História Apenas um sonho 2: Respingos de uma vingança. - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Decepções


Eu enchia o seu copo de leite enquanto a garota saltava os olhos para os biscoitos da bandeja. – Papai. – Assim quebrou o silêncio, eu a olhei depressa, terminando de derramar seu leite. Valentina puxou as cobertas, levando-a até seu pescoço. – Me desculpe por hoje, na loja de tecidos. 

Definitivamente eu não queria pensar nisso...  

-Está tudo bem. – Eu a cortei depressa. – Você só deu a sua opinião. – Baguncei seus cabelos. – Boa noite.  

Peguei a chave de meu bolso e tranquei sua porta. 

[...] 

A melhor parte de estar casada com Alice era saber que, além de casados, éramos cúmplices... Confidentes... 

Amigos. 

Mas não qualquer amigos. 

Éramos melhores amigos, almas gêmeas. Ela me completava com sua sanidade e eu era a dose de loucura que faltava.  

Eu não sei qual era a sensação para ela. No entanto, para mim, era como o paraíso.  

Estava ali, completamente despida e tão entregue que, como marido, eu poderia fazer o que quiser, embora eu só conseguisse pensar o quanto este momento era bom para ambos. 

Estava por cima de mim. Alice adorava essa posição por se sentir mais poderosa.  - V-você é m-mesmo m-muito gostosa! – Ela sorria de satisfação por me ouvir sem evitar meu sotaque. Estiquei os braços para alcançar seus seios, um em cada mão, ela jogou os cabelos dourados para trás, alguns fios grudavam em seu pescoço molhado e se inclinou para me beijar, segurei suas costas, sentindo meu membro se afundar mais em minha esposa enquanto nosso beijo se desenvolvia. Vê-la cavalgando em mim era o ponto alto de uma noite perfeita. 

Ela segurava no braço de madeira do sofá, afastando algumas almofadas abaixo de minha cabeça, seu gemido me dizia que eu fazia tudo certo dessa vez. 

Apertei o seu traseiro depois de espalmá-lo, ela rebolou.  

Aquilo foi o bastante, eu já estava me segurando demais.  

A deitei com pressa no sofá, ela me puxava para mais um beijo que aceitei com prontidão enquanto minha mão se ocupava em afastar nossas intimidades. Esguichei de imediato quando por fim nos afastamos, permitindo que meu líquido quente se diluísse na lateral de sua barriga. Me deitei entre seus seios, observando seus mamilos ainda duros de desejo. Ela acarinhava meus cabelos banhados de suor. – Muito bem. – Disse a loira, dando palmadinhas em minhas costas. – Estou satisfeita. – Sorrimos. – Não completamente mas... 

-Não completamente?! – Levantei o meu rosto com certa dificuldade, regulando minha respiração mais do que ofegante. – O que quer dizer com isso?! 

-Acalme-se, Tarren. – Pediu. – Você foi bom.  

-Só isso? – Eu não podia acreditar. - F-fui romântico, te fiz massagem, aceitei que ficasse por cima, gozamos e fim. Uhn?! O que não está bom?! 

-Exatamente, está tudo certo! – Respondeu. – Não precisa ficar ofendido! 

-Não completamente, v-você disse não completamente. – Ela me empurrou, fui para o canto do sofá enquanto a via buscar suas roupas. – Eu fiz alguma coisa de errado? 

-Não. – Sorriu. – Deixe isso para lá. 

Cruzei os braços. – Então tem alguma coisa.  

Ela passou a mão por seu rosto com pesar. – Eu vou me vestir. – Parou nua na minha frente, admirei o seu corpo por alguns instantes. – Vamos fazer de novo ou não?!  

Ri. – Só se você quiser me matar! – Ela jogou o meu pijama. - M-mas... – Me levantei, nos vestimos juntos. – Se você acha que tem algo de errado eu queria repetir o processo para te deixar satisfeita como deveria.  

Alice sorriu. – É mesmo?! Podemos fazer de novo. – Tocou o meu rosto. 

