História Apenas um amor de verão - Capítulo 76


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Amor, Drama, Família, Gravidez, Mistério, Revelaçoes, Romance, Segredos, Suspense, Traição
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Palavras 5.259
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Literatura Feminina, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 76 - Quarta Temporada - Os Larsen


_Ai, puta que pariu! -  Pether gemeu de dor mesmo comigo o ajudando a levantar da cama. Pode parecer drama, mas toda vez que ele se contorce, faz careta, ou demonstra qualquer dor, eu sinto a dor dele em mim. Eu sinto porque foi eu quem trouxe Christopher às nossas vidas. Eu sou a culpada. Eu odeio ver meu melhor amigo assim. 

Fazem duas semanas desde meu aniversário. Pether recebeu alta do hospital com duas costelas quebradas há dois dias. Fazem duas semanas que mal vou às aulas. Peguei atestado de doença e estou usando no trabalho também. Mas semana que vem eu volto. Eu tenho que ser profissional...
E fazem duas semanas que não vejo meu namorado. Não atendo suas ligações. Peço o Lyonel para deixa-lo longe de mim sempre que ele tenta vir aqui. Lyonel o expulsa com muito prazer. Então chegou o momento que ele me deu um tempo. Ele sabe que vamos ter que conversar algum momento. Eu sei disso também. Mas... 

Eu simplesmente não tenho coragem de encará-lo agora. Não consigo olhar na cara dele. 

_Ai, me desculpa, me desculpa, me desculpa! - eu lamentava enquanto ele tentava ficar em pé para caminharmos. 

_Pare de pedir desculpa, Allison. Caralho, quantas vezes vou ter que dizer que não foi culpa sua?? - Pether me repreendeu. Apenas olhei seu rosto amassado e fiquei em silencio. A culpa é minha, sim. Mas não vou discutir isso com ele de novo. Pether não pode se esforçar para nada. 

Caminhamos pela casa dele, e encontramos Lyonel na cozinha com Sky. Sábado de manhã?? Meu Deus, vai chover. Desde que estou ficando aqui para cuidar de Pether, Lyonel NUNCA acordou UM dia cedo. 

_Bom dia, campeão. - Sky se virou e sorriu para Pether. - Olha! Consegui fazer omelete! - ela disse animada. Pether sorriu levemente, e eu senti meu coração se iluminar. Sky é muito incrível em vir aqui apenas animá-lo. 

_Parabéns, Branca de Neve! Finalmente aprendeu o que você já deveria saber como "princesa". - Pether brincou maldoso, e Sky mostrou a língua para ele. É. Não tem jeito de Pether perder as piadinhas. - Vê se não quebra minha cozinha, por favor. Ouviu, Lyonel? - Pether disse sério. Ajudei-o a se sentar. 

_Pode ficar tranquilo, senhor Pether. Bom dia para você também. E DE NADA por fazer o seu café. - Lyonel reclamou. Que audácia. Eu cuidei dessa casa e da comida como se fossem da minha mãe, e ele quer um desfile em agradecimento por ele fazer UM café da manhã? Hilário. 

_Você devia era agradecer a Allison por fazer tudo para você nas últimas duas semanas. Ela é a guerreira aqui. Ainda mais depois de arrumar os nossos quartos. - Pether respondeu sério. Olhei para ele definitivamente tocada pela gratidão dele. Pether está sendo muito bondoso comigo. 

_Que isso, Pether. Eu fiz o mínimo que poderia fazer. - eu disse inconformada.  

_Obrigado, Allison. De verdade. - me surpreendi quando aquilo saiu da boca de Lyonel. Sky sorriu. 

_Ai, que gracinha!!! - ela exclamou pegando o braço de Lyonel. - Vocês dois são uns doces!!! 

Lyonel revirou os olhos, enquanto eu ri. 

_O ovo, Sky, o ovo. - ele apontou com a espátula para a frigideira e ela deu um pulo percebendo que já estava queimado. 

_AI, MAS QUE PORCARIA! - ela reclamou fazendo Pether rir. Foi quando ele se virou para mim. 

_Teve notícias da Monica? - ele perguntou com uma ruga de preocupação. Eu fui pega de surpresa e suspirei. 

