História Apolínico - Capítulo 1


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Categorias EXO
Personagens D.O, Kai
Tags Kaido, Kaisoo, Mitologia Grega, Semideuses, Shortfic, Sidefic
Visualizações 24
Palavras 1.676
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Bishounen, Drama (Tragédia), Fantasia, Magia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


oi, oi, oi gente. enquanto escrevia os capítulos de 'ascendentes, me peguei plotando uma side-fic. serão cinco capítulos curtos, sem spoliers da outra história. espero que gostem e, façam uma boa leitura!
[quote de euzinha] o texto, provavelmente está cheio de pequenos errinhos, vai ser editado aos poucos. sz

Capítulo 1 - Do, filho de Apolo, e Kim, filho de Hermes


 

 

 

 

Quando Kim JongIn acordou, sentiu-se frio.

 

O relógio de cabeceira apontava displicentes duas horas. Até que o barulho irritante viesse, teria mais quatro horas de profundo sono. Isso se, o que não foi o caso, permanecesse ali. Calçadas as chinelas, o jovem saiu do quarto, disposto a vagar pelos corredores.

 

ChanYeol dormia com peso. Não percebeu a batida mais forte da porta, a exaustão de dias inteiros nas forjas sobre as costas. O moreno, apoiado contra a madeira, suspirou. Os calafrios subiam violentos pelas costas, nunca tendo antes invejado tanto o companheiro de quarto. 

 

Desperto, iniciou caminhada. Precisava respirar.

 

A cada cômodo por que passava, uma anotação mental pelos donos era feita: detrás da porta de carvalho, JongDae e JoonMyeon ressonavam, envoltos por incenso. A de cores mais escuras abrigava os aquários de MinSeok e as suculentas de YiXing. Assim seguia, com entradas que contavam um pouco da história de cada um dos semideuses, selando a noite.

 

Cada novo pensamento era acompanhado do piscar demorado dos olhos escuros. Naquele ritmo, poderia voltar logo aos sonhos.

Na curva que fez, uma mudança no padrão. A porta de cores mais claras e adornos de ouro jazia semiaberta, o cheiro de vinho, forte, machucava as narinas. Ardido. O garoto parou ali a frente, em uma tentativa de ouvir o que a fresta poderia dedurar. Dali, de dentro, o vento da madrugada continuava arrepiando sua pele, desprotegida e curiosa.

 

Sobre uma cama, ZiTao esparramava as pernas e braços, o cobertor escorria sobre uma poça de bebida. As garrafas esparramadas, caso ele pisasse em falso pela manhã, poderiam quebrar sobre os pés, feridas feias iam surgir. Em toda a bagunça de líquidos e tecidos, JongIn tinha o estômago enjoado. 

 

Por agora, aquela saída do quarto teria que ser suficiente.

 

O garoto iria embora, os efeitos da distração maiores agora. Seria acordado pelo grito estridente do colega, desatento demais para jogar fora o que tinha usado. Todos ririam do acontecido, mas dispostos a ajudá-lo a andar pelos arredores. 

 

Era uma boa perspectiva para um novo amanhã.

 

No entanto, seus olhos o traíram, focados na cama vazia e janela aberta ao fundo o quarto, o balanço das cortinas denunciando o problema do lugar.

 

Faltava alguém ali.

 



 

 

Coberto da forma que podia, tendo roubado uma camiseta de ChanYeol e suas meias gigantes, enrolado numa toalha, o filho de Hermes vasculhava o campo. A grama alta escondia as pedras que, sem querer, acertou, tampando evidências para onde o fugitivo teria ido. A velocidade com que andava, menor que o usual e, bem maior que a dos comunos, parecia insuficiente.

 

Não sabia ao certo o motivo pelo qual estava fazendo aquilo. Era certo e sabido que o sono o abandonou, mas não esperava por uma busca noturna. Queria apenas sair de onde estava, cansar o corpo e cair desmaiado no colchão. A exaustão que se impunha não era bem vinda, muito menos planejada.

