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História Armas e bisturis - Capítulo 25


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Capítulo 25 - Capítulo XXIV


O jeito como os fios de cabelo de Tiffany deslizavam por seus dedos, lentamente. Finos, macios, um pouco mais claro por causa do sol nascente. A forma como sua mão cicatrizada descia e subia sobre o peito da morena, constante e regularmente, enquanto a médica respirava tranquilamente o ar novo da manhã. O modo como a cabeça dela se inclinava involuntariamente para o seu lado, como se Taeyeon tivesse uma força invisível que a atraísse, mesmo em sono profundo. O momento silencioso trazia paz. Era como se ela estivesse em uma bolha, deslocada da realidade, do mundo.

A loira segurou a mão de sua mulher e correu o polegar pela aliança. Tiffany era dela. Bem, não era dela, porque Tiffany não era nenhuma propriedade; ela simplesmente escolhera passar o resto da vida ao seu lado. E às vezes Taeyeon nem acreditava na sorte que tinha. Ela não viu nada daquilo acontecendo: não se viu apaixonar por Tiffany, não notou em que momento passou a aceitar sem brigas o sentimento, não notou, tão pouco, que Tiffany estava apaixonada por ela também. Por isso, quando a médica tinha pedido aquele beijo - o que as uniu para sempre - Taeyeon tinha ficado surpresa. Afinal, quais eram as chances de Tiffany estar na dela? Aparentemente, Taeyeon era uma ótima detetive quando não se tratava de sua vida pessoal. De uma forma ou de outra ela ficara maravilhada quando as duas decidiram assumir o namoro. Era um passo grande, algo que significava que a relação das duas estava tomando um rumo sério. Mas nada a tinha deixado tão feliz até aquela manhã...

Elas já estavam juntas por sete meses. Oficialmente juntas. É verdade que muitas coisas permaneciam iguais: os encontros, a estadia dela na casa de Tiffany, os gestos e toques de antes, os olhares e os sorrisos. Assumir aquilo que sentiam pela outra tinha adicionado uma nova coisa ao meio dessas: sexo. E depois de meses juntas, Taeyeon se sentia completamente à vontade com a morena. Naquela noite Tiffany tinha sugerido algo novo: strap-on. Taeyeon pareceu hesitar a princípio, mas no fundo a ideia a excitava, principalmente quando se lembrou de que aquilo era via para outras posições. É claro, tudo tinha sido um tanto quanto desajeitado e cuidadoso da primeira vez, sobretudo por causa do medo de machucar Tiffany. Mas Taeyeon aprendia rápido, e o fato de não irem trabalhar no dia seguinte implicava numa noite longa e cheia de amor - e desejo.

Taeyeon conhecia aquele corpo. Conhecia tão bem como a palma de sua mão, cada curva, cada pico, cada ponto sensível. Ela poderia ter Tiffany implorando por ela, mas em vez disso, ela preferia oferecer. Ela estava viciada na mulher, em seu cheiro, em seu gosto, em sua voz. E como qualquer outra droga, ela sempre queria por mais. O strap-on naquela noite tinha elevado o sexo a outro nível, e Taeyeon queria repetir as ações, as sensações, os movimentos.

Foi no ponto onde a madrugada se transformava em dia, durante o terceiro ato, que Taeyeon se deu conta de que aquilo que começaram era um círculo vicioso, interminável. Seu corpo estava cansado em um ponto que consideraria minimamente dolorido, mas ela precisava fazer aquilo mais uma vez. O corpo quente e também cansado de Tiffany estava guardado entre seus braços, e ela beijou sua nuca com carinho, tirando-a do sono leve em que se encontrava. Nenhuma palavra foi dita. A morena entendeu a demanda de Taeyeon e deitou de barriga para baixo na cama.

Taeyeon sorriu em malícia com a posição sugestiva de Tiffany. Ela deslizou os lábios da nuca para as costas da mulher, uma mão seguindo o movimento, traçando padrões com os dedos que queimavam a pele. A pele branca da morena estava marcada. Taeyeon a tinha arranhado das outras vezes? Ela não se lembrava, mas as marcas rosadas estavam lá e ela não conseguia imaginar de que outra forma elas tinham ido parar ali, senão pela força de seus próprios dedos. Ela depositou beijos seguindo a linha da coluna e parou a centímetros de seu quadril. Ela plantou um beijo demorado ali, no mesmo momento em que sua mão deslizou para parte interna das pernas. Tiffany inclinou o quadril para cima, permitindo que a mão de Taeyeon alcançasse sem dificuldade o destino final.

