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História Armageddon - Capítulo 1


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Capítulo 1 - "(...) e havia trevas sobre a face do abismo." Gênesis 1:2


Anjos e Demônios, bem e mal, a dualidade que define o Universo e quem somos, tudo isso faz com que nós humanos olhemos para o alto suplicando pela ajuda dos céus, esperando que alguma entidade superior olhe para nós e nos guie rumo a algo melhor.

 Eis a novidade: Não tem ninguém olhando por nós.

 Já nessa altura, você deve estar se perguntando: como raios eu posso afirmar uma coisa dessas? Podemos dizer que eu seja uma das únicas pessoas nessa merda de universo que pode falar isso, pois eu conheci deus, lutei, morri e renasci ao seu lado.

 Vamos com calma, você nem deve me conhecer ainda, estou precipitando as coisas, meu nome é Ícaro, sou um rapaz de 24 anos (sem piadinhas, por favor!) que trabalha em um supermercado dentro do estado de São Paulo, e em 24 horas, minha vida seria colocada no centro da maior batalha da história de todo o Universo.

 Minha infância não foram as das mais normais, para os padrões da sociedade. Quando pequeno eu contava para minha mãe que conseguia ver coisas que outras pessoas jamais ousariam em sonhar, coisas tão horrendas, que o mero vislumbre poderia jogar você em um mar de insanidade praticamente infinito.

E foi o que acabou acontecendo, depois de passar em vários psiquiatras e tomar uma infinidade de remédios, fui parar no hospital psiquiátrico Santa Dipma, que coincidentemente, ou não, era a santa dos doentes mentais. E lá fiquei, dos meus 16 até os 18 anos, que foi quando o psiquiatra Fernando Castro me declarou mentalmente saudável, contanto que eu continuasse tomando minhas medicações. Sujeito bacana, magro e alto, com um nariz pontudo e grande, usava um óculos fundo de garrafa que fazia seus olhos serem bem maiores do que eram, seus cabelos grisalhos davam uma aparência de sabedoria e loucura pra ele, como se ele fosse um dos loucos que tivessem matado um doutor para estar no lugar dele.

- Você já está aqui a muito tempo Ícaro, e apresentou uma melhora considerável do seu quadro de instabilidade emocional e alucinações, não vejo mais sentido de manter você dentro deste lugar sendo que já o considero apto para voltar a sociedade!

Foi um dos momentos mais felizes da minha vida, no dia seguinte meus pais vieram me buscar e eu estava novamente nas ruas, pude ver novamente pessoas que não queriam comer o próprio cabelo ou que não achavam que elas estavam ali por serem a reencarnação de Adolf Hitler, mas pessoas normais, que apenas queriam trabalhar, encontrar um amor e seguir com as suas vidas normalmente, sem nenhum monstro espreitando o menor erro delas para consumirem tudo o que há de bom de suas almas.

Ao chegar em casa, meu irmão Rodrigo me esperava com uma fantasia de monstro, e confesso que levei um belo susto. Tínhamos 10 anos de diferença entre nós, ele tinha 8 anos enquanto eu 18 na época, ele era um garoto robusto, mais pálido que uma vela, considerando que ele passava a maior parte do seu tempo jogando no celular, tinha um cabelo grande que insistia em deixar crescer, porque segundo ele, fazia ele ficar parecido com o seu ídolo: Ozzy Osbourne, vocalista do Black Sabatth. Ele era muito alto para a sua idade, e de vez em quando meio tapado também, mas tinha um dos corações mais bondosos que eu já vi na minha vida, ele era mais parecido com a minha mãe.

Minha mãe era igualmente alta, e possuía ombros largos e um rosto severo e um pouco quadrado mantinha o cabelo sempre pintado porque tinha medo que os fios brancos denunciassem a sua idade, não que segunda ela, isso importasse no final das contas. Ela possui tatuagens em ambos os braços e amava contar histórias sobre como a sua juventude foi louca. Meu pai por outro lado, já era mais reservado, possuía um cabelo grande e um estilo que conferia a ele o título de hippie da família, mas que ainda assim fazia de tudo para que nós tivemos o provento mensalmente em casa, diziam que eu me parecia muito com ele.

Depois de algum tempo, tentei arranjar um emprego que me pagasse razoavelmente bem, pelo menos para me manter e também fazer um curso que me garantisse um bom emprego dada as circunstâncias. E foi o que eu fiz, comecei a fazer uma faculdade de administração e consegui um emprego de Telemarketing, cujo qual fui demitido em poucos meses, dizendo eles que sofria de instabilidade emocional, só porque eu soquei o computador, saiu fumaça, mas não quebrou.

Logo após vários trabalhos, cada um mais diferente que o outro, eu consegui este emprego de repositor em um supermercado perto de casa, e estou aqui desde meus 22 anos, e estou contente com este emprego, tem um salário razoável e dá pra pagar a faculdade e me manter.

O único ponto que eu mudaria era o meu chefe: Josué, um cara que pagava de simpático mas que ao menor sinal de oportunidade, te apunhalava pelas costas, ele sempre estava esperando a menor brecha de alguém para poder prejudica-lo. Para um rosto grande e redondo, ele tinha um olho desproporcionalmente pequeno em relação ao grande nariz, mas estava sempre atento aos funcionários, esperando o menor deslize para dedurar para a gerente chefe: Damares, uma mulher alta e robusta, que gostava de aparentar pelas vestimentas que ganhava mais do que realmente recebia, gostava de manter seus cabelos sempre hidratados, mostrando mais uma vez que grande parte do seu dinheiro ia apenas para cuidar dele.

