História Arcanus - Capítulo 13


Escrita por: e Aella

Postado
Categorias Originais
Tags Bruxas, Coven, Demonios, Dominante, Empoderamento, Lobisomens, Lobos, Magia, Pacto, Sobrenatural, Vampiros
Visualizações 318
Palavras 5.546
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Mais um capítulo para vocês!
E sim, estamos com capinhas de capítulos novas, foram todas trocadas, espero que tenham gostado!
Peço que leiam as Notas Finais e vamos logo para o capítulo <3

Capítulo 13 - XIII - A Prole


Fanfic / Fanfiction Arcanus - Capítulo 13 - XIII - A Prole

 

NICHOLAS

 

Seu grito ecoou por toda a casa, fazendo-me levantar quase que automaticamente. Nunca ouvira um grito assustado de Athena, mas pude notar de imediato que ela estava desesperada. Minha respiração faltou por um segundo até eu conseguir raciocinar com precisão, lembrando-me que ela havia ido ao segundo andar, a fim de atender a ligação de sua mãe.

Não notei se os outros me seguiam ou não, apenas fui a passos rápidos em direção às escadas, subindo os degraus rapidamente até chegar ao segundo piso da casa do xerife Mills. O corredor escuro causou-me um leve arrepio, não por estar escuro propriamente, mas o clima do local estava tão pesado que meu coração se apertou, repleto de aflição.

Ainda cego pelo breu, procurei, de maneira desajeitada, o interruptor, ainda ouvindo a respiração ofegante de Athena — que não parecia estar muito longe de onde eu estava. O clarão repentino, assim que encontrei o interruptor, causou-me uma leve ardência nos olhos, mas logo vislumbrei a pequena mulher encolhida no final do corredor.

Estava sentada sobre o carpete bege e sua cabeça se via recostada nos joelhos, que eram envolvidos pelos braços finos. Vi que Athena chorava; o medo que ela sentia era quase palpável. Mas não havia nada ali para que ela ficasse tão aterrorizada. Absolutamente nada.

Rapidamente liguei os pontos, já pensando que — o motivo de tantas lágrimas — se deu pela ligação que a garota acabara de receber.

Será que algo ruim havia acontecido na mansão?

— Ei... — Fui até ela, abaixando-me, a fim de ficar na mesma altura que Athena. — O que houve?

Ela levantou a cabeça com lentidão, demorando a perceber que quem estava na sua frente era eu. Seus olhos negros encontravam-se vermelhos por conta das lágrimas quentes, que ainda se espalhavam pelas suas bochechas. Levei minha mão até sua face, porém, quando ela se esquivou de meu toque, tive a certeza que aquilo era mais sério do que aparentava.

— Calma — falei, olhando rapidamente para trás e logo me deparando com Katrina e Tina, que se aproximavam um tanto assustadas pelo grito da amiga.

— Nena? — ouvi a voz aflita de Katrina. Ela se baixou ao meu lado, para ter uma boa visão da loira. — O que aconteceu, amiga?

Athena abriu e fechou a boca cerca de cinco vezes; todas as vezes sem uma resposta precisa. Na realidade, sem nenhuma resposta. O horror em seu olhar explicava o fato dela não arranjar palavras, mas eu realmente estava curioso para saber o que, de fato, tinha acontecido com a bruxa.

— Tina, pega um pouco de água para ela! — falou Katrina para a loira, que assentiu e desceu as escadas com Dylan em seu encalço.

A morena levou sua mão até a de Athena e deu um leve aperto, tentando, de alguma forma, acalmar a loira — que ainda tremia dos pés à cabeça. Escutei uma porta se abrir, logo vislumbrando Cassandra sair de um dos quartos com uma espécie de adaga em mãos. O sangue em seus olhos revelava que a bruxa estava pronta para matar qualquer um que ali estivesse, e, por sorte, Mark estava ao seu lado para impedi-la de cometer qualquer besteira.

O casal fitou Athena no chão, analisando-me em seguida com um olhar interrogativo. Provavelmente, pela minha expressão igualmente confusa, perceberam que eu também não sabia o que havia acontecido com a Ventrue. 

— Tay... — Athena gaguejou para mim, e voltei minha atenção totalmente para ela, que finalmente me permitiu tocá-la.

Passei meus dedos pelo seu braço trêmulo, buscando mostrar para a garota que eu a ajudaria — que tentaria entendê-la. Bastava ela contar para mim, e aos seus amigos, o que tinha acontecido.

— Tay... — novamente não conseguiu terminar sua fala. Engoliu em seco e desviou seu olhar para o carpete bege.

— Pode me falar! — insistiu Katrina, apertando ainda mais a mão da amiga.