Ela gemeu em antecipação quando sentiu a mão da loira tocar-lhe o sexo, mas em provocação Taeyeon estava correndo os dedos entre os lábios, para cima e para baixo, como se espalhando o líquido que começava a se acumular ali, mais uma vez. Quando a morena tentou se virar, Taeyeon a manteve no lugar com uma única mão pressionada nas costas, e Tiffany gemeu em surpresa e prazer quando dedos a penetraram. Ela apertou o lençol com as mãos e respirou fundo. A loira estava provocando, os dedos deslizando para frente e para trás num ritmo lento demais para o gosto de Tiffany, e ela não conseguia evitar de se contorcer, pedindo por mais. Quando dedos abandonaram seu corpo, Tiffany sentiu uma falta terrível de Taeyeon, mas o sentimento logo foi substituído por uma onda de excitação quando, depois de plantar novos beijos em suas costas, a voz da loira soou roucamente em seu ouvido.

- De joelhos. - Taeyeon disse e lhe beijou a nuca antes de ela mesma se ajoelhar entre as pernas de Tiffany.

Obediente, a médica ajoelhou-se e arfou quando a loira passou as mãos pela sua barriga, obrigando-a a endireitar a postura. Tiffany encostou-se no peito da mulher e recebeu cada beijo colocado no seu pescoço, e virou o rosto apenas o suficiente para beijar os lábios da loira. Um gemido ecoou na boca de Taeyeon quando ela apertou seus seios, e os lábios da detetive voltaram a descer pelo seu pescoço, por uma busca minuciosa por pele não tocada, por curvas não exploradas.

Um arrepio correu por suas costas quando a mão quente da loira pousou ali, pressionando-a sugestivamente para frente. As mãos da morena apoiaram no macio da cama e o seu rosto se voltou para Taeyeon. Os olhares se cruzaram e Tiffany mordeu os lábios em excitação e apreensão. Elas nunca tinham feito desse jeito, ela estaria mais exposta do que nunca. Entretanto, sua confiança em Taeyeon era maior. Os olhos escuros como a noite emitiam desejo, e também um tipo sereno de amor. Aquela mulher tomaria conta dela. Ela piscou os olhos para dispensar a hesitação e sorriu para Taeyeon - um sorriso maroto, permissivo. Quando a detetive segurou sua cintura, ela empurrou o quadril para trás, provocativa.

Taeyeon mordeu o lábio e apertou os dedos na cintura da morena. Os dedos de uma mão só, já que a outra agora estava inadvertidamente pressionando contra o sexo inchado da morena. Tiffany gemeu baixo e fechou os olhos. Ela dançou o quadril na mão de Taeyeon, porque afinal de contas ela também sabia provocar, e o gemido vindo da outra mulher - rouco, carregado de excitação - só fez aumentar a umidade entre as pernas.

E Taeyeon soube que era a deixa. A loira sentia o coração bater acelerado no peito e o meio das pernas queimar. Em várias ocasiões, antes de se envolver com Tiffany, ela havia se perguntado como a morena era na cama. Em tão poucas ela se permitira imaginar tendo relações com a mulher, mas em nenhuma delas ela se imaginou usando um strap-on. Penetrando-a por trás.

Era excitante. Era algo ousado que ela não tinha cogitado antes, e se ela não estivesse tão excitada teria, quem sabe, ficado surpresa com a própria iniciativa. Mas agora tudo o que ela conseguia focar era em Tiffany em sua frente, dobrada de joelhos, respirando fundo e esperando...

Até que a espera tinha sido interrompida, e a interrupção fora anunciada por um gemido de prazer, de surpresa. Tiffany apertou o lençol com as mãos enquanto sentia Taeyeon preenchendo seu sexo, e o simples ato disparou uma onda de prazer que percorreu em abundância pelo seu corpo. Os músculos se tencionaram por vontade própria, e o ar foi expulso de seus pulmões em formato de alívio quando a voz rouca de Taeyeon ecoou em seu ouvido.

- Tae. - A voz era grave e cheia de pedidos.

A loira esperou tempo suficiente para que o sexo de Tiffany se acostumasse e apenas depois começou a mexer o corpo lentamente para frente e para trás. Os músculos ardiam em protesto à quantidade de exercícios repetidos durante a noite, mas a queimação se transformava em prazer. A sensação era avassaladora, despertava sentidos e sensações em lugares que Taeyeon jamais tinha conhecido antes. A mistura de poder, de prazer, de dominância era apenas medida pelo lembrete de que se ela perdesse a cabeça, Tiffany sairia machucada. Ainda assim, a sensação era poderosa demais, lançava pulsos de prazer em cada investida, e a mistura de gemidos - seus e de Tiffany - combinados com a sensação da tira do strap-on roçando em seu clitóris e pressionando a cada encontro com o corpo de Tiffany, sobrecarregava Taeyeon com aquele tipo de energia que deve ser aliviada, que pode ser aliviada através de um orgasmo.

