História Aposte O Meu Amor - Capítulo 5


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Categorias Seraph of the End (Owari no Seraph)
Personagens Ashuuramaru (Asura Tepes), Crowley Eusford, Ferid Bathory, Guren Ichinose, Krul Tepes, Kureto Hiiragi, Lacus Welt, Mahiru Hiiragi, Mikaela Hyakuya, Mitsuba Sangu, René Simm, Shihou Kimizuki, Shinoa Hiiragi, Shinya Hiiragi, Yoichi Saotome, Yuuichirou Hyakuya
Tags Mikaela, Mikaela X Yuuichirou, Mikayuu, Romance, Universo Alternativo, Yaoi, Yuuichirou, Yuuichirou X Mikaela
Visualizações 80
Palavras 4.819
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Famí­lia, Ficção Adolescente, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, chuchus <3
Finalmente a agonia causada pelo capítulo anterior chegou ao fim!
Algo me diz que a teimosia do Mika não chega muito longe rsrsrs
E temos um pequeno troco para o Lacus e do René, porque o Yuu não sairia perdendo no meu turno u.u
Ah, e estou postando agora porque eu já voltei às aulas. Estudo à noite, tenho estágio de manhã, etc etc.
Espero que apreciem!
Kisses :***

Capítulo 5 - Xeque-mate


Após o incidente, Yuuichirou bebeu lentamente o suco que Crowley lhe comprara, apesar de estar furioso com o amigo e ter o desejo de evita-lo. Foi deixado por ele diante da sala da direção, à espera do irmão, uma vez que precisava voltar à biblioteca.

Guren e Kureto faziam toda a parte burocrática da direção da escola, enquanto o diretor, propriamente dito, apenas resolvia questões emergenciais.  Ocasionalmente, os três responsáveis pelo setor se reuniam para discussões, e ao julgar pela porta fechada que o adolescente encontrou, essa era uma daquelas ocasiões.

Milagrosamente, Yuuichirou não fora convocado a comparecer na diretoria naquela semana, por brigar com um professor ou fazer escândalo na aula. Gostaria de não ter precisado ir ao lugar fatídico, que lhe despertava lembranças desagradáveis de sermões.

Faltavam alguns minutos para o intervalo do almoço do irmão, onde os dois poderiam desfrutar da refeição em casa, como faziam ocasionalmente. Era uma boa oportunidade para conversas.

Como já conhecia a sala de espera, cumprimentou a secretária da direção, Sayuri. Sem cerimônias, entrou no lugar e se estirou sobre uma poltrona dura. Estava ainda chateado e não queria conversar, embora a moça tenha lhe observado com certa preocupação.

- Está tudo bem, Yuu? – Ela perguntou, intrigada pelo silêncio incomum dele.

- Meu dia foi uma merda.

- O que houve?

Yuuichirou bufou e se afundou na poltrona. Não queria ser rude, mas dadas as circunstâncias, respostas evasivas se faziam necessárias.

- Vou esperar o retardado do Guren.

- Ele está em reunião agora, receio que demore um pouco...  – Ela já consultava o relógio, para obter uma informação mais precisa.

- Não tem problema.

Ela entendeu que o rapaz realmente não queria conversar, e voltou a seu trabalho. Enquanto isso, Yuuichirou pegou seu celular para contar o ocorrido a Shinoa e Yoichi, que tentaram lhe passar apoio.

Como alertado por Sayuri, a reunião de Guren demorou um pouco para acabar. Quando ele finalmente saiu, Kureto ainda reclamava com ele, sobre o trabalho, no corredor.  Ao ver o irmão, Yuuichirou se retirou da sala de espera e foi até ele.

- Oh, imbecYuu. – Guren estranhou a proatividade do irmão em procura-lo, mas imaginou que o adolescente apenas estivesse faminto e fora lhe pressionar. - Veio me atormentar até no trabalho?

- Não estou para gracinhas, babaca.

- Hm...almoço em casa?

O jovem de olhos verdes assentiu. Aguardou o mais velho se despedir de todos os colegas de trabalho, e se dirigiram ao carro esportivo de Guren. Após dada a partida, foram para casa.

