História Arcanus - Capítulo 21


Escrita por: e Aella

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Palavras 6.119
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Devo ser sincera que só iria postar este capítulo no final desta semana, mas não me contive, pois gostei muito dele haha
Na realidade, ando muito ocupada e não tive tanto tempo para corrigir, mas, realmente, não consegui me segurar e aí está o capítulo. Provavelmente vou dar mais um geral no capítulo na sexta-feira, pois deve ter alguns errinho sim e peço perdão desde já, prometo que vai ficar perfeito depois que a Beta dar uma mão haha
Sem mais delongas, bom capítulo:

Capítulo 21 - XXI - O Segredo


XXI

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FIONA

 

Havíamos encontrado um tanque velho na parte de trás da casa de dois andares dos Goodes e, ali, eu segurava os cabelos de Emília, que já vomitava pela terceira vez consecutiva enquanto chorava desesperadamente. Já Stela havia terminado com sua carteira de cigarros e xingava os deuses, e o restante do mundo, por não ter trazido mais carteiras. Em contrapartida, Nora sentou em uma grande abóbora ao lado do tanque e nunca esteve tão silenciosa.

— Tente se controlar, Emília, por favor — falei suavemente, afagando suas costas.

— Estou tentando, mas, céus, nunca vi tanto sangue em minha vida. Homer estava irreconhecível! — respondeu em meio a soluços e, pela quarta vez, voltou a colocar tudo para fora.

Enquanto eu e Nora encontramos o corpo de Madalena Goode no andar de cima, Emília e Stela tiveram o desprazer de encontrar Homer Goode no andar de baixo, especificamente na cozinha, perto de uma mesa onde, provavelmente, estavam servindo o jantar.

Os braços e uma das pernas do homem foram arrancadas e, até agora, não haviam sido encontradas pela equipe de investigação que, assim que chegou, já começou a coletar todas as pistas possíveis, além de bloquear o local. Além disso, o pescoço fora quebrado, uma clavícula havia sido projetada para fora e, onde deveriam estar seus olhos, nada mais que buracos vazios, com larvas pulsando por dentro das pálpebras entreabertas. Além, claro, por machucados e cortes por todo o corpo, como se houvesse sido atacado por uma fera raivosa.

Emília, desde jovem, não era capaz de ver este tipo de coisa. Não por frescura, ou por ser muito sensível. Mas por ter traumas que ninguém, além de mim e minhas irmãs, poderiam sequer imaginar que bruxas como nós tínhamos vivido. Traumas estes que foram presentes de nossa mãe, que nunca mediu esforços para nos ver sofrer desde crianças — ela sempre acreditou que a força vinha da dor e queria que as filhas fossem tão fortes quanto ela.

Um movimento brusco de Stela chamou minha atenção, e o sorriso dissimulado de minha irmã mais nova revelava que ela não tinha notícias boas sobre o que via da onde estava.

— Pris Allen está aqui — Stela disse. — Quem vai dar um chute na cara dela? Eu ou você, Nora?

— A Fiona — respondeu a tatuadora. —Emília Beth Ventrue, caso você não se recomponha em cinco segundos eu vou dar na sua cara!

Emília levantou o tronco, limpando a sujeira do canto da boca. Era incrível como sua aparência, sempre com as bochechas sadias e lábios rosados, modificavam-se depois de ver aquele tipo cena. As olheiras estavam profundas e a pele estava tão branca quando papel.

— Desculpe — Emi falou, finalmente se recompondo. — O que a jornalista faz aqui?

— Jornalista? Ela é só uma fofoqueira que ganha dinheiro nas costas da desgraça alheia. — Stela cruzou os braços depois de acenar. — Ela me viu, está vindo aqui. Sorriem e acenem.

— Não me obrigue a sorrir, irmã — Nora murmurou, levantando-se.

A mulher logo apareceu da penumbra, sendo iluminada por uma lamparina que Stela havia ligado assim que a perícia chegou e que fomos para aquele canto da casa. Pris Allen tinha um sorriso nos lábios pintados por um batom nude, a pele bronzeada ficou ainda mais iluminada pela pouca luz amarelada do local, e tinha os cabelos castanhos presos em um coque baixo.

— Olha só, não é sempre que encontro a realeza em um local de crime — disse a jornalista, conjurando um pergaminho e uma caneta, que flutuaram ao seu lado. — Fiquei sabendo que foram Vossas Altezas que encontraram os corpos.

— Quer um prêmio por esta grande descoberta? — Nora disse tão baixo que apenas eu e Emília escutamos. 

— Olá, Allen. Deveria saber que viria — falei.

Ela abriu o sorriso quando me aproximei dela. Seu olhar dissimulado me olhou dos pés à cabeça e, então, continuou:

— Posso fazer algumas perguntas? — Fez uma pequena reverência, e apenas assenti com a cabeça. — Bem, Vossa Alteza, Fiona Ventrue, sabemos que a família Goode, indo contra os argumentos de nossos conselheiros sobre os perigos de morar em uma região afastada de outras famílias bruxas, acabou sendo exterminada...

