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História Arco Íris de Sangue - Capítulo 3


Escrita por: Gabee-chan

Notas do Autor


Feliz Páscoa e boa leitura💖💖

Capítulo 3 - Arco Íris de Sakura


Era difícil pensar em quando foi que comecei a me interessar de verdade por Sasuke. Para detalhar isto, eu teria que me recordar do início de tudo. O porquê de eu ter feito ele se interessar, como o conheci, como nos falamos pela primeira vez, onde foi que aconteceu, porque ele apareceu naquele festival e então, me deu aquele presente de aniversário… 

Bem, vamos por partes. Eu tinha 10 anos quando iniciei meus estudos mágicos, e achava que ser treinada na academia de Angélicas, principalmente pela própria Dama de arco violeta Tsunade Senju, era a maior vitória de minha vida. 

Nós, Angélicas Divinas, éramos escolhidas para preservarmos as coisas belas e naturais do mundo todo(mundo humano e o nosso próprio). 

Por exemplo, descobri muito cedo minha afinidade com a terra. Eu conseguia controlá-la, fazê-la tomar a forma que eu queria, fazê-la desaparecer… Logo, eu era candidata a ser a Angélica responsável por existirem terrenos férteis, solos agrários, moradias térreas, e tudo de térreo que os dois mundos possuíam. 

Temari, uma das alunas da academia, tinha perfeito controle sobre coisas gasosas. Ela podia manipular o vento à seu favor, assim como criar fumaça de todos os cheiros, gostos e formatos. Sua principal habilidade era o gás. Os ventos, o oxigênio, absolutamente tudo podia ser controlado por suas mãos habilidosas. 

Já Ino Yamanaka, outra estudante, era daqueles tipos raros de Angélicas que tinham total competência para com duas espécies de poderes bastante diferentes: poder do divino e poder do caos. 

O poder do divino seria o "poder do bem", onde só se pode dominar coisas naturais como terra, água, fogo e ar. 

O poder do caos é o do "mal", destinado especialmente para os "Bruxos da lua", e nele você comanda o que quer comandar em seres animados, como pensamentos, sentimentos, ações e palavras. 

Ino era uma Angélica Binária, ou seja, podia manejar ambos. Ela conseguia controlar mentes para pensarem o que ela bem quisesse, assim como entrar nelas e criar confusão. Mas é claro que como uma Angélica, ela usaria isso para o bem. Se algum mundano se perdesse em pensamentos ou estivesse tendo algum problema mentalmente, era Ino que iria ajudá-los. Se fosse conosco, ela fazia o mesmo. 

Naturalmente, ela também tinha compatibilidade com coisas sólidas, qualquer coisa sólida. Logo, uma bruxa rara. 

Eu sei que iniciei essa explicação falando que eu controlo o elemento terra e que é sabido por todos que terra é algo sólido, mas prometo que já entro em detalhes. 

Conforme a academia foi adquirindo outros estudantes, foi descoberto que Hinata Hyuga também era uma Angélica Binária, pois ela fazia as pessoas se comportarem bem, ou seja, controlava suas ações, ao mesmo tempo que comandava coisas líquidas. Sua família era muito poderosa em termos econômicos no Arco Violeta, então nada e nem ninguém poderia deixá-los fora do eixo de perfeição. Descobrir que uma integrante do clã Hyuuga tinha algum cunho com poderes do caos fez criar uma instabilidade enorme entre Hinata e o resto do clã. Até seu próprio pai a havia deixado de lado. 

Ela só tinha nós, sua irmã mais nova e a Senhora Tsunade. 

E finalmente, agora falando sobre mim, você já sabe que eu posso controlar terra e coisas sólidas, igualzinho à Ino. Mas você não sabe que eu também possuo aptidão com líquidos e gases, além de várias possibilidades com o poder do caos e o meu sharingan no olho esquerdo. 

Falando sobre o meu sharingan, ele era vermelho, com uma circunferência incompleta no centro dele e algo parecido com uma vírgula ladina no meio. Ele doía quando se ativava. Na verdade, ele só funcionava por meio disto: dor. Era a regra, só possuíam o sharingan os indivíduos(além de serem bruxos da lua) que sentissem grande emoção a ponto de fazerem seus cérebros se ligarem aos nervos ópticos e consequentemente ativá-lo. 

As propriedades do sharingan são um mistério para mim e grande parte dos que me cercam. Eu só cheguei a usá-lo para copiar alguns movimentos de outras pessoas, nunca soube e nunca quis saber mais o quê ele podia fazer. Já era uma maldição suficiente tê-lo. Quem sabe numa oportunidade única eu aprendia mais sobre… E a situação emotiva que me fez ativá-lo, quem sabe um dia eu conto… 

Sobre meus poderes, não havia nome para mim além de uma completa aberração. Eu não era uma Angélica Binária, visto que tinha em mim o poder de controlar todos os elementos básicos naturais e ainda conseguir fazer qualquer pessoa esquecer o que ela quisesse com meu poder do caos. 

É, poder do divino e poder do caos, com a diferença de ter nascido com o dom para todos os poderes divinos, um sharingan no olho esquerdo, pavio curto e personalidade rebelde… além de tudo isso, consegui me envolver com um Pérfido Caótico. E muito bem caótico. 

