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História Armadilhas - Capítulo 21


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Capítulo 21 - Feelings


Um mês depois da lua-de-mel…




 

- De quem é a carta, menina Rin? - perguntava Jaken curioso enquanto preparava uma torta de cogumelos para a mais nova vegana da casa. 

- Não é nada importante… - disse Rin fechando o papel com cara de poucos amigos. O pequeno youkai não se deu ao trabalho de insistir. Já a conhecia bem demais para saber o que viria em seguida. - Quem ele pensa que é, hein senhor Jaken? Ele acha que pode agir como um canalha idiota comigo, com minha mãe e minha irmã e depois simplesmente mandar uma carta se desculpando e me desejando felicidade? À duas semanas atrás ele me ligou me ameaçando caso eu não voltasse para casa e agora manda uma carta dessas? 

- Naraku te mandou uma carta? - se surpreendeu o pequeno youkai. - quanta audácia, depois da briga dele e do senhor Sesshoumaru eu achei que ele nunca mais se atreveria a te procurar novamente. 

- Sesshoumaru é outro que me deu nos nervos, porque é que ele tinha que se meter nisso? - perguntou Rin irritada. 

- O amo gosta de você, menina, deveria se sentir grata por ele se preocupar e te proteger. - disse Jaken enquanto picava cebolinha. 

- Mas a última coisa que eu quero é causar problemas à alguém. - disse Rin. 

- Leia a carta para mim. Estou curioso. - disse Jaken. 

- Querida e amada Rin, sinto muito pela forma que tenho agido. Muitas vezes não consigo compreender o que há comigo, sinto que eu, Naraku, não sou um, mas vários homens dentro de um corpo só. Sei que causei sofrimento a você, sua mãe e Kanna. Hoje me sinto péssimo ao recordar tudo que fiz, ao imaginar que fui até mesmo capaz de agredir fisicamente vocês duas. Sei que tenho sido um monstro, e por isso entendo sua mãe ter ido embora com Kanna para longe de mim, e até acho o mais adequado e melhor a se fazer. Eu gostaria de ser aquele pai bondoso e amável como fui na sua infância e adolescência, mas sei que estou longe de ser e que perdi a oportunidade. Eu gostaria que você me perdoasse e gostaria de dizer que estou feliz por você está bem e protegida pela família Taisho. Sesshoumaru é um bom homem e sei que está cuidando de você, mas gostaria que soubesse que daqui 6 meses, quando tudo isso tiver acabado e vocês forem se divorciar, eu estarei aqui para cuidar de você, caso precise. Eu estou lutando comigo mesmo a cada dia para ser um homem decente e bom, e ser alguém melhor para vocês. Eu te amo. Com amor, Nara….

 

Sesshoumaru neste momento entra na cozinha toma o papel da mão de Rin e dá uma lida.

- Que invasão de privacidade é essa aí, hein Sesshoumaru. - repreendeu Rin. 

- O que de tão importante você teria para compartilhar com o Jaken que eu não pudesse saber? - perguntou o youkai sem tirar os olhos da carta.

- Tudo?! - disse puxando a carta de volta. - Jaken é meu best e você está mais para meu arqui-inimigo.  

- Eu acho que na história da sua vida eu estou mais para o herói. - disse bagunçando o cabelo da menina. 

- Hei, vou sair daqui a pouco. - disse Rin.

- E para onde você vai? - perguntou Sesshoumaru sem querer demonstrar muita curiosidade, mas observando que a jovem realmente estava bem mais arrumada do que o de costume. 

- COMO VOCÊ PÔDE ESQUECER??? - Gritou Rin. - Hoje é a reinauguração da clínica e VOCÊ prometeu que iria para poder atrair os jornalistas!! 

Sesshoumaru que estava tomando uma xícara de café se engasgou. 

- Eu disse isso? - perguntou arqueando uma sobrancelha.

- Sim! - disse Jaken e Rin ao mesmo tempo. 

- Agora você me deixou numa situação complicada, pequena. - disse Sesshoumaru pensativo. 

- Se vira, não mandei se esquecer de algo que é TÃO importante para MIM. - disse Rin enfatizando aquelas palavras enquanto o olhava séria.

- É que horas mesmo? - perguntou Sesshoumaru pegando o celular e olhando sua agenda. 

- 09:00. - disse Rin. 

- Vou tentar adiar minha reunião. - falou sério.

- Vai faltar se for preciso! - disse irritada. Sesshoumaru arqueou uma sobrancelha olhando para a jovem que estava vermelha. O que estava acontecendo com ela nos últimos dias? Estava muito mais irritante do que o normal, pensou o youkai. 