— Deixe-me corrigir, Allen... Acredito que a palavra extermínio não caiba bem na sua matéria, pois, bem... apenas a morte de Homer e Madalena foi confirmada. Suzanne, Érica e a criança, Ester, ainda estão desaparecidas — adverti, cruzando os braços.

— Certo... — respondeu a mulher, um pouco incomodada, olhando para o pergaminho ao seu lado. — Continuando, queria saber se você ou sua mãe, Vossa Majestade, Lilith Ventrue, concordaram com a liberdade que esta família teve de morar tão longe dos outros bruxos da região, pois sabemos que isto foi a verdadeira causa desta atrocidade.

— Bem, Priss, acredito que nós, sobrenaturais, vivemos em meio ao caos, não importa onde formos, a paz é algo que ainda demorará para conquistarmos, mas ainda assim, uma pessoa morar longe das demais bruxas de seu estado não justifica tal selvageria. Quanto a minha concordância, mesmo com tal perigo, acredito que cada pessoa tem sua própria autonomia e liberdade para ir e vir e morar onde bem entender. Quanto a minha mãe... eu não sou ela, seria viável perguntar para a própria Akasha — respondi, sem muita emoção.

— Mas, Fiona Ventrue, não se sente culpada? Quer dizer, sabemos que foi você e suas irmãs, que são responsáveis por parte da legislação americana, que tornaram flexível a livre moradia para as bruxas da região. Não acha que, caso fosse negado a moradia dos Goodes nessa propriedade, teria sido evitado tal crime? — indagou ela, tão venenosa quanto uma cobra.

— Ei, espera aí, garota! — exclamou Nora, indo ao meu lado com sua maior expressão de poucos amigos. — Está querendo insinuar que a culpa da merda que aconteceu foi da minha família? 

— Oh, é bem isto que ela está querendo dizer, irmã — Stela concluiu, indo para trás de Allen.

— Ah, meninas, não quero ofender ninguém, mas...

— Mas ainda não se conformou que nunca será uma conselheira do congresso, nem que continue namorando todos os homens daquele lugar ao mesmo tempo e ameaçando nossa moral pública fazendo este tipo de matéria sensacionalista? — Emília se pronunciou, aproximando-se. — Escute, Priss, não entendo seu posicionamento. Nas suas manchetes, quando impomos regras a vocês, somos ditadores, quando somos amigáveis ao ponto de deixar livre o lugar onde cada bruxo irá morar, somos muito flexíveis e responsáveis pela morte de dois bruxos, sendo um deles, uma anciã tão poderosa quanto cinco de você!

— Se até mesmo Emília está irritada, então, realmente, você não está com a razão. — Stela riu. — Escute, Allen, pode falar qualquer merda da nossa mãe, coisa que você nunca faz. Mas das minhas irmãs e do restante da minha família, você não tem direito, nem a razão, de nos colocar no meio. Nossas decisões são sempre espelhadas em pesquisas feitas em nossa comunidade. Quando deixamos flexível a moradia no país, há seis anos, tudo foi baseado em votações. Mesmo mostrando os pós e contras, deixar flexível a moradia de cada família foi a opção que mais agradou as famílias. Saberia disso se não estivesse ocupada puxando o saco de nossa mãe na época das reuniões e campanhas.  

— Chega, meninas — falei, chamando a atenção das três. — Coloque no seu artigo o meu posicionamento, Allen...

— O que? Vossa Alteza, não posso escrever o que você bem quer na minha manchete — disse, tentando manter o mesmo timbre de voz, mesmo que suas bochechas acusassem o quão raivosa estava.

— Pode sim e isto é uma ordem da Sucessora. — Sorri, inclinando, a cabeça. — Acho que não quer ter a futura Akasha como sua inimiga, certo? — Olhei para a caneta que flutuava ao seu lado, e a jornalista bufou, irritadiça, fazendo a caneta começar a escrever com a força de sua mente. — Meu posicionamento é: não importa o lugar ou seus vizinhos, o risco de ser bruxo, lobo, vampiro ou feiticeiro, é sempre palpável, em qualquer lugar. Você pode estar morando em New York e ser morto, pode estar em Cincinnati e ser caçado, estar em New Orleans e ser sequestrado. Este é o preço por ser imortal, Priss Allen, e mesmo que minha família, um dia, imponha a todos os bruxos do mundo a morarem próximos um dos outros, mortes e outros contratempos irão acontecer, pois isto está além do nosso controle. Sobre os Goodes, saiba que eu mesma, junto de minhas irmãs e de uma vasta equipe, iremos descobrir o que houve com esta família. Agora, se poder nos dar licença, a família real vai conversar com os peritos.

— Agradeço a resposta, Vossa Alteza — o tom de Allen fora sarcástico.

Deixamos a jornalista para trás e tentei bloquear o que minhas irmãs falavam sobre a mulher, do contrário, eu ficaria ainda mais irritada com a jornalista.

— Eu não entendo o que ela tem contra nós! — Emília cruzou os braços. — Todo mês ela faz algum tipo de indireta para a gente, mas o pior é que ela até se contradiz de uma matéria para outra apenas para mostrar o quanto somos horríveis e irresponsáveis na visão dela.  