"Pérfidos Caóticos" é o nome oficial dos bruxos do Arco Vermelho, os "Bruxos da lua". Alguns deles você já nasce sabendo o nome. Madara Uchiha, Obito Uchiha e Fugaku Uchiha eram os maiorais, com poderes únicos e grandiosos. 

Como eu havia dito anteriormente, diferente de nós, Angélicas Divinas(bruxas do sol), os bruxos da lua manipulavam coisas como sentimentos, ações e pensamentos. Por isso eles eram os caras maus, porque se te manipula, não é coisa boa. Era a lei do Equilibrium. 

Eles eram responsáveis pela negatividade do nosso mundo e do mundo humano, então não podíamos nos livrar deles porque o Equilibrium não permite desarmonia. 

O Equilibrium era o órgão universal responsável pela paz que existia nos sete arcos; a harmonia, o bem e o mal, o yin e yang… tudo precisa estar em perfeita ordem, os opostos precisam se atrair. 

Mas eu te garanto que isso não dá tão certo na prática. 

Sasuke Uchiha, dezoito anos, pele amorenada como se fosse um andarilho do deserto, olhos tão negros que gritavam o quanto a alma dele era escura, porém com um fogo brilhoso tão quente e apaixonante que é certo que não tem como se importar caso morresse queimada neles. 

O céu tinha inveja do quão glamuroso e preto os fios de cabelo rebelde em sua cabeça eram, e a lua se escondia pois a competição de luminosidade era grande. Ele não era lindo, não havia como descrevê-lo. 

Pelo menos foi isso que Ino me relatou com entusiasmo, diga-se de passagem, quando foi bisbilhotar quem tinha coragem de ir até o escritório da Senhora Tsunade durante um equinócio de primavera, época mais importante para Arco Violeta. Eu não tive interesse em averiguar a informação, não faria diferença alguma em minha vida. 

Ela só não disse que Sasuke também era recluso, seco e frio, e que é fácil cair aos seus pés, mas é difícil manter-se lá, porque ele te pega e joga fora, como se fosse um simples pedaço de papel. 

Não queria me gabar, mas não sei essas coisas por experiência própria, até porque quem se apaixonou antes foi ele. Vai conferindo por si próprio. 

Voltando àquele equinócio de primavera… O início do festival de celebração era também, coincidentemente, o dia do meu aniversário de dezenove anos. 

Naquele dia, Arco Violeta se enchia de pessoas que iriam rezar e fazer pedidos à nossa deusa da fertilidade, do renascimento e amor, Ostara. Eu não era muito religiosa, mas sempre participava dessas celebrações. Flores dos mais diferentes formatos e cheiros que havia em Arco-íris ornamentavam o caminho de meus passos, e como se a própria mãe Ostara soubesse o que estávamos preparando, ela mandou uma brisa forte, quente e agradável à pele, que passeava pelos contornos de meu pescoço exposto. Borboletas de todos os tamanhos e formatos voavam por ali, criando um cenário belamente celestial se juntado às outras coisas que tornavam a celebração linda. O sol também não estava para trás. No céu totalmente aberto e violeta, seus raios calorosos brilhavam como os glitters na sandália de Ino, que estava ao meu lado, e traziam uma felicidade descomunal para cada um naquele festival. 

Várias tendas estavam por ali. Tinham de flores, doces, jóias, roupas, objetos casuais, adoção de animais domésticos… 

As de comida eram especialmente voltadas para bolos, gemadas, pães, saladas, frutas e mel, pois eram as comidas servidas em um Sabbath exclusivo de Ostara. Tinha algo a ver com renascimento. 

Eram tantas ruas enfileiradas com estas tendas que eu estava cansada de andar. 

Ino insistia para que eu arranjasse algo dali para que ela comprasse de presente para mim, mas eu não queria nada. 

Depois de um tempo, foi anoitecendo e o sol deu lugar à lua, apesar de não ter ido embora. 

Era à noite que a beleza de Arco Violeta durante um festival de equinócio de primavera se ressaltava. Plantas, vegetações e rochas, que eram comuns durante o dia, brilhavam como se fossem fosforescentes durante a noite, afinal, vivíamos em um lugar em que tudo era ultravioleta, e como à noite era tudo escuro, um espetáculo de luzes acontecia. Igual quando os mundanos compram tinta néon ou aquelas pulseiras de festa que brilham no escuro. Muita coisa brilhava por conta disso, as luzes nos postes nem eram tão necessárias mais. À meia noite o coven se iniciaria, e as feiticeiras anciãos como a própria Senhora Tsunade iriam se preparar para o Rito de Ostara, e não podíamos perder aquele estupendo momento por nada. 

Mesmo depois de anos estando ali, eu ainda me apavorava com o quão belo Arco Violeta era. Eu nunca quis viver em nenhum lugar do mundo senão ali. 

— Feliz aniversário, Sakura! — Eu estava tão distraída perdida naquela graciosidade que nem percebi quando Hinata e Temari se juntaram a Ino e a mim. Elas carregavam cupcakes com estrelas no topo, estrelas fosforescentes cujo brilho refletia meus olhos marejados. 

Eu me sentia tão amada ali, diferentemente dos anos que fui desprezada, que não pude controlar. 

