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História Apenas um Robô - Capítulo 12


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Capítulo 12 - Capítulo 13 - A Queda - Parte 3


- Amélia.

Seus braços impedem que eu atinja o chão, seu olhar preocupado começa a me examinar. Aponto para o meu bolso e ele entende o sinal, colocando um dos comprimidos na minha língua, a alta dose de adrenalina entra em meu sistema e injeto outra dose de morfina no meu pé torcido. Tento falar e minha voz não passa de um grunhido, ligo a comunicação e a voz da Maya surge alarmante.

- Amélia?! Onde você está? – uma ardência toma conta da minha voz e fecho os olhos esperando a dor passar.

- Não tente falar, o incômodo será muito grande.

Suas mãos se aproximam do meu pescoço e estremeço sobre o seu toque.

- Me perdoe senhorita Amélia, eu não devia ter a machucado.

- May. – digo com extrema dificuldade e entrego o comunicador para o Robert.

Deixo meu corpo encostar na gélida parede, espero a alta dose de morfina fazer efeito e aproximo outra seringa no pescoço, fecho os olhos sentindo o círculo de agulhas perfurarem a minha pele. Robert encaixa o ponto em meu ouvido e se afasta na mesma velocidade, tento me apoiar em meu joelho e escorrego numa poça vermelha que estava abaixo de mim, uma abertura com certa de nove centímetros sangra em minha panturrilha, levanto sentindo cada membro meu protestar com a movimentação.

Recarrego a Black Widow e pego um pedaço do trapo que virou a minha camisa, amarro ao redor do machucado vendo o grosso pano ser pintado por um brilho escarlate. Algo encosta em meu ombro e viro com a arma engatilhada, uma mão pesada abaixa o cano, seu olhar arrependido surge.

- Amélia, precisamos conversar. – diz tentando limpar seu cabelo branco, agora manchado com gotas do meu sangue.

- Eu não tenho tempo pra isso agora, Robert! – digo com a voz rouca afastando os fios negros do meu rosto e prendendo-os da melhor forma que consigo pra poder mirar melhor tenho que ter uma visão limpa.

- Em dois minutos e vinte sete segundos ela vai estar aqui novamente, precisamos debater a melhor rota de fuga. – tenta se aproximar e me esquivo do seu toque.

- Fuga? Eu não irei fugir Robert, eu não posso, tenho uma missão e não irei sair daqui até completá-la!

- Sei que não vai fugir, é teimosa demais para isso. – olho com indignação e um sorriso surge em seu rosto. – Me perdoe, quis dizer determinada.

- Você é um robô, não tem como "querer dizer algo" ou diz ou não diz! – seu olhar vacila, mas em questão de milésimos o sorriso branco retorna – Eu preciso achar o meu irmão, o Matthew e a sala de comando que aparentemente não é nesse andar!

- Maya!

- Lia! O Robert passou o recado para você?

Encaro o albino repousar calmamente as mãos em seus bolsos.

- Eu recebi uma leitura em ondas com um código binário antigo, creio que é uma resposta e diz que tropas já estão em direção ao arquipélago para averiguar a mensagem. Será que estão vindo para cá?

- Creio que sim, li em algum arquivo que aqui é um conjunto de ilhas e pela localização os núcleos podem facilmente ser essas formações. Maya, esse não é o andar de comunicação, tem um local mais apropriado para o uso disso? E tem algum local que possa ser usado como uma cela ou algo assim?

- Perguntas difíceis, mas achei duas salas que batem com os critérios, estou enviando para seu receptor. Uma fica no penúltimo andar e outra no último, uma abaixo da outra, a de cima provavelmente tem o acesso aos núcleos e a de baixo tem um bloqueador de sinal, deduzi que é uma sala, ela não conta nos mapas, mas o bloqueador de sinal é forte demais e a estrutura é diferente das paredes do resto e pela altura se alguém tentar escapar provavelmente morra na queda.

- Certo, vou dar um jeito de chegar lá.

- Amélia...

Buracos são abertos na porta, tiros ricocheteiam para dentro do cômodo e Robert toma a arma das minhas mãos, me colocando atrás do seu corpo e atirando contra quem estiver atrás do metal. Os tiros cessam e ele se vira bruscamente percorrendo o olhar pelo meu corpo.

