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História Apostas de Fevereiro - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Façanhas


ROMANCES MENSAIS

LIVRO II – APOSTAS DE FEVEREIRO

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CAPÍTULO VI - FAÇANHAS

Kara estava completamente bêbada quando o Hawkeye fechou um pouco mais de duas horas da manhã. Ela ria e dançava sem se importar com nada. Nem mesmo parecia a mesma mulher contida que chorou inconsolavelmente pelo ex-namorado babaca. Eu me sentia culpado por não ter controlado mais a quantidade de álcool consumida pela loira naquela noite em plena terça-feira, mas ela precisava colocar para fora toda aquela dor e raiva. Nada melhor do que drinks e boas músicas para superar um relacionamento fracassado.

Caitlin se divertia com as caras e bocas que a professora de Literatura fazia a cada nova descoberta ou ao reconhecer uma das músicas que tocava na casa burlesca. Apesar de estar trabalhando na elaboração dos drinks, eu mantinha minha atenção em Kara, preocupado que ele fizesse alguma besteira como tirar a roupa, se jogar para cima de alguém comprometido ou desmaiar por estar bêbada demais.

- Pronto, Mon-El. Liberado. - Avisa Heather, a gerente provisória da Hawkeye. - Muito obrigada pela ajuda de hoje. Você facilitou muito a nossa vida ficando no bar enquanto Cait foi se apresentar.

- Você sabe que é sempre um prazer, Heath. Eu me divirto trabalhando aqui. - Confesso, sorrindo enquanto observo Kara dançar com Cait na pista de dança vazia e completamente suja. Ela com certeza precisava de um bom banho gelado se quisesse trabalhar pela manhã. - Heath, eu preciso levar aquela mocinha para casa. Vejo você amanhã.

- Claro. Obrigada mais uma vez pela ajuda. - Agradece Heather, abraçando-me com carinho. - Boa noite, Mon-El.

- Boa noite, Heath. - Respondo, separando-me da garota.

Cansado pela dupla jornada de trabalho, eu só queria um banho e minha cama. Eu ainda teria que acordar cedo para levar Holly a escola. Por isso, aproximo-me de Kara, torcendo para que a professora colaborasse comigo e soubesse me explicar onde ela mora. No entanto, pela forma nada convencional que Kara dançava, eu duvidava que ela soubesse até mesmo o nome dela. 

Ao notar a minha presença, a loira para de dançar e me encara sorrindo animada. Ela puxa Caitlin para perto e aponta para mim como se quisesse contar um segredo a minha colega de trabalho. Divertindo-se com as reações de Kara, a garota entra na onda, curiosa para saber o que a professora falaria.

- Esse cara bonito é muito estranho, você não acha? - Comenta Kara, sem quase conseguir parar em pé. Caitlin a segura e ri, concordando. - Ele é muito, muito, muito engraçado, mas você não pode contar para ele. Entendeu? Você não pode contar para ele.

- Tudo bem. Eu não vou contar para ele. - Afirma Caitlin, rindo. 

- Sabe, você é legal. Todo mundo aqui é tão legal! - Grita a garota, abraçando Caitlin. - Eu quero morar aqui. Ficar para sempre com vocês. Eu amo vocês.

- A gente também te ama. - Declara Caitlin, adorando aquele momento. 

Começo a rir do comportamento de Kara. Eu jamais imaginei que ela se soltaria tanto sobre o efeito de álcool. Isso me faz pensar o quanto essa linda mulher esconde dentro de si. O quanto ela se priva por medo.

- Não faz isso! - Kara briga comigo e eu a encaro confuso. 

- Não é para fazer o quê? - Pergunto, rindo. Eu estava completamente perdido sobre o que aquela maluca estava falando. 

- Para de sorrir! Não pode. - Ela se vira para Caitlin e coloca o dedo na boca dela, como sinal de que ela deveria ficar quieta. - Não pode contar para ele, mas o sorriso dele me faz mal.

- Por que o meu sorriso te faz mal? - Questiono, intrigado com o que Kara estava dizendo.

- Você contou para ele?! - Kara se vira alarmada para Caitlin que ri ainda mais. A professora se afasta de minha colega de trabalho e a encara com repreensão. - Você foi uma garota muito má. Eu confiei em você para guardar segredo! Por que fez isso comigo?

- Está bem, mocinha. Eu vou te levar para casa. Já está tarde e você precisa dormir para se recuperar e ir trabalhar amanhã. - Aviso, desistindo de conversar com Kara. 

- Mas eu não quero ir. - Resmunga a loira, voltando a abraçar Caitlin. - Eu quero ficar aqui com a minha nova amiga. 

- Você pode voltar sempre que quiser, Kara. Nós vamos amar passar um tempo com você. - Afirma Caitlin, dando um forte abraço em Kara. A jovem afasta a alcoolizada loira e sorri. - Agora eu tenho que ir trocar de roupa. Cuida bem dela, Mon-El.

- Pode deixar. - Respondo, ajudando Kara a se equilibrar. Caitlin deixa um beijo em minha bochecha e vai para o vestiário se trocar. Viro-me para a garota que quase não estava conseguindo se manter em pé. - Que tal me dizer seu endereço para te deixar em casa?

- Eu não quero ir para casa! - Exclama Kara como uma criança mimada. Ela então me encara com seriedade. - Mon-El...

- Sim? - Digo, imaginando qual seria sua próxima observação estranha.

- Você me acha bonita? - Pergunta a loira com seriedade. Era como se ela tivesse ficado sóbria por um momento.

