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História Apesar de Tudo... - Capítulo 9


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Notas do Autor


Espero que gostem!

Capítulo 9 - Que vista linda!


Depois daquela situação desagradável, os dois jovens sequer conversaram por mensagens nem se encontraram no domingo. Somente na segunda de manhã, quando os alunos voltaram para a escola, é que eles finalmente chegaram perto um do outro, porém ainda sem trocar um olhar ou uma palavra.

- O que deu neles hoje? – Kirishima sussurrou para Sero

- Aconteceu alguma coisa e a gente não sabe...

Porém, não era a intenção de Kyoka ficar sem falar com Kaminari. A questão é que a mesma não sabia o que conversar com ele depois daquela tarde.

Droga... O que eu faço?” – Pensou enquanto batia com a ponta do lápis na mesa, completamente distraída da aula – “Eu quero falar com ele... Mas o que eu falo? Desculpe por ter te puxado junto de mim? Essa não vai colar... Não foi sua culpa? Também não rola...” ­– Repousou a cabeça na mesa e coçou o topo dela – “Droga... Não sei o que fazer!

- Jiro! – Aizawa chamou a atenção da garota, que estava perdida em seus pensamentos

- Me desculpe, Aizawa-sensei! – Ela rapidamente se levantou e voltou à prestar atenção na aula

Um tempo depois disso, o sinal do intervalo tocou e os alunos desceram rapidamente para lanchar na cantina do colégio. Kyoka pegou uma bandeja e pegou sua merenda com o Lunch Rush e foi em direção da mesa das garotas, onde sempre se sentava.

Porém, no meio do caminho, deu de cara com Denki sentado sozinho em uma mesa de dois. Ele comia seu sanduíche tranquilamente enquanto mexia em seu celular.

É agora ou nunca!” – Jiro falou e engoliu a saliva. Então prosseguiu em direção da mesa do garoto.

- Posso me sentar aqui? – Perguntou à ele. Denki só afirmou com a cabeça – Obrigada!

Kyoka se sentou de frente para Kaminari e começou a comer em silêncio.

- Hoje está calor, né...? – Falou tentando quebrar o gelo instaurado na mesa.

- Hm... – Ele levantou a cabeça como se só tivesse visto agora que ela estava à sua frente - Acho que sim... – Respondeu e novamente mirou seu rosto no celular

- Denki... – Falou seu nome

- Fala.

- Porque você tá me ignorando? – Largou sua comida e olhou para o garoto. Por outro lado, Denki continuou comendo seu sanduíche ainda fixado no celular.

- Ignorando? Não estou te ignorando.

- Óbvio que tá! – Falou mais alto do que pretendia, então abaixou o volume na fala seguinte – Foi por causa do que aconteceu sábado? Você sabe que não foi culpa de nenhum de nós!

Ele largou o celular e prestou atenção na garota, após minutos de conversa.

- Agora que eu falei disso você larga o celular!

- Tenho que ir no banheiro. – Se levantou sem cerimônia e saiu andando.

Kyoka permaneceu sentada, esperando por um Denki que nunca mais retornou à mesa. O sinal tocou e ambos subiram separadamente até a sala, perpetuando o silêncio entre os dois até o final do tempo escolar, onde o alarme novamente tocou, agora anunciando a saída dos alunos.

Denki saiu apressado da sala, não sem antes deixar algo na mesa de Kyoka, que só percebeu o papelzinho minutos depois, quando já tinha tudo arrumado. Ela pegou o papel e percebeu de cara que era do garoto.

Essa letra toda torta... É dele. Deixa eu ver o que ele escreveu...

 - Me encontre na árvore em cima do morro atrás dos dormitórios. -

Agora ele quer conversar... Vou tomar outro gelo, quer apostar? É melhor eu me apressar, que ele deve estar derretendo nesse Sol...

A garota saiu em disparada da sala e fez todo o percurso até o dormitório. Quando chegou lá, contornou o prédio e viu Denki escorado no tronco da árvore impacientemente.

- O que você quer? – Falou seca – Fala rápido que tá um forno aqui.

- Kyoka... – Denki balbuciou mansamente. Então, para a surpresa de Jiro, ele se ajoelhou e encostou a cabeça no gramado. – Me desculpe por ter sido um babaca com você! Eu não devia ter te ignorado sem motivo! Me desculpa de verdade!