O caminho estava anormalmente silencioso, sem provocações ou piadas. Guren já sabia que algo ruim havia se passado com o outro por causa disso.

Aquela criatura escandalosa apenas fazia silêncio quando estava na fossa.

- Vai falar de uma vez ou vou ter que ficar perguntando o que aconteceu, Yuu? - Sugeriu, percebendo que era justamente isso que Yuuichirou desejava.

- Eu queria falar com você sobre a aposta. – Estava incerto sobre como deveria abordar o assunto fatídico. - Eu conheci o cara que a Mahiru falou.

Guren se pôs em silêncio, esperando que Yuuichirou prosseguisse. Como isso não aconteceu, decidiu insistir.

- Foi assim tão ruim?

- Me desculpe, Guren. – Olhava para o lado de fora, evitando contato visual.

- Pelo que? Pare de fazer suspense e conte de uma vez!

- Eu sinto muito, mas não posso ganhar a aposta!

O mais velho ouviu alguns suspiros sufocados vindos do outro. Yuuichirou cobriu o rosto com a mão, sem condições de encara-lo.

- Não precisa disso tudo, garoto. – O mais velho esperou um semáforo fechado para apoiar suavemente a mão no ombro do outro, lhe transmitindo conforto. - Não tem problema.

- Como não tem problema?! Guren, você é idiota?! E a sua reputação com o diretor? A Mahiru vai queimar o seu filme! – O mais jovem explodiu, deixando todas suas exasperações se exteriorizarem.

- Yuu, se acalme. Eu tenho tudo sob controle.

- Eu preciso fazer alguma coisa! Ela vai te expor!

- Já mandei você se acalmar! Pare de gritar, inferno!

O adolescente finalmente conseguiu absorver um pouco das palavras de Guren. Ele realmente não parecia aflito, apenas um pouco irritado.

- Não está decepcionado? – Questionou, confuso.

- Por que eu estaria? Você nunca foi bom em verdade ou desafio mesmo!

Um pequeno sorriso se abriu na feição tristonha de Yuuichirou. Guren não estava abalado com aquilo, tampouco dando grandes atenções a seu fracasso.

- O que ele fez? – O mais velho estava mais preocupado com a reação do irmão do que com as próprias implicações. - Você não costuma se importar com o que as pessoas dizem a seu respeito.

Yuuichirou ponderou. O outro estava certo, ele normalmente era uma pessoa bastante indiferente quanto a opiniões alheias.

- Foi humilhante demais, Guren. – O adolescente explicou. – Não que ninguém nunca tenha me dito aquele tipo de coisa, mas...dessa vez doeu. Eu não entendo o motivo...

- Você se envolveu demais?

A pergunta, aparentemente desconexa, fez Yuuichirou refletir. Será que sua resposta àquela situação foi tão atípica por conta de uma carga emocional muito grande envolvida?

- C-como assim? – Quis confirmar se era esse o ponto de Guren, corando com a perspicácia do mais velho.

- Você se esqueceu que era tudo por causa de uma aposta, não foi?

- Por que acha isso?

- Porque é a sua cara cair de encantos pela única pessoa por quem não poderia.

O mais velho abriu um sorriso triunfante ao ver o irmão emburrado, como uma criança que foi flagrada roubando doces da mesa de aniversário antes de cantar parabéns. Sabia que estava certo.

- O cara tinha de atraente o que tinha de difícil? – O sorriso de Guren se abrandou, dando lugar a uma feição mais compreensiva.

- Como você sabe? - Yuuichirou corou ao lembrar-se do quanto Mikaela era atraente.

- Esse é o estilo da Mahiru.

- Ela escolheu justamente esse cara para que eu me magoasse, não é?

- Exatamente.

O rapaz de olhos verdes respirou fundo. Estava tão chateado por ter caído na armadilha de Mahiru, não ter ajudado o seu irmão e, ainda por cima, ter recebido uma recusa daquele nível!

- Era exatamente isso que eu temia. – Guren comentou, deixando certa revolta transparecer.

- Hm? Isso o que?

- Você assim, todo na merda por causa desse vampiro, ou seja lá o que ele for.