Assenti, levantando o meu dedo e desviando do beijo que acertaria meus lábios. – Mas eu tenho que descansar. – Ela desanimou outra vez. – Só uns vinte minutinhos! Até que ele funcione outra vez! – Apontei para minha calça. 

Me deitei. Alice deitou em cima de mim, seu rosto se iluminava a luz das velas, ela parecia feliz, satisfeita.   

Mas não completamente. 

-E-então... – Comecei, a olhando. – Você não vai me dá uma dica do que eu fiz de errado? 

Eu a fiz sorrir, divertidamente. – Não.  

Alisou o meu tórax antes de sentir seus lábios salgados nos meus. - M-mas... 

Ela parou seus dedos nos meus lábios. – Descubra sozinho. – Se ajeitou. – Você quer vinho? – Concordei, pensativo. – Eu já volto. – Nos beijamos novamente.  

A vi saindo.  

-Hum... – Me ajeitei no sofá, ainda pensando no que fiz de errado.  

Bocejei enquanto meus olhos pesavam, meu corpo estava cansado do dia de trabalho e de todo o esforço físico que fiz nas últimas horas. 

Alice com certeza era a única capaz de me fazer esgotar as energias.  

[...] 

Abri os olhos devagar com os raios de sol que batiam no pequeno basculante do porão, minha visão estava embaçada mas pude ver as velas apagadas, soltando uma fumaça fina e escura. Meu pescoço doía quando me dei conta que dormi completamente torto no sofá do atelier.  

Olhei para os lados. 

Estava sozinho.  

O cheiro maravilhoso do café da manhã me levou para sala. Alice colocava a mesa. 

Eu a abracei por trás, ela deixou os pratos de porcelana para retribuir, entrelaçando nossos dedos sobre sua barriga. – Está atrasado para o trabalho, Chapeleiro da Corte. – Agarrou meu pescoço depois de dizer.  

-Eu não vou hoje. – Decidi, seu sorriso aumentou. - E-eu quero ser um bom marido e vou te ajudar nos afazeres.  

-Oh, Tarren! – Agarrou minha nuca, nossos corpos quase se tornavam um com aquele abraço. – Isso é ótimo, meu amor. – Me deu um beijo longo em comemoração. – Inusitado mas ótimo. 

-Por que não deixa que eu cuide da mesa, uhn?! – Sorri.  

-Se você insiste! – Já retirava seu avental. – Eu te amo.  

Segurei o seu braço, impedindo-a de ir. – Já que entrou no assunto de amor... -Sorri, ela me olhava. – Você... – Cocei a nuca. – Podia me falar o que... te animaria mais... – Olhei em volta para garantir que estávamos sozinhos. – Na cama. 

Ela corava, surpresa. – Ah, Tarren, deixa isso pra lá. Eu entendo que possa ser um pouco decepcionante as vezes. 

Eu a soltei depois de suas palavras, estava encabulado.  

Decepcionante com certeza não era o que eu gostaria de ouvir.  

A assisti subir as escadas, empolgada por se livrar de pelo menos algumas tarefas domésticas. 

[...] 

-Decepcionante. – Murmurava, ainda lembrando da entonação da sua voz ao dizer.  

Era como se ela já estivesse conformada. 

Ainda de manhã, eu recolhia as roupas do varal, a maioria eram vestidos, e a maioria vestidos infantis... colocava tudo no cesto, de forma automática. – Decepcionante. – Eu não estava ali, apenas pensava.  

Pensava em como aconteceu. Eu tinha certeza que havia me saído bem. Eu a despi sem pressa, nos beijamos, até lhe massageei antes de começar, como posso ter sido decepcionante?!  

-Oi papai. – Não reparei quando minha menina apareceu. Estava distraído. – Por que o senhor está recolhendo as roupas?  

-Estou... Ajudando...  

-Entendi! – Com certeza sorria. – Eu posso te fazer algumas perguntas?  

Guardava os pregadores de madeira dentro do bolso do meu terno. Pensativo... – Papai! O senhor está me ouvindo?! 

-Ah. – Finalmente a olhei. Tocando o topo da sua cabeça. – Claro princesa. -Desarrumei seus cabelos. 

