História Apenas fique - Capítulo 45


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Categorias Orphan Black
Personagens Alison Hendrix, Cosima Niehaus, Dra. Delphine Cormier, Elizabeth "Beth" Childs, Felix "Fee" Dawkins, Katja Obinger, Krystal Goderitch, Rachel Duncan, Sarah Manning, Siobhan Sadler "Sra. S"
Tags Aluna, Cophine, Cosima, Cosima Niehaus, Delphine, Delphine Cormier, Lesbicas, Orange, Orphanblack, Professora, Romance, Shay, Universitária, Yuri
Visualizações 786
Palavras 3.889
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Hentai, Literatura Feminina, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Vamos lá, respirem comigo!

Boa leitura

4

Capítulo 45 - Ela precisa saber


Já fazia vinte minutos desde que Delphine tinha sido acordada no meio da noite por uma ligação de Beth, a amiga apenas disse para que a professora se arrumasse e saísse de casa o mais rápido possível, não deu nenhuma pista do que poderia ter acontecido para que isso precisasse acontecer.

    Os últimos dias tinham sido muito difíceis, depois que Delphine saiu do hospital, Beth se certificou de que ela não sairia de casa. Se Cosima corria algum perigo, Delphine com certeza correria o dobro, ficar em casa durante aqueles tortuosos dias não foi uma opção, ter notícias de Cosima apenas por Beth era algo que fazia o seu estômago doer, sentia saudades e queria vê-la, dizer que a amava e que odiava fazê-la sofrer, sua mente pedia para que se acalmasse, pois seriam apenas algumas semanas assim até que tudo se resolvesse e finalmente pudesse buscar o perdão que ansiava receber de Cosima, mas seu coração estava em prantos, sem paciência nenhuma para passar aqueles dias naquela casa enorme, se sentindo vazio e solitário.

Agora Delphine terminava de se arrumar e se questionava sobre quais teriam sido os motivos para Beth tê-la tirado da cama e pedido para que saísse de casa, algo que frisou por tantas vezes ser perigoso demais naquele momento. Seu coração por um breve momento se aqueceu por imaginar que talvez… sabia que a probabilidade de ser aquilo era baixa, mas talvez… talvez Beth tenha conseguido localizar Charlotte, talvez Delphine se arrumava para encontrá-la, talvez Daniel e seu pai Gavin tenham sido capturados, presos ou mortos, talvez Delphine pudesse finalmente viver sua vida com sua pequena Charlotte, dona de um grande coração e sua amada Cosima para quem Delphine entregou o seu e sem direito a devolução. Por um segundo Delphine sorriu, para logo depois tentar baixar as suas expectativas e se sair.

Tirou o telefone da bolsa e discou o número de Beth, colocou o aparelho no ouvido enquanto terminava de calçar os sapatos e saiu em direção a garagem.

-    Beth, estou saindo de casa.

-    Ótimo, vou te mandar a localização, ok?

-    Posso pelo menos saber por que está me tirando de casa de madrugada? - perguntou em um tom descontraído, mas Beth ficou em silêncio, Delphine parou no meio do caminho e suspirou sabendo que dali não viria mais boas notícias - Beth?

-    Quando você chegar aqui saberá, não fique se preocupando atoa.

Beth desligou o telefone sem dar chances de Delphine responder.

-    Cretina!

Delphine resmungou entrando em seu carro, assim que o tirou da garagem, olhou pelo retrovisor e viu que os homens contratados por Beth estavam lá, com os faróis de seus carros ligados, prontos para partir.

Delphine já estava próximo a faculdade quando percebeu que o gps a levava para seu local de trabalho, bufou muitas vezes xingando a amiga em silêncio por não dizer esse pequeno detalhe. De longe viu as luzes vermelha e azul piscando e vários carros da polícia, o frio que sentiu no estômago ao perceber que algo estava errado era tão forte que poderia congelar o bairro inteiro, tentou se aproximar da guarita, mas logo foi barrada por um guarda que pediu para que abaixasse o vidro para que pudesse vê-la.

-    Boa noite - Delphine disse pensando no que inventaria para conseguir entrar, Beth poderia ter avisado.

