História Aquele Olhar - Capítulo 30


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Categorias Diego Ribas da Cunha, Everton Cardoso da Silva, Paolo Guerrero
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Palavras 2.081
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Capitulizinho pré enem pra vcs ♡

Capítulo 30 - Capítulo 29 - A viagem


Eu sabia que era só correr até Ribas e ele seria meu - uns meses atrás isso era tudo que eu podia querer. E não, eu não tinha deixado de amá-lo, mas a história de nós dois já não fazia mais sentido pra mim. 

 

Não depois que eu entendi

 

Os meus sentimentos mudaram. As coisas se inverteram de uma tal forma que eu, antes vivendo uma paixão insana com Ribas e aproveitando o amor tranquilo de Alves, acabei aprendendo a amar o meia e me apaixonando perdidamente pelo meu namorado, e descobrindo que ele era o tal Príncipe do Cavalo Branco que toda garota sonha. 

 

Só que eu estava ocupada demais pra perceber isso antes, e acabei perdendo. 

 

Ele realmente tinha terminado tudo.  Eu voltei pro meu apartamento depois da briga, esperando que eventualmente ele me chamasse pra conversar, mas isso nunca aconteceu. Diego agiu como se não me conhecesse. Eu o vigiava pela janela do escritório, as vezes, só pra ver ele entrar direto na garagem do prédio ou passar pela portaria sem dar uma única olhada na minha direção. Tudo que eu podia fazer era aguardar a raiva passar e ele me ligar.

 

Na terceira semana sem notícias, eu percebi que isso nao ia acontecer. 

 

Faltava uma semana pro Natal, e eu definitivamente não ia passar no Rio de Janeiro. As três coisas que me prendiam ali - os homens que eu amava e o meu emprego - não o faziam mais, e todos os planos de fim de ano com Diego aparentemente tinham sido cancelados. Quando Ricardo me liberou pra passar o final de dezembro e o mês de janeiro de folga, já que o escritório praticamente parava nesse período e nem ele mesmo ia trabalhar, eu resolvi que era uma boa ideia passar um tempo de qualidade em Belo Horizonte, como eu não fazia havia muito tempo.

 

Não se completaram nem vinte e quatro horas antes de eu me arrepender amargamente disso. 

 

Todo mundo, eu disse todo mundo, me perguntava sobre Alves. Eu nunca tinha dado muitos detalhes da nossa relação - por razões óbvias - então todos estavam muito curiosos pra saber em que pé a gente estava e quando eu ia me casar com o jogador de futebol e virar uma pessoa famosa. Quando eu repetia exaustivamente 'não sei se eu quero me casar, só tenho dezenove', a maioria torcia o nariz e dizia que eu tinha que garantir o meu futuro, enquanto a minha família e os amigos mais próximos apenas entendiam que esse era o meu jeito de dizer que as coisas não estavam bem e eu não queria falar sobre isso.

 

Então eu comecei a pensar. Não fazia mais sentido ficar no Rio, e eu não ia voltar pra BH pra ser julgada como 'aquela menina que tentou o golpe da barriga e deu errado'. Assim, eu precisava ir pra um lugar novo, onde eu pudesse me ver livre dessa confusão e tentar reconstruir uma vida nova. Quando a foto da Nicole piscou numa chamada de video no meu celular, eu tive a ideia perfeita.

 

Buenos Aires. Por que não?

 

----

 

Diego Alves

 

Eu joguei o celular no chão com força, sem nem ter certeza de que tinha desligado a chamada. Por um instante, lembrei de todas as vezes que minha ex-mulher e eu brigamos feio por eu ser tão explosivo. 

 

 Mas o meu estado de nervos não ia esperar eu me certificar, então foda-se.

 

Luca tinha perguntado por ela algumas vezes já. Não sabia qual era o jeito certo de dizer que ele não ia vê-la de novo tão cedo, então acabei inventando que ela foi viajar. Tava tudo bem, até a parte que a filha da mãe realmente foi viajar - justo pra BH, cidade onde meus filhos moravam com a mãe. 

 

O mais velho tinha acabado de me ligar pra dizer que encontrou a tia Bella no aeroporto, quando eles iam pegar o vôo pra cá, pra passar as férias com a minha família. Eu podia imaginar a tensão quando Luca - o único que a conhecia pessoalmente - correu pra abraçar Bella, bem na frente da mãe dele. Se eu conhecia bem as duas, ambas deviam estar soltando raios laser pelos olhos.