Minhas amigas sabiam disso, por isso me abraçaram sem esperar eu respondê-las. 

Ficamos nesse abraço mútuo até Ino dar um sorrisinho maléfico que eu conhecia bem e dizer as seguintes palavras:

— Temos uma surpresa pra você! Começa com "En" e termina com "contro". — Ela foi me puxando pelo braço, por mais que eu me arrastasse para trás afim de pará-la. Hinata só sorria, e Temari guiava Ino. Provavelmente foi ela quem havia conversado com o garoto do encontro. Eu retiro tudo que disse sobre me sentir amada, me sentia traída. 

Temari parou quando chegamos perto de um poste feito de plantas, cuja luz incidia para alguns bancos de madeira que estavam por ali. Mas eu não via ninguém. Será que eu tinha tão má sorte a ponto de um garoto desistir de mim sem nem me conhecer? 

— OK, chegamos! —Temari sussurrou animadamente enquanto piscava para mim. 

— Cadê o garoto, Temari? — Ino parecia estar pensando o mesmo que eu quando comentara isso, então de fato não tinha ninguém ali. Hinata gentilmente tocou no meu ombro como se para me chamar a atenção para algo, e apontou para um dos bancos. Um que estava muitíssimo bem escondido no escuro. E então eu pude ver. Dois pares de olhos negros, grandes e brilhantes, como os de um gato esperando para atacar. E só. 

— Ah… Não sei se quero ir… A-aí! — Não pude terminar de reclamar porque Ino e Temari me empurraram para o breu. 

— A gente vai tá por aí. E Sakura, é só uns beijos, hein! Nada de ultrapassar disso porque somos muito novas pra sermos tias! — Ino fez questão de alertar enquanto se virava para sair. 

— E se ele tentar alguma gracinha com você ou fizer alguma coisa que você não quer que ele faça… — Temari não acabou sua frase, só fechou mais o semblante e cerrou a mão em sinal de soco. Era esse o recado. 

— Boa sorte. — Foi tudo que Hinata disse, com um sorriso aberto e luminoso. 

E assim as três se afastaram dali, ao passo que eu tive que me aproximar. Aproximar-me da escuridão. Escuridão do lugar ou dele? Tanto faz, eu continuava nervosa. 

Em passos lentos consegui chegar até o banco, mas tudo que eu via ainda eram os olhos pretos. Criei coragem e tentei iniciar uma conversa. 

— O-olá, boa noite! — Não fui respondida, e meu nervosismo aumentou. Pare de gaguejar. — As minhas amigas são loucas, senhor, eu não… 

— Merda, tava esperando não ser visto aqui…Termina logo com isso. — Uma voz cortante e de sotaque duvidoso respondeu. Ele não é daqui. 

— O que você quis dizer com isso? — Ainda de pé, me arrisquei a perguntá-lo. Eu estava ficando com as bochechas coradas de vergonha. Não só estava sozinha no escuro com um garoto, mas com um garoto muito enigmático. E eu agradeci mentalmente por ser muito boa em desvendar enigmas. 

Ele não me respondeu, mas sei que ele ouviu devido ao seu suspiro pesado e irritadiço. Ele não queria conversar, e eu não estava entendendo nada. De vergonha eu já não tinha mais nada, mas agora a raiva incendiava meu cerne. Minha parte pavio curto ativou instantaneamente com a adição de momentos silenciosos que ele me proporcionou. 

Quem ele pensa que é? 

— Escuta, imbecil, você não vai me deixar falando sozinha! Como marca um encontro com uma garota e a deixa sozinha igual uma panaca? — gritei, a situação estava saindo do controle, mas nem liguei. Provavelmente as meninas(principalmente Temari, por causa dos gritos) iriam aparecer a qualquer hora ali. 

— Como você é irritante! — Quem falava comigo num tom raivoso e sotaque estranho agora era um homem de pé, e de uns vinte centímetros mais alto que eu. A luz pegava perfeitamente em seu corpo, mas não tanto em seu rosto. 

Usava uma blusa chemise preta em tecido aparentemente de lapela. Ela estava aberta porque as cordas encouraçadas que deveriam estar amarradas para fechá-la não estavam amarradas, então sua blusa ficava com um formato de V na parte frontal, especificamente em seu peito grande e estrutural. 

No momento em que cruzou os enormes e musculosos braços em frente a barriga percebi que ele tinha em seu antebraço uma braçadeira de couro com pinos, e que suas mãos eram divinamente bem cuidadas. Eu não precisava tocá-las para saber que eram as ásperas mãos de um guerreiro, mas eu não acreditaria que unhas tão bem cortadas e limpas pertenceriam a um também. Muitas veias se saltavam ali, dos dedos grandes até o final do ombro. Com certeza um guerreiro. 

Ele não era um ferreiro, um ferreiro jamais teria mãos assim. 

Ele não era um comerciante, seu corpo era extremamente robusto para tal. 

Não era um simples empregado doméstico tampouco, sua pele morena denunciava muito tempo embaixo do sol. 

Quem era ele? 

— Quem é você? — questionei com a voz falha, afinal a frase só estava em minha mente, em nenhum momento pensei em verbalizá-la. 