-    Ela está comigo.

Ouviu a voz da amiga que logo entrou no carro se sentando ao seu lado.

-    Elizabeth, o que está acontecendo?

-    Delphine… - engoliu em seco e desviou os olhos da amiga - abriram a cancela.

-    Me diga o que aconteceu - Delphine colocou o carro em movimento e entrou deixando seus seguranças para trás - para onde vamos?

-    Para o seu bloco.

-    Por que estou aqui? Por que tem tantos carros da polícia?

-    Morreram três pessoas.

-    O que?

Delphine arregalou os olhos ao ouvir aquelas três palavras, a primeira pessoa que veio em sua cabeça era obviamente Cosima. Era algo inevitável  e doloroso demais de se pensar, mas qual seria o motivo de Beth querer levá-la até lá?

-    Três homens - Beth foi rápida ao dar ênfase que eram homens assim que percebeu a confusão dos olhos de Delphine - foram três homens - o carro foi estacionado, Delphine vestiu a sua jaqueta para tentar se proteger nos poucos pingos de chuva que caiam, desceram do carro e começaram a caminhar, Beth sempre a guiando, do estacionamento conseguiam ver as luzes artificiais que iluminavam dentro do pequeno bosque próximo ao bloco de biologia.

-    Não entendo, porque estou aqui? - Delphine perguntou apreensiva olhando para o local iluminado, cercado de alguns policiais.

Beth olhou para a amiga pensando em como contaria que mais uma vez falhou, como poderia dizer que Cosima tinha sido levada? Como poderia dizer que quebrou mais uma promessa? Sentia vergonha por mais uma vez não cumprir o seu papel.

-    Um dos homens é seu aluno.

-    Meu Deus!

Mesmo sem continuar entendendo os motivos que fizeram Beth a chamar, Delphine continuou caminhando, três pessoas morreram e uma delas era um aluno, que provavelmente alguém já tinha reconhecido, continuava sem fazer sentido a sua presença ali. Conforme se aproximavam o coração de Delphine acelerava, as fitas amarelas não a deixariam chegar muito perto, mas Beth entrou na demarcação levando Delphine pelas mãos. Os corpos estavam descobertos e Delphine imediatamente reconheceu o seu aluno, Seth, lamentou por sua morte, mesmo que nunca tenha gostado do menino, a equipe tirava fotos e conversavam entre si, todos muito concentrados no que faziam para perceber a chegadas das duas, Beth deixou Delphine um pouco afastada e caminhou até eles, começou a conversar com a mulher que estava abaixada, quando a mulher virou o rosto na direção de Delphine, mesmo com a pouca luminosidade a professora a reconheceu, revirando os olhos e soltando baixos xingamentos, mataria Beth, no mínimo a esganaria!

As duas mulheres começaram a caminhar em direção a Delphine que esperava de braços cruzados pronta para começar uma discussão.

-    Sra Cormier - disse a policial.

-    Angela, sua filha da puta - virou-se para Beth - me trouxe aqui para conversar com essa daí?

-    Aqui sou detetive Deangelis - disse seriamente para Delphine - o que faz aqui? - olhou para Beth - por que a trouxe aqui?

Beth encarou as duas que a olhavam com expressões acusatórias.

-    Ela precisa saber.

-    Ela só vai atrapalhar - Deangelis não encarava mais Delphine, na verdade começou a conversar apenas com Beth, fazendo questão de ignorá-la - você sabe disso.

-    O que está acontecendo aqui? - Delphine começou a perceber que o buraco era mais embaixo, o que ela precisava saber?

-    Você poderia ter esperado o dia amanhecer para falar com ela - disse Deangelis - a presença dela aqui não será útil nesse momento e não fará diferença nenhuma.

-    Ela me mataria se eu esperasse até o dia amanhecer e você sabe disso, acha que resolveria isso até que o dia amanhecesse? Isso é tudo culpa sua - Beth dizia com muita raiva em sua voz, embora tentasse deixá-la baixa para não chamar a atenção dos colegas de trabalho.