- Eu não vou deixar você morrer! Amélia eu sei que o que fiz a abalou, eu nunca quis machucar você, eu lutei o máximo que pude e consegui burlar o sistema que colocaram em mim, não sei por quanto tempo vou conseguir controlar, então me deixe te ajudar enquanto posso, eu nunca quis machucá-la, você sabe disso.

- É bom você nunca mais tentar me matar, senão eu desligo você de vez.

- Estava com saudade de você.

- Eu também estava com saudade de você, robô idiota.

- Ahn Lia? Eu ainda estou ouvindo tudo. – um calor envolve minhas bochechas – E eu havia perdido o acesso as câmeras, mas retomei e agora tem um esquadrão indo em direção a vocês.

- Robert, temos que ir ao penúltimo e ao último andar.

Desligo o ponto e seguimos para a saída dos fundos encontrando um elevador de carga. Aproximo o rosto do leitor e quando as portas de abrem o elevador não se encontra no andar, ouço passos originados do corredor. Robert segura minha cintura delicadamente e me puxa para o fosso do elevador, as portas se fecham e ele agarra os fios de sustentação, olho para baixo e não consigo ver o chão, somente uma imensidão negra.

- Não me diga que tem acrofobia.

- Não tinha até hoje. – digo voltando a observar seus olhos me encarando com intensidade.

- Amélia eu preciso que você fique nas minhas costas para que possamos subir, tudo bem?

Concordo com um aceno e lentamente prendo minhas pernas em forma de gancho em seu abdômen e os braços em seu pescoço.

- Muito bem, vamos subir agora.

Um barulho agudo invade meus ouvidos ao mesmo tempo em que sinto algo atingir a minha costela, os sons de tiro aumentam enquanto um grito de dor escapa por entre os meus lábios. Solto meu corpo do Robert e ele me segura pelo braço, lançando- me para cima e criando um escudo com seu próprio corpo, agarro seu pescoço pela frente e os andares passam rapidamente.

Robert alcança uma porta e com seu braço metálico abre a saída do penúltimo andar, ele me ergue em seus ombros e chegamos ao piso novamente, a dor dilacerante me impede de raciocinar, apenas sinto meu corpo ser erguido e vejo feixes de luzes passando. Robert fala algo, mas agora a sua voz está distante, todos os meus sentidos estão focados no ponto recém atingido.

- O que aconteceu com a minha irmã? – penso ouvir a voz do Leonard e abro ligeiramente os olhos, tendo como cena dois corpos caídos no chão e sangue ao redor.

Me viro vomitando , mãos quentes cobrem os meus ombros e consigo puxar o ar.

- O colete absorveu a maior parte do impacto. - meus cabelos são colocados para trás e em seguida são presos em um coque desajeitado – Respire Amélia, respire. Maya estamos no penúltimo andar sala quatro, veja se existe alguma saída alternativa para o andar de cima.

- Lia, Lia fala comigo.

- Leo...- seus braços me cercam em um abraço desesperado.

- Cuidado para não machucá-la. – repreende.

Começo a analisar o ambiente em que me encontro, paredes cinza nos cercam, um cubo de vidro ao centro se destaca por ter o tamanho de um quarto. Uma cama branca e alguns aparatos dividem o espaço comigo, tudo que antes estava na bolsa e nos meus bolsos estava jogado ao meu redor. Uma cápsula de morfina, já utilizada, estava em meu colo, o brilho do colete agora está manchado. Na única entrada dois puxadores estão ligados por uma grossa barra de ferro retorcido, a iluminação precária e o frio revelam qual a função daqui.

- Como vamos chegar ao andar de cima? – questiono levantando meu busto e recebendo ajuda dos dois homens ao meu lado.

- Calma Amélia, você acabou de levar um tiro, devo irei verificar se não há nenhum dano temporário ou permanente. – suas mãos escorregam suavemente pela bainha do colete, e ignoro as reações que tenho ao seu toque.

O tempo em que o tecido desliza pelo meu corpo é exatamente o mesmo tempo em que o Leonard foi parar do outro lado da sala, sorrio e noto o feixe da minha roupa íntima sendo aberto, sua agilidade não me passa despercebido, mas resolvo ignorar por hora, tenho preocupações maiores. Os seus dedos firmes começam a traçar um caminho pela minha coluna, quando ele circunda uma área sei que é onde eu fui atingida.