A dança dos corpos era ritmada e seguia como se tivesse sido ensaiada, e o corpo de Tiffany se balançava para frente e para trás, comandado pelo corpo de Taeyeon, enquanto as mãos da loira se certificavam de mantê-las próximas, conectadas. Tiffany se rendeu a sensação causada por algo que mal podia processar. Poderia ser o gesto possessivo da loira que segurava com força seu corpo, poderia ser a voz rouca brotando da garganta, poderia ser o fato de Taeyeon estar, literal e metaforicamente, completando-a. Em cada vez que seus corpos se encontravam, em cada vez que o som da voz da loira corria pelo seu corpo. Taeyeon em seus pensamentos, Taeyeon em tudo que ela sentia. Em corpo, em mente. A loira segurava tão possessivamente, fortemente seu corpo que Tiffany tinha certeza que deixaria marcas ali. E ela já não tinha deixado de qualquer forma? Em suas costas, em corpo? O cheiro de Taeyeon em sua pele, o gosto da loira em sua boca. Taeyeon completamente dentro de si, Taeyeon por toda parte do seu corpo, em cada milímetro de sua pele. Taeyeon, Tae, Taetae.

Tiffany gemeu, tentando não ceder à energia poderosa que ameaçava dominar seu corpo, e o som de sua voz só fez eclodir com força imensa e incontrolável o orgasmo que Taeyeon sabia, não demoraria muito a acontecer. Seu corpo tremeu e a sensação só fez estimular movimentos mais rápidos, sedentos, e num último instante de controle a loira jogou a cabeça para trás enquanto cerrava os dentes e se entregava ao domínio da sensação. O único som que escapou de sua boca, um gemido rouco e longo, quase gutural, foi o último estímulo que Tiffany precisava.

O próprio quadril se remexeu pela busca de prazer enquanto Taeyeon havia por uns instantes sido paralisada e Tiffany protestou em exigência chamando por seu nome. Ainda não completamente recuperada a loira voltou a investir contra a mulher, suas mãos buscando furiosamente pelo quadril, cintura da morena. Não demorou muito. O corpo da mulher tremeu sob seu toque, suas mãos, e os gemidos de Tiffany eram a mais viciante melodia e Taeyeon queria mais e tinha meios para consegui-los. Mesmo após o choque principal, o som baixo continuava soando incessantemente enquanto Taeyeon movia o quadril lentamente, até parar por completo. A loira se curvou para frente e beijou as costas da morena, e Taeyeon endireitou a postura e se afastou com cuidado dela.

Cansada, Tiffany repousou o corpo na cama e esticou as pernas entre as de Taeyeon. A loira apoiou as mãos no colchão e beijou sua nuca, duas, três vezes, sem pressa. Ambas respiravam pesado, e Tiffany tinha os olhos fechados e a boca entre aberta, ainda numa expressão de prazer. Taeyeon sorriu em malícia. Aquela mulher... Ela poderia fazer isso todas as noites, sem se cansar. Ela poderia tê-la ali, ajoelhada em sua frente, quando quisesse. E Tiffany parecia agora esgotada, mas era por causa dela. Taeyeon se sentia poderosa, e ainda que fosse apenas pelo motivo de Tiffany permiti-la - ela jamais tomaria a mulher assim sem consentimento - ainda assim a sensação tava lá.

A loira se livrou das tirar do strap-on e enquanto o fazia Tiffany havia se virado para observá-la. A língua umedeceu os lábios secos por causa da respiração forte e pesada de antes, e ela esticou a mão como se convidando Taeyeon de volta ao seus cuidados. A loira simplesmente se inclinou para frente e sentiu os braços delicados abraçando seu corpo. Ela amava como Tiffany a abraçava depois do sexo. Ela amava o modo como a morena conseguia dividir com ela o mesmo ato, ora em amor, ora em sexo. E como o coração batia forte e ainda assim tão macio em seu peito.

Ela segurou o rosto da morena e beijou os lábios vermelhos que pareciam tão macios nos seus com amor. Ela amava Tiffany, e seus toques, e suas cores, e seus sabores. O seu cheiro doce, o cheiro da excitação misturado com seu perfume. Os olhos castanhos que ficavam negros quando carregados de intensidade - como agora.

A loira riu e sua voz soou rouca ao próprio ouvido. - Deus... Strap-on: melhor ideia de todos os tempos.

Tiffany riu em resposta e os olhos se fecharam em uma meia lua. - Não sei se Deus aprova isso. - Ela rebateu.

- Eu certamente aprovo. - Ela roubou um beijo da morena. - Você... Caramba, você é maravilhosa, Fany-ah.

- Você não fica muito atrás. - Ela riu em seguida.

- Oh, é mesmo? Bom saber. - Taeyeon apertou o corpo da morena e beijou sua bochecha e roçou o nariz em seu rosto num gesto carinhoso.

Tiffany se limitou a rir, sentindo o corpo pesado com o cansaço. Ela manteve os olhos fechados enquanto sentia os lábios de Taeyeon roçar de vez em quando em sua pele, no seu pescoço, em seu peito. Era o reconhecimento que a loira fazia sempre, distribuindo beijos aqui e ali antes de ninar Tiffany para o sono.

 A loira se remexeu na cama e se afastou o suficiente para estudar a morena. Ela memorizou cada traço do rosto, as curvas dos lábios, os movimentos sutis dos olhos e sobrancelhas.

