História Aquela pessoa - Capítulo 47


Escrita por: e Patriciavilari

Postado
Categorias Henrique & Juliano
Personagens Henrique, Juliano
Tags Aventura, Bebê, Henrique, Juliano, Musica, Romance
Visualizações 183
Palavras 8.019
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oiies xuxuzinhos, comprei mas voltei!

Último capítulo da fic espero que gostem.

Como a história inteira foi narrada pela Júlia nada mais justo que o último seja do nosso Henrique.

Deixe o comentário dizendo oque achou da fic se vocês colabora em breve volto com a segunda temporada.

Capítulo 47 - Final


Fanfic / Fanfiction Aquela pessoa - Capítulo 47 - Final

Observei minha imagem no espelho achando aquela roupa engraçada, não podia negar que ficava bem em mim. Meu cabelo estava estranhamente arrumado, não havia um fio fora do lugar. Passei a mão por eles achando-os mais lisos que o normal.
Suspirei vendo o reflexo da sala vazia no espelho, meu estômago insistia em dar milhares de voltas me fazendo ter a estranha sensação de que a qualquer momento eu podia botar pra fora tudo o que tinha ingerido naquele dia. Não que eu tivesse comido muita coisa, o nervoso não me permitiu. Observei o relógio na parede, achando aquele tic tac mais irritante do que nunca, e vi que ainda faltavam quarenta e cinco minutos. Sem contar os atrasos, claro. 
A porta da sala foi aberta e um Juliano sorridente entrou me olhando dos pés à cabeça. 
'Você tá um arraso!' Ele fez uma voz afetada e ainda virou a mão de uma forma absurdamente gay. Sabe, às vezes eu tenho pena da Mohana.
'Sai pra lá, seu gay!' Falei sorrindo. Normalmente eu também responderia de uma forma gay, mas naquele dia eu estava nervoso demais para ao menos conseguir fingir ser homossexual. 'Como ela tá?' Perguntei ansioso. 
'Quer mesmo que eu fale?' Ele fez uma cara pervertida e eu fechei a cara. Acho que ele ainda não tinha percebido que eu não estava muito afim de brincadeiras. 'Relaxa, cara! Você tá muito nervoso.' Olha só, ele percebeu! 
Caminhei até o outro lado da sala e sentei no sofá observando Juliano fazer caras e bocas em frente ao espelho. 
'Eu fico bem com essas roupas sociais.' Comentou mexendo na gravata e eu sorri fraco concordando silenciosamente. 'Ela tá linda, cara.' Ele acabou falando depois de um breve silêncio e eu o olhei através do espelho. 
'Eu nem acredito que isso tá acontecendo.' Balancei a cabeça descrente sentindo um sorriso bobo se formar em meu rosto. 
'Eu nem acredito que você tomou coragem de pedir a Júlia em casamento... de novo.' Juliano sentou ao meu lado no sofá. 
'Depois que eu tive aqueles flashes de antes do acidente, do nosso jantar, do meu quase pedido, da briga... eu simplesmente entendi o que ela sentiu durante todo esse tempo. Àquele dia no jantar... ela, de alguma forma, já sabia que eu ia a pedir em casamento e por mais que ela negue, toda a nossa briga foi por pura insegurança da parte dela. Ela não sabia se estava preparada pra um compromisso tão sério, por mais que gostasse tanto de mim. E quando eu paro pra pensar, eu também devia estar inseguro. A gente deixou a nossa insegurança tomar conta da gente e deu no que deu.' Suspirei apoiando meus cotovelos na perna e passei a mão pelos cabelos. 
'Você tava inseguro até os ossos.' Juliano sorriu com o olhar perdido em algum ponto da sala. Provavelmente lembrando de alguns fatos que eu não conseguia. 
'Durante todo esse tempo ela se culpou pelo acidente, e por ter sido tão insegura.' Balancei a cabeça enquanto lembrava das conclusões que eu havia chegado, desde o dia no aeroporto em que eu pedi a Júlia em casamento, até aquele dia, quatro meses depois. 'Sabe, seria loucura pensar que ela se culpou tanto pelo acidente que foi capaz de me perdoar por todas as besteiras que eu fiz?' Encarei Juliano que parecia ter saído do seu flashback e me encarou também. 
'Em se tratando da Júlia... eu não duvido.' Ele deu de ombros. 'Ela parece que gosta de sofrer em silêncio, sempre com a mania de guardar as coisas pra ela. Em todos esses anos de amizade eu nunca consegui a entender muito bem.'
'Eu acho que to começando a descobrir o que se passa na cabeça dela...' Fui interrompido quando Emil, Pedro e Bernardo entraram na sala. 
'Pai! Pai! A mamãe tá linda!' Bernardo correu até mim e eu o carreguei botando no colo. 
'Sua mãe é linda! Mas me fala, como ela tá?' Perguntei sem conter minha curiosidade. 'Ei, isso é trapaça! Não fala, Bernardo!' Pedro riu. Bernardo colocou as duas mãos na boca e me olhou como se pedisse desculpa. 
'Isso não é justo, cara. Todo mundo já viu como ela tá, menos eu!' Confesso que pareci um adolescente em crise falando isso. 
'Você vai ver, em trinta e cinco minutos.' Emil sorriu serenamente observando rapidamente o relógio. 'Sem contar os atrasos, claro!' Claro. 
'Hm... acho melhor irmos lá pra fora, né?' Pedro quebrou o silêncio de quase 10 minutos que já estava me matando. Olhei o relógio pela milésima vez querendo que, de alguma forma, os ponteiros ficassem mais rápidos apenas com a força do meu pensamento. 
A ansiedade estava quase me matando, eu mal sentia meu estômago, e minhas mãos começavam a ficar suadas e inquietas. Essa uma sensação estranhamente agradável, eu sabia que em alguns minutos ela estaria ali e então tudo estaria perfeitamente certo e em seu devido lugar. 
Antes que eu pudesse perceber já estávamos na porta da igreja onde algumas pessoas entravam me cumprimentando e eu respondia automaticamente sem saber direito o que fazer. Vi os pais da Júlia ali fora e fui cumprimentá-los rapidamente, ainda estava um pouco sem graça na frente deles, principalmente do pai dela que eu havia conhecido apenas uma semana antes. Ouvi uma voz me chamar e me virei encontrando minha mãe em um vestido longo, azul marinho e os cabelos presos em um penteado bonito. Ela sorriu para os pais da Júlia e se virou pra mim. 
'Como você tá se sentindo?' Perguntou passando a mão por meu cabelo e eu forcei um sorriso. 'Bem.' Falei casualmente, ou tentando pelo menos. 
'Hm... te conheço a mais de vinte anos, meu filho. Esse seu sorriso forçado não funciona comigo, eu sei que você tá nervoso.' Ela sorriu sincera me fazendo ficar um pouco sem graça. 'Ai, meu Deus, meu primogênito vai casar!' Ela falou de uma maneira um pouco histérica e eu ri. 'Agora vai indo lá pra dentro, não esquece de cumprimentar direito as pessoas e fale para os meninos e as namoradas irem logo pro altar também.' Minha mãe arrumou minha gravata e depois se virou para conversar com os pais da Júlia. 
Entrei na igreja com Juliano, Emil e Ash em meu encalço. Mohana estava com a Júlia e Pedro provavelmente estava se pegando com a Vicky, minha prima. Desde que ele terminou com a Kristen e voltou para a vida de pegador, a Vicky tinha sido sua vitima constante. 
Depois de cumprimentar algumas pessoas, subimos no altar e eu olhei a igreja que ia se enchendo aos poucos. Não era um lugar enorme, mas também não era pequeno. Bernardo surgiu de algum lugar correndo e pulou no meu colo sorrindo. 
'A mamãe chegou.' Falou baixo em meu ouvido e eu senti meu coração querer sair pela boca. Antes que eu pudesse falar alguma coisa, vi Mohana entrar pela igreja e atravessa-la cumprimentando algumas pessoas pelo caminho. Ela usava um vestido rosa claro e os cabelos estavam soltos caindo por seus ombros, Juliano ao meu lado sorriu observando a namorada se aproximar. 
'Chegamos!' Ela falou animada dando um selinho rápido em Juliano e depois se virando pra mim. 'Iai, preparado pra casar?' Perguntou num tom brincalhão. 
'Ela vai demorar pra entrar?' Perguntei nervoso botando Bernardo no chão e segurando-o apenas pela mão. Mohana conferiu o relógio de Juliano e depois sorriu negando. 
'Só mais alguns minutos. Sua mãe já tá pedindo pra todo mundo que tá lá fora entrar na igreja.' Ela apontou a porta onde várias pessoas entravam ao mesmo tempo. 'Hora de irmos lá pra fora.' Falou se virando para Juliano, Emil e Ash. 'Onde o Pedro se meteu?'
'To aqui!' Um Pedro um pouco ofegante apareceu com um sorriso no rosto. Observei Vicky sentar ao lado de Kate, sua irmã gêmea, com um sorriso tão idiota quanto o do Pedro.
'Vamos, vamos, vamos.' Mohana falou apressada pegando Juliano e Bernardo pela mão e os outros três a acompanharam para fora da igreja. Pedro entraria com a minha mãe, James entraria com a mãe da Júlia e Bernardo entraria com as alianças. 
Passei a mão pela testa reparando o quão suada ela estava e fiz careta respirando fundo. A maioria das pessoas que já estavam sentadas olhavam sorrindo pra mim, e eu estava parecendo um adolescente antes de beijar uma garota gostosa. Ridículo. 
O padre apareceu minutos depois sorrindo pra mim e falando algumas coisas que eu mal consegui prestar atenção. A ansiedade estava me corroendo por dentro e eu sentia que meu coração poderia saltar pela minha boca a qualquer instante. Comecei a respirar profundamente na tentativa de me acalmar e fazer com que o suor parasse de brotar na minha testa e em minhas mãos. 
Os minutos começaram a passar tão lentos que pareciam intermináveis horas. Eu sentia como se os ponteiros do relógio estivessem em algum tipo de complô conta mim. 
