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História Are you mine? - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Chapter 8


Fanfic / Fanfiction Are you mine? - Capítulo 8 - Chapter 8

 

   Alguns dias haviam se passado desde o que havia acontecido no lago. Eu não havia falado com Alex desde então, ele desaparecera. Cheguei a mandar algumas mensagens, mas não tive resposta, perguntei a Nick sobre ele mas tudo o que ouvi foi “Ele é assim mesmo Andie, logo aparece”

  Pra completar eu havia passado a semana com um mal humor terrível, o qual Mariana, sabendo de tudo, insistia ter algo a ver com o sumiço de Turner. E dessa vez eu tinha que concordar com ela. Eu não conseguia tirar a cena do lago da minha cabeça, e a incerteza sobre minha relação com Alex estava me deixando aflita. 

  Aquela sexta-feira tinha começado agitada e pela primeira vez na semana não tive muito tempo para pensar em qualquer coisa que não fosse trabalho, o que não foi totalmente ruim, mas cansativo.

  Claire minha assistente tinha ficado doente, então tive que dar conta da edição e publicação de várias matérias sozinha, então suspirei aliviada quando o expediente chegou ao fim e eu tinha conseguido finalizar tudo. Só precisava me deitar e dormir por mais de oito horas direto.

  Pra minha decepção encontrei um caos quando abri a porta do meu apartamento. Mariana e Mark andavam de um lado para o outro cobrindo e arrastando vários móveis, alguns baldes estavam espalhados pela sala e cozinha, e o chão claramente molhado, parecia ter chovido lá dentro. 

  - O que aconteceu aqui? - perguntei olhando ao redor. 

  - Não pira, tá?! - Mari começou - Algum cano de água quebrou no apartamento de cima e tem goteiras pela casa toda.

  - Não se preocupa, Andie, a gente já resolveu tudo e o dono do apartamento vai pagar pra consertar tudo. - Mark falou.

  - Mas… - incentivei, claro que tinha um mas.

  - Mas vocês vão ter que sair daqui até os reparos serem feitos. - ele completou, como se fosse a coisa mais simples do mundo

  Era realmente tudo o que me faltava, praticamente ser botada pra fora de casa porque estava praticamente chovendo lá dentro.

  - O meu quarto..

  - A gente ajeitou o que deu, tudo de importante está salvo e o resto coberto. O único lugar sem goteiras é o quartinho da bagunça, então botamos tudo o que pudesse estragar lá dentro. - minha amiga explicou.

  - E a gente vai pra onde? - minha voz já estava embargada.

  - Lá pra casa, a gente vai transformar o escritório em um quarto pra você, tem o sofá-cama, não se preocupa. - Mark falou tentando dar um sorriso encorajador.

  Apenas assenti. 

  Fui em direção ao meu quarto, fiquei ainda mais triste quando abri a porta e vi tudo fora do lugar, algumas coisas já tinham sido cobertas e as mais importantes estavam separadas em um canto que até então estava seco.

  Claro eu não ia ficar fora dali pra sempre seria algo temporário, e não ia me custar muita coisa. Não era o fim do mundo. Mas ninguém gosta de ter que sair do conforto de casa de repente.

  Arrumei tudo o que eu precisaria em uma mala grande, e o que sobrou organizei e botei no quartinho da bagunça. Logo fui ao encontro de Mark e Mariana que já me esperavam na sala ao lado de duas malas gigantes da minha amiga, exagerada como sempre. 

  - Vai se mudar de vez pra lá? - perguntei. 

  Ela revirou os olhos.

  - É só o necessário, ok?! Já acabou de organizar tudo lá? 

  - Aham.  

  - Então vamos, organizar tudo isso me quebrou, e preciso cair na cama. - Mark falou. 

  Fui em direção a porta na intenção de sair logo dali, olhar o apartamento daquele jeito tava me deixando deprimida. 

  No entanto, me assustei quando abri a porta e dei de cara com Alex parado em frente a ela, prestes a tocar a campainha. 

  - Alex?! O que faz aqui? - não consegui esconder a excitação na minha voz. 

  - Fiquei sabendo o que houve e vim ajudar. - deu um sorriso sem mostrar os dentes. 

  Virei pra trás e fuzilei Mariana e Mark com o olhar, e eles fizeram cara de paisagem como se não soubessem de nada, é claro que Alex estar ali era obra dos meus queridos amigos. 