O homem suspirou de novo e engoliu em seco. Observei seu pomo de Adão descendo e subindo, as veias de seu pescoço também davam um charme a mais para seu físico. 

Ele não me respondeu de novo, e eu só queria poder ver seu rosto para saber que expressão ele fazia. Tédio? Ele disse que eu era irritante, então certamente seria uma cara de tédio. Eu ainda tinha muita raiva, e então uma ideia pipocou em minha mente. 

Por que não? 

— Ai! Que droga! O que acha que tá fazendo? — Isso, uma reação. O cara reclamou depois que chutei sua canela, mas eu só queria tentar ver o rosto dele. Era juntar este fato com o outro, o de que ele era metido à besta e merecia uns chutes. 

— Então é isso que o demônio do Naruto me dá… — Ele ainda reclamava, voltando a postura de machão de braços cruzados novamente. 

— Naruto? Quem é… AAAAAAAAAA! — Eu ia perguntar de quem ele estava falando, mas ele agarrou meu dois braços fortemente e me levantou alguns centímetros do chão. Ok, ele até que é forte. 

— Por que me chutou, sua dissimulada? 

Ele me perguntou, e por mais que ele tivesse me jogado ofensas pela segunda vez e eu estivesse encurralada entre o aperto de seus braços musculosos e seu peito, eu finalmente consegui ver seu rosto, afinal, agora eu estava mais perto dele, e a luz advinda do poste incidia em nosso ponto de encontro. 

E, uau, que rosto! Eu diria que é o "rosto perfeito" para alguém se ter. Tão simétrico quanto o de Tom Cruise (pois é, eu tô ligada nos assuntos mundanos) eu tinha certeza que era. Parecia uma pintura renascentista de Rafael Sanzio, com seus traços suaves e bem detalhados. O nariz era finamente perfeito e bem centrado na face, os olhos eram grandes e tão pretos quanto carvão, mas seus formatos eram pequenos e se puxavam para fora dali, como os que parte da população asiática do mundo humano possuía. Suas sobrancelhas eram muito pretas, não eram finas e nem grossas, mas tão naturalmente desenhadas que até eu senti inveja delas. A mesma coisa com os lábios, eram medianos e rosados, e talvez chamativos. Seu queixo era bem marcado com a mandíbula, o que o fazia parecer de fato um homem de rosto perfeito, juntamente com as bochechas bem marcadas com os ossos, nada muito cadavérico e nem carnudo, só harmonicamente feito. 

Os deuses têm mesmo seus preferidos. 

— Hm… — Ele coçou a garganta para chamar minha atenção, até porque eu estava olhando seu rosto há muito tempo. Impossível não olhar, né. 

— Você não me respondeu. Por que me chutou? Por acaso sabe quem eu sou? — O aperto em meus braços piorou, e conforme ele me levantava mais do chão, mais eu me aproximava de seu rosto. Eu conseguia sentir o ar quente saindo de suas narinas e batendo em meus lábios. 

Agora eu tinha uma expressão dele. Era raiva, e talvez ódio, mas agora eu tinha alguma coisa. 

— Te chutei porque você foi idiota comigo. E por que eu deveria saber quem você é? — Me aproximei mais ainda de seu rosto e olhei bem dentro de seus olhos, queria mostrar que eu também sabia brincar. 

Só que subitamente eu comecei a me sentir mal. Não era pelo aperto forte em meus braços ou por nervosismo, mas algo indescritivelmente ruim se apossava de mim. 

Eu sentia vontade de vomitar, chorar, gritar, machucar a mim mesma, odiar algo ou alguém, me jogar de um penhasco… Eu não sabia o que estava acontecendo, mas senti meu corpo tremendo violentamente. Eu ia desmaiar ali mesmo, estava sentindo minha pressão caindo. Tentei gritar pelas minhas amigas, mas minha garganta estava fechada. 

Só que abruptamente os braços fortes do homem pararam de me apertar e começaram a me esmagar, e como se seu braço fosse quadruplamente maior e mais forte, ele os passou ao redor de todo meu torso e me apertou tão forte, mas tão forte, que comecei a sentir meus ossos se quebrarem. Tentei usar minha força bruta para me soltar dele, mas só ajudava ele a me esmagar mais. Então eu gritei. Gritei por Ino, por Temari, por Hinata… Mas nenhuma delas respondeu. Na verdade elas ouviram, e eu sei disso porque elas apareceram rindo de mim, me chamando de inútil, feia, testuda, magrela.. até Hinata, que era a bruxa da gentileza, ria de mim e me xingava. 

— Não está se divertindo agora, está? — Um monstro de olhos vermelhos como os de um demônio e asas negras e enormes me perguntou. Sua voz não era desconhecida para mim, passavam o sarcasmo e a maldade presentes na voz do cara do encontro. 

Do nada, estava tudo normal. Só que agora eu suava frio, e em altas quantidades. Também estava de joelhos, chorando e tentando apagar tudo que senti de minha mente. 

O que foi isso? Foi real? 

Ouvi uma risada seca e cruel, com a intenção de o ser, e me virei em sua direção. 

O que eu vi não foi o que eu esperava. Foi o sharingan, meu bom e velho amigo sharingan. 

Uchiha. 