Quando eu menos esperava um silêncio tomou conta da igreja e eu acho que consegui ouvir meu próprio coração batendo desesperadamente. Uma música começou a ser tocada e eu vi Mohana e Juliano entrarem lentamente e atravessarem a igreja sorrindo. Emil e Ash vieram logo atrás, depois a minha mãe com o Pedro e o James com a mãe da Júlia.
A música parou fazendo com que os murmúrios das pessoas na igreja pudessem ser ouvidos. Emil que estava ao meu lado, deu dois tapinhas em meu ombro e Ash sorriu sinceramente, tentando me passar confiança. 
Eu não precisava de confiança. Eu estava confiante, eu sabia o que estava fazendo e tudo parecia mais certo do que nunca, como se todas as peças do quebra cabeça se encaixassem perfeitamente, agora faltasse apenas uma ultima peça para tudo ficar completo. 
E então eu vi a ultima peça que faltava do quebra cabeça, a peça mais bonita e mais importante, a pecinha principal e que dava todo o sentido ao meu quebra cabeça. 
Júlia estava ali, na porta da igreja, de braço dado com o pai e sorrindo pra mim. O sorriso mais lindo de todos os sorrisos, o mais sincero, o mais cativante. O sorriso que faria até o mais senil e irritante dos homens morder a língua. Tá, isso é uma musica, mas não vem ao caso. Bernardo estava logo à sua frente, segurando uma pequena caixinha com as alianças. 
A Marcha Nupcial invadiu a igreja e antes que eu percebesse já tinha prendido a respiração vendo a Júlia dar passos lentos e calmos até o altar. Ela sorria para algumas pessoas e vez ou outra mordia o lábio mostrando nervosismo. Observei seu vestido branco que parecia ter alguns brilhantes espalhados por todo ele. Seu colo estava a mostra e o pequeno pingente em forma de coração que eu havia lhe dado pendia em seu pescoço. 
Quando ela estava apenas a alguns passos de mim, seus olhos fixaram-se nos meus e eu vi a felicidade refletida neles. A dela, e a minha. Ou a nossa, porque a partir daquele momento, mais do que nunca, tudo que era meu seria dela, e tudo que era dela seria meu. 
Cumprimentei seu pai com um aperto de mão e um sorriso que foi retribuído quando ele entregou a mão dela pra mim. Segurei sua mão entrelaçando nossos dedos e reparei que ela tremia, passei meu polegar calmamente pelas costas de sua mão numa tentativa de acalmá-la e sorri observando seus olhos se encherem de lágrimas. Beijei carinhosamente sua mão e nos viramos para o padre com sorrisos bobos em nossos rostos. 
O padre começou a cerimônia falando algumas coisas que praticamente passavam despercebidas por meus ouvidos. Toda a minha atenção estava voltada para a mulher ao meu lado que sorria prestando atenção ao que o padre falava enquanto deixava que algumas lágrimas caíssem livremente por seu rosto. Nossos dedos ainda estavam entrelaçados e eu sentia ela apertar minha mão vez ou outra e me olhar de canto de olho deixando que um sorriso brincasse em seus lábios. O meu sorriso parecia mais que era permanente, cheguei até a prever as piadinhas do tipo "dormiu com um cabide na boca?", mas nem me importava. Enquanto eu tivesse a Júlia ali comigo, era assim que eu ia permanecer. 
'As alianças.' A voz do padre me despertou do meu transe. Bernardo surgiu ao meu lado sorrindo pra mim e estendendo as alianças. Peguei uma delas e sorri em agradecimento pra ele. Me virei de frente pra Júlia, e ela fez o mesmo vacilando o sorriso enquanto tentava segurar as lágrimas que insistiam em cair por seu rosto. Eu sorri pegando sua mão que havia voltado a tremer e respirei fundo. 
'Hm... acho que esse era pra ser o momento em que eu digo que preparei meus votos com o maior cuidado e os ensaiei cuidadosamente em frente ao espelho durante semanas seguidas, e começo a esquecer as palavras e jogar todo meu trabalho no lixo.' Falei calmamente fazendo as pessoas rirem. 'Mas pra falar a verdade eu não ensaiei meus votos durante semanas, e nem muito menos os preparei com o maior cuidado. Essa noite eu não quero que nada seja preparado e nem ensaiado. Tudo que eu disser, vai ser espontaneamente e vai ser o que eu estou sentindo no momento, ou sinto desde que eu conheci você.' Comecei lentamente a escorregar a aliança pelo dedo trêmulo da Júlia enquanto a olhava guardando seus traços em minha memória. 'Eu gostaria de puder dizer tudo que eu vivi ao seu lado ao longo desses quase cinco anos, mas infelizmente o destino nos pregou uma peça e apagou parte dessas memórias do meu cérebro. Tudo o que eu tenho guardado são as memórias dos melhores três anos da minha vida, os três anos que eu redescobri você e o Bernardo, e que eu descobri o que é se apaixonar por alguém e aceitá-la com todos seus defeitos, por mais irritantes e absurdos que eles possam parecer.' Continuei escorregando a aliança enquanto olhava os olhos da Júlia que constantemente se fechavam e deixavam uma grande quantidade de lágrimas cair por eles, mas ainda assim o sorriso permanecia em seu rosto.
'Nesses anos eu descobri que ser pai é a maior alegria que um homem pode ter, e que se você tiver a mulher certa ao seu lado, não importa quantos empecilhos que a vida coloque, você sempre vai arrumar um jeito de passar por cima deles. Descobri também que por milhares de vezes é preciso colocar a felicidade de outras pessoas acima da nossa, e que essa é a forma mais sincera de demonstrar o quanto você se importa com o outro.' Ouvi algumas pessoas fungando ao meu lado e deduzi que deviam ser as meninas e nossas mães. 'E eu não teria aprendido nada disso se não fosse por essa mulher linda que tá aqui na minha frente chorando e borrando toda a maquiagem.' Falei rindo fazendo a Júlia ficar sem graça e passar rapidamente a mão livre pelo rosto. 'Não precisa limpar o rosto, mesmo que ele estivesse completamente borrado, você ainda seria a mulher mais linda e encantadora que eu conheço.' Ela corou com meu comentário e eu sorri ainda mais. Eu amava deixá-la sem graça e mais ainda fazê-la corar. 'Eu me apaixonei pela menina sem maquiagem, com um sorriso sincero que fica sem graça com meus elogios e sabe ser mãe, amiga, namorada, companheira e amante nas horas certas. A pessoa mais compreensiva que eu conheço, a que sabe me ouvir e me dizer as palavras certas nos momentos mais que certos, a única que consegue me passar toda a confiança que eu preciso com um único sorriso e conseguiu ser forte por nós dois quando parecia que tudo estava desabando em cima da gente.' A aliança estava praticamente encaixada perfeitamente no dedo dela.
'Júlia... você foi a mulher que eu escolhi pra ficar do meu lado e me ajudar a construir minha vida, e há muito tempo eu sei que essa é provavelmente e decisão mais certa que eu já tomei. Acho que só me resta agradecer por você ser quem você é, por ter me aceitado como eu sou e nunca ter desistido de mim.' Repeti a frase que eu já havia lhe falado muitos meses antes. 'Durante muito tempo eu senti falta de alguma coisa na nossa relação, sem me dar conta de que diante dos nossos gestos e olhares, isso ficava muito mais explicito do que dito em voz alta. E eu sei que você, assim como eu, nunca precisou ouvir isso para saber que é verdade, mas se ainda resta alguma dúvida... Eu amo você.' Terminei encaixando a aliança no dedo da Júlia, e beijei seu dedo ouvindo ela soluçar baixinho e apertar minha mão com um sorriso estampado no rosto. 
Bernardo parou ao lado dela estendendo a outra aliança e ela pegou se virando pra mim em seguida. Ela fungou antes de começar a falar com um sorriso bobo no rosto. 
'Bom... depois disso tudo, acho que meus votos ridiculamente ensaiados vão todos por água abaixo.' Rimos. 'Eu só queria te agradecer, primeiramente por ter me dado o melhor presente de todos e o que mais mudou minha vida.' Olhamos para Bernardo que sorriu colocando as duas mãos no rosto como se estivesse com vergonha fazendo toda a igreja rir. 'Também queria agradecer por você ter ficado do meu lado todos esses anos, por ter me ajudado e me apoiado quando eu mais precisei e principalmente por você ter me aceitado como eu sou, com todos os meus defeitos irritantes e absurdos!' Ela sorriu fraco escorregando a aliança por meu dedo. 'Eu soube desde o inicio que você seria o cara que ficaria do meu lado, e hoje mais do que nunca eu tenho certeza disso. Eu quero passar o resto da minha vida sentindo você me olhar enquanto eu durmo e dizer "bom dia, dorminhoca" ou "bom dia, bela adormecida" me dando um beijo no nariz.' Ela deu o sorriso mais bobo de todos e eu ri ficando um pouco sem graça, eu nem sabia que ela podia sentir que eu ficava a observando dormir. 'E eu não quero nunca sentir isso por outra pessoa, porque eu sei que nenhuma vai ser tão certa pra mim como você. E não importa quantas vezes eu repita as três palavras mágicas, elas nunca vão conseguir expressar o quanto eu realmente amo você.' Júlia terminou de encaixar a aliança em meu dedo e me olhou com os olhos cheios de lágrimas. 
Passei o polegar calmamente por seu rosto tirando as lágrimas que ainda desciam e sorri aproximando meu rosto do dela e selando nossos lábios carinhosamente. Uma de suas mãos estava espalmada em meu peito e a outra fazia um carinho bom em minha nuca, me fazendo quase esquecer que aquilo era uma igreja e aquele de fato era nosso casamento. 