Logo em seguida, Tina voltou da cozinha, aproximando-se de nós e me entregando o copo com água. Ofereci o líquido para a garota, que o aceitou um tanto apreensiva. Apoiei suas mãos pequenas sobre o copo, ajudando-a a tomar ao menos um gole de água.

— Melhor? — perguntei, após ela terminar de beber e respirar profundamente. Ela assentiu com a cabeça e respondeu ao toque da amiga, apertando a mão de Katrina de volta.

— Eu acho que não foi nada — sua voz ainda estava um pouco trêmula. — Só bobeira da minha cabeça, fiquem tranquilos. — Olhou para Cassandra e Mark. — Podem voltar a dormir, não quis incomodá-los.

— Não incomodou, pequena. — Cassandra se aproximou. — Nos diga o que aconteceu. Veja! Estamos todos preocupados com você.

Ela negou com a cabeça, realmente incomodada por todos os olhares da casa estarem em cima dela. Sentia-se pressionada, eu sabia disso.

— Acho que por estar escuro, e eu estar assustada pelo o que houve hoje, pensei ter visto o Taylor — soltou tudo de uma vez, um tanto envergonhada. — Foi besteira, coisa da minha cabeça.

— Sua mãe disse que tinha marcado um psicólogo amigo da família para você, mas você se recusou a ir — Mark falou, cruzando os braços. — Não seria interessante reconsiderar? Faria bem a você, querida.

— Vou pensar nisso, tio. — Apoiou-se em Katrina e se levantou. — Mas, sério, voltem a dormir, estão cansados e estou em boas mãos. — Sorriu forçado.

— Já que insiste. — Era palpável o quanto Cassandra estava incomodada. — Mas não seria interessante você falar com a sua mãe...

— Não! — bradou, interrompendo a mais velha. — Ela já está cheia de problemas na mansão, não vou fazê-la ficar ainda mais preocupada! Estou cansada de ser um fardo! — As lágrimas voltaram aos seus olhos, mas estas eram claramente de raiva. — Não contem para ela, por favor! — insistiu.

Mark olhou para o teto, mantendo sua calma costumeira e concordando levemente junto com Cassandra, que bufou longamente.

— Está bem... — Não acreditava realmente que Cassie iria cumprir aquela promessa, ainda mais por se tratar da filha de sua melhor amiga. — Qualquer coisa nos chame — a morena disse, por fim, puxando o braço do marido.

Ambos voltaram para dentro do quarto e fecharam a porta, deixando-me junto dos outros jovens a olhar para Athena, que ainda parecia estar atordoada por tudo que acontecera.

— Athena... — soprei, e ela levou seu olhar para mim. — Realmente foi só aquilo?

— Sim! — Cruzou os braços. — Dou minha palavra; foi apenas coisa da minha cabeça! — Não senti precisão em sua voz, mas indagá-la novamente apenas a deixaria mais nervosa.

— Bem, melhor você ir deitar então — Tina sussurrou.

— A Titi tem razão — concordou o filho mais novo dos Mills. — Se quiser, posso pegar algum remédio para te ajudar a dormir. Está com dor de cabeça? — Era estranho ver o adolescente tão atencioso. No final das contas, ele estava tão preocupado quanto o restante do grupo.

— Não Kevin, obrigada. — Ela lhe sorriu. — Mas realmente acho melhor eu ir deitar.

— Ótimo! — disse Katrina. — Pode dormir na cama do Jason, eu e o restante do pessoal dormimos na sala.

— Certeza?

— Absoluta!

Observei-as indo em direção ao quarto. Athena estava sendo amparada por Katrina e, desta forma, coloquei-me na frente de ambas, logo abrindo a porta e seguindo até o quarto, afastando os cobertores da cama gigantesca do xerife e afofando um dos travesseiros, dando passagem para a garota se sentar.

— Obrigada, Nicholas — suspirou ela, colocando as pernas sob os cobertores e deitando-se em seguida. — Vou ficar bem, não se preocupem.

Sentei-me ao seu lado e a fitei até suas bochechas ficarem rosadas.

— O que foi? — perguntou incomodada. — Pare de me olhar desse jeito esquisito!

— Esquisito? — Ri levemente, vendo Katrina também sorrir. — Só quero saber o que realmente aconteceu com você, projeto de pessoa.

Ela deu uma risadinha, dando-me um leve soco no ombro.

— Pare de falar sobre a minha altura. — Puxou os cobertores até a altura do nariz. — E já disse o que aconteceu. Agora só quero dormir.

— Vamos, Nicholas, esta anã é uma teimosa e não vai sossegar até sairmos daqui — Katrina falou, já se dirigindo para a porta.

— Boa noite — sussurrei para a loira, bagunçando seus cabelos. — Qualquer coisa é só chamar!

— Ok! — Virou-se para o lado, acomodando-se melhor na cama. — Boa noite e deixem a luz acesa, por favor.

