou abrir os olhos ao sentir aqueles braços tão gentis, aquele cheiro de primavera tão conhecido e aquela voz que tanto amava ouvir, apesar de toda a mágoa que sentia de Delphine, se fosse realmente ela ali, Cosima sabia que estava no primeiro lugar onde gostaria de estar, tentava lutar de todas as formas contra o sono, mas era forte demais. Queria ter certeza de que novamente não estava sonhando. Abriu os olhos com muita dificuldade, mas em seguida voltou a fechá-los, quando Beth, Siobhan e Delphine começaram a conversar, Cosima tentou se concentrar no que diziam, começava a cair a ficha de que elas estavam ali de verdade, que estavam juntas e que falavam sobre algo importante, lutou com todas as suas forças para se manter acordada, mas em certo ponto da conversa adormeceu.

-    Delphine, tem certeza de que quer ficar aí? - Beth perguntou - Assim? - apontou para Cosima e em seguida para a amiga.

-    Ela está dormindo, nem saberá que estou aqui.

-    Não acha que seria mais fácil para vocês duas se você falasse a verdade?

-    Ela não me deixará ir embora se souber a verdade, é arriscado, já falei.

-    Mas...

-    Beth, você sabe como Cosima é - Siobhan interrompeu a conversa - por que insiste tanto nisso?

-    Porque Cosima odeia mentiras, porque Cosima não é mais criança e principalmente porque Cosima está sofrendo - se levantou da cama e começou a andar de um lado para o outro - é a vida dela, porque não deixam ela decidir se quer arriscar ou não?

-    Eu não quero arriscar - disse Delphine a abraçando forte - Não posso perder Cosima, tem gente perigosa atrás dela por causa de mim, não vou permitir.

-    Então é por isso que vocês terminaram? - Felix apareceu no quarto e Delphine respirou fundo.

-    Felix - Beth tocou no ombro do amigo - é melhor que você fique longe dessa história.

Felix olhou para Siobhan esperando que a mãe se pronunciasse, mas quando Siobhan abriu a boca a médica entrou no quarto para dar notícias de Sarah.

-    Bom dia a todos - disse a dra com uma voz serena.

-    Amélia - disse Felix - por favor me dê boas notícias.

-    Conseguimos controlar a hemorragia e por um milagre salvamos o útero também - os suspiros de alívio foram imediatos, Siobhan se sentou e fechou os olhos como se estivesse agradecendo - ela está fraca e vai precisar ficar alguns dias aqui.

-    Obrigado dra, obrigado - Felix se jogou nos braços da médica aos prantos.

-    Em breve vocês poderão vê-la - disse a médica sorrindo - Sarah é uma mulher muito forte.

-    Você ouviu isso? - Delphine perguntou baixinho no ouvido de Cosima - Está tudo bem!

A médica se retirou deixando no quarto uma incrível sensação de paz, agora sim poderiam comemorar com toda a alegria que mereciam o nascimento de Kira.

-    Vamos lá - Felix falou enxugando o rosto molhado pelas lágrimas - vou levar vocês para conhecer a Kira - pegou na mão de Siobhan para guiá-la - Beth? Delphine? Não querem conhecer a Kira?

-    Vou ficar aqui cuidando de Cosima - Delphine disse o óbvio e Felix se aproximou das duas e deu um beijo no rosto de Cosima.

-    Sabe Delphine - disse baixinho - Cosima desistiu - apontou com os olhos a marca que Cosima tinha no pescoço - ela me disse que não transou, você teve sorte dessa vez, mas acha que ela vai desistir de sua vida por você até quando?

Felix se afastou deixando Delphine com um bolo na garganta, queria poder dizer que ele estava errado e quando decidiu abrir a boca para dar uma resposta ele já tinha se retirado e esperava lá fora por sua mãe e Beth. Siobhan se sentou na cama pedindo para Felix esperar, olhou para Delphine com aquele sorriso calmo que tinha e suspirou.

-    Delphine - molhou os lábios e respirou fundo - durante esses meses todos eu pensei que talvez eu pudesse perdoá-lo - fez uma pausa reparando pela primeira vez naquele quarto tão impessoal - mas eu não posso e eu sei que talvez um dia ele volte, gastei muito tempo e dinheiro procurando, não quero nem saber o que Beth fez para conseguir dinheiro para me ajudar, mas depois de não conseguirmos nada, tudo que fizemos foi cavar um grande buraco e enterrar toda a sujeira nele, mas não podemos viver assim, preciso de um nome.

