História Apenas fique - Capítulo 46


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Categorias Orphan Black
Personagens Alison Hendrix, Cosima Niehaus, Dra. Delphine Cormier, Elizabeth "Beth" Childs, Felix "Fee" Dawkins, Katja Obinger, Krystal Goderitch, Rachel Duncan, Sarah Manning, Siobhan Sadler "Sra. S"
Tags Aluna, Cophine, Cosima, Cosima Niehaus, Delphine, Delphine Cormier, Lesbicas, Orange, Orphanblack, Professora, Romance, Shay, Universitária, Yuri
Visualizações 783
Palavras 4.065
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Hentai, Literatura Feminina, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Genteeeeeeeeeeeeeeee.
Vamos dar uma trégua nesse sofrimento? vamos!
Boa leitura.

Ahh
Quem pegou Cosima?
( ) Beth
( ) Angela
( ) Adele
( ) Siobhan
( ) outros

Agora sim, boa leitura!
ps: eu revisei até metade, a outra metade não está revisada, farei isso amanhã a noite, então se quiserem esperar, força na peruca

3

Capítulo 46 - Não me prometa ficar, apenas fique


-    “Vamos sair desse labirinto com Cosima em segurança”, que porra está acontecendo? - Beth abaixou a voz - foi você que pegou ela, Angela?

-    Por isso eu falei pra você que deveria ter esperado amanhecer para chamar Delphine - Angela esbravejou - você mal chegou aqui e já chamou ela, o que está acontecendo com você?

-    Eu tive medo - Beth a puxou pelo braço para se afastarem mais um pouco da sala de Delphine - Cosima é minha amiga e você me disse “Ela foi levada”, eu tive medo, você acha que eu pensei? Como poderia adivinhar que você a levou?

-    Primeiro - Angela ergueu o dedo indicador - eu não a levei, eu disse que fui atender a uma ocorrência, não foi eu que vim aqui e a salvei daqueles caras, segundo, se você tivesse atendido a porra do celular saberia que Cosima estava segura, eu não pude falar nada quando você chegou aqui com tantos policiais por perto - olhou para Beth e respirou fundo - Beth, eu sei que nunca nos demos muito bem, mas cá estamos nós, juntas e com esse problema e você sabe que é tudo culpa sua, temos que trabalhar em equipe aqui.

-    Culpa minha? - Beth sorriu sarcasticamente - O que faz aqui então se não tem culpa de nada?

-    Estou ajudando uma amiga.

-    “Amiga” - fez aspas com as mãos - Quem pegou Cosima? - Beth olhou para a colega de trabalho que fez uma cara que dizia sem precisar falar uma palavra quem era - não acredito Angela, você poderia ter colocado tudo a perder - colocou as mãos na cabeça - a mulher não está nas últimas? Sem poder sair de casa com a doença? Como você manda ela fazer isso?

-    Eu não tive escolha, entendeu? - Angela apertou as têmporas e bufou - você não atendeu o telefone e Siobhan estava no hospital com Sarah, eu não sabia para quem ligar, não tive escolha, pedi para que ela viesse e levasse Cosima para um lugar seguro, não imaginava que ela iria fazer essa bagunça, matar três homens… ela nem me avisou - respirou fundo - eu nem tive tempo de dar um jeito nos corpos, aquela menina viu tudo e buscou por ajuda, eles chamaram a polícia - falou apontando para o fim do corredor, na direção da saída - Rachel contou ao primeiro policial que chegou aqui que os homens tentaram pegar Cosima, eu não vou conseguir tirar isso dos registros, você sabe que tem alguém lá dentro de olho em nós, em toda essa merda, não sabe?

-    Sim, eu sei.

-    Gavin Hardcastle está por um triz de descobrir tudo, ele pode ter poucos homens com ele, mas o cara não é burro, ele vai descobrir onde elas estão e vai levar a menina de volta.