— Certo.

Saí do quarto, vendo Katrina fechar a porta com delicadeza. A morena voltou seu olhar para mim e, ligeiramente, percebi a tormenta nas orbes escuras. Ela enganchou seu braço no meu e puxou-me para longe do quarto.

— Preciso conversar com você — disparou. — E a sós! — Chegamos até o banheiro, e a morena nos fechou dentro do cômodo, fazendo-me, com tal atitude, sentir o calor subir à cabeça. A vergonha, como de praxe, estava se apoderando de mim. — Não fique vermelho, não vou tentar transar com você!

— Sabia disso, não seja idiota — respondi ainda mais envergonhado e cruzei os braços. — O que você quer?

— Athena é minha melhor amiga! — Desviou o olhar do meu e começou a andar em círculos. — Amiga não: irmã! Talvez nossa amizade tenha sido planejada pelos deuses. Minha mãe é a melhor amiga da mãe dela e, pelo o que ela me contou, engravidou dois meses depois de Fiona; mesmo a repreendendo quando ela engravidou. Deve ter sido engraçado... — Apertou a cintura com as mãos. — Enfim, eu a conheço como a palma da minha mão!

— E? — Levantei a sobrancelha.

— E fiquei ausente por quase quatro meses — concluiu. — E é aí que você, Nicholas Donnovan, entra na história. Não te conheço o suficiente para julgar seu caráter, mas sei que foi você quem passou mais tempo com minha amiga nos últimos meses. Sei o que aconteceu e agradeço imensamente por ter matado o tal jogador de basquete que a atacou! 

— Não precisa agradecer, até porque não era minha intenção matá-lo... Eu acho...

— Continuando! Eu não te arrastei até este banheiro para te agradecer, mas te questionar. — Aproximou-se. — Athena é uma garota difícil. Pode não parecer, mas ela é uma pessoa com mais conflitos internos que o normal.

— Na realidade, dá para perceber, sim!

— Cala a boca e me deixa continuar a merda do meu raciocínio.

— O que você quer saber? — Revirei os olhos.

— Desde o que houve com o Taylor, como ela tem reagido? — Fitou as unhas rapidamente.

— Bem... não sei dizer, ela parece bem. Na realidade se recuperou bastante rápido, mais rápido do que o normal — ponderei. — Mas a Fiona continua um tanto preocupada com ela. Sempre, em nossos treinamentos, faz o mesmo tipo de pergunta que você fez agora. Vejo-a levando Athena para todos os lugares possíveis, como spa e shopping. Também anda lutando com ela na sala de treinamento.

— Finn sempre sendo a mãe leoa de sempre, já esperava isto por parte dela. — Passou a mão pela bochecha, pensativa. — Mas, como eu suspeitava, mais uma vez Athena anda ignorando seus problemas, tentando se manter forte quando que, na realidade, isto apenas a prejudica.

— Como assim?

— Fiona sempre tentou ocupar a cabeça dela de alguma maneira, pois Athena sempre foi uma garota mais estressada que o normal. Ela é uma pessoa que basta falarem algo que ela não goste para explodir. Também é extremamente ansiosa. — Sentou-se sobre a tampa do vaso sanitário. — Ela tem este aspecto selvagem e esquisito. Deve ser porque nunca conheceu o pai e sempre teve curiosidade, sei lá...

Levantei a sobrancelha.

— Sempre me perguntei quem é o pai dela, ela nunca fala dele... — Repentinamente, fiquei interessado em toda aquela conversa estranha.

— Ela não faz ideia de quem seja. — Deu de ombros. — Sempre quis conhecê-lo, mas Fiona diz que é perigoso revelar esta informação a ela. Fala que pode colocar toda a família em risco. Deve ser um foragido, ou algo do tipo. No Congresso diz que é um humano desconhecido, mas Fiona já disse para Athena que fez isto apenas para protegê-la, então, provavelmente é mentira. Até porque, é difícil uma bruxa engravidar de um mero mundano. — Respirou fundo. — De qualquer maneira, ela sempre foi atormentada por esse mistério. Ela nunca teve uma presença masculina forte na sua vida; não que isto seja essencial para uma boa criação, longe disso, mas eu, tendo um pai como o meu, sei o quanto ele faria falta. Mas, além disso, Athena sofre com a falta de magia. Ela se sente sempre incapaz. Mais fraca que todos.

Engoli em seco. Vendo Athena, toda mimada e cheia de si, nunca pensaria que ela se sentisse incapacitada de qualquer coisa. Muito pelo contrário. Ela transmitia força; havia uma aura nela que eu, nem em mil anos, conseguiria explicar, mas era forte, quase palpável, como uma dominância sobre — ao menos — as pessoas do nosso grupo, ou seja, os mais jovens. Era uma líder nata e, mesmo sendo infantil algumas vezes, era bastante sensata, traço que provavelmente havia puxado de sua parte materna.

