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História Arpoador - Diego Luna - Capítulo 2


Escrita por: estupefalsa

Capítulo 2 - Arpoador - Parte II


PARTE II 

Era agosto e, como todos os anos, a rede de pesquisa a qual eu me dedicava faria seu evento anual. Como sempre, haviam apresentações de trabalhos e eu me inscrevera para apresentar uma nova pesquisa, dentro do meu grupo de trabalho.  

Era a primeira vez que visitava o Rio desde que conhecera Diego e, para ser sincera, até mesmo o calor da cidade era nostálgico.  

Nesta ocasião, ficaria alojada junto com outros colegas na própria sede do evento. Chegamos no final da tarde e, pelo cansaço, caí no sono assim que terminei que organizar meus pertences. 

Na manhã seguinte, acordei mais cedo e fui passear pela sede. Estava nervosa. Era o primeiro trabalho que apresentaria e, se tudo corresse bem, poderia ganhar um convite para ajudar diretamente na criação de um Plano Regional de Ação para a América Latina. Voltei para o quarto, para me arrumar e ir comer o café da manhã.  

Durante a apresentação do meu trabalho, estava tão nervosa que sequer conseguia enxergar a plateia. Só o notei quando, extremamente constrangida no encerramento da mesa, ele quem me abordou. 

“Oi. Clarisse, certo?” Ele disse, repetindo as mesmas palavras que eu usei quando nos conhecemos. 

Não esperava vê-lo ali, então, novamente me quedei em silêncio em sua frente. 

“Não vai me oferecer uma foto?” Ele perguntou risonho, na tentativa de quebrar o gelo. 

“Desculpe, não esperava vê-lo por aqui”. Respondi, ainda sem graça e me levantando para abraçá-lo. Ele me segurou como Cassian segurara Jyn antes de serem engolidos pela luz. 

Depois disso, saímos para andar pela sede. Ele me contou que devido aos contatos que fizera no evento em maio, passou a seguir a página da rede de pesquisa e, recentemente, havia fechado uma parceria em nome da sua organização, Ambulante A.C., para produzir documentários sobre Operações de Paz. Assim sendo, alguém precisava representar a organização no evento anual da rede de pesquisa e ele havia se voluntariado. Só tempos depois eu descobriria que quem procurara a rede de pesquisa para fechar a parceria fora ele. 

“Achei que nunca mais iríamos conversar”, soltei, finalmente, quando ambos paramos no meio do caminho. 

“Porque não lhe respondi...?” Perguntou, coçando o cabelo, em sinal de nervosismo. 

“Sim.” Disse, simplesmente. 

“Olha, Clarisse... É complicado.” Tentou dizer. 

Mas eu não entendi. O que era complicado? 

“Não entendi, Diego.” Respondi sincera. 

“Você e eu. México e Brasil...” Tentou explicar. 

“Ainda não entendo. O que quer dizer com isso? Pensei que fôssemos colegas de excursão... E colegas mantêm contato, não é?” 

“Não é isso.” Disse num tom carregado de sotaque. “Quando nos despedimos aquela noite... Enquanto você se afastava... Era visível o rastro que deixava pelo caminho. A sensação de algo que foi bom a acompanhou até você sumir de vista no Uber. Mas eu sabia que não podia me apegar àquilo. Foi muito bom, mas eu moro no México e não tinha ideia de quando voltaria para o Brasil”. Soltou em um suspiro.

Algo dentro de mim remexeu. Esperava mais que fosse o café da manhã se debatendo em meu estômago, do que qualquer outra coisa. Eu não sabia o que dizer. O que eu responderia? Qual o verdadeiro significado daquelas palavras? 

Por fim, apenas disse o que sentia: 

“Quando vi que você não responderia, também pensei que seria melhor lidar deste modo. Sem contato. Apenas uma memória de algo que foi bom”.  

Era visível que suas palavras haviam mexido comigo. Ele me olhou compreensivo. 

“Apenas peço desculpas. Sei que colegas costumam manter contato. Mas agora estou aqui e sinto o dever de lhe dizer que sua apresentação foi brilhante.” 

Eu agradeci e nós sorrimos. Não queria criar esperanças sobre nada desta relação. Rebeliões são construídas com base em esperança e eu estava bem na minha zona de conforto.  