Tiffany sorriu em retorno e fechou os olhos quando mais uma vez, serena e em paz. Os olhos desceram pelo pescoço da morena e Taeyeon se atentou à linha fina e branca ali. A cicatriz que Siwon deixara no pescoço da morena era quase invisível, e ela estava se apagando cada vez mais e mais, assim como as memórias assustadoras que tantas vezes agarravam sua garganta como uma mão gelada, sufocante. Taeyeon deslizou o dedo ali e no momento em que a mulher virou o pescoço, como se tentando se safar da recordação, ela soube que era melhor recuar. As vezes a detetive ainda se sentia culpada por tê-la colocado em risco tantas vezes. O trabalho de Tiffany não estava diretamente relacionado com seu, e toda e cada vez que a morena sugeria ir em campo com ela, ela se lembrava da lâmina fina em seu pescoço, e não podia deixar de querer protegê-la. O risco que Tiffany corria por estar com ela tinha que ser compensado com proteção em dobro. O lugar onde estava agora, ali em seus braços, parecia perfeitamente seguro e ideal para mantê-la segura. Taeyeon jamais poderia deixar que ela se fosse, jamais permitiria que, sob sua proteção, algo de ruim acontecesse a ela - ela cuidaria de seu corpo, de seu espírito. Taeyeon sabia como fazê-la feliz. Ela se inclinou e beijou os lábios da morena, que pressionou os dela em resposta ainda de olhos fechados, e quando a morena se afastou para estudar seu rosto, ela viu as sobrancelhas da mulher se arquearem levemente, como se perguntasse o que vinha em seguida.

Taeyeon sorriu. Ela amava esses momentos de intimidade e calmaria com Tiffany. Eles eram tão sagrados e singulares que seria absolutamente irreverente de sua parte se não prestasse atenção neles. Os momentos que eram só dela, os gestos sutis que eram só dela e que só ela conhecia. O jeito como a morena respirava agora, cansada, e roçava os pés em sua canela era sinônimo de resistência ao sono que estava sentindo. Ela ficaria acordada até que Taeyeon a recolhesse nos braços, ou a abraçasse por trás e dissesse para dormir. E qual era o jeito mais rápido de fazê-la se entregar ao sono? Acariciar seu cabelo, especialmente com os dedos enroscados perto do couro cabeludo, se mexendo em qualquer ritmo lento. O jeito de recuperá-la de um pesadelo? Colocar o ouvido no peito da loira, assim as batidas a lembrariam de que Taeyeon era real, e o sonho não. Convencê-la de que precisava ficar em casa enquanto corria uma febre de quase quarenta graus? Ameaçar trocar os sapatos de caixa, ou simplesmente dizer que irá jogá-las fora (tinha funcionado uma única vez em que a médica ficara doente). Esses e tantos outros detalhes que só a morena sabia. E como ela não poderia notá-los?

Além disso, é claro, havia as pequenas coisas que somente Tiffany sabia sobre ela. A dor nas mãos em dias frios que era combatia com massagens. A mania de esfregá-las uma na outra em situações de estresse, algo que Tiffany a ajudava a reverter com conversas e carinhos. O modo como Tiffany a fazia se sentir segura em noites de pesadelos - algo que quase não acontecia mais - sem se sentir fraca e dependente. A confiança que Tiffany depositava nela quando se tratava de cuidar de seu corpo; Taeyeon se sentia tão poderosa nesses momentos. O fato de Tiffany adorar enfiar folhas verdes e frutas em sua alimentação, sempre insistindo num estilo de vida mais saudável, mas não se importando muito quando Taeyeon decidia comprar uma pizza ou apenas comer um lanche - porque ela sabia que Taeyeon amava as porcarias que comia. As vezes que Tiffany roubava suas batatas fritas, mas por pura implicância ela decidia provocá-la dizendo que se quisesse comer batatas fritas, que pedisse pelas próprias. A verdade é que Taeyeon adorava quando Tiffany roubava sua comida. Era ridículo, mas ela via o gesto como algo que casais faziam, e ela estava feliz com o lembrete de que aquela mulher era seu par. De alguma forma Tiffany sabia disso também, porque ela sempre esperava Taeyeon pedir por elas, ou pela sobremesa, por qualquer coisa que pudesse furtar em seguida.

Ela amava Tiffany, tinha amado desde muito tempo, e entendia naquele momento que não havia razão alguma para viver sem ela. Ela precisava da morena na sua vida. Das lições diárias tiradas de algum livro de história, biologia, de documentários da televisão. Do seu cheiro que invadia seu nariz todas as manhãs, do abraço macio e reconfortante, do seu gosto em sua boca.

A loira plantou um beijo leve em seu pescoço e outro em seu peito. Ela estava prestes a se deitar de lado e puxar Tiffany para si, quando sua atenção foi pega por uma pinta que havia no corpo da morena.  

Taeyeon traçou o caminho até ela e passou o dedo como se testando se fosse verdade. Sim, estava ali e era realmente aquilo. Ela estava impressionada.