Delphine arregalou os olhos, em um primeiro instante franzindo o cenho sem entender, mas logo soube de quem Siobhan estava falando, olhou por cima dos ombros da mais velha e Beth a encarava na porta, negando com a cabeça, praticamente implorando com os olhos para que Delphine não falasse nada, mas quando Delphine voltou a encarar S, aquela troca de olhares bastava para entender que precisava e queria aquilo.

-    Ferdinand Chevalier - Delphine disse com a voz firme, Beth protestou silenciosamente e saiu do quarto.

-    Obrigada Delphine, agora vou conhecer a minha neta - sorriu e saiu do quarto.

Aquele era um momento só de Delphine, era o primeiro momento em que conseguiu parar e pensar sobre tudo o que Siobhan tinha falado horas mais cedo, era tudo tão surreal, pensar que Charlotte esteve nas mãos de pessoas tão cruéis, pensar que seu pai era uma dessas pessoas, pensar que as mensalidades das escolas que estudou, as roupas que comprou, as viagens que fez, o dinheiro que gastava despreocupadamente um dia veio do sofrimento alheio lhe dava náuseas. Mas uma coisa naquele momento a deixava feliz, Delphine poderia ficar ali olhando para Cosima, sabendo que ela estava bem e que nada de ruim aconteceria por hora, a outra dormia tão tranquilamente que nem parecia já ter passado por tanta coisa. Delphine analisava cada detalhe de seu rosto para se certificar que jamais o esqueceria. Então viu novamente aquela maldita marca, seu sangue fervia por imaginar que Cosima esteve nas mãos de outra, seu coração se contorcia de dor por pensar que por um minuto Cosima desistiu de seu amor, seu corpo transpirava de raiva por imaginar quem tinha tocado em Cosima. Delphine a deixou, Cosima estava livre para ficar com quem bem queria, mas o amor…. ah… o amor! Maldito “Gene egoísta”!

Delphine pensou nas duas possíveis pessoas que poderiam ter deixado aquela marca, a primeira e a pior possibilidade era Angela, a segunda era Shay e foi para essa que Delphine ligou primeiro, alcançou o seu celular em sua bolsa e digitou o número, a mulher atendeu com uma voz sonolenta que fez a ira de Delphine aumentar.

-    Alô, Delphine?

-    Shay - tentou falar baixo, rangeu os dentes ao falar seu nome - sua vagabunda - ouviu a risada do outro lado da linha.

-    Você me ligou às seis horas da manhã para me chamar de vagabunda?

-    Eu disse para você não chegar perto de Cosima.

-    Eu disse para você não bobear.

Pronto, a marca era de Shay, Delphine poderia se sentir aliviada por não ser de Angela, mas o que Delphine sentia agora era a pior de todas as emoções, o ódio.

-    Sua desgraçada.

-    Hey, linguajar!

-    Foda-se, eu pensei por um segundo que você fosse uma amiga.

-    E eu sou, Cosima não é mais a sua namorada, isso não tem nada a ver com a nossa amizade.

-    Shay, eu preciso ir mais dois dias naquela faculdade, reze para que a gente não se encontre.

-    Delphine…

-    Pois se isso acontecer, eu juro, eu quebro a sua cara, eu não vou me importar de ir para a cadeia por isso, na verdade, irei muito feliz.

Shay ficou em silêncio por um tempo, avaliando o que Delphine dizia.

-    Del, me desculpe, não imaginei que você falasse sério… Cosima foi embora, não fizemos nada.

-    Você fez, você se aproveitou de um momento de fragilidade - suspirou olhando para Cosima - não chegue perto de Cosima novamente ou quebrarei as suas pernas.

Delphine desligou o telefone raivosamente, não queria mais ouvir a voz de Shay, queria apenas curtir os últimos minutos ao lado de Cosima antes que tivesse que ir embora ou que ela acordasse. Delphine adormeceu sem querer, também teve uma péssima noite e a tranquilidade daquele quarto e o ressonar de Cosima a fez cair no sono, o que a acordou foram os resmungos da mais nova, que se mexia agitada e dizia palavras sem nexo, logo a mais velha percebeu, Cosima estava tendo um pesadelo.

