1. Spirit Fanfics >
  2. Are we out of the woods >
  3. Dançando

História Are we out of the woods - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Para Bel que me deu o plot e a ideia original dessa história, mesmo que eu tenha saído completamente da proposta com os meses. E eu tenha demorado meses para postar.

Capítulo 1 - Dançando


"Crianças, a ficção é a verdade dentro da mentira, e a verdade desta ficção é bem simples: a magia existe". - S.K.

A brisa salgada da praia fazia os cachos pesados pela água do mar de Freya voar levemente na sua testa. Ela sentia a areia por entre os seus dedos, fofa, quente, e possivelmente grudaria nela que nem farinha. A praia estava vazia naquela tarde, mas eles a haviam escolhido exatamente por isso.

Enfim, férias de verão. 

Não que estudar na Castelo Bruxo seja ruim, mas o terceiro ano havia sido mais corrido do que ela havia imaginado e o cérebro já parecia ser feito de maria mole em outubro. 

Richie estava deitado de barriga pra cima na tanga ao lado dela, com toda a sua branquitude por baixo da camisa de estampa florida aberta e calção também colorido. Roupas de praia caiam tão bem em Richie Tozier quanto caldo de cana gelado combinava com pastel. Freya havia pedido pra ele deixá-la transfigurar seus óculos em um óculos de escuros, mas ele quis fazer sozinho. Se havia sido a intenção ela não sabia, mas agora Richie usava óculos de sol vermelhos em formato de coração como os da Taylor Swift no videoclipe de 22.

Freya e Stanley haviam acabado de passar protetor solar nele contra sua vontade. 

Stan foi mais fácil já que não negou que devia passar, mas era da natureza dele se cuidar direito e mais ainda de confiar em Freya. Eddie também não achou ruim, mas passou todo o tempo dizendo a ela como era perigoso pegar sol sem protetor e que podiam ter câncer de pele pela milésima vez. O que era verdade, mas Eddie sempre deixava tudo bem mais dramático. Mas ele era fofo, então Frey relevava.

Ben - que já havia posto a camisa, mesmo tendo emagrecido bem nesses três anos na escola, ele ainda era um pouco inseguro do corpo - não deixou ela passar nele, tentou fazer sozinho. Mike o ajudou e disse que Ben ajudava ele. Ela ainda não achara um protetor solar que não acizenta-se o tom de pele de Mike e isso estava a deixando irritada, mas ela não comentou nada. Os dois iam continuar a procura pelo verão.

Beverly já estava acostumada com Frey cuidando dela, na verdade ela até gostava, então deixou a irmã passar protetor nela inteira antes de passar nas costas de Freya. O maiô não ajudava muito, mas Bev dava seu jeito. Pelo corte redondo das costas do maio ela podia ver as cicatrizes na pele da irmã.

Bill e Georgie estavam levemente afastados do grupo. Não haviam entrado no mar ainda, eles estavam sentados de baixo do guarda sol, o mais novo parecia ligeiramente triste. Ela se inclinou levemente sobre Richie para falar com Stan.

— Impressão minha ou os irmãos Denbrough não entraram na água? — ela cochichou.

— Não entraram — Stan inclinou o rosto para perto dela, sem perceber — Acho que Bill está receoso pelo que aconteceu no outono ainda.

No outono Georgie foi atacado por um homem, ele morreria se um vizinho não tivesse interferido e o salvado. Ela se lembrava de terem que pedir permissão na escola para que todos os Otários pudessem entrar no dormitório de Bill, por que ele entrou em desespero quando recebeu a notícia. Os pais estavam 1000 vezes mais cautelosos e Bill muito culpado por que não estar em casa, mesmo que não tivesse culpa nenhuma nisso. Mas seus pais haviam os deixado virem sozinhos pra praia, o que era muita confiança pra Frey.

— Acha uma boa eu ir conversar com eles? 

Os dois se encaram, estava bem perto um do outro e podiam ver todas as nuances de seus olhos castanhos. E foi assim que Stan meio que concordou com ela. Foi quando ouviram um suspirinho e viraram para Richie.

— Não se incomodem de namorar em cima de mim não, podem continuar — ele disse tirando os óculos e o deixando fechado no peito — Acho super fofo quando fazem isso.

— Richie… — Eddie disse nervoso do lado dele.

— Vai lá — Stan disse ignorando o amigo completamente, ele sorriu — Você sempre dá um jeitinho de aliviar as coisas.

 — Obrigada — ela virou o rosto dele e beijou — Cuida pro menor aqui não queimar.

— Qual é? — Richie reclamou — Eu quase fiquei da sua altura esse ano e não tenho culpa que você é alta tá?