O padre nos declarou marido e mulher e vendo o sorriso no rosto da Júlia eu sentia como se ela fosse um espelho, porque eu devia estar exatamente com o mesmo sorriso. Os olhos dela estavam mais transparentes que o normal, pelo menos pra mim, e tudo que eu conseguia ver neles era felicidade. Nada de toda aquela insegurança que nos assombrou por tantos anos. 
Saímos da igreja de mãos dadas, cumprimentando algumas pessoas e sorrindo para quem quer que fosse. Bernardo estava no colo de Juliano brincando com seus cabelos nos fazendo rir. 
Quando chegamos do lado de fora a limusine que os caras da banda tinham alugado para nós, estava esperando para nos levar até o lugar da festa. Nos despedimos rapidamente das pessoas e entramos no enorme carro que tinha as palavras "Recém Casados" no vidro traseiro. Foi um pouco difícil para a Júlia conseguir entrar com aquele vestido cheio de panos, mas ela, Mohana e Ash deram um jeito. 
- Vejo vocês na festa. – Falei recebendo uns tapinhas nas costas. – Se importa de ir com o Juliano e a Mohana? – Perguntei pegando Bernardo no colo e ele negou balançando a cabeça e sorrindo. 
- Quero falar com a mamãe. – Ele falou apontando pra dentro do carro e eu concordei botando-o sentado no banco ao lado da Júlia.
- Diga, meu amor. – Ela sorriu colocando-o no colo. 
- Você tá linda. – Ele fez uma cara sapeca que fez a Júlia quase se desmanchar em lágrimas. 
- Brigado, meu amor. Você também tá lindo e foi o pajém mais perfeito de todos! – Ela o abraçou beijando sua cabeça em seguida. – Amo você, meu príncipe! 
- Também amo você, mãe. – Bernardo olhou da Júlia pra mim. – E você, pai. – Sorrimos os três e ele escorregou pelo bando saltando do carro. – Não esquece de falar pra ela. – Ele falou um pouco mais baixo, mas não baixo o suficiente pra Júlia não ouvir, já que ela me olhou com a sobrancelha arqueada. Sorri pra ele passando a mão por sua cabeça e ele correu para onde Mohana e Juliano estavam parados nos observando. 
Entrei no carro sorrindo para o chofer e ele fez um aceno com a cabeça ligando o carro. 
- Não esquece de me falar. – A Júlia sorriu sugestiva. 
Peguei sua mão que estava com a aliança e beijei novamente seu dedo. 
- Olha o que tem dentro dela. – Falei sorrindo. Ela me olhou em dúvida e depois tirou a aliança do dedo olhando a parte de dentro. 
- Aw! – Júlia deixou uma exclamação sair e levou sua mão livre até sua boca. 
Dentro da aliança a frase "tinha que ser você"
Peguei a aliança da mão dela e coloquei novamente em seu dedo desejando que ela nunca saísse dali. 