— Seu maldito! O que fez comigo? Foi você, não foi? — perguntei desesperada, ainda lutando para pôr minha respiração no ritmo. 

Ele deu um sorriso de lado e se aproximou. Na mesma hora eu dei incontáveis passos para trás. Toda a beleza que eu havia visto nele sumiram, agora ele era extremamente feio. 

— Você teve o que mereceu. Quem você acha que é pra chutar e ofender um Uchiha, hein, irritante? — Mais passos próximos de mim, e eu mais passos para trás. Só que eu infelizmente fui parada por uma árvore atrás de mim. E ele sabia que agora eu estava fodidamente encurralada, por isso se aproveitou. Colou firmemente seu corpo no meu e pegou em meu queixo, me obrigando a navegar nos mares de trevas de seu olhar. 

— Um Uchiha! O que um maldito Pérfido faz aqui em Arco Violeta? — Sem saída e sem saber o que perguntar mais, só saíram de minha boca essas perguntas estúpidas. 

— Sou o diplomata da família, então tenho passe livre pelos arcos. — Ainda segurando meu queixo, ele respondeu. Então é ele que Ino viu mais cedo. Patético! — E você? O que uma abelhinha como você tá fazendo perdida à noite por essas ruas escuras? A noite é a nossa hora. 

— Fui trazida até aqui para um possível encontro romântico, mas parece que fui enfeitiçada pelo diabo. — Com menos medo do que antes e respirando melhor, eu respondi. 

O Uchiha deu uma risadinha do qual eu já via que era comum dele e finalmente soltou meu queixo. 

— A abelhinha estava voando pelas flores do festival para preparar o pólen, então… Infelizmente eu odeio doces, então não posso me saborear do seu mel, abelhinha.

— Eu jamais daria algo meu para você saborear! Seu maldito! Eu posso reportá-lo para a Senhora Tsunade! Por assédio e abuso psicológico! — O ameacei descontroladamente, mas ele só riu. 

— Somos mais fortes que vocês, e mais perversos também. Vai lá, se quiser iniciar uma guerra do qual sabe que vai perder vai lá falar com a Dama. 

Infelizmente ele tinha razão, então a única saída seria continuar a conversa, tentar distraí-lo e também usar meus truquezinhos com ele. 

— Por que está aqui? 

— Perdi uma aposta com um cara. Ele deveria vir para um encontro aqui com alguma menina aleatória caso ele não conseguisse chamar uma garota de Arco Violeta pra sair, e se ele conseguisse essa garota, eu deveria tentar chamá-la pra sair como uma segunda fase pra ele perder a aposta. Se ela dissesse "não" pra mim e fosse fiel à ele, eu deveria vir pro encontro, mas se ela esquecesse até quem era ele e aceitasse vir comigo para o festival, era ele quem deveria se sentar nesse maldito banco. Acontece que pela primeira vez na vida alguém prefere o Naruto do que eu. — Ele estava distraído assoprando um dente-de-leão enquanto me explicava tudo. 

Então é isso. 

— E esse Naruto também é Uchiha? 

—Não. 

— De Arco Vermelho? Um diplomata também? 

Antes de me responder, ele pareceu se cansar dos dentes-de-leão e os jogou pelo ar com cabo e tudo. 

— Naruto é só um idiota do Arco Azul. Lá ele é conhecido como herói, saca? Muitas ajudas sociais e tals… O pessoal dos outros arcos podem andar livremente por aí porque eles não têm esse lance de bem e mal, então eu chamei ele pra dar uma volta por aqui. Eu sabia que tava tendo festival por causa do solstício, então quis vir pra passear. 

Respirei fundo e me sentei em uma pedra, meditando quanto tempo mais de conversa eu teria que aguentar até ter chakra o suficiente para derrotar a droga de um Uchiha. 

O Pérfido veio e se sentou ao meu lado na rocha, não ligando em manter muita distância de mim. Tentei me manter neutra com a imediata aproximação, mas os meus idiotas pelos corporais se levantaram.

— O que veio fazer aqui? — Finalmente perguntei, e realmente estava interessada na resposta. 

— Não tá curiosa demais, abelhinha? Já falei que vim passear. 

— Ah, se não quiser falar, tudo bem. — O primeiro passo para ganhar confiança era transmitindo desinteresse em assuntos pessoais dele. Certeza que depois dessa ele responderia. 

Mas Sasuke me olhou de sobrancelhas arqueadas e só ficou me olhando. Um bom tempo em silêncio. 

— Só uns assuntos idiotas do meu pai com Tsunade. Meu irmão tá ocupado brincando de lutinha por uns lados diferentes de Thanatos, então eu tenho que fazer o trabalho sujo do clã. Ser o diplomatinha da família. 

— Thanatos? 

— É onde fica o centro, as comunas e a nossa Academia em Arco Vermelho. 

— Então é como Thea, inclusive é onde estamos agora… É onde ficam os principais centros turísticos, e a nossa Academia também. 

— Ah tá, maneiro. E você gosta de estudar na Academia? — Ótimo, estamos nos entendendo com assuntos pessoais agora. 

— Gosto bastante… — Respondi sem muito interesse, e ele também não pareceu verdadeiramente interessado na minha resposta. 