— Faz tempo que não te vejo com tanta raiva, Emília — disse Nora. — Estou orgulhosa do que disse para aquela megera.

— Eu adorei, pensei que você ia dar um tapa na cara da vaca. — Stela assoviou. — Com isto, está confirmado que a mulher com mais autocontrole daqui é a Fiona.

— É necessário, considerando que vocês três parecem adolescentes prestes a bater em qualquer um — bufei. — Ela é uma jornalista reconhecida, está estampado na cara dela que nos odeia, e vocês colocam ainda mais fogo neste impasse que temos. Somos mais que figuras públicas, somos figuras políticas! Tentem se controlar... Ou querem que os bruxos ignorantes, que leem as manchetes dela como se fosse um grimório, nos odeiem?

— Mas você também foi grossa — Stela falou, emburrada.

— Fui, ou vocês queriam que eu ficasse contra vocês? Por mais fora do controle que vocês sejam, vocês são minha família e não estavam erradas nas colocações... Só peço para que, da próxima vez, saibam se controlar! — concluí, avistando Cassandra.

Ela usava óculos e um jaleco branco enquanto analisava algumas fotos. Era engraçado ver minha melhor amiga tão séria, no seu trabalho, considerando que ela era uma das pessoas mais doidas que eu conhecida — superando até minhas irmãs.

— Cass — chamei sua atenção, e seus olhos amendoados se levantaram em minha direção. — Novidades?

— Não sei dizer... — Ela deu de ombros, irritada. — Olha isto, é de uma bruxa do Canadá, morta há alguns meses. — Peguei a foto da mulher, dilacerada sobre a neve. — Olhe as mordidas, são idênticas às que estão em Madalena e Homer.

— Lobisomem? — indaguei, um pouco espantada.

— Sim... Mas não faz o maior sentido. — Molhou os lábios. — Ao que tudo indica, o caso da canadense foi por uma desavença territorial contra uma alcateia da região onde ela invadiu. Além disso, a morte de Homer e Madalena não se deu pelo ataque ou pelas mordidas, mas por ferro de Perséia no peito.

— O que? Ferro de Perséia? — não consegui controlar a altura de minha voz. — Como conseguiram o ferro de nosso mundo original?

— Isto é o que menos importa, Fiona! — Cassandra bufou. — Pense bem, nada se encaixa direito. Um lobo sozinho na casa de uma bruxa anciã seria suicídio para o lobisomem, isto não é segredo, mas um lobisomem com armas feitas de ferro de Perséia é outra história. Ninguém, sendo qualquer outro sobrenatural ou caçador sabe da existência deste ferro e que ele é capaz de matar a maioria de nós definitivamente! Quem deu esta informação para o animal que fez isto é um traidor.

— O que mais sabe? — perguntei, segurando o peito com tal informação.

— Os grimórios, de todas as gerações desta família, foram roubados. — Cassie assoviou, voltando a olhar para as fotos. — Este caso, em particular, não tem nada a ver com território, como o que houve no Canadá. O que me deixa irada é que simplesmente não consigo encaixar os fatos.

— Certo... Ferro de Perséia, mordida de lobo e roubo de grimório... — Nora coçou o queixo. — Só consigo pensar em um bruxo trabalhando com um lobisomem. Do contrário não teria motivo para roubar os livros... Qual era o foco dos livros dos Goodes?

— Anulação e reversão mágica — respondeu Cassandra. — São um dos mais importantes sobre o assunto. Feitiços, poções, até máquinas e câmaras.

— Anulação mágica... Madalena conseguia reverter e anular quase qualquer magia feita por um bruxo até o nível cinco — ponderei. — Ainda assim, anulação e reversão são o tipo de magia que mais acelera a queda de energia. Em regra, só não é auto destrutivo para o legado do criador do grimório, ou seja, a família Goode.

— E três dos Goodes estão desaparecidos... Ao menos algo está encaixando, agora. — Cassandra cruzou os braços. — Agora precisamos saber da onde surgiu o ferro que matou os dois.

— Mas Homer não foi atingido por nada — Emília falou.

— Na verdade foi, sim, e, pelo mesmo ferro que atravessou Madalena no andar de cima — respondeu Cassandra. — Ele morreu antes que ela... Tirando o nosso clã e o clã da África, quem mais tem posse do ferro?

— Um dos bruxos mais velhos da atualidade, o antigo conselheiro e amigo de Mirella Ventrue... O trocador de favores — Stela respondeu. — Daymond Adoniss.

O famoso Daymond Adoniss.

— Os bruxos da colômbia proíbem a entrada de lobisomens e vampiros no país... — Emília arregalou os olhos. — Mas, e caso algum bruxo tenha entrado e feito um acordo com Adoniss em troca da arma? E trabalhe com um lobo?

— Faz sentido, por mais que seja estranho simplesmente terem deixado para trás uma arma tão poderosa. — Respirei fundo. — Enfim... Teremos que investigar com mais cautela durante a semana. Já enviou uma equipe de buscas atrás das três desaparecidas?

— Enviei... Bem, depois de ver este festival de sangue vocês merecem um banho. — Cassandra sorriu de canto. — Podem ir para casa. Qualquer novidade eu volto a falar contigo.