-Está bem! – Ela pegou um cotoco de lápis e um pequeno bloco de folhas envelhecido. – O senhor se lembra do seu primeiro beijo? 

Eu recolhia mais roupas, sem prestar a atenção. – Sim, e-eu lembro. – Sorri um pouco ao pensar. 

-Foi com quem? 

Eu a olhei. - C-com a sua mãe.  

-Hum... E o senhor tinha quantos anos? 

-Acho que vinte e sete, isso por que meus anos pararam... – Relembrei. 

-Nossa! Mas o senhor beijou quando já estava velho! Por que esperou tanto tempo? – Era mais uma das perguntas. 

-Ora, eu queria que fosse com a Alice.  

-Isso é tão bonito. – Suspirou, escrevendo.  

Parei o que fazia para observá-la. – Você está... anotando tudo ai? – Apontei, tentando espiar. 

A garota trouxe o bloquinho para seu peito. – Não tudo, só as suas respostas. As perguntas eu já escrevi aqui. Exceto essa última, essa última foi improviso mas achei muito interessante perguntar! – Pensou. – E a primeira foi sobre recolher roupas foi só para quebrar o gelo. Tudo bem... – Ela virou a outra página do pequeno bloco. – Como o senhor se sentiu quando beijou pela primeira vez?  

-Ora, eu não me lembro direito mas parecia um sonho! 

-Certo... E a minha mãe conseguiu satisfazê-lo com esse beijo? 

Eu a olhei.  

-Tá bom, o senhor tem direito a pular uma pergunta. Vamos para a outra: O senhor já beijou outras mulheres, se sim, quantas? E por quê?  

-Sabe, eu realmente acho que isso não te diz respeito!  

Ela deu um sorrisinho sem graça. – Está bem... eu tenho outra melhor. O senhor já viu a mamãe beijando outro homem? 

-Eu não vou responder, eu estou ocupado, p-por que não procura o que fazer?! 

-Ah, papai! Por favor, eu preciso entender mais sobre beijo!  

-Está muito nova para isso! – Rebati.  

-O senhor é terrível quando está de mal humor! A mamãe não se importou de responder! 

Deixei o cesto de roupas rapidamente. – A sua mãe... respondeu toda essa bobagem?! 

-Sim. – Abaixou a cabeça. Magoada. – Por quê? 

-Posso dá uma olhadinha?! – Sorri. 

Ela afastou o pequeno bloco de mim. – Não! Se ao menos me ajudasse eu poderia pensar no caso! 

-A-ah querida... essas coisas não funcionam assim, s-são experiências diferentes para cada um. Eu não entendo por que de repente você ficou tão interessada em beijo.  

Ela hesitou, nervosa. – Eu não conheci ninguém que eu quisesse beijar ou algo assim, não... – Desconversou, nervosa. - É que a Kênia e a Celeste adoram falar sobre isso e eu nunca participo das conversas por que não sei o que dizer e quando penso em dizer algo sobre beijos ou meninos, elas falam que só tenho dez anos. Isso é tão frustrante! 

 – Pensei que não ligasse para os meninos, meu bem.  

-As coisas estão mudando, papai, estou me tornando uma mulher. – Disse com orgulho.  

Eu a olhei. – Mulher! Os seus dentes nem terminaram de se desenvolver! – Ri. 

-Isso não tem graça! O senhor não me ajudou em nada! – Me empurrou de leve, revoltada com o meu deboche e então, atravessou o quintal e foi direto para dentro.  

-Ora... – Cruzei os braços. – Beijos. – Balancei a cabeça. – Essa garota tem cada ideia...  

Busquei alguns pregadores caídos no gramado, certamente o bolso do meu terno não era tão espaçoso quanto eu imaginava. Peguei o cesto com as roupas recolhidas, dobrando algumas para ter mais espaço quando percebi um pouco a frente... 

Um pequeno bloco de notas caído ao chão.  

Olhei para os lados antes de correr. 

Eu o peguei depressa, folheando com cuidado. Sei que Alice apreciava a curiosidade de nossa menina.  

E sei que concordaria em responder todas aquelas perguntas.  

-Hum. – Sorri de satisfação por ver que eu era a resposta para a maioria delas.  