O local da festa era uma enorme casa de eventos que estava toda decorada com lírios brancos cuidadosamente escolhidos pela Júlia. A casa estava com a decoração toda branca e era incrível como eu podia perceber a Júlia em todas as partes da decoração. Quando entramos fomos recebidos por alguns garçons e pessoas que trabalhavam ali, além de alguns convidados que já haviam chegado. 
Aos pouco a casa foi se enchendo de pessoas e a musica que vinha do salão onde seria a boate já podia ser ouvida. Eu e a Júlia estávamos circulando entre as mesas cumprimentando os convidados e tirando intermináveis fotos. Se ela não estivesse comigo e eu não sentisse a felicidade percorrendo cada centímetro do meu corpo eu provavelmente estaria achando aquilo tudo um tédio. Bernardo vez ou outra nos acompanhava pelas mesas, mas acredito que ele ficava desconfortável com tantas pessoas apertando suas bochechas e dizendo o quão lindo ele era e acabava voltando para a mesa onde Juliano, Mohana, Emil, Ash e Pedro estavam. 
- Juro que não vou te matar se você disser que também não agüenta mais isso. – A Júlia comentou baixo forçando um sorriso enquanto íamos em direção a outra mesa com alguns parentes meus. 
- Tá brincando? Eu tô amando isso aqui! – Falei irônico fazendo a Júlia gargalhar. – Só faltam algumas mesas, amor. E depois nós podemos nos divertir e aproveitar o nosso dia! – A segurei pela cintura e ela me deu um selinho demorado antes de se virar e sorrir para as pessoas que estavam na mesa mais próxima. 