No silêncio que ficou, resolvi dar mais um passo na intimidade. Me aproximei dele, e tentei falar o mais suave possível. — Eu sempre tive curiosidade, mas nunca encontrei ninguém para me responder isso. Como é o sharingan de vocês? 

Ele franziu a testa e coçou o pescoço. Pareceu meditar bastante o que iria falar. 

Eu estava esperando uma explicação sobre o sharingan, e foi isso que ele disse:

— Você é curiosa, né? Eu estava te torturando agora pouco, o que te fez vir sentar e conversar casualmente comigo? — Merda. — Não me diga que tá tentando me manipular… 

Não respondi porque se eu dissesse a verdade ele podia me estrangular, e se eu contasse uma mentira ele veria através dela. Só me restava o silêncio e como ele o interpretaria. 

— Você não sabe que tipo de bruxo eu sou, né? Eu não sei que tipo de historinhas macabras sobre nós vocês têm por aqui, mas acho que sabe o básico, que nós controlamos coisas que não deveriam ser controladas. Nada bonitinho como fazer um brotinho de árvore crescer ou mudar o formato da nuvem para o formato de um cachorrinho. Controlamos coisas reais. Você já teve um gostinho do que eu fiz, inclusive. Consegue perceber? 

Controle absoluto sobre o espaço tempo. 

Não. Sobre o meu espaço-tempo, ele não pareceu estar em uma realidade alterada também. 

Fazer as sensações boas do meu corpo desapareceram dele num piscar de olhos. 

Divergência de sentimentos simultaneamente. 

Sentimentos era o que estava em evidência. 

Meus sentimentos, ou os que ele me fazia ter. 

— Manipulação de sensações e sentimentos… — Falei baixo, não queria que ele ouvisse. Mas ele ouviu, porque deu a tal risadinha seca como resposta. 

— Você me irritou, sua irritante. Então usei um pouco de genjutsu em você. 

— gen… o que? 

— Genjutsu. Uma técnica de ilusão. Todos nós, Pérfidos Caóticos, temos isso devido ao sharingan, mas o meu principal é manipulação de sentimentos. Gostou? 

Espera aí. Então eu, com meu sharingan, poderia ter a chance de ter algo como isso? 

— Isso é exclusivo do Sharingan? Você pode controlar a realidade então? 

— É exclusivo do Sharingan e não, eu não posso controlar a realidade. Isso é trabalho do Madara… — Como eu fiquei quieta absorvendo a enxurrada de informações que ele me jogava, ele acabou voltando para a parte desinteressante da conversa: a das perguntas pessoais. — Aliás, qual seu nome, abelhinha? 

— Sakura. Haruno Sakura. 

— Hm, Sasuke. Então você é Sakura, como árvore de cerejeira. Árvore de cerejeira violeta… — Ele deu uma risada amarga, apontando para as folhas de cerejeira violeta próximas a rocha que estávamos sentados. Foi aí que me bateu uma curiosidade: como ele podia enxergar bem ali se não era acostumado ao violeta e sim ao vermelho? Ou de bem com a baixa pressão atmosférica de nosso ar rarefeito? 

Arco Violeta era o arco mais próximo do céu, e o vermelho o mais perto da superfície do mundo humano. Lá a altitude era baixíssima e a densidade muito alta. 

— Como você e seu amigo Naruto conseguem enxergar bem aqui? Digo, você não parece estar com a vista afetada. E nem com problemas para respirar bem. 

Sasuke se levantou da pedra e respirou fundo. Acredito que ele tenha problemas com perguntas muito pessoais ou confiança, porque sempre que eu fazia alguma questão do tipo ou nosso assunto exigisse confiança mútua, ele mexia os dedos de forma ondulada e, para tentar esconder esse tique, ele pegava algo aleatório do chão ou uma folha de árvore. Só que agora ele tinha em mãos uma mecha do meu cabelo, e passava os dedos entre eles. Estava próximo de mim, muito próximo. 

Eu conseguia sentir meu chakra explodindo, então já era finalmente a hora de eu poder revidar. 

— Naruto tá sempre viajando por aí, como eu disse, ele pode fazer isso. Já deve tá acostumado, sei lá…

— E você? 

Quando estava muito próximo do meu rosto, Sasuke respirou fundo e soltou meu cabelo, virando-se de costas e se afastando bruscamente de mim. 

— Sakura, se eu te falar… promete não falar pra ninguém? — Então foi por isso que ele se virou, para que eu não visse a insegurança em seu rosto. 

Um Uchiha jamais deveria demonstrar fraqueza, afinal. 

Eu não estava esperando receber essa pergunta, então eu mesma tive que respirar fundo antes de responder. 

Como uma Angélica, eram poucas as vezes em que eu podia mentir. Então… 

— Claro que sim. 

Sasuke continuava de costas, mesmo depois de minha resposta. Eu estava começando a ficar incomodada, quase perguntando novamente, já que não parecia que ele tinha me ouvido. 

Sério, o que é que tinha de tão especial e diferente assim em poder enxergar em cores diferentes ou respirar bem mesmo em alta altitude para que ele divulgasse tanto segredo? 

