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História Apenas uma menina - Capítulo 75


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Capítulo 75 - Pen drive


  - Porra nenhuma! Que pergunta idiota, Nicole! – Dei uma de louca.
  - Tem certeza?
  - Eu gosto de homem, você sabe disso. – Falei com veemência.
  - Então não sei qual é a dela, e muito menos porque ela quis atingir você. Eu sinto muito, não conhecia esse lado da Jaque.
  - Quem mais sabe? – Murmurei baixo, não queria entrar nesse assunto.
  - Só ela, era a única pessoa presente quando eu quis desabafar com alguém. Desculpa de novo!
  - Está bem, não tem como voltar atrás. – Dei de ombros. – Iremos ainda fazer algo sem ela?
  - Claro, Cindy! – Disse ela animada. – Hoje é seu aniversário e fodasse a Jaque.
  - Nicole Caroline, o que você tem em mente?
  - Termina de se trocar e para de ficar perguntando, vou te esperar lá embaixo, anda logo meu! – Ela sai e bate a porta.
  Eu sento na cama e respiro fundo, não queria que tantas pessoas assim soubessem da pessoa fraca que já fui. Ninguém pode me julgar, era eu que estava lá enfrentando essa porra toda. Um dia de cada vez assim seguirei. Me levanto e abro a porta do guarda roupa, hoje é meu aniversário, preciso de algo especial. Meus olhos percorrem por todas as peças, mas parece que nada caíra tão bem assim. Nunca fui de comemorar aniversário, porém hoje eu quero que as pessoas pensem que estou feliz como eu sempre demonstrei. Respiro fundo e começo a jogar peça por peça em cima da cama, depois eu soco tudo aqui dentro, não estou com muita paciência mesmo. Achei uma calça jeans folgada e um top preto, é isso mesmo que irei vestir. Rapidamente me troco e coloco uma jaquetinha jeans por cima. Excelente estou vestida. Soco toda a roupa dentro do guarda roupa de volta, depois eu me viro. Vou para o espelho e capricho bem na base, esses cravos do nariz estão acabando comigo, mas não me vencerão, passei um pó por cima, um delineador na parte superior dos olhos e por fim puxei um gatinho. O batom será vermelho, passo tantas vezes que minha boca até cresceu um pouco, um iluminador para finalizar. Penteio o cabelo e jogo de lado, assim eu fico mais sensual, passo um perfume e coloco um sapatinho no pé. Para quem não estava tão animada, até que fiquei melhor que o esperado. Pego minha bolsinha de lado e coloco meu cartão de credito vermelho.
  - Mano, eu tenho cartão de credito de novo. – Murmurou, sorrio me encarando no espelho. Coloco umas maquiagens na bolsinha e meu celular 100 por cento carregado. Ainda bem que a Jaque não estragou meu dia, tomara que ninguém estrague. Vou até a porta e encaro a minha janela que o Nego pulou por tantas vezes, a cortina voando me traz a sensação que ele poderia estar lá embaixo esperando por mim. Vou até a janela e olho a rua, há muitos carros distintos, porém nenhum é o dele. Eu sempre fico sentimental demais no meu aniversário. Enfim saio do meu quarto deixando aquela sensação de nostalgia do outro lado da porta, nada disso importa. Desço a escada e paro no meio reparando as luzes estão todas apagadas, ouço um ruído estranho.
  - Nicole. – Grito, parece que não há ninguém aqui. Ela não pode ter saído e me deixado plantada igual uma idiota arrumada para alguma coisa.  Respiro fundo e continuo a descer, mesmo se ela me deixar sozinha eu procuro meu rumo hoje, há se procuro. Piso no último degrau e todas as luzes se ascendem.
  - Surpresa. – Todos gritam em uníssono. Olho aos redores e vejo muitos rostos diferentes me encarando sorrindo. A ficha ainda não caiu.
  - Parabéns, pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida. – As vozes cantam e meus olhos se enchem. Eles repetem mais uma vez. Vejo a minha tia, a dona Marisa, Nicole, Binho, Naty, Gisele, Vitinho e geral do colégio lotaram a minha sala. No outro canto vejo Vinicius quieto.
  - Pra Cindy nada? – Berrou Nicole.
  - Tudo. – Todos em uníssono.
  - Então como é que é? – Berrou Nicole.
