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História Apenas um Livro - Capítulo 1


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Notas do Autor


E aqui estou eu, mais uma segunda feira, trazendo mais uma historinha quentinha do forno para vocês. Shunsui e Nanao é um casal que eu sempre gostei, desde dos primeiros episódios que eu assisti, hehe. Por isso, o fato de estar finalmente postando algo sobre eles me agrada demais <3

Caso você tenha caído aqui de paraquedas e não faça a menor ideia do que eu estou falando, esta história faz parte do Desafio dos 30 Dias de Escrita. A cada segunda feira, eu venho com uma nova história com um novo tema diferente. São 30 Histórias, para 30 Temas. E o tema da última segunda feira do mês é: Um objeto cotidiano.

E convenhamos que não há nada mais cotidiano para Nanao do que o livro que ela vive carregando, não?

Espero que aproveitem a leitura!

Capítulo 1 - Conto de Fadas


Fanfic / Fanfiction Apenas um Livro - Capítulo 1 - Conto de Fadas

O sol brilhava tímido por trás das inúmeras nuvens que se formavam diante do seu azul da Soul Society. O poderoso e temido capitão da sétima divisão do sereitei se encontrava deitado sobre o carpete acinzentado de seu escritório de forma desleixada, adormecido em um leve cochilo. Foi quando seus ouvidos captaram o sinal sutil da porta sendo aberta. O moreno tinha o chapéu de palha sob o rosto, o que o ajudou a sorrir de canto sem que indicasse que ele estava acordado. Ele ouviu os passos silenciosos de sua tenente pelo escritório. Ariscou levantar um pouco do chapéu para espiar de canto. Não se arrependeu nem um pouco. Lá estava ela, arrumando sua bagunça, com o mesmo olhar sério e responsável de sempre. Com agilidade e precisão, a mulher arrumou os papéis sobre a mesa, recolheu algumas garrafas de saquê, e dobrou seu colete rosado que tanto odiava. Fez tudo aquilo em menos de cinco minutos, sempre fazendo pequenas pausas para ajustar os óculos teimosos que insistiam em cair.

-Hmpf. Fez a tenente baixinho enquanto passava os olhos pela sala. Conhecendo sua boa e velha subordinada, Shunsui sabia exatamente o que se passava pela sua cabecinha esperta. Pra que ela iria arrumar, se em poucos instantes, a bagunça estaria feita novamente?

O que a tenente Ise talvez não soubesse ainda, era que seu capitão só fazia aquela bagunça por que sabia muito bem que isso garantiria uma visitinha aos seus aposentos, coisa que ela nunca fazia, segundo ela, sem a extrema necessidade e importância. Mais um sorriso surgiu nos lábios do capitão, que ainda fingia estar adormecido.  Sempre achara Nanao uma garota, no mínimo, ímpar. Ela sempre fora extremamente mais madura do que ele, mesmo sendo o ceifeiro de almas muito mais velho do que ela. O moreno ainda conseguia se lembrar com clareza da pequena Nanao lhe dando uma bronca por não conhecer a bibliografia completa de William Shakespeare. Tantos anos se passaram, e a garotinha, agora já uma mulher feita não mudou nem um pouco aos olhos do já não tão jovem capitão: Ela continuava a mesma de sempre. Sempre com as mesmas expressões em seu lindo rosto, as mesmas manias de sempre, o mesmo jeito responsável de lhe dar broncas, e sempre carregando alguma espécie de livro pra cima e pra baixo.

De inicio, Shunsui pensava que ela era disciplinada daquela forma para se manter no cargo e ganhar a sua confiança, no entanto, os dias foram se transformando em semanas, e as semanas em meses, e os meses logo deram espaços a anos, e Nanao jamais mudou a sua postura não só em relação a ele, mas em relação a todos com os quais ela convive. O moreno concluiu que por mais estranho que parecesse, aquele modo inteligentíssimo, sério e centrado era simplesmente o padrão de Nanao.

