História Aritmética - Capítulo 2


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Categorias Supergirl
Personagens Alex Danvers, Alura Zor-El, Astra In-Ze, Cat Grant, Eliza Danvers, James "Jimmy" Olsen, Jeremiah Danvers, J'onn J'onzz "John Jones" (Caçador de Marte), Kara Zor-El (Supergirl), Lena Luthor, Lucy Lane, Maggie Sawyer, Personagens Originais, Samantha Arias (Reign), Winslow "Winn" Schott Jr.
Tags Kara Danvers, Karlena, Lena Luthor, Supercorp, Supergirl
Visualizações 302
Palavras 2.300
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Fluffy, LGBT, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sci-Fi, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi pessoinhas, comment ça va?

Capítulo 2 - Waves.


Fanfic / Fanfiction Aritmética - Capítulo 2 - Waves.

Our Page.

— "Cara miss Grant, sei que espera que minhas próximas palavras sejam um pedido de desculpas, mas elas não serão. Recuso-me veementemente a pedir desculpas aquele saco de estrume ambulante do Matthews e nada do que a senhora disser ou fizer poderá mudar isso. Sinto, mas esse assunto em particular está fora de sua alçada..." — Cat Grant leu as palavras de Kara Danvers.

— Miss Grant, eu-- — Cat levantou a mão fazendo a adolescente ficar em silêncio.

— "Por favor, não me expulse e tenha um bom dia" — a diretora terminou de ler.

Grant depositou o papel — que era tudo menos a carta de desculpas que tinha pedido para Kara fazer — em cima da mesa; recostou-se em sua cadeira, cruzou os dedos e soltou um longo suspiro. Ela encarou a garota loira sentada do outro lado de sua mesa, e não pode deixar de pensar em suas semelhanças.

Ambas eram loiras, tinham olhos azuis e eram extremamente belas, mas o que as semelhanças que Cat via entre ela e Kara iam além do físico. A jovem era cabeça dura, determinada. Tentava sempre provar que estava certa — e não via problemas em admitir seu erro quando preciso. Ela também era sincera e justa, por isso quando alguém lhe pedia para escrever uma carta de desculpas dizendo o "quanto sente muito" por algo que na realidade não sente e faria de novo sem pensar muito, Kara era incapaz de fazer.

— Detenção — foi à primeira coisa que a diretora falou no que, para Kara, pareceram anos.

— Como?! — gritou. — A senhora não pode! Aquele imbecil mereceu! — com um salto Kara se levantou e bateu na mesa da senhorita Grant.

— Primeiro, eu posso! — fuzilou a garota com o olhar. — Depois, controle-se Danvers, mas uma explosão dessas e será suspensa — o tom de Cat era tão austero que não deixou espaço para Kara duvidar de suas palavras.

— Desculpe Miss Grant — bufou voltando a sentar. — É só que--

— Só que nada — cortou. — Eu lhe dei uma chance Kira. Você escreveria uma carta de desculpas para o Matheus e eu perdoaria o "incidente". Mas ao invés disso você me apareceu aqui com um bilhete escrito em metade de um guardanapo sujo de...?

— Donuts.

— Donuts! — repetiu incrédula. — Fracamente Kira, às vezes acho que você simplesmente não leva nada a sério — lamentou.

— Acredite senhora, levo muitas coisas a sério.

— Potstickers não contam! — Kara abriu e fechou a boca algumas vezes, mas não disse nada. — O que vou fazer com você, Kara? — a mulher soou quase triste. Cat abaixou a cabeça por um instante e massageou as têmporas.

— Pode me deixar ir!

— Eu me importo com você Kara, realmente me importo — continuou sem dar muita importância para a fala da garota. — Porém não posso fechar os olhos e deixar que continue afundando...

— Não estou me afundando! — rebateu na defensiva.

— Não? — a diretora riu seca. — Você não entrou em nenhum clube esse ano, suas notas despencaram. Não aparece nas aulas e quando aparece dorme o tempo inteiro. E agora decidiu distribuir socos?

— Foi apenas um soco e ele mereceu! 

— Não importa! — levantou a voz. Cat não era de perder a compostura. Geralmente agia de forma distante com os alunos e os chamava pelo nome errado, mas com Kara era diferente. Ela se importava de verdade com a garota, queria o melhor para ela. Por isso vê-la se afundando desse jeito lhe incomodava tanto. — Você não soca pessoas Kara. Não apenas porque é contra a política da escola, mas porque você não faz isso. Alex eu entenderia, até mesmo o Winslow. Mas você não.

— Se isso não é algo meu, por que fiz então?

— Isso é algo que estou querendo descobrir... — Cat suspirou. Mesmo que não parecesse, sua sentença era uma pergunta. A "pergunta de ouro", digamos assim. Desde que Kara passou pela sua porta que a senhorita Grant vem tentando fazer a loira dizer o que estava acontecendo. Kara não era burra, ela conseguia ler nas entrelinhas, notou todas as perguntas disfarçadas de respostas que Cat lhe fizera e, ainda assim, não as respondeu. Não queria, não podia. Não entendia.

