História Aprendendo a Amar - Capítulo 2


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Categorias Jessica Capshaw, Suits
Personagens Personagens Originais
Tags Capmirez, Deckson, Jessicapearson, Suits
Visualizações 90
Palavras 4.915
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Ficção, Hentai, LGBT, Policial, Romance e Novela, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Mais um capítulo pra vcs!
Eu tenho os cinco primeiros capítulos prontos, logo logo posto o resto, tá? ;)

Capítulo 2 - Is that a "yes"?


As chaves balançam excessivamente se chocando umas nas outras e irritando a mulher de cabelos curtos, que tenta, já sem nenhuma paciência, abrir a porta de sua casa. Ela solta uma lufada de ar atrás da outra e gira a chave na fechadura com raiva. Mas não do fato de ter sido difícil enfiar o metal no buraco, e sim pelo motivo de isso ter acontecido.

Decker está irritada consigo mesma, com a maneira atrapalhada que agiu quando teve que falar de sua noite com Jessica para suas amigas que foi encontrar numa cafeteria. Está irritada pelo fato de que não consegue convencer nem a si mesma do que dissera a Capshaw e Ramírez: que claro que ela e Jessica nunca mais voltariam a ficar juntas porque a advogada tem um namorado, está na cidade apenas à trabalho, elas são apenas amigas, e... como insinuara Pearson de maneira a magoar a morena, ela não era mulher de entrar em relacionamentos.

É isso que a irrita, que fez sua mão tremer, e consequentemente dificultou a abertura da porta.

Mas ela finalmente consegue abri-la.

Soltando uma longa respiração pela boca ela põe seus pés para dentro de casa e bate a porta com força atrás de si. Interpretou a tarde inteira estar bem e ser a mesma Emily alto astral e despreocupada de tudo de sempre, que agora tudo o que ela quer é poder liberar todos os sentimentos frustrados, presos dentro de si.

– Imbecil! – Esbraveja, jogando sua bolsa em cima do sofá. É a imagem da advogada que está em sua cabeça agora. É a ela que acaba de xingar. – Você não tinha o direito de fazer eu me apaixonar por você de novo! – Emily fala, mirando o estofado cinza como se ele fosse Pearson.

Por um momento ela sente uma vontade imensa de ir na cozinha, pegar a faca mais amolada que tiver, e esfaquear todo o móvel. Apenas pelo fato de ele ter sido cenário de um dos melhores momentos de sua vida, que acabou em mais uma rachadura em seu coração. Mas não o faz. Apenas fecha os olhos, toma uma respiração profunda para recuperar o equilíbrio, e rapidamente os saltos de seu Scarpin preto estam fazendo um toc-toc-toc sem fim ecoar no ambiente, a cada novo passo que ela dá, subindo as escadas.

Decker agora percebe que vai ter que encenar o tempo inteiro quando estiver perto de Jessica, a Capshaw, e Sara, em relação a sua relação com Pearson, porque ela não só acredita que as fez acreditar que não sentia nada pela advogada além de amizade, que a noite de sexo das duas não foi nada além disso, como mentiu no motivo da mulher não ter ido ao encontro das outras com ela.

Jessica disse que iria, porque afinal, é o caso de Capshaw e Sara que a prende em Santa Monica por pouco mais de um mês, mas vai ver, após se dar conta de que se ficasse mais um minuto ao lado da morena, ela não resistiria as suas investidas, acabou esquecendo desse tal encontro e a única coisa que mantinha carimbada em sua mente era se afastar da britânica o mais rápido possível.

Mas apesar de pensar que a partir de agora ela terá que fingir estar bem com tudo o que aconteceu e ainda com o fato de Jessica ter saído de sua casa de uma maneira tão dolorosa para ela, Decker sabe que foi melhor assim. Que elas precisam de um tempo sozinhas para colocar a cabeça e o coração em ordem, pensar racionalmente sobre o que viveram, para chegar enfim a conclusão de que elas não funcionam juntas e que isso está tudo bem.

– As pessoas apenas te deixam apaixonada para no final das contas te fazerem de marionete e te machucarem. Lembre-se disso, Emily. – Ela murmura para si mesma, parada em frente ao grande espelho de seu quarto que lhe permite ver-se da cabeça aos pés.