-    Nós vamos ser mais rápidas que ele - Beth começou a andar de um lado para o outro - o que ela disse quando você ligou e pediu que viesse buscar Cosima? - perguntou para Angela.

-    Disse que não era babá - revirou os olhos - disse que não ia ser delicada com ela.

-    Se ela machucar Cosima... Delphine irá matá-la - disse Beth.

-    Delphine irá matá-la por vários motivos, machucando ou não Cosima.

-    Angela - Beth fez uma pausa - não posso ver Delphine naquele estado, ela precisa saber.

-    Eu concordo.

-    Você concorda? - Beth perguntou surpresa.

-    Sim, vamos levar Delphine até Cosima, vamos levá-la até Charlotte, se tem uma hora melhor para pegar Gavin é agora, quando ele começar a desconfiar que estamos na cola dele, será muito mais difícil e acredite, depois dessas três mortes e o sumiço de Cosima ele vai saber - respirou fundo - os corpos já foram retirados, já está tudo finalizado por aqui, busque Delphine, vamos no meu carro, é melhor que ela deixe o dela aqui.

Não demoraria muito para o dia amanhecer e Beth já podia sentir o alívio em seu peito pela escuridão ir embora, onde quer que Cosima estivesse, estaria bem e longe dos homens de Hardcastle. Viu Angela Deangelis sumir pelo corredor e respirou fundo, colocando seus pés a andar até a sala em que sua amiga se encontrava. Finalmente podia fazer o que prometeu por muito tempo, embora ainda fosse arriscado, Beth levaria Delphine até Charlotte e tiraria aquele peso de suas costas, estaria livre para pagar pelos seus erros. Abriu a porta devagar e viu a amiga deitada no sofá, segurando com as duas mãos o óculos de Cosima, seus olhos estavam fechados, mas o som de seu choro indicava que estava acordada, Delphine pareceu não perceber que alguém entrara ali, Beth caminhou devagar e se abaixou, sentando-se no chão e deitando a cabeça próximo ao rosto de Delphine, alisou seu cabelo e vagarosamente tirou o óculos de suas mãos fazendo Delphine semicerrar os olhos, conseguiu enxergar neles toda a dor que a amiga sentia, a culpa por ter contribuído para essa dor nunca deixaria Beth dormir em paz.

-    Beth - Delphine tinha a voz fraca - preciso de mais álcool.

-    Não - Beth sorriu e deu um beijo na testa de Delphine - Cosima está bem - Delphine abriu os olhos de vez e se sentou no sofá franzindo o cenho para a amiga - sabemos onde ela está, ela está bem - sorriu ao ver que as lágrimas que agora Delphine derramava eram de emoção, alegria e alívio, Delphine a abraçou forte e se entregou aquele choro esperançoso e desesperado - vou te levar até lá, mas você deve me prometer uma coisa...

-    O que? - se desvencilhou do abraço.

-     Não me faça perguntas - Beth sorriu - Não cabe mais a mim explicar o que está acontecendo, mas hoje minha amiga, será um grande dia para você.

-    O que quer dizer, Beth? - Delphine perguntou tentando secar o rosto coberto de lágrimas.

-    Quero dizer que tudo vai ficar bem - Beth sorriu para a amiga, levantou-se a pegando pelas mãos, fazendo Delphine ficar em pé - mas agora estamos correndo contra o tempo, precisamos ir logo, explicaremos no caminho.

 

[...]

 

-    Então quer dizer que aqueles homens eram mesmo homens de Hardcastle? - Delphine perguntou olhando pela janela do carro, reconhecendo aquelas ruas tão bonitas que mêses atrás a encantou - Cosima realmente corria perigo… e alguém de sua própria turma a espionava - falou pensativa.

-    Sim - Angela que estava ao volante respondeu - se chegássemos alguns minutos depois ela provavelmente teria sido levada por eles…

-    Vocês poderiam ter me contado, será que vocês sabem o medo que senti quando me disseram que ela havia sumido?