 

Quem quer que encontrasse ali, com certeza, estaria devendo muito para si. Por quê? Também não sabia. Afinal, não tinha sido requisitado, agia por conta própria. Enxerido, como sempre foi.

 

As disposições da instituição eram enormes, feitas para testar seus estudantes. Naquele momento, mais do que em qualquer outro, JongIn sentia o ultraje daquelas dimensões. Das pistas de corrida aos lagos, eram quilômetros que o impediam de voltar para dentro e aquecer o corpo, que adormecia aos poucos.

 

Eram também esses metros que escondiam um aluno ausente de suas dependências.

 

O tempo também não era seu amigo. Os minutos passavam sem que estratégia de busca alguma nascesse. Bem poderia descobrir o nome do fujão pela manhã, descansado e faminto, à mesa com seus amigos. Mas alguma coisa em sua maldita consciência dizia que aquele não era o desenvolvimento correto daquele episódio, tão ímpar desde que chegara ali.

 

Dos meses que findaram, entre estudos e avanços de suas habilidades, conversas com iguais e brincadeiras com o Park, nome algum combinava com a atitude desesperada de sumir madrugada afora.

 

Entre rápidos ponderamentos sinceros consigo, a bem de toda verdade, não se via conversando com ninguém capaz daquilo. De algum modo, adotava aquele comportamento como sociopatia. E já não tinha estado anos demais com pessoas assim?

 

Estava perdido e, na sua perdição, notou que a brisa ora mudava de som. A forma com que acariciava seu rosto, entre intervalos curtos, era diferente: agressiva, rápida, insolente. Com medo. Por esse mínimo detalhe, a preguiça esvaia de si, a curiosidade tomando com força seu lugar.

 

O ar conversava consigo. Pedia socorro, em uma única direção. Atento aquele fio de mudança, orando pra que sua cama não esfriasse, o garoto correu com toda a força que tinha, desviando de galhos e troncos caídos. A floresta, robusta, erguia sua forma imponente a sua frente. Voltar tinha deixado de ser uma opção segundos atrás.

 


 

 

No meio de uma pequena clareira, entre carvalhos jovens e ressecados, folhagens mortas e poças d’água: era dali que o vento partia procurando ajudantes. Entre as sombras, JongIn apoiava-se exaustado em um tronco, escondido, o cascalho grosso ferindo as palmas das mãos. O suor pingava do queixo, molhava a terra e o improviso de um pijama.

 

Foi instintivo escorrer para o chão. Com as pernas esticadas na grama, ali baixa, os tecidos eram marcados de marrom e, rasgados levemente. A respiração descompassada movia seu peito sem ritmo, buscando fôlego, energia e, quiçá, motivos que ainda o mantivesse ali. Dar meia volta era tão atraente... Mas ainda, no coração esbaforido, batia alguma força maldita que o prendia ali, o fazia continuar naquela enrascada.

 

Se um resquício de juízo fosse percebido, JongIn tinha absoluta certeza que não hesitaria em se mandar dali.

 

Uma lebre marrom, esguia e selvagem, cheirava a ponta dos seus pés. O garoto apenas a observava, encantado com a confiança do pequeno animal, certo demais que não seria machucado. O par proeminente de dentes subia e descia na lã das meias, aumentando os rasgos já existentes.

 

As orelhas, compridas, antes baixas, ao alto foram de supetão. A criatura estava inquieta.

 

E antes mesmo que fosse capaz de saltar para longe dali, para a toca conhecida, uma flecha trespassou seu pescoço. JongIn, mais assustado que horrorizado, comprimiu um grito agudo, engolindo o pavor na garganta ressecada. O sangue gelou, o suor que caía era tão gélido quanto a madrugada. A sensação de vazio acertou em cheio sua alma.

 

Na sua frente, os olhos pequenos do animal jaziam sem vida. Agora, as meias estavam manchadas de sangue. Temendo um destino semelhante, o jovem não ousou olhar de onde aquela merda tinha vindo. Se antes tinha dúvidas da péssima ideia que foi ter ido ali, agora estava bem mais do que certo de sua idiotice.