- Levanta, seu idiota! – Gritou frustrada – Alguém pode nos ver e achar que você tá me pedindo em namoro!

- D-Desculpa! – Se levantou rapidamente

- Agora, sobre você ter me ignorado... – Colocou as mãos na cintura – Eu fiquei bem triste com você! Eu já tinha dito que aquele acidente não tinha sido culpa de ninguém, e você insistiu em ficar de mal comigo... Nunca mais faça isso, entendeu?! – Fincou um de seus pinos na orelha do garoto, que caiu agonizando no chão

- DESCULPA! DESCULPA! NÃO VOU FAZER DE NOVO! – Ela retirou seu pino e o garoto lentamente se recuperou. Ainda jogado no chão, ele perguntou. - Então... Somos amigos de novo...?

- Idiota... – Riu divertida - Nós nunca paramos de ser... – Puxou sua mão e ajudou-o a se levantar.

*

*

 2 semanas depois...

- Vocês querem me dizer que, mesmo com dezenas de câmeras que gravaram tudo, não conseguimos achar quem invadiu o colégio?! – Nezu esmurrou a mesa exaltado. Os outros professores fitaram-no em silêncio.

- Eu já te disse que o invasor quebrou as câmeras em frente à sala dos professores! – Aizawa repetiu o que já havia dito para o rato.

- Não é possível que não haja uma gravação dele as quebrando! – Esbravejou – Não tem ao menos sequer uma foto do dedo dele?!

Os professores não responderam.

- Ótimo! Perfeito! – Gritou sarcástico – Tem um infiltrado da Liga dos Vilões na minha escola, e eu não sei quem é! Neste momento o que mais me preocupa não é nem a reputação do colégio... Nem mesmo a minha reputação! O que realmente me preocupa é a integridade dos meus alunos!

- Bom, e o que você quer que nós façamos?! – Yamada berrou sem sua individualidade para não ensurdecer ninguém na sala. – Já fizemos de tudo, e o “tudo” não foi o suficiente!

- Eu sei, e não culpo vocês... Mas eu não consigo entender...! – Se levantou cansadamente – Preciso de café...

O diretor encheu sua caneca na máquina e voltou à mesa. Sentou-se e tomou um gole da bebida quente. Então, juntou suas mãos em frente ao seu rosto e fixou o olhar na cadeira vazia do outro lado da mesa.

- Tem alguma ideia de como resolver isso? – All Might perguntou enquanto todos olhavam para o rato.

- Me dê 5 minutos. Estou bolando um plano. – Disse e fez. A sala ficou 5 minutos inteiros em completo silêncio, somente esperando pela voz de Nezu ecoar novamente no cômodo.

Com isso, 5 minutos depois Nezu largou as mãos na mesa abruptamente e abriu os olhos. Respirou fundo e mexeu a cabeça de um lado para o outro, olhando para os professores que o encaravam ansiosos.

- Acho que já sei o que podemos fazer... Ouçam com atenção. – O rato respirou fundo e tomou outro gole de seu café – Iremos fazer outro acampamento de treino.

- Sou contra. – Aizawa levantou o braço, interrompendo o diretor – Desculpe, mas já não posso concordar com o plano. Um acampamento em uma floresta, nas circunstâncias atuais, é uma bomba relógio. É questão de tempo algo dar errado.

- E eu entendo isso perfeitamente! Por isso não será um acampamento normal. – Disse, deixando Aizawa confuso – Primeiramente, na questão de transporte, Midnight irá usar sua individualidade para adormecer os alunos. Com os estudantes desacordados, iremos os locomover por ônibus de turismo, para não chamar atenção desnecessária. A floresta será a do Ground Omega que, por ser perto da academia, torna fácil a chegada de ajuda caso necessária.

- Ainda não sou à favor. – Aizawa repetiu – Como isso nos ajudaria a achar o espião?

- É bem simples, na verdade... – Nezu explicou – Primeiro, confiscaremos os aparelhos eletrônicos para que ele não consiga se comunicar com gente de fora. Segundo, confinaremos eles nas proximidades das barracas, para o espião não poder se afastar e falar com a Liga sem nós vermos. Além disso, vigiaremos eles 24 horas por dia, não deixando brecha para qualquer tipo de atividade suspeita.

- Até que faz sentido... – Ectoplasm comentou – Mas o que faremos se o traidor não se revelar?