-    Não poderíamos correr o risco de contar a você lá, alguém poderia ouvir e não estamos confiando muito nos nossos colegas de trabalho - Angela respondeu - também não tive tempo de avisar Beth…

-    Quem foi lá? Quem a salvou? - Beth e Angela se olharam - estamos perto da casa de Siobhan, é lá que ela está? Foi S quem a salvou?

-    Não - Beth respondeu.

-    Quem a salvou? - Delphine repetiu a pergunta.

-    Alguém da nossa equipe - Beth não se atreveria a dizer, ainda não era hora de Delphine perder a cabeça.

-    Hum… - Delphine encostou a cabeça no banco e sorriu - tem certeza que é seguro a minha aproximação?

-    Delphine - Angela disse - caso não tenha reparado, o seu afastamento de Cosima de nada adiantou, eles continuaram na cola dela e de fato tentaram sequestrá-la, não faz diferença alguma agora…

-    O relacionamento de vocês era muito discreto - Beth olhou para a amiga que estava no banco de trás do carro - talvez eles não tenham percebido que vocês terminaram.

-    Ou talvez isso não faça diferença para eles - Angela ponderou - Cosima foi de fato namorada de Delphine, talvez eles a queriam apenas para torturá-la, até que conseguissem alguma informação sobre a menina…

-    Torturar Cosima? - Delphine perguntou hesitante - Não seria mais fácil me levar? Me torturar?

-    São somente suposições, Delphine - disse Beth tentando acalmá-la - não sabemos de verdade alguma - olhou para Angela que se concentrava na direção.

-    Você é filha Aldous, seria mais fácil se você sumisse ou se Cosima sumisse? - Angela perguntou fazendo Delphine suspirar - Se algo acontecesse a você, Aldous saberia que correria um grande risco e se o plano de Gavin é pegá-lo algum dia, com certeza ele não faria seu velho pai se afugentar sabendo que Aldous também o caçaria, é aquela velha história, como você sabe, cobra venenosa só dá o bote se tiver certeza que vai pegar a presa ou por pura defesa, ele não desperdiçaria energia com algo duvidoso, sabendo que isso poderia levá-lo a morte.

O carro entrou em uma rua, se afastando cada vez mais do centro da cidade, aquele lugar trazia uma incrível nostalgia para Delphine, logo chegaram na grande praça de onde dava para ver os enormes arbustos que cercavam o casarão, tudo estava incrivelmente vazio, talvez por não ser final de semana. O carro deu a volta pela praça, pegando uma ruela paralela aos muros de arbustos, parou em frente a um enorme portão, Angela abriu o vidro e interfonou.

-    Cosima me trouxe aqui, não sabia que tinha uma outra entrada para aquele velho casarão.

-    Cosima te levou pelo caminho do labirinto? - Beth perguntou e Delphine assentiu - Ela nunca entra por aqui.

-    É aqui que Cosima está - Delphine disse sorrindo.

-    3058 - Angela disse e o portão se abriu instantes depois - espero que esteja preparada - disse guiando o carro pela ruela que levava até o casarão.

-    Estou mais do que preparada, espero que Cosima me dê outra chance, que me deixe explicar...

Beth encarou a amiga com um sorriso singelo no rosto, ciente de que não era sobre Cosima a quem Angela se referia, Delphine iria ver Charlotte e não desconfiava nenhum pouco de que isso fosse acontecer.

-    Uau, não canso de admirar a riqueza dessa propriedade - disse Delphine com os olhos colados na janela - é tão grande.

-    Sim - Beth confirmou.

-    Mas está tudo tão vazio - olhou para Beth - aonde estão os funcionários?

-    Estão de folga… eu acho… parece que nos últimos meses só aparecem a cada 15 dias - Beth respondeu - fazem um mutirão e vão embora - respirou fundo.

-    Chegamos.

