1. Spirit Fanfics >
  2. Armário Otário >
  3. Ela vai ler quando saber.

História Armário Otário - Capítulo 5


Escrita por:


Notas do Autor


Agradeço desde já pelos feedbacks do último capítulo, fico feliz em saber que tantos estão gostando <3
Não lembro se comentei no capítulo passado por alzheimer, mas vou atualizar todo primeiro fim de semana do mês. Já tenho uns capítulos prontos, então posso terminar de escrever a fic toda em breve e, se isso acontecer, os capítulos sairão a cada quinze dias.
Sem mais, vamos aos dramas da pequena menina Wendy (apenas saudades dela esses dias, tho).

Boa leitura e até as notas finais! o/

Capítulo 5 - Ela vai ler quando saber.


Wendy se lembrou de enviar a mensagem para Seulgi assim que chegou em seu quarto, antes mesmo de tirar o uniforme ou tomar banho. Seulgi demorou um pouquinho para respondê-la, justificando que havia acabado de sair do clube, e foi rápida em mandar o arquivo do desenho depois disso. Wendy agradeceu vezes o suficiente e com várias figurinhas que, para ela, transmitiam sua gratidão. Ela não costumava ser uma pessoa de carinhas e figurinhas, mas acabou sendo influenciada por Joohyun, com o tempo, que mandava mensagens como se tivesse três vezes a idade.

Achou que a conversa tinha acabado por ali, até sentir o celular vibrar em sua barriga alguns minutos depois, enquanto estava deitada no colchão com os olhos presos ao teto. Sua preguiça a impediu de mover mais do que uma única mão para pegar o celular e desbloqueá-lo como pôde.

“Chegou bem em casa?”

Wendy precisou ler a frase umas três vezes para registrar o que ali estava escrito. Ficou até sem saber o que responder, por alguns segundos.

“Ah, sim, cheguei há um tempo, mas me joguei na cama e assim estou desde que cheguei.”

Seulgi mandou umas risadas, mas continuou a digitar depois.

“Me convença a não fazer o mesmo ou não irei levantar hoje e tenho um monte de coisa para fazer. Ah, e acabei de chegar, à propósito.”

Wendy riu, mas sabia que ela estava na mesma situação.

“Estou de olho então, Kang Seulgi.”

Por que Joohyun dizia que ela não era engraçada? Wendy se achava engraçada. Só não esperava que Seulgi também tivesse bom gosto para comédia. A Kang logo em seguida a mandou uma foto com o paletó sobre o rosto, como se o usasse para se esconder. Wendy fez de tudo para segurar o riso, pois sempre que os pais a viam rindo para o celular era um interrogatório diferente. Maus de ser filha única.

“Ainda estou te vendo...

“Droga.”

A resposta demorou um pouquinho, mas veio junto de uma foto de Seulgi fazendo uma careta de decepção. Tá, estava explicado de onde Seulgi tirava o bom humor para os seus quadrinhos. Antes que Wendy pudesse pensar em uma resposta que não fosse uma carinha risonha, outra mensagem surgiu no fundo da conversa.

“Faremos o seguinte, então. Aposto que saio do banho primeiro do que você.”

Wendy ergueu uma das sobrancelhas para aquela mensagem. Quê?

“Já, valendo!”

Wendy podia imaginar Seulgi correndo pela casa em direção ao banheiro, enquanto ela permaneceu deitada.

“Yah, assim não vale!”

Sem muita pressa, Wendy atirou o celular na cama e puxou a mochila, que também havia atirado no colchão quando chegou, para perto de si. Abriu o bolso maior e dali tirou a seu envelope, abrindo-o. Passou os olhos mais uma vez pela carta antes de desdobrar o desenho, o admirando mais uma vez antes de se levantar. Caminhou até sua escrivaninha e esticou o papel o máximo que pôde, colocando alguns livros pesados na esperança de que aquilo esticasse um pouco mais o papel.

Teria que arrumar um bom lugar no seu quadro de avisos de cortiça para pregar o desenho em um lugar digno. Aproveitou para arrancar lembretes antigos e jogou-os no cestinho de lixo ao lado da sua mesa de estudos. Organizar tudo ficaria para depois do banho, porém, e ela sabia que não ganharia aquela aposta. Era difícil alguém demorar mais do que ela no banho, afinal de contas, então talvez devesse arrumar aquilo de uma vez.

Seulgi só não contava com aquilo. Assim como Wendy não contava que em menos de dez minutos de limpeza de quadro de avisos receberia outra mensagem. Dessa vez uma foto de Seulgi com os cabelos molhados e em estado caótico enquanto fazia o sinal da paz para a câmera, com uma careta engraçada e a legenda “prontinha”.

“Tão rápido?!”

“Mas prometo que tomei banho direitinho!”

Kang Seulgi era um pouco exótica, para dizer o mínimo. Não que fosse algo ruim.

...