- Menina Rin, prove este molho! - disse Jaken. Era engraçado como eles tinham ficado tão amigos nos últimos tempo, compartilhando vários momentos juntos. O pequeno youkai nunca fora tão feliz assim antes, pensou o dai youkai. Em um mundo forjado de aparências e com padrão cruéis, Jaken sempre fora rejeitado. Rin era uma das poucas pessoas que o tratavam diferente, sempre atenciosa, carinhosa e isso por algum motivo fazia Sesshoumaru a admirar secretamente. Apesar de preferir estar em silêncio e tranquilidade, era bom ver a menina trazendo tanto ânimo e vida para aquela casa. 

- Já vou indo. - disse Sesshoumaru se levantando.

- Mestre não vai comer um pãozinho? - perguntou o pequeno youkai. 

- Eu como por ele! - disse Rin. - NO-VE HO-RAS, Sesshoumaru. 

- Eu sei pequena, estarei lá. - disse dando um beijo na cabeça de Rin, o que a fez corar no mesmo instante. 

- Acho que você gosta dele. - comentou Jaken após Sesshoumaru sair da casa.

- Eu não! - corou violentamente a menina. 

- Não tem como negar, você dá muito na cara. - disse Jaken.

- Dou é? - Rin não queria dar o braço a torcer e admitir que sentia algo pelo youkai, mas também queria saber que atitudes a estavam denunciando. Difícil decisão ela tinha ali em suas mãos. - Eu não gosto dele, por quê você acha isso? O que eu faço que deixa isso tão na cara… Quer dizer, faz parecer que eu goste dele?

- É só ele te olhar ou te tocar que você fica completamente desconcertada. - disse Jaken. 

- Para com isso, eu só fico meio sem jeito por ele ser assim tão… frio às vezes e depois tão… diferente do que ele é. - falou Rin. - É complicado.

- Sei…

 

Rin ficou ocupada a maior parte do dia com os preparativos e depois com a festa de reinauguração da clínica. Para sua surpresa Sesshoumaru chegou meia hora antes e ficou toda a manhã a acompanhando. De tarde o rapaz foi para o trabalho e Rin continuou ajudando Ayame e Kouga, foi um dia cansativo aquele, mas ela estava feliz em ajudar. Ao chegar em casa Rin pegou seu notebook (presente de Sesshoumaru que já não aguentava mais dividir o dele com ela) e finalmente fez algo que ela deveria ter feito a muito tempo. Se inscreveu no mestrado de Saúde Animal na Austrália. Após enviar tudo que era necessário ela sentiu um misto de medo, angústia e empolgação ao mesmo tempo. Torcia para dar certo e ela ter para onde ir depois que se divorciar. Sesshoumaru e Jaken estavam sendo ótimos para ela, eles eram como sua família agora e ela se sentia realmente feliz naquela casa. Mas tinha que admitir para si mesma que amava o youkai de brilhantes olhos âmbar e não ser correspondida por ela a estava matando aos poucos. Tinha que seguir em frente, que superar aqueles sentimentos. 

 

- toc, toc. - Rin ouviu alguém bater na porta.

- Entra. - gritou sem tirar os olhos da tela. Ela reconhecia aquela batida em qualquer lugar do mundo e sabia bem de quem era. Mas não estava a fim de encarar a pessoa que estava do outro lado da porta. Ainda mais depois do que Jaken falará à ela aquela manhã. 

- Está ocupada? - perguntou Sesshoumaru se aproximando de onde a menina estava deitada. 

- Não, só fazendo umas coisas sem importâncias. - disse fechando a tela do notebook.  

- Rin, tenho uma festa para ir amanhã e gostaria de saber se você quer me acompanhar. - disse sério.

- Você? Em uma festa? - Rin ficou de queixo caído. 

- Sim, eu mesmo. - disse Sesshoumaru arqueando uma sobrancelha. 

- Uau, vive para te ver em uma festa. - disse Rin. 

- É uma festa… a fantasias. - disse meio constrangido para a garota e ela riu. 

- Caramba! - Rin agora gargalhava olhando para o youkai apreensivo a sua frente. Era raro, muito raro ver Sesshoumaru se constranger por algo e ela queria tirar o máximo de proveito daquele momento. 

- Vai fantasiado de quê? - perguntou limpando uma lágrima. 

- Cachorro. - disse olhando para a sacada do quarto.

- Sério? - perguntou Rin com estranheza.

- Claro que não, Rin. - disse Sesshoumaru. - Ainda não me decidi. 

- Bem, vou te acompanhar. Eu não posso perder isso de jeito nenhum. - disse com um sorriso sapeca. O youkai encarou seus olhos castanhos e ela se sentiu corar. Droga, sempre ficava igual idiota perto dele. Por quê não conseguia se controlar? O que tinha de errado com ela? 

