1. Spirit Fanfics >
  2. Arquivo 14 >
  3. Arquivo não Encontrado

História Arquivo 14 - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Anteriormente:

Byun Baekhyun trabalha em um centro de pesquisas de seres sobrenaturais do governo, escondido da sociedade, recebe uma missão para localizar um espírito que havia fugido do laboratório e, assim, se infiltra como faxineiro na escola local. Baekhyun percebe que o espírito está diretamente ligado com o aluno Park Chanyeol, este que acaba descobrindo a real identidade do Byun e o seu plano. Os dois se juntam para tentar achar o espírito antes que Baekhyun falhe na missão e seja devidamente prejudicado por isso, mas, por demorarem mais que o esperado Byun se vê sem saída e chora sendo acalmado apenas, naquela noite, pelo beijo de Chanyeol.

Capítulo 3 - Arquivo não Encontrado


Capítulo Final

Arquivo não encontrado

 

Quando meu relógio mental contou uma hora, enfim notei que eu já estava acordado a um tempo, encarando a parede cinza. Ainda contando os segundos, sem nenhuma intenção de me mover ou pensar, senti um aperto na minha cintura — um abraço. Com outros longos minutos se passando então, agora, prefiro acrescentar mais um pequeno detalhe: eu estou deitado em uma cama que não é minha.

 

O que aconteceu?

 

Não sei, não lembro, minhas memórias estão confusas e meu raciocínio está tão lento que eu nem mesmo me reconheço: culpa do estresse, envelhecimento ou qual doença? Aposto que se levantasse dali cambaleava até cair também, para variar. Nesse nível, é óbvio para qualquer um que eu estou tudo, menos bem. Me deixando com uma certa dor, rápidas imagens passavam na minha cabeça: ligação, pai, Chanyeol...

 

Beijo.

 

“Puta merda!”, e arregalei os olhos, sentando de imediato na superfície fofa. Por puro reflexo aos meus pensamentos, notei como cada parte de mim estava dormente, me mover não foi a melhor ideia. Mas, por isso, descobri que a cama era menor do que eu pensava: assim que joguei meu corpo para o outro lado lentamente calculei que minha pessoa tinha rolado para cima de outro ser, e pior — ou melhor —, Park Chanyeol, de novo: dono de todas as confusões da minha vida nos últimos dias. 

 

Meu nervosismo fez com que meu olhar se desviasse para todos os cantos, o que até me ajudou a descobrir que o lugar era mesmo um quarto —  julgando pela luminosidade do sol vindo da janela que percebi existir, a luz era fraca, mas nada que me impedisse de ter a visão icônica de um adolescente assustado de baixo de mim quando desisti de tentar “fugir”.

 

“Que ótima maneira de acordar alguém, não acha?”, riu nervoso, mordendo o lábio inferior em seguida, como se fosse arrancar uma parte deste.

 

E pela primeira vez em menos de alguns anos, eu senti meu rosto queimar de novo, por conta da mesma pessoa, na mesma semana — na verdade, acho que foi todo o meu corpo. Não é todo dia, na verdade nunca, que eu passo por situações como essa, então não sei nem como reagir. Acredito que é aqui em que as pessoas usariam um botão de pause caso ele existisse: parar, respirar, beber vários copos d’água, criar desculpas convincentes e depois voltar ao o que estava fazendo, ou não.

 

Por pouco não engasguei com minha própria saliva assim que minha mente finalmente voltou do transe e calculou o que ele disse. Com os olhos de Chanyeol encontrando os meus, eu conseguia visualizar muito bem na minha frente: “fim de jogo” ou, não sei, “bem-vindo ao paraíso”, algo no meio.

 

“Isso… isso é demais para mim.”, meu coração ia parar de bater se ele continuasse assim tão rápido.

 

Sem calcular realmente como aquilo iria terminar, tirei meus braços, que estavam apoiados ao lado da cabeça de Chanyeol, e trouxe eles para perto de mim antes de deixar todo o meu corpo “cair” em cima do peito do outro. E isso tudo apenas para tentar melhorar a minha situação e esconder meu rosto: encolhido, nervoso, mas sem trocar olhares com ele, eu poderia considerar uma vitória temporária.