Kara Danvers era, no final, apenas mais uma adolescente confusa. Cansada da vida, cansada da escola e das pessoas tóxicas que a rodeavam. Por isso socou o babaca do colega de classe Mike Matthews, porque ela estava cansada — e porque três anos de perturbação vieram à tona.

Cat esperou por uma resposta, mesmo que soubesse que ela não viria. Respirou fundo, balançando a cabeça em negação. Queria ajudar Kara, queira mesmo. Mas sem saber o que se passava com a garota seria impossível.

— Vou lhe dar uma última chance — rendeu-se. Matthews de fato mereceu aquele soco. — Se eu te ver em minha sala mais uma vez esse semestre, será detenção até o final do ano — ameaçou.

— Obrigada Miss Grant — Kara sorriu fraco. Não era nem nove horas ainda e ela já queria que o dia acabasse.

— De nada, agora dê o fora daqui Kira — bufou. — E não volte sem ser chamada!

Kara sorriu com um pouco mais de vontade ao ver a mulher assumindo a pose de "diretora fria". Despediu-se e não fez promessas sobre "não volta". Ela não queria arrumar confusões, é claro, mas sentia em seu íntimo que talvez essa escolha estivesse fora de suas mãos. Ao sair da sala da senhorita Grant, Kara deparou-se com uma mulher muito... bela? A mulher estava parada bem a porta, queria entrar ao mesmo tempo em que Kara tentava sair. Tinha olhos azuis... ou seriam verdes? Com aquela luz a jovem Danvers não podia ter certeza. Sua pele tão branca quanta a primeira neve da estação, e seu cabelo longo e negro como uma noite de inverno.

— Desculpe-me — a moça pediu sorrindo, dando passagem para Kara que por um instante esqueceu-se de onde estava. Havia algo diferente em sua voz, um sotaque que certamente não era americano. Europeu, talvez? Kara não podia dizer, era péssima com sotaques.

— Certo — disse recuperando a compostura e deixando o escritório.

— Quem era? — a morena perguntou receosa assim que a garota passou por ela, não queria ser muito invasiva logo de cara.

— Apenas uma de suas futuras alunas — Cat respondeu com um sorriso fraco. — Então senhorita Luthor, por que não toma um assento e começamos?

— Por favor, me chame de Lena...

[...]

Após a "reunião" com Cat, o dia pareceu se arrastar e Kara queria desesperadamente ir para casa. Tinha se esquecido de tomar seus remédios pela manhã então, além da sensação ocasional de alguém estava tentando abrir sua cabeça a machadadas de dentro para fora, parecia que tinha pegado todo o déficit de atenção do mundo para si, ou seja, aquele não era um dia para tentar se ter a atenção de Kara Danvers.

E, ainda assim, era isso que todos os professores pedia.

— Kara — Winn chamou. — Vamos Kara, você tem que ir para aula.

Os dois estavam sozinhos na sala. O professor de história e todos os alunos já tinham saído há pouco mais de cinco minutos. Winn ficou para trás encarregado de acordar a amiga que estava, literalmente, babando em cima da mesa.

— Vá você — resmungou.

Danvers não era fã de história — texto demais para sua mente disléxica —, e seu professor consiga tornar tudo pior. Com explicações arrastadas que não explicavam nada e uma voz tão tediosa quanto sua matéria. Por vezes Kara acabava dormindo na sala, porém em algum momento durante a explicação sobre as causas da Segunda Guerra, a loira sentiu que seu crânio estava prestes a rachar — por isso era difícil dizer se tinha dormido ou desmaiado de dor.

— Vamos raio de sol, você sabe que não posso te deixar para trás — insistiu, sacudindo a amiga.

Foi preciso muita insistência de Winn para que Kara levantasse e, mesmo assim, o rapaz praticamente a carregou pelos corredores. A loira parecia um zumbi — gemia e arrastava as pernas, nem se deu ao trabalho de abrir os olhos. Era difícil dizer se ela estava com sono, com dores ou até mesmo drogada.

— Desculpe o atraso — Winn pediu parado à porta da sala de aula. A matéria da vez era literatura. Winn gostava, Kara não.

— Como hoje é o meu primeiro dia, vou desculpar — ainda de olhos fechados, Kara notou que aquela não era a voz do seu professor usual.

Primeiro que era uma voz feminina e delicada que em nada parecia com a voz do seu professor, que era rouca e um tanto agonizante quando ele queria. E também havia o sotaque, aquele que ouviu no escritório de Cat. Estava um pouco apagado, como se forçasse seu disfarce. Mas Kara sabia que ele está ali.

— Obrigado, senhora — o rapaz agradeceu adentrando a sala, ainda carregando a amiga, e seguindo para seus lugares.

— Como ia dizendo, sou a senhorita Luthor — Winn teve a impressão de que a ênfase em "senhorita" foi para ele. — Serei a professora substituta de literatura pelas próximas semanas enquanto o professor de vocês está... — a professora fez uma pausa. — Ahn, de férias.