A morena chuta os sapatos para longe, abre o zíper lateral de seu vestido azul, tira os braços das largas alças, e deixa que a peça caia no chão, revelando apenas para ela mesma sua lingerie preta. Após olhar seu reflexo mais um pouco, Emily dá as costas ao espelho e caminha de um modo arrastado para fora de seu quarto, lembrando de uns papéis que deixou em seu escritório, ligados a um caso que ela vai julgar em 12 dias.

E ao entrar no cômodo, sem nem mesmo acender a luz, recolhe a papelada em cima da escrivaninha, dando um suspiro, e volta para o quarto.

– Gostava mais de mim quando minha única paixão era o trabalho... – Murmura emburrada, folheando os papéis, parada do lado esquerdo da cama.

Então, por motivo algum ela levanta a vista, mirando a janela aberta. E do outro lado da rua, numa janela que provavelmente também pertence a um quarto, há um garoto de no máximo 15 anos, olhando com os olhos esbugalhados, para não perder um único detalhe, a mulher seminua com os papéis na mão.

Decker solta um sorriso, perdendo um pouco de seu mal humor, e nega algo com a cabeça.

– Adolescentes... – Ela joga os documentos em cima da cama de lençol cinza, que por algum motivo é sua cor favorita, e dá a volta nela, parando diante da janela. Emily apoia as mãos na soleira desta e coloca a cabeça para fora, encarando o menino. Ao notar que está sendo observado, ele dá um pequeno salto para trás. – Tá olhando o quê, oh fedelho? Quer que eu vá aí contar pros seus pais?

O rapazinho apenas fecha a janela e a cortina da janela imediatamente, muito provavelmente ficado “traumatizado” pelas próximas duas semanas. A morena sorri mais uma vez e volta a fazer um sinal negativo com a cabeça. Depois se joga na cama, sentada, cruzando as pernas como que para meditar, e coloca a papelada na frente de si.

Mas antes de começar a trabalhar para manter a mente afastada dos pensamentos ligados a uma certa advogada, a britânica torce o corpo um tanto para o lado, a fim de alcançar a gaveta do criado-mudo e de lá tirar uma de suas carteiras de cigarro que ela mantém espalhadas por toda a casa, e o isqueiro.

Pega um cigarro e deixa o restante em cima do criado-mudo. Prende o filtro entre os lábios rosados e acende o isqueiro metálico em frente ao próprio rosto, fazendo suas pupilas diminuírem graças à claridade extra. Logo o fogo passa para o cigarro, e, deixando o isqueiro no criado-mudo também, a morena volta sua atenção para as letrinhas pequenas de cunho jurídico nas folhas em cima da cama, enquanto saboreia seu cigarro, que geralmente a ajuda a manter o foco na coisa certa quando está enfrentando momentos complicados como o de agora.

– Assédio moral... – Solta um curto riso irônico, nem sequer percebendo que apesar de ela estar trabalhando, sua mente continua na advogada e nas últimas palavras que ela disse antes de ir embora. – Mulherzinha arrogante... – Leva o cigarro agora entre os dedos, à boca, sugando-o com certa raiva em sua feição, e em seguida, expele a fumaça, que sobrevoa sua face e se espalha pelo quarto, até encontrar seu caminho para fora dali pela janela.

***

Enquanto isso, em algum hotel quatro estrelas e meia de Santa Monica, Jessica faz sua milionésima revisão nas evidências que conseguiu reunir para o caso das amigas da juíza. Não que ela precise, está tudo em mais perfeita ordem e sem nenhuma falha que possa ser usada contra elas no tribunal. Mas tudo o que a mulher quer é manter a mente ocupada. Ela e Emily são muito parecidas em determinadas coisas e no quesito “fazer de tudo para não enfrentar os sentimentos” são mais que parecidas, são idênticas!

Pearson folheia e folheia os papéis, mas já nem presta atenção no que faz. Acaba largando os documentos ao seu lado na cama, e vira, não ficando mais deitada de bruços, mas sim de costas agora. Mais apenas por alguns segundos. Logo está sentada, abraçada aos joelhos e encarando o lençol branco da cama quase completamente desfeita.

E então toda essa alvura parece incomodá-la. Jessica já se acostumou com os lençóis sempre de mesma cor da casa da cantora, e se repreende por isso, mas levanta da cama e vai até o telefone do quarto.

