História Aquele Olhar - Capítulo 27


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Categorias Diego Ribas da Cunha, Everton Cardoso da Silva, Paolo Guerrero
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Palavras 1.197
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 27 - Capítulo 26 - A final


 

Diego Ribas

 

Eu sempre tinha sido um cara do bem. Eu sempre fui um cara correto, do tipo que segue regras e é o aluno preferido da professora mesmo se não tirar as melhores notas. Eu sempre fui meio esquisito, mas depois que fiquei adulto a natureza resolveu me ajudar e me deixou um cara mais ou menos bonito - ou pelo menos era o que a maioria das pessoas me dizia. Então, eu era meio que um cara legal. 

 

E eu nunca desejei mal pra ninguém. Nunca. E sempre me orgulhei disso.

 

Mas, naquele momento, eu queria ter ficado feliz com a situação. A única coisa que tinha me separado de Bella nunca existiu. E eu não tinha digerido a história toda ainda... não deu nem tempo de me sentir pai.

 

 Só que eu não seria humano se ignorasse a tristeza no olhar do desgraçado depois daquela notícia. 

 

Todo mundo ficou meio pra baixo no vestiário. Quer dizer, foi um erro médico, não teve nenhuma tragédia, mas por algum motivo os caras gostavam do filho da mãe, e o humor dele contagiou todos. Ele não era mais o Alves líder, elétrico, cheio de raça, irritadiço que a gente conhecia. 

 

Nem comigo ele se importava mais.

 

E tinha ela. A Bella, a minha Bella.

 

Eu não podia imaginar o quanto ela tava sofrendo. A maior parte de mim queria ir lá, dizer que sentia muito, mas que apesar da notícia ruim a gente podia ficar junto de novo. Acontece que, apesar do acontecido, Alves não terminou com ela. Nem ela com ele. 

 

Pra minha decepção e revolta, eles pareciam mais unidos do que nunca. Eu vi ela em todos os jogos do Flamengo no Rio, e ela o buscava quase todos os dias no treino. Eles não pareciam exatamente felizes, mas qualquer um percebia que eles se amavam e estavam tentando fingir que estavam felizes pra não magoar o outro. 

 

Ao contrário de mim, ele não vacilou em nenhum jogo. Ele foi forte, foi firme, e logo voltou a ser o Alves de sempre. Mesmo que eu pudesse apostar que ainda doía um pouco nele. 

 

Fiquei com ódio de mim mesmo quando percebi que eu estava sentindo inveja do desgraçado. Ele tinha força, ele tinha coragem, e ele tinha Bella. Ela amava ele também, agora eu não tinha a menor dúvida disso.

 

Por outro lado, Bruna tinha despertado minha atenção nos últimos dias. Como se tivesse inquieta com alguma coisa, ou preocupada. Depois, passou pra triste. Deprimida

 

Meu pisca alerta ligou na mesma hora. Não era a primeira vez que isso acontecia. Na última, em Istambul, ela cismou que eu tinha me apaixonado por uma turca e quase pediu separação de mim pra deixar o caminho livre. Eu não mereço essa mulher.

 

Me lembrei do desespero que senti na época. Era mentira; nunca tinha me apaixonado por ninguém depois dela. Não antes da Bella... Eu sei, é confuso, mas eu amo Bruna há muitos anos e com muita intensidade. Não dá... simplesmente não dá pra imaginar viver sem ela. Mesmo que eu quisesse experimentar. Imagina se eu mudo de ideia e perco ela pra sempre?

 

Quando meus olhos cruzavam com os azuis cristalinos dela, eu me sentia amado. Não dava pra abrir mão disso. Não dava pra não amar de volta. 

 

Se eu tava dividido? Ah... Eu tava era fodido, cara. 