_Não. Só aquele dia no hospital. - eu respondi. Lyonel recostou-se na pia e cruzou os braços, enquanto Sky limpava a bagunça atenta à nossa conversa. 

_Ela já está acostumada com os ataques do irmão, não é? - ele disse com um leve tom de ironia. 

_É, mas ela geralmente conseguia impedir que ele causasse mais dano. Ela praticamente treinou para imobilizá-lo. - eu dei de ombros e olhei para o chão. - Mas dessa vez ela não conseguiu impedir. Ela se sente culpada. 

_Ela devia era colocar aquele irmãozinho dela no manicômio com camisa de força, isso sim. Quem é que consegue gostar o bastante de uma pessoa a ponto de não perceber que ela faz mal aos outros? Ela só pode ser cega. Não interessa se é irmão dela. - Lyonel disse irritado. Senti um coice na barriga. Pether o repreendeu com o olhar.

_Puta que pariu, Lyonel. - Pether xingou. Lyonel finalmente se lembrou que estávamos falando do meu namorado.  

_Ah. Porra, Allison, desculpa. - ele tentou melhorar e Sky abaixou a cabeça pensativa. Eu balancei a cabeça. 

_Não tem problema. - mostrei uma serenidade que eu não tinha no momento. - Podem falar do Christopher à vontade. - senti meu peito apertar profundamente e eu me levantei saindo da cozinha. Não deu. Não consigo fingir. 

Eu não estou bem. 

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_Já tem um tempo que quero perguntar uma coisa. - eu disse receosa enquanto Lyonel e Pether olham para mim, um pouco desconcertados com o estado de Allison. 

_Pois pergunte, mulher. - Pether respondeu fazendo um sinal para Lyonel ver como Allison estava. Ele o fez. 

_Eu não sei se é o tempo certo, mas não dá para esperar a poeira abaixar mais. - eu dei um passo à frente. - Qual é a sua história com a Monica que eu não entendi? - eu apertei minhas mãos desconfortável. Pether pareceu surpreso, mas se recompôs e suspirou. 

_Bom, Sky... - ele mexeu nos pratinhos em cima da mesa. - Foi na época que Allison foi fazer intercâmbio na França. Tínhamos brigado, e você sabe, nossa amizade acabou. Eu... comecei a faltar às aulas e saí viajando por aí com a minha moto. Não queria saber de nada. - ele disse um pouco envergonhado pelo que imagino ter sido um passado bem conturbado - Monica tinha uma banda, famosa regionalmente, e parece que o empresário deles conseguiu uma turnê pelo estado. Foi aonde nossos caminhos se cruzaram... - ele deu de ombros. Eu escutei em silencio, enquanto ele tentava continuar a história sem se abalar. - Então só para constar... a questão é que eu tinha ficado com ela porque ela se parecia com Allison. Tinha os mesmos olhos... me hipnotizavam da mesma maneira. Mas ela se envolveu de verdade comigo. - Pether finalmente encontrou meus olhos e eu suspirei meio chocada. 

_Ah, Pether... - eu disse em reprovação. 

_Exatamente. Eu deixei aquilo continuar. Por meses. Ela me contava tudo. Os problemas com a mãe dentro de casa, o temperamento de Christopher, a briga que eles tiveram...

_Briga? - franzi a testa. 

_Christopher não aceitou que ela fosse viajar com três caras. Ele tem essa coisa de super proteção... e juntando um monte de fatores, eles brigaram feio. - Pether olhou para mim e ficou em silencio. - Sky, ele estava viciado em cocaína. Então você imagina o que as drogas fizeram com ele. - ele tentou demonstrar a gravidade da situação e eu levei a mão na boca chocada. 

_Allison sabia disso??!!! 

_Sabia. - ele respondeu virando o rosto. Pether apoiou o cotovelo na mesa e passou a mão no rosto pensativo. Eu estava CHO-CA-DA. 

_E aí??! - eu perguntei preocupada. 