– A-alô, boa tarde. Aqui é do quarto 903, será que vocês teriam como me disponibilizar lençóis cinzas? É que eu tenho fotofobia e... o quarto já é branco, a lâmpada é de LED... lençóis brancos também é um pouco demais pra minha visão. – Total mentira, tudo o que ela quer é, mesmo inconscientemente, se sentir próxima à morena, só precisa ser convincente no pedido incomum. – Sim, sim. Obrigada, eu agradeceria muito... ok, aguardarei. – E após devolver o telefone ao gancho, cruza os braços e respira profundamente. – O que é que você tá fazendo comigo, Decker...?

Seu celular toca. A advogada imediatamente sente o coração bater mais rápido que o necessário para bombear sangue para seu corpo, pensando que talvez seja a juíza, mas lembra o quanto provavelmente magoou a mulher e deduz que não pode ser ela.

– Ela é idiota, mas nem tanto... – Murmura para si mesma e se aproxima do móvel que imita um criado-mudo ao lado da cama, onde seu celular está.

Pega-o, e ao conferir quem está lhe ligando, simplesmente solta um suspiro e ignora a ligação. E então ela sente raiva de si mesma por sequer se sentir culpada por não atender a uma chamada de seu namorado. Por sequer se sentir culpada por tê-lo traído!

Ela se arrepende do que viveu com Emily? Sim, parte dela sim. Mas não pelo fato de ser comprometida ou amar Jeff como disse para a britânica. Na verdade, Jessica nunca conheceu ninguém capaz de fazê-la se apaixonar de verdade. Quero dizer, ninguém além daquela que a fez ligar para o serviço de quarto pedindo por um lençol cinza só para se sentir próxima a ela.

Pearson se arrepende porque por algum motivo colocou na cabeça que se se envolvesse com a juíza, sairia machucada eventualmente, como saíram todas as garotas com quem a morena havia se envolvido na época da faculdade. E após a noite que elas tiveram, foi simplesmente inevitável se sentir pertencente àquela mulher...

Ela se arrepende porque acredita que agora está indefesa perante Emily, e Jessica odeia estar indefesa. E é esse também o motivo para ter saído da casa da britânica.

O celular volta a tocar e Pearson volta a ignorar. Mas agora ela senta na cama com o aparelho na mão, e sem que ela possa controlar, em movimentos rápidos seus dedos abrem a conversa de WhatsApp que tem com a cantora. Um pequeno sorriso surge em seus lábios ao ver a maneira descontraída que elas sempre falaram uma com a outra, e por um momento, ao mesmo tempo em que ela teme nunca mais poder conversar assim com sua amiga, acha bom, porque na verdade gostaria de conversar de outra maneira, ainda mais íntima que o de costume.

“Pensando em você...” – É o que seus dedos digitam na barra de conversa. Um daqueles momentos em que você quer infinitamente fazer uma coisa, e tudo, absolutamente tudo em você diz que é errado.

Alguém bate na porta, chamando a atenção da mulher imediatamente.

– Serviço de quarto!

– Já vai! – Pearson fala e inala uma grande quantidade de ar, apagando a mensagem que acabara de escrever. – Não seja estúpida, Jessica Pearson... – Murmura para si mesma e deixa o celular onde ele estava em primeiro lugar, levantando-se para atender a porta.

***

E durante os cinco primeiros dias da semana seguinte Emily e Jessica não mais se viram, não mais se falaram, com exceção do comunicado que a juíza teve de fazer à advogada, sobre a ida temporária de suas clientes para outro estado.

Fora isso, a morena caiu de cabeça no trabalho, tentando apagar de sua mente tudo o que ela sequer acreditava ter sido capaz de dizer à advogada em sua tentativa de fazê-la ficar com ela, enquanto a outra se ocupou em ignorar as ligações de seu namorado todos os dias, e fazer visitas as pessoas que seriam testemunhas no caso que estava em suas mãos.

Mas no sexto dia, sexta-feira, Pearson recebe uma ligação com a informação de que o julgamento de Capshaw e Ramírez será uma semana mais cedo, e isso implica dizer que o gelo entre ela e a juíza precisa acabar. Embora isso pareça quase uma tortura para a advogada.