Com quem foi seu melhor beijo. O beijo mais longo. O mais inesquecível.  

Guardei o bloco em meu bolso. 

Aproveitei que o quarto de Valentina estava vazio. Entrei sem levantar suspeitas, afinal, alguém precisava guardar todas aquelas roupas em seu devido lugar. Deixei o cesto de roupas em cima de sua cama, separei alguns vestidos, recolocando nos cabides de arame.  

Eu quase não entrava em seu quarto, no entanto, estava feliz por ver que ela não era tão bagunceira quanto eu na sua idade. Até que tudo era bem arrumadinho... Havia uma penteadeira com suas escovas e acessórios ao lado de uma caixinha de música que tocava melancolicamente enquanto pequenos cavalos andavam em círculos, num carrossel. Também tinha folhas de papéis, tintas e pincéis que ela usava toda a vez que tinha inspiração para pintar. Me aproximei de seus desenhos, todos vivos e cheios de cores. Achei que ali era o melhor lugar de deixar o seu bloco. Olhei para os lados antes de retirar do meu bolso e o pus ali, perto de suas folhas de papel para pintura.  

Notei então um caderno escondido em meio aos poucos livros que possuía.  

Se tratava de um diário. Presente de sua mãe, com certeza.  

Eu o peguei depressa, percebendo o cadeado que me impedia de ler.  

O sacudi, era loucura pensar que ela guardaria a chave dentro do próprio caderno.  

No entanto, uma carta caiu dentre as folhas, plainando até encontrar o chão.  

Eu a peguei, abrindo depressa.  

Juntei as sobrancelhas.  

A pequena folha de papel carregava apenas um nome, mas em muitas formas de escrevê-lo. 

Letra de forma, letra cursiva, letra deitada e até mesmo ao contrário.  

Nem mesmo um pequeno espaço milimétrico escapou daquele nome que me era desconhecido. 

-Quem é Gilbert? – Eu me perguntava 

-Papai? – Escondi a carta atrás das costas. A garota entrava hesitante, perdendo seu sorriso. – Por que está olhando minhas coisas?  

-Eu é quem faço as perguntas aqui, mocinha! – Balancei a carta em minhas mãos. – Quem é Gilbert?! 

Ela corou com força, fechando a porta do quarto para que sua mãe não me ouvisse. - U-um... Amigo! 

-Não me parece ser só um amigo.  

A menina tomou a carta de minhas mãos. – Não devia mexer nas minhas coisas. – Suas sobrancelhas juntas apontavam o quão brava estava. 

Mas eu não me importei. 

-Que amigo é esse que eu não conheço?  

Ela me via cruzar os braços, me encarando sem reação. Pensava no que dizer, ou apenas pensava nele.  

– Eu também não o conheço muito bem. 

-Está ficando cada vez melhor. O que eu te disse sobre falar com estranhos?! 

-Ele é uma boa pessoa. – Defendeu. 

-Você não sabe! 

-Eu sei sim!  

-Você não sabe mais do que eu! Você é uma criança e eu sou um adulto, você não sabe de nada! 

Eu a olhei, puxando o papel de suas mãos, com força, ela só me observava, recolhendo sua mão. Não pensei muito quando o rasguei, queria poder rasgar cada pedacinho daquele nome.  

Queria protegê-la.  

-Existem muitas pessoas ruins nesse mundo. – Nos encarávamos. – Eu não quero que pense nesse garoto, você me ouviu?  

Abaixou a cabeça. – Sim, senhor. – a voz quase falhava. 

Nunca pensei que a faria chorar.  

Mas sai antes que tivesse certeza. 

[...] 

Apoiei meu cotovelo na escrivaninha.  

Observando o papel das medidas de uma cliente enquanto o vestido semi pronto estava ali, vestindo o manequim de arame, esperando que eu terminasse o trabalho. 

No entanto, eu não conseguia nem mesmo me mover.  

Alice abriu a porta. – Céus, Tarren! – Exclamou. – Está quente aqui, como consegue trabalhar dessa forma?! – Meus olhos a seguiam, ela foi até o pequeno basculante, que não percebi estar fechado.  