- Eu não estou na merda, Guren!

- Me engana que eu gosto.

- Eu só estou frustrado, e isso é normal! Eu levei um pé na bunda, cara! Não sou igual a você que não tem bunda para levar um chute nela!

- Deixe a minha bunda fora disso, fedelho!

- Que bunda, Guren? Você é uma tábua!

- Pelo menos eu sou esperto.

- Não...não...não estamos falando disso!

Yuuichirou cruzou os braços, contrariado. O mais velho estava ligeiramente aliviado, afinal já conseguira fazer o garoto brigar com ele. Era um bom começo.

- Talvez você esteja chateado demais para perceber, mas foi melhor assim. – Ignorando a discussão anterior, Guren esboçou seu pensamento.

As palavras do irmão trouxeram outra reflexão para Yuuichirou. Sabia que Guren tinha razão, afinal seria um grande problema lidar com o fator aposta num relacionamento.

Se Mikaela tivesse gostado dele e os dois começassem um romance, o loiro ficaria arrasado quando soubesse que a aproximação dos dois se deu por um mero jogo de verdade ou desafio que evoluiu para algo maior.

E imaginar Lacus e René lhe infernizando constantemente era desesperador. Certamente eles reagiram de forma bem pior se os eventos tivessem saído conforme seus planos, e fosse o vampiro que estivesse magoado ao invés dele.

Gostaria de encontrar os dois mais uma vez, apenas para acertar as coisas, mas pensar em Mikaela fazia seu peito doer. Havia um conflito de emoções.

- Tem razão. – Acabou por concordar, sentindo-se menos arrasado.

- De qualquer forma, já que ele não sabe da aposta, pense que quem saiu perdendo foi ele, e não você.

- É...

- E obrigado por fazer isso por mim, Yuu.

- Espera aí, o que?! Você disse algo legal para mim?

- Eu não disse nada. Está ouvindo coisas, pirralho.

Yuuichirou abriu um sorriso confortado. Seu irmão era um cara legal, apesar de tudo.

Ficou radiante ao ver que estavam perto de casa e que logo almoçariam. A fome já era grande.

 

 *****

 

Após a refeição, Guren e seu irmão retornaram à escola. O mais velho precisava voltar ao trabalho, após seu intervalo de almoço, e o adolescente precisava ir à aula.

O carro foi deixado num estacionamento próximo, e os dois andaram pacificamente até a escola. No trajeto, conversaram sobre um filme muito interessante que estava em cartaz no cinema.

Na hora da despedida, Yuuichirou parecia nem ter passado por uma situação terrível naquele mesmo dia. Já estava dizendo as coisas bizarras de sempre.

Guren aproveitou a calmaria para irrita-lo, bagunçando o cabelo do menor da forma fraternal que ele tanto reclamava mas que, todos sabiam, no fundo gostava.

- Vá para a aula logo, imbecYuu. – Friccionou as madeixas pretas do mais jovem. - Se eu descobrir que matou aula para chorar junto com aquela pirralhada, você vai ficar de castigo!

- Cala a boca, Guren! Castigo é para crianças!

O mais velho riu brevemente, deixou o outro descabelado e com uma feição de poucos amigos, e se dirigiu à sua sala. Ouviu uma exclamação do outro no meio do caminho.

- Babaca!

Guren sacudiu a cabeça, feliz pelo irmão. Estava aliviado por ele não precisar se estender numa mentira por sua causa. Sabia que Yuuichirou era uma pessoa muito sincera e que isso o incomodaria.

Após as mágoas serem superadas, sabia que ficaria tudo bem.

- É um bom garoto. – Pensou alto, entrando em sua sala.

 

*****

 

Shinoa e Yoichi escutaram a história do amigo pacientemente durante o intervalo muito mais que bem vindo, haja vista as aulas maçantes que tiveram naquele dia. Yuuichirou lhes narrou detalhadamente todos os acontecimentos desde que vira Mikaela pela primeira vez até a partida dele da biblioteca.

- E foi isso que aconteceu. – Explicou, suspirando ao final.

A garota ponderou sobre as palavras de Yuuichirou. Concordava com Guren que ele se envolvera demais naquela história.