  - É, é pique, é pica, é pica é pica é pica... É rola, é rola, é rola, no seu cu. – Muitas vozes gritam. Todos acabam rindo. – Cindy, Cindy, Cindy...
  - Adolescentes. – Bufou tia Ana envergonhada.
  - Gente eu sou tímida. – Falei com um sorriso paralisado.
  Recebo um abraço caloroso da Natalie.
  - Parabéns amiga, eu amo você. – Ela me aperta tão forte que me faz refletir o quão afastada dela eu fiquei durante esse tempo.
  - Parabéns Cindy, - Gisele me abraça. – Todo mundo faltou a aula hoje, ou seja, falta para ninguém.
  Dei um beijo no rosto dela.
  - Obrigada gente, obrigada. Eu estou realmente surpresa. – Limpei a lágrima que caiu dos meus olhos.
  - Para de conversa. – Disse Vitinho. – Cindy, eu vou comer seu bolo. – Cantarolou ele.
  - Assopra a vela. – Murmurou Marisa. – E fez um pedido.
  - Porra! Esquecemos a vela. – Berra Nicole.
  Sorrindo eu vou. Tem muitas pessoas aqui, estou feliz demais e não sei se merecida tanto, mas falta algo... Alguém.
  - Faz um pedido. – Disse Nicole ao meu lado.
  Coloquei o cabelo atrás da orelha e enchi meu pulmão, “só quero ser feliz”, guardo isso em pensamento e assopro.
  - Agora chega dessa palhaçada e solta o som DJ. – Berrou Nicole.
  Quando olho vejo o Vitinho no comando do som. Caraca realmente organizaram uma festa mesmo.
  - Fique à vontade, vou me controlar para manter as coisas em ordem. – Murmura Ana ao pé do meu ouvido.
   Eu apenas sorrio e reparo em todos se divertindo e bebendo como tem que ser.
  - Cindy, trouxe seu presente. – Disse Binho, seus olhos me encaram felizes, pena que não posso dizer o mesmo. – É de coração. – Ele abre uma caixinha, só falta ser a porra de alguma aliança, mas sou surpreendida por um relógio caríssimo. Ele coloca no meu pulso e eu nem sei o que dizer.
  - Não precisava...
  - Xiiiiiii! Claro que precisava, ainda é pouco.
  Meu celular toca, eu abro minha bolsinha e vejo o nome que me faz tremer por inteira.
  - O que esse idiota quer? – Vociferou o Binho.
  - Não é da sua conta. – Dou de ombros. Atendo indo para a escada, a música está alta demais.
   - Feliz aniversário. – Murmura o Nego. Meu coração acelera e então eu suspiro. – Eu sei que não deveria estar te ligando, mas como você já sabe eu faço tudo errado.
  - E-eu... – As palavras não saem. Olho todos na festa e parece que nada aqui faz sentido se ele não está comigo, o mundo acabou de parar desde que ouvi sua voz.
  - Sei que não tenho o direito de te pedir nada, porém eu queria ver você...
  Minha garganta fecha e eu forço para que as palavras saiam.
  - Aonde você está?
  - Aonde eu vejo todo mundo e ninguém me vê, porque a única pessoa que eu queria estar agora é você. Tem um carro aí fora te aguardando, vou ficar te esperando aqui pelo tempo que for.
  Olhei pela janela e vi um carro sedan preto. Desligo o celular e minhas pernas caminham quase involuntariamente, nem sei o que estou fazendo, só sei que quero ir.  Tento caminhar calmamente com meu coração pulsando para fora do peito, essas sensações que só o Nego me causa. Abro a porta e alguém segura meu pulso.
  - Aonde você vai?
  - Me solta Binho. – Vociferei.
  - Ele te liga e você vai correndo feito uma  cachorrinha? Você lambe o chão aonde esse favelado passa...
   - Vai cuidar da sua vida. – Interrompi gritando.
   - Para de ser idiota, Cindy. Olha para você, não se dá o valor. – Berrou ele.
   - Me deixa em paz. – Grito me livrando de suas mãos. – Para de achar que um dia teremos algo. Acorda pra vida. Por sua causa eu quase perdi a Nicole. E eu só fiquei com você um dia por causa da raiva que eu sentia dela que não quis acreditar em mim.
  - Você me usou? – Gritou ele, seus olhos vermelhos me fazem recuar um pouco, mas não posso voltar atrás agora que tenho a chance de dizer o que eu nunca disse.