Freya sorriu, se inclinou e beijou o nariz dele. Era uma implicância boba que logo morreria, até porque Richie realmente tinha começado a crescer. Ela foi caminhando até os irmãos e fez cócegas em Georgie, ele riu, como uma criança de 6 anos devia rir, estridente e sem qualquer vergonha. Bill deu um sorriso de canto, tinha uma linha de protetor solar não espalhado no rosto. Ela se sentou colocando Georgie no colo dela.

— Não vai nadar peixinho?

— Estou fazendo companhia pro Bill — ele disse deixando a cabeça no peito dela, como se Frey fosse um cadeira de praia.

— D-Depois vamos. O sol ainda está fo-forte.

— Está bem Bill — ela beijou a parte lateral da cabeça de Georgie, onde só cabelo era curtinho e fofo — Vê se não frita peixinho, a gente não te empanou ainda.

Frey encarou o irmão dele com seriedade, então espalhou o protetor solar do rosto dele antes que tivesse um troço. O amigo sorriu. Ela estava se afastando quando Bill suspirou.

— Desculpa Georgie.

Ela deu meia volta assim que ouviu.

— Você pode confiar conosco aqui —  ela ofereceu o braço para ele com gentileza — Vem Denbrough, vamos salgar essa pele branca vai.

Bill sorriu de canto, então pegou a mão dela, Freya o puxou da areia, e George foi correndo pra água, eles tinham que ficar no raso por causa dele, mas ainda sim foi divertido. O ajudando a pular as ondas, tomando cuidado pra água não bater nos olhos. 

Foi quando Richie pulou nas costas de Bill o fazendo cair. Bev e Mike arrastaram Ben pra água de camisa mesmo. E quando a bagunça do Clube dos Otários parecia o caos o mar parecia calmo.

— Cuidado pra não tomar caldo Edu — Richie disse quando Eddie quase foi pego por uma onda.

— Já disse pra não chamar de Edu!

— Que diferença tem de Edu pra Eddie?— Stan perguntou sério.

— Eu escolhi Eddie, se trata de permissão — ele disse arrumando o cabelo — E não sou Eduardo, sou Edward.

— Você é uma graça vampirinho — Richie apertou a bochecha dele — Fofo, fofo, fofo.

— Para! Odeio isso Richie.

— Porque nossos pais nos deram esses nomes americanizados, eu não sei — Beverly disse se sentando, a água batendo nela de leve. Ia encher o biquini de areia, mas Frey não comentou.

— Vamos arrumar! Bev vai ser Beatriz — Richie começou — Frey é Fernanda. Bill é Guilherme, Eddie é Eduardo, Ben é Bernardo, Mike é Miguel, Stan Samuel e eu sou Ricardinho.

— Ah é claro Chê — Stan riu.

Todo mundo riu, até Georgie que não entendia a piada. Richie adorava tentar imitar outros sotaques e desde que começou Chê virou a piada entre Stan, Bev, Freya e Richie.

— E eu? — Georgie perguntou.

— Jorginho ué — Richie riu.

— Mas cê impossível hoje em Ricardinho — Freya agarrou as costas dele,  pele estava quente, possivelmente queimada — Melhor voltarmos pra areia.

— Mas o sol já sumiu — Ben disse olhando pra cima.

— Mormaço também queima — Stan disse calmo e baixo, ele olhava para cima.

— É por isso que eu te amo Samuca — Freya beijou Stan, estava salgado, sem aviso prévio ela agarrou Georgie e o pegou no colo — Vem Jorginho vamos te empanar!

— Nãoo! Bill! Socorro! — ele riu.

 ...

Richie entregou a ela o violão. Freya era melhor em transfiguração do que ele, então ela o transformou em um cavaquinho. Richie sabia tocar pouca coisa no cavaquinho por que ele havia começado a tocar esse ano, mas como Stan estava se arrumando na areia ao lado dele, Frey concluiu que ele quem ia cantar.

 — Um… dois… três…  — Richie disse.

Stan começou a cantar Passarinhos do Emicida, Frey o acompanhou. Ela deitou a cabeça no ombro dele, Stan pôs a mão com cuidado nas suas costas. Georgie tinha se enfiado no colo de Bill, Bev deitou a cabeça no ombro de Ben e Eddie havia se sentado do lado de Mike, ficava de frente pra Richie, olhava pra ele de tempos em tempos.

Passarinhos soltos a voar dispostos. A achar um ninho. Nem que seja no peito um do outro… 

Um silêncio gostoso ficou no ar quando os dois terminaram.

— Como será que fica Faroeste Caboclo no cavaquinho? — Richie disse do nada — Não tinha medo o tal João de Santo Cristo. Era o que todos diziam quando ele se perdeu...