-    Minha? Acha que tenho culpa só porque ela me ligou? Eu estava muito longe atendendo uma ocorrência, você deveria se perguntar porque ela decidiu ligar para mim e não para você, talvez a culpa seja toda sua mais uma vez e mais uma vez estou aqui tentando corrigir os seus erros.

-    Cale a boca, Deangelis - Beth disse mordendo os dentes e Angela riu.

-    Está com medo de que eu fale demais? Não se preocupe com isso.

-    O que está acontecendo aqui? - Delphine segurou nos braços das duas as chacoalhando para chamar atenção, quando as duas a olharam, Delphine teve um estalo em sua cabeça, soube na hora que falavam de Cosima, respirou fundo e mesmo com medo olhou para Beth - Aconteceu alguma coisa com Cosima?

As duas a encaram, Deangelis olhou para Beth esperando que a outra contasse.

-    Sim - Beth disse de cabeça baixa - Cosima sumiu.

-     O que?? Como?? - Delphine perguntou com a voz alterada e olhou para a direção que os corpos estavam - Aonde está Cosima, vocês sabem? Sabem quem a levou? O que aconteceu aqui? Porque esses homens estão mortos e por que - sua voz falhou - Cosima não está aqui…

-    Sra Cormier - Deangelis se pronunciou - esses três homens tentaram sequestrá-la, ao que tudo indica - fez uma pausa ao ver o rosto assustado de Delphine, em qualquer outra ocasião poderia rir daquilo - temos uma testemunha que viu quando eles a abordaram.

-    Uma testemunha?

-    Sim - a detetive respondeu - uma aluna.

-    Por que eles estão mortos? Alguém a salvou? Alguém salvou Cosima, é isso? - As mãos de Delphine tremiam e logo foram amparadas pelas mãos de Beth.

-    É isso que estamos tentando descobrir - disse a amiga.

-    Beth e os homens que você colocou para vigiá-la? Quero falar com eles.

-    Delphine - Beth negou com a cabeça - eles não estavam aqui.

-    O que? Por que não?

-    Parece que Cosima enganou os seguranças - Deangelis se intrometeu - eles estavam vigiando a casa da amiga - olhou o relógio de pulso - ela já deve estar recebendo a visita de alguns policiais para dar o seu depoimento.

-    Como assim ela enganou os seguranças? - Delphine encarou a amiga - Você disse que ela não saberia que estava sendo seguida.

-    Vocês duas - Deangelis apontou para Delphine e para Beth - vocês subestimaram demais a garota, acha que ela não perceberia?

-    Ela sabe? - Delphine apontou para Deangelis olhando para Beth que apenas confirmou com a cabeça.

-    É claro que eu sei, a garota veio pedir a minha ajuda porque estava sendo seguida e aparentemente Beth a ignorou - Deangelis disse fazendo Beth respirar fundo - acha que eu não descobriria que eram seguranças, são policiais conhecidos, estava claro que ela não estava sendo seguida e sim protegida.

-    Eu não a ignorei, ok?

-    Não, você apenas disse que era coisa de sua cabeça. Por que não falaram que ela precisava de segurança? Seria muito mais fácil.

-    Beth - Delphine fechou os olhos colocando as mãos na cabeça e respirou fundo, voltando a abri-los para encarar a amiga - porque você não me disse que ela havia descoberto sobre os seguranças?

-    Delphine - Beth tentou se aproximar da amiga que deu um passo para trás quebrando o contato - eu… você já tinha muitas coisas para se preocupar, estava tudo sob controle, Cosima disse que estava sendo seguida e eu conversei com eles, fui enfática deixando claro que ela não poderia vê-los, ela parou de falar e eu achei que tudo tinha se resolvido.

-    Beth, por que não me falou? Você tem noção de como ela pode ter sentido medo? - Delphine colocou as mãos na cabeça - achei que estávamos fazendo a coisa certa…

-    Ela parou de reclamar para você - disse Deangelis para Beth - porque começou a reclamar para mim - fez uma pausa e respirou fundo - não posso ficar muito tempo aqui conversando com vocês, tenho uma investigação para liderar aqui - apontou para os corpos - as cameras foram desabilitadas remotamente, não temos gravação, não sabemos de onde os homens vieram - olhou para Beth - mas temos uma pista de quem possa tê-los enviado - olhou para Delphine - acredito que vocês já devem desconfiar - viu Delphine engolir a seco e seus punhos se fecharem raivosamente - se tivessem que matá-la, já teriam feito - tentou tranquilizá-las - vamos descobrir para onde a levaram e vamos sair desse labirinto com Cosima em segurança - olhou para Beth e deu uma piscadela.