  - Você usou a Nicole para se aproveitar de mim, e eu usei você para me vingar dela. Não somos diferentes, Binho.
  Ele me fuzila com os olhos cheios, eu aproveito e entro dentro do carro parado na calçada, ele vem correndo e o motorista arregala os olhos. Ele abre a porta e meu coração vem na boca.
  - Sua filha de uma puta, eu vou acabar com você. – Diz ele apontando o dedo.
  Respiro fundo encarando seus olhos.
  - Eu não tenho medo de você.
  - Chega rapaz. – Diz o motorista olhando feio para ele.
  O Binho fecha a porta e o motorista acelera o carro.
  - Quanta confusão, menina. – Diz ele me olhando pelo espelho.
  - Não liga não, é draminha de família. Está no sangue. – Brinquei e ele riu.
  - Se você está falando. – Ele suavizou um pouco sua expressão.
  Esse caminho que estamos fazendo eu já conheço, é o mesmo lugar que fui com o Nego depois que ele disse para o Danilo que estava apaixonado por mim.
  - Eu tenho umas instruções do rapaz. – Murmurou o motorista.
  - Hãm?
  - Quando chegarmos na próxima ponte ali da frente você tem que começar a olhar para cima e ler as palavras.
  - Não estou entendendo! – Exclamei de olhos franzidos.
  - Bem ali na frente. – Ele apontou para frente e diminui a velocidade.
  Quando eu olho para a ponte e foco minha lente em algumas palavras. “FELIZ ANIVERSÁRIO, CINDY”. Abro um sorriso e levo a minha mão na boca, meus poros estão todos arrepiados.
  - Ele pinchou meu nome. – Murmuro incrédula.
  A próxima ponte está ficando próxima.
  - “ME PERDOA POR TUDO, PRINCIPALMENTE POR NUNCA DIZER, ENTÃO EU RESOLVI ESCREVER: CINDY CAROLINE EU AMO VOCÊ”. – Meu corpo é tomado por uma corrente eletrizante que me faz arrepiar até os cabelos da cabeça, a mão soa, o peito acelera e os lábios congelam. Estou totalmente paralisada e sem reação. Como o Nego pode ter feito isso comigo? Mais uma vez sou surpreendia com seu jeito louco de ser. Esse sentimento que aflora aqui dentro, essas palavras que eu ansiei por tanto tempo. Ele não poderia ter encontrado forma melhor de se expressar. Não irei mais me afastar de quem faz eu sentir ser a melhor pessoa do mundo.
  - Chegamos. – Anunciou o motorista.
  Eu saio com um sorriso no rosto. Esse lugar deserto é um dos favoritos do Nego. Eu passo entre as arvores e uma me chama a atenção. “Rafael & Cindy” ele eternizou essas palavras no tronco.
  - Nego. – Murmuro.
  Ele se vira e me olha sorrindo.
  - Fiquei aqui, mas não tinha certeza se você vinha, pelo jeito estão dando uma puta festa pra você.
  - Estão sim. – Minha voz falha encarando esses olhos castanhos que me fascinam. A minha vontade é de gritar aqui que eu amo ele mais que tudo nesse mundo, meus olhos se enchem e sua mão grande vem acariciar meu rosto.
  - O que foi?
  - Porque você faz isso?
  - Isso o que?
  - Na ponte.
  - Eu precisava demonstrar meus sentimentos de alguma maneira. Você merece bem mais que isso na verdade. – Seus olhos também se enchem, e minhas lagrimas escorrem. – Você merece um cara que te dê o mundo.
  Umedeci meus lábios sentindo o gosto salgado de uma lagrima.
  - Eu te disse tantas vezes o que eu sentia, e você... Bom.
  - Sou covarde demais. – Ele mostra suas mãos suando e segura nas minhas. – Sempre achei que fosse corajoso, até que eu percebi que com você eu sou uma pessoa que eu não conheço. Estou suando como se fosse o primeiro beijo em alguém. – Ele sorri e leva a minha mão para o seu coração, está tão acelerado quanto o meu. – Essas são as sensações que só você me traz.
 Dei um leve sorriso. Não sei como eu posso amar até os defeitos dele, são perfeitos para mim.
 - Não comprei presente, pois eu não tinha certeza se você viria ta ligado?