— Winn — Kara chamou baixou. Os amigos sentavam lado a lado em todas as aulas e sempre nas últimas carteiras, chamavam o lugar de "zona", pois a maioria dos professores não se digna ao trabalho de prestar atenção neles.

— Que? — diferente de Kara, que ainda não tinha aberto os olhos e estava com a cabeça apoiada na mochila, Winn prestava atenção a tudo que a nova professora dizia. Em parte por literatura ser uma das suas matérias favoritas e em parte porque a nova professora era simplesmente hipnotizante.

— Você notou como ela fez uma pausa antes de dizer "férias"?

— Pessoas fazem pausas antes de falar.

— Pode ser, mas tem algo errado — indagou abrindo os olhos. — Vai ver a senhorita Luthor se livrou do Max — a loira fez questão de enfatizar "senhorita", em um claro sinal de sarcasmo.

— Por que ela se livraria dele? — tinha medo da resposta. A imaginação de Kara às vezes podia fugir MUITO da realidade.

— Um favor para humanidade, talvez — deu de ombros.

— Kara! — Winn segurou o riso.

Kara não gostava de literatura — da maioria das matérias na verdade —, e desgostava mais do, agora, antigo professor de literatura, Maxwell Lord. Ele era irritante, mais do que a maioria dos professores. E se achava superior. Como se estivesse fazendo um favor para os alunos ao dar aula.

— Algum problema? — Luthor estava parada à frente deles. Winn engoliu em seco, era um tanto medroso e detestava ser repreendido.

— N-não, senhora — gaguejou. A professora nova tinha uma presença forte que fez o garoto tremer.

— Na verdade há vários problemas — Kara mal tinha terminado de falar e Winn já a fuzilava com o olhar, caso se metesse em encrenca de novo por causa dela seria ele quem partiria a cabeça da amiga com um machado. — Fome. Seca. Guerra. Canudos... — fez uma careta. — Os canudos estão tomando conta dos oceanos, na verdade o plástico em geral, os peixinhos e tartaruguinhas estão a morrer como os homens estão a se matar.

Lena impediu que um pequeno sorriso se formasse. A aluna a sua frente era, no mínimo, peculiar. E aparentava ter uma forma única de pensar. No entanto, por mais que a loira não a tivesse desagradado por completo, Lena Luthor não podia permitir esse tipo de comportamento em sua sala de aula. Como substituta as chances de conseguir manter a sala em ordem eram bem baixas, e se deixasse que os alunos a responderem como bem entendem, elas caíram para zero antes do final da aula — teria que impor respeito, mesmo que isso significasse ser rude.

— Suas preocupações são notáveis — sorriu. Kara não gostou do sorriso dela, digo, ela gostou, mas não gostou. Tinha algo ali, algo que a aluna não tinha certeza se iria agradar. — Poderia dizer-me seu nome? — até a forma como a professora fala estava irritando-a. Tão altiva e sucinta, sem falar do sotaque que ainda não sabia diferenciar e a morena tentava esconder.

— Kara — respondeu entre dentes — Danvers — um brilho passou pelos olhos de Lena. Kara não pode deixar de pensar que a nova professora já tinha ouvido uma ou duas palavras sobre sua pessoa, e isso a deixou ainda mais irritada.

— Calamidade Danvers — deixou escapar. Lena praguejou mentalmente ao notar que tinha deixado a alcunha escapar.

"Cuidado com a Calamidade Danvers", o professor de história lhe advertiu com um ar sério. Até parecia estar falando de um bicho-papão. Mas a seriedade não durou tanto o professor de história quanto o resto dos colegas começaram a rir como hienas.

E, assim como os professores riram às custas de Kara mais cedo, os alunos na aula de literatura agora riam também. Gargalhadas altas que ensurdecem a pequena Danvers. Gargalhadas essas provocadas por Lena Luthor. Alguém que não conhecia Kara, que não sabia absolutamente nada sobre sua vida e ainda assim zombava de sua existência assim como todos os outros. Danvers encarou a Luthor com uma raiva quase palpável. Kara sabia que tinha problemas, que tinha dificuldade em se concentrar e não que não passa nem perto de ser a melhor aluna da escola, mas isso não dava direitos a Lena Luthor — ou a qualquer um — de fazer pouco de si.

Em um salto a loira levantou-se, a irritação fazendo seu sangue ferver. Estava preste a dizer coisas que com certeza lhe garantiria suspensão pelo resto da vida quando ela apareceu. A maldita dor de cabeça que parecia não ter fim. Estava acostumada com dores de cabeça, as tinha desde antes de aprender o que era uma "cabeça". Contudo, naquela semana em particular, elas estavam se provando piores do que Kara poderia ter imaginado algum dia.

Em um momento Kara estava de pé, preste a atacar sua professora e no outro puff, a garota foi ao chão com um grito de dor.

— Kara! — a voz de Winn foi a última coisa que ouviu antes de perder os sentidos de vez.  


Notas Finais




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