Por que será que ela nunca relaxa? Pensou o capitão em meio a um suspiro. Desviou o seu olhar por um segundo. Um segundo. Fora o suficiente para que algo quase miraculoso ocorresse.

Os olhos negros do sétimo capitão se arregalaram ao ver sua tenente. A garota retirou os óculos que estava usando e suas mãos alcançaram a altura de seu prendedor de cabelo. Nanao o retirou lentamente, como que para torturar seu superior, que tentava espiar o máximo possível com aquele chapéu idiota em seu rosto. Mesmo com a péssima visibilidade, um pouco pode ser visto, e isso já fez com que toda a vida de Shunsui valesse a pena.  Os cabelos negros, lisos e perfeitos de Nanao estavam soltos, e mediam um pouco mais que os ombros.

Por vezes, o mais velho tentou arrancar-lhe o prendedor, mas a menor sempre lutava com todas as forças para que ele não o fizesse. Não entrava em sua mente. Por que alguém com cabelos tão lindos insistiria em prende-lo dessa forma?

Mesmo de longe, não passou despercebido pelo capitão o quanto ela estava diferente daquela forma. Ela parecia menos séria, e até mais bonita do que costumava ser, se isso era mesmo possível. O moreno piscou duas vezes. Estaria ele delirando ou Nanao conseguia ser ainda mais bonita do que o normal?

A felicidade de Shunsui durou pouco, pois Nanao estava apenas refazendo o mesmo coque de sempre. Não demorou muito para que ela assumisse a mesma feição séria e o mesmo biquinho que ele tanto amava ver lhe preencher os lábios.

Parecia que seu corpo não o obedecia por que quando menos se deu conta, ele estava bem atrás dela, perguntando-lhe tranquilamente:
-O que está fazendo aqui, Nanao-Chan? Sentiu saudade de mim?

A mulher se virou bruscamente, mais vermelha que um pimentão, e com uma das mãos levadas ao peito.

-Q-Que susto... Nanao parou para ajustar os óculos prateados nervosamente antes de continuar a falar- C-Como assim o que eu estou fazendo aqui? Eu vim arrumar a sua bagunça, oras bolas!

O mais velho abriu um sorriso de canto que piorou a coloração da pele do rosto de sua subordinada.

-Obrigado.

-E-Eu preciso ir! Exclamou a morena, alterada, se afastando bruscamente

-Pra onde você vai? Perguntou Shunsui, parecendo desapontado

-Reunião da Associação de Mulheres da Sociedade das Almas. Respondeu rapidamente Nanao, ajustando pela segunda vez consecutiva seus óculos.

Sempre tão formal. O capitão revirou os olhos, mas não pode deixar de sorrir. Ela era muito fofa, afinal de contas.

-Ah, o clube das mulheres? Simplificou o capitão apenas para provoca-la- Boa sorte lá então, Nanao-Chan, vou sentir saudade.

-E-Está bem. Até mais tarde. Disse a mulher rapidamente, praticamente fugindo da sala, provocando uma leve risada de seu capitão. Ela havia corrido tão depressa que tinha até mesmo deixado seu livro cair.

O mais velho recolheu o livro e enfiou a cabeça para fora de sua caverna, olhando para os lados, em busca de sua tenente, mas foi em vão. Ela havia corrido tão rápido assim?

Shunsui voltou aos seus aposentos com o exemplar pousado em seu colo.  Abrir ou não abrir? O moreno passou os dedos pelo relevo da capa. É verdade, já fazia um tempinho que Nanao andava pra lá e pra cá com o mesmo livro. Em todos aqueles anos como capitão, ele havia visto Nanao trocar várias vezes de livro, durante um pouquíssimo espaço de tempo. Mas daquela vez era diferente, fazia pelo menos dois meses que ela estava consumindo o mesmo livro.