- Bom, se ele der um deslize e descobrimos quem é, bom para a gente. Se não, foi só mais um treinamento para deixar os alunos mais experientes. – Nezu disse – Em ambos os casos saímos ganhando.

- Não sei porque duvidei do seu raciocínio... – Aizawa brincou

- Para terminar, peço-lhes duas últimas coisas. – Nezu falou quando os professores já se arrumavam para ir embora – A primeira é: não contem para os alunos que estamos em um terreno do colégio. Isso irá fazer com que o traidor fique com medo de agir.

- E a segunda, qual é? – Ectoplasm perguntou

- Ah, a segunda. É a mais importante, então prestem atenção. – Nezu disse – Vocês não podem, de maneira alguma, falar para os alunos que esse acampamento tem o intuito de descobrir quem é o espião.

- Só isso? – Yamada perguntou surpreso, achando que ia ser uma ordem importantíssima

- Entenda... Se os Vilões descobrirem sobre esse acampamento achando que é para treino, eles com certeza não irão desperdiçar essa oportunidade. Mas, se de algum jeito a Liga descobrir que nós estamos prontos para um possível ataque, rapidamente eles vão recuar e perderemos a maior chance que já tivemos. Entendido? – Nezu perguntou aos professores

- É a melhor opção que nós temos... – Aizawa comentou

- Agora, mãos à obra! – Nezu anunciou e os professores foram dispensados.

E assim foi feito. Durante a aula de Midnight, a heroína ativou sua individualidade, desacordando todos os alunos de uma só vez. Com isso, os professores carregaram os alunos desmaiados até o ônibus e os transportaram até a floresta do colégio. Quando chegaram lá, despejaram todos os estudantes em suas devidas barracas, que já estavam feitas e armadas, e se afastaram.

Meia hora depois, os alunos lentamente acordaram sem saber o que havia-lhes acontecido. Foram saindo de suas barracas ainda sonolentos e se assustaram ao verem que estavam no meio da floresta.

- Como viemos parar aqui?! – Ashido perguntou confusa

- Melhor ainda: onde é aqui?! – Kirishima gritou perdido

- Vamos se acalmar, gente! – Yaoyorozu tentou aquietar o pessoal – Ficar nervoso não vai ajudar em nada!

- O mais estranho é que as barracas já estavam prontas para nós... – Jiro comentou e todos se chocaram ao verem que tinham exatas 20 barracas.

- Estranho... – Kaminari repetiu pensativo.

~ Alunos! Prestem atenção! ~ Uma voz ecoou do topo das árvores

- Deus?! – Denki e Sero gritaram assombrados

- Óbvio que não, seus idiotas! – Kyoka brigou com os dois – É o Yamada-sensei!

- Ah, tá...

~ Como vocês podem ver, nós da escola organizamos outro acampamento de treinamento para desenvolver as capacidades físicas de todos vocês. Ao treinar em uma mata fechada e com terreno irregular, o treinamento será 10 vezes mais efetivo... Em meia hora o Aizawa vai aí dar as instruções sobre o primeiro exercício, por isso tomem este tempo para tomar conhecimento dos arredores e arrumar as bagagens que deixamos para vocês... Ah, e antes de desligar, nós confiscamos os seus celulares! Assim, vocês ficam mais focados em aperfeiçoar suas técnicas! Isso é tudo... Adeus. ~

- Pegaram nossos celulares?! – Ashido gritou desesperada – Não sei se vou aguentar...!

- Até os celulares... – Denki balbuciou apreensivo

- O que foi, Denki? – Jiro percebeu o semblante do garoto e perguntou

- Hm? Ah, não é nada... Só estou vendo o quanto eles aumentaram a segurança desde o último incidente... – Se explicou

- Isso tudo de espião deve ter traumatizado eles bastante, né? – Kyoka falou

- Com certeza... No lugar deles eu nem pensaria em fazer um acampamento de novo.

- E cá estamos nós...

- Isso é o que estou estranhando...

*

*

30 minutos depois, Aizawa apareceu no acampamento e deu as informações básicas, como: em 3 horários marcados ele iria trazer o café, almoço e jantar; o treinamento seria feito das 10 da manhã até as 7 da noite; e etc.

Com isso, os alunos foram colocar seus trajes dentro de suas barracas. Saíram de lá já prontos e foram levados até um campo aberto com diversas pedras e morros rochosos.