 

~~

 

Todos já haviam se recolhido, e apenas a luz de algumas velas iluminavam os cantos da mansão. O silêncio ali era reconfortante se comparado ao falatório na residência dos Goodes, com as câmeras fotográficas, carros e ligações.

— Vou subir — murmurei para minhas irmãs, que iam em direção a cozinha. — Estou exausta.

— Não vai comer nada? — indagou Nora, com a sobrancelha arqueada.

— Não tenho apetite... Boa noite — respondi, indo para o lado contrário, na direção das escadas.

O barulho dos saltos contra o assoalho me obrigou a lembrar do sangue no solado de meus sapatos. Apertei as têmporas e subi as escadas, apoiando-me no corrimão. Não demorou muito para chegar ao corredor de meus aposentos e de visualizar a porta dupla dele.

Parei na frente da porta, agradecendo por finalmente poder descansar.

— Então, você trepou com um lobisomem — a voz rouca e conhecida sussurrou atrás de mim. Virei-me, tão assustada quanto mais cedo, quando encontrei o corpo de Madalena, e encontrei Sebastian, com um sorriso falso nos lábios e os braços cruzados. — Que criminosa temos aqui, não é?

— Do-Do que você está falando? — gaguejei, engolindo em seco. — Não estou entendendo, Duncan.

— Ora, não está entendendo que tem uma filhinha híbrida? Metade bruxa, metade loba? Estranho, algo me diz que você está entendendo, sim — falou em tom baixo.

Respirei fundo, tentando controlar as batidas de meu coração, que parecia querer sair pela minha boca.

— Você está louco — disse firme. — Da onde tirou isto? Aliás, quem pensa que é para me fazer uma acusação dessas?

— De onde tirei isto? — Aproximou-se de mim. — Deixe-me ver... Eu deduzi quando entrei na essência da sua filha e encontrei um lobo gigante como fonte do poder dela... que, aliás, estava bloqueado por um poder bem parecido com uma moça loira que conheço... Deixa eu pensar... Você!

Tentei raciocinar por alguns instantes, pensando em algo que poderia converter aquela situação, qualquer coisa para não revelar para aquele homem meu maior segredo. Mas nada veio em mente.

— Entra. — Puxei-o pela camisa, praticamente jogando-o dentro de meu quarto e fechando a porta atrás de mim com força. — Quem lhe deu o direito de fazer seja lá o que fez com a minha filha? — rosnei, empurrando-o contra uma poltrona e obrigando ele a sentar.

— Ela deixou. — Deu de ombros, provavelmente percebendo a raiva se intensificar em meu olhar. — Athena já tem vinte anos, pode tomar suas próprias decisões, Fiona.

— Eu falei para você não se meter nos MEUS negócios — falei alto, ignorando o fato que alguém poderia nos escutar. — Você disse que não iria fazer nada ontem, e já no outro dia entra na essência da minha filha? Você é um crápula, um dissimulado. Deveria ter deixado minha mãe te matar!

Cerrei os punhos, em uma mistura de medo e raiva pelo homem na minha frente.

— Crápula? Dissimulado? — Riu forçado. — Então, você esconde a vida inteira a verdade de sua filha, mente para praticamente todos os bruxos do mundo sobre a origem dela e eu, logo eu, Fiona, sou o dissimulado? Poupe-me! Estou me sentindo idiota por pensar que você era uma Ventrue diferente das demais, mas... olhem só, é apenas mais uma corrupta no sistema.

Fiquei um minuto em silêncio, processando o que ele me dissera.

— Está querendo insinuar que eu deveria, como sempre, seguir a lei e ir para a fogueira com um bebê no meu ventre, Sebastian? — indaguei, seca. — Que eu deveria entregar uma criança, o meu bebê, para os conselheiros matarem?

Ele engoliu em seco, abriu e fechou a boca várias vezes.

— E-eu não quis dizer isto...

— Foi a única vez que usei meu posto ao meu favor e você não sabe o quão horrível é guardar um segredo destes por vinte anos! — exclamei, sentindo as lágrimas se acumularem. — E mais horrível ainda é saber que uma pessoa, um intruso, simplesmente foi até minha filha e descobriu tudo para vir jogar isto na minha cara. Como se eu fosse uma espécie de monstro por ter amado um homem que foi transformado na merda de um lobisomem!

— Eu concordo em esconder dos outros, Fiona, na realidade, esta lei é ridícula. Apenas não concordo em não ter sido sincera com a sua filha, em ter prendido o poder dela por tanto tempo! — exclamou. — Sabe o quanto ela sofreu com o bloqueio que você fez nela? Não se conhecer, não entender a própria fonte, não conseguir libertar a magia que se acumulava nela em todos estes anos, você tem noção do que é isto?

— Com certeza é melhor do que morrer! — Molhei os lábios, limpando uma lágrima que tinha escapado. — Acha que não me doeu ver ela sofrer todos estes anos? Se sentir um lixo por ser diferente do restante da família, do restante dos bruxos da sua idade? Foi a pior coisa que eu já senti, mas era necessário para protegê-la, tanto dos meus inimigos quanto dela mesma!