— Não aparenta.

— Não aparenta, mas ela sente. Sente-se inferior e, sempre que algo ruim acontece com ela, tenta esconder os problemas para si. Ela reclama de Fiona, que sempre cuida dos problemas sozinha, mas no final das contas ela é idêntica a mãe, talvez pior. — Levantou-se, parecendo ainda mais aflita. — Eu sei que tudo isto que estou te falando não faz sentindo, mas, Nicholas, eu nunca a vi tão assustada como hoje. Mesmo se sentindo sempre mais fraca que o restante de nós, Athena não tem medo de nada. Ela é uma pessoa confiante por natureza, você sabe...

— Poderíamos falar com a Fiona... Explicar o que aconteceu hoje — disse, mas a morena rapidamente negou com a cabeça.

— Fiona realmente está muito ocupada e, se Athena perceber que ela vai voltar toda sua atenção para ela, vai guardar ainda mais as coisas para si!

— O que faremos então?

— Não faço ideia. Como você disse, tia Finn já tentou todas as coisas possíveis, mas parece que este cretino está voltando a atormentá-la!

— Certo... — Cocei o queixo. — Quando eu cheguei ao andar de cima, senti algo muito ruim. Não sei se isto é normal, até porque, desde que descobri ser um bruxo, tudo que não é normal parece ser natural. Mas, enfim, o que poderia ser? O clima estava muito pesado!

— Poderia ser a aura dela; somos mais sensitivos ao espiritual, principalmente quando se trata de pessoas próximas de nós. Acabamos sentindo sua alma, magia, etc.

— Entendo... — falei, ainda pensando sobre o que eu senti quando a vi. — Bem... Vamos esperar ela se acalmar para termos certeza que tudo está resolvido na mansão; depois disso, vamos atrás de alternativas para ajudar nossa Miss Orgulho.

— Sim... Só achei melhor ter esta conversa com você, pois, nos últimos tempos, você está bem próximo da Nena, levando-a em todos os lugares e, diferente de mim e Fiona, você é um garoto. Tem um ponto de vista diferente, pode ter ideias diferentes para ajudá-la. E, para ajudá-la, seria interessante você ter certa noção da confusão que é essa garota.

— Entendo, fico feliz que tenha confiado em mim para contar estas coisas.

 

SEBASTIAN

 

Mastigava o alimento com uma emoção um tanto ridícula e sabia que todos percebiam meu êxtase ao comer algo tão bom. Céus! O que era aquilo? Nunca, em meus cinquenta anos, havia comido uma carne tão gostosa e, pela primeira vez, provava da famosa torta de maçã — uma das sobremesas que, lembro-me bem, meu pai sempre dizia sentir falta.

Tentava a todo custo manter a etiqueta que me fora rigorosamente ensinada em minha juventude, mas a fome que eu sentia falava mais alto, fazendo-me comer feito um cavalo.

Percebendo a quietude incômoda naquela mesa de jantar, levantei o olhar do prato, logo, deparando-me com todos os olhos claros daquela família voltados para mim — em uma mistura de curiosidade e desconfiança.

— Você está há quantos dias sem comer? — questionou Emília Ventrue.

Engoli a comida que eu ainda mastigava, apoiei os talheres no prato e arrumei a postura.

— Não fiquei, propriamente, sem comer. O problema realmente é que trouxe poucos mantimentos para três semanas.

— E, ainda assim, conseguiu energia suficiente para teleportar para cá — a voz carregada de ironia de Fiona invadiu meus ouvidos. — Parece que foi bem recepcionado pelos bruxos colombianos.

— Como eu já lhe disse, não, não encontrei nenhum bruxo por aquelas bandas!

— É difícil de acreditar, tendo em vista que os bruxos colombianos e russos assinaram o tratado de independência há muitos anos. É claro que não estão do nosso lado e que não gostam de nós. Poderiam ajudá-lo, a fim de conseguir uma vantagem contra o restante de nossa comunidade. — O oriental bebeu um pequeno gole de vinho e fitou-me de um jeito inquisidor.

— Acho importante ressaltar que, assim como eles não estão do lado da Akasha, também não estão do lado de Brianna Duncan. Eles estão do lado deles. São bruxos independentes que, historicamente, não se importam com o que acontece fora do seu próprio território. — Dei um longo suspiro. — Além disso, acho totalmente desnecessário este tipo de questionamento para mim, considerando que já fiz os testes e todos confirmaram esta minha afirmação, que volto a repetir: não fui auxiliado por ninguém — menti descaradamente, já tranquilo por ter passado pelos testes.