-    Shiuuu - a abraçou forte - it’s all right - começou a cantar baixinho no ouvido de Cosima - “here cames the sun, here cames the sun, and I say it’s all right, little darling, it's been a long cold lonely winter, little darling, it feels like years since it's been here, Here comes the sun, here comes the sun, and I say it's all right”* - Cosima se acalmou aos poucos e isso trouxe um sorriso sincero aos lábios de Delphine - está tudo bem.

Delphine olhou para a porta do quarto onde Beth a observava de braços cruzados.

-    Agora podemos ir Beth - ajeitou Cosima com cuidado na cama e a deixou - agora posso ir embora.

 

[...]


 

-    Ela quer tetas - Cosima riu ouvindo o protesto de Kira em seu colo - não sou sua mamãe, não tenho leite aqui - olhou para a irmã que ainda tinha um aspecto abatido, mas lindamente feliz.

-    Me dê ela aqui - Sarah pediu erguendo os braços na direção de Cosima.

-    Termine de comer, Sarah, você precisa se alimentar, Kira não vai morrer por esperar um pouquinho.

-    Ela gosta de você - Sarah disse sorrindo - não vejo a hora de levá-la para casa.

-    Mais uns dias e vocês estarão em casa, minha irmã.

-    Parece que estou aqui há uma eternidade.

A porta se abriu e Siobhan entrou, tirando de Sarah um sorriso de satisfação, Kira já tinha três dias e Sarah ainda não teve coragem de dar o banho, não se sentia segura apesar de já se sentir mais forte do que nos dias anteriores, Siobhan era quem passava a Sarah toda a segurança que precisava ter e todos os dias ela ia ao hospital para que Cosima pudesse ir embora.

-    Estou atrasada, desculpe - Siobhan entrou abrindo o frigobar e o abastecendo com algumas frutas - vá Cosima, vá fazer a sua prova tranquila.

-    Ahh - Cosima resmungou - eu volto logo, macaquinha - disse falando para Kira e a entregando para a irmã.

Cosima saiu do quarto e começou a caminhar pelos corredores do hospital em direção a saída, iria direto para a faculdade. Passou os últimos dias se perguntando se a conversa que escutou naquele quarto de hospital era real, tentou por várias vezes iniciar o assunto com Beth, durante as visitas que a amiga fazia para Sarah, mas desistiu todas as vezes.

    Sentia uma tristeza em seu interior todas as vezes que seus pensamentos viajavam até Delphine, o que acontecia quase toda hora, queria entender porque Delphine não depositou a confiança que precisava nela para que elas pudessem passar por aquela situação juntas, queria entender porque preferiu fugir achando que essa seria a melhor opção ao invés de ficar, uma breve conversa com Felix fez com que sua mente se abrisse e pudesse ter certeza de que aquela conversa no quarto daquele hospital foi real. Tinha que ser real, Cosima não estava enganada, tinha gente a seguindo, por mais que depois do dia em que os despistou Cosima não os visse mais, aquilo era um fato, eles a seguiram.

    Já era final de tarde quando Cosima terminou a prova e enviou uma mensagem para Alison perguntando onde a amiga estava, a outra prontamente respondeu que estava na biblioteca devolvendo alguns livros e Cosima foi ao seu encontro. Talvez por estar mais atenda as coisas ao seu redor ou talvez por estar com certo medo, Cosima viu de relance dois homens muito parecidos com os que a seguia, o que a fez alargar os passos e caminhar o mais rápido que conseguia, chegando na biblioteca quase sem fôlego, por sorte não ficava muito longe de seu bloco.

-    Cosima, o que foi? Veio correndo? - Alison estava terminando de devolver os livros quando Cosima apareceu.

-    Ali, preciso te contar uma coisa, onde está Scott?

-    Disse que estava com Brie e vai nos encontrar mais tarde - fez careta - trazendo a moça - olhou para a amiga que estava agitada demais - Cosima, o que aconteceu?

-    Vem comigo Ali, vamos para o nosso bloco.

E então Cosima contou para a amiga sobre tudo o que achava que tinha descoberto nos últimos dias, contou sobre suas suspeitas e sobre os caras que a seguiam, o que deixou Alison um pouco assustada.

-    Ligue para Beth agora e diga que eles estão aqui!

-    Eu já avisei Beth outras vezes, nada adiantou - Cosima resmungou.

-    Talvez ela não soubesse e talvez agora saiba, isso é sério, se tem gente te seguindo você tem que avisar a polícia e Beth é polícia.