— Pelo amor de Deus, não faz isso menino — Mike se inclinou pra arrancar o instrumento dele, mas Richie desviou — Renato Russo está se revirando no túmulo depois dessa.

— Sem contar que nós precisamos voltar para casa ainda hoje — Bill riu.

Bev deu risada e pronto todos riram. Quando a barriga de todo mundo já estava doendo Ben se pronunciou.

— Frey podia cantar uma última? Gosto quando você canta Falamansa.

— Mas se eu cantar essa vocês vão ter que dançar.

Todo mundo meio que concordou.

— Eu fico com o Bernardo! — Bev levantou rápido, ele ficou rubro.

— E-Eu com Jorginho — Bill riu.

— Nossa tu rouba na cara dura Guilherme. Então eu fico com Samuel — Mike disse. 

— Legal, vou ficar sentadinho —  Eddie esticou as pernas.

— Tá me estranhando Eduardo — Richie entregou o cavaquinho na mão dela, ele puxou Eddie da areia e agarrou a cintura dele — Essa Frey… A Feh  sabe tocar sozinha. 

— Ah… — Eddie ficou rubro na hora.

Ela voltou o cavaquinho para violão e começou a tocar, os dedos mexiam quase que automaticamente no instrumento e era fácil para Frey observar os amigos enquanto isso. 

Ê, ma' pera aê. Ouço forró tocando e muita gente aê. Não é hora pra chorar — Bill rodava um Georgie rindo mais ou menos no compasso, Ben estava meio hipnotizado enquanto Bev o conduzia, Mike lutava com um Stan cujo corpo parecia resistir a dançar, Richie e Eddie estava indo tão bem que era de se impressionante — Porém não é pecado se eu falar de amor. Se eu canto sentimento seja ele qual for…  

O garoto colou o corpo do amigo no dele e Eddie não lutava contra os movimentos da dança, embora ele respira-se ofegante contra o peito de Richie quando a música acabou. Freya se perguntava se ele usaria a bombinha, mas ele não usou. 

 — Ó gente, não quero alarmar ninguém, mais vem chuva por aí — Freya mexeu a varinha e as coisas se guardaram na mochila, um pingo grande caiu no rosto dela — Aí corre que já começou e o portal está longe.

Problemas da rede de flu no Brasil: não temos lareiras no país. Então o jeito foi enfeitiçar árvores grandes e antigas para usar como às lareiras, você entra dentro delas e usa o pó lá dentro. O problema é que tinham que ficar em pontos chaves das cidades. Você podia usar a rede de Flu para viajar para qualquer lugar do país, o problema era que havia uma distância considerável do portal para o lugar onde você provavelmente ia. A desculpa era segurança, a verdade é que era fácil ter poucos pontos de rede de flu. 

Isso muitas vezes forçava os bruxos a andarem de ônibus mesmo.

Richie quem pegou a mochila do chão, ele agarrou a mão de Eddie e eles saíram correndo pra calçada. Freya queria ter feito o mesmo com Stan por que ele corria numa velocidade parecida com a dela. Mas Georgie agarrou sua mão, então Bill e Frey foram puxando ele para cima de tempos em tempos o fazendo rir. 

Os Otários chegaram em casa pingando, o peito de Freya chiou assim que saiu do portal, Stan passou a mão por suas costas. Ethan ajeitou os óculos no nariz.

— Boa noite meninos — ele disse com um aceno — Oi Filhas, tudo bem querida?

— Boa noite Seu Ethan — os meninos disseram.

— Boa noite pai — disse Bev  e completou — É falta da umidade, sabe que ela sempre sente isso mais do que nós.

Ele concordou, mexeu a varinha e de repente o ar ficou mais leve para ela. Freya e Eddie respiraram fundo, quase que doeu. Com mais calma, Bev e Frey beijaram a bochecha do pai. Richie também foi gingando e beijou a bochecha dele.

— Boa noite Tio Ethan. 

— Você é adorável Richard — ele bagunçou o cabelo dele — Os pais de vocês os mandaram dormirem aqui mesmo — ele disse levantando os pedacinhos de pergaminho — Amanhã cedinho vocês usam o portal.

Beverly foi a primeira a ir tomar banho. 

Richie se sentou no chão tirando a camisa florida, a pele nas costas estava queimada. Freya não era o tipo de pessoa que dizia “eu avisei” até porque Bev a mataria se dissesse isso a ela, mesmo que boa parte das vezes ela soubesse muito bem onde se metia. Mas Stan não foi criado com a mesma virtude e não tinha noção do perigo.

— Eu avisei que mormaço queima — Stan disse quase que instantaneamente.

— Vai se lascar Stanley! — Richie disse no chão.