Quando me obrigaram a tirar minhas joias — sendo que a maioria tinha sido criada com o objetivo de esconder minhas intenções, opiniões e história — senti minhas pernas amolecerem. De fato, havia subestimado Fiona, pois, pelo o que parecia, ela tinha certo conhecimento sobre gemas e sobre meu dom. Não duvidava que houvesse um livro apenas contando sobre as peculiaridades de meu irmão, Orion Duncan, que tinha a mesma magia específica que a minha.

À vista disso, minha única opção foi tentar acreditar que a poção dada por Daymond Adoniss tinha realmente o objetivo de esconder as devidas informações de Fiona e Lilith — mesmo que o homem de vestes estranhas não fosse a melhor pessoa para se confiar.

Graças aos deuses — e pela criação inusitada de Adoniss —, eu havia passado nos testes com grande facilidade. Nunca pensei que algo daquele nível poderia ser criado. Era uma espécie de poção de camuflagem muito bem trabalhada e que apenas um bruxo com a idade de Daymond poderia fazer.

— De qualquer maneira, a comida está muito boa. — Manter a boa educação, na frente de uma Fiona extremamente irritada, divertia-me.

— Obrigada. — Sorriu Emília. — É carneiro ao forno de lenha. Parece simples de se fazer, mas, na realidade, a produção começa dois dias antes. O cordeiro é marinado em vinhos branco e tinto e alguns tipos de ervas. Após isso, a carne fica assando de um dia para o outro em temperatura baixa com manteiga — falou com empolgação juntamente com um tom sonhador. Provavelmente cozinhar era uma de suas grandes paixões.

— Está maravilhoso como sempre, Emi. — Fiona desviou seu olhar desconfiado de mim e sorriu carinhosamente para a irmã. — A torta também. Está divina!

— Tenho que concordar — Stela disse com a boca cheia. Ela e Nora pareciam ser as únicas que não se importavam com a etiqueta social à mesa, talvez pelo jantar não ser estritamente formal, ou pelo simples fato de que não eram obrigadas a agir com educação em frente às irmãs e ao oriental engomadinho.

Voltei a comer, mas dessa vez mais calmamente, mantendo a classe que Madame Carmilla — minha professora de etiqueta — conseguiu ensinar-me depois de vários xingos e beliscos em minha orelha esquerda. Ela só não havia me ensinado a não provocar Fiona Ventrue, que bebia calmamente seu vinho tinto após alinhar os talheres no prato, indicando que havia terminado sua refeição.

— E então, senhorita Fiona, terei que dormir na mesma jaula de mais cedo? — questionei-a, observando-a bufar ainda com os lábios sobre a taça de cristal.

— Iremos providenciar um quarto — respondeu a contragosto.

Terminei minha refeição, e não demorou muito para todos saírem da mesa. Vi Fiona pegar um molho de chaves e fazer um sinal para que eu a acompanhasse. Fomos em direção às escadas em total silêncio.

Depois de todo o procedimento, e da imensa perda de magia, meu corpo implorava por uma boa noite de sono. Passamos por alguns corredores e a loira ainda se via na minha frente, dando passos mais rápidos que o necessário. Assim como eu, Fiona Ventrue também deveria estar deveras cansada.

Divagando com meu olhar sobre as costas da loira, quase trombei contra ela quando Fiona parou de andar. A futura Akasha virou seu corpo para uma porta dupla e assentiu para si mesma.

— Vai ser aqui que você irá dormir — disse e levantou o molho de chaves que estava em sua mão, logo escolhendo uma delas e enfiando-a na fechadura antiga da porta de carvalho.

Entramos no quarto, que estava completamente escuro antes de Fiona apertar alguns botões — acendendo todas as luzes do cômodo. Tentei não deixar meu queixo cair ao perceber que o tamanho daquele cômodo era bastante exagerado para uma pessoa só. Havia uma cama de casal, uma lareira, duas poltronas e um balcão de escritório, além de algumas estantes vazias.

— Na porta a direita fica o banheiro. — Apontou para duas portas que se encontravam do lado direito do quarto. — E na esquerda o closet. Não que você tenha muitas roupas para colocar lá. Provavelmente, depois do julgamento, Joe lhe arraste para algumas lojas, a fim comprar vestimentas adequadas para pessoas não exiladas.

— Isto é mais do que eu esperava. — Cruzei os braços, ainda admirado com o quarto.

— Enfim — disse e virou-se para mim —, você só poderá sair daqui quando eu desativar a proteção do quarto, pela manhã.

— Este quarto tem feitiço de guarda? — Ri maldoso. — O escudo deste feitiço não é lá grandes coisas... Você sabe que, se eu realmente quiser fugir ou matar alguém, posso quebrar e pular a janela, certo?

— Você não irá querer fazer isto. — Cruzou os braços. — A menos que queira morrer queimado!