- O exercício de hoje será focado em força explosiva. – Aizawa explicou – Em um só ataque vocês depositarão toda a sua força, com o intuito de aumentar a potência de suas individualidades. – Deu uma olhada nos alunos e apontou para Denki – Kaminari, você primeiro.

- Eu? – Falou surpreso – Mas, da última vez...

- Estou ciente disso. Por isso, faça isso em cima daquele morro. – Falou e apontou para a elevação no terreno que devia ter uns 20 metros de altura em seu pico.

Kaminari concordou com a cabeça e caminhou até o topo. Quando chegou lá, se virou para Aizawa, que fez um sinal de joinha para o garoto. Denki então começou a fazer força e, que nem da última vez, faíscas começaram a pipocar do gramado ao seu redor. Seu cabelo começou a ficar em pé enquanto sua pele ficava cada vez mais amarela. Além disso, seu corpo inteiro começou a vibrar em alta velocidade.

Assim, repentinamente uma massa de eletricidade gigantesca eclodiu de dentro de seu corpo, iluminando em cor amarela grande parte da região. A bola de energia não chegou a atingir os alunos, já que eles estavam em uma distância significativa do loiro, porém foi o bastante para assustar mais da metade da turma.

- Q-Que força! – Uraraka gritou surpresa

- Isso talvez seja capaz de derrubar a luz de uma cidade inteira... – Todoroki comentou abismado com o poder de Denki

- Uau... – Bakugo falou incrédulo – Quem diria ein, cabeça de vento? Está até mais forte do que da última vez...

Quando o ataque cessou, Denki despencou mole no chão e saiu rolando ladeira à baixo. Depois de descer todo o morro, ele continuou a rolar no chão até parar nos pés de Aizawa.

- Wheyyyyyyy... - Kaminari como sempre, havia mais uma vez fritado seu cérebro e estava com aquela cara de retardado que ele sempre fazia quando entrava em curto circuito.

Os alunos todos rapidamente voltaram ao normal e começaram a gargalhar da cara do amigo. Aizawa pôs o garoto nos ombros e o recostou em uma árvore na entrada da floresta.

Com isso, os treinamentos de força explosiva continuaram normalmente, com todos dando tudo de si em seus ataques. Uma hora depois do ataque de Kaminari, o garoto acordou do seu “transe” e voltou à treinar normalmente.

Após repetirem mais uma vez esse mesmo treinamento, dessa vez sem Kaminari, partiram para outro exercício de combate, que perdurou por mais 1 hora. Depois disso, foram almoçar e após o almoço recomeçaram o treino.

Realizaram corridas, arremessos de peso, saltos em distância, quebras de braço e muitas outras coisas, até que deu 7 horas da noite. Nesse exato horário, Aizawa mandou os alunos de volta para as tendas e falou para eles colocarem suas roupas casuais.

Após trocarem de vestimentas, eles saíram das barracas e ficaram esperando pelas próximas ordens, que vieram de prontidão. Jiro foi a única que não tirou sua roupa de heroína, pois a roupa em si própria já era confortável.

~ Vocês agora tem o restante da noite para descansar, já que treinaram por 9 horas quase que consecutivamente. Ás 8 horas, Aizawa passará aí pra entregar o jantar, então até lá quem estiver com fome pode comer os marshmallows que escondemos na mala da representante. Boa noite para todos, e descansem bem que amanhã tem mais! ~

Todos rapidamente se viraram para a Yaoyorozu, que se demonstrou tão confusa quanto eles. Ela rapidamente se enfiou dentro de sua barraca e saiu de lá com o saco de guloseimas, que estava guardado em um compartimento no fundo da bolsa.

As tendas formavam um grande círculo, e no meio dele havia toras de madeira deitadas no chão formando outro círculo, que por sua vez tinha uma fogueira no centro. Os alunos então tiveram a ideia de se sentarem ao redor da fogueira e ficarem batendo papo enquanto assavam os marshmallows.

- Todoroki-kun, pode acender a fogueira? – Momo pediu

- Claro. – O garoto ativou sua individualidade e ateou fogo nas madeiras amontoadas

- Agora sim podemos começar nosso acampamento! – Ashido anunciou animada – Vamos! Todo mundo se sentando!

Os amigos se sentaram nos troncos de madeira e já foram rapidamente garantindo seus marshmallows. Fincaram gravetos em seus doces e colocaram-nos para assar no fogo.

