História Aprendendo a Amar - Capítulo 3


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Categorias Jessica Capshaw, Suits
Personagens Personagens Originais
Tags Capmirez, Deckson, Jessicapearson, Suits
Visualizações 118
Palavras 3.747
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Ficção, Hentai, LGBT, Policial, Romance e Novela, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Mais capítulo saindo!
Conheçam a juíza Decker dentro de um plenário! hahaha

Capítulo 3 - Have a nice trip


Depois daquele abraço as duas se apartaram com um leve desconserto e rubor em suas faces. Embora fosse o que ambas tentavam fazer a outra acreditar que era, aquele contato cheio de calor não havia sido um abraço de reafirmação de amizade. Sentimentos muito mais fortes que isso circundavam aquele ato e elas sabiam muito bem disso, mas estavam decididas de que o acordo de esquecer tudo o que foi dito e feito tinha sido bom o suficiente. Por mais que desejassem, não tinham nenhuma mera gota de certeza se dariam certo juntas, e uma das características principais que Emily e Jessica compartilham é o fato de serem do tipo de pessoa que odeia estar incerta de algo, elas são completas demais para o “talvez”. Então o que mais seria tão certo quanto a amizade de 16 anos que as une?

A britânica não mais insistiu para que a outra ficasse, e, não tão satisfeita com o trato, como achou que ficaria, voltou a entrar no bar para fazer seu show. Quanto a advogada, odiou-se ainda mais por não ter sido capaz de se impedir de se apaixonar e consequentemente de se sentir uma completa porcaria agora, tomou o primeiro táxi que parou para o seu aceno e voltou para o hotel.

Apesar da amizade “reestabelecida”, a mulher de olhos escuros, grandes e expressivos não voltou para a casa da de olhos claros, pequenos e puxados de maneira sexy, nem ela a convidara para fazê-lo. Após o retorno de Capshaw e Ramírez para Santa Monica, elas apenas procuraram deixar seus sentimentos conflitantes de lado e se dedicar aos últimos preparativos para a audiência das amigas da morena e isso as levou a enfrentarem uma luta interna devastadora!

É exaustivo demais tentar voltar a ser o que se era, quando o que se era já não é tão atraente quanto o que se pode ser, sabe?

Mas apesar da exaustão, elas continuaram. Voltaram a chamar Jessica e Sara para frequentar a casa da juíza para continuarem o treinamento de testemunhos e em todos os dias até que o julgamento chegasse Pearson procurava chegar cedo na casa da amiga para que suas clientes e já quase amigas também não desconfiassem de que algo incomum acontecia entre ela e Emily. Elas não queriam que as atrizes soubessem que a advogada tinha saído da casa da morena, porque com certeza, com a personalidade romantizada que têm, tentariam convencer as duas de que elas nasceram uma para a outra, e era justamente desse pensamento que ambas estavam fugindo. Estão, na verdade.

***

O dia da audiência é chegado. Não é um dos dias mais quentes dessa cidade, o sol aparece no céu, mas não tem força para ultrapassar nuvens levemente escurecidas que o cobrem, apenas o suficiente para manter uma temperatura agradável nesse dia que promete muitas emoções, pelo menos para o casal de atrizes que tenta conseguir a guarda unilateral dos filhos de uma delas.

1:03 pm: Você vai conseguir chegar a tempo no julgamento? – Decker lê a mensagem em seu celular enquanto veste o blazer de seu terno preto.

Lamentavelmente ela não poderá estar presente durante o começo da audiência pois precisa julgar um caso ”entediante” – segundo sua própria opinião – de Direito Empresarial. Não me entenda mal, a morena ama o que faz, mas até naquilo que mais amamos fazer encontramos algo que não amamos tanto assim, certo? E julgar casos de super milionários que preferem ocupar o tempo de juízes como ela, brigando por míseros tostões, comparados ao que já têm, só para um deles poder dizer “meu pau é maior que o seu” – segundo a opinião dela também – em vez de se acertarem amigavelmente sem envolver profundamente a lei é realmente entediante, é perda de tempo.