 

----

 

O Maracanã nunca esteve tão bonito. Eu podia enumerar as vezes que senti uma emoção minimamente parecida com essa, de ser campeão de um torneio internacional ali, com o maior clube do país. Eu podia listar cada vez que a torcida do Flamengo me fez sentir um herói, me fez apaixonar pelo vermelho e preto que carregamos na bandeira. E aquela literalmente era uma delas.

 

Um gol. Na final da Sul-Americana. O Flamengo campeão. 

 

Eu não queria mais nada.

 

Bom, mais nada além da mulher devidamente uniformizada que tinha pulado o alambrado da torcida agora pra ir de encontro ao centro do gramado, sem ser impedida por ninguém.

 

 

Ela caminhou pro meio do gramado, e eu duvidava muito que ela prestasse atenção em alguma coisa da bagunça que a gente fazia. Não; ela olhava pro alto, pras arquibancadas, completamente boquiaberta. 

 

Eu sorri automaticamente com a cena. Quando eu era criança, tinha tido essa exata reação ao entrar no gramado pela primeira vez, depois de tanto tempo assistindo da arquibancada. Mas não tinha sido assim, num dia de festa, com a maior torcida do mundo comemorando mais um título. Não tinha um Maracanã lotado, pintado de vermelho e preto, meu time levando a taça depois de uma temporada tão difícil.

 

Bella olhava impressionada, completamente absorvida pela atmosfera da vitória. O mesmo sentimento que eu tinha sempre que entrava num estádio.

 

E eu nunca tinha me sentido tão conectado com ela - nem quando estávamos juntos de todas as formas.

 

Mas eu tinha que observar de longe; sem olhar demais, sem poder tocar ou beijar a mulher que eu amava. Tinha que seguir abraçando todo mundo, mesmo que meus olhos acompanhassem só ela, mesmo que os meus braços quisessem sentir o calor apenas dela. 

 

Eu vi alguém com a camisa do Flamengo segurar seu braço gentilmente, chamando sua atenção, e depois ela se abaixar pra ouvir ele cochichar no seu ouvido. Só aí eu já senti um arrepio passar pela minha espinha; aquela sensação de que algo ruim tava pra acontecer. 

 

O cara apontou mais pro meio do campo e ela assentiu, agradecendo o homem com um meio abraço. Quando ela saiu, ele acompanhou um pedaço do seu trajeto com o olhar bobo, a boca aberta pela simpatia e beleza da minha garota. 

 

Mas o mais doloroso de tudo foi ver Bella, a minha Bella, ainda sem me ver, atravessar meio campo correndo - desviando de todas as pessoas no caminho como se não se importasse com as milhares de pessoas assistindo e os milhões de espectadores ao vivo - e se atirar nos braços dele, prendendo as pernas na cintura do filho da mãe e quase derrubando ambos no chão.

 

Aquele infeliz, que se dizia namorado dela. Aqueles dois sorrindo como se estivessem na porra de uma comédia romântica, embalados por uma trilha sonora melosa. As câmeras voltadas pra cena, adorando o show. 

 

O maldito beijo apaixonado. 

 

Eu esperava fodidamente que ninguém tivesse percebido a minha expressão, mas eu tinha certeza de que era impossível alguém não ver a cara de desgosto e irritação que eu provavelmente tinha feito no meio de um clima tão feliz. Minha esposa cumprimentava outras pessoas e os meus filhos estavam muito preocupados correndo com os outros coleguinhas pra prestar qualquer atenção em mim, mas ainda havia alguns milhões de pessoas capazes de foder com a minha vida se tivessem percebido alguma coisa. Bastava uma câmera ter me filmado e pronto.

 

Eu não precisava de mais nada. Nenhuma prova, nenhum sinal. Nada

 

Naquele segundo, quando eu vi Isabella correr pros braços de outro homem e o beijar como ela me beijava, com fervor, eu tive a plena certeza de que eu tinha perdido a batalha.

 

Eu a amava. 

 

E era um completo idiota se pensava que ainda podia viver sem ela.

 



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