- O que faremos agora? – Hagakure perguntou

- Vamos fazer o que pessoas fazem em acampamentos! – Ashido respondeu

- E o que as pessoas fazem em acampamentos...? – Momo falou perdida

- O que elas fazem? Elas contam histórias de terror, é óbvio!

- Acho que ainda está meio cedo para fazer isso... – Sero disse – Vamos primeiro comer o jantar, porque aí quando nós terminarmos já vai tá escuro!

- Perfeito! Vamos esperar mais um pouco, então! – A roseada concordou – Por agora, vamos só conversar! – Se inclinou para frente e repousou seus cotovelos em seus joelhos – Eaí gente, algum assunto?

E assim ficaram por mais de 50 minutos, somente conversando sobre assuntos banais enquanto riam alto. Quando o assunto acabava, alguém puxava outro, e continuou desse jeito até Ashido falar uma coisa que chamou a atenção de todos:

- Mas agora, mudando de assunto... Eu sei que não fui a única que notou a aproximação de certas 2 pessoas... – Falou e sorriu sarcasticamente

- Hm? Quem é? – Enquanto Kyoka já havia entendido de cara de quem ela estava falando, Kaminari ainda estava perdido

- Não se faz de desentendido não! – Brincou – É claro que eu estou falando de você e Jiro!

- Ah tááá... – Lerdo como sempre, Kaminari finalmente entendeu – Você fica criando caso com tudo, Mina! Já te falei que somos só amigos... – Respondeu em tom alegre

- E eu tenho cara de quem cai nessas historinhas?! – Se inclinou novamente para frente e sorriu maliciosa – Me contem... Vocês já se beijaram?

- Ei! – Jiro gritou constrangida – Óbvio que não!

- Hm, sei...

- E quem é você pra falar?! – Kyoka retrucou – Acha mesmo que não vimos como você e Kirishima tem estado? Vocês não se largam nunca!

- C-C-Claro que não! – Ashido foi pega de surpresa e gaguejou violentamente, fazendo todos caírem na gargalhada – Parem de rir! Não estou brincando!

- Oi! Porque me colocaram do nada na história?! – Kirishima indagou frustrado

*

*

Aizawa trouxe o jantar em um carrinho com uma tábua repleta de diferentes tipos de comida. Os alunos rapidamente devoraram por completo a comida e voltaram para os troncos em volta da fogueira. Já era 8 e meia da noite, e o Sol já havia sumido do horizonte, dando espaço para a Lua no céu.

- Acho que já está na hora das histórias de terror, né?! – Kirishima perguntou animado

- Já está de noite, então eu acho está bom! – Ashido falou – Vamos lá... Quem quer começar?!

- Posso? – Sero perguntou

- Claro! Gente, Sero vai começar! Façam silêncio! – Aquietou os amigos

- Bem, eu estava na minha cama... Já era madrugada... – Começou

Sero contou sua história e depois dele veio Bakugo, que contou sobre o dia que ele tomou conta do gato do vizinho. O que era assustador para o garoto acabou sendo motivo de risadas para o restante da turma.

Depois de Bakugo, Kirishima contou seu relato, que fez vários alunos se arrepiarem. Ashido veio logo após, e logo depois foi a vez de Shoji contar a história que seu avô lhe contou quando era criança.

Ficaram por mais de 1 hora e meia somente contando histórias assustadoras, algumas nem tanto, e outras até demais. Quando deu mais ou menos 10 horas, os alunos se cansaram de ficarem sentados só falando e se dispersaram. Alguns foram dormir com sono, enquanto outros foram fazer outras coisas no local do acampamento.

Na hora que Jiro se deu conta, Kaminari já não estava mais sentado ao seu lado, então saiu à procura do mesmo. Quando viu que ele não estava em sua barraca, adentrou na floresta e continuou caminhando por mais algum tempo, quando de repente a mata acabou em um pequeno espaço.

Havia um pedregulho de mais ou menos 15 metros de altura nesse espaço, e no topo da pedra tinha um espaço plano. A garota então resolveu subir no topo do rochedo para ver se conseguia avistar Kaminari de lá.

Foi escalando as pedras uma por uma, até chegar ao topo. Quando chegou no pico, pisou com ambos os pés e sentiu uma brisa fria colidir com seu corpo enquanto fitava o loiro a assistir o luar.