Era fácil entender o motivo: Yuuichirou era uma pessoa bastante emotiva, que não costumava racionalizar absolutamente nada quando o assunto era sentimentos. E, além disso, Shinoa desconfiava que o amigo não tinha experiência alguma no âmbito amoroso, e a típica curiosidade adolescente, potencializada pelos hormônios, estava acentuando sua reação ante a possibilidade de ter um envolvimento com um rapaz lindo e misterioso.

Já Yoichi, parecia mais arrasado que o próprio Yuuichirou. Começou a chorar de indignação pela forma que seu amigo fora tratado. Ele era uma pessoa muito boa, não merecia passar por tal coisa!

- Ah, Yoichi, não fique assim... – O adolescente de olhos verdes acudiu o amigo, que tinha lágrimas nos cantos dos olhos. Era irônico: ele que havia sofrido tudo e seu amigo que precisava ser confortado.

- Eu não acredito que trataram você desse jeito, Yuu-kun! – Yoichi o abraçou, inconformado pela recusa nada sutil recebido pelo outro, uma pessoa tão carinhosa.

- Não chore, eu estou bem.

- Eles foram tão maus!

 O adolescente de cabelos castanhos já estava molhando o uniforme do amigo com lágrimas e secreções de seu nariz. Yuuichirou o afastou, não muito educadamente, para não acabar todo grudento até o fim da tarde.

- Sabe, o Guren me ajudou a ver o lado bom disso tudo. – Tentou acalmar Yoichi, antes que fosse abraçado novamente por ele.

- T-tem um lado bom?

- Lógico! Imagina que confusão seria se eu e aquele cara acabássemos juntos e, depois de tudo, eu precisasse explicar a aposta, e os amigos deles viessem tirar satisfação? Tenho certeza que eles seriam muitos piores!

- Olhando por esse ângulo...

Yoichi se colocou para pensar, enquanto Shinoa tinha uma expressão mais firme, de uma ideia mais consolidada sobre o assunto. Queria perguntar algo ao amigo.

- Yuu-san... – A garota interrompeu os outros dois, que pareciam entrar num consenso de que fora melhor daquela forma.

- Sim, Shinoa? – Yuuichirou estranhou a preocupação que percebeu nela.

- O que você pretende fazer sobre isso?

- Como assim?

- Você tinha deixado de fazer tudo isso só por causa da aposta. Realmente está tudo acabado?

- Eu estava mesmo ficando interessado no cara, mas ele disse com todas as letras que não quer o meu amor, Shinoa! O que eu posso fazer, então?

A garota entendeu os sentimentos de Yuuichirou. Ele não queria mais saber daquela história. Estava irritado e, principalmente, esgotado com o rumo que as coisas tomaram.

Respeitaria o posicionamento dele, embora o fora icônico pudesse lhe render algumas boas piadas futuramente.

- E você se entendeu com o Crowley-kun? – Yoichi recordou-se de outro envolvido na trama.

- Ele me pagou um suco, mas eu estava com mais vontade de socar goela abaixo nele do que beber. – O amigo deu de ombros.

Os três acabaram rindo do comentário. Shinoa e Yuuichirou não levaram nada para comer no intervalo, enquanto Yoichi estava com o seu potinho de torradas cuidadosamente preparadas por sua irmã mais velha.

Estavam sentados em uma região vazia do pátio da escola, numa mesa reclusa. Aquela localidade só era movimentada graças à proximidade com as quadras, porém naquele horário de intervalo, em que ninguém estava treinando ou tendo aula, o isolamento era pleno.

Enquanto degustava seu lanche, Yoichi percebeu os olhos de Shinoa se iluminarem. Ela se lembrou de algo interessante, pelo que deduziu.

- Vocês souberam da festa à fantasia da escola? – A garota perguntou, entusiasmada.

- Confraternização idiota. – Yuuichirou revirou os olhos.

- Parece que será divertida! – Yoichi partilhava da empolgação da amiga. - Eu vou vestido de Frodo!

- Quer tanto assim que o Kimizuki te dê um anel de compromisso, Yoichi-san? – Shinoa debochou.