— Tem razão. — Lancei-lhe uma piscadela. — Vou ser um bom menino!

— Ótimo! — Sorriu falsamente. — Boa noite e fique à vontade, senhor Duncan.

— Boa noite, princesa... — provoquei-a uma última vez antes dela trancar-me dentro do quarto. — Olá, querida cama rica. — Joguei-me na cama extremamente confortável, aliviado por, finalmente, poder descansar.

 

~★~

 

Senti certo incômodo com a claridade do sol, que atravessava as cortinas brancas do cômodo. Tive uma vontade ridícula de pintar os vidros das janelas de preto, mas, no lugar disso, apenas virei meu corpo para o outro lado, onde não havia tanta luminosidade. Considerando que, no exílio, eu dormia em um quarto subterrâneo, revestido totalmente por pedras, acordar com tanta iluminação certamente era algo novo. Algo novo que eu realmente não tinha gostado.

Graças a todas as coisas que fiz ontem, meu corpo estava extremante tenso e — mesmo que eu estivesse deitado em uma cama como aquela — não consegui encontrar nenhuma posição confortável durante a noite, o que me rendeu várias horas de sono perdidas.

Considerando que o sol já estava alto no céu, não me admirava que já fosse quase meio-dia e, com este pensamento, bufei longamente contra o travesseiro. Levantei meu tronco e passei a mão pelo rosto, esfregando os olhos em seguida, a fim de despertar de uma vez por todas.

Ainda recuperando minha lucidez, sentei-me na cama, dando um longo bocejo antes de levantar e me dirigir ao banheiro.

Hoje o dia seria longo, pois, provavelmente, Lilith Ventrue chegaria de viagem, pronta para me torturar, queimar e matar.

Depois de tomar um longo banho e colocar as mesmas vestes do outro dia, saí do quarto, constatando que a porta já estava destrancada e que, desta maneira, Fiona já estaria acordada. Cheguei ao corredor largo, logo me deparando com outra porta dupla que se encontrava em frente do meu aposento, que eu não havia reparado na noite passada.

A porta estava levemente aberta, e pude perceber — pela fresta — que o cômodo era todo branco com alguns detalhes em dourado. Lá de dentro vinha um barulho sincronizado de teclas, que me lembrava as da máquina de escrever de um dos meus amigos do exílio.

Prestando atenção ao barulho — enquanto afastava-me lentamente do quarto —, fui acordado de meus devaneios quando outro som se intensificou no mesmo cômodo. Era um ruído irritante que apitava tão alto, mas tão alto, que poderia ser escutado do andar de baixo da casa. Desta maneira, da mesma forma que o ruído se espalhou pela casa, este cessou rapidamente, dando lugar a uma voz melodiosa e conhecida.

— Alô? — era a voz de Fiona. Seu tom era um equilíbrio fora do comum de doçura, formalidade e sensualidade. A sucessora era a verdadeira mulher de várias faces, cada uma carregada de mistérios.

Não era de se estranhar que Fiona Ventrue fosse escolher um quarto perto do dela para mim, até porque, qualquer gracinha que eu viesse a cometer, ela poderia ser rápida em me prender e proteger sua família.

— Oi, meu amor — disse em um tom extremamente amoroso, o qual eu estranhei. Poderia estar falando com algum parceiro? A futura Akasha era casada ou algo do tipo?

Curioso, aproximei-me mais, pois qualquer informação que eu viesse a adquirir da Ventrue poderia ser usada contra ela, estou certo? Espero que sim, pois, do contrário, esta minha atitude estaria sendo incrivelmente ridícula.

— Como passou a noite? Dormiu bem? — Aproximei-me ainda mais do batente da porta. — Que ótimo. Você e o Nick já podem voltar para casa sim, já está tudo sob controle. — Escutei-a empurrar uma cadeira e, por conseguinte, seus saltos altos baterem contra o assoalho de madeira. — Venham almoçar comigo e com as meninas. O cheiro está muito bom! — E estava verdadeiramente; mesmo vindo do andar de baixo, a essência da comida se alastrava pelos corredores do segundo andar, fazendo-me ficar com água na boca. — Vou ficar te esperando, certo? Amo você! — Definidamente ela tinha alguém.

Ainda digerindo tudo que a loira tinha falado — juntamente com o cheiro inebriante de comida —, só percebi que deveria ter seguido meu caminho há certo tempo, quando me deparei com Fiona trombando fortemente em mim assim que saiu de seu quarto. O impacto causou um som oco e um leve grunhido por parte da loira. Sua cara bateu direto contra meu bíceps direito, que era bem maior que o rosto da mulher.

Sorri sem graça, afastando-me dela e observando-a cerrar os punhos enquanto semicerrava os olhos verdes, sem sair do lugar.