Ele estava sentado tranquilamente, com o cabelo esvoaçando ao vento. Nem sequer havia notado a presença da garota, tampouco que ela o mirava admirada.

- É lindo, não é? – Falou e sentou ao lado de Denki

- Como você chegou aqui? – Ao contrário do esperado, o garoto não se assustou com a aparição repentina

- Não é só você que sabe escalar, bobinho... – Botou a língua pra fora. Virou-se para frente e olhou para a Lua, que brilhava radiante no céu – Mas que lugar é esse que você achou...! Que vista linda!

- Linda? – Perguntou, já que ver o luar não era sua intenção naquele local. - Olhando melhor, até que é bonitinho mesmo... – Esticou as pernas e colocou as mãos no chão atrás de si para se apoiar – Não tinha prestado atenção nisso...

- Como não? – Falou surpresa – O que você estava fazendo sentado aqui, então?!

- Estava pensando em algumas coisas... – Falou vagamente

- Você pensativo? Isso é novo... – Comentou risonha, arrancando um sorriso do garoto – O que era tão importante para fazer você se esquecer dessa vista?

- Nada de importante... – Respondeu esquivando-se da pergunta

- Se não é importante porque não me fala? - Insistiu

- Para não gastar o seu tempo.

- Entendi... – Dobrou os joelhos e os puxou para perto de seu peito. Ficaram por mais algum tempo em silêncio, somente olhando para a paisagem encantadora em suas frentes.

Os dois estavam à, no máximo, 2 metros um do outro, já que o espaço em cima do morro era pequenino. Em silêncio, Jiro sacou seu tocador de música do bolso e conectou seu fone nele.

- Quer ouvir também? – Perguntou enquanto oferecia o outro fone para o garoto

- Está bem... – Se aproximou da garota e colocou o fone no ouvido

- Alguma preferência? – Indagou

- Deixo à escolha do chef... – Brincou, fazendo Jiro soltar um leve riso nasal

- Vou colocar essa... aqui! – Clicou no ícone da música e começou a tocar Yesterday, dos Beatles.

- Beatles? Você escutando Beatles? – Kaminari falou sarcástico – Vou ter que te levar no médico...

- Para com isso! – Demandou divertida, brincando com o amigo – Eu gosto de Beatles, algum problema?

- Nenhum...

Voltaram ao silêncio, somente aproveitando a brisa fria da noite a bater em seus corpos. A Lua subia cada vez mais, gradualmente tomando conta do céu.

Kaminari tentava não olhar, mas não tinha como deixar aquela cena passar em vão. Kyoka estava simplesmente encantadora com o seu cabelo sendo levado pelo vento, com seu rosto sendo iluminado pela luz branca da Lua, com seus olhos roxos brilhando... Tudo naquela garota parecia impecável.

- Essa vista deve ser a mais bonita que eu já vi... – Disse Jiro admirada

- Digo o mesmo... – Falou Kaminari enquanto fitava Jiro

- Disse algo? – Kyoka virou-se para Kaminari, fazendo o garoto rapidamente desviar o olhar

- Você acha mesmo? Isso que eu disse... – Se explicou com o rosto levemente rubro

- Acho... Quer dizer, tenho certeza. – Virou-se para frente - É lindo... – Disse e sorriu de leve enquanto fitava o astro – A Lua é linda, na verdade... De qualquer lugar que você olhar. – Virou para o garoto e sorriu docemente.

Aquele sorriso foi o suficiente para o coração de Denki dar uma palpitada em falso. Era como se ela tivesse agarrado o seu coração e o apertado com suas mãos delicadas. Era oficial: Kyoka havia atingido o grau máximo de perfeição. Seu coração, após dar uma palpitada extra, começou a acelerar suas batidas, e foi aí que ele não se aguentou.

- Que se dane... – Balbuciou para si mesmo

- Hm? O que dis-

Kyoka ia pedir para ele repetir o que tinha sussurrado, porém foi interrompida bruscamente quando, em um impulso, Denki pulou em sua direção e calou a sua boca beijando-a.

Jiro tomou um susto com o ato repentino do garoto, mas em nenhum momento pensou em se afastar. Muito pelo contrário, ela fechou seus olhos e, iluminados pelo luar, selaram seu lábios e saciaram um desejo tão inconscientemente cobiçado.



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