Mais de meia hora depois, finalmente paramos na ultima mesa que era a que os caras estavam junto com as meninas. 
- Ai, não acredito que acabou! – A Júlia comentou enquanto abraçava Moh que ria da cara dela. – Sério quando vocês forem casar façam uma cerimônia simples. – Ela riu agora abraçando Ash. 
Juliano foi o primeiro a me abraçar e me desejar tudo de bom, depois o Emil e então o Pedro que fez praticamente um discurso. 
Tiramos algumas fotos, a maioria deve ter ficado engraçada já que fazíamos caretas e poses nada convencionais arrancando risadas das pessoas mais próximas. O garçom chegou com várias taças de champanhe e nós brindamos animados. Eu praticamente esvaziei o copo e quando olhei para a Júlia vi que ela tinha feito o mesmo. 
- Hoje o dia é nosso, a gente pode! – Ela sorriu dando de ombros e me abraçando pela cintura. Concordei a apertando contra meu corpo e beijei sua boca de verdade pela primeira vez naquele dia. Sua língua brincou com a minha me fazendo sorrir enquanto eu sentia todas as sensações boas que o beijo dela me causava. O beijo só foi interrompido quando nossas mães chegaram dizendo que tínhamos que tirar mais algumas fotos com elas e com o pai da Júlia. Ela rolou os olhos discretamente me fazendo rir enquanto a puxava pela mão para a enorme mesa onde estava o bolo de quatro andares com dois bonequinhos em cima. 
- Essa bonequinha é gorda. – Ela fez uma careta. 
- Eu gostei, parece a gente mesmo. – Dei de ombros fazendo-a entortar a boca. 
Tiramos mais algumas fotos com nossos pais e Bernardo e depois finalmente nossas mães nos liberaram e voltamos para a mesa que estávamos antes. 
- Não esqueçam que daqui a pouco é hora da valsa. – minha mãe nos lembrou e eu fz careta recebendo um tapinha num braço dado pela Júlia.
- Não pisa no meu pé! – Ela falou rindo. 
- Pisar no seu pé? Eu sou um pé de valsa, meu bem. Vai ser a melhor valsa que você já dançou na sua vida! 
- Além de ser a única. – Ela completou rindo da minha cara. 
- Vamos sentar? – Perguntei apontando a mesa em que nossos amigos estavam e ela fez bico cruzando os braços. 
- Nãão, fica aqui comigo. Quero ficar só com você. – Ela passou os braços por meu pescoço e eu sorri cruzando os meus em sua cintura. – Eu quero aproveitar minhas primeiras horas de casada com meu marido. – Ela riu passando o nariz pelo meu. 
- É? E eu quero aproveitar todas as minhas horas de casado com a minha mulher. – Beijei rapidamente seus lábios. – Só minha. – Repeti mais baixo vendo-a sorrir e a trouxe mais pra perto encostando nossas bocas e deixando que ela controlasse a situação e me provocasse mordendo meu lábio inferior. 
Vi algum flash ser disparado em nossa direção, mas nem liguei. Segurei o rosto da Júlia com uma de minhas mãos e o acariciei enquanto ela sorria sem partir o beijo e eu fazia o mesmo. 

Estávamos indo em direção à pista de dança para que a Júlia jogasse o buquê e nós dançássemos a valsa, quando ela parou de repente e olhou para a entrada. Repeti seu gesto e vi Jenny entrando junto com o noivo, Felipee. Ela apertou minha mão e me olhou sorrindo sem jeito. 
- Você quem sabe. – Falei sincero dando de ombros. Ela balançou a cabeça concordando e me puxou pela mão até onde Jenny estava. 
- oi, Jenny. Fico feliz que você tenha vindo. – Falou um pouco sem graça e Jenny sorriu. 
- Me desculpem não ter ido para a igreja, é que como eu falei, o Felipee chegou hoje de viagem. 
- Não tem problema. Ficamos felizes que você tenha vindo mesmo que só para a festa. – Apertei a mão da Júlia a encorajando. – E eu queria te pedir desculpas por, hm... tudo na verdade. 
- Ah, imagina, Júlia. Não tem problema algum, nem tem o que se desculpar. – Jenny sorriu passando a mão pelo braço da Júlia.
- E eu também queria te agradecer. – Ela continuou. – A aliança é simplesmente linda. – Júlia mostrou a mão que tinha a aliança. – Você faz um ótimo trabalho. 
A verdade é que a Jenny é vendedora de jóias por encomenda e eu já havia visto algumas jóias que ela tinha feito, e por isso resolvi a escolher para fazer a aliança do nosso casamento. Nunca houve nada entre mim e a Jenny, a gente se encontrou apenas umas duas vezes para que eu pudesse lhe dizer como queria o anel e ela soubesse o exato tamanho dos nossos dedos. 
- Muito obrigada, eu fico feliz que vocês tenham gostado. – Sorriu sincera nos olhando. 
- Hm... se quiser aproveitar, a Júlia vai jogar o buquê agorinha. – Desviei o assunto e apontei para a pista de dança. Jenny olhou para o noivo e ele sorriu. 
- Vai lá pegar o buquê. 
Fomos novamente em direção a pista de dança onde algumas amigas da Júlia, minhas primas e até amigas da minha mãe já estavam ansiosas para pegar o buquê. Imaginei todas aquelas mulheres se matando por causa de um simples ramo de flores e ri sozinho. 
- Boa sorte! – Falei antes de dar um selinho na Júlia e ir para onde os caras estavam olhando para as namoradas e rindo. 
Juliano deu dois tapinhas em meu ombro e me sacudiu. 
- Maridãão! – Ele riu. – Cara, nem acredito que vocês casaram. Achei até que o Emil e a Ash iam primeiro. – Ele olhou para Emil que riu balançando a cabeça. 
- Eu também. – Pedro comentou sem tirar os olhos da Vicky que ria enquanto a Júlia fingia que ia jogar o buquê deixando as mulheres ainda mais histéricas. 
- Um, dois... – A Júlia começou a fazer a contagem. – Três! – Ela finalmente jogou o buquê que por coincidência, ou destino, caiu exatamente nas mãos de Mohana e Ashley. 
Eu e Pedro começamos a rir alto enquanto o Emil e o Juliano se entreolhavam sem acreditar. Moh e Ash deram pulinhos animados e abraçaram a Júlia sorrindo. 
- Pegamos! – As duas disseram juntas correndo até os namorados e os abraçando. 
- Amiga, se importa se eu ficar com ele? – Mohana perguntou abraçando Juliano pela cintura e segurando o buquê com a mão livre. 
- Claro que não, boba. O que vale é que nós duas pegamos! – Ash sorriu e puxou Emil para um beijo. 