-    Eu avisei Beth e avisei Angela.

-    Angela?

-    É uma outra pessoa que conheço que também é policial, ela disse que iria me ajudar - Cosima olhou para a amiga e sorriu.

-    Cos, vamos despistá-los então.

-    O que?

-    Eu tive uma idéia, vamos despistá-los, assim você consegue tempo para ligar para essa Angela ou Beth e ir para um lugar seguro, eles não saberão onde você estará.

-    Ok, mas qual é o plano? - Cosima perguntou curiosa.

Minutos depois as duas colocavam o plano em prática, era bem simples, Alison e Cosima combinaram com um grupo de alunos que eles fariam certo tumulto na hora que precisassem, não seria nada demais, apenas ficariam conversando alto e andando em grupo como já faziam, aquilo custou dois vales refeições no restaurante universitário pagos para cada um. Alison estacionou o carro perto do bloco e ao lado de um bota-fora que por muita sorte estava ali, aquilo iria ajudar Cosima a despistá-los, pelo menos tentariam. Os jovens estudantes conversavam do outro lado da rua, Cosima estava junto a eles e assim que identificou o carro com os dois homens a atravessou, entrando no carro de Alison pelo mesmo lado do motorista, no banco de trás.

-    Eles estão em um Honra Civic - Cosima estava abaixada no banco de trás, o insulfilm não a deixaria ser vista, mas não queria arriscar.

-    E eu vou saber como é um Honda Civic, Cosima? - Alison protestou e Cosima revirou os olhos.

-    É um carro preto, parado atrás daquele vermelho, do outro lado da rua.

-    Ok.

-    Alison, talvez essa não seja uma boa idéia, pode ser realmente arriscado pra você, se eles forem perigosos como penso, estamos colocando a sua vida em risco.

-    Cosima, nada vai acontecer, vou andar somente por ruas movimentadas, vou parar no estacionamento do prédio, vou entrar em casa...

-    Vá direto para casa e me ligue quando chegar, se algo der errado chame a polícia.

-    Ok, sai logo Cosima que o pessoal está atravessando.

O grupo de estudantes atravessou a rua, passando vagarosamente por trás do carro onde Cosima e Alison estavam.

-    Vai logo - disse Alison nervosa - e me avisa assim que falar com essa Angela aí.

-    Ok, ok.

Cosima pulou para fora do carro, aproveitando a vantagem daquele grupo, fechou a porta sem bater e se escondeu atrás do bota fora, se sentiu com em um filme, o pessoal continuou caminhando e Alison saiu de lá, sendo seguida pelos dois brutamontes. Seu coração estava apertado, nunca se perdoaria se algo acontecesse a amiga.

Cosima correu para seu bloco e entrou no centro acadêmico, se jogando no sofá, era começo de noite e tudo começava a ficar vazio por ali, já que no curso não tinha aulas noturnas, tentou ligar para Angela, mas não conseguiu contato, decidiu mandar uma mensagem e esperar, não sairia dali sem falar com a moça e se não conseguisse ligaria para Beth.

-    Acorde - disse a voz feminina irritante - não me diga que agora é uma sem teto e dormirá aqui.

Cosima abriu os olhos devagar e viu Rachei parada na porta do CA com os braços cruzados e uma incrível cara de deboche.

-    Rachel? - bufou irritada, não havia muitas coisas mais desagradáveis do que ser acordada por Rachel.

-    Vá para casa Cosima, você está horrível.

Cosima olhou para o celular e percebeu ter várias chamados não atendidas de Angela e algumas de Alison, a amiga enviou uma mensagem dizendo que tinha chegado em casa e pediu que Cosima retornasse. Cosima se levantou em um pulo caindo em si de que tinha adormecido no pior momento da vida, mandou uma mensagem para a amiga dizendo que estava bem e saiu da sala passando por Rachel e tentando ignorá-la, mas era impossível.

-    E você? O que faz aqui a essa hora?

-    Estou esperando minha mãe, não que eu te deva satisfações.

Cosima começou a caminhar em direção a saída do bloco tentando mais uma vez ignorar a outra, realmente Rachel não a devia satisfações, tampouco Cosima estava interessada nelas, Cosima caminhava rapidamente tentando ligar novamente para Angela e percebeu que Rachel a acompanhava, a mulher sabia ser irritante.

-    Pare de vir atrás de mim, garota.