- Ícaro, a Ana vai precisar sair este final de semana, pode ficar no lugar dela? – Disse o Josué, já esperando uma resposta positiva, afinal de contas, ele adorava falar para a gerente quem ficava ou não de extra, mas não seria desta vez que ele iria ter o que queria.

- Infelizmente eu não posso, eu tenho que fazer os trabalhos da faculdade, e resolvi tirar este final de semana para estudar, afinal de contas, as provas estão chegando.

- Você sabe que a Damares não gosta muito de receber "não" né? – A voz dele continha um grande ar de sarcasmo e ameaça.

- Sei, infelizmente eu sei, porém realmente não irei poder ficar neste final de sema- Antes que eu pudesse terminar, ele já estava com a mão no meu ombro e olhando fixamente para os meus olhos.

- Escuta Ícaro, eu gosto muito de você, você é um funcionário exemplar e está sempre fora de confusões, mas com seu histórico de hospitais... – odiava essas pausas dramáticas – O menor deslize pode te tirar do time principal, se é que você me entende... – e odiava ainda mais ameaças – Então, posso contar com a sua colaboração?

- Sim, eu dou o meu jeito!

- Ótimo, precisamos de mais funcionários como você dentro deste mercado – disse ele anotando meu nome na sua prancheta com um sorriso no rosto.

Infelizmente teria que ficar até mais tarde no final de semana porque a Ana precisava sair. Ela era a funcionária mais bonita do mercado e utilizava seus “dotes”, para fazer os homens fazerem qualquer coisa pra ela, inclusive dar folga no final de semana para ela fazer sabe se lá deus o que. Ela era pequena, mas tinha um corpo realmente escultural, ela deixava seus cabelos crescerem até metade das costas, negros como a noite, ela tinha um rosto fino e um sorriso encantador, seu olhar penetrante e provocador fazia qualquer homem delirar de vontade de se entregar aquela mulher.

Seja como for, não tinha nada para fazer mesmo, levava uma vida relativamente desinteressante, era do trabalho para a faculdade, da faculdade para a casa, e assim era minha rotina dia após dia, minhas válvulas de escape eram as histórias em quadrinhos e filmes que me faziam viajar para novos universos e lugares que eu sabia que jamais iria conseguir chegar.

Então, em uma noite de sábado, minha vida estava prestes a mudar radicalmente quando aquele homem apareceu.

Eu estava trabalhando no setor de bebidas do mercado quando eu o vi pela primeira vez. Ele era um homem alto, cujo rosto quadrado marcava uma idade mais avançada do que aparentava, sua presença era intimidadora e fazia você se dobrar perante a sua presença. Suas roupas eram sujas e batidas, mas ele tinha um sobretudo de couro meio marrom, que trazia um ar ainda mais intimidador nele. Seu chapéu era aquele de cowboy americano, meio que dobrado no topo e combinava com o sobretudo.

Seu visual apesar de estar parecendo um Cosplay dos filmes do Clint Eastwood, não fez ninguém dar risada dele, mas simplesmente passava indiferente para as pessoas, como se essa intimidação não aparecesse para elas, e fosse apenas para mim. Mas apenas ignorei, talvez fosse uma regra de etiqueta imposta por aquele homem que fazia as pessoas fingirem não se importarem com aquele visual totalmente bizarro e fora de moda, até que...

- Garoto, boa tarde, teria como ver para mim dentro do estoque se tem o Whisky Jack Daniels? Não consigo encontra-lo aqui – Sua voz parecia um trovão, e fez com que minha alma congelasse assim que o som dela entrou em contato com meus tímpanos.

- C-c-c-c-claro... hã... vou dar uma olhada ali fora, quero dizer, dentro do estoque, se você aguardar um pouco, eu posso... só um momento!

Realmente não sei o que me deu, eu simplesmente comecei a correr desenfreadamente, com uma vontade quase natural de me esconder daquele homem. Entrei no estoque sem fôlego, e tentei achar um lugar aonde eu pudesse me esconder e sair do campo de olhar daquele homem, e então um pensamento me veio:

“E se ele viesse atrás de mim?”

Apanhar de um cara vestido de cowboy não seria algo muito legal para acontecer comigo, principalmente com a minha fama de louco, eu tinha que voltar com a bebida para aquele homem, antes de alguma coisa de mais grave acontecesse comigo. Foi quando eu olhei para o alto, e como se fosse quase o destino, ali estava o que eu disse para ele que vim buscar.

Com as pernas bambas, peguei a caixa e me dirigi novamente para onde aquele homem estava, e quando eu cheguei lá, ele ainda estava parado olhando as bebidas, como se ele nem tivesse se importado com a minha atitude completamente estranha, e antes que eu criasse coragem para abrir a boca, ele falou novamente:

- Surpreendente, após vagar de país em país, você é a primeira pessoa depois de muitos anos que conseguiu ver a minha forma verdadeira, você é médium ou algo do tipo?

Simplesmente não conseguia dizer nada, apenas sentir um medo quase que primitivo daquele homem, ainda mais quando ele chegava mais perto. Espera... Ele está chegando mais perto, meu deus, socorro...

- Eu entendo que esta minha forma possa causar um certo medo primitivo dentro de você, e tudo bem, apenas se acalme!

E então ele coloca a mão no meu ombro e uma onda de paz enorme preenche o meu ser, como se de repente tudo ficasse bem, eu não sentia mais o medo irracional daquele homem.

- Quem... Quem é você?

Ele sorri gentilmente, olha nos meus olhos e diz:

- Eu sou Deus!


Notas Finais


Seria apenas o começo de uma das sagas mais instigantes que você já leu, caro(a) leitor(a)?
Acompanhe o próximo capítulo cheio de surpresas.
Quando a verdade será revelada, e ela vós libertará...


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