Com movimentos ágeis Robert saca um gel estabilizador, ele iria coagular o sangue da ferida, tentando fechá-la evitando uma infecção, uma ardência percorre a região e sinto um alivio nas fisgadas.

- Isso irá ajudar por enquanto, agora tenho que limpar o ferimento na sua perna.

Antes de dar atenção ao machucado, ele retira sua camiseta exibindo seu peitoral metade coberto por pele sintética e o lado esquerdo preenchido com sua estrutura grafite, e a passa pela minha cabeça, dobro as mangas tentando deixar o comprimento mais aproximado ao meu, o fino tecido oferece um pouco de calor, só então percebo que estou batendo os dentes por causa da baixa temperatura.

O grosso tecido banhado de sangue é removido e a abertura em minha panturrilha parece ainda maior.

- Lia o que está acontecendo? Disseram-me que você estava conspirando contra o Equilíbrio, e que me trouxeram aqui para a minha proteção. – Leonard diz retornando ao meu lado.

- O Equilíbrio não existe Leo, só posso explicar isso agora, temos que completar a missão e preciso tirar você daqui.

Volto à comunicação com Maya, pergunto se há alguma forma de tirar Leonard do prédio, ela avisa que existe uma pequena janela em todas as salas, procuro com os olhos enquanto Robert continua trabalhando no meu ferimento. Segundo Maya, a pequena janela no canto inferior daria acesso a uma espécie de tubulação, por onde é descartado lixo residual.

- Sabe de alguma saída, Leo? – questiono ouvindo um forte baque na porta, em seguida outro ainda mais forte.

Robert rasga um pedaço do lençol da cama e envolve o ferimento, Leonard me pega no colo e o robô começa a bater nas paredes, um som oco é imitido e ele acerta um soco e o metal se molda a sua mão, ele continua e um pouco de luz é visível. Atravesso o buraco no colo do Leonard, um pesado armário é colocado por onde entramos e um moreno nos recebe com um olhar confuso.

- Mas que porra...O que eles fizeram com você amor? – Matthew me ajuda a descer e segura minhas mãos.

- Não tenho tempo pra explicar agora Matt. – Robert retira minhas mãos e me coloca atrás de si. – Robert, não tenho tempo pra isso também, eu preciso pensar em um algo e rápido!

Vou até a pequena janela, sendo seguida pelo olhar atento dos três homens no recinto.

- Será que algum de vocês pode vir aqui me ajudar, caramba? – Os três vêm ao meu encontro imediatamente, Matthew entende o que estou pensando e se agacha, removendo a tampa da janela.

- O que fazemos agora? – Leo pergunta e conto a eles o meu plano.

- Okay vamos fazer assim, esse armário não vai agüentar muito tempo, então preciso que você, Matt e o Robert vão entrar por esse tudo e encontrar a Maya lá fora, vocês irão se afastar o máximo possível em direção a costa. Eu irei ficar e arrumar um jeito de chegar à comunicação dos núcleos.

- Não vou te deixar aqui. – as três vozes saem ao mesmo tempo e o armário começa ser empurrado pelo piso, Robert corre em sua direção e o empurra contrariamente.

Claro que eles não iriam me deixar aqui, tenho que criar uma boa desculpa para eles irem. Temos pouco tempo até o que nos separa de um esquadrão que tem a missão de nos matar chegar até nós, pensa Amélia, pensa. Reviro a bolsa e vejo tudo que está ao meu alcance.

- Certo, vocês irão atacar por fora, no veículo de fuga há um lançador, vocês irão misturar o álcool que ajusta a temperatura com óleo no fundo, coloquem dentro do lançador e tampem a abertura com um pano retirado do estofado, o calor gerado pelo atrito quando vocês atirarem irá produzir uma bola de fogo. Atirem somente quando atacados, deixem um rastro de fogo ao redor da sede e vamos fazer todos saírem do prédio, Matthew preciso que você ajude a Maya a hakear o sistema de segurança e desligar os extintores automáticos, assim consigo acesso a sala de comunicação e depois fujo pela mesma saída que vocês, tudo bem?

- Eu ficarei para protegê-la, vocês dois podem ir. – lanço um olhar para o Robert e ele parece saber a verdade.