-    Eu vou aonde eu quiser.

Cosima parou e encarou a outra.

-    Se eu não tivesse tanta merda pra resolver, eu juro que pararia de verdade e daria um outro soco bem dado em sua cara.

Rachel riu.

-    Você é irritante.

Cosima começou a andar e Rachel ficou parada, apenas a observando ir sem dar a chance de dizer o que queria. Tudo aconteceu muito rápido, três homens se aproximaram de Cosima, primeiro um veio da direção para onde a outra iria, aparentemente Cosima percebeu e tentou dar meia volta sendo surpreendida pelos outros dois, Rachel ficou paralisada enquanto assistia os homens lutarem com a menina que tentava resistir bravamente, nenhuma alma viva além deles estavam ali, em um momento o olhar da moça de dreads pousou no seu e as súplicas deles logo foram transformadas em palavras, Cosima gritava por socorro e Rachel ao perceber que os homens a viram, girou os calcanhares na outra direção e saiu correndo.

Cosima lutava em vão, os homens aparentemente não estavam armados, pelo menos não tinham armas em mãos, mas eram três homens fortes contra uma mulher magra e miúda, eles a calaram colocando a mão em sua boca, seu corpo foi imobilizado enquanto ouvia provocações, Cosima foi arrastada até o bosque próximo, na direção oposta do estacionamento onde seu carro estava, deixou cair todos os seus pertences pelo caminho e tentava lutar em vão pela sua liberdade. Era o seu fim. Nunca mais ouviria o choro rouco e fofo de Kira. Nunca mais se irritaria com a irmã ou Felix. Nunca mais abraçaria Siobhan. Alison se culparia, mas a culpa era toda de Cosima por ser tão tola. Não teria tempo de dizer a Delphine que a amava. Seu corpo foi jogado no chão e suas costas bateram em um tronco de uma árvore a fazendo arfar de dor, seus óculos se perderam em algum lugar daquele trajeto,

-    Acho que podemos brincar um pouco com ela antes de a entregarmos ao patrão - disse um dos homens abrindo a fivela de seu cinto.

Cosima instintivamente deu um chute em seu saco, tentando se levantar logo em seguida, gritando, chamando por ajuda, mas sendo novamente derrubada enquanto ouvia o homem a xingando.

Um holofote os iluminou e Cosima agradeceu e chorou em silêncio, era a luz de um carro, sequer ouviu o barulho do carro chegando, mas sabia que era ajuda.

    Os homens pararam o que faziam para observar a pessoa que descia do carro e caminhava lentamente ao seu encontro, a luz era tão forte que chegava a cegar e era impossível saber quem se aproximava, ainda mais para Cosima que já estava sem óculos.

-    Quem vem lá? - um dos homens sacou a arma e apontou na direção da pessoa - não se aproxime ou eu atiro.

O Homem foi ao chão quase instantaneamente, Cosima deu um grito de susto e seu corpo tremeu ao ver a cena, a pessoa atirou primeiro no homem com a arma e depois nos outros dois, derrubando-os com tiros certeiros, deduziu que a arma que a pessoa usava tinha um silenciador pois o barulho não foi muito alto.

Cosima não conseguia controlar o choro e o medo que sentia ao ver a pessoa, que agora podia identificar ser uma mulher se aproximando, só conseguia pensar que seria a próxima. A mulher parou ao lado de Cosima que ainda estava deitada no chão e não ousou erguer a cabeça para encará-la, apenas fechou os olhos esperando o pior, mas nada aconteceu.

-    Cosima…

A mulher a chamou, sua voz era fraca, não era uma voz compatível com a de uma mulher que tinha acabado de matar três pessoas. Cosima ergueu a cabeça para encará-la ao mesmo tempo em que a mulher abaixou, podendo assim, com a proximidade ver quem era a mulher.

-    Você?? - Cosima perguntou com a voz trêmula reconhecendo imediatamente aquele rosto familiar e a mulher sorriu.

-    Você sabe que não irei te machucar, mas tenho que fazer isso.

A mulher ergueu a mão que segurava a arma e acertou a cabeça de Cosima com uma coronhada, fazendo-a desmaiar.

 


Notas Finais


Here cames the sun, beattles *

Obrigada a vocês que chegaram até aqui e estão firmes e fortes aqui comigo, na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza.
.
Vocês acham que já sofreram demais com essa fic ou aguentam uma segunda temporada?


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