Na verdade, depois da revelação dos sentimentos de Yoichi, ela vinha provocando o amigo com qualquer besteira que pudesse ser associado ao punk de óculos, por menor que fosse.

- Shinoa, pare de dizer essas coisas! Sabe que eu tenho vergonha! –Yoichi escondeu o rosto com as mãos.

- Ah, você é tão possessivo com o seu namorado que não se pode falar dele? Os quietinhos são mesmo os piores! – Ela continuou com a sua pequena tortura jocosa.

- P-por favor, pare de falar isso! Ele não é o meu namorado...

-Então é apenas sexo sem compromisso? Você apenas oferece seu Precioso para ele?

- SHINOA!

Yoichi entrou numa crise de asma e teve que recorrer ao auxílio de sua bombinha, o que só fez Shinoa rir ainda mais. Quando ela finalmente cansou de atormenta-lo, pensou em algo mais engraçado ainda.

- E você vai fantasiado de que, Yuu-san? – Ela abriu um sorriso de pura zombaria.

- Por que está me perguntando? Você já tem alguma ideia do que vai vestir?

- Não! Mas você parece ter!

- E eu tenho mesmo.

O sorriso que ela abriu foi gigantesco. Zoaria o amigo por toda a eternidade se seu palpite estivesse certo.

- Vai caçar titãs? – Continuou a sua brincadeira, com absoluta certeza que Yuuichirou perguntaria como ela sabia.

- Do que você está falando?

- Ah, não vai nem um titãzinho aí, Yuu-san?

- Qual é a sua? – Yuuichirou encarou a amiga com uma expressão de puro tédio. - Eu realmente não sei do que você está falando. Vou de Ben 10 clássico!

Por essa ninguém esperava. Shinoa arregalou os olhos, e ficou mais satisfeita ainda. Yuuichirou era genial para bobagens.

- A história começou quando um relógio esquisito

Pulou no pulso dele vindo lá do infinito...

Os dois riram quando Yoichi começou a cantar a musiquinha nostálgica da apresentação. Yuuichirou fez uma pequena dancinha em seu lugar, sacudindo o seu corpo no ritmo da cantoria do outro.

Shinoa estava apreciando aquele clima mais leve na mesa. Pareciam ter se esquecido de todos os problemas momentaneamente...

 E como toda calmaria precede uma tempestade, ela se sentiu observada por duas figuras que desconhecia.

O estilo incomum e os coturnos não escondiam que tratavam-se de góticos. A percepção imediatamente preocupou-a.

- Yuu-san... – Ela cutucou o amigo com o cotovelo.

- Não enche, Shinoa! – O garoto de olhos verdes estava demasiadamente entretido com a música para lhe dar atenção. - E agora com poderes e com eles faz bonito...

- Conhece aqueles caras que estão olhando para cá?

O tom de desagrado de Shinoa fez Yuuichirou despertar de seu momento de descontração e procurar nos arredores as figuras que incomodaram sua amiga. E não gostou nada de quem eram.

Talvez tivesse a chance de saciar sua vontade de vê-los uma última vez para acertar as contas...

Sem raciocinar sobre o que estava fazendo, o garoto se levantou, tomou o potinho de Yoichi, sem a devida permissão para tanto, e arremessou-o naquela direção.

- Sumam daqui, idiotas! – Ordenou, enquanto observava a rápida trajetória do objeto no ar.

Sua mira era boa, assim como os reflexos de Lacus. Ele pegou o potinho e abriu um sorriso sádico para Yuuichirou.

- O potinho da minha irmã! – Yoichi sentiu um desespero digno de um cataclismo quando finalmente compreendeu o que acontecera. - Ela vai ficar furiosa se eu perder!

Lacus cochichou algo para René, que tinha a expressão inerte que lhe era tão característica. Estavam apenas os dois. Após a rápida comunicação, os dois passaram a caminhar na direção da mesa em que os três amigos estavam.

- S-será que eles querem brigar? – O garoto de cabelos castanhos se exasperou, levantando-se também.

Shinoa acabou fazendo o mesmo, apenas para não ficar esquisito seus dois amigos em pé e somente ela sentada.