Wendy tinha muito a resolver já no começo da semana. Foi duro pensar em como se aproximar de Lucas e, depois de mil e uma ideias e planos mirabolantes, Wendy decidiu que uma aproximação natural seria a mais eficaz. Daria um jeito de encontrar Lucas pelos corredores ou após seu treino, e então o convidaria para sair, como uma mulher de atitude.

Aquilo seria para depois da última aula, porém. Antes de seu tedioso dia escolar começar, Wendy também tinha uma pequena missão para cumprir. Havia elaborado um plano para acabar com o seu trauma de armários, e ele consistia em enviar uma para o remetente certo. Mais como uma carta de agradecimento, talvez? Pelo menos dessa vez tinha certeza a quem pertencia o armário noventa e quatro. Seria uma espécie de brincadeirinha, ou ao menos ela tinha achado engraçada, e achava que Seulgi compartilharia seu senso de humor.

Foi confiante até o armário azul de número noventa e quatro e passou o pequeno envelope pela fresta, com a confiança que nunca tivera antes. Dessa vez estava certa de que não haveriam enganos e muito menos passaria vergonha. Certo?

Errado.

- Wendy-ssi! – Aquela voz rouca e sotaque fizeram Wendy literalmente pular e dar um berro nada fofinho. Lucas. – Ih, te assustei? Foi mal!

- N-não, tá tudo bem! – Não estava não. Wendy encarava Wong Lucas como se estivesse vendo um fantasma, enquanto sua mão repousava no peito e ela respirava afobada.

- O que você colocou aqui, uma carta? – Casualmente, o rapaz apenas abriu o armário e fez uma troca de livros, tirando um de sua bolsa e pegando outro do armário, como se todos fossem dele. Wendy tentou, mas não entendeu de pronto aquela logística. – Quer que eu entregue para ela?

- Quê? - Wendy nem havia escutado. Não sabia se pelo susto ou se tinha sido hipnotizada. Talvez o primeiro ainda tivesse peso maior.

- Se você quiser eu posso entregar. – Lucas puxou a cartinha entre os dedos e a mostrou. Wendy se sentiu ligeiramente violada.

- Ahn...

- Digo de quem foi ou é segredo? – Wendy nem teve tempo de processar e veio outra pergunta.

- Ela vai ler quando saber. Digo... – A fala saiu tão no automático que Wendy demorou a perceber como a frase acabou saindo.  Pronto, tinha passado vergonha, Lucas estava rindo da sua cara. – Você entendeu. Quero dizer, não tudo, talvez não seja o que você está pensando.

- Eu não tenho nada que me meter. – Lucas ergueu os braços em inocência e fechou o armário logo em seguida. – Até mais, Wendy-ssi.

- Ah, antes que eu esqueça! – Wendy disse por reflexo, mas não podia deixar o garoto escapar. Se deixasse, não teria a mesma coragem novamente. – Topa sair? Qualquer dia?

- Sair tipo eu e você...? – Surpreso, Lucas ficou apontando para si e para a garota a sua frente, que assentiu tão confiante que parecia até brava. – Topo, ué. Bora sexta?

- Essa sexta? – Wendy seu interior gelar. Foi tão rápido e tão fácil assim?! – Claro, pode ser essa sexta. – Deu de ombros, como se fosse algo casual. Só não era.

- Eu te mando mensagem mais tarde. – Lucas entregou seu celular desbloqueado para Wendy, que de pronto entendeu o recado. Seus dedos até tremiam de nervoso. – Bem, até sexta, então. – Lucas se despediu ao pegar o celular de volta, fazendo uma continência antes de se virar de costas, caminhando do seu jeitinho confiante com a carta de Seulgi entre os dedos.

- Meu deus, o que eu fiz... – Wendy lamentou em um sussurro e se recostou aos armários como se aquela interação tivesse consumido todas as suas energias vitais.

Infelizmente, não estava morta, e teria que lidar com todas as crises de ansiedade que teria até o fatídico dia.

...

Seulgi tinha que aproveitar cada segundo de seu tempo livre para recuperar o ritmo de atualizações do seu webtoon. Os minutos que tinha antes do início da aula e um fone de ouvido com isolamento acústico vinham sendo seus aliados para terminar o rascunho do próximo capítulo. O seu maior inimigo? Aquele monte de cutucão em seu ombro esquerdo que ela fazia de tudo para ignorar.

Mas até Kang Seulgi se irrita, algumas vezes.

- Yah, o que foi? – Virou-se para trás ao tirar os fones de ouvido e na mesma hora viu Lucas estendendo um envelope rosinha para ela. – Eu não retribuo aos seus sentimentos.

- Encomenda, madame. Eu não sou do tipo que manda carta. – Seulgi revirou os olhos, mas pegou a cartinha para si. Não precisou nem abrir para saber de quem era. Tinha o mesmo cheirinho da primeira. Foi um detalhe proposital.

– Pera, como você conseguiu isso? É para mim mesmo?

- A gente se esbarrou quando a Son foi deixar no seu armário, aí eu perguntei se ela queria que eu entregasse. – Lucas sabia que Seulgi podia ser esperta quando o déficit de atenção não a atrapalhava. – Infelizmente não poderei encher mais seu saco por causa disso, mas eu supero.