Mas ela foi a juíza designada para este caso, não pode fazer nada, nem recusar, visto que já recusara dois recentemente, o de suas amigas, para não se dar mal, e um outro relacionado a empresa também.

1:04 pm: Farei de tudo para que sim. – Ela responde a advogada, enfia o celular no bolso do blazer e pega sua maleta em cima da cama, pronta para mais um dia de trabalho.

***

E nesse início de tarde de sol enfraquecido e vento forte, as amantes que fingem não amar se esforçam para esquecer seus problemas com o coração e concentram toda sua atenção em seu dever com a justiça. Elas dividem o mesmo prédio, o fórum onde Emily costuma julgar seus casos, mas enquanto a advogada está em um plenário no térreo, não precisando usar mais que 5% de seu potencial como advogada para mostrar ao juiz Stanley que Capshaw é a pessoa certa para ficar com os quatro filhos que tivera com Christopher, fazendo uso de uma postura altiva, invejável, imponente, dando passos firmes e proferindo palavra certeiras no melhor tom de sua voz levemente enrouquecida e aveludada, a juíza está num plenário no terceiro andar não se esforçando nem um pouco em esconder o tédio diante da briga entre os recentes fundadores de uma empresa, que não decidem quem será o sócio majoritário.

– Pera aí, pera aí! – A morena interrompe o raciocínio do advogado de uma das partes, ajeitando sua toga e cruzando as mãos em cima de sua bancada. – A gente já tá aqui há mais de uma hora e vocês não saíram do ponto inicial dessa discussão, então deixa eu desenhar a situação pra vocês... – Advogados e clientes se entreolham, estranhando a reação da juíza. – Aqui tá escrito que 40% das ações de sua empresa está dividido entre quatro acionistas minoritários e vocês dois... – Aponta os dois homens sentados à bancadas diferentes tão bonitos quanto estúpidos. – ...têm 60% para dividir. – Então ela estende as mãos e arqueia as sobrancelhas como quem diz “isso não quer dizer nada a vocês?” – Vocês conhecem as operações matemáticas? – Solta, fazendo os homens franzirem o cenho, não entendendo o motivo da pergunta. – Respondam! – A voz rouca e autoritária faz os donos da empresa acenarem positivamente como moleques contrariados. – Então têm completa ciência de que 60 é um número par. E que se você dividi-lo por dois... dá 30! 30% pra cada um! – Emily fala de forma pausada, como se tivesse ensinando crianças a fazerem conta. – Olha que coisa linda! Os garotos não precisam brigar! Vocês dividem igualmente e dirigem a empresa juntos!

– Ahn... – O advogado que foi interrompido pigarreia, chamando a atenção dos olhos cinzas, que ainda visualizaram os donos da empresa travarem o maxilar, irritados com a maneira que ela falou com eles. – Isso é impossível, senhora juíza... – Ela ergue uma sobrancelha.

– E eu posso saber porquê?

– É... – O homem, meio intimidado com a maneira superior que a mulher se porta, engole em seco. – Há um ressentimento no meio... – Ele fala num murmúrio, como se fosse levar um grito da morena no instante seguinte, mas ela só suspira.

– Que ressentimento...?

– A mulher dele o traiu comigo há um mês, por isso ele não quer que dirijamos a empresa lado a lado. Cara, eu não tenho culpa se a tua mulher não presta! – O homem vestido com um paletó azul-marinho, de cabelo bem cortado e barba cerrada se pronuncia num tom de superioridade que torna o outro na cor mais viva de vermelho, recebendo a atenção da mulher, que agora realmente se esforça para não rir.