- Que bom! – Já Yuuichirou, com um enorme sorriso de vingança, estralou o punho com a mão. - Eu estava mesmo precisando disso!

Os dois vampiros se aproximaram dos menores tranquilamente, como se a possibilidade de serem socados ali mesmo não existisse. O de cabelos azuis sorria suavemente, enquanto o outro analisava os amigos de Yuuichirou.

Quando o olhar de René cruzou o de Yoichi, o garoto de cabelos castanhos engoliu em seco. O olhar lançado pelo moreno chamou a atenção de Lacus, que acabou por olhar o adolescente tímido também.

- D-desculpe, mas isso é meu. – Yoichi, tirando coragem de sabe-se lá de onde, apontou para o potinho que Lacus carregava sob o braço.

- Não é mais.

Abriu um sorriso zombeteiro para o menor, que olhou para os próprios pés com uma expressão triste e desesperada. Ele queria enfrentar o vampiro, mas não tinha coragem. Felizmente, havia bem ao seu lado alguém que tinha...se bem que não era mais do que a obrigação de Yuuichirou, afinal fora ele mesmo a permitir que o pertence do amigo chegasse às mãos dele.

- Devolva isso! – Sem hesitação, arrancou o potinho do domínio de Lacus, que não teve tempo de reagir.

- Ah, não sabe brincar? – Resmungou, fingindo chateação ao ver Yoichi radiante por ter seu objeto de volta, entregue pelo amigo.

- Vieram acertar as contas ou não? – Yuuichirou se projetou na direção dos dois, com sua típica postura de galo de briga. - Eu não tenho o dia todo para esperar que vocês se decidam!

- Relaxa, estamos esperando o Mika. Resolvemos dar uma passada aqui só para provocar mesmo.

- E deduzimos que você estudasse à tarde, já que seu estágio é pela manhã. – René acrescentou.

Yuuichirou encarou os dois com um olhar genuinamente entediado. Para as pessoas que o fizerem se sentir como se não fosse nada, eles lhe davam realmente muita importância.

A típica contrariedade de idiotas.

- Estão sabendo demais de mim! Por que não cuidam das suas vidas?

Após sua indagação, os outros dois pareceram vacilar. Não tinham desculpas.

Para a felicidade dos vampiros, aquele por quem aguardavam surgiu nas proximidades. Mikaela os avistou imediatamente, e foi a passos curtos e arrastados até eles. Nem se atentou a quem mais estava ali, uma vez que nunca se importava com quem havia por perto. Ignorava a todos.

- Mandei vocês ficarem num lugar visível. – Reclamou, lançando um olhar frio aos outros dois.

- Mudança de planos! Viemos nos divertir um pouco! – Lacus apontou para Yuuichirou com o polegar. - Olha quem arremessou um potinho n’a gente, Mika!

O loiro direcionou seu olhar, relutantemente, para Yuuichirou. Seus olhos se arregalaram, como se não esperasse encontra-lo.

- Estamos em desvantagem, não dá mais para brigar. – O rapaz de olhos verdes pontuou, sem permitir que seu abalo pela chegada de Mikaela fosse percebido. – Vocês estão em três, e só dois do meu grupo lutam, contando comigo. Ou um de vocês se manda ou não vou nem me dar ao trabalho de continuar irritado.

- Sua amiguinha não sabe bater? – Lacus cruzou os braços, contrafeito, mas sem perder a piada.

- Quem não luta nada é o Yoichi. A Shinoa bate melhor do que eu!

René sacudiu os ombros, indiferente. O loiro observava tudo no mais absoluto silêncio, como se estivesse apenas esperando o melhor momento para ir embora sem ser notado.

Notou então Shinoa se inclinar na direção de Yuuichirou. A garota cochichou algo no ouvido dele, que Mikaela gostaria de ter escutado. O que não gostou foi da forma que os dois se aproximaram. Lhe despertou uma raiva cuja origem ele desconhecia.

- É ele? – Foi o que Shinoa sussurrou no ouvido do amigo.

Yuuichirou virou o rosto, como se confirmasse a pergunta de Shinoa e desprezasse o vampiro ao mesmo tempo. Tentou demonstrar desinteresse.