- Ué... – Wendy havia lhe pedido para entregar uma carta para ela e agora ele pararia com as provocações, era isso mesmo?

- Ela me chamou para sair, cê acredita? – Lucas se aproximou, sussurrando. Se Seulgi antes estava sorrindo, tornou-se apenas boquiaberta. – Pois é, puft... – “Puft” era o som da cabeça dele explodindo, e Lucas demonstrou isso com um gesto de mãos. Só que ele pareceu se tocar de uma coisa, depois da pequena encenação. – Mas, pera, tudo bem por você, não? Eu não quero ser fura olho! Qualquer coisa eu finjo uma dor de barriga na sexta e -

- Não, quantas vezes eu disse que éramos apenas amigas e você fingiu não acreditar? – Seulgi disse com tanta convicção que Lucas, culpado, sorriu amarelo. – Só estou de olho no senhor.

- Aigo, pode ficar tranquila. Já planejei um rolê bem de família. – Lucas tocou com o indicador na têmpora, sorrindo para a própria genialidade. – Até porque você vai me ajudar.

- Uhum, tá. – Seulgi brincou ao revirar os olhos e viu Lucas rir antes se virar para frente.

Seulgi encarou o envelope por algum tempo, em dilema se devia abri-lo naquele momento ou não. Decidiu por deixa-la sob as folhas de desenho, leria depois. Colocou os fones de ouvido para se isolar do mundo outra vez e concentrou-se em sua tarefa anterior.

Sua prioridade seria terminar aqueles rascunhos antes que o professor chegasse. Seungwan poderia esperar um pouquinho.

...

A curiosidade de Wendy foi saciada ao fim do dia da mesma segunda-feira. Lucas disse que sairiam às 19h de uma sexta e que a encontraria na frente da casa dos Son, mas manteve segredo para onde iriam, no encontro, o que só agravou os surtos de Wendy.

Ela até desabafou com Joohyun na terça, na quarta e na quinta também, mas, como não queria abusar da paciência da amiga, não foram conversas de tanta ajuda. Joohyun só falava que devia se preparar para tudo, mas sem se preparar demais para não parecer desesperada.

Qual era o sentido daquilo, meu pai? E quem era Joohyun na fila do pão para dar conselhos amorosos, aliás?

O resultado disso é que na quinta-feira, Wendy acordou perturbada, foi para a escola perturbada, voltou para casa perturbada e jantou perturbada. Tentou começar a fazer os deveres, mas, perturbada, olhou no relógio por procrastinação e viu que esse marcava dezenove e trinta.

Tinha menos de vinte e quatro horas e nem sabia o que ia vestir, para começo de conversa. Falando em conversa, não tinha preparado nem mesmo os assuntos para cobrir os possíveis silêncios constrangedores! Estava fadada a parecer uma burra maltrapilha!

Uma notificação de SMS – de sua operadora, claro, quem manda SMS? – fez a atenção de Wendy recair sobre o celular. Tão logo uma ideia que parecia brilhante surgiu em sua cabeça, mas Wendy relutou. Relutou e relutou. Relutou tanto que cedeu. Mandou tudo para o espaço e foi direto para sua conversa com Seulgi. A última mensagem tinha sido enviada por ela, um “boa noite”, ainda no domingo.

“Está em casa?

Tem problema eu ir agora?

Eu preciso conversar e queria muito que fosse pessoalmente.”

Demorou para Seulgi vir com uma resposta. Tanto que Wendy estava quase quebrando o recorde mundial de velocidade em bater o lápis contra o caderno.

“Não acho que você queira vir aqui, sinceramente.”

Wendy franziu a testa. Estava quase para chorar de desespero, mas Seulgi continuou.

“Meus pais não estão em casa.”

E daí?

“Meu irmão trouxe uma namorada que nunca vi antes na vida.

Eu queria ser surda.”

Wendy sentia por Seulgi, realmente sentia. Até por isso cobriu a boca para abafar o riso, em respeito, ainda que a Kang ainda não estivesse ali.

“É, eu acho que não é a primeira impressão que eu quero ter do seu irmão.”

“Eu não queria ter nunca.”

Pelo menos Wendy não era a única apaixonada por figurinhas de gatinho. Aquele triste era mesmo de partir o coração.

“Mas se você quiser, eu posso ir até aí.

Finja que eu não estou tentando fugir de álgebra, por favor.”

Artistas e sua perseguição com matemática, a melhor matéria. Wendy não demorou a digitar seu endereço.

“Bata na porta, a campainha quebrou.

E venha agasalhada, preciso caminhar para espairecer.”

...

Wendy desceu correndo as escadas e gritou um “eu atendo” aos seus pais após ouvir que sua visita havia chegado. Passou a mão rapidamente pelos cabelos algumas vezes e ajustou o próprio casaco antes de abrir a porta. Seulgi a esperava do lado de fora, com as mãos nos bolsos de mais um de seus folgados moletons de capuz. Estava com o cabelo solto, por algum milagre, talvez para esquentar as orelhas, mas o sorriso era o mesmo de sempre.