Olhei para Júlia que vez um gesto sexy com o dedo me chamando para a pista de dança e eu ri indo até ela e a abraçando pela cintura. As luzes ficaram mais fracas e um holofote de luz branca incidiu sobre a gente enquanto as pessoas se aproximavam e formavam um círculo em volta da gente para nos observar. 
- Se prepare para a melhor valsa da sua vida. – Falei a olhando nos olhos ela concordou com um sorriso. 


Nos movimentávamos lentamente pela pista sem conseguir tirar os olhos um do outro. Eu cantava a música baixinho enquanto via a mulher da minha vida ali na minha frente com os olhos cheios de lágrimas e o sorriso mais sincero que alguém pode ter. 
Dei um beijo de leve em seu nariz vendo-a abrir um sorriso bobo e passei minha mão, que ainda estava entrelaçada na sua, por seu rosto enxugando as lágrimas que ela havia deixado escapar. 


Encostei minha testa na dela e respirei fundo tentando absorver o máximo daquele momento que eu podia. Eu queria guardar aquilo pra sempre, aquela sensação de ter a Júlia do meu lado e saber que ela é minha, ver aquele sorriso lindo no rosto dela a felicidade clara e pura em seus olhos para quem quisesse ver. Não havia nada mais do que eu poderia querer do que aquilo. Tudo que eu sempre quis estava ali e aquele momento clichê me fez ter a certeza de que eu era de fato um cara de sorte. 


- Não acredito que eles fizeram mesmo aquilo! – Júlia falou rindo enquanto subíamos o elevador. 
No final da festa Emil e Juliano, já com um nível alto de álcool circulando pelo sangue, pegaram o microfone e pediram suas respectivas namoradas em casamento. Mohana e Ashley ficaram totalmente sem reação quando a festa inteira começou a aplaudir e o DJ colocou uma musica romântica pra eles dançarem. Só não era garantido que eles lembrariam daquilo depois. 
Me virei para a Júlia ainda rindo e analisei o vestido dela tentando me decidir como iria pegar ela no colo. Ela rolou os olhos. 
Henrique, esse vestido é enorme e pesado, você não vai conseguir. – Riu enquanto saíamos do elevador. 
- Claro que vou! – Falei com convicção quando paramos observando o pequeno corredor que tinha uma enorme porta dando acesso ao quarto mais luxuoso do hotel. Presente de casamento da minha mãe. - Segura o cartão. – Lhe entreguei o cartão que era a chave da suíte e ela riu pegando-o da minha mão. Respirei fundo e a segurei pela cintura passando o outro braço desajeitadamente por detrás de suas pernas e a carregando. A quantidade de tecido que havia no vestido não facilitava meu trabalho, mas com um pouco de esforço caminhei até a porta e a Júlia encaixou o cartão destrancando a porta e a abrindo nos revelando o enorme quarto da suíte. 
Em uma parte as paredes eram de vidro e mostravam a bela vista que o quarto mais alto do hotel podia dar. Caminhei até lá ainda com a Júlia em meu colo e parei perto dos vidros. 
- Uau. – Ela falou baixo observando a cidade iluminada lá fora. Ao longe era possível ver a cidade e suas luzes que chamavam a atenção. – É lindo. – Ela falou me olhando. Eu sorri. 
- Só não é mais lindo que você. – Clichê. 
- Bobão! – Ela deu língua. – Amo você. – Seu polegar acariciou minha bochecha e eu aproximei meu rosto do seu. 
- E eu amo você. – Falei antes de selar meus lábios nos dela. 
Caminhei cegamente até a enorme cama que ficava do outro lado do quarto e deitei a Júlia com cuidado sobre ela. Tirei meu paletó rapidamente, afrouxei minha gravata ao mesmo tempo em que abria alguns botões da camisa. 
Júlia riu da minha pressa e tirou os sapatos me puxando pela gravata e voltou a me beijar enquanto desabotoava minha camisa lentamente. A camisa escorregou por meus ombros e eu a joguei ao lado da cama. Minhas mãos procuraram o fecho do vestido da Júlia e por mais que eu tentasse não conseguia achar. 
- Calma, cuidado com meu vestido. – Ela riu se afastando de mim e levantou da cama. – Vem, me ajuda. – Ela se virou de costas pra mim e mostrou onde estava o fecho. Eu ri baixo vendo que ele ficava escondido e eu provavelmente nunca o acharia. 
Beijei seu ombro descoberto enquanto descia o zíper do vestido e passava meu dedo carinhosamente pela parte de suas costas que ia ficando desnuda. Senti ela se arrepiar quando o zíper chegou até o final do fecho e eu com cuidado abaixei o vestido ajudando-a a tirar ele. 
Ela se virou de frente pra mim usando apenas uma calcinha branca enquanto com um dos braços ela cobria os seios. Sorri me aproximando dela e segurei seu braço o abaixando e a deixando sem graça quando observei seu corpo praticamente nu. Segurei seu rosto com as duas mãos e a beijei novamente sentindo nós dois nos entregarmos completamente aquele beijo. 
Aquela noite ela foi mais minha do que nunca, e eu fui mais dela do que nunca. 
Porque estávamos exatamente aonde devíamos e queríamos estar. 