- Escolha uma fantasia comportada, não quero saber de olhares maliciosos em cima da minha esposa. - disse Sesshoumaru de forma penetrante. 

- Há tá bom viu. - rebateu Rin com ironia. - Vou fantasiada de Tiazinha. 

- Quem? - perguntou Sesshoumaru. 

- Pesquisa aí no seu celular. - disse Rin se sentindo travessa. 

- Você nem sai de casa comigo vestida assim. - disse Sesshoumaru olhando para a jovem que sorria de forma maliciosa. 

- Dúvida? - perguntou maliciosa. 

- Eu não duvido Rin, sei que você faria qualquer loucura para me provocar. - disse olhando para a jovem a sua frente que estava mais linda do que nunca.

- E por quê você se importa? - perguntou Rin se ajoelhando e ficando cara a cara com o rapaz. 

- Eu já te disse que tenho certo apego por minha reputação e não ia gostar de saber que tem outros homens cobiçando minha esposa de mentirinha. - disse Sesshoumaru tocando o nariz da jovem. 

- Não sei, acho que no fundo você tem uma paixão reprimida por mim. - disse Rin observando Sesshoumaru que permaneceu com aquela mesma expressão séria e nada respondeu. Ela continuou o observando, como que em busca de uma resposta para suas dúvidas. - acho que estou certa, não é?

- Talvez esteja. - Rin arregalou os olhos de surpresa e sentiu o coração acelerar com a respostas. Ela não acreditava no que o tinha acabado de ouvir. 

- Sério? - perguntou olhando o rapaz. 

- They say it's what you make. I say it's up to fate. It's woven in my soul. I need to let you go. - Sesshoumaru sussurrou isso próximo ao ouvido de Rin e se levantou saindo do quarto da garota que agora se encontrava confusa com a resposta no mínimo inusitada do rapaz. 

 

- Mas o que isso significa? - perguntou Sango dando mais um gole no MilkShake. A garota se encontrava enorme, já próxima dos dias de ganhar nenem. 

- É parte de uma música. Demons - Imagine Dragons. - disse Rin olhando para as amigas. 

- Mas você chegou a olhar a letra dela toda? - perguntou Kagome. - Tem algo romântico nela?

- Depende muito. Acho que… não sei… não sei o que significa. - disse Rin. 

- Vou olhar na internet. - disse Sango. 

- Vou também. - disse Kagome.  

 

As meninas leram a letra da música e ficaram caladas pensativas por um tempo.

- É no mínimo perturbador. - disse Sango. 

- Conhecendo Sesshoumaru do jeito que conheço eu imagino que ele realmente tenha sentimentos por você, mas ele não quer ter. - disse Kagome séria. - Provavelmente você deve estar fazendo da vida dele um inferno morando lá, porque ele te deseja, mas não sente que é bom para você. 

- Será? Sesshoumaru sempre me pareceu um homem frio. - disse Sango.

- Ele é frio porque tem traumas com a mãe biológica. - disse Kagome.

- Verdade! - disse Rin confirmando o que a cunhada falava.

- Então ele precisa tratar esses traumas. - disse Sango.

- Sesshoumaru deve ter associado o amor à dor. - disse Kagome. - e agora ele se sente incapaz de se entregar, e por isso não quer nada com a Rin. 

- Animadora essa conversa. - disse Rin voltando a beber o suco. 

- Rin, não desista do Sesshoumaru. - disse Kagome colocando as mãos em cima dos da garota. - Eu sei que você o vê agora como o salvador da pátria por tudo que ele fez por você, mas saiba que é você quem vai salvar o Sesshoumaru. Dele mesmo. De seus medos e angústia e de uma vida de solidão. 

- Acho que você está colocando responsabilidades demais nas minhas costas. - disse a garota se arrepiando com o comentário da cunhada. Ela, salvar Sesshoumaru? 

- Não desista dele. - disse Kagome.

- Ei, Kagome, não coloque esse peso sobre a Rin. - disse Sango.

- Ela ama ele, Sango, tá na cara. - disse Kagome fazendo a menina corar de forma violenta. - Ele tem sentimentos por você, você só precisa agora descobrir uma forma de adentrar o território dele. 


 

Rin voltou para casa decidida. Se Kagome, que a anos conhecia os Taishos, achava que Sesshoumaru nutria sentimentos por ela, era porque provavelmente ele nutria. Ela correu para seu quarto se limitando apenas a cumprimentar Jaken e foi se arrumar para a festa. Sesshoumaru que a aguardasse, ela não desistiria tão fácil quanto na lua-de-mel.

 



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