- Vamos? – Seulgi indicou com a cabeça e Wendy assentiu.

- Estamos saindo! – Wendy avisou antes de sair e fechar a porta trás de si, podendo ouvir ainda a voz de sua mãe a consentir. Seulgi a olhou de modo questionador. – Eu tinha avisado.

Foi a vez de Seulgi assentir. Caminharam por algum tempo, lado a lado, mas em silêncio. Não era desconfortável, e até a brisa gelada da noite parecia trazer consigo uma sensação de liberdade. Seulgi, de seus deveres, Wendy, de suas aflições. Seulgi com toda certeza poderia suportar o silêncio por mais tempo, mas sua curiosidade foi mais forte.

- Então...? – Indagou em um tom divertido e Wendy riu baixinho ao desviar o olhar. – Você parecia mais desesperada por mensagem.

- Eu estava mesmo desesperada. Agora que você chegou e eu pude fugir estou um pouco mais calma. – E de fato, Wendy conseguia falar sem contorcer os dedos.

- Fique à vontade para desabafar. – Seulgi gesticulou como se cedesse passagem e Wendy concordou com a cabeça, mas ficou em silêncio por algum tempo, provavelmente pensando em como começar.

- Eu estou com medo de não ser suficiente, basicamente. – Wendy confessou com um suspiro e Seulgi franziu a testa para ela. – Quero dizer, eu não sei se vou conseguir manter um assunto ou parecer interessante por tanto tempo. Não sei o que eu deveria vestir e não acho que tenho nada decente, sinceramente. Eu com certeza não sou o tipo de garota com quem ele deve estar acostumado a sair e vou ser a maior decepção desse encontro.

- Quanto a falar, não se preocupe. Sabe Joohyun? Imagine o oposto. Vai pedir para ele parar de falar. – Wendy riu da pequena comparação. Seulgi a encarava como se tivesse dito um absurdo. – E Lucas também não é o estereótipo de atleta dos seriados, então esqueça a ideia do bonitão inalcançável. Mas quer minha opinião sincera?

- Por favor. – Wendy aquiesceu com firmeza.

- Não vejo como você possa ser desinteressante, a menos que tente transmitir algo que não é. – Filosófico, mas não tão complexo quanto os argumentos da Bae. – Seja Son Seungwan, apenas Son Seungwan, e eu não vejo motivos para ele não gostar de você.

- Fala sério. – Wendy riu ao revirar os olhos. Que tipo de piada era aquela?

- É verdade! – Seulgi exclamou e parou de caminhar, influenciando Wendy a fazer o mesmo. Apenas se virou de frente para a garota e colocou as mãos nos ombros da Son, continuando a encará-la. Sem entender que tipo de conclusão devia tirar daquilo, Wendy voltou a rir.

- O que foi?

- Assim mesmo. Son Seungwan já é perfeita sendo Son Seungwan. – Céus, aquilo foi tão brega e capenga e meigo que Wendy quase explodiu de vergonha alheia e gratidão ao mesmo tempo. – Poderia te transportar desse mesmo jeitinho para o encontro e aposto que ele concordaria comigo.

- Com esse casaco velho cheio de bolinhas? – Wendy insistiu em negar mesmo assim. Até porque “perfeita” era demais, principalmente depois de todos os seus planos malignos que envolviam a garota que tinha acabado de falar aquilo.

- Diz que você mantém bem e por muito tempo as coisas das quais realmente gosta. – Seulgi deu uns tapinhas em seu ombro e voltou a andar.

- Profundo. – Wendy riu cabisbaixa e também voltou a caminhar, tão logo alcançando Seulgi. – Mas obrigada.

- Fique tranquila que dará tudo certo. – Seulgi dizia aquilo com tanta certeza que Wendy estava quase se sentindo confiante.

- Eu não tenho muita experiência com encontros, então... – Wendy coçou a própria nuca ao admitir. – Já fui a alguns, mais por conveniência do que vontade própria, então é estranho.

- Uau, “alguns”?! – Ao mesmo tempo que fingia estar impressionada, estava claro para Wendy que Seulgi tentava tirar uma com sua cara. Realmente, havia dito de um jeito esquisito.

- Foram só dois, eu juro! – Wendy tentou se corrigir e Seulgi só fingiu não acreditar. – Yah, Kang Seulgi... – Wendy choramingou e acertou a garota ao seu lado com um soquinho.

Sim, ela estava fazendo aegyo. E não tinha ninguém na rua para julgá-la, então não o faça.

- Eu acredito, eu acredito! – Seulgi se encolheu, antes que apanhasse novamente.

- Fica tirando uma com a minha cara, mas aposto que já foi a mais encontros do que eu. – Wendy fez um biquinho contrariado, mas tudo o que teve de resposta de Seulgi foi uma risadinha que não quis dizer nada. Merda, não conseguiria a resposta que queria. – Aigo, injusto.

- Foram dois com pessoas diferentes? – Seulgi perguntou e Wendy assentiu. – Então não.