A noite já vai alta quando Pearson finalmente toma coragem para se comunicar com a britânica. E ela poderia simplesmente ligar para ela, mas algo dentro de si a faz querer ir na casa da mulher, olhar nos olhos dela, sentir o perfume cítrico característico que só ela tem.

Jessica desce do Uber após pagar a corrida e puxa as lapelas do sobretudo para se agasalhar melhor contra o frio ao sentir o vento soprar mais forte. A mulher ajeita sua pequena bolsa no ombro e o gorro preto na cabeça ao caminhar pela trilha de pedras da frente da casa da britânica, que dá na porta dela, e ao chegar diante da madeira branca, respira fundo, tomando coragem para bater. E quando ergue o punho fechado para fazê-lo, a porta é aberta inesperadamente.

A advogada dá um passo para trás ao ver a outra mulher que ainda não percebeu sua presença por estar olhando algo no celular em sua mão, e então pigarreia, fazendo Emily finalmente levantar a vista, colocando uma expressão que ela não sabe distinguir se é de mágoa ou indiferença.

– Pearson! O que você está fazendo aqui? – O sotaque acentuado se faz ouvir, e a dona dele se coloca para fora da habitação, começando a trancar a porta por fora logo em seguida. – Achei que não quisesse pôr os pés na minha casa nunca mais. – E se vira para a outra com uma sobrancelha erguida. Jessica suspira e enfia as mãos nos bolsos do sobretudo.

– Eu vim aqui porque recebi uma ligação do gabinete do juiz Stanley.

– E?

– Ele adiantou o julgamento para o dia 6 porque vai precisar fazer uma cirurgia no dia 13. – A morena solta uma respiração pesada. Abotoa um dos três botões de seu sobretudo que estão abertos e perde a vista em seu jardim por um instante.

– Ok, eu vou falar com as meninas para elas voltarem pra Califórnia o mais rápido possível. – Diz de maneira seca e direta, descendo os degraus e se colocando a caminhar na direção direita, onde fica sua garagem.

– A gente não pode entrar e conversar sobre isso? Tem alguns detalhes que eu gostaria de discutir com você, saber sua opinião. – De costas para a mulher, Decker sorri irônica.

Ela para diante de um painel ao lado do portão da garagem, e então tira a chave de sua Mercedes Benz Concept S-Class Coupe do bolso, onde há uma chavinha extra atrelada ao seu chaveiro de malhete. Emily leva esta pequena chave até o painel e a gira lá, fazendo o portão da garagem começar a abrir.

– Desculpa, não posso, hoje é sexta. – Fala, virando apenas o rosto para a advogada que agora se aproxima dela. Jessica franze o cenho e para, cruzando os braços.

– O que é que tem que hoje é sexta?

– Hoje eu não sou a juíza Decker, sou Donna, principal atração do Bodega Wine Bar. – Com o portão devidamente aberto, a morena tira a chave do painel e entra na garagem, se dirigindo à porta do motorista de seu carro prata.

– Não fale como se você tivesse dupla personalidade e “Donna” fosse seu heterônimo. Se você fosse só uma cantora de bar esta noite, não estaria usando a Mercedes da juíza. – Jessica também entra na garagem e impede Emily de abrir a porta do carro quando ela tenta. – Não me trate como se eu fosse ninguém. – A britânica revira os olhos. – E se você não quer falar comigo porque estou pedindo, fale pelas suas amigas, afinal você prometeu ajuda-las em tudo que estiver ao seu alcance. E eu só preciso trocar umas ideias com você. Sobre o caso delas. – A morena mantém-se olhando para a outra de maneira séria, como se realmente não quisesse ceder e estivesse com raiva pelo fato da advogada estar usando Jessica e Sara como meios de conseguir o que quer.

Mas acaba suspirando e cedendo.

– Eu tenho 30 minutos pra me preparar antes do show começar e tenho 20 de descanso depois. A gente pode conversar nesse meio tempo. Entra aí. – Diz a morena contrariada. Jessica sorri satisfeita e dá a volta no veículo, para entrar do lado no passageiro enquanto Emily ocupa seu espaço de motorista.

***

– Eu tenho eu admitir... nunca na minha vida, eu imaginaria você num lugar como esse, cantando! – Diz Pearson tentando agir naturalmente, acompanhando Emily entre as mesas iluminada por velas do bar.

