1. Spirit Fanfics >
  2. Apocalypse, interativa >
  3. 01 - Juízo final.

História Apocalypse, interativa - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


ATENÇÃO NO AVISO DA TIA: As vagas seguem abertas para novos personagens. Se você ainda não enviou a ficha mas pretende, pode enviar <3

Esse capítulo já tinha sido postado anteriormente, então pra quem já estava na fic é só um remember, precisa nem ler.

LEIAM AS NOTAS FINAIS!!!!!!!

Capítulo 2 - 01 - Juízo final.


Capítulo I


Liv conhecia a irmã mais do que ninguém. Mesmo com diferença de idade ou distância que as afastara quando a mais velha deixou a casa dos pais, em Ottawa, para tentar a vida na Califórnia, se gabava por ainda ter o mesmo dom de decifrar os pensamentos de Nia através de suas feições, por mais vazias que estivessem. Esse era um daqueles momentos.

— Por que está quieta? — Perguntou, estranhando a mudança repentina daquela que segundos atrás tagarelava sobre o quão entediante e trabalhosa passou a ser sua vida quando decidiu morar só. Sentiu os dedos da primogênita roçarem levemente nos seus conforme andavam lado a lado em passos ritmados, pouco tempo após deixarem o supermercado. — Nia?

Não obteve resposta. Ou melhor, conhecendo a irmã como conhecia, o silêncio havia sido a melhor resposta que poderia obter. A falta de palavras confirmou o que já vinha desconfiando.

— Aconteceu algo entre você e Bernard, Michelle? — Tornou a falar, contendo um breve sorriso ao ver a expressão da irmã se contorcer em uma careta desgostosa. Liv não soube identificar se a outra não havia gostado de ser chamada pelo segundo nome que tanto repudiava ou ouvir o nome do homem com quem vinha mantendo uma espécie de relacionamento vaivém há meses.

— Por que acha que tem algo a ver com Bernard? — Retrucou, mudando a direção do olhar para um ponto aleatório logo em frente. O rosto impassível.

— Sua expressão mudou de normal para vazia e melancólica quando nos aproximamos da casa dele, é óbvio que tem algo incomodando você. Algo relacionado a ele. — Ouviu Nia soltar uma risada baixa, trocando de mão a sacola com os refrigerantes que haviam comprado há pouco. — Como estão?

— Não estamos. — A resposta veio de imediata. Forte e um tanto robótica, observou a  menor. — Terminamos, inclusive já fazem algumas semanas. E, antes que pergunte, não estou deprimida.

Liv assentiu, muda. Não estava surpresa, tinha plena consciência da duração máxima dos namoros relâmpago da irmã — mesmo que o lance com o médico gostosão tenha se prolongado mais do que esperava, chegou até a cogitar a breve possibilidade de darem certo como casal.

Conforme passavam em frente a uma casa de jardim bonito, notou a presença de um senhor aparando a folhagem assimétrica de sua  roseira. Ele sorriu e a cumprimentou com um maneio de cabeça. Ela, um se sentindo repetidamente desajustada, retribui. Não sabia o que fazer quando estranhos era simpáticos.

— Papai não gostava dele. Nunca gostou, mas mamãe não queria que você soubesse disso. — Disse, numa tentativa discreta de tentar confortá-la sem desviar os olhos do jardim. Perdeu as contas de quantas vezes foi obrigada a ouvir o pai deixando claro que desaprovava o relacionamento da filha mais velha com um médico viúvo, que ainda por cima era quinze anos mais velho. Costumava dizer que Nia estava sendo usada, e no fundo ela sabia que era verdade. Todos sabiam. — Independente do motivo, é até melhor que vocês tenham…

Aconteceu rápido demais para que pudesse entender. Antes que conseguisse concluir sua fala, sentiu as mãos da irmã segurarem seu corpo sem delicadeza alguma e arremessá-lo contra a cerca do jardim do senhor simpático.

Sentiu as costas queimarem após o impacto, em seguida as mãos de Nia a envolveram  por completo, puxando-a para si.

Enquanto falava, um carro havia invadido a calçada e por pouco não as acertou em cheio. O mesmo carro ainda seguiu por alguns metros, desviando de um poste e mudando de pista.

O aperto da irmã se intensificou, estava sufocada. Sentiu alguém tremer, mas seus corpos estavam tão colados que não soube dizer qual das duas era.