Emily é extremamente séria em seu trabalho, mas como é ótima leitora de pessoas e já escaneou os dois galãs, constatando que são completos idiotas que pensam apenas em dinheiro, sucesso e sua reputação de macho alfa, não se importa em se abrir um pouco para seu lado sarcástico e se divertir ao saber que um deles foi ferrado pelo outro.

– Não posso trabalhar lado a lado com alguém que não posso confiar, não concorda comigo, senhora juíza? – O traído, que usa um paletó cinza, de cabelo liso levemente crescido e barba bem-feita fala, tentando controlar sua raiva. Decker solta uma lufada de ar, vendo que o problema é mais idiota do que imaginou, e olha no relógio de pulso, ansiosa para correr para a audiência de suas amigas.

– O que eu acho é que vocês dois precisam se resolver quanto a esse assunto aí. – Diz ela se levantando de sua cadeira com as mãos apoiada na bancada. – Entrem num acordo, e depressa. Caso contrário, acreditem, vocês não vão gostar da solução que eu vou dar a esse caso. – Pega seu malhete e bate na madeira, encerrado a audiência. – Audiência adiada por quatro dias. – Recolhe alguns papeis em cima da bancada e antes de se retirar, fala: – E não façam eu perder meu tempo de novo.

– Miss Decker! Miss Decker! – Ao sair da sala como um raio, Emily sequer escuta a policial que esteve ao lado dela o tempo inteiro no plenário chamar seu nome, correndo afobada para alcança-la. – Juíza Decker! – Consegue alcança-la, finalmente conquistando sua atenção.

– Cuba! Hey! – A morena lhe oferece um sorriso simpático enquanto se livre de sua “capa do Batman”, e a mulher, de no máximo 33 anos retribui o sorriso timidamente pois sempre se sente deslocada quando a juíza a chama pelo apelido que ela mesma botou, pelo fato da policial ser de origem cubana.

– Esqueceu sua caneta na bancada. – Oferece o objeto preto com detalhes dourados à mulher, que arqueia as sobrancelhas e pega o que lhe é oferecido, com mais um sorriso simpático.

– Muito obrigada. Você é sempre um amor. – E os olhos verdes da moça miram o chão, envergonhados. Ela põe uma mecha de seus grossos cachos de um castanho avermelhado para trás da orelha e só volta a olhar a juíza quando esta lhe fala: – Cuba, você me faz um favor?

– Claro! – Responde prontamente, encaixando os dedos polegares no grosso cinto de seu uniforme azul-marinho da polícia e endireitando a coluna.

– Você leva isso aqui pro meu gabinete? – Entrega-lhe a toga, os papeis que traz consigo e a caneta que acabara de receber. – Eu tenho um compromisso urgente agora e já estou atrasada.

– L-levo. Levo sim. – Emily sorri satisfeita.

– Valeu, Rubi! – Agradece ela tentando pronunciar o nome da mais nova da maneira correta em espanhol, impulsionando o corpo para iniciar uma corrida até o elevador. – Fico te devendo uma! – Ao parar em frente a porta metálica, aperta o botão ao lado dela, e se põe a esperar o elevador chegar.

Quando as portas se abrem, revelando ninguém além de uma senhora, ela entra, vira-se de frente para a porta, e antes que esta feche, ainda consegue enxergar a jovem policial parada, olhando fixamente para ela, abraçada a seus pertences. A morena sorri uma última vez para a figura antes de sumir completamente atrás do metal, deixando a pobre moça com o coração perdendo uma nova batida a cada dois segundos.

Emily volta a sorrir dentro do elevador enquanto aperta o T, e balança a cabeça em negação, tendo total consciência do poder que exerce sobre a jovem morena que acabou de deixar para trás. Ela impressionantemente tem qualquer mulher aos seus pés, é só querer, o único problema é que agora ela não quer qualquer mulher, quer apenas uma e uma das melhores do gênero. E justamente ela, a britânica não pode ter. Ironia?