- Tá, mas isso não quer dizer muita coisa. – Wendy insistiu e pressionou os lábios juntos. Wendy queria ficar brava, mas não conseguia.  Tinha sido enrolada, mas decidiu que seria sensato abortar o tópico. – Não nos falamos muito essa semana, não? A última mensagem era de domingo e mal nos encontramos na escola.

- Talvez por isso você tenha ficado tão irritada. – Seulgi tentou dar de ombros, mas era péssima atriz.

- Desculpa? – Wendy não conseguiu segurar o riso outra vez.

- Desculpa, é que eu estava colocando as coisas em ordem e parece que eu só sei focar em uma coisa por vez, isso quando consigo me concentrar em algo. – Seulgi coçou a nuca constrangida.

- Tudo bem, eu entendo. – Wendy balançou a cabeça positivamente. – O Lucas te entregou a carta, não entregou? – Achou melhor perguntar, já que Seulgi ainda não tinha mencionado nada a respeito.

- Entregou. Eu não li na mesma hora, porque tinha que terminar os desenhos, e então ele me contou que você tinha o chamado para sair, e depois veio aula de inglês, foi muita coisa para minha cabeça processar. – Quê? – Então eu guardei dentro do livro e só fui me lembrar de ler antes de dormir. Eu quase tive um ataque cardíaco porque achei que tinha perdido o livro com sua cartinha dentro, sério, eu quase chorei, mas eu estava procurando na mochila quando já tinha o tirado de lá.

- Chorado por isso? – Imaginar era engraçado, apesar de achar que Seulgi estava exagerando.

- Eu choro fácil, e eu fiquei triste de verdade. – Seulgi até arregalou os olhos para confirmar o que dizia. – Imaginei “nossa, Wendy tomou um tempo para escrever para mim e eu perdi sem ao menos ler? Como que vou dizer isso na cara dela?”.

- Fofa. Quero dizer. – Wendy vibrou os lábios com uma careta para si mesma, tirando qualquer importância do que havia acabado de falar. – Eu poderia ter dito simplesmente o que estava ali, foi mais uma brincadeirinha.

- Eu sei, mas... – Seulgi desistiu de tentar explicar no meio do caminho. – Eu gostei. Você disse nela que eu teria que adivinhar de quem se tratava, mas eu soube assim que peguei o envelope.

- Sério? – Wendy perguntou com um tom desconfiado que era pura fuleragem. O pior era que ela não duvidava nada daquilo.

- Uhum. Era o mesmo envelope rosa e tinha o seu perfume. – Seulgi se dizia uma cabeça oca, mas às vezes sua capacidade de lembrar de certos detalhes impressionavam a Son. – Gosta de boliche?

- Quê? – Wendy retornou ao mundo real após a pergunta, que por si só desviava do assunto, além de ser completamente aleatória. Haviam chegado a uma esquina e Seulgi apontava para o estabelecimento do outro lado da rua.

- Acertar uns pinos com toda a sua força pode ser bom para extravasar a ansiedade. – Seulgi sugeriu. Wendy parou para pensar um pouco.

- E o seu dever?

- Não é para essa semana, eu estava apenas adiantando. Obrigada por me tirar dele, aliás. – Seulgi confessou e Wendy riu da honestidade. – Em menos de uma hora terminamos e eu te deixo em casa para terminar sua tarefa.

- Seria bacana, mas eu estou literalmente zerada. Minha calça nem tem bolsos. – Wendy passou as mãos pelas costuras, para fazer o efeito dramático. Por que ainda faziam calças femininas com bolsos falsos, aliás?

- Não se preocupe. – Fuçando no bolso de seu casaco, Seulgi retirou um maço de dinheiro e folheou as várias notas como se fosse um rapper, a maioria delas de mil Won. Mero detalhe.

- Eu te chamei para dar uma volta, não para gastar seu dinheiro. – Wendy estava relutante. Odiava fazer as pessoas gastarem com ela.

- Eu vou me divertir também, não vou? Eu não vou ficar mais pobre por causa de uma noite no boliche. – Seulgi deu de ombros e continuou a encarando. Wendy tentou, mas não conseguiu resistir àqueles olhinhos, dos quais já tinha admitido a beleza, mas talvez fossem os mais bonitos de toda a escola.

- Tá bom, mas eu fico te devendo essa. – Wendy disse em tom de aviso, apontando para Seulgi, que deu soquinhos no ar em comemoração.

Sair com Seulgi era divertido, porque Seulgi era divertida.

- Você vai adorar, eu sou horrível. É vitória na certa. – Animada, Seulgi aguardou o sinal abrir para arrastar a Son em direção ao prédio do outro lado da rua, como uma criança animada a chegar logo no parque de diversões.

Ou era essa a única comparação que o cérebro de Son Seungwan conseguia fazer no momento.

...

Seulgi não fez nenhuma propaganda falsa. Ela era mesmo horrível no boliche.  De dez arremessos seus, um não passava pela canaleta. O pior é que a pose de profissional ela sabia fazer, e parecia até muito verídico e legal apenas a observando, mas lhe faltava todo o resto, ou seja, a técnica. Isso Seulgi não tinha nada.