- Leo, você vai conseguir ta bom? Mesmo sendo meu irmão babão você é muito forte, entendeu o plano? – pergunto encarando os olhos castanhos dele, ele havia crescido tanto nesses últimos anos, mas por dentro ainda continuava sendo um menino.

- Sim Lia, vou fazer de tudo para te ajudar! – recebo um abraço apertado e sinto seu cheiro amendoado, tentando gravá-lo em minha memória. Ele se afasta e segue para a descida.

- Nos encontramos lá embaixo, amor. – Matt dá um beijo em minha bochecha e segue para o mesmo caminho, mas antes para – Vamos ver quem consegue fazer sua parte mais rápido, boa sorte Lia. – diz sumindo das minhas vistas.

Robert para de segurar e corre em minha direção.

- Não existe uma saída da sala de comunicação, a senhorita Maya avisou que o andar é completamente bloqueado em caso de ataque.

- Eu sei Robert, por favor, vá com eles. Eu tenho que terminar isso sozinha, não quero que mais ninguém que eu ame morra. - Ele se aproxima e sinto sua "respiração" em meu rosto.

- A senhorita sabe que não vou deixá-la sozinha, deixe-me lhe proteger. Eu fui criado para isso, a primeira coisa que vi quando acordei foram os seus olhos, e a última que verei também.

Seu corpo envolve o meu num abraço caloroso, relembro a primeira vez em que vi seus olhos verdes, eu não imaginava que meu mundo iria ser posto de cabeça para baixo, literalmente.

- Robert eu preciso te falar que... – o armário vai ao chão e o albino nos lança pela porta.

Começo a correr com ele em meu encalço, usando seu corpo como um escudo e posso ouvir o som dos projéteis se chocando contra sua estrutura. Um paredão de vidro faz barreira entre o interior e o exterior, tendo a vista do lado de fora já posso ver o círculo alaranjado ao redor do prédio, soldados tentam apagar o fogo enquanto Leonard continua jogando o combustível e aumentando as labaredas.

- Amélia!- Robert pula em cima de mim.

A enorme janela de vidro estoura e cacos penetram todo o meu braço esquerdo, pelo alto nível de adrenalina no organismo levanto e apresso os passos sem uma direção exata, gotas vermelhas marcam o nosso rastro, viramos em um corredor e Robert para de correr. Seu corpo pende para frente e seguro seus ombros rígidos, seus olhos se abrem analisando meu corpo e retomando sua postura indiferente.

- Programa reiniciado com sucesso, eliminar invasora. – dou passos para trás e ao longe um mar de homens vestidos de azul marinho vem em meu encontro.

Eles conseguiram, eles hakearam o Robert, ele voltou a ser um robô que tem como missão me matar. Volto a deslizar pelo piso, procurando alguma saída, não tenho como competir, preciso me livrar da sua perseguição. Passo a vista e penso ver um tubo transparente, um tubo conector de acesso, apresso ainda mais os passos, meu tornozelo ameaça me trair nesse momento e algo raspa meu ombro. Caio inerte dentro da cápsula e seguro o novo corte, o tubo se fecha recebendo um soco do robô, com dificuldade pressiono o botão com a mão livre.

O transportador começa a subir, vou me afastando daqueles que querem me ferir, e vejo Robert embarcando no próximo tubo. Saio da cápsula e encontro uma porta de aço inoxidável, começo a revirar a bolsa e aproximo o cubo do leitor digital, o leitor mostra que será necessário um minuto para decodificação, mas eu não tenho esse tempo.

- Já chega! – uma voz feminina faz com que eu der a volta em meus calcanhares, escondendo o leitor nas minhas costas.

Seus cabelos vermelhos estão presos, seu olhar assassino acompanha a arma posta em suas mãos, e Robert atrás de si impondo a ela uma segurança que há instantes era minha.

- Você tomou quase tudo de mim. – digo e a tensão faz parecer que estamos a centímetros de distancia.

- Sua garota idiota, você quase acabou com tudo pelo qual eu tanto trabalhei! Mas não pense que venceu, minha mãe sumiu com o seu pai e não virou um escândalo para manter a paz na sociedade. – o sangue retorna das extremidades dos meus membros, posso senti o acúmulo de raiva crescendo dentro do meu peito. - Mas você, eu irei fazer questão de matá-la, destruir o nome da sua família e me divertir acabando com o cérebro do seu amado irmãozinho.