 

Uma vez que as portas do elevador se abrem, Decker salta para fora dele, correndo afobadamente pelo corredor, buscando a porta certa para o plenário onde está havendo a audiência de Jessica e Sara. Até que ela avista uma mulher com o cabelo nas laterais e nuca raspado sair de uma das salas de cabeça baixa, e freia sua corrida antes de esbarrar nela.

– Sara! – Exclama com empolgação ao mesmo tempo que tenta recuperar o fôlego. – O-o julgamento já acabou? M-mas eu corri tanto pra chegar aqui a tempo! – E ao ver a outra morena levantar os olhos com uma expressão deplorável, logo pensa no pior. – O que aconteceu? V-vocês perderam? – Arregala os olhos. – Não é possível, não tinha jeito disso acontecer!

– Não, a gente não perdeu. Ainda... – Emily involuntariamente franze o cenho tentando decifrar o motivo da mulher ter dito isso, quando a percebe seguir caminho para a esquerda.

– E por que diabos todo mundo tá saindo? – Ela corre atrás da outra, em busca de mais informações.

– Recesso, Decker...

– Recesso? Por que? – Cada vez mais confusa, a britânica nota lágrimas escorrerem pelo rosto de sua há pouco tempo, amiga. – Hey, o que está acontecendo? Fala comigo! – Para na frente da mulher, segurando seus braços e tentando lhe transmitir a maior solidariedade possível. – Por que você está assim? – Ela apenas continua sem resposta. – Ramírez, olha pra mim. – Segura o queixo da outra e a faz olhá-la nos olhos. – O que aconteceu?

Então como ninguém consegue esconder nada da morena por muito tempo porque ela nunca desiste daquilo que quer, e ela quer saber o que está acontecendo, Sara acaba suspirando e respondendo baixinho:

– Eu... não consegui.

– Não conseguiu o que?

– Não consegui fazer o que a gente combinou. Ele trouxe a entrevista à tona... e-e-e da maneira mais perturbadora possível, eu... não consegui me manter fria.

Decker solta uma respiração pesada. Sente que fracassou na parte mais importante do treinamento da mulher que agora tem os ombros envoltos por seu braço enquanto as duas caminham até saírem no pátio do fórum e sentarem num banco de cimento.

Como mais cedo, o sol continua fraco. A iluminação do dia é plúmbea dando um tom melancólico e até dramático ao momento e então a juíza pergunta em tom amigo:

– Como a Jessica reagiu?

– Ela ficou preocupada, claro, mas eu não dei tempo pra que falássemos sobre o assunto. Eu estava... estou com vergonha e triste por não ter dado conta. Isso é algo tão antigo, meu Deus... não devia me afetar!

– Hey, tá tudo bem, você não tinha como prever sua reação. Acredite, ficar emocional em corte é mais comum do que parece... – Ela fala como se soubesse bem do que fala e não só por ter presenciado alguém ficar emocional em corte... – Eu deveria estar lá pra te ajudar... afinal, fui eu que te treinei! Me desculpa, Sara... – Murmura, culpando sua paixão velada por Pearson por ter “fracassado” nos treinamentos da morena, e os malditos idiotas que não sabiam separar vida pessoal da profissional e ocuparam mais de uma hora de sua tarde.

– Você precisava trabalhar, não teve culpa. Eu tinha que saber me virar sozinha! E agora... eu provavelmente estraguei tudo! O advogado do Chris fez parecer que eu posso voltar a tomar remédios de maneira desordenada e cair em depressão de novo, e isso completamente mina as chances da Jessica consegui a guarda, não é? Se ela deixou claro que não se afastaria de mim e eu sou uma “ameaça” para as crianças...

– Não necessariamente. – A morena decide-se a encorajar a mulher ao seu lado. – Você tem uns 55 minutos pra se recompor, voltar lá e acabar com aqueles babacas. Você ainda tem chance de reverter esse jogo, Ramírez! Vai jogar a toalha assim tão fácil?

– Mas como eu supostamente vou fazer isso?