  - A gente já acabou tudo por aqui. - falei e vi o semblante dele murchar, então rapidamente completei - Mas você pode nos ajudar com essas malas!

  - Claro. 

  Alex ajudou Mark com as malas pesadas de Mariana, enquanto eu e ela descemos com a minha mala e nossas bolsas. Quando chegamos na frente do prédio, Mark começou a tentar encaixar as enormes malas da namorada em seu carro, enquanto eu e Alex ficamos observando mais distantes.

  - Você vai ficar com eles? - Alex perguntou.

  - Sim, vão ajeitar o escritório para mim. É só por um tempo. - falei a última frase mais pra mim mesma do que pra ele.

  - Parece ruim. - parou por um momento  como se uma ideia brilhante tivesse o acometido - Por quê não vem pra minha casa?

  Eu ri.

  - Qual a graça? Tô falando sério! Lá tem um quarto sobrando e bastante espaço. 

  - Não posso ir morar com você. - respondi.

  - E por que não?

  Suspirei. Não podia evitar o assunto, ou como dizem "o elefante no meio da sala".

  - Alex, com o que aconteceu da última vez que nos vimos, não acho uma boa ideia. - falei mais baixo e meio engasgada, ainda não sabia como ele reagiria o assunto.

  - Aquilo foi um erro, você mesma disse. - ele limpou a garganta e desviou o olhar - Que tal fingir que nunca aconteceu?

  Pensei em responder que não podia fingir que nunca aconteceu porque aquilo não saía da minha cabeça, mas antes que eu o fizesse Mariana nos interrompeu pedindo para que eu entregasse minha mala para por no carro de Mark. Só então percebi que eu segurava o objeto entre mim e Alex como uma barreira.

  - Não precisa, ela vai ficar na minha casa. - Alex respondeu antes de mim. 

  - Você vai? - minha amiga perguntou me encarando, pude ver um quase sorriso surgir em seus lábios.

  - Também não precisa ficar tão feliz porque vai se livrar de mim! - bufei. 

  - Acredite não é por isso, sabe que amo ficar com você todos os dias. - ela falou me abraçando.

  - Então você vai mesmo? - os olhos de Alex buscaram os meus como se pedissem uma confirmação, e era difícil pensar claramente com ele me olhando daquela forma.

  - Parece que sim. - respondi derrotada.

  Um lindo sorriso surgiu nos lábios dele. A já conhecida sensação de formigamento no estômago me atingiu e meu coração acelerou.

  Me despedi de Mark e Mariana, enquanto Alex rapidamente botava minha mala em seu carro estacionado mais a frente. Claro meus amigos não perderam a oportunidade de me perturbar com piadas idiotas, além do "qualquer coisa me liga" de sempre. 

  Logo eu estava no carro de Alex a caminho da casa dele, que agora também seria minha casa por um tempo, e não conseguia parar de pensar em como isso não era uma ideia tão boa, mas eu não tive realmente uma escolha. 

  - Soube que perguntou por mim. - ele falou sem tirar os olhos da rua. 

  - Você sumiu.. - olhei pra ele. 

  - Estive ocupado, precisei resolver algumas coisas. - deu ombros - Mas fiquei feliz em saber que sentiu minha falta. 

  - Achei que tinha desistido de nós. - ele finalmente me olhou com as sobrancelhas arqueadas - Digo, da nossa amizade. 

  - Ah.. - seu tom saiu desapontado e voltou a encarar a pista. - Nem se eu quisesse conseguiria desistir de você.

  Depois do comentário dele voltamos ao silêncio, e novamente eu não sabia o que responder, odiava a forma como ele conseguia me deixar como uma idiota sem saber o que dizer. Fiquei olhando para o nada sentindo um enorme incômodo, então decidi ligar o rádio para pelo menos não ficar um clima tão desconfortável e afastar aquela sensação de mim. Pra minha felicidade a voz de Carla Bruni saiu como a melodia de um anjo para os meus ouvidos com uma de minhas músicas preferidas. 

  - C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore, serait-ce possible alors?* - cantarolei baixinho junto com a música. 

  - Você fala francês? - ele perguntou sem esconder o tom surpreso em sua voz. 

  - Eu disse que tem muito que você não sabe sobre mim, Turner. - dei uma piscadela. 

