História Aquele Olhar - Capítulo 31


Escrita por: ~

Postado
Categorias Diego Ribas da Cunha, Everton Cardoso da Silva, Paolo Guerrero
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Palavras 2.237
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 31 - Capítulo 30 - O pedido


- CARALHO! QUAL O PROBLEMA DE VOCÊS? - eu pressionei a buzina até o final e voltei umas três vezes, no mínimo, pra porra de um carro que resolveu atravessar a pista na minha frente. - Seu filho da puta!

 

O idiota saiu da minha frente xingando também, mas eu finalmente consegui um espacinho pra arrancar com o carro na direção do aeroporto. Eu olhei no painel: quarenta minutos. O relógio definitivamente não tava do meu lado hoje. 

 

- Eu não sei se vou chegar a tempo! - respondi Nicole automaticamente assim que o telefone tocou. - Quarenta minutos e eu nem estacionei ainda! 

 

Ela rosnou. - Filha da mãe! Eu vou ligar pra ela e inventar alguma coisa do Free Shop pra ela comprar pra mim. Vê se corre mais! 

 

- SÓ SE EU VIRAR O VIN DIESEL! - eu berrei, e a desgraçada desligou na minha cara.

 

O motor gritou quando eu acelerei mais, e acho que eu só não bati no carro da frente quando entrei no edifício garagem porque, por algum motivo, parecia que o cara lá de cima tava do meu lado. Eu rodei o aeroporto inteiro, procurando a porra do Free Shop, e acabei tendo que desviar do caminho uma hora, porque as pessoas tavam começando a me reconhecer e pedir autógrafos.

 

Foi quando eu tive uma ideia. Se eles eram meus fãs, por que não me ajudariam? 

 

- Ei, tô precisando muito da sua ajuda. - eu pedi pra uma das garotas que me parou por uma foto. Não que eu fosse muito bom com tentar jogar charme pras pessoas, mas se exista um momento pra tentar, era aquele. 

 

Eu vi os olhinhos dela brilharam quando eu sorri; talvez eu levasse jeito. - Claro! O que você quiser! 

 

- Eu preciso achar uma pessoa - me segurei pra não rolar os olhos ou dizer 'minha mulher', porque não ia ajudar em nada. - que ia embarcar no vôo pra Buenos Aires, mas parece que foi comprar alguma coisa na Duty Free. Você tem ideia de pra qual lado eu vou?

 

- Hã... tenho, tenho sim. - ela franziu o cenho. - Mas a Duty Free não fica na zona de embarque?

 

Bati a mão na testa. - Puta que pariu! Fica mesmo! - eu olhei pra garota, pensando num jeito de agradecer, mas depois suspirei; não ia dar tempo pra isso. - Desculpa por isso. Muito obrigado! 

 

 

Nem fiquei lá pra ouvir o que ela tinha pra dizer; saí correndo pro lado do check-in, enquanto tentava desesperadamente falar com Nicole. Ela não atendia de jeito nenhum, e o tempo só tava passando. Faltavam quinze minutos.

 

- Nicole?! - eu gritei aliviado quando ela atendeu. - Essa porra de loja fica lá dentro! Eu não posso entrar! Você tem que fazer ela voltar pra cá! 

 

Eu olhei pro relógio na mesma hora que a aeromoça avisou.

 

Senhoras e senhores passageiros do vôo 2973 com destino a Buenos Aires, Argentina: doze minutos para o fechamento dos portões de embarque.

 

Doze minutos.

 

- Eu sei, Diego! Eu achei que ia dar tempo de você comprar uma passagem, sei lá... Mas de qualquer forma, não faz diferença. Não consegui falar com ela. Você pode esperar ela chegar aqui e ligar, ai vocês conversam e...

 

A imagem dela era simplesmente inconfundível pra mim. O cabelo escuro, comprido, a forma do corpo, o estilo dela... era como se eu pudesse reconhecê-la a quilômetros de distância. 

- Não vai precisar. 

Quando eu vi a moça indo pro guichê de check-in eletrônico, carregando uma mala de rodinhas cor de rosa e uma frasqueira da Barbie, eu tive certeza de que era ela - É esqueci completamente da ligação.

 

- ISABELLA! 

 

Eu talvez tenha gritado mais alto do que o necessário, atraindo a atenção indesejada de muita gente, mas Bella se virou na mesma hora, com um misto de surpresa e incredulidade na sua expressão, e eu não me contive em literalmente correr até onde ela estava.

 

- O que você ta fazendo aqui? - A morena franziu o cenho, e usou um tom acusatório. Não que eu pudesse reclamar; pela maneira como eu a tratei nas últimas semanas, provavelmente era a última pessoa que ela esperava ver. 