O carro freou de forma bruta, deixando a marca dos pneus na pista, mas logo voltou a acelerar. Ouviu um palavrão escapar alto dos lábios de Nia quando um outro carro entrou em cena, e em questão de poucos segundos, colidiram. O barulho foi ensurdecedor. Ela fechou os olhos e gritou, como se grito alto fosse abafar todos os outros sons perturbadores ao redor. Não adiantou.

Os vidros estilhaçados pelo chão, gritos desesperados que vinham de todas as partes, carros ziguezagueando pela pista para desviar de outros que pareciam fora de controle. Tudo parecia fora de controle. Mais ao fundo, viu um corpo despencar do alto de um prédio residencial. O barulho dele caindo no chão fez com que ela se encolhesse nos braços da irmã, que mesmo não vendo o rosto, parecia tão estagnada quanto. Sabia o que estava acontecendo.

— Nia… — Sua voz saiu em um sussurro, a mente trabalhando para tentar digerir ao menos um terço do que havia presenciado. O vento trouxera um cheio forte de gasolina, fazendo seu estômago revirar. 

— Rápido! — Ela disse, puxando-a pela mão em direção a pista. No breve intervalo de tempo em que Liv conseguiu olhar para trás, viu o senhor simpático das roseiras com a tesoura que usava enfiada na garganta. Porra! 

Estavam correndo de mãos dadas em meio a confusão. Tentou se concentrar em buscar algum lugar seguro para se abrigar, mas acabava se distraindo fácil com tudo que acontecia ao redor. Desistiu de manter os olhos abertos ao presenciar a terceira morte: um jovem acabava de se lançar em frente a um caminhão em alta velocidade, que também parecia desgovernado. Se deixou ser guiada pela irmã mais velha, correndo enquanto pessoas desesperadas esbarravam em si.

Foram incontáveis minutos de pavor  — que mais pareceram horas — até subirem as escadas que levavam à porta de uma casa. Nia subiu na frente dela, a respiração tão descompassada quanto a sua, só então notou pequenos arranhões no corpo da irmã, provavelmente do momento em que tiveram que desviar do carro. Seu estado não devia estar muito melhor.

— Bernard! — A voz de Nia saiu esganiçada. Claro, a casa de Bernard! Ela tocou a campainha uma, duas, três vezes, até desistir e passar a bater na porta sem se preocupar com a força usada. Seus olhos azuis estavam vidrados, e levando em consideração que o caos na rua parecia piorar a cada instante, não era para menos. — Bernard, eu sei que está ouvindo! Por favor!

Não demorou muito para a maçaneta da porta girasse, e em uma resposta inconsciente e ansiosa, as irmãs deram um passo para trás. Ele apareceu. Usava apenas uma calça moletom cinza, deixando exposto seu físico que nada parecia com o de alguém beirando os quarenta anos de idade. Liv mordeu a ponta da língua, indignada com sua capacidade de admirar o corpo de alguém enquanto o mundo parecia estar prestes a ruir. 

— Nia? — Sua voz carregava um leve tom de incredulidade ao pronunciar o nome da garota. Sua expressão quase serena, como quem não se importa em deixar tudo o que acontecia ao redor em segundo plano, fez com que Liv admirasse, mais que o físico, seu autocontrole.

Até que, acidentalmente, o médico chutou uma garrafa vazia para fora de casa. A mais nova assistiu ela descer as escadas e se partir em centenas de cacos de vidro para concluir que não se tratava de autocontrole algum, o moreno só estava embriagado demais para se importar com o que acontecia. A forma como tropeçou sobre os próprios pés, tendo que agarrar-se na porta, veio como confirmação.

— Que merda você está fazendo fora de casa? Não assistiu aos noticiários, sua ameba? — Ele ralhou, uma veia de estresse saltando em sua testa. Nia provavelmente retrucaria se não fosse por seu atual estado de desespero. — Olhem para baixo e entrem, rápido!

Mesmo sem entender exatamente o motivo da ordem, a mais velha não teimou. Abaixou os olhos e puxou a irmã para dentro da casa, mas, para sua surpresa, o corpo de Liv permaneceu imóvel. Só Deus sabe como seu próprio corpo gelou quando a possibilidade da irmã ter sido atingida pela loucura daquelas pessoas passou por sua mente.

— Liv, vamos! — Tentou puxá-la novamente, mas ela sequer se mexeu. Talvez seu coração tenha falhado uma ou duas batidas. — Olívia, que porra está fazendo? Não pode ficar aí!

A loirinha permaneceu parada, os olhos claros fixados na rua. Já não havia desespero. O amontoado de corpos sem vida, destroçados em alguns casos, tornava o cenário cada vez mais mórbido. Mas não era aquilo que lhe prendia a atenção.