– Lembrando que você não é mais aquela Sara que se matava inconscientemente! Não deixando ele entrar na sua cabeça com essa história...! – Ramírez sorri ironicamente.

– Ele já conseguiu fazer isso...

– Então tire-o. Mostre ao juiz que você não é mais daquele jeito, que é forte, satisfeita consigo mesma, e feliz! Capaz de proporcionar a melhor vida possível para aqueles pequenos. Você não pode deixar o Walt te arrasar... Pearson me mandou uma mensagem dizendo quem era o advogado do Chris antes da audiência começar, e eu conheço aquela peça! Já cruzei com ele em outros tribunais. Ele é podre, inescrupuloso, Sara. Desestabilizar as pessoas a quem interroga é o que ele faz de melhor, não deixe ele conseguir fazer isso dessa vez... não o permita te abater por algo do seu passado. Algo que não faz mais parte da sua vida! – A atriz reluta em sair do buraco de vergonha onde se enfiou.

– Foi tão constrangedor, Decker... tudo o que eu queria era um buraco pra enfiar a cabeça. – E enterra o rosto nas mãos.

– Eu sei... eu sei... – Como não aguenta ver quem ela gosta assim tão triste, a britânica afaga as costas da morena, tentando lhe transmitir conforto. – Acredite, eu já me senti assim antes. Já conheci o fundo do poço também e tive que ficar de frente pra ele anos depois... isso quase me matou. – Imediatamente Sara franze o cenho e dirige a atenção a ela. Decker a observa de rabo de olho, ponderando se revela ou não o segredo de sua vida que apenas ela tem conhecimento, para ajudar a amiga, mas eis uma das inúmeras qualidades da cantora: ela não mede esforços para ajudar um amigo. Faz de tudo, mesmo que isso signifique mostrar uma cicatriz antiga. – Ok, eu vou te contar, mas se você falar pra alguém, arranco tua cabeça, estamos entendidas? – Lhe aponta o dedo em riste, dando uma boa dose de humor ao momento tão sentimental, e consegue arrancar um primeiro sorriso da atriz.

Daí em diante passa a falar sobre o motivo de possuir uma cicatriz no peito. Não que isso tenha alguma coisa diretamente a ver com o delicado momento que Ramírez está passando, tendo uma fraqueza sua exposta num tribunal, em frente a mulher que ela ama e correndo o risco de fazê-la perder a guarda dos filhos, mas sabe as parábolas da Bíblia? Mesmo aparentemente não tendo nada a ver com a realidade de quem as escutava, faziam alguma diferença porque ensinavam lições. E a história da cicatriz da dona de olhos plúmbeos pode muito servir de lição.

Uma cirurgia por conta de um infarto provocado por ver sua mais profunda fraqueza espelhada em outra pessoa? Realmente dá para tirar uma boa lição sobre “fraquezas” daí...

– Obrigada, Emily... – Sara agradece o suporte e a confiança da britânica dando-lhe um estreito abraço, e uma vez que a juíza bota a atriz para correr, mandando-a conversar com sua noiva, vê-se sozinha no banco de cimento, entregue aos próprios pensamentos.

Pensamentos agitados.

Partes da audiência que acabara de dirigir ainda flutua em sua mente, sua correria, o coração apertado que o estado da amiga lhe provocou, a sensação estranha que foi falar sobre seu infarto pela lembrança de sua tentativa de suicídio... tudo isso se mistura em sua cabeça, deixando-a levemente aturdida embora se sinta feliz por ter ajudado Ramírez.

As duas mãos da britânica vão para os próprios ombros, massageando-os de uma maneira bem amadora e ela grunhe de dor, sentindo toda a tensão que tem acumulado na porção superior do trapézio, aquela região da subida do ombro para o pescoço.

Emily solta uma lufada de ar e olha para o céu. Pensa que em pouco tempo vai chover por conta da cor das nuvens, mas duvido que vá mesmo. Um dia pode estar nublado sem necessariamente chover, não pode?