 

Tinha ido ali para ser morto. Apenas. Ou ganhar traumas que o acompanhariam até a morte. Morte essa que ganharia ali.

 

Ele ainda tremia, desesperado, com as pernas repousadas em câimbras. JongIn sabia de seus limites para corre e, deliberadamente, tinha ignorado todos. Não sabia quanto tempo demoraria para voltar a andar sem dores, a ideia de permanência naquele lugar até o amanhecer tomava forma, sem impedimentos.

 

Frio, fome, dor e um possível assassino medieval eram os componentes agradáveis daquele fim de noite. O garoto, talvez, estava conhecendo o inferno.

 

No meio tempo em que choramingava pelo azar que teve ao sair do quarto e ponderava as possíveis rotas de fuga, sem que caísse de exaustão por aí, JongIn foi mais uma vez traído pelos seus olhos. Eles fixaram sobre a arma grudada à lebre, firme contra o solo. A lâmina estava escondida, mas o corpo fino reluzia acima do pobre animal.

 

Adornada com fios douradas e sóis minúsculos, onde os raios brilhavam como diamantes, a flecha findava em penas vermelhas. O dourado e o branco era mescla nos contornos de flores e animais. Tudo muito bem disposto, o que denunciava a qualidade dos materiais usados ali.

 

Ainda enquanto analisava o pedaço assassino à sua frente, outra igual surgiu, cravada em um seixo. JongIn, que nunca fora chegado às religiosidades de sua família, agora rezava a todos os santos para que o protegessem. Quem quer que estivesse por detrás daquela exímia pontaria, uma hora ou outra, o acertaria.

 

Era esse momento que o garoto não tinha a menor vontade de presenciar. No entanto, vislumbrava sua amada mãe de vestes pretas, chorando sobre um caixão vazio. Porque era mais do que óbvio que também seria desovado ali, desaparecido para o mundo.

 

Um lampejo de loucura alçou voo em sua mente. Já estava tão certo de seu final trágico e cruel, então o que impedia de ver seu alcoviteiro, que lhe dedaria à senhora das senhoras? A respiração nem mais se dava o luxo de normalizar, apenas ia e vinha com lentidão, sem barulhos. E se, em dois ‘tiros ainda tinha sido poupado, talvez uma chance era palpável.

 

Pobre menino fujão. JongIn desejava, do fundo de seu coração, que o mesmo não tivesse um fim como o seu. Que, talvez, voltado ao quarto sem ser percebido, ele estivesse dormindo, tranquilo.

 

A cabeça, cheia de fios grudados, virava com cuidado. O olhar ganhava novos horizontes, a clareira iluminada à sua frente. E, ao centro, se via um amontado de peixes e lebres, caças abatidas. O moreno seguia, erguendo o pescoço para cima, vislumbrando o luar enfeitando as copas menores, escondido nas maiores.

 

De pé, arco empunhado e com a aljava aos pés, um garoto de pele esbranquiçada preparava mais um golpe A sorte: apontava para a tangente de onde JongIn tentava esconder o medo avassalador no peito. Postura ereta, ombros bem abertos, dedos que quase acariciavam as penas da flecha; o garoto, literalmente, iluminava-se.

 

Caso ainda fosse possível, JongIn sentiu seu corpo gelar mais uma e mortal vez, pois, antes dos elegantes movimentos do outro findarem, o arco foi abaixado, a luz que dele emanava apagou.

 

Agora, os olhos tão escuros quantos os seus o encaravam. Impassíveis, a cabeça ainda na direção contrário. Apenas pupilas e íris, pregadas na sua figura encolhida. O filho de Hermes, tossindo de repente, desmaiou.

 

Quando Kim JongIn apagou, estranhamente, sentiu-se quente.

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


~
confesso que sou uma pessoa muito animada agora >.<.
até mais e um beijão a todos <3
~


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