Não que Wendy fosse boa e tivesse esperança de fazer um strike naquela noite, mas seu placar estava à frente do de Seulgi, pelo menos. E era muito terapêutico acertar os pinos com aquela bola pesada. Mentalizou cada um de seus problemas neles e logo não tinha mais nada na cabeça, então pôde começar a se divertir para valer. Rindo de si mesma quando por pouco não caía e comemorando com Seulgi com high-fives sempre que a Kang acertava mais do que dois ou três pinos.

Certamente passaram mais do que uma hora ali dentro, pois resolveram jogar mais de uma partida, no fim das contas. Tanto exercício físico acabou ocasionando fome. Na Kang, no caso. Seulgi pediu um hot-dog para si, mas Wendy aceitou apenas uma porção de batatas fritas que ainda compartilhou com Seulgi. Wendy descobriu que Seulgi era boa com comida, apesar da figura magra, e lembrava seu pai comendo? Ambos comiam como crianças e tinham problemas em lidar com molho. O pior é que Seulgi se sujava toda de mostarda e se não fosse por Wendy socorrendo suas bochechas com um guardanapo, provavelmente a garota nem notaria que estavam sujas.

A comida podia ter recuperado as energias de Seulgi, mas não lhe deu vantagem nenhuma na hora de jogar. Wendy venceu as duas rodadas e com certeza saiu mais contente e confiante do boliche, com um milk-shake de chocolate de brinde. Seulgi havia escolhido um de banana, que Wendy constatou também estar muito bom, surpreendentemente, após pedir um gole. Talvez devesse fazer escolhas mais ousadas de vez em quando.

O milk-shake só não foi a escolha mais esperta a se fazer, pois tomá-lo enquanto caminhavam pelo friozinho da noite apenas fazia com que se encolhessem ainda mais dentro de seus casacos, mas não se arrependeram nem um pouco. Bom, pelo menos não Wendy.

Seulgi era a única que ainda tinha o copo de milk-shake quando chegaram em frente à casa de Wendy. Pararam em frente à porta e só então Wendy notou a bicicleta apoiada na parede, logo ao lado, sem corrente ou nada do tipo.

- Por que não pediu para botar para dentro? Podiam ter roubado!

- Quem quer uma bicicleta enferrujada e sem freio? – Seulgi riu, segura demais, para o gosto de Wendy. Até porque já não era muito inteligente andar num negócio sem freio no monte de sobe e desce que podia ser aquela cidade.

- Estou me segurando para não te dar uma bronca. – Wendy suspirou profundamente e Seulgi deu uma risadinha culpada, como uma criança que tem suas artes descobertas pelos pais.

– Espero que tenha se divertido, mas infelizmente agora lhe entrego para as lições de casa. – Seulgi estava prestes a vestir o gorro do casaco quando Wendy a interrompeu.

- Espera, não quer subir? Se eu puder pedir sua ajuda com mais uma coisinha... – Wendy juntou as mãos ao fazer o pedido e, sem pensar duas vezes, Seulgi concordou com a cabeça. Wendy comemorou animada e puxou Seulgi pela manga do casaco para dentro de casa. Estava elétrica, talvez por conta de tanto açúcar. A Kang mal teve tempo de registrar a aparência da mãe da Son, que estava pela sala. – Mãe, essa é Kang Seulgi. Kang Seulgi, essa é minha mãe. Estamos subindo!

- Sim, senhora. – A mulher respondeu, sem dar muita atenção, provavelmente acostumada com o jeito da filha. Seulgi mal teve tempo de tirar os sapatos e fazer uma reverência educada, pois já estava sendo arrastada novamente. Quase tropeçou no primeiro degrau da escada, por conta disso.

- Sinto que estou abusando demais de você, mas quero uma opinião sincera. – Wendy abriu a primeira porta a direita. Seulgi percebeu que suas casas eram parecidas, porém invertidas nas direções dos cômodos.

O quarto da Son era bastante fofo. Seulgi percebeu a predominância de rosa e azul pastéis nas decorações e roupas de cama. Wendy tinha muitos pôsteres, calendários e avisos colados pelas paredes, prateleiras cheias de livros, uma penteadeira com mais cosméticos que Seulgi tinha usado em toda a sua vida, logo ao lado de uma escrivaninha com materiais escolares bem organizados e o dever que fora deixado pela metade.

Wendy a soltou quando chegaram ali e foi em direção ao guarda-roupa. Seulgi se aproximou da escrivaninha e, como a desenhista que era, foi dar uma olhada nos tipos de lápis e canetas que a Son tinha, só para depois notar seu desenho exposto com destaque no quadro de avisos de Wendy. Sorriu como a bobona orgulhosa que era. Era bom saber que Wendy havia mesmo gostado.

- Você acha que eu deveria me vestir de um jeito mais maduro ou fofo? – Wendy perguntou ao abrir a porta do guarda-roupa.