_E aí que durante nosso namoro, eu viajava com ela. Mas Monica não era qualquer garota. Ela não tinha medo de NADA. Nada, Sky. Ela fazia tudo que queria e não dava a mínima para o que EU dizia ou qualquer outra pessoa. Monica não era equilibrada como ela está agora. Sem o irmão dela, ela não ligava mesmo para mais nada. Ela ia em cassinos de tudo quanto era cidade, bebia todas, e foi quando ela se envolveu com drogas também. Foram os seis meses mais horríveis da minha vida. - ele deu de ombros. Aquilo não podia piorar. - Monica me amava para caralho, mas eu não estava nesse nível. Terminamos muitas vezes, mas sempre que isso acontecia, Monica... - Pether não conseguiu continuar. Ele suspirou pesadamente e colocou o rosto nas mãos. - Monica tinha ataques de pânico. Ela perde todo o ar, fica toda paralisada, e aquela porra toda. Logo depois... ela se cortava, e vendia o corpo no puteiro. 

Arregalei os olhos. Quase caí durinha no chão. QUE FAMÍLIA É ESSA DOS LARSEN?!!! 

_Então eu tive medo de a deixar. Porque eu estava preocupado com ela. Eu me preocupo com as pessoas, Sky, esse é meu problema. Eu sempre acabava voltando para ela. Me meti na maior cilada da minha vida. - a voz dele falhava. 

Eu estava nem conseguindo pensar direito, com tanta coisa para processar. 

_M-m-mas, Pether, ela disse que você a traiu... - eu o lembrei. Ele olhou para mim. 

_Eu não me orgulho disso, Sky. Porque eu fui fraco. Se era para ficar com a garota, se eu queria ajudar a Monica, eu tinha que estar lá para ela e só para ela. Eu não conseguia aguentar. Era coisa demais para minha cabeça, então eu... eu me distraía com outras garotas. Eu devia ter terminado aquela porra de namoro, e ter sumido da vida dela. Porque ela foi tudo, menos infiel comigo. Ela era doce, Sky. Ela era. E eu fui um idiota. - ele falava mais consigo mesmo que comigo. - Mesmo depois de tudo, ela não contou ao irmão dela o que passamos. Ela me protegeu. Sabia o que o irmão dela faria. - ele tocou as costelas e sentiu uma pontada de dor. 

Eu suspirei sentindo o peso que estava nas costas dele. Me aproximei de Pether e o abracei o mais cuidadosamente. 

_Eu sinto muito... - eu disse sem saber o que dizer. Pether suspirou. Ficamos assim por longos minutos. 

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_Não precisa ficar aqui, Lyon. Você não disse nada demais... - eu disse olhando para o chão.

_Não, eu quero. Sinto que sou muito injusto com você muitas vezes... - ele me surpreendeu. Eu suspirei. Queria falar tanta coisa. Botar tanta coisa para fora. Não sabia se Lyonel iria escutar. Acho que não...

Ouvimos um telefone tocar e verificamos se eram os nossos. Era o dele.

_Chloe. - ele cumprimentou sério esperando que ela falasse. Puxa vida, é assim que ele chama a namorada? -Foi mal. - ele riu. Lyonel rindo? - Pode ser loirinha, então? Que que tem a Sky?... - ele franziu a testa e riu de novo. - Eu namorei ela quando ela tinha cabelo branco, amor. Eu chamava ela de platinada, não de loirinha.

Eu ri levemente da discussão deles.

_O quê? Eu não... eu não disse. Quê? Não disse, não. Eu não te chamei de amor. Eu disse que não chamaria. - ele respondeu indignado.

_Você chamou, sim. - eu contestei. Ele me olhou repreensivo.

_Minha querida, vamos direto ao assunto do porquê você me ligou? - ele disse calmamente. - Ah, você gostou, né? - ele se jogou no sofá e revirou os olhos sorrindo - Nossa Senhora, Chloe, eu não vou te chamar é de nada. Chega. Vamos direto ao assunto!!! - ele pediu fechando os olhos.

Eu sorri. Lyonel estava apaixonado. Eu queria muito zoar ele. Mas eu sei que Pether já faz isso o bastante.

_Tudo bem. Eu te busco aí. Me dê meia hora... Tá? Chloe, MEIA HORA, você entendeu? Não são 4 horas. É o 1 em cima do 2, MEIO. Metade. ME ESCUTA. - ele riu. - TRINTA CARALHOS DE MINUTOS... Que bom que você entendeu. Tenha um bom dia. Tá bom, tchaaaaau, Chloe! - ele desligou o telefone. 