De repente ele esboçou uma reação. Suas duas mãos se fecharam intensamente, como se ele quisesse machucá-las ou estivesse sentindo muita dor a ponto de encontrar alívio em apertá-las. Ele começou a soltar grunhidos de dor, e eu comecei a ficar preocupada, afinal, só tinha feito uma pergunta. Não tão inocentemente, mas não aguardava tanta reação dele, visto que as poucas que eu tinha visto pareciam forçadas. 

— Sasuke? — Agoniada, me levantei da rocha e tentei me aproximar dele, ver o que estava acontecendo. 

— Não se aproxima! — Num alto tom de advertência, ele gritou. Sua voz estava esganiçada, diferente da firme e imponente. Parecia que ele fosse chorar a qualquer hora. 

Na mesma hora me afastei, mas ainda tinha muito medo. Eu estava mesmo é com vontade de correr e deixá-lo ali, mas de novo, eu era uma Angélica, e éramos voltadas para fazer coisas boas. 

— Sasuke, pare, por favor! — Desesperada eu gritei, aquela brincadeira não estava mais tão divertida. Eu não conseguia causar dor a ele, por mais que ele tenha me feito viver momentos ruins. — Por favor, pare! Você está sentindo dor… 

— ARRRR! — Ele lutava para não gritar muito alto, mas não estava funcionando. Eu corri até ele no momento em que ele se ajoelhou, apoiando as mãos no chão. Peguei delicadamente em seu rosto sofrido e só fiquei olhando, tentando passar confiança. 

— O que está acontecendo com você? 

— Sai, você vai se machucar! — Ele me respondeu com a respiração muito acelerada, e de repente ele gritou de novo, então eu vi. 

Seus ombros começaram a tremer ao passo que ele fechava os olhos em dor. A parte de trás de sua blusa chemise pareceu se mexer, mas obviamente aquilo não fazia sentido. 

— AAAAAAAAAAAAAAARRR! — Sasuke gritou de novo, e me empurrou de perto dele. Eu arregalei os olhos quando algo com formato de pena mas muito duro para ser uma saiu de suas costas e rasgou parte de sua chemise. O Pérfido se levantou bruscamente, gritando e virando a parte de cima de seu tronco para trás. 

Sangue escorria de seus ombros e costas, e então eu vi. Asas grandes e negras se formaram de supetão em minha frente. Mas não eram penas, exatamente como eu havia previsto. Eram lâminas, pretas e afiadas. Sasuke tinha um par de asas feitas de lâminas grandes e pretas, e elas machucavam cada parte de carne e pele em suas costas. 

Mas mesmo assim, ele não chorava. O Uchiha arrancou o resto de sua blusa, ficando seminu. 

Seu peito bem definido e sua barriga trincada apareceram, e pareciam suadas. Mas ele respirava rápido, muito rápido, além de ter em seu rosto uma expressão de consternação. 

Eu estava mais do que nervosa, caída de qualquer jeito em sua frente, com minha saia de tule violeta relativamente suja e meus seios quase saltando do meu corselet de tanto que meu coração batia forte. 

Tentei falar, mas nada saía. 

— Isso não responde sua pergunta se você só olhar, então vou te explicar. Essa é a parte de um Pérfido Caótico que vocês deveriam temer. É a parte que assina nossa sentença de escravidão ao Inferno, onde não há Equilibrium que pare de fazer sofrer os que merecem sofrer. Quando eu abro minhas asas, meu lado caótico se ativa em cem por cento, assim como eu me transformo numa propriamente dita criatura noturna. Cada um de nós tem uma parte do corpo escolhida para ser amaldiçoada, nascemos assim. Você já deve ter ouvido falar… 

— Dos diabólicos chifres de Madara Uchiha… Sim. Eles… os chifres de Madara viram…. 

— Espadas banhadas em fogo, já que o cabelo dele literalmente vira chamas de fogo… Isso mesmo. — Ele respondeu por mim do mesmo modo que eu havia respondido por ele. Eu estava com pena, muita pena. Você era obrigado a nascer amaldiçoado, condenado a ser ruim e fazer o mal, desde que essa era a parte dos Pérfidos Caóticos no mundo. Fazer o mal. — Bom, eu acho que depois de ver que eu tenho uma asa de lâmina e um tio com chifres que soltam espadas de fogo você já deve ter se aquietado sobre como eu posso respirar em ar rarefeito ou visualizar cores diferentes, né? — Sasuke me perguntou em bom tom, agora realmente não havia nenhum tipo de tensão entre nós. 

Pelo menos não uma tensão ruim, se pode me entender. 

Sasuke me olhava como se quisesse me possuir ali mesmo, então desviei meus olhos dos dele de tanta vergonha que eu estava sentindo. As lendas sobre a maldade dos bruxos da lua também se estendia para a parte de enorme libido que eles tinham, que era bastante comentada e que fazia até a própria Ino corar de vergonha. Era como ela mesma havia dito, nada além de beijos. 

— No que está pensando, abelhinha? Tá tão vermelha. — Sasuke começou a andar, e meu coração acelerou. Ele não ia tentar nada, ia? Bom, talvez só uns beijos não fariam mal. 

Não respondi porque estava muito ocupada me preocupando com o que ele ia fazer quando chegasse perto de mim, mas ele só esticou a mão para me ajudar a levantar. 