- E daí que é ele? Não quero mais saber dele nem pintado de ouro! – Disse, num volume bastante alto, para que Mikaela ouvisse.

- Pintado de ouro? Que bem pensado, Yuu-san! – Ela se animou imediatamente, deixando todos os presentes completamente perdidos. - Isso me deu uma ideia de fantasia!

- Ah. Legal.

Depois daquela súbita mudança no clima do encontro nada amigável, mais ninguém estava no tino para brigas. Lacus e René fecharam a expressão, e adquiriram o semblante de quem não deveria ter levantado da cama. Já Mikaela, sem jeito, não conseguia desgrudar seus olhos de Yuuichirou, que prontamente notou seu olhar envergonhado, mas firme.

- O que foi? Quer uma foto, idiota?!?

Mikaela desviou o olhar, constrangido. Ele estava agindo de maneira muito suspeita, e até mesmo Yuuichirou, que o conhecia pouco, percebeu isso. Lacus e René chegavam a ficar preocupados com aquele comportamento.

- Tem algo errado, Mika? – O de cabelos azuis ousou perguntar.

Não obteve resposta de imediato. Seu amigo parecia ponderar sobre muitas coisas, como se estivesse sobrecarregado.

- Eu preciso ir. - O loiro finalmente se manifestou.

Sem mais considerações, deu as costas e partiu, sem deixar aos outros tempo para questionamentos. Lacus e René se entreolharam, perplexos.

- Mas que merda deu no Mika? – O moreno cruzou os braços, vendo o amigo sumir de seu campo visual.

- Isso é tudo culpa dele! – Indiscreto, Lacus apontou para Yuuichirou.

- Minha?!? Mas o que eu fiz? – O acusado se ofendeu. Eles que lhe faziam coisas imperdoáveis e ele que ainda era culpado?

- Você bagunçou a cabeça do nosso amigo!

- Não me venha com essa! Ele me odeia! Vocês sabem disso!

A certeza que existia no olhar de Yuuichirou se chocou com o receio dos outros dois. O menor amenizou seu semblante, se perguntando se tinha algo que ele não sabia acontecendo.

- Ele me odeia, não é?

- Odeia tanto que tivemos um trabalhão para convencê-lo a te dizer aquelas coisas ontem. – René esclareceu, recebendo uma cotovelada de Lacus.

- René, vamos embora antes que você abra a sua boca de novo. – Este arrastou o outro para longe.

O trio remanescente tentou processar a súbita partida. Os vampiros tinham uma estranha de mania de saírem repentinamente de perto, como se descobrissem algo radioativo e precisassem fugir.

- Isso foi estranho... – Foi Yoichi a quebrar o silêncio, abraçando seu potinho.

- Hm...estou sentindo cheiro de continuação no ar! – Shinoa sorriu. Se Yoichi pensou o mesmo que ela, consideraria aquilo verdade até o fim do mundo.

- Vai... – Yuuichirou estava corado e nem sabia o motivo, mas isso já lhe causou confusão o suficiente para não articular um insulto coerente à amiga. - Vai assoar o nariz, Shinoa!

Ela riu do embaraço do rapaz, que não sabia o que fazer para se recompor. Era evidente que aquilo estava muito longe de acabar.

O sinal do término do intervalo soou, indicando que era hora do retorno à sala de aula. De qualquer forma, nada do que estudariam entraria na cabeça de Yuuichirou.

O que estava acontecendo?

 

*****

 

No dia seguinte, chegando ao estágio, Yuuichirou nem se deu ao trabalho de responder o “bom dia” de Crowley e já se dirigiu à sala de inventários. Ainda estava bastante irritado com ele.

Passou a manhã toda verificando os livros mais antigos. Até ousou tentar uma restauração da capa de um, mas desistiu ao concluir que não era divertido como pensara anteriormente.

A diferença no comportamento de Mikaela de sua recusa, de manhã, para sua fuga intimidada, à tarde, frustrava o adolescente. Na dúvida, culpou Crowley por tudo.