-Esse é o meu problema. – Murmurei. Alice parou ali. – Eu não consigo mais.  

Ela abaixou seus ombros. – Do que está falando dessa vez? 

Meus olhos tristonhos apontaram para a vestimenta no arame, semi acabada. – Olha isso! – Apontei, envergonhado. 

Alice analisou o vestido. – É bonito. – Ela nunca diria nada além do que isso. Não se importava com a moda. - Está pronto? – Mais perguntas. 

-Não, e não ficará! Desde que soquei meu pai, está tudo desmoronando! O meu pulso ainda não melhorou totalmente. – O remexi, o sentindo estalar. - e a Valen... ela disse que não sou tão bom com vestidos. – Levantei, analisando aquela peça detestável. – Ela está certa. E-eu estou confuso, e-eu não sei o que estou fazendo, n-não posso voltar para Marmoreal assim e decepcionar a Rainha. O meu p-pai vai conseguir ser o Chapeleiro da Corte, afinal. E-eu sou uma vergonha! 

-Mas que exagero, é um vestido bonito. – Foi tudo o que disse. 

-Eu sou uma decepção.  – Voltei a me sentar. – Sou uma decepção para o meu pai e para minha filha, eu não posso suportar. 

-Já chega! – Ela puxou o meu braço, fazendo um certo esforço para tal. – Estou farta de suas lamúrias em relação ao seu pai. Nós vamos resolver isso agora mesmo, juntos! – Me analisou, da mesma forma como eu analisava aquele o vestido que fiz. – Trate de se vestir adequadamente e melhore essa cara de tristeza. – Ajeitou minha gravata borboleta, devidamente torta. – Vamos até a casa dos seus pais e você vai se desculpar pelo o que fez.  

-Não! Isso nunca! – Me afastei. – Sem chances, eu prefiro ficar aqui e criar os vestidos mais horrendos de Wonderland a ter que dar razão para o meu pai, p-pelo menos serei bom em fazer vestidos ruins! – Dei uma risadinha, retornando para o banquinho de madeira onde estava sentado.  

Minha esposa cruzou os braços. – Certo. Então você é uma completa decepção para mim. 

A tristeza terminou de me derrubar. Abaixei a cabeça. - T-tudo b-bem, e-então e-eu sou, m-mas ser uma decepção para v-você dói muito. Dói b-bem mais que o meu pulso.  

Alice se abaixou, de frente para mim. Tentava encarar os meus olhos mas eu desviava para que não sentisse pena de mim.  

Ela agarrou a minha nuca e selou seus lábios nos meus. Meus olhos se fecharam devagar, apreciando aquele doce momento enquanto ela se levantava, me trazendo também. Segurei sua cintura e trouxe seu corpo para perto do meu.  

-Eu sei que o seu pai nunca se desculpou com você pelas coisas que disse e fez. – Dizia, afagando meus cabelos. – Mas eu sei também que você é melhor do que ele.  

-Eu sou? – Engoli. 

Ela sorriu. – Sim, muito melhor do que ele!  

-Então... – Me afastei, pensando. – Eu acho que posso me desculpar. 

-Eu tenho certeza que sim.  

Demos as mãos, como cúmplices. 

Mas minha muiteza se esvaia de mim a cada momento em que meus passos se tornavam mais próximos da casa de meus pais. Eu já conseguia ver sua casa, na esquina. A chaminé soltava uma fumaça meio cinza, minha mãe certamente assava seus biscoitos para o chá da tarde. 

Apesar daquilo não me animar o suficiente. – Vamos logo. – Alice me dava forças ao mesmo tempo em que tinha forças de me arrastar pela calçada. – Estamos quase chegando. Vai ser rápido e quando menos esperar estaremos em casa. – Dizia. 

-E-eu não sei o que vou dizer. 

-Diga que sente muito e que está profundamente arrependido.  

-E-eu não estou me sentindo bem, os meus dedos... – Os remexi. – Eles estão começando a formigar! 

-Deixe de besteira, Tarren. Eu te ajudo se precisar, é pra isso que também sou sua amiga.  