Será que ele é muito grande? Pensou o capitão, se atrevendo a olhar a última página para ver a quantidade total de páginas. Chocou-se com a descoberta. 292 páginas. Ele sabia muito bem que Nanao já havia lido dezenas de livros muito maiores do que este em muito menos tempo, então por que será que ela estava demorando tanto tempo pra acabar aquele? Até que os olhos negros e sempre curiosos de Shunsui pousaram em uma anotação na última página, em um pequeno espaço em branco deixado após o desfecho da narrativa. O capitão reconheceu a autoria do bilhete pela letra na hora. Tratava-se de Lisa.

Estou te dando este presentinho por que sei que você nunca vai falar logo pro Shunsui então fantasia aê . --Xoxo

Aquilo era tudo o que Shunsui precisava para chutar uma preguiça já inexistente de lado e se por a investigar o tal livro.

                                                                                             

~*~

O moreno não se sabe exatamente quanto tempo havia se passado, mas fora o suficiente para que ele consumisse as cinquenta primeiras páginas do livro. O que, para as pessoas que conheciam o capitão do sétimo esquadrão já poderia ser considerado um verdadeiro milagre. Shunsui nunca lera nada em toda a sua vida, com exceção apenas dos livros didáticos da academia de Ceiferos de Alma que Jushiro e Yamamoto lhe obrigavam a ler.

No inicio, ele pensava que se tratava de um livro pervertido, pelo simples fato de Lisa ter escrito recados para Nanao tanto no inicio quanto no fim do livro, deixando claro que fora ela que presenteara sua tenente com o exemplar. No entanto, logo esta impressão foi totalmente deixada de lado. Isso por que ele sabia muito bem que sua tão doce e amada subordinada não se tratava de uma pessoa com mente poluída, e embora não gostasse de admitir que Lisa tivesse outro lado sem ser o pervertido, fora a Vizard que apresentara os livros a Nanao, e ele simplesmente não conseguia imaginar a vida de sua pequena sem eles.

Mas o que deixou Shunsui com uma pulga atrás da orelha foi o tal recado deixado no fim por Lisa.

Você nunca vai falar logo pro Shunsui...Foi o que ela havia escrito. Falar o que? A dúvida era cruel. Nanao nunca poupou papas na língua para dizer exatamente o que ela pensava ao seu respeito. O quanto ela o achava irresponsável diante da papelada diária do distrito. E o quanto ele parecia bobo enquanto brincava em serviço. O que ela teria de tão importante pra dizer pra ele que ela escondesse dessa forma?

Shunsui passou os olhos pela página 100 e suspirou enquanto fechava o livro. Pelo menos por enquanto, o livro não estava lhe dando nenhuma dica do que poderia ser. A história narrava a trama de uma garota de classe média, a irmã do meio entre dois irmãos, que decide se tornar médica e se alista voluntariamente para o exército. O que isso teria a ver com ele, afinal?

Argh, por que as mulheres são tão difíceis de entender? Pensou o moreno, desviando os olhos do exemplar por um minuto. Encarou as janelas que já refletiam em seus vidros o brilho do por do sol. Ele já havia chegado praticamente na metade do livro, e ainda não havia conseguido desvendar o mistério por trás do recado de Lisa.

Foi quando a porta se abriu pela segunda vez naquele mesmo dia. Dessa vez, não foi de forma silenciosa e cuidadosa, mas em uma única puxada, Nanao surgiu e adentrou sala a dentro, suas bochechas em brasa, sem dar tempo para que Shunsui pensasse em esconder o exemplar que já estava na mira de seus olhos.

-V-Você.... Murmurou Nanao, chegando perto de seu capitão para agarrar o exemplar. O mais velho ergueu o mesmo para o alto, impossibilitado a morena de agarrá-lo- E-Ei! Me devolva!

-O que você não tem coragem de me contar, hm? Perguntou o moreno, procurando a resposta da de sua pergunta nos olhos da menor, que evitava o contato visual a todo custo.

-Eu não sei do que você está falando! Rebateu a tenente, tentando se esticar para ficar a mesma altura de Shunsui, sem sucesso, o que fez o capitão rir de suas vãs tentativas- Sério, devolva por favor!