Do lado de fora, o ruivo lia sobre as Cruzadas, completamente em paz pelo silêncio e falta de movimento na biblioteca. Com a internet, eram poucos os estudantes que ainda se interessavam por livros físicos e que exigiam certa responsabilidade ao serem portados.

Para a sua infelicidade, um estudante chegou. Era horário da saída, e o ruivo imediatamente estranhou. Só havia um seleto grupo que gostava de frequentar a biblioteca em tais condições. Ergueu o olhar para recepcionar aquele estudante, e imediatamente seu cérebro entrou em pane ao ver de quem se tratava.

- Você?

A surpresa e a curiosidade se misturaram em sua voz. Seu sorriso inabalável se fez ausente, dando lugar a uma expressão de pura mortificação por ver ninguém mais e ninguém menos que Mikaela diante dele. Crowley teve a impressão de vê-lo corar.

 - O cara do besouro está aqui? – O loiro fora objetivo, desconfortável pela reação alheia.

O funcionário da biblioteca ficou estático. O que o vampiro poderia querer com o garoto cujos sentimentos ele destroçara no dia anterior?

- Eu quero me desculpar com ele. – Mikaela completou, desviando os olhos azuis para o lado, sem condições de lidar com o sorriso vingativo que Crowley esboçou.

Aquilo estava ficando interessante.

Os dois se encararam longamente após a iniciativa firme de Mikaela. Havia olheiras adornando a feição dele. O ruivo deduziu que o jovem não dormira direito, remoendo lembranças do dia anterior.

Conhecia bem aquela atitude: ele se sentia culpado. Provavelmente, havia desistido de lutar contra si mesmo, no que diz respeito a Yuuichirou. Finalmente aceitara que nutria algum sentimento pelo rapaz, embora os dois fossem completamente diferentes.

- Onde posso falar com ele? – O mais jovem estava perdendo a paciência com o silêncio do outro.

Crowley fechou um pouco sua expressão, semicerrando os olhos, porém sem condições de omitir o seu sorriso habitual. Voltou seu olhar às páginas de seu livro e esticou as pernas torneadas sobre o balcão, fazendo o outro recuar dois passos para trás.

- Não pode. – O ruivo finalmente respondeu. Ele queria fazer o loiro implorar, ou chegar o mais próximo possível disso.

- Por que não? – Mikaela franziu o cenho, insatisfeito.

- Porque eu não vou permitir. O que você fez não tem perdão.

Mikaela estava contando até mil para não começar uma briga séria ali mesmo. O pior era que, racionalmente, concordava com o outro.

Nem ele se perdoava pelo que havia feito...mas precisava tentar se desculpar!

- Não estou pedindo a sua permissão! – Bradou para Crowley, que levantou uma sobrancelha ante a sua explosão. - E se o que eu fiz não tem perdão, quero ouvir isso da boca dele! E nada disso não lhe diz respeito!

- Meu amigo me diz respeito.

- A mim também! Então pare de me atrapalhar e deixe que eu me desculpe com ele! – A voz de Mikaela se elevou exponencialmente.

Crowley gostou do tom furioso do outro, e principalmente das palavras ouvidas. Mikaela se importava de verdade, e estava mesmo desesperado para conversar com Yuuichirou.

- O peso na consciência está tão terrível assim? – Sorriu, debochado, tirando as pernas do balcão e se colocando em pé, disposto a acompanhar o loiro.

- Calado.

- Está bem! Vamos aliviar a sua culpa!

O olhar frio e impassível de Mikaela retornou, deixando a feição furiosa para trás, apesar da provocação. Ele acompanhou o adulto em silêncio, sem nada a acrescentar, embora estivesse preocupado.

Não tinha ideia de como Yuuichirou reagiria...

Este cantarolava uma ou outra música, enquanto organizava os livros na sala de inventários. A tarefa era extremamente entediante, no entanto a reclusão o fazia sentir-se em paz. Estava sendo de grande ajuda para pensar nos acontecimentos recentes.

O ambiente também contribuía, sem o seu conhecimento, para torna-lo alheio a quem estava do outro lado da parede.


Notas Finais


Pega de jeito o cara do besouro, Mika rsrsrs
Yoichi asmático = uma das melhores coisas que já inventei xD
PS: adoro o Guren


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