Minha mãe nos recebeu quando chegamos. Fiquei parado no portão, mas Alice e ela fizeram questão de me fazer entrar. 

Fiquei parado no jardim. -Como está a senhora? – Perguntava cordialmente minha esposa. Elas conversavam enquanto meus pensamentos vagavam longe dali. – Tarrant veio falar com o senhor Hightopp, se não for muito incômodo. – Acordei dos devaneios quando a ouvi dizer, sorrindo. 

-Ah sim. – Mamãe estranhava o meu silêncio. – Eu vou chamá-lo, aproveito e trago chá com biscoitos.  

-É muita bondade, senhora Hightopp.  

-Alice, me chame de Tyva. – Davam suas mãos quando minha mãe se virou para mim. – Meu filho, acalme esses pensamentos, consigo senti-los daqui. – Tocou o meu rosto, me acordando por fim. 

Assenti, vendo-a se afastar.  

-A m-minha mãe sabe.  

-Ela sabe o que? 

-E-ela s-sabe que n-não estou b-bem. – Olhei para Alice. - E-ela sabe que a minha cabeça n-não para. E-eu não devia ter v-vindo aqui, eu te amo mas f-foi uma péssima ideia. – Sussurrei. – Os m-meus dedos estão dormentes, e eu e-estou tonto, e o meu coração está quase p-parando. 

-Vai se sentir melhor quando se desculpar com o seu pai. Mas por precaução, por que não nos sentamos? – Ela me levou até a mesa de chá. – Não quero que fique nervoso. 

Engoli em seco. Vendo minha mãe retornar com a bandeja com dois bules, xícaras e biscoitos recém assados na lenha. - M-minha mãe v-vai me dá chá de hibisco. – Murmurei. – É o único chá que consegue por minhas emoções no lugar mais rapidamente. – Não evitei o sotaque.  

Alice me olhava incrédula, mas se calou, ajudando minha mãe com a mesa. – Zanik está um pouco indisposto, mas ele fará um esforço para vê-los. 

-Significa... – Engoli, olhando para a senhora de cabelos ruivos e avental. – Que ele n-não quer falar comigo.  

Minha mãe sabia que sim. Mas nunca admitiria isso. – Beba um pouco, meu filho. – Ela entornava o chá em minha xícara. – Um pouco do gosto azedo do hibisco para saciá-lo mais rapidamente. – Sorria. 

Alice e eu nos entreolhamos, a loira entendeu.  

– Tarrant também está indisposto. Acho melhor voltarmos em um momento mais oportuno. – Levantou.  

-Querida, nós duas sabemos que nossos maridos precisam de um empurrãozinho. Essa rixa sem sentido precisa acabar.  

Levei o chá a boca depressa quando avistei o meu pai. O chapéu sombreava o seu rosto de forma que não desse para perceber o machucado que lhe causei. Ele estava ali, parado na entrada da varanda e não se atreveria a participar da hora do chá.  

Apenas estava ali.  

Esperando que eu me humilhasse e lhe pedisse desculpas.  

Continuei sentado.  

Nos encarávamos, mesmo distantes. – Se não quiser, não se desculpe. – Sussurrou Alice, ao pé do meu ouvido. – Mas apesar de não querer, eu sei que é capaz. 

Entrelaçamos nossos dedos, assenti perturbado. – Zanik, venha falar com o seu filho! – Pediu minha mãe, impaciente. – Mas que homem orgulhoso.  

Ele hesitou nos primeiros passos, mas se apressou quando chegou na metade do quintal.  

Sempre muito sério. – Alice.  

-Senhor Hightopp. 

Me levantei.  

Nos olhamos em silêncio.  

Remexia meus dedos discretamente, enquanto minhas mãos continuavam bem presas a lateral do meu corpo. – Tarrant. – Ele quebrou aquele tenso silêncio.  

Engoli. A flor azeda do hibisco queimava a minha garganta, competindo com o mercúrio. 

Eu o olhei. Ele sabia o motivo de minha vinda, eu sei que sim.  

Ele sempre se achava na razão de tudo.  

Ele nunca se sentiu agradecido por ter sido minha maior inspiração, desde criança eu queria ser como meu pai.  