— É quase impossível para bruxos de níveis baixos descobrirem que ela é uma híbrida, Fiona...

— Não importa — falei rápido. — Naquele mesmo congresso existem pessoas que querem me derrubar antes de eu entrar no poder, pessoas que já desconfiam das origens da Nena e que dariam a vida para ver nós duas em chamas. Não pude arriscar nem contar para ela. Não podia arriscar perder a vida da minha menina! Mas você não entende. — Ri forçado, jogando-me na outra poltrona. — Nunca teve filhos para entender.

O silêncio interminável depois daquela frase me obrigou a olhá-lo de soslaio, ao meu lado. Sebastian fitava um ponto a sua frente, sem piscar, apenas dedilhando o tecido do braço de sua poltrona.

— Na realidade, entendo — murmurou. — Já tive... uma filha. Não devia falar sobre coisas que não sabe, Ventrue...

Um arrepio percorreu minha espinha, e inclinei meu corpo em sua direção, pasma.

— O-o que? — perguntei. — Digo... Tinha? Como assim?

— Ela morreu — anunciou secamente, percebendo que eu queria saber mais. — Hipotermia. — Trincou os dentes, desviando os olhos díspares para baixo. — Só tinha sete aninhos... Mas, então, tivemos nosso maior inverno, as doações não chegaram naquele mês provavelmente por ordem de sua mãe. As cobertas podres que eu tinha não foram o bastante para aquecê-la. — Brincou com os nós de seus próprios dedos antes de pousar as mãos nos apoios. — A pobrezinha nem tinha mais forças para tremer, começou a delirar... Ela pedia por ajuda, mas... Eu não comia há semanas, não tinha forças para fazer qualquer tipo de magia e, infelizmente, crianças não ressuscitam.

Imaginei a aflição daquela criança, com frio e fome, pronta para morrer a qualquer momento sem ter visto nada do mundo que lhe foi privado pelo simples fato de ser descendente de Brianna Duncan. Pensei em Sebastian que, mesmo sendo sempre deselegante quando estava em minha presença, sabia ser cuidadoso como um pai e, automaticamente, lembrei-me da noite que me ajudou com Athena. Ele sabia exatamente o que fazer para acalmá-la, como se estivesse acostumado a cuidar de uma garota que tem pesadelos a noite.

Agora eu sabia seu histórico, e tudo fazia sentido.

— Mas... A magia, algumas vezes ajuda em casos extremos... Nos deixa mais resistente... — falei após um instante, ainda perplexa pela história.

— Ela tinha muita magia, um dom destrutivo que, até hoje, eu não consegui entender. Desta maneira, minha mãe me deu um ultimato para fazer um bloqueio no poder dela. Com apenas três anos bloqueei sua magia e me culpo até hoje por isso. Talvez, se eu tivesse me negado a bloquear, a resistência dela podia ser melhor e ela teria sobrevivido àquele inverno. — Molhou os lábios e vi seus olhos começarem a ficar vermelhos. — Saí do meu quarto com ela em meus braços e corri até a base Markab que guardava o exílio. Gritei por minutos até alguma ter a boa vontade de me atender. Levaram minha filha para dentro da base e, então, nunca mais vi minha menininha. A líder do grupo, a mulher que me atendeu, disse que ela não sobreviveu, mas que a levaria para fazer um funeral digno, para que ela descansasse em paz. Foi a pior coisa que eu senti na minha vida.

Demorou um tempo para digerir aquelas informações e, enquanto isso, as lágrimas escorreram por minhas bochechas sem nenhum tipo de impedimento. Coloquei-me em seu lugar. Perder minha filha, ainda pequena, pelo frio infernal, culpando-me por um bloqueio mágico que havia sido obrigada a fazer. As lágrimas que escorreram pelo canto de seus olhos confirmou o quanto Sebastian ainda sofria ao relembrar daquela fase. Eu sofria sempre que via Athena sofrer, se a perdesse para sempre não hesitaria em me matar. Nunca me imaginaria em um mundo sem minha filha.

— Dói demais, Fiona... — Soluçou, limpando as lágrimas rapidamente com as costas da mão. — Mas, prometi para ela, naquele dia horrível, que viveria para ver tudo que ela não viu. Para viver em um mundo que ela não conheceu. Por ela, pela minha menininha. Veria as árvores por ela, os bichinhos que ela sonhava em ver, os carros e sentiria o calor do sol batendo no meu rosto. Céus, ela ia gostar tanto.

Agarrei sua mão, ignorando o fato que estava em prantos tanto quanto ele.

— Deuses, Sebastian, eu não sabia... Desculpe... — Senti o arrependimento em minhas palavras anteriores me assombrar. — Eu sinto muito, de verdade. Eu nem imaginava... Sua dor, deve ter sido indescritível.

Ele assentiu com a cabeça, apertando minha mão de volta.

— Já faz quinze anos — continuou, fitando-me. — Sim, era seria apenas dois anos mais velha que Athena hoje em dia.

Depois de tanto tempo, eu deveria concordar com ele: eu e Sebastian éramos mais parecidos do que imaginávamos. A diferença era que, enquanto eu ainda tinha minha filha ao meu lado, a prole de Sebastian não sobreviveu ao inferno que minha própria mãe criara.