-    A testemunha… quem é? Quero falar com ela! Preciso falar com ela - a essa altura da conversa Delphine já não ouvia muito, não raciocinava direito, não conseguiria viver se algo acontecesse a Cosima e não podia mais deixar somente nas costas de Beth.

-    Agora você não pode, talvez mais tarde consiga - Deangelis encarou Delphine - ela está falando com a polícia agora.

-    Eu quero falar com ela agora Angela!

-    Eu disse que ela só atrapalharia - Deangelis disse olhando para Beth - tire-a daqui.

-    NÃO OUSE - Delphine gritou finalmente chamando a atenção dos outros policiais - Vou sair daqui somente quando vocês me derem uma resposta, me digam onde Cosima está!

Os braços de Beth abraçaram o corpo de Delphine, queria acalmá-la, no mínimo fazê-la falar baixo, viu Angela se afastando enquanto Delphine tentava desesperadamente sair de seu abraço, era como se a mulher tivesse perdido todas as forças de seu corpo, começou a chorar, primeiro soltando urros incrivelmente doloridos, o choro começou a silenciar dando lugar aos soluços até que finalmente seu corpo pudesse relaxar e cair no chão, inerte, paralisado com a constatação de que poderia nunca mais ver Cosima viva, Delphine retribuiu o abraço da amiga que se entregou ao choro também.

-    Eu tenho que salvá-la Beth, eu não conseguiria viver sem Cosima, preciso salvá-la

-    Vamos trazê-la de volta, ok?

-    Promete?

-    Sim, eu prometo - Beth olhou para onde os corpos estavam - vai ficar tudo bem. Vamos para a sua sala e esperar por notícias.

-    Não quero esperar, quero fazer alguma coisa.

-    Mas agora não há nada que possamos fazer, ok?

-    Quem é a testemunha.

-    Rachel Duncan.

-    Rachel? O que Rachel fazia aqui a essa hora? Aliás - soluçou - o que Cosima fazia aqui a essa hora?

-    Isso aconteceu por volta das 22 horas Delphine.

-    E porque você só me ligou as 2?

-    Eu te liguei assim que cheguei aqui e descobri que Cosima havia sido levada, acredite, eu não deveria ter te ligado.

-    Quero falar com Rachel - Delphine implorou.

-    Vamos falar com ela, vamos esperar na sua sala, antes que alguém venha perguntar quem diabos é você e o que faz aqui.

 

[...]


 

-    O que aconteceu com você hoje filha? - Sarah segurava Kira em seus braços tentando acalmá-la - será que é cólica? - olhou para Siobhan.

-    Ela ainda é muito nova para sentir cólicas, meu amor - disse Siobhan fazendo carinho na cabeça da pequena - seu leite desceu e ela está querendo recuperar o tempo perdido.

-    Estou exausta, será que ela vai dormir nesta madrugada?

-    Vamos ver se depois dessa mamada ela dorme.

-    Isso se ela não sujar a fralda, eu vou ter que trocá-la e ela acordará querendo peito novamente - suspirou - ser mãe é muito trabalhoso - deu um beijo em Kira - e a experiência mais incrível do universo.

-    Ah, não se preocupe, o trabalho e a preocupação aumenta conforme eles crescem.

Sarah sorriu, com olhos sonolentos e enormes olheiras.

-    Quando éramos pequenas e inseparáveis, tínhamos uma boneca que dividíamos - Sarah começou - Cosima a chamava de Kira.

-    É mesmo? - Siobhan perguntou surpresa - Por isso escolheu o nome?

-    Também, ahiiii - Sarah resmungou - achei que o parto seria a parte mais dolorida, ninguém me falou sobre a amamentação.

-    Você já esqueceu a dor do parto, é? - Siobhan sorriu e se deitou ao lado das duas.