- Lucas certamente não faz o tipo sério, então formal demais está fora de questão. – Seulgi sugou o canudo de seu milk-shake mais aguado do que tudo, mas ainda muito bom, e se aproximou de Seungwan após ouvir a pergunta.

- O que você sugere, então? – Wendy teve que disfarçar muito bem o susto que tomou quando se deu conta de que Seulgi estava logo atrás de si, quase perto demais.

- Hm... – Seulgi mussitou ao dar mais um gole em sua bebida e Wendy rapidamente desviou os olhos do biquinho aparentemente bem hidratado da outra para as suas roupas. Foco, Wendy distraída. – Eu gosto da jaqueta jeans ou a flanelada quadriculada.

- Certo... – Wendy respirou profundamente para retornar ao mundo real. – Uma cropped por baixo ficaria bom ou seria muito vulgar?

- Depende de onde ele vai te levar. E se vai estar frio. – Por algum motivo, Seulgi sempre olhava para o teto quando estava pensando.

- Cropped ou uma camiseta por dentro dos jeans. Decidirei isso amanhã. – Wendy confirmou com a cabeça para si mesma. Seulgi podia ser uma ótima conselheira, apesar de ela não achar. – Certo. E ondularei o cabelo, se der tempo.

- Viu? Não foi nada difícil. – Seulgi brincou e riu junto com Wendy quando uma leve cotovelada em sua costela esquerda. – E a maquiagem?

- Bem lembrado. – Wendy fechou a porta do armário e Seulgi a deu espaço para que fosse até a escrivaninha. – Eu quero algo mais natural, acho. Nada de vermelho. – Wendy pegou um dos seus estojos cheios de lip tints. Ergueu a manga do casaco e passou um pouco de cada um deles em seu antebraço, o esticando em direção a Kang. – Algo mais para o rosa ou para o coral?

- Hm... – Seulgi se aproximou mais para se aproximar. A pele de Wendy era bonita, clarinha, mas a garota provavelmente devia tomar mais sol para ser saudável. Mordeu o canudo enquanto encarava os dois batons, como se fosse uma escolha sem voltas num jogo de videogame. – O coral é mais o que você está procurando, acho. O rosa fica mais óbvio, mas é fofo.

- Concordo. – Wendy balançou o batom de coloração mais quente antes de devolver os dois ao seu devido lugar. – A parte triste é que eu me preocupo com isso, mas ele provavelmente não iria saber dizer a diferença entre os dois.

- Homens... – Seulgi deu de ombros antes de acrescentar, ao pensar um pouquinho melhor. – Ao menos os héteros e cis.

- Que susto, pensei que estava falando com Joohyun. – Wendy dramatizou ao colocar a mão sobre o peito. Seulgi riu, entendendo a brincadeira. – Mas vou ser obrigada a concordar, dessa vez.

- E provavelmente você deveria voltar a fazer seu dever... – Seulgi sugeriu e Wendy fez bico ao encarar o caderno aberto na mesa logo ao lado. – Você é quem está tentando fugir da lição agora.

- Mas é inglês, eu faço num piscar de olhos... – Wendy reclamou, mas Seulgi permaneceu irredutível, enquanto acabava com o resto do seu milk-shake. Wendy queria esmagá-la até a sufocar, por ser tão teimosa. – Tá, certo, você tem razão. Eu te acompanho até a porta.

Wendy liderou o caminho escadaria a baixo. Seulgi acenou e se despediu da senhora Son antes de se calçar. Wendy abriu a porta para ela, mas também foi para o lado de fora, encostando a porta atrás de si.

- Mil vezes obrigada por topar aparecer de uma hora para outra. E pelos conselhos, boliche, batata-frita, milk-shake e tudo mais... – À medida em que foi citando as coisas, Wendy percebeu o quanto tinha sido mimada. – Céus, Kang Seulgi, não precisava disso tudo!

- Você está mais calma agora, então valeu a pena. – Podia ser que Seulgi estivesse mentindo, mas aquele sorriso era contente e genuíno demais para Wendy duvidar. – Se for se sentir mal por isso, eu aceito mais bolo como compensação.

- Ah, eu sabia que tinha um motivo por traz de tudo isso. – Wendy cruzou os braços e franziu os olhos para Seulgi, que forçou um sorriso para ela. – Bom para mim saber que você gosta de comer. Azar seu, acabou de se tornar cobaia.

- À disposição. – Seulgi ajeitou a postura e bateu continência como um soldado. Wendy riu da má atuação e abaixou a cabeça para disfarçar um pouquinho o sorriso. Devia se despedir de uma vez de Seulgi, não? E apesar de não querer, também não sabia como prolongar a sua estadia.

- Devemos nos ver amanhã na escola. – Wendy falou e viu Seulgi assentir, mas ao mesmo tempo a Son e encontrava no meio de uma batalha interna contra a própria compaixão. Já tinha agradecido Seulgi com mil e uma palavras, mas ela era uma grande advogada dos gestos. Devia ceder às suas vontades ou não? Seria estranho demais? Seulgi ficaria desconfortável e aceitaria apenas para ser gentil? Porque ela conseguia imaginar exatamente isso. E por que aquela vontade lhe bateu de repente no fim das contas? Estava tão carente assim? Esperava que o encontro ajudasse com pelo menos aquilo.