_Por que você não deixa de ser chato e é carinhoso com sua namorada? - eu disse divertida.

_Porque é divertido ver ela irritadinha. - ele deu de ombros. Revirei os olhos.

_Homens. - resmunguei.

_Eu te fiz sorrir com minha chatice. Homens não são tão ruins. - Lyonel piscou para mim. Eu ri.

_Meu Deus, que Lyonel renovado. Cadê o mau humor? - eu provoquei.

_Eu não tenho porquê. - ele deu de ombros. Eu quase soltei uma piadinha sobre Chloe, mas me segurei. A gente tem que deixar uma pessoa apaixonada em paz. Deixa ele ser feliz.

Novamente o barulho de telefone tocando. Ele revirou os olhos e pegou o celular, mas logo percebeu que não era o dele. Franzi a testa e olhei o meu. Li logo o

"Chamada de
Clifford"

E estremeci. Quase li Christopher.

_Oi. - eu atendi ainda com a testa franzida.

_Pois é, volta para casa, Allison. - ele disparou e eu fiquei alarmada.

_O que está havendo, Clifford? - eu ri, porque o tom dele era um desespero do tipo "fiz merda".

_Em uma semana que você ficou aqui, minhas gavetas nunca estiveram mais organizadas. E agora que você não está, está tudo uma merda de bagunça. Essa porra. - ele reclamava e ouvi ele chutar alguma coisa no fundo.

Olhei Lyonel surpresa. Clifford? Desorganizado?

_Clifford, como assim, você é o cara mais organizado que conheço. - eu disse incrédula.

_Pois é, quando eu estou trabalhando, eu sempre estou com pressa e com muita coisa para fazer, nunca tenho tempo de arrumar. - ele disse apressado e a partir daí, ele não parou mais de falar - Então depois que você ficou puta com meu abrir e fechar de gavetas durante a madrugada, e arrumou tudo para eu não ter que ficar procurando, tudo ficou muito mais fácil para mim. Mas agora não está mais. Eu nunca deixei nenhuma criada entrar aqui e arrumar porque elas organizam tudo de maneira que eu não encontro nada, mas você me conhece e arrumou tudo perfeitamente. Eu só preciso desesperadamente que você volte pelo menos um dia para arrumar. Sei que é egoísmo meu, visto que Pether está machucado, mas eu estou ENLOUQUECENDO, ALLISON. Sabe por quê? Porque Melanie não para de chorar, EU NÃO SEI O QUE ELA QUER, E EU JÁ TENTEI DE TUDO, e porque eu estou desconfiado que uma quantia de duzentos e cinquenta mil praticamente desapareceu do banco da empresa. Allison, POR. FA. VOR. - ele disse desesperado.

Eu comecei a rir e não consegui falar nada. Eu não sei porquê estava rindo. Eu estava feliz por ouvir isso. Por que eu estaria feliz em ver Clifford desesperado?

Eu acho que é porque ele precisa de mim.

Ele precisa de mim.

Quase dei um pulinho de animação.

_Eu vou sair agora. - eu disse sorridente para Lyonel e para Clifford.

Voei até a chave do meu carro e gritei:

_Cuide do Pether por mim! Volto depois do almoço! - e fechei a porta. - Clifford. - eu chamei no celular.

_Oi. - ele disse com a voz pesada.

_Você pode continuar falando, por favor?

_Você está adorando isso, né? - ele disse entediado. Ouvi o choro de Melanie no fundo.

_Não, senhor. - eu disse ligando o carro. Ignorei o sorriso bobo na minha cara.

_Ai, Allison. Só chegue aqui logo. - ele disse prestes a desligar. Eu o interrompi.

_NÃO, NÃO, NÃO, ESPERE! - ele deu uma pausa. - E a Gina? - meu sorriso se desfez.

_O que tem ela? - ele disse confuso.

_Você ligou para ela?... Ela está aí? - engoli em seco.

_Não.

_Por que você não ligou para ela? - uma ponta de luz se acendeu em mim. Não tenho certeza do que é.

_Porque só você pode resolver. A maneira como você arrumou as gavetas, e inclusive o problema da nossa filha. - ele respondeu naturalmente.