 - Você é meu melhor presente. – Falei sorrindo. Ele aproxima sua boca da minha, eu encaro seus olhos castanhos penetrante firmemente, eu amo esse olhar, esses lábios que tocam os meus, essa intensidade da sua língua sobre a minha, os caracóis perfeitos que se formam em nossas bocas se alimentando de um desejo incontrolável. Eu literalmente amo esse beijo de todas as formas imagináveis que possa existir nesse universo...
  Meu celular toca.
  - Atende. – Diz ele tão próximo dos meus lábios que sinto vontade de beija-lo de novo.
  - Tá. – Murmurei, peguei o celular e atendi. – Alô.
  - Mulher, cadê você? – Gritou Nicole desesperada.
  - Aconteceu alguma coisa...
  - Vem logo, Cindy. Tem uma surpresa pra você caralho. – Berrou ela e desligou em seguida.
  - Então que voltar. – Murmurei.
 - A Nicole está brava. – Zombou ele. – Vamos, eu levo você.
  - Você vem comigo. – Sorri e ele entendeu o recado.
  Caminhamos até seu carro na beira da estrada, do jeito que o Nego corre estaremos lá em alguns minutos. Entramos.
  - Coloca o cinto que iremos voar. – Disse ele sorrindo.
  - Estou preparada.
  Ele acelera e o impacto me faz bater as costas no banco, mas isso não me assusta, já corremos racha juntos e eu gosto de adrenalina.
  - Quando terá outro racha? – Indaguei.
  - No final de semana. – Murmura ele sorrindo.
  - Serio?
  Ele apenas sorri e segura na minha mão, toda hora ele me olha com apenas uma mão no volante, seu polegar acaricia o meu. Nunca vi uma pessoa tão carinhosa e bruta ao mesmo tempo, o Nego é a minha pessoa perfeita, e eu vou tentar passar uma borracha em cima do que já passou. Não posso ficar longe de quem me faz sentir o melhor sentimento do mundo.
  - Virou pichador agora?
  - Sempre fui. – Ele sorri com suas covinhas perfeitas ao me encarar.
  - Não sei nada sobre você.
  - O legal é ir descobrindo aos poucos, senão perde a graça! – Murmura ele franzido sua testa bronzeada.
  Em alguns minutos chegamos na rua da minha casa. O Nego solta a minha mão e eu desejo que o caminho deveria ter demorado um pouco mais. Descemos do carro e ele vem segurar a minha mão novamente.
  - Vem, vamos. – Murmurei puxando ele.
  Entramos e o barulho do som foi amenizando, vejo muitos olhares distintos impressionados com o meu novo acompanhante. Não entendi o porquê.
  - A aniversariante voltou. – Gritou Vitor Hugo abaixando o som.
  - Você é louca de sair assim. – Vociferou Nicole.
  - Nem percebi o que fiz. – Murmurei. – O que vai acontecer agora.
  - Será homenageada.
  As luzes se apagam e todos mantem silencio. Vejo Natalie no projetor.
  - Bom, a Cindy é a menina mais incrível que conheço, forte e ao mesmo tempo sentimental, bruta e também sensível. Essa menina é um poço de sentimentos difusos, mas só posso descreve-la com uma palavra “intensa”...
  Em seguida aparece Gisele.
  - “Intensa”.
  Vitor Hugo:
  - “Intensa e vida louca”.
  Todos riem.
  O vídeo da Nicole no meu quarto, vejo uma calcinha minha de fundo, e ela foca na calcinha. Todos riem.
  - Ela é bem bagunceira. – Ela ri. – Bom eu posso descrever a Cindy, como; “apenas uma menina”. Pra mim ela será sempre assim, além de desorganizada é claro.
  Em seguida aparece a minha tia. Eu pisco e as lagrimas escorrem.
  - A minha Caroline...
  O vídeo é cortado, e do nada aparece algo antigo no projetor. Meu coração pulsa tão forte que nem sei se isso que está acontecendo é verdade. Porra mano, como esse vídeo foi parar aí. Esse é meu fim... Senhor o que está acontecendo?
  - Que porra é essa Cindy? – Sussurra Nicole desesperada.
  - Estava no pen-drive que.... – Minha garganta fecha e minhas pernas perdem as forças, vejo nitidamente uma das maiores merdas que já fui um dia.
  - Estou fudida. – Murmura Nicole sentando desfalecida...
 



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