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História Argentum' Corde - Sooshu Shusoo - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Wednesday;


Fanfic / Fanfiction Argentum' Corde - Sooshu Shusoo - Capítulo 3 - Wednesday;

 

No princípio criou Deus o céu e a terra.
E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
E disse Deus: Haja luz; e houve luz.
E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.
E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, do dia primeiro.

 


Gênesis 1:1-5




 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

- Droga! - A garota de cabelos negros reclamava ao ouvir o soar de seu despertador. Shuhua sentia uma preguiça contagiante às quartas-feiras. Simplesmente porque quarta é o meio da semana, o que indica que ainda teria que aguentar a outra metade.

Levantou de seu aconchego e foi direto ao banheiro fazer suas higienes matinais. Penteou os cabelos como sempre fazia às quartas, desanimada com a primeira aula que seria de cálculo. 

Shuhua estava cansada e sem ânimo algum, e era de se esperar. Pegou seu celular depois de vestir seu uniforme e checou suas redes sociais. Nada novo, apenas casais chatos postando foto no insta.

Foi até a mesa do café da manhã e se sentou. Decidiu que hoje sua preguiça guiaria seu dia para onde ela quisesse. Quem precisa de pressa para a aula de cálculo?

Pegou uma torrada e passou geleia de morango sob sua superfície. Para beber, decidiu que um suco de abacaxi deixaria seu dia mais doce. Engatou no café e só parou de comer quando seu pai se sentou ao seu lado.

- Bom dia, Shuhua. - o pai a cumprimentou desanimado, como era todos os dias em que ele só ia para a empresa às 10h.

- Bom dia. - Shuhua respondeu seca. Ela não tinha um bom relacionamento cultivado com seu pai.

- Como está a aula de francês? - o pai perguntou sem interesse a sua filha, levando um pedaço de bolo de cenoura à boca.

- Eu parei há três meses. - encarou os olhos negros de seu pai. Ele tinha os mesmos olhos de Shuhua. Pareciam mansos, mas penetravam mais que palavras. A barba do homem era perfeitamente ajustada e o cabelo liso encharcado de gel. O perfume amadeirado deixava Shuhua tonta.

- Você deveria se esforçar nas coisas que eu mando fazer. - o Senhor Yeh a encarou de volta, franzindo o cenho.

Não era de se esperar que um homem de quarenta e três anos tão poderoso quisesse que sua filha se comprometesse com aulas de francês, etiqueta e que fosse mais parecida com uma dama.
Mas o modo como Yeh Joah falava com sua filha, era absurdamente sem empatia. O Yeh sempre sonhou com um primogênito homem. E depois que sua mulher teve câncer de útero e não pode mais gerar filhos, se viu desanimado com a vida, já que não deu continuidade ao legado arcaico da família de somente gerar homens.

- Me retiro. - Shuhua se levantou levemente da mesa, ouvindo um suspiro pesado do homem. Abriu a porta do apartamento, pegou o elevador e deu um bom dia ao porteiro, se retirando do prédio.

A caminhada para o colégio foi pacífica. Shuhua tentava não pensar em nada, sua mente estava um completo vazio. Mas se assustou com o leve tapa nas costas que levou de sua unnie.

- Bom dia Shu! Pronta para o inferno? - Minnie se posicionou ao lado da amiga com um sorriso nos lábios como sempre recebia da mesma.

- Bom dia Minnie unnie. Na verdade, eu queria estar em qualquer lugar que não fosse o colégio e minha casa. - respondeu sua amiga com certo desânimo, abaixando seu olhar preocupado.

- Ei Shu, desculpe. Havia esquecido que era quarta-feira.

Existiam mais motivos para Shuhua odiar quartas-feira. Além de ser o meio da semana, de encontrar seu pai pela manhã e pela primeira aula ser de cálculo, hoje era o dia de visitar sua avó no hospital.

A avó de Shuhua tinha uma doença degenerativa e se encontrava internada em um hospital. Sua avó era a mulher mais forte e doce que encontrara em toda sua vida. Vê-la em um estado tão comprometedor, acabava com sua felicidade. Fora criada por mulheres fortes a vida toda; por sua mãe, sua avó e Amélia. Nunca sentiu um amor paterno, suas figuras de referência são essas mulheres que acertaram em cheio ao dar tanto amor a uma pequena garota que se tornaria uma grande mulher.

Shuhua mantinha um semblante calmo. Afinal, já havia passado por muitas outras quartas-feiras em sua vida.


















 

 

 


- Bom dia classe! - a professora de Química adentrou a sala do terceiro A com uma animação entediante. Como vocês já sabem, amanhã teremos nossa Feira de Ciências e é responsabilidade dos terceiros organizarem o pátio e decorarem o que for necessário. Por hoje, tudo o que farão será isso. Podem ir para suas casas depois do almoço, não teremos aulas no período da tarde. - a mulher loira que parecia bem jovial, sorriu para a sala e se retirou. Os alunos pediram licença ao professor de cálculo que resmungou, e se direcionaram aos corredores para se encontrarem no pátio.