Estúpida, Sakura. Muito estúpida. 

Me soltei rapidamente de sua mão quando encontrei equilíbrio em pé. Passei a mão pela minha saia para fazer sair um pouco da sujeira nela e passei meus braços em volta da parte de cima do meu corselet para tentar cobrir parte dos meus seios que estavam saindo. Ele notou, e eu fiquei mais vermelha. 

Ele não podia fazer nada, visto que também estava com a parte de cima descoberta e blusa rasgada. 

— Você é uma bruxa do sol. Não pode fazer nada como uma blusa de frio? 

— Não, idiota, onde tecido é algo da natureza? 

— Algodão...Isso é uma árvore de algodão… — Ele esticou o braço para alcançar um tufo de algodão, e delicadamente arrancou um deles. — Isso em volta do algodão se chama capulho. Na hora de arrancar o algodão do meio dele, você deve ter cuidado para não machucar a fibra… 

Depois de colher vários capulhos e retirar o algodão com suavidade de dentro deles, Sasuke me entregou. 

— Não sabia que Pérfidos Caóticos eram cultivadores e dados à agricultura. — Respondi enquanto pensava em que roupa eu poderia fazer com aquela quantidade escassa de algodão. 

— Não somos. Eu sou. — Direto e frio. Sotaque muito forte e voz grossa. Sasuke Uchiha e suas enormes asas de lâminas se afastaram de mim. — Talvez queira retirar o corselet por completo e fazer uma blusa nova. Estarei dando umas voadas por aí. Até logo, Sakura Haruno. — Ele se virou e se preparou para ir embora, até que:

— Você vai embora? Espere aí! — Ele parou na hora, me olhando de forma curiosa. Mas até eu estava me desconhecendo. Por que eu pedi a ele para esperar? 

Estava na expectativa de dar mesmo uns amassos com ele? Diria que queria encontrá-lo novamente?

Sasuke parou e continou me olhou, esperando o que eu iria falar. 

— Ah eu, eu só queria saber como você vai voar se suas asas são de lâmina… Sabe, o ar pode ser rarefeito mas ainda não somos ausentes de oxigênio. Isso é mais em cima, para o espaço sideral. São asas pesadas para voarem. — Sei que me comportei igual uma garotinha imbecil, mas eu tinha que achar uma desculpa. 

Em resposta a minha pergunta idiota, Sasuke fechou os olhos e uniu suas mãos, fazendo se projetar do meio delas uma fumaça negra e esquisita. Quando ele abriu as mãos, a fumaça saiu de suas palmas manuais, como se seus dedos pegassem fogo e liberassem tal fumaça. 

Ele passou a mão direita superficialmente por cima de sua asa direita e ela se transformou, composta de penas normais, apesar de ainda pretas. Ele fez o mesmo com seu lado esquerdo, e então a fumaça se esvaiu. 

— O que….? — Eu queria perguntar sobre aquele processo, mas não consegui pensar em nada útil. Ainda bem que ele entendeu, pois pareceu pronto para responder a quaisquer perguntas minhas. 

— Fumus thymé. Fumus, latino de fumaça. Thymé, grego de espírito. Fumaça de espírito. Serve pra transformar nossa parte perversa em menos perversa. — Como se fosse acostumado a responder esses tipo de pergunta, Sasuke casualmente respondeu. 

— Vocês usam a etimologia de línguas humanas para se referir aos poderes de vocês? Que? 

— Irônico, não é? Terei que conversar sobre isso com o Senhor Indra algum dia desses! — Pouco ligando para a etimologia das palavras e fingindo estar super interessado nelas, Sasuke respondeu. — Um dia desses eu falo com ele. Agora preciso ir, te vejo em breve. 

— Me vê em breve? Onde? Vai ficar aqui por muito tempo? 

— Ora, abelhinha, te vejo na festa do seu aniversário, assim que acabar o festival do Equinócio de Primavera. — De novo, bem casual e relaxado, ele respondeu. 

Mas como ele poderia saber da minha festa de aniversário? 

— Como… 

— Suas amigas não são nada discretas. Te vejo lá, Sakura. Ah, feliz aniversário!— Ele deu um sorriso meio murcho, como se quisesse dar um sorriso aberto mas não tivesse musculatura para fazer tal, e saiu correndo. 

Deixei cair os algodões no chão quando corri atrás dele, pedindo para ele esperar. Por que você quer que ele espere, Sakura? Pare de ser tão idiota. 

Mas ele parou abruptamente e levantou vôo, suas asas zarpando tão rápido para a escuridão do céu que quase caí no chão. E lá estava Sasuke Uchiha, Pérfido Caótico com habilidade em manipulação sentimental, voando como um pássaro negro livre pelos ares. 

Eu estava impressionada em como começamos aquilo com tão mal, 3

e de repente eu já queria vê-lo mais vezes. Acho que era porque Sasuke era estranhamente chamativo, apesar de ser um gelo em pessoa. Algo nele fazia você querer se aproximar. 

Dei um sorriso quando sussurrei meu recado para ele pelo vento. 

— Te vejo lá. 




Notas Finais


Espero que tenham gostado!!
Esse veio pra explicar muita coisa, espero que vocês tenham entendido kkkk


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