 

Mas o pior de tudo ainda estava por vir: ela tava voltando pro Rio. Pro prédio da frente. Eu ia ter que vê-la todos os dias de novo, me controlar pra não inventar um café na padaria ou uma carta importantíssima pra buscar na portaria todos os dias, só pra matar a minha curiosidade e ver se pegava um vislumbre dela pelas janelas do escritório. 

 

Eu ia ter que conviver com a decisão de terminar com ela, e isso era a parte mais difícil. Era o meu orgulho e dignidade em campo, contra o meu amor por dela. Eu tava puto, fodido de raiva e com vontade de arrancar a cabeça dos dois, mas ainda assim passava a maior parte do tempo desejando que isso tudo não tivesse acontecido e que ela tivesse aqui, do meu lado, como era antes. Uma parte de mim preferia até que ela não tivesse me contado a verdade, só pra eu não ter que ficar longe. 

 

Quando o celular tocou outra vez, eu o peguei do chão, aliviado por ter uma distração. Desde que a temporada acabou eu era um completo inútil, sem nada pra me fazer parar na pensar na maldita garota como a porra de um adolescente.

 

- Alô?

 

- Diego? - a voz levemente grave dela me lembrou Bella, e rolei os olhos pra isso.

 

Ah, não.

 

Eu me controlei pra não rosnar as palavras; sem sucesso. - Sou eu, Nicole. 

 

- Aposto que você tá super feliz com a minha ligação. - ela gargalhou do outro lado da linha, pouco se importando se eu realmente ligava ou não. Eu ri com ela, e de alguma forma, isso tornou mais fácil suportar a conversa. - Tem um tempinho pra mim?

 

- Olha, se for pra falar dela... - eu suspirei, já prevendo o assunto.

 

Nicole bufou. - Claro. Você pensou que eu ia te ligar pra quê, jogar bingo?

 

- Idiota. - Até que eu gostava dela. - O que você quer? Já adianto que não vai funcionar. Eu não vou voltar.

 

- Olha Alves, Eu to falando isso porque ela é minha amiga. Ela fez muita cagada e eu não me arrisco a dizer que te merece, Mas ela ama você. Vocês são um casal perfeito cara, até foto em fã clube na internet eu curti. 

 

Eu podia apostar que ela estava rolando os olhos nessa hora - Bella e a amiga tinham um senso de humor estranhamente parecido. Elas conseguiam fazer até uma pessoa irritada como eu rir da tragédia que tinha sido o nosso relacionamento.

 

 - A Bella tentou, cara. Ela tentou não magoar você. Ela podia ter ficado com vocês dois e ser feliz, mas terminou com você porque achou que você merecia alguém melhor que ela. Terminou porque te amav...

 

- Nicole, chega. - eu nunca tinha sido ríspido assim com ela, e senti pela sua respiração que tinha inflado um pouco de raiva na garota. Mas eu dei de ombros; quem se importa com a amiga da ex? - Não vai funcionar. Achei que a Isabella seria mais inteligente do que mandar você tentar me convencer.

 

A risada dela do outro lado da linha foi irônica, divertida, como se tivesse esperado a ligação inteira por aquela oportunidade de pisar em mim. 

 

- Ah, mas ela não pediu. - Nicole debochou. - A única coisa que a Isabella me pediu foi pra ficar na minha casa por um tempo. 

 

- E o que eu tenho a ver com isso?

 

Ela bufou como se eu fosse um idiota, mostrando irritação. - Nada não. Eu tava pensando se ela não tinha deixado uns casacos na sua casa. Sabe como é, Buenos Aires é bem frio nessa época do ano e ela já vai gastar muita coisa pra comprar um apartamento aqui...

 

Eu travei. 

 

- Apartamento? Ela vai mudar pra Buenos Aires?

 

- ATÉ QUE ENFIM! - Nicole berrou do outro lado da linha, e o celular caiu da minha mão com o susto. Eu me agachei pra pegar o aparelho no chão e acabei ele chutando no processo, o que me salvou de ouvir mais uma dezena de palavrões; não que eu tivesse fugido de todos. - Puta que pariu, cara! Já deu de deixar a mulher de castigo, cê não acha não? Vai deixar ela ir embora, conhecer um argentino gostoso e esquecer até que fala português?