- Você é uma das mulheres mais bonitas que eu já conheci em minha vida. - Afirmo com sinceridade. Ela é realmente muito atraente. Sem os óculos que usava quando nos encontramos pela primeira vez, era possível ver seus bonitos olhos azuis brihantes e curiosos, as maçãs das bochechas proeminente são adoráveis e a boca carnuda era bastante convidativa. - Se eu não fosse tão irresistível, eu me apaixonaria por você primeiro do que você se apaixonaria por mim. Mas vamos ser sinceros, isso é impossível. Eu sou incrível demais para você resistir aos meus encantos.

- Você é tão metido. - Resmunga e eu não consigo não rir ao ver como ela se assemelhava a uma criança naquele momento. - Se você me acha bonita, então eu posso muito bem fazer você se apaixonar por mim primeiro do que eu me apaixono, mesmo você sendo assim.

- Nós deveríamos apostar então? Iremos a encontros, mostrando quem nós realmente somos e quem se apaixonar primeiro vai ter que fazer a mais bonita e romântica declaração de amor que conseguir. - Brinco e ela me encara pensativa. - Agora senta um pouco aqui, que eu vou buscar algumas coisas para te levar para casa. 

Coloco Kara sentada em dos bancos do bar, deixando-a apoiada no balcão. Procuro pelo meu celular, carteira e o capacete extra que eu sei que Clint guarda em sua sala e volto para o salão da casa burlesca. Para a minha surpresa, a minha acompanhante estava dormindo despreocupadamete sobre o balcão. Aproximo-me da garota e a vejo ressonar baixinho em um sono profundo. 

Mesmo cansado e prevendo o trabalho ainda maior para descobrir o endereço da casa de Kara, acabo sorrindo pela forma desengonçada que ela dormia. Ela parecia estar em um sono tão confortável, que eu acabo desistindo de acordar a loira para descobrir onde ela mora. Olho para o capacete em minha mão e suspiro. Definitivamente não seria possível ir para casa de moto.

- Algum problema, Mon-El? - Pergunta Ethan, um dos seguranças da Hawkeye e um dos meus amigos de longa data. - Você está olhando há um bom tempo para a sua "amiga". Aconteceu alguma coisa?

- Sem as aspas, Ethan. Eu e ela somos mesmo só amigos. - Respondo, suspirando cansado. -Terei que deixar Scarlett aqui e ir para casa com Kara em um táxi. Posso deixar aqui dentro?

- Claro. - Concorda o segurança, sorrindo amigável. - Quer que eu chame o táxi enquanto você coloca a moto para dentro?

- Isso seria ótimo. - Afirmo e ele assente, pegando o celular em seu bolso. 

Enquanto Ethan tentava conseguir um táxi para nós, guardo minha moto no Hawkeye. Quando retorno para perto de Kara, ela ainda dormia como um bebê. Permaneço observando a loira dormir até que o segurança me avisa de que o taxista estava nos esperando na entrada. Para não acordar a garota, pego Kara no colo da melhor maneira que eu conseguia na posição que ela estava. Ethan abre a porta do carro para mim e coloco a professora no banco de trás.

- Obrigado, Ethan. Vejo você amanhã. - Despeço-me de meu amigo com um rápido abraço e entro no carro, sentando-me ao lado de Kara.

- Para onde deseja ir, senhor? - Pergunta o taxista, olhando pelo retrovisor do carro. 

Pondero para onde deveríamos ir. A verdade é que eu preferia deixar Kara em sua residência, mas eu não fazia ideia de onde ficava. Também não conheço ninguém que possa me passar essa informação, a menos que os alunos dela soubessem sobre isso. Levá-la para um hotel  e deixar um bilhete explicando o que aconteceu para a jovem professora parecia extremamente errado. Então, a única escolha que me resta é residência de minha família. Pelo menos lá eu tenho garantia de que ela ficará bem.

- Nós vamos para South Pennsylvania Street, 130. - Respondo e não demora muito para seguíssemos para casa.

Kara encosta sua cabeça em meu ombro e, completamente exausto pelo primeiro dia de minha nova rotina, acabo caindo no sono junto com a garota. Acordo assustado quando o carro para de frente ao nosso destino. Bocejo e encaro Kara, que apenas mudou de posição depois que eu me levantei de uma vez. Pago o taxista e saio do carro para pegar a loira no colo novamente.

Para facilitar nossa entrada, pego a chave da porta e retiro Kara de dentro do carro. Por sorte, a loira não pesava muito, então não tivermos problemas para entrar em casa. Tomando cuidado para não acordar as crianças, subo as escadas com cuidado e vou para o quarto que um dia foi dos meus pais e agora era provisoriamente meu.

Coloco Kara na cama e suspiro. O certo seria colocá-la debaixo de um chuveiro gelado para amenizar os efeitos do álcool, mas eu preferia deixá-la descansar e não dar motivos para Kara não confiar em mim. Por isso, tudo que faço é retirar os sapatos da loira e a minha jaqueta de couro para que ela ficasse mais a vontade. Desço para a cozinha, pego uma aspirina e um copo de água e levo para o quarto para que ela tome quando acordar.

Eu realmente esperava que ela não ficasse tão ruim pela manhã quanto eu acredito que ela provavelmente estará. E será ainda pior se ela se lembrar de todos os acontecimentos do dia anterior.

Assim que garanto que ela está confortável, pego um cobertor e um travesseiro antes de fechar a porta. Essa noite, eu dormirei no sofá da sala e que o novo dia traga mais esperança e forças para lidar com a minha assustadora realidade que é ser responsável por uma criança de três anos e um adolescente de quinze anos.




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