- Austrália! – Falei sorrindo quando desembarcamos no Kingsford Smith, em Sidney. Iríamos passar quinze dias em lua de mel e nem precisamos discutir pra saber onde ela seria. A Júlia sabia que meu sonho era a Austrália e ela também sempre quis conhecer. 
- Aaai, não acredito que vamos passar nossa lua de mel na Austrália. – Ela falou com um sorriso brincando em seus lábios. – A casa é em frente à praia? 
- Com vista pro mar. – Confirmei sorrindo. 
Caminhamos até a parte de fora do aeroporto, onde pegamos um táxi e eu dei o endereço da casa que havíamos alugado. Um amigo da minha mãe já havia alugado aquela casa alguns meses antes, e deu a idéia de ficarmos nela também. 
- Quinze dias sem fazer nada! – Falei abraçado à Júlia dentro do táxi. – Depois de tanto trabalho gravando o CD, nem acredito que vou ter um descanso. 
- Hm... você veio pra cá pra descansar então? – A Júlia deu um sorriso malicioso. 
- Nah, eu vim me aproveitar da minha mulher e espero que ela não me dê um minuto de descanso. – Pisquei pra ela que gargalhou. 
- Não vou dar mesmo. – Ela me deu um selinho rápido e sorriu. – Tenho que me aproveitar enquanto meu marido não fica famoso. Depois disso vou ter que agüentar as fã correndo desesperadas atrás de você. – Fez uma careta. 
- Eu não troco nem mil fã pela mamãe mais linda. – Beijei sua testa e ela riu encostando a cabeça em meu ombro. 
A viagem do aeroporto até a casa demorou um pouco. A Júlia estava aproveitando para tirar várias fotos e surtar completamente com a beleza da cidade. 
Quando saltamos do táxi nos deparamos com uma casa creme com portas de madeira escura e que ficava numa parte alta em que dava pra ver perfeitamente a praia na parte de trás. Um muro baixo ficava um pouco a frente o jardim não era muito grande, na frente havia apenas um espaço para guardar carros. Entramos na casa e a Júlia correu para a parte de trás, passando pela sala e pela cozinha rapidamente. Botei as malas no canto da sala e fui também para a parte de trás. O jardim era maior que o da frente e havia uma piscina não muito grande que ficava metade na sombra e a outra metade no sol. 
- Amor, olha essa vista. – A voz da Júlia chamou minha atenção e eu atravessei o jardim chegando onde ela estava. – É uma das coisas mais lindas que eu já vi. – Ela tirou uma foto e eu a abracei por trás encostando meu queixo em seu ombro e sorri. Era realmente uma vista perfeita e digna de fotos. O mar era completamente azul e a areia branquinha, dava pra ver várias pessoas surfando e outra estiradas na areia pegando sol. 
- Quero surfar! – Falei animado. 
- Quero ver você surfando! – Ela brincou e eu dei língua. – Vamos trocar de roupa que eu quero aproveitar o máximo minha lua-de-mel. – Júlia se virou me dando um selinho, mas eu a puxei de novo e aprofundei um beijo fazendo com que ela sorrisse e me abraçasse pelo pescoço. 
- Antes de ir pra praia, a gente podia estrear a casa. Algo me diz que a cama daqui é maravilhosa. – Brinquei vendo-a arquear uma sobrancelha e depois sorrir maliciosa. 
- E algo me diz que essa lua-de-mel promete! – Ela me deu um selinho e me puxou pra dentro da casa. 

Já faziam dez dias que nós estávamos na Austrália. Nossas peles já estavam totalmente bronzeadas e a Júlia não parava de reclamar sobre como ela estava gorda e de como precisava parar de comer toda a aquela comida gordurosa australiana. 
Eu estava saindo da água e indo em direção a Júlia que estava deitada em uma daquelas cadeiras de praia e com o ipod no ouvido. Uma loira passou pela minha frente e inconscientemente eu olhei para... bem, a bunda dela, afinal eu sou homem. 
Quando sentei ao lado da Júlia recebi um tapa no braço que fez minha pele arder por estar queimada demais. 
- Outch! – Falei passando a mão pelo meu braço. Ela não falou nada, apenas levantou a mão e girou a aliança o dedo. – Desculpa, eu só olhei, foi sem querer. – Falei emburrado. Mulheres nunca irão entender que nós podemos amá-las e ainda assim olhar para outras mulheres. Olhar nem tira pedaço! 
- Tô começando a entender essa sua adoração pela Austrália. – Ela comentou séria. Suspirei audivelmente balançando a cabeça em negação. 
- Nem começa, Júlia. – Acho que a insegurança era o pior defeito que a Júlia tinha, até porque era totalmente absurda diante de tudo que eu já havia dito pra ela. Senti seus olhos em mim enquanto encarava o mar calmo à minha frente. 
- To sendo insegura de novo, não to? – Perguntou num tom baixo e eu confirmei ainda sem olhá-la. – Desculpa. – Suspirou baixo. 
A olhei com os olhos apertados por causa do sol e sorri fraco me aproximando dela e lhe dando um selinho. Ouvi meu celular tocar a Júlia o pegou na bolsa e me entregou. Uma foto minha com Juliano estava no visor. 
- Fala, cara. – Falei animado. 
- NOSSO CD É NÚMERO 1!!! – Ele gritou e eu ouvi risadas no fundo. Demorei alguns segundos pra entender. 
- O QUE?? – Perguntei incrédulo e ele riu. 
- Vou botar no viva voz. – Dois segundos depois ouvi gritos. 
- NOSSO CD É NÚMERO 1, PORRA!! – Várias vozes falaram ao mesmo tempo e eu sorri sem acreditar e me levantei num pulo. A Júlia me olhou assustada e se levantou também ficando na minha frente. 
- O TELEFONE DA GRAVADORA NÃO PÁRA DE TOCAR, VOCÊS TEM  ENTREVISTAS AGENDADAS E OS SHOWS JÁ VÃO SER MARCADOS!! – Foi a vez do Emil gritar. 
Abri a boca na tentativa de falar alguma coisa, mas meu coração ainda estava acelerado e minha cabeça estava girando. Sorri pra Júlia vendo-a sorrir de volta mesmo sem saber o que estava acontecendo. 
- PORRA!! – Foi a única coisa que eu consegui gritar ao mesmo tempo em que abraçava a Júlia e ela ria sem entender nada. – Eu... ligo pra vocês mais tarde pra saber direito das coisas. 
- LIGA PRO MEU CELULAR QUE A GENTE VAI SAIR PRA COMEMORAR!!! – Juliano gritou antes de desligar na minha cara. Olhei pro celular ainda incrédulo e ouvi a voz da Júlia nervosa. 
- Fala, o que aconteceu? – Ela sorria como se já soubesse. 
- Nosso CD... – Falei respirando pausadamente. – É número 1!!! – A segurei pela cintura e a girei no ar ouvindo ela rir enquanto me abraçava apertado. 
- Eu... – Ela me deu um selinho. – Sempre... – Outro selinho. – Soube. – Outro selinho. – Tava na cara que vocês iam ser um sucesso. Falei que meu namorado-agora-marido é foda! – Ela sorriu boba me fazendo rir. 
- Cara, eu nem acredito. – Falei a colocando de volta na areia e ela passou a mão por meus cabelos molhados que caiam na testa. – Vai ser estranho quando a gente voltar. – Ri ainda sem acreditar. 
- Vão ter várias groupies lá no aeroporto esperando pra te atacar. – Ela brincou. 
- Nah, a única groupie que eu quero já é minha e só minha. – A olhei vendo-a balançar a cabeça em concordância antes de me beijar sem se preocupar se estávamos em publico ou não. 