Mordi o lábio. Eu não sei o que eu sinto agora. Nem sei aonde estão meus pensamentos. Será que...

_Christopher ligou aí? - eu perguntei. Ouvi um silêncio.

_Várias vezes durante a semana... ele quer muito falar com você. - ele respondeu em um tom diferente de voz.

_Se ele ligar de novo... você pode dizer que hoje eu passo na universidade mais tarde, por favor? - mordi o lábio de novo.

_Claro... - ele parece ter engolido em seco.

Em alguns minutos, estacionei na garagem de sua casa e entrei radiante. Clifford Charleston precisava da minha ajuda. Quem diria, huh?

Cumprimentei alguns criados, tais como Kate e de repente até Tiffany. Oh, meu Deus, como eu senti falta dela!

_Por que não nos encontramos antes, eu estou morando aqui há 3 semanas! Apesar de estar dormindo na casa de Pether. - eu sorri.

_Eu estava de folga quando você estava aqui. Ah, senhorita, como fico feliz em ver você. Depois de tanto tempo... e sua filha é adorável. - ela acrescentou. Ela com certeza estava se perguntando porque eu surtei tanto quando eu descobri a gravidez. Com uma criança tão bela e inofensiva como Melanie.

Eu não sei mais também.

_Me permite dizer uma coisa? - ela perguntou antes de voltar aos seus afazeres. Eu franzi a testa e esperei que ela dissesse. Tiffany olhou para o chão. - O sr. Charleston e a senhorita eram o casal mais bonito que eu já havia visto. Nunca vou me esquecer como ele te olhava. Porque eu sempre quis ter isso na vida. - ela sorriu envergonhada.

_Ah, Tiffany, você terá. Não se preocupe. Eu torço por você. Com a sua doçura, encantaria qualquer um. - eu dei de ombros. Sorri para ela recebendo o sorriso de volta.

Minha cabeça estava em outro lugar. Completamente diferente. Quando ela me deixou, meu sorriso se desfez. Eu estava parada na frente da porta do escritório de Clifford.

Você consegue imaginar... o que eu estou sentindo? Eu não faço a menor ideia.

Só percebi que a porta estava entreaberta quando ele abriu prestes a sair para fazer algo. Ele olhava para o chão e na fração de segundo que percebemos a presença um do outro, nossos olhares de encontraram. O mundo parou por milésimos de segundo. Ele e eu.

Só ele e eu.

_Finalmente. - ele suspirou e pegou meu braço, me trazendo para a realidade. Eu estou com a cabeça na Lua...

Uma coisa estou certa. Depois do meu aniversário, eu tive muito tempo para pensar no que havia acontecido. Entre mim e Christopher. E o que eu estava fazendo. E até onde meu amor por ele ia. Eu acho que ele foi uma flor que se murchou naquele dia. Eu não consigo mais sentir a mesma coisa que sentia quando ouvia o nome dele. Na verdade, agora sinto repulsa. Ao fazer aquilo com Pether... ele me ofendeu. Mas não era só isso. Parecia que eu havia acordado de um sonho.

E ao acordar... eu percebi uma coisa que não tinha pensado antes. Eu percebi agora.

Clifford.

Eu não sei definir o que exatamente eu devia pensar sobre Clifford e eu. Eu só sei que o nome dele... ele está mexendo comigo. Mas... por que aconteceria de novo? Por que tudo volta para ele?

_Primeiro você quer cuidar das gavetas enquanto eu fico com essa criança irritada, ou a criança primeiro? - ele disse me acordando de novo. Eu não sei o que eu tenho.

_Am? - eu disse confusa.

_O que você quer resolver primeiro? - ele riu. Olhei Melanie no colo dele toda vermelhinha e de cara irritada e não pensei duas vezes.

_Pode me dar meu bebê. - eu sorri e a peguei tentando trazer a alegria da minha menina de novo.

Ele foi até sua mesa organizar o que estava em cima, enquanto eu tentava descobrir o que Melanie tinha.

_Duzentos e cinquenta mil, é? - eu perguntei olhando suas rugas de preocupação ao olhar os papéis e o notebook. Ele levantou o olhar rapidamente.