 

- Você ia embora sem se despedir.

 

A ficha não tinha caído ainda. Eu tinha encarado isso como uma maneira de, sei lá, me forçar a falar com ela? Não sei. Mas eu não imaginava que Bella realmente fosse ir embora do Brasil assim, tão rápido, sem nem tentar mais uma vez.

 

- "Ficar com você? Eu quero mais é que você se foda!" - ela fez aspas com a mão, e eu me lembrei do exato momento em que disse essas palavras. 

 

Eu rolei os olhos - Eu tive meus motivos, né? - Isabella arqueou as sobrancelhas pra mim, desafiadoramente.

 

Ela sabia. Claro que ela sabia. Bella me conhecia bem o suficiente pra saber que, se eu tinha me despencado até o aeroporto, não era só pra me despedir. Mas ela também não ia simplesmente pular nos meus braços... ela queria que eu dissesse as palavras. 

 

E eu queria ver ela sofrer um pouquinho.

 

- Eu preciso entrar na área de embarque. Dá pra dizer o que você quer logo? 

 

- Você esqueceu isso aqui em casa. - me estapeei mentalmente por ter dito 'casa' como se ela ainda tivesse lá. Mas era a verdade. Era a nossa casa. Eu mostrei a nécessaire dela, preta com bolinhas brancas, praticamente vazia, tentando esconder o sorriso no meu rosto. 

 

Bella apenas rolou os olhos pra mim e virou as costas, voltando a caminhar. Podia apostar que ela tinha se segurado pra mão me mostrar o dedo do meio. Eu ri baixinho e corri atrás dela até segurar o seu braço - essa era a minha garota.

 

Nossa diferença de altura me deixou numa posição privilegiada quando ela se virou bruscamente, com cara de brava e impaciente. O nariz delicado bateu no alto do meu peito, na linha do colarinho, e eu vi ela fechar os olhos pra aspirar meu cheiro. Se ela se inclinasse um pouquinho, se eu me abaixasse alguns centímetros... nós estávamos numa posição perfeita pra um beijo, um daqueles que eu sentia tanta falta. 

 

Eu pude ver como os olhos dela brilharam com a expectativa. Bella queria ser beijada. Eu queria beijá-la. Só que isso ia ter que esperar. 

 

- Abre. Acho que você esqueceu uma coisa importante. - Estendi a bolsinha pra ela, e a morena pegou da minha mão com tanta grosseria que eu teria ficado irritado se não esperasse exatamente isso. 

 

Bella abriu a bolsinha com desprezo, mas no segundo que viu o que tinha dentro, seu semblante mudou.

 

Ela alternou o olhar eu e a caixinha de veludo vermelho, tão pequena e sensível ao toque que mal dava vontade de abrir. Meu semblante sério fez ela puxar a tampa com cuidado, assistindo os diamantes refletirem luz em todas as direções conforme ela mexia. 

 

- Isso não é meu. - eu sabia que Bella não estava falando exatamente do fato de ela não ter uma jóia daquela e sim do fato de eu nunca ter entregado o anel. Eu ri do jeito como ela sempre encontrava um motivo pra fazer piada, mas prometi pra mim mesmo que ela teria muitas delas; tantas quanto eu pudesse comprar. - Deve ser de alguém que passou por lá depois de mim. 

 

Não pude evitar revirar os olhos. Como se eu tivesse ficado com alguém depois dela.

 

- Sempre foi seu. Era pra ter sido entregue antes. Alguns meses atrás... - eu suspirei. - Ou não. 

 

Bella arqueou a sobrancelha pra mim. - Ou não?

 

- Ou não. Pelo menos eu sei de toda a verdade agora. - nós ficamos um momento em silêncio, e eu comecei a me preocupar. - Eu acho.

 

A menina riu, daquela maneira leve que eu não via desde que aquela consulta, com os olhinhos sem apertando e o nariz mexendo de um jeito engraçado. - Você sabe. - ela suspirou, me devolveu a caixinha e se afastou. - Agora eu já posso ir? 

 

- Que? - eu franzi o cenho. - Ir pra onde? 

 

- Fazer o check-in. Meu vôo tá quase saindo. 

 

Eu encarei Bella seriamente, e meu coração se apertou de uma maneira que eu nunca tinha sentido antes. 

 

Quando eu saí de casa, depois da ligação de Nicole, eu tinha certeza que ia trazê-la de volta comigo. Já podia imaginar Bella ao meu lado no carro, o cheiro dela de volta no banco, as coisas dela de volta no apartamento. Não me passou pela cabeça nem por um segundo que ela pudesse recusar. 