Ele também nunca se sentiu culpado por ter sido a causa de minha intoxicação.  

O pior de tudo. 

Nunca se desculpou por isso. Eu sei que minhas desculpas não mudariam o que meu pai pensava de mim. Passei a não me importar com seus pensamentos críticos a muito tempo.  

Eu só o olhava, era tão orgulhoso que me fazia repensar se valia a pena estar ali ou não.  

Pensamentos sobre minha infância ainda atormentavam a minha mente. Fiquei em silêncio, acho que por longos segundos enquanto meu coração palpitava acelerado, sem um ritmo certo.  

Mas ali havia uma pessoa que acreditava em mim. 

Olhei para Alice. Ela sorriu.  

Era disso que se tratava: Ser o suficiente para quem era a melhor para mim. 

 – Me desculpe. 

-Pelo o quê? – Ele queria mais. 

-Me desculpe por socá-lo.  E-eu não deveria ter feito isso e estou arrependido. 

-Você está sempre perdendo o controle.   

-O s-senhor tem razão. – Abaixei a cabeça.  

“Não, ele não tem razão!” – A voz de Alice sobressaiu, todos olhamos para ela. – O meu marido veio humildemente se retratar e o senhor só pensa em criticá-lo ainda mais?! Ele fez bem em socá-lo! 

-Senhorita Kingsley! – Zanik esbravejou, retirando sua cartola com violência. 

-Não! – Ela o cortou, se levantando. – O senhor não tem bons modos, não é capaz de ouvir e aceitar as desculpas do seu próprio filho, eu já fui muito orgulhosa mas aprendi com os meus erros! Uma pena que algumas pessoas, mesmo depois de velhas não tem tal capacidade! – Alice buscou minha mão, eu a olhava sem reação, assim como todos. – Os biscoitos estavam deliciosos, senhora Hightopp, me ensine a receita depois. – Disse sorrindo, um pouco antes de cerrar seus olhos, os mirando em meu pai. – Com licença! 

[...] 

Aproveitei que Alice terminava de guardar a mesa para decorar o nosso quarto. Acendia os castiçais, enquanto despedaçavas algumas rosas para que suas pétalas fossem jogadas na cama.  

Parei com tudo quando a ouvi subir as escadas. Desabotoei minha camisa e joguei o meu terno em cima da cadeira, dessa vez sem me preocupar em amassá-lo. Me deitei cama, segurando uma rosa em meus lábios, apenas torcendo para o seu caule não me furar, eu havia sido gentil quando a colhi no jardim.  

Alice abriu a porta, segurava um castiçal de uma única vela e uma caneca com chocolate quente.  

Ela não prendeu sua risadinha infame quando me viu. – O que é isso? – Questionou, tentando ser discreta.   

Tirei a rosa do calor dos meus lábios. – Feche a porta. – Gesticulei. A loira prontamente obedeceu, bebericando o chocolate com canela.  

-Você fez tudo isso. – Deixou o castiçal no criado mudo. Olhando ao redor e pegando a rosa que eu lhe dei. Ela fechou os olhos, apreciando o aroma da flor mais romântica de todos os mundos. – Não está cansado? – Sorria, afundando o seu joelho no colchão.  

-Para você nunca estarei. – Busquei sua pequena mão, ela permitiu, dando atenção a sua bebida quente ao virar a caneca por completo.  

Eu a trouxe para a cama. Percebendo seus lábios sujos de creme, eu os lambi. E antes que ela recuasse, segurei sua nuca, beijando-a fervorosamente. Alice pousava sua mão em meu peito, deixando que seus dedos enroscasse no pequeno amontoado de pêlos cor de cobre. - E-espera. – Se afastou sem fôlego, aproveitei para beijar o seu pescoço. – Você não acha que tem algo de errado com a Valen? Estava tão triste no jantar.  

-Não vamos falar nisso... – Murmurei, abaixando a manga longa do seu vestido rosa. Beijava o seu ombro. – Ah, e-eu consegui terminar o vestido! – Sorri. 

-Prefere falar sobre o seu trabalho?  