 

A minha garganta fechou com a irritação. Essa garota estava passando dos limites... 

 

- Você quer o quê, que eu ignore o fato de ela ter tido um caso com o meu colega de time? Que é casado? Se ela... ama ele - A palavra saiu da minha boca com uma certa dificuldade. - tanto assim... Como eu vou confiar? E se amanhã ela resolver que quer ficar com ele de novo... 

 

Eu estava gritando, rosnando as palavras pra menina, mas ela surpreendentemente parecia estar incentivando isso. - Seu imbecil! O Ribas queria se separar só pra ficar com ela! Se ela quisesse ficar com ele, ela tinha ficado!

 

- E por que não ficou?

 

- PORQUE ELA AMA VOCÊ! Porra Alves, cê parece que é burro, cara! - Nicole cuspiu as palavras do outro lado da linha. - Você terminou tudo e disse que vocês tinham tipo, zero chance de voltar, e NEM ASSIM ela escolheu ficar com o Ribas. Pelo amor de Deus, para de ser orgulhoso! Você vai se fuder muito sem ela. Eu não preciso te dizer que o que não falta é homem querendo chance com uma menina gata, simpática, inteligente e com um corpasso que nem ela, né? 

 

Nicole tinha razão, e eu sabia disso. Mas ninguém perdoa uma traição fácil assim... mesmo se ela não tivesse me traído. Eu ia precisar confiar nela de novo; isso já era mais do que eu podia prometer.

 

Quando percebeu que eu tava em silêncio, pensando no assunto, Nicole entendeu que tinha vencido. 

 

- Eu vou tentar descobrir a data do vôo pra você. Pelo amor de Deus, não deixa a sua chance passar, cara! 

 

Ela desligou o telefone logo em seguida, e eu fiquei na sala pelo que pareceu uma eternidade, tentando decidir o meu destino.

 

As lembranças dos nossos momentos inundaram a minha mente. Eu me lembrava do senso de humor dela, dos sorrisos brilhantes e do jeito como ela sempre parecia adivinhar o que eu precisava: um carinho, um beijo, uma comida diferente, um pouquinho de incentivo. Me lembrava de como ela sorria automaticamente quando me via, em qualquer lugar, como se tivesse esperando por muito tempo pra eu chegar. Como ficava aflita o tempo inteiro quando eu não estava perto - isso era muito fácil de observar. Ela balançava a perna, mexia no cabelo, estalava os dedos... Mas era só eu me aproximar que ela ficava visivelmente relaxada. 

 

Bella estava sempre me tocando, e isso era uma das coisas que eu mais sentia falta. Ela se fazia presente. De mãos dadas, ou no meu ombro, ou na minha nuca, ou na minha coxa, ou fazendo um carinho delicado na minha bochecha... Quando ela não estava, eu sentia sua falta fisicamente também. 

 

Fora o restante. Ela sempre me elogiava, por tudo. Criticava quando era necessário, mas sempre tinha uma coisa boa pra me dizer. Ela era educada - irritantemente educada - e uma pessoa tão simpática e boa pros outros que você se sentia mal de não seguir o seu exemplo. Bella era otimista, era alegre, era divertida. E tudo isso era tão natural.

 

Bella me fazia feliz. Sempre fez. 

 

Quando eu finalmente dei o braço a torcer, peguei minhas chaves e decidi atravessar a rua pra ir até o escritório onde ela trabalhava e chamar ela de volta, o meu telefone tocou outra vez. 

 

Era Nicole, de novo, e eu já atendi um tanto quanto irritado, mesmo sabendo que ela tinha razão em cada palavra do que disse. 

 

- Olha... - eu comecei, sendo interrompido antes que pudesse terminar a primeira frase. 

 

- É HOJE, DIEGO! - ela gritou de novo; dessa vez, no entanto, eu não me incomodei. - DAQUI HÁ TRÊS HORAS! 

 

- Como assim? Do nada?

 

- Sim, do nada! Ela resolveu adiantar a passagem... Caralho, a Isabella também consegue foder tudo quando ela quer, viu! 



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