- Vai ser divertido. - Yuqi se prenunciou enquanto o trio descia as escadas.

- Eu duvido. - Minnie e Shuhua responderam em uníssono.

- Qual é, é só colocar umas mesas e umas serpentinas nas grades. - Yuqi brincava com as amigas.

- Ficaria mais legal pendurar você na grade, Yu. - Minnie irritou Yuqi, o que fez Shuhua soltar uma risadinha.

- Tenta a sorte. - Yuqi sorria com o mau humor da mais velha.

- Ei, vocês vêem o que eu vejo? - Minnie sacudiu os ombros de suas amigas.

- Meu Deus! A líder do time de basquete, das cheerleaders e a mais nova patricinha desse lugar juntas? - Yuqi deixou seu queixo cair.

Já Shuhua, observava a cena. Soojin parecia se divertir enquanto conversava com suas amigas sobre qualquer coisa que as faziam gargalhar. Aquelas eram Soyeon e Miyeon. Umas das garotas mais populares da escola.

- A radioatividade ta chegando aqui. - Yuqi forçou uma tosse, levando um leve tapa no ombro de Minnie em seguida.

- Elas não são tão ruins assim. A Shu falou com a loirinha, parece que ela entrou pro time de basquete. E a Miyeon... ela é meio sonsa mas tem um bom coração. - Minnie sentiu suas bochechas corarem.

- Espera, você ainda troca mensagens com ela? - a acastanhada fingiu um riso sarcástico.

Shuhua percebeu que Soojin se distanciou das garotas, indo para o bebedouro d'água que havia próximo dali. Aproveitou a chance repentina e foi atrás da loira, deixando suas amigas sozinhas e confusas.

- Soojin? - Shuhua apareceu atrás da menor enquanto a mesma bebia água, causando um certo susto na mesma.

- Oi Shu. - A garota limpou o canto da boca que escorria um pouco de água.

- Sobre hoje, penso que não poderei comparecer no auditório. - Shuhua abaixou um pouco a cabeça, desviando seu olhar da maior. - Você poderia me passar seu número para marcarmos um outro dia? - sentiu suas bochechas corarem.

- É claro, Shu. - a loira sentiu uma batida mais forte em seu coração quando ouvira a pergunta. Também se encontrava corada, havia sonhado com a morena novamente outrora.

- Aqui. - Shuhua deu seu celular para a maior, para que a mesma pudesse salvar seu número.

- Pronto. - devolveu seu celular a outra.

Se encararam por alguns segundos, os olhos de Soojin pareciam mais claros no dia de hoje. Cada dia que a mulher acordava no mundo humano, mais humana ela ficava. Seus sentimentos começaram a aflorar e agora ela sentia timidez com mais frequência, como se estivesse soltando um pouco seu freio durão.

- B-bom eu vou indo. - Shuhua se despediu. Muita coisa passava em sua cabeça quando estava perto de Soojin. Ela sentia sua barriga congelar e seus pensamentos se encherem de "e se?". Mas mesmo assim, tentava manter a postura. Mesmo que houvesse algo incrívelmente angelical naqueles olhos castanhos, mal conhecia a garota e precisava focar em suas prioridades.





























 

 

 


No período da tarde, Shuhua voltou para seu apartamento. Tomou um banho rápido e se vestiu com as primeiras roupas que viu em seu guarda-roupa; um short da cor cinza e uma blusa preta de alça com alguns detalhes leves em renda. Calçou um tênis totalmente preto e se apressou para passar em uma floricultura à caminho do hospital. A garota comprou um buquê de lírios, e finalmente adentrava aquele lugar tão cinzento. Milhares de pessoas já choraram aqui, e milhares ainda chorarão. 

Na sua vez de ser chamada à recepção, ganhou o passe livre para o quarto 209, que dava ao quarto de sua amada avó. Respirou fundo a um passo de abrir a porta daquele quarto. Sentiu seus olhos marejarem quando viu sua vó entubada, parecia dormir calmamente. A garota olhou ao redor da sala que assim como o resto do hospital, era em sua maioria cinza. Colocou os lírios em um jarro que havia próximo a cama onde a avó de Shuhua dormia. A mesma se sentou ao seu lado e fez um breve carinho no rosto de sua yé. A vontade de chorar alagava o interior da menina, e ela logo se desmanchou em cima do corpo que havia em sua frente. Sentia o sol fraco entrar pela janela. 

- Eu te amo, yé. - Shuhua beijou a testa da idosa, suspirou e se levantou para ir embora. Não conseguia ficar muito tempo naquele local, pois queria lembrar de sua avó forte como sempre fora. Não debilitada e internada em uma cama de hospital. 