— Posso... — Interrompi minha fala para limpar minhas lágrimas. — Posso saber qual era o nome dela?

— Fallon... O nome dela era Fallon... Mas devo ser sincero que fiquei tentado em colocar Mirella, entretanto, minha mãe me mataria — respondeu e fui obrigada a arquear a sobrancelha, não entendendo o motivo dele querer colocar o mesmo nome da minha ancestral. — Não me olhe assim. Não seria uma homenagem para minha cunhada que, a propósito, nem conheci. Apenas gosto do nome.

Dei uma risada curta, tentando controlar o choro.

— Às vezes esqueço que você é irmão de Orion Duncan e, automaticamente, cunhado da minha tia-bisavó... — falei com sinceridade. — Mas Fallon é um nome lindo. Tem a ver com liderança, não é?

— Sim, e combinava bastante com ela. Era mandona e marrenta. — Sorriu, sendo sua vez de enxugar as lágrimas. — Ela tinha os cabelos castanhos, parecidos com os da mãe, e puxou os meus olhos. Era uma princesa.

— Imagino — falei com sinceridade. — Era filha sua com a...

— Edlyn? — interrompeu-me, e assenti. — Não, tanto eu quanto Edlyn dávamos nossas puladas de cerca, éramos noivos apenas por circunstâncias diplomáticas. Já a mãe de minha filha, também não posso dizer que a amei avassaladoramente. Na realidade, Jane era apenas mais uma da lista infinita de namoradas que já tive naquele exílio. Mas ela foi a mãe da minha filha, a amei pelo presente que me deu. Infelizmente, Jane morreu no parto. 

— Entendo...

— E quanto a você? — perguntou, enxugando uma das minhas lágrimas. — Já que estamos compartilhando alguns segredos, vai me falar quem é o pai da sua menina? — Era uma tentativa de mudar de assunto, e eu entendia seus motivos.

Relaxei o pescoço contra o encosto, olhando rapidamente para o teto do meu quarto.

— Só se me prometer que nunca irá falar sobre estas coisas com ninguém, nem com a Athena — respondi. — Ao menos até eu ser nomeada Akasha e consiga mudar aquela maldita lei.

— Se isto garante a segurança dela, tudo bem, tem minha palavra.

Fitei-o por um breve segundo, vendo sinceridade no olhar do homem.

— O nome dele era Aidan... Conhecia ele desde criança e, depois de alguns anos, viramos namorados, depois noivos... — falei pausadamente, não querendo expor tudo. — Uma vez, voltei para casa depois de uma viagem, era tarde e ele não parecia estar bem. Na verdade, sem me dizer, ele havia sido transformado enquanto tentava salvar os Donnovan, no incêndio que aconteceu na casa da família. Naquela noite, sem eu saber no que ele tinha se transformado por ser recente, acabamos fazendo sexo e eu engravidei. Para proteger a mim, Athena e até mesmo Aidan, guardo este segredo comigo até hoje.

— E ele não faz ideia de que tem uma filha? — Levantou a sobrancelha.

— Não... Não sei como ele iria reagir, na verdade... — contei, posicionando-me melhor. — Fiquei sabendo que, quando descobriu que eu era uma bruxa, a reação não foi uma das mais agradáveis. Segundo meus contatos, sentiu-se traído por mim, minha família e pelos Mills. Jason era o melhor amigo do Aidan. Imagino como foi o baque...

— Além disso, se ele soubesse seria mais uma vítima em potencial dos seus inimigos, estou certo? — Assenti para aquela pergunta. — Fiona Ventrue, sempre se deixando em segundo plano. Ao menos é compreensível.

— Parece que alguém finalmente entendeu meu ponto de vista — murmurei, dando uma risada.

— Sim... Mas você precisa conversar com a Athena, Fiona — ele falou, ajeitando a postura. — Ela precisa ao menos saber a extensão do seu poder.

— Espera... — Pisquei algumas vezes. — Você, por acaso, tirou o bloqueio que eu fiz?

— Érr... Digamos que eu deixei ele um pouco... quer dizer... parcialmente... quebrado. — Sorriu sem graça, e a raiva que havia evaporado voltava aos poucos.

— Certo... — Respirei fundo, tentando me acalmar. — Ela está dormindo... Vou fazer outro. — Levantei-me, mas ele me segurou pelo pulso.

— Digamos que este não é o maior dos problemas — disse Sebastian. — A loba... Acordou.

— O que? — indaguei alto. — Como assim acordou? Você despertou ela?

— Foi sem querer! — Levantou as mãos para o alto, em rendição.

— Preciso refazer este bloqueio urgentemente, Sebastian! — Fui em direção da porta, e ele se levantou, seguindo-me. — Você não tem limites?

— Finn, espera! — Segurou-me novamente, virando-me em sua direção. — Escuta, o que fez você bloquear os poderes dela? A magia dela é bem confusa, difícil de decifrar, é difícil até pra ela descobrir que é metade lobisomem. Deve ter algum motivo. Ela não tinha controle? Assim como o que houve com a Fallon?