-Foi você. – Beijei suas mãos. – Você me ajudou, querida. – Sorrimos. – Estava certa, eu me senti muito melhor depois que me desculpei. 

-Isso é ótimo, apesar de que, agora me sinto péssima pelo o que eu fiz. 

Puxei os botões laterais de seu vestido. -Você vai se sentir divinamente bem rapidinho! – Um sorriso malicioso se fez em meus lábios. 

Alice me imitou. – Não tão rapidinho, você quis dizer. – Se animou, beijando meus lábios e puxando a borda da minha blusa social, por baixo da calça.  

Me livrei de seu vestido sem que percebesse. Ela usava as vestimentas de baixo, embora isso só aumentasse o meu desejo de vê-la nua.  

Joguei o vestido no chão. Ela virou para trás, puxando seus longos cabelos para que eu desmanchasse o nó de seu espartilho. – Você é bom nisso. – Comentou, sentindo suas costelas livres. – Já deve ter tirado os espartilhos de muitas mulheres. – Me provocava, risonhamente.  

Subi por cima de seu corpo, beijando suas costas. – Já tirei muitos sim, m-mas só seus. 

Ela deitou as costas no colchão, satisfeita com a minha resposta, abri suas pernas, tocando em suas coxas. – Está um pouco apertado. – Avaliei o elástico de seu short. - N-nessas circunstâncias acho que você nem deveria usá-lo. – Sorriamos. Abaixei o meu suspensório e abri o zíper da minha calça. Toquei suas pernas. – Oh. – Arfei. – Está de meia calça, querida?!  

Alice certamente se divertia com a minha expressão de desgosto. – Vejo que está muito apressado. – Comentou. 

Retirei meus dedais, não podia correr o risco de rasgar as linhas tão finas daquela peça detestável. Eu a abaixava com cuidado, era chato ter que fazer devagar. - V-você g-gosta d-disso não é? D-de me irritar c-com tantas roupas. 

-Gosto de te deixar ansioso. – Admitiu, me puxando para um beijo. – Acho que encontrei o único motivo para querer usá-las.  

-Oh, é mesmo? – Cerrei meus olhos verdes. - V-você é d-danadinha.  

Alisei seu traseiro. Sua pele tão branca merecia um ligeiro tapa para aprender. Mas desisti, pois não saberia medir minha força.  

-Tarren... – Ela gemia entre os beijos, sentindo nossas intimidades se roçarem. 

Eu conhecia aquele gemido. - E-eu sou todo seu. O que quer que eu faça?  

Sei que ela queria aquela pergunta, tanto quanto eu queria sua resposta. Suas bochechas coraram e ela cochichou. – Use sua língua em mim.  

Abri suas pernas, nos olhávamos quando toquei meus dedos em sua intimidade, ela aquiesceu, corando mais. Estava tão quente e molhada que não esperei para deslizar a ponta da minha língua, sentindo seu doce sabor. Ela abafou seu suspiro quando buscou uma pequena almofada, mordendo a mesma com certa força, com certeza a mesma força que usava em sua outra mão, ao segurar meus cabelos. Eu continuava com o meu trabalho de satisfazê-la. Chupá-la era tão bom que nem eu mesmo queria parar. Mas precisei quando ela atingiu o seu clímax. Alice me buscou no meio de suas pernas, transpirava, ainda recuperando o seu fôlego quando tocou meu rosto, percebendo minha pele ainda fresca. – V-você é lindo, Tarrant Hightopp. – Comentou, parecendo entorpecida de prazer. 

Ela sempre ficava mais amável depois que eu lhe fazia esse tipo de agrado.  

Abri suas pernas. Aquele momento era meu. Com certeza a melhor parte. Eu a penetrei, buscando cada curva de seu corpo para que eu pudesse tocá-la, enquanto me concentrava nos movimentos. Ela unhava minhas costas, nos beijamos e nossas línguas dançavam animadamente. 

 

 

 


Notas Finais


Valen interessada em beijos
Tarrant com certeza sensato por dar uma bronca na Valen
Aproveitem que Chalice está fluindo bem, pois não sei por quanto tempo isso vai durar!


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