– Tô sabendo, mas a pauta aqui não sou eu, né? Vamos lá, Pearson, no que você precisa da minha ajuda? – A britânica usa seu tom rouco de maneira impaciente no momento em que para diante do balcão onde os bartenders se desdobram para atender todo mundo, sentando em um dos bancos.

– Por que não vamos pra uma mesa? – Pergunta a advogada, tirando o gorro da cabeça e arrumando os fios castanhos escuros.

– Porque estamos em duas. Deixa as mesas para os grupos maiores de pessoas. Mas e aí? Vai falar ou não?

– Eu...

– Donna! Você chegou! Quer alguma coisa pra já ir aquecendo? – Um dos bartenders lhe chama a atenção. A mulher sorri para o homem de cabelo meio bagunçado e concorda.

– Dois, John, por favor. – E então volta sua atenção para os grandes olhos ao seu lado.

– Eu queria... eu queria que você conferisse umas perguntas que eu escrevi pra fazer ao Christopher, preciso usar tudo que eu puder pra impedi-lo de tirar os filhos da Capshaw... então eu preciso que você me diga se estão boas como estão, se preciso ser menos ou mais incisiva... – Enquanto vai falando, vai tirando o celular do bolso e procurando suas anotações no bloco de notas, e Emily apenas a assiste fazer isso, ao mesmo tempo que desabotoa seu sobretudo e escorrega as mangas pelos seus braços, até tirá-lo completamente. – ...e eu estava pensando também em dar uma de... – Ao levar os olhos para a britânica, Jessica para de falar.

A imagem da cantora usando uma blusa justa, de renda azul transparente, deixando à mostra um sutiã preto meia taça, e saia rodada curtíssima, preta, simplesmente paralisou a mulher com o celular em mãos. Emily franze o cenho, mas por dentro se diverte da maneira com que mexe com a advogada.

– Quê? Você já me viu usando muito menos do que isso! – Pearson imediatamente pisca os olhos rapidamente e faz um movimento curto de negação com a cabeça, afastando qualquer pensamento inapropriado. Ela tenta ignorar o comentário da morena e então pigarreia, entregando seu celular a ela.

– ...e eu pensei também em trabalhar mais na ofensiva. – Emily repousa seu sobretudo no colo e deixa os olhos acinzentados recaírem sobre as questões digitadas no celular da outra. – Porque de acordo com o que sabemos dele, acredito que Christopher Gavigan vai estar bem preparado para qualquer pergunta comum ou até um pouco agressiva, mas se eu perguntar por exemplo...

– Aperte o pescoço dele. – Decker diz, tirando os olhos do celular e mirando os castanhos que devido à pouca claridade do ambiente, parecem pretos. Mas antes de uma resposta, o bartender aparece com as bebidas das duas. – Valeu, John! Tu é o cara! – O rapaz sorri e pendura um pano no ombro, dando sua atenção a um outro cliente agora.

– Como é? – Jessica franze o cenho e a morena ri ao mesmo tempo que leva seu copo à boca.

– Não literalmente falando... – Pousa a bebida de volta no balcão. – ...mas você está certa, ele vai estar preparado. Então quanto mais agressiva você for, melhor. Faça-o se sentir sufocado pelas próprias respostas. – A advogada concorda e pega seu copo também, bebendo o líquido que ele contém. – Se Stanley perceber que ele está hesitante nas respostas, já vai ficar com o pé atrás daí. Se bem que ele já deve estar com os dois pés bem atrás com a gravação que já recebeu... – E no momento em que uma coloca o copo de vidro em cima do balcão, a outra tira o seu, levando-o aos lábios. – Hm! E as perguntas estão ótimas. – Entrega o celular à Pearson. – E você sabe disso. – Coloca a bebida no lugar de novo. – Na verdade eu estou só imaginando o real motivo de você ter ido até a minha casa, podendo simplesmente me ligar ou mandar mensagem pra falar sobre isso. – Jessica engole em seco e guarda o aparelho no bolso do sobretudo.

– Eu só...

– Donna, hey! – Mais uma vez as duas são interrompidas. Agora por uma loirinha de uns... 27 anos(?) que toca no ombro da morena para chamar sua atenção. Emily franze o cenho por um segundo, tentando recordar de onde conhecia aquele rosto e qual era o nome da moça, mas falhando em sua tentativa, apenas abre um sorriso e se levanta do banco, encaixando-se no abraço da mais nova.