Tiffany se remexeu e segurou a nuca da loira. - Oh! -  Ela sentiu um dedo pressionando de leve sua pele. - Fany... Esse é um coração!

A morena abriu os olhos e olhou para o peito, o lado direito sustentando o dedo de Taeyeon. Ela conferiu o formato e concordou com a cabeça, com sono demais para elaborar uma frase que fosse.

- Esse é meu também, Pany-ah? - Ela perguntou tímida, mas com um sorriso bobo nos lábios.

O olhar escuro da loira era tão intenso que por um minuto Tiffany só soube da existência dela. Ela balançou a cabeça em sim e os lábios se desenharam a curta palavra. - Os dois são teu, Taetae. E eu sou tua também. -  Ela disse em seguida, enquanto sua mão acariciava gentilmente a bochecha da detetive. Ela assistiu enquanto a loira, parecendo encantada demais, apoiou os braços na cama e segurou com carinho seu rosto. Sua expressão era impagável, e tudo o que Tiffany conseguia identificar era amor e adoração.

Ali estava, o futuro que queria diante dos seus olhos. A mulher que parecia ter saído de seus sonhos mais secretos, deitada nua em baixo de seu corpo. A chance de concretizar algo que era abstrato. Não, de simbolizar algo que era abstrato, grande demais para ser interpretado ou compreendido de maneira completa.

- Casa comigo. - As palavras saíram dos lábios sem serem medidas, vindo do lugar mais profundo e sincero do seu peito.

- O que? - Tiffany parecia bem acordada agora, impressionada e pega de surpresa.

- Casa comigo, Pany-ah. - Ela repetiu, sem medo de receber um não. - Eu não tenho dois corações, tenho apenas um, mas ele é completamente seu e eu posso amar você mais do que amo a mim mesma.

- Taetae... - Tiffany sussurrou e a voz carregada sinalizava apenas emoção.

- É sério, Fany-ah. Casa comigo, porque eu amo você e não vejo motivo para não colocar uma aliança no teu dedo. Aliás tudo o que eu consigo pensar é nisso: que você use uma aliança para que os olhares indevidos sejam desviados, porque no momento em que eles encontrarem com o anel eles vão saber que você é amada e respeitada por alguém, por mim.

- Oh... - Tiffany arfou diante das palavras, e ela não soube se era o sono que a impedia elaborar algo coerente ou a intensidade do que estava sentindo no peito.

- E porque eu quero te dar algo mais substancial nessa relação -

- Taetae, nada é mais palpável do que você aqui. - Ela disse e apertou os braços em torno da mulher.

Taeyeon sorriu para ela e continuou falando. - Eu quero te dar uma família. Em termos de lei, Fany, eu quero que você seja uma Kim-Hwang, ou Hwang-Kim, você escolhe. E se você quiser um bebê, quer dizer, eu sei que você quer, desde que resgatamos aquele recém-nascido eu soube... Se você quiser, eu fico mais do que contente de repartir a maternidade com você. Eu quero te fazer feliz, Fany-ah. Eu posso te fazer feliz, não posso? - Era como se fosse uma dúvida, mas ela já sabia a resposta.

- É claro que pode, Taetae. Você já me faz feliz, todos os dias. - Ela beijou os lábios da loira e as lágrimas caíram dos olhos sem consentimento.

- E é o que eu quero continuar fazendo o resto da vida, Pany-ah, porque você também me faz feliz. Casa comigo?

- Sim, é claro que sim. - Ela segurou o rosto da mulher e a beijou com ternura. Ela não estava esperando por isso. Nenhuma delas tinha tocado no assunto desde aquela noite no colchão, e parecia fazer um século desde então. Tiffany estava extremamente feliz. O pedido de Taeyeon, ela concluíra, tinha a ver com a disposição da loira lhe oferecer tudo o que podia. Taeyeon sabia que não precisava colocar uma aliança no dedo dela para ter todas essas coisas que mencionara, mas ainda assim, colocar um anel em seu dedo tinha sido cotado porque, afinal de contas, fazia parte de uma tradição, assim como um primeiro encontro. Além do mais, era o modo de selar o compromisso com um futuro em comum com a pessoa que ela devotadamente amava. Tiffany quebrou o beijo em busca de ar, e o sorriso que estava estampado no seu rosto jamais iria se apagar. Ela apertou os braços em Taeyeon e quando falou, seus lábios roçaram no da loira.

- E a minha escolha é Kim-Hwang. - Ela entregou um novo beijo nos lábios sorridentes de sua futura esposa.

 

...

 

- Tae! Nós vamos nos atrasar, anda logo! - Tiffany apressou a mulher que estava carregando algumas sacolas. O céu estava nublado, a chuva estava ameaçando cair a qualquer momento e Tiffany não podia deixar de estar nervosa. Aquele seria o dia em que sua família, a família de Taeyeon e amigos delas saberiam que elas iriam se casar. Ela sempre ficava nervosa em situações onde ficava exposta. Ela sabia que aqueles eram seus amigos e sua própria família, mas o nervosismo simplesmente não podia abandoná-la. Elas tinham escolhidos os trajes corretos? Elas tinham reservado mesas suficientes? Todos chegariam em ponto?