_É. Eu não faço a menor ideia do que aconteceu a eles. Estou tentando lembrar se eu fiz algo com eles. - ele respondeu distraído. Logo Clifford se jogou na cadeira e suspirou. Eu queria ajudar.

Me apressei para fora de sua sala, o deixando confuso. Pedi ajuda a um criado para levar o chiqueiro de Melanie até a sala dele. Ele levou enquanto eu pegava um pequeno rádio que comprei recentemente.

Coloquei minha filha lá e liguei uma música leve, calma e alegre para tocar e ela ainda de cara fechada, começou a prestar atenção. Talvez Melanie tenha me puxado, e tenha alguns momentos de pura raiva sem razão. Eu acho que estava certa.

Quando Clifford e eu percebemos que ela parou de fazer birra, e começou a dançar com a música, sorrimos um para o outro. Me adiantei até a mesa dele e comecei a olhar os documentos, registros e aquela papelada toda.

_O que está fazendo? - ele perguntou franzindo a testa.

_Duas cabeças pensam melhor que uma. Primeiro você organiza isso aqui, depois você analisa. - eu disse autoritária separando todos os papéis em categoria.

Alguns eu até guardava nas gavetas e em uma considerável  quantidade de tempo tudo estava em seu lugar novamente.

_Tentar fazer tudo de uma vez não estava ajudando. Olhe aqui. - eu disse pegando um boleto retirado do banco em uma quantidade de 250 mil, com a assinatura da noiva dele. - Gina. Está vendo?

Ele pegou o papel com os olhos incrédulos. Fiquei em silêncio esperando que ele processasse a informação.

Pergunta: Como aquilo foi parar ali?

Clifford levantou da cadeira lentamente ainda com os olhos no papel. Parecia que ele não estava ouvindo nem vendo nada ao redor dele. Só havia ele e o boleto. Fiquei com receio de perguntar se aquilo realmente tinha sido ruim. Eu acho que foi.

Mas 250 mil não são muita coisa perto do dinheiro que os Charleston tem... o que Clifford está pensando realmente?

Percebi que logo descobriria assim que a própria noiva dele adentrou o escritório depois de bater na porta. Eu não havia escutado sua chegada. Ela pôs os olhos em mim e logo mudou de expressão, mas então viu Melanie ali e parece ter suavizado. Ela deve ser paranóica com relação a minha presença perto de Clifford. Entretanto, ela sempre fica tranquila ao perceber que eu estou ali por Melanie.

Clifford ainda estava encabulado. Antes que ela dissesse algo para nos cumprimentar, ouvimos a voz de Clifford cortar o ambiente.

_Você retirou 250 mil do dinheiro da empresa sem me consultar?! - ele finalmente se virou para Gina. Me arrependi de ter mostrado aquilo a ele.

_É a quantia para pagar os preparativos do nosso casamento, oras. - ela respondeu fechando a porta tranquilamente.

Ele olhou para ela longos segundos e soltou o ar caminhando até Gina.

_Gina. EU ia pagar o nosso casamento com o MEU dinheiro. - ele disse lentamente. Ai, droga, vou ter que presenciar uma DR.

Eu não posso sair e deixar a Melanie, e também não posso levar ela para fora senão ela chora. Então vou ter que fingir que não estou escutando.

Abaixei a cabeça e me ajoelhei para arrumar qualquer coisa ali na mesa dele. Procurei me ocupar e ser invisível, enquanto Clifford estava submerso em sua própria indignação.

_Mas amor, eu pensei que poderia adiantar o seu trabalho. Você está tão ocupado, então supus que o casamento era toda minha responsabilidade... - ela se explicou.

_E aí você supôs também que o dinheiro da empresa fazia parte da sua responsabilidade. - ele cruzou os braços irônico. Levantei as sobrancelhas já com medo de onde aquilo chegaria.

_Clifford! - ela exclamou incrédula com suas palavras.

_Gina! - ele devolveu irritado.

_Escute bem aqui, Clifford. - ela começou firmemente. Procurei continuar abaixada porque agora eu queria ouvir meeesmo. - Em apenas 5 meses, eu serei a sua ESPOSA, portanto tudo que é seu também será meu. Não aceito que você possa a essa altura do campeonato, me ofender assim. - ela disse indignada. - Minhas intenções eram totalmente boas. Me desculpe por tentar poupar seu trabalho. Eu até mesmo deixei o boleto aí em cima para que você visse.