Angela estacionou o carro em frente ao casarão e a cada passo que Delphine dava em direção a entrada seu coração batia mais forte, seu corpo que estava fraco por causa de todo o stress    vivido horas antes, agora se fortalecia com a promessa de que veria Cosima novamente. Beth e Angela andavam na frente, Delphine estava tão atordoada com o turbilhão de coisas que aconteceram nas últimas horas que somente agora, com um pouco de calmaria se perguntava por que Angela estava ali, por que Angela? Por que Beth pediria ajuda para Angela, mesmo sabendo que Delphine não confiava nenhum pouco naquela mulher? E por que Angela a ajudaria? Não fazia sentido algum, o ódio era recíproco.

Delphine entrava na casa reparando nos mínimos detalhes, a decoração muito antiga era bem cuidada, a casa tinha um aspecto que poderia ser definido de certa forma como analógico, como se a tecnologia e as novas tendências não tivessem chegado ali, como se tivesse parado no tempo, mas ao mesmo tempo ao passar pela sala viu a tv enorme, de 78”, tela plana, que contrastava com o visual retrô do sofá e dos outros móveis, os passos no piso de madeira ecoavam pela casa enquanto as três adentravam cada vez mais, até entrarem na cozinha e encontrarem Siobhan. A mulher mais velha olhou para as três e sorriu. Estava tomando seu chá tranquilamente, perdida em pensamentos quando finalmente o interfone tocou anunciando que as três tinham chegado, agora estavam ali e poderia deixar a casa, levantou-se da cadeira e foi ao encontro de Delphine.

-    Vocês demoraram - sabendo de todo o ocorrido pela madrugada deu um abraço apertado na loira - já sabemos de tudo o que passou.

-    Siobhan… - Delphine retribuiu o abraço e se entregou aquele conforto que Siobhan sabia dar - eu senti tanto medo por Cosima.

-    Eu sei… mas agora está tudo bem - desvencilhou do abraço e sorriu, olhou para as duas policiais - não foram seguidas?

-    Não - Angela respondeu - os rapazes que estavam cuidado de Cosima estão no hospital, como você pediu - Siobhan assentiu.

-    O que ela sabe? - Perguntou para Beth enquanto apontava para Delphine.

-    Que Cosima está aqui - Beth respondeu rapidamente - acho que elas precisam de um tempo a sós antes de… você sabe...

-    Sim - disse Delphine, quase atropelando a fala de Beth, precisava urgentemente ver Cosima - onde ela está? Preciso falar com ela, preciso ver como está, tenho que me desculpar por tudo…

-    Calma - Siobhan pegou firmemente em seus braços - ela está no quarto, acabou de tomar banho - respirou fundo - ainda está um pouco assustada, contei por cima tudo o que aconteceu - olhou para Delphine e sorriu - perguntou de você, queria saber se você estava segura - Delphine sorriu com os olhos marejados - deram algo para que ela dormisse, ainda está um pouco sonolenta, mas acho que você consegue falar com ela.

-    Me leve até ela, por favor.

-    Angela, mostre para Delphine, Cosima está no quarto 3, preciso sair e resolver algumas coisas, volto mais tarde para ver como vocês estão, Beth me ajude a carregar o carro - se aproximou de Beth e a puxou pelas mãos saindo da Cozinha e se afastando das duas - tem certeza que vocês sabem o que estão fazendo? Poderiam ter entrado na casa e esbarrado com a menina.

-    Ótimo, é isso que queremos.

-    Se fosse somente a menina, estava ótimo.

-    Onde estão?

-    Dormindo.

-    Tudo bem, temos um tempo para prepará-las, Delphine vai querer ficar o restante do dia trancada no quarto com Cosima.

-    Cuide delas, Beth.

-    Vou cuidar - sorriu.

-    Volto a noite.

-    Tome cuidado, S.