— Sim, Sebastian — respondi. — Além de todo o meu medo de descobrirem, quando ela fez seis anos, a alma daquele lobo escapou do corpo dela e ela não conseguiu ter controle nenhum sobre ele. Aquele animal destruiu a creche onde eu a deixava, e eu e minha mãe tivemos que apagar a memória de, pelo menos, cinquenta mundanos. Além disso, ainda com esta idade, a magia dela fluía como a de um adulto. Era perigoso tanto para ela, quanto para as pessoas ao redor. De alguma maneira, provavelmente por ser mestiça, ela não consegue controlar a magia, Sebastian.

— Ela não conseguia controlar pelo fato de que era uma criança com muita magia para aquela idade, Fiona. — Cruzou os braços. — Você, por exemplo, deve ter tido mais magia que suas irmãs na infância, deve ter causado alguns estragos.

— Não tanto quanto Athena fez!

— Porque ela é uma híbrida, é mais difícil mesmo — falou. — Agora ela é uma adulta, o poder dela vai se assentar perfeitamente ao seu corpo.

— Você não sabe do que está falando, está apenas deduzindo!

— Arrisque ao menos. — Apertou as têmporas e jogou os cabelos para trás. — Olhe para mim. O lobo já acordou, está mais forte, assim como Athena. Você não vai conseguir fazer aquele animal dormir de novo. Não sozinha. Além disso, você sabe os riscos de fazer bloqueios mágicos em pessoas que tem, relativamente, bastante magia. Isto vai acabar com a Athena com o passar dos anos, como já estava acabando. Somos feitos de quatro coisas, Fiona: matéria, alma, aura e magia; só funcionamos assim. Não prive sua filha disso. Não cometa o erro que eu cometi!

— Então devo deixar Athena se descontrolar? Você só pode estar louco!

— Como sabe que ela vai se descontrolar? — Inclinou a cabeça. — Confie um pouco no que você fez e carregou por meses nesta barriga. Até agora ela não manifestou nada de diferente. Está dormindo no quarto dela, tranquilamente.

Mordi a parte interna da minha bochecha, pensativa.

— Certo, digamos que tudo ocorra bem e que ela controle suas magias — falei, mais para mim mesma do que para Sebastian. — O que farei quando aquela loba gigantesca aparecer? Pois tenha certeza, ela vai!

— Você não vai fazer nada. — Deu de ombros. — Aquele é apenas o dom da sua filha, oras. E para qualquer um que perguntar, até mesmo ela, é apenas o dom, que se espelhou na personalidade explosiva da sua garotinha. Não vemos bruxos conjurando insetos como dom? Aranhas? Sua filha conjura um lobo, fim de conversa e destrua quem duvidar.

— E se eu te contar que, garras e caninos afiados também apareciam nela? Uma espécie de semi-transformação?

— Isto também fará parte do dom, oras... Existem bruxas que conjuram aranhas e também tem veneno de aranha nas unhas! — Sorriu, como se aquilo tudo fosse fácil.

— Eu não sei, Sebastian... Estou com medo. — Cruzei os braços. — É muita mentira...

— E se não for mentira? Pode ser exatamente isto que falei... Você ainda não conhece sua própria criação, princesa. — Chacoalhou-me. — Tenha fé, Fiona Ventrue.

— Está bem... — Suspirei fundo. — Mas se, por um acaso, ela começar a se descontrolar ou correr algum risco de vida, você vai me ajudar a colocar o lobo para dormir e a fazer um novo bloqueio.

— Sim, Senhora Capitã. — Sorriu abertamente. — Também prometo que, caso sua filha comece a desenvolver magias, estarei pronto para ser seu novo mestre.

— Agora quer treinar minha filha? — Neguei com a cabeça.

— Não quero... Eu vou — falou. — Vamos fazer uma aposta. Você treina o Donnovan, já eu, a sua filha. Vamos ver quem ganha numa luta depois de um ano.

— Quer mesmo fazer uma aposta comigo? — Arqueei a sobrancelha.

— Quero, Fiona — respondeu com um sorriso de canto. — Surpreenda-me com o ruivo, que te surpreenderei com a sua mini versão.

— Aposta aceita... Quem vencer paga uma bebida. — Ri, mordendo os lábios. — Sebastian...

— Sim?

— Fico contente em saber que... confiou em mim para falar sobre sua filha e, desculpe, novamente, se fui rude. — Toquei seu ombro. — Peço perdão em nome de minha mãe, também. A culpa não foi sua, ou do bloqueio que fez em Fallon, mas sim da insanidade da Lilith em prender vocês naquele inferno.

— Eu sei disso, Fiona... — Inclinou a cabeça. — Eu sei... Obrigado por me escutar. 

 

ATHENA

 

Caminhava pela estrada de pedra antiga da floresta. Os vagalumes iluminavam as árvores e flores com o auxílio da lua crescente, que estava no meio do céu estrelado. Andar no meio da natureza à noite, sentindo aquele cheiro fresco de grama, aquela brisa revigorante sobre as bochechas, principalmente quando estávamos quase no início do verão, tinha um efeito calmante sobre mim, que andava ainda mais ansiosa na últimas semanas.