-    Kira foi o nome da nossa primeira e única boneca e foi um nome escolhido por Cosima - olhou para Siobhan - nossa criação foi tão machista, cheia de dogmas, não pode isso, não pode aquilo, mulher tem que ser submissa, tem que se comportar para que um cara a queira, tem que fechar as pernas para se sentar.

-    Seus pais geraram as filhas erradas.

-    Com certeza! - Kira parou de mamar e Sarah a entregou para Siobhan que a colocou nos ombros para que a pequena soltasse o arroto - Cosima sempre foi tão esperta, nunca aceitou essas merdas, mesmo respeitando os nossos pais, sempre deixava claro que era contrária as suas ideias, pelas suas costas, é claro - sorriu - acho que tínhamos uns nove anos quando uma aluna nova entrou na sala, seu nome era Kira, Cosima ficou muito curiosa sobre aquela garota, ela era estranha, eu a achava estranha demais, esse nome diferente logo fez os idiotas dos meninos começarem a implicar com a garota, então um dia, ela se levantou para um deles e perguntou “Seu nome deve significar, sou o maior otário do mundo, você por acaso sabe o que meu nome significa?” todos na sala de aula pararam as conversas paralelas para ouvir aquilo que poderia ser uma possível briga, Kira era uma menina calada e ficamos surpresos de ouví-la revidar, então ela continuou “Rainha” ela disse, “que tem plena autoridade”, “eu posso ser o que eu quiser, mas você só pode ser um otário”.

-    Que menina afrontosa - Siobhan sorriu, levantou-se da cama - finalmente dormiu - colocou Kira no berço ao lado da cama de Sarah.

-    Sim - Sarah sorriu - Kira vai ser livre para ser o que quiser e vou apoiá-la.

-    Ela vai ser uma linda pessoa, com certeza - Siobhan deu um beijo na testa de Sarah - agora vamos aproveitar que temos mais duas horas até a próxima mamada e dormir.

Sarah sorriu e fechou os olhos dormindo quase instantaneamente, Siobhan notou a vibração de seu celular em cima da mesinha e o pegou, saindo do quarto para que pudesse atendê-lo sem acordar Sarah.

-    Alô - ouviu a voz do outro lado da linha e pestanejou - O que? Me deixe falar com P.T.


 

[...]

 

Delphine se sentou no sofá sem nada dizer, seu corpo estava paralisado e seus pensamentos viajavam, arrependimento e medo eram os sentimentos mais fortes que abalavam seu coração naquele momento. Pensar que Cosima poderia estar morta a deixava sem reação, Cosima morreria pensando que Delphine não a amava mais e aquilo era demasiadamente doloroso. Seus ossos tremiam e sua boca estava seca, precisava beber algo, precisava sentir sua garganta rasgar e Beth logo apareceu com um copo de uísque, como se pudesse ler o seus pensamentos.

-    Este será o único copo que beberá esta noite, preciso de você sóbria - Beth entregou o copo para a amiga que aceitou de bom grado.

A sala estava de certa forma bagunçada, os móveis e prateleiras estavam vazios ou já não existiam naquele cômodo, dando lugar a muitas caixas de papelão cheia de livros e documentos, a mudança estava quase pronta e em breve aquela não seria mais a sala da professora Cormier.

Delphine encarou o copo e tomou o líquido muito rapidamente.

-    E se Deangelis estiver errada? E se Cosima estiver morta?

-    Cosima não está morta.

-    Como você sabe?

-    Por que eu sei, fique aqui, vou buscar Rachel antes que vá embora.

Delphine deitou no sofá e sem saber como controlar o que sentia começou a chorar, não podia fazer nada e aquilo era angustiante, chorou como uma criança e como uma criança dormiu chorando.

-    Hey, Delphine - Beth falou baixo a fazendo abrir os olhos, o relógio já marcava 4 da manhã.

Delphine se sentou no sofá torcendo para aquilo tudo ter sido um terrível pesadelo, mas assim que viu Rachel sentada em uma cadeira bem próximo a ela suspirou. Por que diabos achou que ia ver Charlotte naquela noite e se deparou com aquela notícia? O que poderia fazer para merecer um pouco de paz em sua vida?