Irritada pela demora da loira, uma arfada de impaciência escapou-lhe dos lábios, e ela bateu um pé no chão no mesmo tempo que um pingo de chuva atingiu-lhe o rosto.

- Taeyeon, nós não temos o dia todo! - Ela insistiu em apressar a loira.

Ela não conseguia entender como a detetive estava tão calma e tranquila diante daquilo. Ou era apenas ela que estava ansiosa demais?

- Fany. Você tem que se acalmar. Sério. - Taeyeon apontou um dedo para e depois abriu a mão no sinal universal de “pare”. - Vai dar tudo certo, querida. - Ela suavizou a voz porque, caramba, ela entendia aquela ansiedade toda. Ela estava morrendo por dentro, mas não se permitia perder o controle. Alguém tinha que manter a cabeça no lugar. Como um sinal - negativo ou positivo? - a chuva de verão começou a cair pesadamente.

Tiffany curvou os braços para frente num apelo silencioso para que a natureza colaborasse com aquele dia. As gotas grossas e frias batiam contra sua pele, e ela sentiu o arrepio percorrer o corpo. O dia estava sendo tão estressante. O atraso no trânsito, a demora no aeroporto para pegar a mãe e o pai, o almoço que tinha sido cancelado por causa de todos atrasos, a queimação que ela estava sentindo no estômago por causa da ansiedade. Tiffany suspirou, sentindo o peso do dia nos ombros, o peso da chuva que tinha aparecido para acrescentar mais um ponto negativo no dia. Ela estava considerando entrar em casa e se trancar no banheiro por uns minutos e chorar. O problema é que, para isso, ela teria que passar por todas as pessoas que estavam ali: seus pais, Nawoon, Yuri e até mesmo uma namorada qualquer da cunhada. Talvez ela nem conseguisse segurar o nó na garganta antes mesmo de cruzar a sala. Por outro lado, se ela começasse a chorar ali talvez ninguém perceberia, nem mesmo Taeyeon, considerando que a chuva estava encharcando seu rosto.

Ela olhou para Taeyeon, na esperança de que pudesse encontrar algum consolo, de entender o método que a loira estava utilizando para manter a calma e copiá-lo efetivamente. Para sua surpresa, a mulher estava sorrindo abertamente. O cabelo colado no rosto pela água parecia contraditoriamente enfatizar o traço de felicidade. Por que ela estava tão feliz assim, toda molhada pela chuva? Como se escutando seus pensamentos, Taeyeon ergueu um dedo para cima e apontou para o céu, se aproximando de Tiffany.

- Hey! Olha lá. É um arco-íris! - Ela disse empolgada e os olhos da legista acompanharam a direção para onde o dedo estava apontado. Um belo arco-íris, grande, de cores fortes e definidas estava ali enfeitando o céu. Tiffany admirou sua beleza antes que ela se perdesse na imensidão cinzenta. Era de fato encantador, e ela sentiu os próprios lábios se curvando num sorriso, se rendendo à raridade do fenômeno e interpretando a aparição como um bom sinal. O nó na garganta de repente estava desfeito, e as mãos de Taeyeon em sua cintura lhe mandaram um arrepio espinha abaixo. Ela se virou para a loira e piscou os olhos carregados de pingos de chuva para ela.

- É extraordinário! - Ela sorriu e olhou mais uma vez para o arco-íris.

- A nossa noite também vai ser, Fany-ah. Vai dar tudo certo. Tá bom? - Taeyeon se inclinou e beijou os lábios da morena, e a voz tão segura de Taeyeon tinha lhe grudado no corpo, em sua mente, e de repente ela tinha recebido uma garantia.

- Okay. - Tiffany sorriu nos lábios da Taeyeon. E então ela pensou na chuva, no arco-íris e nos lábios da mulher. Um beijo na chuva, testemunhado por um dos fenômenos mais belos da natureza, nos lábios da mulher que ela amava. Tiffany beijou Taeyeon apaixonadamente sentindo o contraste frio das gotas de chuva que massageavam seu corpo e as mãos quentes de Taeyeon lhe acariciando a cintura e as costas.

A perspectiva tinha acabado de mudar. O dia começara tumultuoso, duvidoso e infavorável, entretanto, agora parecia estar se invertendo de posição: promissor pela companhia e palavras de sua namorada, surpreendente pelo presente colorido pintado no céu, e clemente, como se fosse agora configurado para reverter a metade anterior em dádivas.

 

...