– Hey! Quanto tempo...!

– Você não lembra meu nome, né? – A loira de olhos castanhos expressivos solta-a e a observa com uma cara de “eu não acredito” fingida.

– Ahn... – Decker volta a franzir o cenho para forçar a memória. – M...Mia?

– Zoe!

– Zoe! Yeah! Mia era a ruivinha... – Pearson arqueia as sobrancelhas instantaneamente, pensando “com quantas adolescentes metidas a adultas ela já dormiu? 50? 70?” – Mas eu sabia que eram só três letras! – Sorri coçando a nuca.

– Tudo bem, eu sabia que você não lembraria. Afinal, com quantas mulheres você não já saiu desse bar, huh? – Emily abre um sorriso, orgulhosa de suas conquistas, enquanto Pearson instintivamente trava o maxilar e vira todo o resto do conteúdo de seu copo. – Essa é sua presa da noite? – A mais nova aponta para a advogada, que quase se engasga com a bebida, e Decker arregala os olhos antes de negar:

– Não! Não! Deus... – Ela ri sem graça. – Não. E-essa é... essa é a Jessica, minha... – Olha de relance para a inconsciente enciumada Pearson. – ...colega de trabalho. – O posto destinado a ela não agrada nem um pouco a advogada, que apenas fecha a cara e vira-se, ficando de frente para o balcão.

– Legal! Mais uma cantora pro BWB? – A morena sorri.

– Não, meu anjo... eu tenho outro trabalho. Eu não só canto...

– Entendi... – Murmura Zoe, mas sem dar muita importância à informação, apenas preocupada em arrumar uma maneira de conseguir deixar a cantora nua uma segunda vez. – Então... se ela não é a presa da noite, eu me ofereço a ser. – Decker volta a sorrir, só que agora cruza os braços e deixa a cabeça tombar para o lado.

– Hoje eu não tô caçando, meu bem. Só vou cantar, divertir o público por algumas horas e voltar pra casa pra uma noite de sono bem pesado.

– Tem certeza? Se você vier comigo no banheiro um instante, eu te convenço do contrário rapidinho... – Insinua a moça, deslizando o dedo pela tatuagem do braço da morena.

– Tenho sim, Zoe. Quem sabe numa próxima? – A loira acaba por sorrir de canto, conformada, e dar de ombros.

– Se você não quer, tudo bem, mas me deixa só... – Sem que a britânica espere, há duas mãos em sua nuca, puxando-a para que sua boca vá de encontro à da mulher na sua frente. Decker grunhe surpresa e estende as mãos como se tentasse mostrar para alguém que ela não está fazendo nada e que a “culpada” não é ela, enquanto Jessica apenas olha a cena por cima do ombro, confirmando para si mesma que ela fez certo em ter dito tudo o que disse à juíza e ter saído da casa dela. O beijo se encerra com Emily recebendo uma mordida no lábio inferior, e a autora dessa mordida sorrindo maliciosamente para ela. – ...levar um pouquinho do seu gosto comigo... – E simplesmente dá as costas a ela, como se nada tivesse feito.

– Ahn... desculpa por isso. – A morena limpa a garganta e volta a se sentar ao lado da advogada. Jessica apenas se mantém olhando para seu copo vazio.

– Deu pra sair com adolescentes agora, Decker? Olha que é crime...

– O que? Não! Tá doida? – Jessica sorri de canto para tentar soar engraçada, mas está se roendo por dentro. – Essa... Zoe tem uns 26 anos eu acho. Não lembro, faz uns seis meses eu a gente ficou. Mas e aí, o que você ia me dizer mesmo?

– Nada não. – Suspira. – E-eu... eu acho que vou indo, Decker. – Ela se levanta e recolhe seu gorro em cima do balcão. – Eu preciso... terminar de preparar essas perguntas. Obrigada pela ajuda e não esquece de falar com a Jessica e com a Sara. – Então simplesmente dá as costas à britânica e faz caminho, o mais rápido que consegue, para fora do bar.