-    Delphine, me desculpe, eu não consegui... - Rachel começou a falar.

-    Calma Rachel - Beth colocou a mão em seu ombro - você não teve culpa.

-    O que aconteceu, Rachel? - Delphine perguntou.

-    Cosima estava dormindo no CA, antes de ir embora eu passei lá para pegar algo que tinha deixado mais cedo e a vi - molhou os lábios - eu a acordei e decidi me desculpar por tudo, mas acho que não a acordei de uma maneira muito amigável, ela saiu brigando comigo e não me deixando falar, eu a segui mas em certo ponto parei, até que vi os homens chegando e… eu corri.

-    Você correu? - Delphine perguntou brava.

-    Eu tive medo, eles me viram e eu corri.

-    Delphine - Beth a repreendeu - se ela não tivesse corrido provavelmente estaria morta, não seja tão dura com a menina.

-    Eu corri e chamei ajuda, mas quando conseguimos chegar tudo já tinha acontecido.

As três ouviram batidas na porta que logo foi aberta para que Angela pudesse entrar.

-    Rachel, sua mãe está esperando lá fora - disse a detetive - você deve ir, teve uma longa noite, tente descansar.

Rachel se levantou da cadeira e olhou uma última vez pra Delphine.

-    Eu lamento muito, Delphine.

Quando Rachel saiu pela porta, Deangelis a fechou.

-    Por que você não pode assumir essa investigação, Beth? - Delphine perguntou deixando claro seu incômodo com Deangelis por perto.

-    Por que ela é amiga de Cosima, mas não se preocupe, minha competência é altamente confiável - Angela respondeu.

-    Você não é confiável - Delphine esbravejou.

-    Eu sei que não sou, mas você não tem escolha, vai ter que confiar em mim - Deangelis se aproximou de Delphine e tirou do bolso um objeto a entregando - se contar a alguém que eu estou fazendo isso, você estará ferrada comigo depois, os objetos que Cosima carregava estavam espalhados pelo caminho onde eles provavelmente a arrastaram, mas eu consegui pegar este e deixar de fora das evidências.

Delphine pegou o óculos de Cosima e o segurou nas mãos, encarando-os e deixando as lágrimas caírem livremente, molhando o objeto tão característico de Cosima.

-    Deangelis, será que podemos conversar lá fora? - Beth perguntou a arrastando para fora da sala, estava na hora de saber o que realmente tinha acontecido.

 

[...]

 

Cosima abriu os olhos devagar, sentia um pouco de dor de cabeça e dor nas costas, percebeu que estava em um quarto e sentiu certo alívio por saber que estava viva, o quarto era iluminado pela tela de um computador que estava ligado, não havia ninguém ali e a enorme mesa em que o computador estava era repleta de outros aparelhos que por causa da baixa luminosidade Cosima não conseguiu identificar, havia também algumas ferramentas, Cosima olhou ao redor tentando reconhecer onde estava, o quarto parecia familiar, mas ao mesmo tempo era completamente estranho, tentou se levantar mas resmungou alto ao sentir suas costas, voltando a deitar logo em seguida.

O barulho fez a porta se abrir alguns minutos depois e de lá saiu uma pequena criança que se aproximou de Cosima e segurou suas mãos soltando um sorriso tímido.

-    Minha nossa, Charlotte, é você?

A menina confirmou com a cabeça e sem dizer nada para Cosima saiu do quarto chamando por alguém e logo a mulher apareceu.

-    Cosima, agora não é a hora certa, você precisa dormir mais um pouco.

Perfurou seu braço com a agulha de uma seringa e injetou algo que a fez dormir quase na mesma hora.

 


Notas Finais


O que acharam do Cap?
Sei que pode ser repetitivo, mas queria novamente agradecer o apoio de vocês aqui durante toda a fic!
Agora que estamos em reta final cada detalhe importa e sei que não estamos tendo muito cophine aqui, mas espero recompensá-lxs.

Faltam poucos capítulos e acreitem estou tão triste quanto vocês com o final da fic, mas estou me sentindo feliz de conseguir terminá-la!

Obrigadaaaaa
bjuusss até o próximo cap!


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