Siobhan saiu da casa com o coração apertado, não queria se afastar, de certa forma seu coração estava em pedaços pelo que a filha passou, não queria sair de perto de Cosima e não queria deixar ninguém que pudesse machucá-la chegar perto, algo dizia que ainda viriam atrás de sua filha, algo dizia que Siobhan precisava de mais ajuda e era isso que conseguiria.

 

[...]

 

-    Delphine - Angela parou em frente a porta indicada por Siobhan e impediu que Delphine batesse na porta - acho que depois que tudo isso passar, podemos dizer que estamos quites, não é mesmo?

-    Quites? - Delphine a encarou - por que está fazendo isso? por que está me ajudando? Sente alguma culpa? Algum remorso?

-    Não é por você - Angela olhou para os lados - e nem por Cosima.

-    Então é por quem?

-    Não cabe a mim dizer - apontou com a cabeça para a porta - agora entre aí e acalme o seu coração e o coração de sua garota - saiu e sumiu nos corredores.

    Delphine respirou fundo e deu três batidas na porta, esperou por alguma resposta, mas só ouviu o silêncio, bateu novamente e nada, na terceira tentativa ouviu um “entra”, a voz fraca de Cosima fez seu peito arder e sua respiração ficar descompassada, abriu a porta devagar entrando no quarto, a janela estava aberta e era a única fonte de iluminação, a mulher que Delphine amava estava sentada na cama, vestida com um pijama grande demais para ela, a encarava com uma cara extremamente surpresa.

-    Delphine? - como uma criança que acorda de um pesadelo e corre para a cama dos pais pedindo para dormir lá, com a voz fraca e trêmula Cosima a chamou.

A mais velha deu passos largos e se jogou nos braços de Cosima a abraçando tão forte que poderia esmagá-la, seu choro igualmente forte e seu corpo trêmulo a impediu de falar, os soluços ocuparam o lugar que seria das palavras e Cosima retribuiu aquele abraço da forma que achou melhor, apertando Delphine contra si e acompanhando seu choro.

-    Cos, me… des...me… eu….

-    Shiiii, tudo bem Delphine.

-    A culpa foi minha… Cos… eu tive tanto medo… tive medo de não te ver mais, tive medo que tivessem te machucado - Delphine saiu do abraço e tocou com as duas mãos no rosto de Cosima, colocando-as no seu maxilar para que pudesse observá-a, havia alguns arranhões em seu rosto e um pequeno corte próximo ao olho esquerdo - te machucaram?

-    São só alguns arranhões e minhas costas que estão um pouco doloridas - Cosima encarava Delphine como se estivesse vendo uma miragem - eu também tive medo, foi assustador, eles chegaram do nada e…

-    Me perdoe Cosima.

-    Por que não me disse? No hospital eu ouvi sua conversa com Beth e Siobhan.

-    Você ouviu?

-    Sim - Cosima tocou as mãos de Delphine na altura de seu rosto - eu achei que eram homens do marido de Adele...eu... por que não me avisou sobre os seguranças, sobre tudo? Porque terminou comigo sem dar explicações… eu… eu senti tanto a sua falta - Cosima tremeu os lábios tentando controlar o choro - cheguei a pensar que não me amasse mais.

-    Não… não, não, não - Delphine aproximou sua testa e a encostou na de Cosima - eu te amo tanto, eu te amo muito, se tem algo certo na minha vida é o meu amor por você Cosima - Delphine respirou fundo - me perdoe, eu achei que estava te protegendo.

-    Você não pode fazer isso - Cosima se afastou e a encarou - não pode fugir assim se algo sai do seu controle, não pode me afastar de sua vida quando bem entender sem me dizer a verdade…

-    Eu sei, eu te prometo Cosima, nunca mais vou te deixar, eu prometo que vou ficar, não importa o que acontecer… eu não sei o que faria se algo tivesse acontecido…

-    Delphine, não faça isso… não me prometa ficar, apenas fique, ok?