  - Ainda pretendo descobrir todas elas, Sears. - ele sorriu. 

  Logo estávamos em frente a casa número 505. Incrivelmente a segunda vez que estava ali e já voltava como moradora. Se me contassem que isso aconteceria eu teria achado que era uma piada.

  Alex levou minha mala para dentro e eu fui andando logo atrás dele, ainda me sentia meio intimidada ali, como se fosse uma invasora do mundinho de Alex Turner. Ele me guiou até andar de cima que eu não havia conhecido na primeira vez, era onde ficavam os quartos. O corredor não era tão grande como o de baixo então as quatro portas ali eram bem próximas. 

  - Bom, esse é o seu quarto. - ele disse abrindo uma das portas.

  Ele deixou a mala em um dos cantos e parou ao meu lado quando também entrei e parei para observar tudo. A cama de casal ao centro do quarto tomava um bom espaço, havia uma pequena mesa de cabeceira ao lado e em cima dela um abajur amarelo e um jarro com uma flor bonita que parecia ter sido colhida recentemente, uma tv pendurada na parede, assim como alguns quadros e um pequeno armário. Mas o detalhe que eu mais gostei foi a grande janela que mostrava bem o céu, que naquele dia não estava nublado e algumas estrelas apareciam timidamente. Não era muito grande, mas com certeza bem melhor que o escritório bagunçado de Mark.

  - O que acha? Sei que não é muito, mas.. - eu o interrompi. 

  - É maravilhoso, Alex! - sorri pra ele - Obrigada por isso de verdade. 

  E novamente ele deu aquele sorriso que me fez balançar. 

  - Bom, o banheiro é a porta do meio, e meu quarto é a porta logo em frente, pode me chamar qualquer hora. - apontou - Vou te deixar se organizar tudo e preparar alguma coisa pro jantar. 

  Ele saiu fechando a porta me deixando só ali. 

  Levei um tempo organizando todas as minhas coisas dentro do armário e provavelmente um tempo a mais tentando por a mala já vazia em cima dele, minha pouca altura não ajudava muito. Quando acabei, tomei um banho e botei um moletom confortável, depois daquele dia agitado foi como se a água tivesse levado tudo o que havia acontecido e me senti leve novamente. 

  Desci as escadas descalça sentindo o chão frio, odiava usar sapatos em casa. Fui caminhando pelo corredor até chegar à cozinha onde encontrei uma cena no mínimo engraçada. Alex estava com um avental amarrado ao corpo e pano de prato no ombro, como um verdadeiro dono de casa, mas se atrapalhava com o fogão e o cheiro de queimado já tomava conta do ambiente. 

  - Hum, carvão a bolonhesa, meu preferido. - falei rindo e chamando sua atenção.

  - Haha, engraçadinha. - ele jogou na pia a vasilha de onde vinha o cheiro de queimado -   Esqueci o frango a parmegiana no forno, agora estamos sem jantar. 

  - Já me sinto honrada só por ter se dado o trabalho de preparar algo pra mim. - sorri. 

  - Bom, ainda temos duas opções: pizza ou chinesa? - pegou dois panfletos de delivery de cima do balcão e os exibiu.

  Acabamos optando pela chinesa, que pra minha felicidade não demorou muito a chegar, meu estômago não “via” comida desde o almoço. Durante o jantar a conversa com Alex fluiu maravilhosamente, e para o meu alívio nenhum de nós mencionou novamente o que aconteceu no lago.

  Depois de ajudá-lo com a louça, subimos juntos para irmos dormir, cada um em seu quarto, claro. Estava me sentindo tensa, e sabia que era porque nas despedidas entre nós sempre acontecia algo inesperado e eu saía correndo, mas dessa vez eu não tinha realmente para onde fugir.

  - Boa noite, Alex. - disse segurando a maçaneta do porta. 

  Ele estava parado de frente pra mim e me assustou um pouco quando se aproximou devagar, tocou meu rosto fazendo-me arrepiar e depositou um beijo em minha testa. 

  - Boa noite, Andrea. - murmurou. 

   Alex se afastou rapidamente e entrou no quarto em frente sem me dar tempo de reagir. 

  Aquela estadia seria uma bagunça para para o meu coração.

 


Notas Finais


*Quelqu'un m'a dit, Canção de Carla Bruni, tradução: "Foi alguém que me disse, que você ainda me amava, seria possível então?"


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