— Erm... Bom dia? — falei em um tom verdadeiramente envergonhado.

— O que pensa que está fazendo na porta do meu quarto? — inquiriu, abrindo os olhos e me analisando dos pés à cabeça. — Vigiando-me? Escutando minhas conversas por trás da porta, igual uma serviçal fofoqueira?

— Eu? — Apontei o dedo para mim mesmo. — Quem pensa que eu sou? — disse na maior caradura.

Ela levantou a sobrancelha e molhou os lábios, provavelmente percebendo que eu realmente estava ouvindo sua conversa por trás da porta. Por fim, negou com a cabeça e me deu um empurrão com o ombro, obrigando-me a me afastar dela e a permitindo seguir em frente.

— Certo... — soprou assim que passou por mim, e não pude evitar dar uma risada.

— Quanta grosseria, senhorita Ventrue. — Virei-me e comecei a acompanhá-la a passos calmos. — Nem para dar bom dia...

— Bom dia — falou secamente, sem ao menos desviar seu olhar gélido para mim.

Engoli em seco.

— E então? — não sabia ao certo se deveria perguntar aquilo, mas provavelmente me renderia boas risadas internas. — Falando com o maridão?

Ela parou sua caminhada e fitou-me com a sobrancelha mais arqueada que o normal.

— Então, realmente ouviu minha conversa! — bradou e cruzou os braços.

— Nunca neguei, meu bem. — Lancei-lhe o sorriso mais cafajeste que eu tinha.

Fiona revirou os olhos e trincou o maxilar.

— Vai se... — bufou, mas não continuou sua frase, voltando a andar a passos pesados.

— Ora, continue — provoquei-a. — Sei que quer falar um palavrão. Vá em frente, somos livres para falar o que quisermos! — Cutuquei seu braço. — Vamos lá, diga: vai se foder, vai para a puta que te pariu, vá à merda! — Continuei a cutucá-la de um jeito irritante.

— Não me toque! — Deu um tapa agudo em minha mão. — O que houve com você? Está mais irritante que o normal!

—  E ela não falou o palavrão... — suspirei, fingindo decepção.

— Argh, vai se foder, Duncan!

— Agora sim! — Sorri. — E não aconteceu nada comigo, só estou agitado e animado para esta vida de pessoa não exilada!

— Não fizemos o julgamento ainda.

— Mas irão fazer logo e, provavelmente, vou ser liberado! — Coloquei as mãos nos bolsos. — Falando em julgamento, onde está meu grimório? — Lembrar do livro trouxe um forte pesar em meu peito, pois havia coisas escondidas nele; coisas que permitiriam que eu me comunicasse com Brianna.

— Ainda estou analisando — respondeu, provavelmente percebendo minha preocupação. — Mas acredito que irei lhe devolver ainda hoje. Não se preocupe...

— Certo... — Suspirei aliviado, pois, por sua calma, ela provavelmente não havia descoberto nada diferente no livro.

— Mas depois disso devemos registrá-lo, principalmente se você se tornar realmente um bruxo livre.

— Se a senhorita diz...

Descemos as escadas e cumprimentei as demais irmãs Ventrue que, diferente de Fiona, pareciam ter ido com a minha cara. Nora lia um livro qualquer, e Emília estava preparando algo na cozinha. Já Stela se via deitada no sofá, observando — com demasiado interesse — a placa gigante da sala de estar, onde várias imagens se mexiam dentro dela.

— É aquilo que chamam de televisão? — demandei para qualquer uma, vendo que Fiona se dirigia para a cozinha.

— Exatamente, grandão — Nora respondeu sem desviar seus olhos do livro.

Sentei-me em uma das poltronas ali expostas, observando com mais atenção os detalhes da casa. Vasos, esculturas e quadros estavam espalhados em cada canto do local de arquitetura impecável. Estando ali, acolhido em um lugar tão cheio de riqueza, lembrei-me com pesar do exílio. Precisava comunicar-me com minha mãe, a fim de confirmar-lhe que eu ainda estava vivo e pronto para começar minha tão estimada missão.

Mais alguns minutos se passaram e, enquanto tentava focar meus pensamentos — que se encontravam no exílio e na tal televisão —, apenas despertei de minhas distrações quando ouvi a porta da frente ser aberta com grande brutalidade.

— Cheguei! — ouvi um grito feliz. Desviei meu olhar para a gigantesca porta de entrada e, então, pude ver quem havia chegado.

Era uma garota baixa. Não tinha mais que um metro e sessenta. Magra e de pele pálida, seus traços joviais lembravam-me demasiadamente certa Ventrue. Precisamente, Fiona Ventrue. O sorriso dela era idêntico ao da sucessora, e eu teria certeza absoluta que a garota era uma autêntica Ventrue se não fosse por seus olhos negros. Poderia ser uma irmã bastarda ou fora do casamento, certo?