– Eu preciso de férias... – Murmura num suspiro ao mesmo tempo que fecha os olhos ao sentir a brisa sobrar mais forte contra seu rosto e bagunçar seu cabelo.

– Uma workaholic dizendo que precisa de férias? – Os olhos acinzentados se abrem imediatamente ao ouvirem a voz aveludada que ela conhece tão bem e então olham para o lado, encontrando um sorriso pequeno dentro de lábios fartos cobertos por um batom levíssimo. – Não estou te reconhecendo, juíza Decker... – A mulher senta-se ao lado da britânica, que sente seu coração perder uma batida com a proximidade da outra.

“Mas que droga Emily!” Reclama consigo mesma em pensamento por perder o controle de suas sensações e reações corporais completamente perto da mulher de escura pele.

– Eu não preciso de férias só do trabalho. Preciso de férias de tudo! Da juíza Decker, da Donna, da Emily, dessa cidade... – “Da forma como você ignora o que está acontecendo entre a gente...” Ela lista com ar cansado, deixando o principal de fora, grudando os olhos na grande árvore do centro do pátio.

– Eu nunca te vi falando assim... tá tudo bem? – Pearson franze o cenho e a morena sorri apenas de canto de maneira irônica visto que ela é o principal motivo pelo qual Emily se sente tensa até a alma.

– Eu estou ótima, Pearson. – Sua rouca voz sai em ironia pura, mas não dá tempo para a mulher contestar isso. – O que faz aqui fora? – Pergunta voltando seu olhar para ela.

– Eu estava conversando com a Jessica e a Sara chegou perguntando se elas poderiam conversar. Resolvi vir pra cá pra deixar as duas a sós. – A morena concorda, dizendo que entendeu, e volta a fitar a árvore, como se ela fosse a coisa mais interessante do mundo, ou simplesmente como se olhando para ela, pudesse se agarrar a um fiapo de frieza para suportar o diálogo com a advogada. – Emily...

– Hm? – Nasaliza, sem tirar os olhos das folhas verdinhas dançando com o vento.

– Pode olhar pra mim? – A britânica abaixa a cabeça cruzando os dedos no vão entre os joelhos, solta um suspiro e então vira a cabeça, fitando os grandes olhos castanhos. – Daqui a pouco o julgamento será encerrado... – Decker apenas espera por uma continuação. – ...e eu não terei mais o que fazer aqui em Santa Monica... – E diante dessa constatação o coração da morena dá uma forte fisgada. – Eu já comprei minha passagem de volta para Chicago. Eu parto amanhã no fim da tarde.

Em resposta, Emily não move um músculo. Por mais que soubesse que esse dia iria chegar mais cedo ou mais tarde, parou de pensar sobre isso há muito tempo. E por mais doloroso que seja ter a advogada tão perto fisicamente, mas tão longe emocionalmente, ela sabe que é, de longe, muito mais doloroso agora, tê-la longe nos dois quesitos.

Sua vontade é de pedir a Jessica para ficar, para nunca mais sair de perto dela, mas seu medo e orgulho são muito maiores que ela! E automaticamente seu modo de proteção contra os sentimentos que tanto a têm machucado é ativado.

– Não vai falar nada? – Pergunta a dona de cabelo castanho escuro.

– O que quer que eu diga?

– Ahn... eu não sei, você...

– Você veio aqui a trabalho, está a um passo de termina-lo, e isso implica dizer que tem que voltar pra casa. – Interrompe-a. – Não tem o que falar sobre isso. – A morena levanta-se arrumando as lapelas de seu blazer, e agora mais alta que Jessica, a olha por cima. – Apenas... espero que faça uma boa viagem.

Dá a volta no banco e volta a entrar pelo corredor, deixando para trás uma Pearson um tanto quanto perplexa.


Notas Finais


Bjin de luz '3'


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