-Você sabe sim, só não quer me falar.  Respondeu o capitão, com o mesmo olhar ameno que ele costumava lhe lançar quando Nanao não passava de uma menininha.

-Você leu? Perguntou a moça deixando claro uma espécie de desespero em sua voz.

Shunsui assentiu com a cabeça.

-Tudo? Perguntou a garota baixinho

-Tudo. Mentiu o capitão para sua tenente que estava prestes a deixar a sala quando o mais velho segurou seu braço de maneira sutil- Brincadeira, só um pouco.  Não precisa se desesperar tanto, é só um livro, afinal.

-Não é apenas um livro. Murmurou a garota, aproveitando a brecha do maior para agarrar o exemplar e o trazer mais pra perto de si, protegendo-o- É o meu predileto.

-É mesmo? Fez o moreno, sorrindo. Para ele, era maravilhoso o fato de Nanao finalmente estar se abrindo para ele, lhe contando algo de que gostasse.

A morena assentiu com a cabeça, e encarando um ponto qualquer da sala, perguntou:

-Até que página você leu?

Shunsui respondeu a  menor com outra pergunta:

-Por que toda essa preocupação Nanao-Chan?

-É por que a história fala a respeito de uma garota que se alistou para o exército para ajudar os feridos com a sua habilidade médica recém descoberta. Disse uma segunda voz feminina sentada bem ali, diante da janela. Nanao correu em sua direção como que para tentar impedi-la, mas foi contida agilmente pelas mãos da vizard. Tratava-se de Lisa. O mesmo sorrisinho pervertido de sempre em seus lábios. Mas dessa vez, a morena parecia ter um truquezinho a mais na manga- Só que quando ela chega lá, a protagonista conhece um soldado que é muito mais velho do que ela. E então, ela consegue cuidar do militar, que muito ferido, agradece pela ajuda. Acontece que depois disso, eles nunca mais se veem, e a protagonista perde a incrível chance de dizer o que ela realmente sente, por que ela acredita que não será correspondida devido a diferença de idade que eles possuem. Então, não restando mais nenhuma oportunidade de dizer o que realmente sente, a protagonista opta por uma vida total de reclusão, sofrimento e tristeza, além de, é claro, muitos arrependimentos.

Nanao já não lutava para conter a vizard, que se encontrava muito satisfeita com os efeitos de suas palavras no capitão, que começava a ligar os pontos.

-Eu presenteei ela com este conto de fadas há quatro meses. Compartilhou a morena, jogando sua trança pra trás- Eu disse a ela que se ela não dissesse de uma vez o que ela sentia, ela iria acabar igual a protagonista do livro. – A garota parou para soltar uma gargalhada- Ela leu o livro inteiro em uma única noite, mas fica zanzando com ele pra lá e pra cá só pra ensaiar o que vai dizer pra você, Shunsui.  Ela é bem fofa, não?

Lisa riu uma segunda vez enquanto empurrava Nanao na direção do capitão da sétima divisão cuja ficha ainda não havia caído.

-Acredite, Nanao, você ainda vai me agradecer por isso! Exclamou a vizard enquanto sumia da vista de ambos, pulando janela a fora.

Diante do silencio que se formou entre os dois, Nanao limpou nervosamente a lente de seus óculos.

-I-Isso foi bem antiprofissional. Comentou a morena, ainda sem coragem de encarar seu amado- E-Eu entendo completamente se você quiser me transferir de divis...

Shunsui calou a tenente com um beijo simples, segurando seu rosto fino com as mãos. Afinal, ele nunca fora de falar muito.  Quando ambos se separaram pela falta de ar, Shunsui teve que ser obrigado a concordar:

-Você tem razão, Nanao Chan, não é apenas um livro.

 


Notas Finais


Bom pessoal, por hoje é só isso. Eu espero de verdade que tenham gostado dessa historinha. Que ela tenha sido tão gostosa de ler como foi pra mim de escrever. Vejo vocês na próxima semana!


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