Delphine encarou a namorada e confirmou com a cabeça, nunca mais sairia de perto de Cosima, nunca mais a perderia de vista. Seus olhos encaravam os dela e com eles a expressão do mais puro amor e a promessa de que mereciam uma vida juntas, lado a lado, Delphine umedeceu os lábios e beijou Cosima. Um beijo capaz de esquentar o corpo inteiro, cheio de saudade e dado para selar aquele novo acordo, Delphine colocou a mão na nuca de Cosima sentindo seu peito arder, seu coração saltar e seu pulmão ficar sem ar, Cosima agarrou a cintura da namorada sentindo que vivenciava o melhor dos bons sonhos, mas era muito melhor do que isso, era real. Seu amor era real. Quando os lábios das duas se afastaram Cosima enxugou as lágrimas da namorada, pegou em suas mãos e as levou até seu peito, repetindo o gesto que Delphine fez na primeira vez que as duas se beijaram.

-    Sente isso? - Cosima perguntou com a voz ainda embargada - eu também te amo.

-    Isso quer dizer que você me perdoa? - Delphine beijou a bochecha da namorada e a abraçou novamente - me desculpe por colocá-la nessa situação, se não tivéssemos nos conhecido, você estaria a salvo.

-    Hey - Cosima puxou Delphine para que as duas deitassem na cama - estou segura agora. O copo está meio cheio - sorriu lembrando-se mais uma vez do começo de tudo - e eu amo você.

-    Casa comigo?

-    O que? - Cosima perguntou surpresa, as mãos de Delphine se entrelaçaram nas suas e a namorada repetiu a pergunta.

-    Estamos perto de pegar Charlotte de volta, quando tudo isso se resolver quero que você seja minha esposa - fez uma pausa analisando o rosto de Cosima - eu nunca amei outra mulher do jeito que eu te amo, eu sinto… sempre senti que nossas almas são velhas conhecidas, não sei mais viver sem você…

-    Delphine…

Cosima queria responder, seu coração batia descontroladamente com aquele singelo pedido, mas percebeu que Delphine ainda não tinha visto a filha, tampouco sabia que ela realmente estava próxima, no quarto ao lado para ser mais exato.

-    Eu sei que você merecia um pedido mais especial e… é que escapuliu da minha boca...

-    Delphine…

-    Nós nunca conversamos sobre isso, eu nem sei se é o que você quer…

-    Delphine…

-    Eu… depois de hoje, eu não posso mais ficar longe de você, quero você morando comigo…

-    Delphine, meu amor…

-    Você não precisa me responder agora… ok… mas… eu não sou mais sua professora, não precisamos nos esconder do mundo, quero desfilar com você na rua e gritar para todo o mundo que você é o amor da minha vida.

Cosima se levantou assustando Delphine, será que tinha forçado demais? Mas seu sorriso a acalmou, como sempre fazia. Cosima estendeu a mão para Delphine que prontamente a pegou, levantando-se para receber outro beijo da namorada.

-    Sim - Cosima respondeu fazendo Delphine chorar novamente - eu aceito, mas antes de você ficar feliz tenho que te mostrar algo.

-    Me mostrar algo?

-    Sim, venha comigo.

Cosima ainda de mãos dadas com Delphine saiu do quarto.

-    Acho que ela não vai se importar de ser acordada agora, já não é tão cedo, parece que ela tem o sono bem leve e ela fez perguntas sobre você.

-    Ela quem?

Cosima abriu a porta ao lado e acendeu a luz, dando passagem para que Delphine entrasse.

Delphine deu alguns passos até a enorme cama de casal ocupada por um minúsculo corpo, a menina dormia de bruços, Delphine tirou delicadamente o cobertor de cima de sua cabeça e assim que viu o seu pequeno rosto sendo parcialmente coberto pelos seus negros fios de cabelos desgrenhados, colocou a mão na boca e olhou para Cosima espantada. Como se já não tivesse chorado o bastante nas últimas horas começou a soluçar deixando seu choro sair alto fazendo com que a menina acordasse.