 

- Isso é um 'não'

 

Ela me lançou um olhar inocente, quase ingênuo. Se eu não a conhecesse tão bem... - 'Não' pra quê? Você nem me perguntou nada.

 

Foi aí que eu percebi: o brilho divertido no olhar dela, o canto dos lábios curvado num sorriso malicioso, a mala que ainda estava no chão. Ela não ia embora. Ela só estava brincando comigo.

 

Bella queria que eu disse as palavras.

 

Eu me mantive sério. Tomei a caixinha das mãos dela, abri novamente e me ajoelhei ali mesmo, no meio do saguão do aeroporto. Vi o rosto dela se contorcer numa careta; se Bella queria um pedido especial, ela ia ter.

 

- Isabella Martin. - eu peguei sua não pequena e delicada entre as minhas. Depois de beijar a palma, eu a virei pra cima, deixando a caixinha repousar ali. - Eu podia dizer um monte de coisas agora; algumas bonitas, outras nem tanto. Mas a verdade é que você sabe que eu odeio exposição pública e tô louco pra gente ir embora daqui logo.

 

Bella jogou a cabeça pra trás, gargalhando como nunca, e eu vi algumas das pessoas mais próximas que tinham parado pra assistir acompanharem ela na risada. - Idiota!

 

- Você faz isso com as pessoas. - eu arqueei uma sobrancelha pra ela, e Bella mostrou a língua pra mim, me fazendo rir. - Mas eu sou um idiota completamente apaixonado por você. Não que você não soubesse. - eu sorri. - Agora, pelo menos, eu sei que você se apaixonou por mim também.

 

Ela limpou uma lágrima que escorria pelo canto do olho amendoado, mas franziu o cenho quando eu me levantei. 

 

- Eu te amo, Diego. Se eu pudesse voltar atrás, eu juro que teria evitado toda essa confusão. 

 

- Eu também. - suspirei, fazendo um carinho delicado na bochecha dela com a minha mão direita. - Mas já passou. A gente  já passou por tanta coisa... Eu amo você também, Bella. Então sim, minha resposta é 'sim'

 

Bella fez uma careta. - A sua resposta?

 

- Claro. Foi você que me pediu em casamento, esqueceu?

 

A morena rolou os olhos pra mim, e em seguida jogou os braços em torno do meu pescoço. - Claro que não. - Bella me beijou, tão intensamente quanto era possível dentro de um espaço público, e logo nos ouvimos os aplausos explodirem em torno de nós. 

 

Nós terminamos o beijo devagar, mesmo contra nossa vontade, e ela logo tirou a minha aliança de dentro da caixinha pra colocar no meu dedo da mão esquerda. - Agora sim, você está oficialmente na minha coleira. - eu repeti o gesto dela com o solitário que tinha escolhido especialmente pra Bella.

 

Fudeu. - Eu dei um tapa na minha própria testa, como se tivesse me arrependido, e Bella me devolveu com um selinho rápido. Com uma olhada ligeira pra todas as pessoas em volta, eu peguei a mala dela do chão e a puxei pela cintura. - Vamos pra casa?

 

Bella sorriu e assentiu. Nós caminhamos pra saída mais próxima - embalados por mais aplausos - e eu tive que me controlar pra não sair correndo. 

 

Dentro do carro, eu me surpreendi com a sensação de conforto e paz que eu sentia, sem nenhum traço da raiva de horas atrás. Talvez por saber que não tinha mentira, traição, nem dúvidas entre nós. Talvez porque eu nunca tive tanta certeza de que alguém me amava quanto agora. Mas o fato era que as coisas finalmente estavam no lugar. 

 

Eu liguei o rádio, deixando numa música romântica que combinava com o momento. Ao meu lado, Bella cantarolava enquanto encarava a janela, sentindo a brisa trazer o cheiro do mar e bater no seu rosto, e vira e mexe me lançava aquele olhar apaixonado com o qual eu tinha me acostumado.

 

- So honey now, take me into your loving arms... Kiss me under the light of a thousand stars... - eu puxei sua mão, que estava entrelaçada na minha sobre a coxa dela, e beijei as costas com muito amor, sentindo o olhar amoroso dela pousar em mim e seus batimentos acelerarem. - Place your hand through my beating heart... I'm thinking out loud, maybe we found love right-

 

Ela parou no meio do refrão, e eu vi o semblante da minha futura esposa mudar de apaixonado pra preocupado. Bella bateu na testa exatamente como eu tinha feito minutos antes - exceto que não foi teatro.

 

- Que foi?

 

- Se fui eu que te pedi em casamento, falta a última parte. - eu tirei os olhos do trânsito só por um segundo, pra encarar o rosto consternado dela. 

 

- Qual?

 

Bella suspirou dramaticamente. - Pedir pra sua mãe.



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