Ao colocar seus pés fora do hospital, sentiu o ar fresco entrar pelas suas narinas. O sol parecia mais forte aqui fora, o que a fez soltar um breve sorriso e continuar sua caminhada. Decidiu passar pelo centro para sentir o movimento das pessoas em um dia corrido e parecer como uma completa estranha no meio de todos. Comprou um refrigerante light para que pudesse se refrescar enquanto andava e olhava tantas pessoas felizes. Olhava as roupas das vitrines, tentando se lembrar dos nomes das lojas para que voltasse mais tarde. Quando matou horas o suficiente, decidiu finalmente ir para casa. Mas ao caminho, avistou uma mulher morena que saia de um salão de beleza conhecido da cidade. Suas unhas estavam pintadas de preto assim como o cabelo, mas as roupas que vestia eram leves. Consistia em uma calça de abrigo preta da adidas, um all star branco nos pés e um cropped preto solto, permitindo a todos repararem seu abdômen definido.  

- Shu? - a garota virou para o lado e percebeu a presença de quem a encarava do outro lado da calçada. 

- O-oi! - Shuhua lançou um sorriso amarelo.



 

 

 

 

 

 

 


- Então você mora aqui perto? - Shuhua perguntava a garota que andava lado a lado com ela. 

- Sim. Tirei o dia para renovar as energias. - Soojin parecia reluzente, sorria meiga por estar acompanhada. 

- Entendo. - Shu encarou o céu que parecia quase totalmente escurecido. Algumas estrelas já apareciam no lugar.

- Por que parece tão distante? - Soojin perguntou preocupada, mas recuando com medo da pergunta ter sido íntima demais. 

- Jin. - Shuhua parou de caminhar e olhou fundo nos olhos puros da recém morena. - P-por que parece que eu te conheço há séculos? - corou com a pergunta. 

- Shu... eu não sei. Eu também sinto isso. - a mais velha se aproximou mais da acompanhante, e levou seus braços para trás de suas próprias costas, contendo sua vergonha e voltando a caminhar junto a ela. 

- Você me parece tão familiar... - Shuhua percebeu que a garota não quis manter contato visual. - E-eu sonho com você...

Soojin pareceu surpresa com a declaração que obteve. Permaneceu calada, mesmo que sentisse seu sangue ferver e o coração pulsar rapidamente. Todos aqueles sentimentos estavam matando-lhe. Mas ela resistiria. Ela com certeza resistiria. 

- Não sei nada sobre isso, Shu. - A mais velha sentiu uma pontada na sua barriga por mentir de forma tão descarada. Estava pecando novamente.

- Você está bem? - Shuhua percebeu o incômodo da mais velha, a garota estava suando frio. 

"Droga, se controla" Soojin se viu desesperada ao sentir tantas emoções ao mesmo tempo. Sentimentos que nunca havia experimentado antes a consumiam e faziam seu cérebro entrar em colapso. A proximidade de Shuhua não ajudava em nada.

- Eu estou bem! - Soojin aumentou o tom de voz desesperada, afundando suas mãos na barriga e curvando seu torso afim de parar com a dor imensa que sentia.

Shuhua se assustou e permaneceu quieta. Algumas lágrimas ousavam cair de seus olhos, se distanciou da mais nova e saiu daquele lugar o mais rápido possível. Não fora um bom dia para a Taiwanesa. 

- Shu espera! - a mais velha gritou ainda com dor, mas ousou ir atrás da mais nova.

Quando finalmente a alcançou, segurou seu braço. Estava ofegante.

- Me larga! Que merda você está fazendo?! - Shuhua ainda chateada, tentava se soltar dos braços alheios, mas a garota parecia mil vezes mais forte. 

Soojin permaneceu a segurando e a encarou até que a menor finalmente se acalmasse. As duas ofegantes, mantinham o contato visual e se olhavam com ternura. 

- Me perdoe, eu não quis te machucar. - Soojin olhou no fundo dos olhos de Shuhua. Suas desculpas eram sinceras. 

- Mas você me machucou. - a taiwanesa cortou o contato virando o rosto para o lado, sua pele queimava com a proximidade do corpo quente. A birra que fazia era por puro desespero de se ver tão próxima a ela. 

Soojin mordeu seus lábios tendo os mesmos pensamentos da menor. Ela já não aguentava ficar tão próxima de Shuhua depois de todos os sonhos e todas as conversas que tiveram. Num passo rápido, Soojin com cuidado prensou Shuhua contra o muro que havia atrás da taiwanesa, prendendo seus braços acima da cabeça.
 

- Eu nunca te machucaria. - sussurrou enfatizando cada palavra no ouvido de Shuhua. 







 


Notas Finais


Hey pessoal! Como vão nessa bela segunda-feira? Senti saudades!

Espero muito que tenham gostado do capítulo de hoje, novamente escrito com muito carinho. Se sintam livres para comentar e favoritar, o incentivo de vocês é muito importante.

Permaneçam saudáveis! Até logo!

sayoo~


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