- Então... – O sorriso de Seulgi já era envergonhado quando Wendy retornou ao mundo real. Mas o que a Kang poderia fazer, Wendy estava a encarando daquele jeito a meio minuto sem parar. Ela ficava tímida quando meninas bonitas a encaravam por tanto tempo, poxa.

- Vai parecer muito esquisito, até que eu sei que não é um costume muito normal e Joohyun odeia quando faço demais, mas posso te agradecer com um abraço? É rapidinho! E eu ainda faço o bolo depois, não estou tentando fugir!

Foi o pedido de abraço mais exótico que Seulgi recebeu, mas também o mais fofo. Tão fofo que Seulgi podia imaginar Yeri e Sooyoung vomitando de tão enjoadas, se tivessem presenciado aquilo.

- Claro, eu adoro abraços. – Seulgi se esforçou para não rir, pois Wendy estava visivelmente constrangida, e apenas abriu os braços.

Já Wendy, como não tinha como esconder sua cabeça num buraco, viu o abraço como uma maneira de se esconder do mundo – também conhecido como a própria Kang. Por isso a abraçou sem muita demora ao mesmo tempo em que escondeu o rosto no corpo de Seulgi. Apesar daquele casaco fofo e gigante, pôde perceber o quão aparentemente delicada era a cintura de Seulgi. Era como abraçar uma de suas pelúcias, tirando que era mais quentinho. E Seulgi abraçava como um urso, quase literalmente, mas Wendy chegou à conclusão que era a pressão ideal que abraços reconfortantes deviam ter. Ah, e o aroma de canela definitivamente vinha de Seulgi, mas não que ela estivesse cheirando a garota, só estavam perto demais. Em suma, o abraço de Seulgi era tão gostosinho que Wendy podia se imaginar ao som de Tracy Chapman cantando “Baby Can I Hold You”.

E então o pânico lhe atingiu como um raio e Wendy gelou dos pés à cabeça. Tracy Chapman? O que diabos ela estava pensando, pelo amor do senhor Jesus Cristo! E de todos os outros santos também! E dos que não eram santos!

- Boa noite, então, Seungwan. – Seulgi desfez o abraço aos poucos, gentil e cuidadosamente, bagunçando de leve o cabelo da Son ao se afastar, com um daqueles de seus sorrisos abobalhados típicos. Wendy devia checar sua pressão sanguínea com mais regularidade, pois se fosse um termômetro certamente teria explodido. – E boa sorte amanhã.

Wendy não sabia o que falar e duvidou também que tivesse voz para dizer qualquer coisa. Apenas observou, ligeiramente boquiaberta, Seulgi caminhar até a bicicleta e montar ali, para depois erguer o seu capuz.

- Ah, boa noite para você também. – Wendy se esforçou para dizer, ganhando outro sorriso em sua direção. – Você vai com esse copo na mão?

- Eu vou jogar na primeira lixeira que ver, não esquenta. – Seulgi ajeitou os pedais. – Termine o seu dever e tente dormir bem à noite, hm? – Seulgi falou e Wendy assentiu ao engolir em seco. A Kang Acenou e sorriu uma última vez antes de começar a pedalar rua a baixo.

Wendy permaneceu ali, paralisada, até Seulgi dobrar a esquina à esquerda e desaparecer de vista. Quando se deu por si, estava cheirando a manga do próprio casaco.

Canela.

De novo, o que ela estava fazendo?!

Wendy entrou em casa como um relâmpago, batendo todas as portas que encontrou pelo caminho e correndo para o seu quarto sem responder às perguntas de uma mãe desentendida com a mudança de humor repentina.

Wendy grunhiu irada, tirou o casaco de qualquer jeito e o atirou em qualquer lugar, como se fosse o motivo de tudo que dava errado em sua vida. Sentou-se à escrivaninha como quem não tem dó da cadeira e pegou o lápis como se estivesse de mal do coitado.

Passou os olhos por todas as frases que tinha de responder e não conseguiu registrar uma mísera palavra. Também jogou o lápis contra a mesa sem dó de estragar a ponta perfeitamente apontada. Seu problema de foco definitivamente não tinha sido resolvido.

E desde quando ela era do tipo que atira coisas?

Ou do tipo que surta por conta de um abraço numa amiga?

Wendy desistiu por completo de sua vida escolar e foi em direção a sua cama, recolhendo o casaco do chão no caminho antes de se jogar contra o colchão. Agarrou com ele o travesseiro mais próximo e se encolheu como que para se esconder do mundo e das próprias neuras, antes que as criasse.

Já tinha dúvidas se dormiria tão bem assim aquela noite...


Notas Finais


Vou mudar o nome da história para "gay panic", só faço a Wendy sofrer.
A princípio nos vemos daqui a um mês, ou daqui a quinze dias, vai depender da inspiração.

Até o próximo capítulo e beijos no heart! *3*


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...