 

Um problema sério de algumas regiões de Guarulhos, ela não tinha conhecimento para dizer todas, é que se chovesse muito caia a energia. Então os Ótarios jogavam UNO a luz de velas enquanto comiam pizza, Freya ficou fora por duas ou três rodadas para passar creme nas costas de Richie. Ia agilizar o processo de cicatrização da pele, ele já estava descascando e pela manhã não teria nenhuma prova que ele se queimará na praia. Mas a noite ainda seria terrível. Ela massageava as costas dele com delicadeza.

— Olha eu sei que vai doer, mas isso é até que gostosinho — Richie disse se apoiando no joelho dela — Dá um soninho. 

— Quem escuta acha que ele é adorável assim... — Stan disse ao lado deles — Ah sim, UNO.

Richie levantou a mão pra mostrar o dedo pra ele, mas lembrou que tinha criança entre eles e se conteve. Bill estava com Georgie deitado no colo dele no sofá. Bev estava na outra ponta, Mike e Ben entre os dois. Eddie surpreendentemente estava no chão também, ainda olhando para Richie de tempos em tempos. 

Freya se perguntava se Bill não havia notado, se já não havia conversado com ele. E ao mesmo tempo, não sabia se ela tinha intimidade com Eddie para conversar sobre isso.

Stan ganhou, embora Richie tivesse tentado impedi-lo o fazendo comprar cartas. Eles queriam jogar banco imobiliário, o mas Stan sempre ganhava esse também. Ethan estava sentado na mesa da cozinha, ele olhou para as crianças. Crianças, Deus eles já iriam fazer quinze anos. Freya já tinha quinze.

— Por que vocês não cantam um pouquinho? Acho que vou me deitar, mas não me incomoda mais do que vocês gritando UNO! — ele disse se levantando.

Eddie se levantou instantaneamente e pegou o violão para Richie, ele reclamou um pouco para ajustar o violão de baixo dos braços, mas estava pronto para tocar. Notou que o amigo se sentou colado nele dessa vez. Ele ia começar, mas teve uma ideia melhor.

— Oh Tio, cê bem que podia cantar uma música pra gente antes de ir dormir não? — Richie disse antes que ele desse um passo — Vai, por favorzinho.

— Só uma música — o pai delas concordou — Só uma e não usei o diminutivo comigo.

Richie riu e passou o violão pra ele. E quando Eddie pensou que voltaria a sentar, ofereceu a mão para ele se levantar.

— Mais uma hoje Eds?

— Eds? 

— Tu que não gosta de Edu. Mas vem ou não?

Ele agarrou a mão de Richie.

— E suas costas não tão doendo? — ele fez que não, Eddie encostou na sua pele com cuidado para não machucar Richie, ele notou e sorriu — Não me chama de Eds — Eddie disse sério.

Richie sorriu.

— Só uma dupla? — Ethan questionou.

— Na verdade — Ben disse — Frey não dançou ainda hoje.

A garota deu de ombros e se levantou.

— Preciso de um parceiro para isso — ela estendeu a mão para Stan — Vêm?

Ele mal havia pegado na mão dela quando Mike exclamou.

— Bill também não dançou! Georgie é café com leite.

— N-Não é não —Bill relutou no sofá.

— Vai logo Bill! — Bev começou.

— É vai logo — Ben disse.

Stan afundou no sofá um pouco desanimado, ele não gostava de dançar, mas Frey era melhor que Mike em guiá-lo. Ele lançou um olhar nervoso para o amigo, por que sabia que ela iria odiar, conhecia Frey bem demais para saber disso. Ela gostava de conduzir e Bill não deixaria. Sem contar que a relação dos dois não ia muito bem desde que entraram pro time de quadribol.

Bill só se levantou quando até mesmo Georgie começou a forçá-lo a ir e deixou Freya desconfortável quando pegou na cintura dela. 

Claro. Bill não era Stan, ele não ia deixar ela conduzir.

Eddie agradecia que não havia muita iluminação na sala, por que o rosto dele avermelhou. Por que fazer isso com ele? Por que chamar ele para dançar desse jeito pela segunda vez no dia? Ele podia ter chamado Bev dessa vez, Richie e Beverly dançavam bem juntos. Eddie estava tão absorto em seus pensamentos que não percebeu quando a música acabou, só notou quando o corpo de Richie não estava mais colado no seu.

Freya se divertiu até, mesmo que saísse da sua zona de conforto, era bom que Bill e ela estivessem se dando bem e fazendo algo juntos. A noite parecia ter terminado bem no final de contas.

Mas ela ainda não havia acabado.


Notas Finais


Nota 1: Georgie tem 6 anos nessa história, mesmo que Bill tenha 14, são linhas do tempo diferentes.
Nota 2: Tenho quase certeza que Faroeste Caboclo ficaria horrível tocada em um cavaquinho.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...