De supetão, lembrei-me que a garota que acabara de chegar era a mesma que estava ao lado de Fiona na foto de seu celular.

Vi Fiona sair rapidamente da cozinha e dar um grande sorriso para a garota.

— Ei! — exclamou a futura Akasha.

— Mãe! — A outra loira sorriu com certo alívio, e observei o abraço que ambas compartilharam.

Mãe?

Como assim?

Fiona Ventrue, em meio a tantos treinamentos, tantas responsabilidades e inúmeras preocupações, tinha uma filha?

Estremeci ao sentir o carinho que emanava de ambas. Carinho que nunca recebi de minha mãe, apenas de meu estimado pai.

— Está tudo bem mesmo? — a garota perguntou para Fiona.

— Sim, estou inteirinha! — Bagunçou os cabelos da filha que, em um reflexo, desviou seu olhar para mim com intensa curiosidade.

— É ele? — pude ouvir seu sussurro. 

— Sim... — Fiona respondeu baixinho, desviando o olhar para a porta, de onde vinha mais uma garota e um menino ruivo. Ambos me olhavam com grande receio. — Bom dia, queridos. — Dirigiu-se aos outros dois jovens e afastou-se da filha. — Bem... Este é Sebastian Duncan.

Apontou para mim, e fiz um leve cumprimento de cabeça.

Vi os olhos negros da pequena garota fitarem-me raivosos e, ao mesmo tempo, curiosos.

— Athena... — apresentou-se ela, com a voz bastante afiada. — Athena Ventrue. Filha da mulher que te derrotou... — Vi o ódio crescer em seu olhar, e Fiona foi rápida em apertar o braço da filha, numa tentativa de acalmá-la.

— Sou Tina Aoki, e este é Nicholas Donnovan! — A outra loira se colocou na frente de Athena, de um jeito bastante aflito.

— Prazer — disse tranquilamente, mesmo que ainda surpreso pela sucessora ter uma prole.

— Bem... Agora que o clima ficou bem pesado, acho que podemos almoçar! — Nora falou, deixando o livro de lado e tentando amenizar a tensão que havia se formado.

— Sim... — concordou Fiona, empurrando levemente a filha para a mesa. — Venha, vamos comer... — Chamou-me, ainda fitando a filha com certa preocupação.

Aproximei-me de Fiona vagarosamente, sentando ao seu lado à mesa que, aparentemente, não tinha lugares certos, tirando a cabeceira — que devia pertencer à Akasha.

— Então, era com ela que estava falando no quarto... — soprei para que ninguém mais ouvisse, apenas a futura Akasha.

Ela revirou os olhos enquanto colocava certa quantidade de salada em seu prato.

— Nossa, como você é esperto... Já pensou em trabalhar como vidente? — respondeu carregada de ironia. — Sim, não estava falando com nenhum "maridão". — Fez aspas com os dedos. — Eu estava apenas falando com a minha filha.

— Devia saber que era mãe solteira. — Ri para mim mesmo, pegando alguns pedaços de carne.

— Não lhe disse que sou solteira! — Levantou a sobrancelha e bufou longamente. Senti seu olhar em cima de mim, enquanto eu ainda preparava meu prato. — Como sabe? — indagou em um tom mais leve, quase curioso.

— Porque você é mais forte e independente que o normal. — Desviei meu olhar para ela. — E, além disso, não vejo nenhum anel no seu dedo anelar, princesa.

Ficamos nos fitando por alguns instantes, sendo ignorados por todos da mesa, que não prestavam atenção em nós. Ela sorriu de canto, ainda me olhando:

— Devia mesmo trabalhar como vidente, senhor Duncan. 


Notas Finais


E aí pessoal? O que acharam do capítulo? Espero, do fundo do coração, que tenham gostado.
Comentem o que acharam do capítulo, gente. É muito importante para mim, além de que, preciso saber se vocês estão gostando ou não da fic (apareçam fantasminhas <3).
Aqui em baixo deixarei o link para o jornal do vencedor da votação passada: Joe Aoki.
PERSONAGENS DE ARCANUS V: JOE AOKI - https://spiritfanfics.com/jornais/personagens-de-arcanus-v-joe-aoki-10917286
Votem em qual personagem querem ver para o próximo jornal.
Também queria avisar que, muito provavelmente, o próximo capítulo não venha dia 01, mas, sim, dia 15. Estarei fazendo provas de fim de ano e preciso estudar, mas prometo que compensarei - no máximo - no mês de Janeiro, onde pretendo postar três capítulos. (espero que entendam :3)
Era isto pessoal. Mais uma vez peço para que deixem suas opiniões <3
Um grande beijo e até o próximo!


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