– Hey! – A morena imediatamente franze o cenho, sem entender porque de repente a advogada passou a agir de maneira estranha, e corre atrás dela. – Pearson! Espera! – As pessoas na sua frente a impedem de alcançar a mulher antes que ela saia pela porta, mas uma vez que a cantora consegue ultrapassar todos que se colocam em seu caminho e passa pela mesma porta que a advogada passou, alcança a mulher tentando acenar para um táxi que vai passando. – Hey! Por que está indo embora assim? Achei que fosse querer assistir ao show e que fosse consumir meus 20 minutos de descanso com o assunto do processo. – Jessica solta seu pulso que a morena havia agarrado.

– Eu posso fazer isso sozinha. Você tem uma plateia inteira pra divertir, e outras pessoas pra dar atenção. Eu não vou te atrapalhar. – E a ficha da britânica cai. Antes ela estava tão concentrada em renegar os sentimentos que tem pela advogada, que tinha até esquecido de sua certeza de que esses sentimentos são recíprocos.

E é inevitável. Completamente inevitável um sorriso querer brotar em seus lábios, quando ela começa a perceber que essa reação da mulher pode ser ciúmes.

– Pera aí, isso é por causa daquela garota? Da Zoe?

– Não! – Jessica dispara e Emily ergue uma sobrancelha. – Claro que não... – E sorri sem jeito.

– E é por que então? Eu fiz algo de errado? Falei algo de errado? – Os grandes olhos castanhos desviam dos acinzentados. Emily suspira. – Fala!

– “Colega de trabalho”? – É claro que essa não foi a única coisa que a incomodou, nem a que a mais incomodou, mas ela não pode simplesmente dizer que aquele beijo roubado foi o ponto mais baixo de seu dia. – Achei eu fosse sua amiga. – Emily imediatamente põe cara de confusão.

– Eu também achei que fosse, até você dizer que me processaria por assédio moral se eu não te deixasse ir embora da minha casa.

– Eu só falei aquilo porque você não parava com aquela ideia insana de nós ficarmos juntas.

– Mas ali não estava só a mulher que queria que você ficasse com ela, estava a sua amiga também. E você acha que não magoou o fato de você me tratar como se eu fosse te agarrar contra sua vontade, te manter em cárcere privado? Você foi tão rude que eu realmente achei que ali você tinha dado fim à nossa amizade.

– Mas não dei! Você está louca? Nós somos amigas há 16 anos! Eu só tava tentando fazer você parar. E me desculpe se te magoou. – Decker cruza os braços e mira suas botas de cano curto. Em seguida solta uma respiração cansada, como se já estivesse de saco cheio de tudo aquilo.

– Quer saber? Já chega, vamos parar com essa palhaçada que a gente armou. Esquece tudo o que eu te falei, ok? O que nós tivemos foi só uma noite, nós estávamos bêbadas... foi só isso! Eu não quero ter que ficar pisando em ovos toda vez que te encontrar e nem quero que uma amizade de 16 anos acabe assim, só porque eu fui idiota e falei o que eu tava sentindo. – Pearson demostra desconforto. – São só sentimentos! Eles vão passar eventualmente! – E solta uma lufada de ar. – O que você acha de a gente fingir que nada daquilo aconteceu? Eu esqueço o que você disse, você esquece o que eu disse, nós duas esquecemos o que fizemos, e voltamos a ser só duas amigas que adoram implicar uma com a outra. – Jessica sorri de canto.

Essa solução não é suficiente para nenhuma das duas porque ambas querem mais, mas com certeza é melhor do que se afastarem completamente porque Jessica insiste em manter algo no meio, certo?

Emily ergue a mão, esperando que a outra mulher a aperte em concordância, e Pearson olha o gesto hesitante. Mas então em vez de fazer o que a cantora espera, ela a abraça de repente, fazendo a morena dar um passo para trás e não corresponder ao abraço inicialmente, porque Jessica não é do tipo de pessoa que abraça, ela é sempre mais contida. A morena fecha os olhos e tenta não se deixar levar pelo perfume da outra em seus braços. Ela sabe que não será fácil sufocar sua paixão uma segunda vez, mas não vê outro jeito.

– Isso é um sim? – A britânica pergunta com o coração apertado, e se permitindo finalmente abraçar a advogada.

– É, Decker, é um sim...


Notas Finais


Espero que estejam gostando :3


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