 

O nervosismo de Tiffany poderia ter sido facilmente descartado se ela soube que aqueles sorrisos e brindes estariam aguardando por elas. As taças levantadas em suas direções mandaram borboletas em seu estômago, e o sorriso caloroso de Taeyeon provocava um imenso em seus lábios como resposta. A família e os amigos próximos aprovavam a união - é claro, eles não tinham motivos para não fazê-lo - e até mesmo o pai de Tiffany havia colocado a médica num abraço, de modo a parecer como o último antes de entregá-la a Taeyeon. Não era como se precisasse dizê-lo, mas no final da noite o homem havia segurado o ombro da detetive para lhe dizer que esperava que Taeyeon continuasse fazendo Tiffany feliz do mesmo jeito que estava agora. A detetive sorriu e fez sua promessa - se lembrando que seu pai biológico tinha dito a mesma coisa, mas que havia soado muito mais ameaçador.

Depois do jantar elas haviam deixado o restaurante para uma volta nas margens do Seoul Forest. Taeyeon não queria adentrar muito no parque - não por causa do perigo, porque ainda era cedo e muitas pessoas andavam por lá, mas justamente porque queria um momento mais íntimo com Tiffany. E era por isso que estava nervosa. Elas estavam passando sobre a ponte agora e as águas negras do lago lá em baixo estavam margeadas pela aquarela de tons amarelos, verdes e brancos. As luzes dos postes coloriam o lago, atrevendo-se a se lançarem acima da escuridão. Tiffany falava alguma coisa sobre os pássaros que migravam para lá naquela época do ano, mas dessa vez, diferente de todas as outras, Taeyeon não estava escutando.

- ... e quando o clima já não está mais favorável para reprodução, as aves sentem necessidade de migrar. É uma questão de sobrevivência, e acontece sempre na troca de estação. - A morena afirmava veementemente.

Taeyeon suspirou lentamente e parou em cima da ponte, se encostando na barra de segurança.

- O Puffinus griseus é a ave que mais voa no mundo. - Ela adicionou rapidamente, prevendo que Taeyeon iria interrompê-la logo, mas achando que o fato merecia ser citado.

- São as estações. - Taeyeon franziu o cenho enquanto pensava.

Tiffany pareceu confusa. - Sim...? Eles migram por causa das estações.

- Não, Fany. - A loira segurou a mão da morena junto ao seu peito.

Tiffany inclinou a cabeça como sempre fazia quando não entendia algo. - Perdão?

- São as estações. Os pássaros vão embora nas estações porque eles não enfrentam invernos rigorosos.

- Eu acabei de dizer isso, Taetae. - Tiffany sorriu docemente.

Taeyeon concordou com a cabeça, mas Tiffany não pôde deixar de notar o olhar distante, perdido em pensamento. Algo disparou dentro de si.

- Taetae, o que aconteceu? - Ela apertou a mão da loira levemente.

- Quando você me conheceu... Era verão. Mas tudo parecia cinza e sombrio para mim, como nos invernos. Até minhas mãos eram geladas. - Ela adicionou a última frase quase num sussurro.

- Tae, você passou por um trauma terrível. - A morena acariciou com o polegar o dorso da mão da outra.

- Você não sabe, Fany, o que é sentir frio. O frio da lâmina ultrapassando sua mão, e o frio que o medo traz antecipando a morte. E nem... Você não sabe o que é sentir frio no verão, em dias quentes. O gelo daquele bisturi afiado tinha sido sugado para dentro do meu corpo e nunca iria embora. E Deus, eu jamais quero que você saiba.

- Tae... - Tiffany sussurrou agora, vendo o olhar escurecido e intenso da mulher perdido em algum ponto que não os seus olhos. Por que a conversa tinha se tornado tão sombria?

- Não, escuta. - A loira a cortou. - Foi horrível, e eu me sentia congelada por dentro. Eu me afastei de todas as pessoas e tentei ignorar a sensação por tanto tempo. Não, na verdade eu tentei aturar por tanto tempo, a ponto de eu parecer fria com as pessoas porque, você sabe...

- Você não queria parecer frágil. - Tiffany concluiu.

- Isso. E você veio com seu sorriso e, você foi até meio intrometida, sabia? - A loira apertou os olhos, mas quando Tiffany riu, ela riu também. - Para minha sorte. - Ela adicionou em seguida. - E tudo começou a ficar bem de novo, até que ficou ruim quando você se aproximou demais...

- Você quer dizer até que você se fechou demais.

- Caramba, mulher, será que eu posso concluir?

Tiffany deu de ombros, sorrindo.

- E, - Taeyeon continuou levantando um dedo para não ser mais interrompida - foi quando eu entendi que eu só estava ficando bem porquê... bem, porque eu tinha você. Eu sempre prezei nossa amizade, Fany-ah, do mesmo jeito que ainda prezo, porque eu sempre soube que você... era você quem iluminava meus dias, foi você quem trouxe luz de volta à minha vida. - Taeyeon mordeu os lábios. Ela estava colocando as palavras no lugar certo?

Tiffany sorriu e os olhos castanhos brilharam. Ela plantou um beijo nos lábios de Taeyeon. - Você também ilumina os meus.