Vi por debaixo da mesa Gina se virar e cruzar os braços.

_Gina, eu estou irritado não porque você não tem o direito de tocar no meu dinheiro. Estou irritado porque aquele dinheiro NÃO É MEU. O dinheiro da empresa, sendo minha esposa ou não, não está ao seu alcance. - ele disse sem pudor algum. - A primeira coisa que você deveria ter feito era me consultar ANTES DE RETIRAR O DINHEIRO! Qual é o seu problema?

Ele estava inconformado, sem dúvidas.

_Até onde eu sei, a empresa é sua, Clifford. - ela se virou indisposta a ceder. Peça desculpas logo, mulher. Ela errou!

_Até onde eu sei, pessoas casadas são parceiros um do outro, não propriedade um do outro. - ele levou a discussão além, claramente. Eu acho que se esqueceram que eu estou aqui. Eu preciso sair. Isso está ficando é pesado demais.

_Você vai levar isso aqui até esse ponto, Clifford? Jura? Esqueceu que temos plateia? - ela o recordou. MERDAAAAAAAAAAAA.

Me levantei prontamente, peguei Melanie com os olhos de Gina em mim e então mirei Clifford. Sem querer, segurei o olhar demais, e andei até a porta, sem tirar da cabeça o rosto dele naquele momento. Fechei a porta e desci as escadas. Meu coração acelerou por algum motivo. O que ele quer me dizer?

Peguei a bolsa de Melanie que sempre estava pronta para irmos em qualquer lugar, e fui até a garagem. Coloquei minha filha na cadeirinha e saí. Tinha que ir até a universidade falar com Christopher. Eu estava pronta para enfrentar aquilo agora.

Eu não faço a menor ideia do que estava acontecendo comigo. Eu apenas resolvi seguir meu instinto. Mas eu também não sei porque meu instinto estava dizendo aquilo. O que diabos eu diria a Christopher? Por que eu precisava vê-lo?

Essas perguntas só foram respondidas quando eu cheguei lá. Levei Melanie até a casa dele. Bati. Ele atendeu. Parece que ele resolveu almoçar em casa hoje.

Seus olhos azuis não me iluminaram mais. Eles estavam felizes por me ver... mas eu não estava feliz.

_Allison... - sua boca pronunciou meu nome abrindo a porta para que eu entrasse. Entrei sem nem saber o que ia fazer. Eu não fazia ideia de mais nada. O QUE EU TENHO?!!!!

_Antes de mais nada... eu sei que você está furiosa comigo. E tem razão. Eu não sei o que posso fazer para compensar o que eu fiz, mas eu sei de uma coisa que eu preciso fazer. - ele disse determinado. Eu permaneci de costas.

_Se você tem ideia do que fez, Christopher... - eu aumentei a voz antes que ele dissesse algo. - Tem ideia de que não vai ser fácil recuperar o que jogou fora naquela noite. - eu coloquei Melanie no chão já com dor nas costas e entreguei todos os brinquedos dela na mão dela.

_Eu não vou mais deixar isso acontecer. Allison, eu preciso de uma segunda chance. Eu te provo com todas as minhas forças e você vai ver que nunca mais serei o mesmo... meu amor por você é maior do que eu. - ele deu uma pausa e eu esperei que alguma coisa que ele dissesse me ajudasse a entender porque eu estava ali. - Allison, você me disse que duas pessoas egoístas nunca dariam certo porque elas só se importariam com elas mesmas. Mas eu estava certo. Dariam sim, porque aprenderiam a colocar outra pessoa acima de seus vícios. Eu te coloquei acima de mim. E não me arrependo. Fui um completo filho da puta, e estou disposto a abandonar tudo apenas para estar com você...

Seus olhos suplicantes eram com certeza verdadeiros. Entretanto não mexeram comigo. Apenas me fizeram perceber uma coisa.

Eu não mais amava Christopher. E o único motivo pelo qual eu comecei a amá-lo, foi porque ele me deu um futuro feliz diante daquele presente em que eu sofria tanto. Em que eu sofria tanto com a falta de Clifford. Christopher foi o relacionamento que eu sempre quis.