A cabeça estava cheia com as provas finais da faculdade, as desavenças no Festival de Luta e com um possível retorno de Sebastian sobre meus poderes, coisa que não aconteceu nas últimas semanas. Tanto ele quanto eu estivemos bastante atarefados nos últimos dias, mas ao menos eu havia terminado meus trabalhos e, surpreendentemente, o celeiro já estava ganhando forma. Acredito que, com a ausência de Lilith, o Duncan se permitiu usar magia, o que adiantou o processo de construção.

Tirando todas estas coisas, continuava me sentindo incrivelmente bem, exatamente como quando saí do meu estado de meditação, quando Sebastian fez aquele feitiço em mim, há alguns dias. Por mais que eu soubesse que o que ele fez não havia sido completo, eu tinha certeza que algo dentro de mim havia ganhado vida. Estava tendo mais energia do que o meu normal, mais concentração e agilidade. A única coisa ruim era que meu pavio curto, ao menos naqueles dias, tinha se reduzido a um total de apenas cinzas.

Coisas simples me irritavam de uma forma exorbitante. Eu parecia ser uma espécie de bomba, onde qualquer mínimo toque teria a capacidade de me fazer explodir. Foi o que aconteceu no final da última aula com a General Pandemônio, onde, mais uma vez, o grupo de bruxas que me odiava desde que me entendo por gente voltou a me humilhar na frente do restante da classe. O problema é que, desta vez, não saí da sala para chorar. Simplesmente peguei a faca que sempre guardava em minha bolsa — fora um presente de Stela — e finquei na mão de uma das garotas, que ria escandalosamente com as mãos sobre o tampo de madeira. Depois disso, fui suspensa pelo resto do festival.

Logo depois, tive que ouvir um longo sermão de minha mãe e da General. Falaram que eu deveria controlar melhor meus impulsos, mas foi impossível. Em um minuto eu estava com raiva e no outro a minha faca já tinha atravessado a mão da menina.

— Como se você tivesse, por breves segundos, se transformado em outra pessoa, estou certa? — uma voz feminina, áspera e rouca, atravessou minha mente, obrigando-me a parar de supetão minha caminhada.

Engoli em seco e um arrepio subiu por minha coluna. Olhei de soslaio para minhas duas laterais, procurando pela pessoa que havia dito aquilo.

— Quem está aí? — indaguei, forçando minha voz a ficar firme. — O que faz neste território?

Eu que lhe pergunto. O que faz aqui? — a voz novamente se manifestou. — Este é o meu território.

Seu território? Quem você... — parei de falar, sendo interrompida pela minha própria compreensão.

Uns segundos atrás eu havia ido dormir e, agora... Estava andando por aquela estrada infinita no meio de uma floresta.

— Espera... — Engoli em seco novamente. — Estou sonhando?

Não diria isso — o som parecia ficar cada vez mais próximo. — Considerando que, o que está acontecendo aqui, é tão real quanto a lua, o sol ou a magia.

— Quem é você?

Estou me fazendo esta mesma pergunta há dias... Quem sou eu? Eu não sei... Gostaria de saber.

Apareça! Pare de ficar falando na minha mente, isto é assustador! — exclamei alto, revirando meu corpo em busca da pessoa.

Desculpe, eu não consigo evitar.

— Apenas se revele!

Assim, do meio da mata fechada, dois olhos vermelhos feito chamas brilharam em minha direção. Escutei o peso das patas contra a terra e, assim que alcançou, contra as pedras da estrada. Segurei o fôlego com a grandiosidade do animal que surgiu na minha frente, aproximando-se tão temeroso quanto eu mesma estava, mas, ainda assim, imponente em meio ao preto e ao verde, iluminando tudo em sua volta com seu pelo tão dourado quanto ouro. Era uma loba que, apenas por alguns centímetros não era maior do que eu, considerando que suas orelhas pontudas passavam do meu ombro.

Dei dois passos para trás.

Como eu ia dizendo... — Apenas naquele momento percebi que a voz era do animal, que falava telepaticamente comigo. — Não sei quem eu sou, mas tenho uma pequena ideia de quem você seja.

Q-quem acha que eu sou? — perguntei, tentando acalmar minhas mãos tremulas.

Você é a minha casa, minha floresta e minha evocadora.


Notas Finais


Eu sinceramente, amei este capítulo, pois ele traz muitos ganchos para os futuros arcos (muitos mesmooo). Eu espero que vocês tenham gostado e que comentem o que acharam, pois preciso saber REALMENTE do que estão achando da história. Todo e qualquer comentário sempre é muito bem vindo e construtivo.
Queria agradecer também todos que favoritaram Arcanus nos últimos dias, estamos rumo aos 300 favoritos e quem sabe venha uma capítulo especial assim que atingirmos a meta hehe o que acham de um especial? Do que gostariam que eu fizesse? O passado de alguém? Algum festival? Digam para mim!
Novamente, peço para que votem no jornal do Claus, pois está empatado e até desempatar não tem como eu fazer um jornal novo </3
Beijos e até o próximo capítulo.
(PS: perdão novamente por possíveis errinhos que deixei passar e caso achar algum pode me avisar que irei arrumar assim que possível, ao menos até a correção da minha beta <3)


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