Neste dia, quando os trabalhos do encontro se findaram e todos nós fomos liberados, Diego bateu a minha porta, causando um burburinho entre minhas colegas. Eu só peguei uma rasteirinha e saí às pressas do quarto. Queríamos chegar à praia do Arpoador antes do pôr do Sol.  

No Uber, um olhar questionador do motorista foi lançado a nós, quando Diego desembestou a falar em espanhol.  

O Sol começara a se pôr no horizonte. 

“Não sei se chagaremos a tempo.” Comentei, um pouco triste. 

“Não fique triste antes da hora, nena.”  

Olhei-o questionadora. Nena? Bebê? Minha menina? Quieto aí, estômago! 

“Desculpe.” Ele sibilou, dando de ombros. 

Eu apenas balancei a cabeça, em um sinal de que estava tudo bem. 

E, então, começou a tocar Hips Don’t Lie na rádio do carro. Não podia ser verdade! Essa música tinha o quê? Mais de quinze anos? 

“Não acredito!” Exclamei em alto e bom tom, chamando a atenção do motorista. 

“Não me diga que você assistiu...?” Ele pergunto, seu timbre entre o receio e a diversão. 

“Sim! Claro que sí, Javier.” Respondi. 

Ele deu com a mão na testa.  

Eu cantarolei, mudando a letra: 

“He makes a woman want to speak Spanish...” 

E Diego complementou: 

“Como se llama, bonita, mi casa, su casa...” 

Soltei uma gargalhada. O quão improvável era aquela situação? 

Continuamos cantando até a música chegar ao final. E, pouco tempo depois, chegamos à praia. O céu já havia sido tomado pelas primeiras estrelas. 

“Uma pena que não conseguimos chegar antes do por completo do Sol.” Falou Diego. 

Eu apenas concordei com a cabeça. 

“Ainda dá para molhar os pés na água, não acha?” Ele perguntou, entrelaçando suas mãos na minha e correndo em direção ao mar. 

Estar com Diego era simples. E, mais uma vez, nosso passeio foi salvo pelo fato de ele se misturar tão bem com os brasileiros. 

Naquela noite, aproveitamos para nos aventurar em algum barzinho com roda de samba na cidade. E quando Diego quis dançar, tive que negar. Eu dançava muito mal! Aquilo não o impediu de, quase ao final da noite, me tirar para uma dança. Nos divertimos muito.  

Por volta das dez horas da noite, eu decidi que era hora de nos recolhermos. No outro dia ainda haveriam apresentações de trabalho, palestras e reuniões.  

Eu já não estava no meu melhor momento. A maquiagem, desde manhã no rosto, derretida com o calor do Rio. Os cabelos bagunçados. Os pés cheios de areia. Diego não estava muito diferente, exceto pela parte da maquiagem, que ele não estava usando.  

“Excelente! O dia hoje foi excelente!” Diego exclamava, enquanto caminhávamos para a saída, a fim de avistar o Uber. Paramos na calçada, perto do meio fio. 

“Fico feliz que tenha voltado. Seja bem-vindo ao Brasil mais uma vez.” Respondi, minha voz carregada de sinceridade e um sorriso enorme no rosto.  

E, sem nenhum aviso, Diego me segurou pelos ombros e me puxou para um abraço, daqueles que você segura alguém com força e lhe aperta os cabelos, após um momento de euforia. 

O planeta Terra havia parado? Diego me segurava tão forte, que cheguei a pensar que em algum momento iríamos nos fundir. Meu coração estava acelerado. Meus olhos se encheram de lágrimas e pensei que fosse desabar num choro cheio de soluços. Pedi aos céus que aquele momento não terminasse logo. 

Mas, como a vida não é um conto de fadas, logo ouvimos alguém gritar: 

“Ei, vocês! Clarice...?” 

Era o motorista do nosso Uber. Ele havia chegado e nós tivemos que nos soltar. 

Seguimos juntos até a sede do evento. Diego também estava hospedado ali. No caminho, não trocamos uma palavra sequer. Diego olhava vez ou outra para mim, sendo possível ver um sorriso no canto de seus lábios.  

Antes de irmos cada um para seu quarto, Diego disse meio exasperado: 

“Eu preciso te beijar.”



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