Preciso arranjar tempo para que eu consiga entrar na sala, ela vai continuar com esse jogo, quer me ver destruída e tenho certeza que não vai me matar até está satisfeita, preciso continuar.

- Você não vai fazer nada! O seu tempo de controle sujo acabou as pessoas de fora já sabem o que está acontecendo aqui, é questão de tempo até todos chegarem e acabarem com essa farsa. – meu peito desce e sobre rapidamente.

- A traição da sua mãezinha não foi o suficiente para você entender que eu controlo cada mente desse lugar? – a menção me atinge em cheio, não estava esperando pensar nela, tentei mantê-la longe dos meus pensamentos no fim ela foi apenas mais uma vítima. – Vê o quão insignificante você é comparada ao Equilíbrio?

- Insignificante? Você menospreza demais a capacidade humana. – pessoas armadas formam um círculo ao meu redor, todos miram suas armas em minha cabeça. – Por quanto mais tempo você acha que as pessoas não irão desconfiar, pode ter certeza que não sou a única a saber da verdade...

- Não irei perder nem mais um minuto com você. – interrompe – Mate-a.

O albino caminha até mim o aparelho em meus dedos começa a vibrar, quando sinto suas mãos novamente em meu pescoço prendendo-me contra a porta e ativo, por cima de seu ombro vejo o olhar de surpresa dela ser seguido por sons de tiros.

Um... Dois... Três disparos, um zumbido incessante percorre meus ouvidos numa dança ensurdecedora. Ativo a porta clicando no decodificador, caio e vejo seu corpo cair no chão pelos tiros que eram para mim. Como uma memória que tentamos esquecer, vi cada bala perfurar seu peito, rasgando sua pele sintética. Observo em seu olhar uma serenidade que nunca havia visto. De alguma forma me senti segura e soube que ele também acreditava que tudo iria ficar bem, ele sabe quem eu sou. As portas se fecham e abraço seu gélido corpo, sentindo lágrimas escorrerem até sua estrutura metálica.

Afasto seus cabelos brancos, e desfiro em seus lábios um beijo rápido seu corpo está frio, provavelmente o aquecedor interno foi atingido. Tantas palavras não ditas invadem a minha mente, momentos que nunca irei esquecer, uma sensação de despedida me invade, afasto esse sentimento e faço uma promessa silenciosa, isso não será nosso fim.

Volto minha atenção ao painel de controle, seu sistema não é tão criptografado quanto eu estava esperando, os códigos verdes começam a surgir e trabalho na decodificação necessária, conectando o HD externo com todas as informações. Imagens internas de todos os núcleos surgem na tela, consigo ver todas as pessoas, elas não têm noção que os comunicadores exibem tudo o que acontece nas suas casas, conecto todos a somente a minha câmera, ao ver minha imagem ser refletida respiro fundo.

- O Equilíbrio é uma farsa! Sou Amélia Evans, estudante residente do núcleo vinte e seis, estou enviando todos os arquivos e provas para o receptor de cada núcleo da nossa sociedade. O Equilíbrio é um projeto de cientistas para criar uma sociedade perfeita, sem partidos, sem religião, fome, crimes... Criada para sermos seres exemplares. Meu pai, Thomas Evans tentou revelar a verdade e foi morto. A verdade é que não passamos de cobaias, vivemos no século XXI, somos o experimento da cientista Chalotte Treadell. O mundo não sabe mais da nossa existência, eles acham que o projeto foi cancelado, mas aqui estamos nós.

Um baque estrondoso soa através da porta, seguido de outro.

- Nossa vida é uma mentira, ainda existem pessoas lá fora, ainda existe um mundo inteiro que nós não conhecemos, ainda existem florestas, livros de papel, músicas e também existem guerras, fome, miséria, tráficos, abusos, seres que com o nosso conhecimento podemos ajudar, sei que para alguns pode parecer mais seguro viver aqui, isolados, mas não esqueçam somos todos humanos e podemos mudar vidas, bem longe de uma vida manipulada e regada de mentiras, controlados por um sistema totalitário e turvo.

A porta explode e agarro o corpo inerte do Robert, o vídeo continua exibindo.

Tentaram acabar com as crises, mas crises geram avanços. Coisas são desfeitas para que novas sejam criadas, e aqui eu tive a certeza que a queda do equilíbrio pode, por muitas vezes, ser a melhor saída. 



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