Taeyeon balançou a cabeça e continuou. - O que eu quero dizer... É que você ficou. Você chegou no meu inverno e decidiu ficar mesmo assim. Você conheceu o pior de mim e depois o meu melhor, e não recuou. E como se não bastasse, como se já não tivesse sido o suficiente você estar lá, você trouxe o calor de volta. Quer dizer, a quem eu quero enganar, Fany-ah? Você é meu sol. Você reina em todos os meus dias, nas quatro estações, nas minhas estações. E você nunca vai embora. Você se recusa a partir nos dias gelados e cinzentos, e de alguma forma você os torna quentes, no mínimo suportáveis, apenas com sua presença.

- Tae, isso é... -  A morena passou a língua nos lábios, e piscou os olhos. - Eu não fui a única responsável. Você também... Fomos nós duas. Nós não desistimos, lembra?

A loira sorriu. É claro que Tiffany iria dividir o crédito - e talvez ela tivesse razão, foi uma luta em conjunto. E aproveitando das palavras da médica... - Exato, nós não desistimos. E o que quero te dizer é justamente isso: eu também luto por você, e com você. E eu também quero ser seu sol, e quero ficar nos seus invernos. Eu quero aquecer seus dias frios e... E quero te trazes flores nas primaveras. E contar os vaga-lumes com você nos verões. E observar as estrelas nas noites de outono, quando o céu fica límpido. Mas eu quero principalmente ficar. Diferente dos pássaros que migram, eu quero ficar, do mesmo modo que você ficou comigo eu quero ficar com você. - Ela parou por um momento e estudou os olhos agora marejados de Tiffany.

- As estações são um círculo, - Ela desenhou um círculo invisível no ar - elas sempre mudam, mas nunca são interrompidas. É um ciclo eterno de mudança.

A morena concordou com a cabeça, os olhos atentos em Taeyeon.

- Eu quero saber, Tiffany... Se esse pode ser o nosso ciclo. Se você pode continuar sendo meu eterno sol, e se eu posso ser o seu. O quero saber Fany... - Ela apoiou os dois joelhos no chão e segurou as mãos da morena.

- Você casa comigo? - A loira sorriu quando Tiffany levou uma mão na boca - emocionada pelas palavras e pelo gesto.

O gesto, por si, não tinha sido algo relacionado ao cavalheirismo. Estava diretamente ligado à humildade de Taeyeon, ao pedido singelo e sincero que clamava por algo generoso. Nobre.

Eu posso ser seu sol? Eu posso ficar ao seu lado? Um cargo de extrema importância, mas que Taeyeon já estava executando tão bem.

Tiffany estava dividida entre agarrar as palavras que estavam viajando para fora de sua mente e tentar dizer para Taeyeon que ela era seu sol também ou simplesmente dizer seu sim. Ela encontrou uma terceira opção: se ajoelhar, também, em frente à loira. Tiffany não estava acima de Taeyeon nessa relação, as duas dividiam o mesmo patamar, e se ajoelhando ali, na mesma altura que ela, ficava entendido que sim, Taeyeon podia ficar ao lado dela - ao lado, jamais em num nível inferior.

- Oh, Taetae, eu já disse que sim! - Ela segurou o rosto da loira e deu um beijo demorado nos lábios, e quando se afastou ambas estavam sorrindo.

Taeyeon levantou uma mão segurando uma pequena caixa preta. - Agora eu tenho o anel. - Ela levantou a aliança no nível dos olhos de Tiffany.

A morena abriu os olhos em espanto. Era uma aliança extremamente cara. - Taetae... Essa... É linda! E cara, Tae.

- Eu posso tomar isso como um sim? - A loira apertou os olhos.

- Pela terceira vez, sim! - Tiffany disse e esticou a mão para Taeyeon que logo deslizou o anel pelo dedo dela.

- Para você sempre o melhor, Fany-ah. - Ela deslizou o dedo sobre a aliança de Tiffany e a morena imitou o gesto com o polegar - um gesto que faria muitas vezes daquele dia em diante.

- E é claro, aqui está meu par! - Ela mostrou a aliança idêntica à da mulher e a entregou a Tiffany quando a morena a tomou dos dedos.

- Eu posso continuar iluminando seus dias? - Tiffany perguntou, segurando a mão da loira.

- Não é assim que funciona, Fany-ah. Eu já fiz o pedido. - E quando ela levou a mão para frente, Tiffany recolheu a dela em desafio.

Taeyeon revirou os olhos. - É claro que pode, Fany. Nada me faria mais feliz. - E um minuto depois a médica havia deslizado o anel em seu dedo.

Elas se beijaram de novo, e ao longe escutaram alguém assobiar em aprovação. Uma sorriu no lábio da outra, e segundos depois, outro alguém assobiou do outro lado enquanto duas ou três pessoas ao longe batiam palmas. Taeyeon sentiu o rosto corar, mas Tiffany não pareceu se importar nenhum pouco com a plateia. Elas estavam felizes, e a noite quente de verão carregava uma brisa leve que correu entre os corpos das mulheres ajoelhadas na ponte, onde haviam assumido um compromisso que suportaria as trocas de estações e se fortaleceria naquele ciclo infinito de mudanças.



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