— Não, Nia, uma criança! — Gritou, apontando para a pista. Jurou ter ouvido Bernard soltar um palavrão, acompanhado por ordens de “não olhe, não olhe!”.

Poucos metros de distância do grupo, um homem corria em meio aos corpos e estilhaços com uma criança do colo. Uma menina com roupas sujas de sangue, que escondia seu rosto na curva do pescoço do adulto. Olívia odiou-se por ver refletido naqueles dois o desespero que passara com a irmã poucos minutos atrás, mas se odiaria a ponto de não conseguir ver sua própria imagem no espelho se os deixasse ali. Seria o mesmo que entregá-los de presente para a morte.

— Vocês precisam ajudá-los, rápido, eles vão morrer! — Segurou-se com força na porta enquanto Nia tentava arrastá-la. Por um momento pensou que sua vida dependesse daquilo. E vidas realmente dependiam, não necessariamente a sua. 

— Está louca?! — A repreensão da mais velha também veio em um grito. — Acha que estamos em condições de ajudar alguém? Não podemos nos arriscar assim, não sabemos o que está acontecendo. Olívia, entre!

— Eu vou lá. — Bernard disse, fazendo com que a boca de Nia se abrisse em um perfeito “O”. — Vocês duas, para dentro. Já.

Sua entonação era decidida, autoritária. Liv se permitiu soltar a porta, adorando mais ainda a figura masculina por seu surto de coragem. Certo, talvez ele só estivesse muito bêbado para calcular os riscos de ir atrás dos estranhos para ajudá-los, mas tomou preferência por acreditar que situações extremas anulavam o efeito do álcool e ele estava apenas demonstrando o homem se fibra que, na verdade, era. Começava a entender o motivo da irmã ter se prendido durante tanto tempo em um relacionamento com ele.

— O que? Bernard, não! — Nia tentou intervir, mesmo sabendo que obter sucesso contra aquela cabeça seria praticamente impossível, principalmente quando estava sendo alimentada pelas súplicas da irmã caçula . Onde todos estariam com a cabeça, afinal? — Porra! Nós não podemos! Por favor! 

Ele nada respondeu, permitindo apenas que um costumeiro sorriso discreto de quem sabia qual era seu dever surgisse no canto de seus lábios. E, com um suspiro profundo, enfiou-se no meio da confusão de corpos e carros.

Dessa vez, Nia que precisou ser levada pela irmã para dentro da casa. A mais velha levou uma mão ao peito ao ouvir a porta se fechar atrás de si. Com o coração palpitando de forma desesperadora, soltou o ar que prendera sem querer durante o tumulto.

— Está machucada? — Perguntou, Olívia acenou a cabeça em sinal negativo como resposta. Os ombros de Nia tremeram, conforme um estranho conjunto de sentimentos desconhecidos invadiam seu corpo. A adrenalina estava indo embora, permitindo que compreendesse a gravidade da situação. Só se deu conta de que estava chorando ao ouvir os próprios soluços. — Nunca mais faça aquilo! — Vociferou, apontando para a porta. Viu a irmã abaixando a cabeça em um pedido mudo de desculpas. Liv sempre fora um tanto orgulhosa para pedir perdão por seus erros ou sequer admitir que estava errada. — Nunca mais me desobedeça, está ouvindo?! Eu sou sua irmã. Eu tenho o dobro da sua idade. Eu sei o que é melhor para você. — Respirou fundo, numa tentativa de recuperar o fôlego perdido. — Onde estava com a cabeça? Sabe o quanto me assustei?

— Me desculpe.

Nia soltou uma risada baixa, seca.

— Tome. — Ela entregou seu celular nas mãos da caçula. — Tente falar com nossos pais, pergunte se estão em segurança e diga que estamos bem. Eu vou atrás de Bernard, fique aqui.

Antes que Olívia pudesse abrir a boca para dizer o quão sem sentido era ir atrás do ex-namorado  após todo aquele discurso de “não podemos nos arriscar”, a porta tornou a ser aberta, e ela agradeceu silenciosamente aos céus ao ver que o médico havia conseguido ajudar o homem com a criança e voltar em segurança, com eles, para dentro de casa. Além disso, trazia uma gestante nos braços, colocando-a no chão assim que fechou a porta.

Não pôde conter seu desejo de sorrir.