Mas foi o relacionamento que eu queria com Clifford.

Eu. Nunca. Deixei. De. Amar. Clifford. Charleston.

E no momento em que Christopher fez tudo aquilo, eu finalmente acordei e percebi que ele nunca conseguiria substituir Clifford.

E eu não percebi antes, porque eu tinha trancado tudo aquilo muito bem. Usei Christopher como a chave. Foi uma ÓTIMA distração. Eu queria me proteger. Porque estar sem Clifford me doía demais. E eu consegui viver sem ele. Mas... não é suficiente. Nada nunca foi.

Parecia que toda minha vida eu o procurava. Eu pensava que ganhando a aprovação da minha mãe, eu teria paz. Eu pensava que tudo que eu fazia ia me trazer paz. E nunca trouxe. E eu fazia mais. E eu esperava de Pether o que ele nunca me deu. E eu esperei de François a paz que ele nunca me deu. E em apenas TRÊS MESES, Clifford foi suficiente para tudo. Nunca me senti mais livre. Eu não precisava de mais nada.

Eu não consigo acreditar que a única coisa insubstituível na minha vida... havia me substituído.

Foi esse o momento que eu comecei a chorar. Christopher deve ter pensado que era por ele.

_Eu não acredito nisso. Eu não consigo acreditar em você. - eu murmurei desabando. Ele se decepcionou.

_Eu te provo, Alli. Eu juro que vou. Por favor... - eu olhava nos olhos dele. E eu chorava. E chorava. E chorava.

Todo esse tempo, meu Deus. Todo esse tempo e eu só queria Clifford de volta. Puta que pariu, como isso está doendo. POR QUE VOCÊ FOI DESTRANCAR ISSO, CHRISTOPHER?

_Por que você destrancou minha dor? - eu lamentei e meus pés se moveram para longe dele. - POR QUE VOCÊ FEZ ISSO? - eu exclamei, e minha filha me olhou assustada.

_Mama... mama... - ela começou a estender o braço e engatinhar até mim. Eu nem consegui me lembrar que ela nunca tinha engatinhado, ou dito "mama" na vida. Eu quase não enxergava mais nada.

Christopher estava confuso.

_O que você está dizendo, Alli? - ele perguntou preocupado. Mirei os olhos verdes de Melanie se aproximando de mim. Me abaixei e deixei que ela viesse. Melanie tentou se levantar na minha frente, mas quase caiu. Segurei-a em meus braços.

Me levantei com ela no colo e mirei Christopher nos olhos.

_Eu não quero isso mais. - eu murmurei vagamente.

_Você não vai ter isso mais. Eu não vou ser o Christopher que lhe decepcionou. - ele disse se aproximando de mim. Claro que ele ia interpretar de outra maneira. Uma maneira conveniente a ele.

Me faltaram forças para afastá-lo.

Não sei se era porque eu estava machucada demais... se era porque eu não tinha esperanças de ter Clifford de volta... se era porque eu tinha medo de apenas demonstrar que todo esse tempo eu havia usado Christopher como um band-aid... ou até se eu tinha medo de lutar por Clifford e ser nomeada "a outra".

Eu apenas deixei Christopher me abraçar. Ele interpretou como a desejada segunda chance dele.

E enquanto Melanie brincava com o cabelo de Christopher, eu lamentei... profundamente, como poderia ser eu planejando meu casamento daqui a 5 meses. Como poderia ser eu a estar com ele. E como eu teria feito tanta coisa diferente. Eu não teria pegado a porra dos 250 mil sem consultar Clifford, eu o ajudaria com seu trabalho e provavelmente até me sentiria culpada por pedir dinheiro a ele para pagar nosso casamento. Com minha mania de tentar poupá-lo e fazer tudo sozinha, eu provavelmente iria até o fim do mundo para tentar arranjar o dinheiro eu mesma. E caralho, quem gasta 250 MIL EM UM CASAMENTO? Só de o noivo ser Clifford Charleston eu já estaria mais do que feliz.

Eu amo aquele homem com todas as minhas forças. E Melanie, que era a coisa mais importante da minha vida, era apenas um lembrete do que poderíamos ter sido.

Burra, Allison, BURRA. 



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