Henrique, eu to ficando nervosa! – A Júlia falou rindo no banco do carona. 
- Calma, amor. A gente já tá chegando. – Ela botou a mão na venda que cobria seus olhos e eu a tirei de lá. – Não tira, droga! – Falei rindo. 
Ela bufou frustrada arrancando uma risada de Bernardo no banco traseiro. 
Quando estacionei o carro ela tirou o cinto as cegas e abriu a porta antes mesmo de esperar para que eu a ajudasse. Peguei Bernardo no banco de trás e o botei no chão. Ele correu e segurou uma das mãos da Júlia, enquanto eu segurei a outra. 
- Vai logo, Henrique! – Falou impaciente nos fazendo rir mais uma vez. 
- Pronto, fica parada aqui. – A coloquei de frente para a enorme casa a nossa frente. Desamarrei a venda de seus olhos ainda impedindo-a de ver e aproximei minha boca de seu ouvido. – Feliz aniversário. – Tirei a venda e ela piscou os olhos algumas vezes tentando se acostumar com a claridade. 
Henrique! – Ela praticamente gritou segurando em meu braço e eu sorri. – Isso.. essa... esse não é meu presente, é? – Perguntou incrédula e eu ri confirmando. 
- É! Nossa casa. – Falei calmamente e ela me olhou por um segundo antes de olhar novamente para a casa. Estendi minha mão aberta mostrando a chave na palma da minha mão e ela soltou um gritinho histérico. – Vai lá, é sua! – Sorri a encorajando. 
Ela respirou fundo antes de pegar Bernardo no colo e depois pegar a chave na minha mão caminhando lentamente até a porta de madeira escura. Vi seus olhos admirarem mais uma vez a casa antes dela girar a chave e abrir a porta. 
A casa tinha uma sala enorme, que por estar sem móveis parecia ser ainda maior. As paredes eram claras e o chão de mármore brilhava de tão limpo. A escada ficava mais no canto perto da porta que levava até a também enorme cozinha. Havia três grandes janelas na sala, e perto da escada uma varanda envidraçada que dava na lateral oposta da casa. 
Henrique... – A Júlia botou Bernardo no chão ainda com a boca aberta nos fazendo rir. – É linda... e enorme. 
- E é nossa. – Completei fazendo com que ela me olhasse sorrindo. 
- É perfeita. – Ela me abraçou e segundos depois a ouvi soluçar baixinho com o rosto escondido na curva do meu pescoço. – Eu amo você, tanto, tanto, tanto. – Falou baixo apertando seus braços em minha cintura. 
- E eu amo você mais do que tudo e quero fazer de você a mulher mais feliz do mundo. – Dei um beijo perto de seu ouvido. 
- Você já me faz a mulher mais feliz do mundo, sempre fez. – Ela riu se afastando e eu passei o polegar por seu rosto enxugando as lágrimas que ela havia deixado cair. – A gente poderia morar embaixo da ponte, e ainda assim eu seria feliz por ter você do meu lado. 
- Mas a gente não precisa morar embaixo da ponte e você pode ter certeza que a ultima coisa que eu quero é sair do seu lado. – Beijei seus lábios rapidamente e sorri. – Quer fazer um tour pela nossa nova casa? – Perguntei animado e ela riu concordando e entrelaçando a mão na minha. 
- Eu já escolhi meu quarto! – Bernardo gritou do andar de cima nos fazendo rir. O pirralho ficava cada dia mais ousado e desde que fizera cinco anos virara uma matraca. 
Eu mostrei a casa inteira para a Júlia enquanto ela sorria e ia dizendo como iria decorar cada cômodo e quais móveis novos iria comprar. Ainda me fez prometer que iria deixá-la pagar parte dos móveis já que agora estava formada e trabalhando em uma empresa ganhando um salário bom. 
- Cama king size é mais bonita e mais confortável. – Ela falou observando nossa suíte. 
- Também acho. – Concordei com um risinho malicioso fazendo-a rir. 
Descemos até o enorme jardim tão sonhado por ela, com uma piscina e mais ao fundo havia um quiosque. Rimos nos entreolhando e adivinhando facilmente o que estávamos pensando. Aquela era a casa que a gente sempre havia sonhado em morar. 
Bernardo veio de encontro a nós e segurou minha mão livre. 
- Eu gostei dessa casa. – Ele sorriu observando a piscina. – Quando a gente se muda? – Nos olhou com os olhos brilhando de excitação. 
- Em breve, tampinha. – Sorri vendo-o concordar freneticamente. 
Nos viramos para entrar novamente na casa e a Júlia riu sem motivos aparentes. A olhei com a sobrancelha arqueada e ela me puxou pela mão me fazendo sentar na escada e sentando ao meu lado com Bernardo no colo. 
- Eu sei que o aniversário é meu. – Ela sorriu boba. – Mas eu tenho um presente pra você. – Trocou um olhar rápido com Bernardo que riu me olhando. 
Encarei os dois tentando prever o que eles iam dizer, mas nada me veio em mente. 
- E cadê? – Perguntei curioso. Bernardo sorriu. 
- Tá aqui ó. – Ele botou a mão na barriga da Júlia que abriu um sorriso imenso. 
- Vai demorar mais alguns meses pra chegar. – Ela botou a mão na barriga por cima da de Bernardo enquanto eu sentia minha boca ir se abrindo cada vez mais. 
Vi uma lágrima descer lentamente pelo rosto da Júlia e encarei aqueles dois sorrisos na minha frente. Os dois sorrisos que eu mais amava e que mais me davam confiança. Os dois sorrisos que eu não agüentaria ver se apagar e não conseguiria viver sem. E em breve seriam três sorrisos. 
Comecei a rir alto fazendo eles dois rirem também e os abracei beijando a cabeça de Bernardo e dando um selinho rápido na Júlia.
- Vocês três são minha vida. – Falei dando ênfase no três. 
- Eu amo você. – A Júlia me deu um beijo de leve no pescoço e eu sorri a abraçando mais apertado. 
- E eu sou completamente viciado em você. 

                             



                            F I M




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