O recém formado grupo de pessoas manteu-se quieto por alguns segundos incontáveis, cada um mergulhado no seu próprio mundo de medo, deixando que os sons de suas respirações descompassadas tomassem conta do ambiente. A falta de comunicação se tornava quase incômoda — ao menos para Olívia, que estava louca para começar a fazer perguntas e sanar as dúvidas que saltavam em seu cérebro — quando o silêncio fora rompido pela voz rouca do médico.  

— Vocês estão bem? — A mulher grávida foi a única a confirmar, mas os outros não disseram que não. Bernard encarou como um sim, já que pareciam todos fisicamente bem até onde a situação permitia. — Ótimo. Já eu… — Ele fechou os olhos com força, levando as mãos à cintura como se seu corpo precisasse de apoio. Respirou fundo. — Eu acho que preciso vomitar. Com licença.

Ele se retirou em passadas largas, enfiando-se em um dos corredores da casa. Casa que estava muito longe de ser pequena, por sinal. Olívia observou que apenas a sala de estar era equivalente a metade da casa em que vivia com os pais no Canadá, quando não estava visitando a irmã. Oh, como estariam as coisas no Canadá?  

— Vocês sabem o que está acontecendo? — A voz da gestante soou receosa. Ela encostou-se na parede, cruzando os braços em seguida. A vermelhidão presente em seu nariz e bochechas evidenciando todo o cansaço que sentia.

— Os casos de suicídios em massa na Rússia chegaram aqui. — Olívia respondeu, apontando para a televisão poucos segundos antes da mesma perder o sinal. — Meu nome é Olívia. Liv. — Forçou um sorriso amigável, mas logo percebeu que a outra parecia transtornada demais para fazer o mesmo. Talvez não fosse o momento certo para apresentações, afinal.

— Eu sou… — Ela suspirou, soltando o ar que prendera acidentalmente. Parecia precisar de um tempo em silêncio para lembrar do próprio nome. — Grace. Sou Grace. 

— Você está grávida. — Não foi uma pergunta, Liv apenas constata o óbvio. Não havia visto muitas mulheres grávidas na vida, e a sensação de que uma pessoa pode sair de dentro de outra a qualquer momento causava um leve desconforto.

— Sim. — confirmou, um leve sorriso carregado de ternura surgiu em seus lábios, uma mão sobre a barriga arredondada. O sorriso logo se desfez, e Grace mordeu o lábio inferior em um gesto nervoso. — Vamos morrer?

— Não. — Nia respondeu, prendendo os longos fios loiros em um coque no alto da cabeça, numa tentativa de dissipar a repentina onda de calor que possuía seu corpo. — Seja lá o que fez essas pessoas cometerem suicídio, está lá fora. Estaremos seguros aqui dentro.

— Acham que é algo no ar? Algum vírus? — Grace tornou a perguntar.

— É algo no céu. — O homem com a criança se manifestou pela primeira vez, apertando com força a garotinha entre seus braços. Ela estava quieta, o suficiente para passar a impressão de sono profundo se não fosse por seus grandes olhos castanhos completamente abertos. — Minha irmã estava dirigindo quando viu algo, e… Porra… — Ele comprimiu os lábios ao sentir que não conseguiria terminar a frase. Os outros apenas abaixaramo olhar. Não seria necessário.

— No céu? — Foi a vez de Olívia tomar a voz, seus olhos azuis fixados na criança em frente. Sentia pena daquela garotinha, parecia pequena demais para presenciar uma situação como aquela e conseguir sair sem nenhum dano psicológico. Lembrou-se de ter lido em algum lugar que experiências traumáticas vivenciadas durante a infância, em alguns casos, eram simplesmente apagadas com o tempo. Nunca torceu tanto para que algo fosse verdade. — Bernard nos disse algo sobre olhar para o chão, não foi, Nia?

— Olhar para cima, como estavam fazendo, seria o mesmo que suicídio — Bernard disse, e pelo susto que os outros tiveram ao ouvir sua voz, concluiu que ninguém havia reparado quando retornou sorrateiramente à sala. — Apesar de ser um homem da ciência, sei que estamos lidando com algo que vai além. Algo que quer e pode nos matar com, literalmente, um olhar. — Ele passou as mãos pelos cabelos escuros, bagunçando-os em um gesto nervoso. — Se não quiserem acabar como os outros lá fora, acho melhor começarem a cobrir as janelas.


Notas Finais


o segundo capítulo já tá pronto, vocês preferem que seja publicado amanhã, depois de amanhã (já dá um espaço legal e eu vou ter o terceiro adiantado) ou ainda hoje? digam pra mãe

btw, eu acho que vou ter q fazer um doc com os photoplayers... coloco nas notas finais do próximo :v


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...