-    Charlotte - Delphine disse com a voz trêmula.

A menina abriu os olhos e se sentou na cama, olhou para a mãe que chorava abaixada perto da cama, olhou para Cosima que assistia a tudo de longe e recebeu da sua futura madrasta uma confirmação, como se precisasse daquilo para prosseguir a menina abriu os braços e abraçou a mãe que a segurou firme fazendo-a tombar em seu colo.

-    Charlotte, Charlotte, eu passei tanto tempo procurando por você - saiu do abraço para olhar o rosto sonolento de sua filha, Charlotte era uma menina tímida e séria - você se lembra de mim? Sabe quem eu sou?

-    Sim - a menina pela primeira vez disse algo e Delphine sorriu ao ouvir sua voz - mãe…

-    Era você - olhou para Cosima - era ela naquele dia, vimos ela naquele dia que você me trouxe aqui pela primeira vez - Cosima confirmou com a cabeça e Delphine voltou a olhar para a filha - Você estava tão perto esse tempo todo - tocou em seus cabelos como se não acreditasse que aquilo estava acontecendo - você está tão grande… eu senti tanto a sua falta…

-    Eu também - disse a menina timidamente.

-    Você já conheceu a Cosima, então?

-    Sim - a menina sorriu - mama trouxe ela para casa, disse que precisava ficar segura junto comigo.

-    Quem? - Delphine perguntou para sua pequena Charlotte.

-    Eu a trouxe.

Delphine olhou para a porta, fechou e abriu os olhos várias vezes para se certificar de que não estava tendo uma alucinação, estava vendo um fantasma, alguém que viu morrer em seus braços e a enterrou, Katja estava parada ao lado de Cosima, na entrada do quarto, com roupas de dormir e um sorriso desgraçado no rosto.

-    Olá, Delphine.

 


Notas Finais


Apenas uma pessoa deduziu ser a Katja (que eu me lembre) embora várias pessoas no decorrer da Fic questionavam se ela estava viva =)
O que acharam??

Obrigada por estarem aqui, obrigada pelos comentários, me ajudam tanto, vcs não tem idéia!
Espero que estejam gostando do desfecho, prometo fortes emoções para os póximos caps!


*pergunta mais frequente.
Quando terá o próximo? > semana bem corrida por aqui, não sei quando o próximo sai (posso parecer ser uma pessoa vagal por postar rápido, mas não sou aheuaehau). Esses dois últimos caps são complicados, estou tentando fechar tudo sem deixar nenhum furo. Mas prometo tentar postar o mais rápido possível!
Já estou com saudades de vocês =*

Edit, prévia:
Cosima sorriu e Charlotte saiu do banheiro com uma roupa nova, Delphine sorriu para a filha, vendo como havia crescido, era uma verdadeira mistura de felicidade e arrependimento, Delphine perdeu uma parte valiosa da vida de Charlotte, algo que nunca poderia ser recuperado e agora sua filha estava na sua frente, olhando para os pés timidamente enquanto balançava um deles para cima e para baixo com muita rapidez, Delphine era uma completa estranha para a filha e, assim como Charlotte, estava totalmente sem saber como reagir. Cosima se levantou puxando Delphine junto, caminhou até Charlotte e se abaixou para ficar na sua altura. A menina olhava para Cosima e dava olhares furtivos para a mãe, o que não passou despercebido pela futura madrasta, Charlotte tinha vergonha, mas estava ansiosa para interagir com a mãe, sentia saudade e não entendia o que havia acontecido para que ela ficasse esse tempo todo longe.
- Está com fome, passarinha?
- Sim - a menina disse balançando a cabeça contente com o novo apelido.
- Está com sono também?
- Um pouco - olhou para baixo e sorriu.
- Então vamos comer e brincar um pouco, depois podemos tirar uma soneca até a hora do almoço, que tal?


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