 

Meu plano só não incluía descobri que o coração de Chanyeol estava tão agitado quanto o meu, ou até mais.

 

“Deu pra’ notar?”, perguntou assim que eu o olhei, piscando os olhos repetidas vezes. “Não fique tão surpreso, porque diabos acha que eu te beijei ontem?”, suas orelhas ficaram vermelhas, suas grandes e estranhas orelhas ficaram vermelhas. Por mim? Por nós? Que porra? 

 

“Eu sei lá, minha cabeça está cheia de coisas, sabia?”, agarrei sem força a camisa dele para me distrair do nervosismo, só para voltar a encarar aquela mesma parede depois: não dá mais para ignorar o que aconteceu entre mim e Chanyeol — livros de romance infantis que li, me ajudem com alguma coisa agora. 

 

“Sim, eu sei.”, ouvi ele suspirar profundamente antes de continuar. “Falando nisso, você ainda não me contou o que aconteceu ontem, depois que te encontrei você ficou chorando e me beijando todo manhoso até apagar.”, soltou uma risada. Isso foi uma tentativa de deixar o clima menos tenso?

 

Fiz menção de sair da posição que estávamos após responder ele com um sorriso irônico, mas a tentativa foi falha, Chanyeol só riu mais alto antes de abraçar minha cintura e me trazer para mais perto dele — se é que isso é possível. No fim apenas me rendi, acho que eu não tenho mais motivos de fugir e esconder qualquer coisa dele a esse ponto; o “detalhe” sobre o meu pai, o centro de pesquisas, o espírito e toda essa merda voltariam de qualquer forma.

 

“Meu pai me ligou… eu demorei demais para dar notícias”, fiz uma pausa. “Então ele vai vir aqui verificar por conta própria o que eu fiz.”, rangi os dentes. “E antes que você me pergunte o problema, isso quer dizer que aquele puto não confia em mim. Quando acharem a localização daquela coisa vão ver que eu sabia sobre ele, que estava enrolando para contatá-los e vão pensar que eu sou um traidor, depois sabe-se lá o que vão fazer comigo.”.

 

O silêncio reinou. Diferente de outros momentos em que eu falei sobre o assunto, lágrimas não caíram e nem minhas mãos tremeram; talvez eu enfim aceitei a confusão que tinha me metido. A ficha que eu estava a quase a uma semana longe do laboratório tinha caído, que eu sabia menos do que eu achava, que eu posso falhar e que bem lá no fundo, eu não amadureci o suficiente para ser considerado um adulto ainda.

 

“Não tem mais nada que possamos fazer?”.

 

“Não use o plural Chanyeol, você nem devia estar envolvido nisso para começo de conversa.”, gritei com raiva, agora dando impulso para levantar meu corpo de vez, ficando sentado no colo de Chanyeol. “Você não precisa disso, você não precisa de mim.”

 

“Tarde demais, eu já estou contigo nessa.”, declarou, mudando de posição pela primeira vez para encostar suas costas na cabeceira da cama; nossos rostos ficaram frente a frente e as respirações se encontravam.

 

Mais uma vez ninguém ousou dizer nada, pelo menos sem palavras ou voz, se posso dizer, ficar sem me mover, só encarando os olhos de Chanyeol foi até muita informação. Eu estava pensando duas vezes justo no momento em que eu deveria agir pela emoção, como sempre faço — quero dizer, eu deveria levar meus pensamentos em consideração agora, não é? Sim? Se eu pudesse escolher, eu o beijaria agora mesmo.

 

E eu fiz. Um simples selar, sem pressa alguma ou mesmo uma maior reação vinda de mim ou dele; um certo medo de rejeição me assombrava desde o ínicio, não posso negar. Mas Chanyeol não me afastou, na verdade, intensificou ainda mais o contato assim que tentei separar nossos lábios; seus dedos se infiltraram entre meus fios de cabelos e eu me contive em repousar minhas mãos no seu rosto.

 

A tensão de antes era totalmente contrária a de agora: nossas respirações começavam a ficar desreguladas e a procura por maior contato crescia. A sensação que se espalhava da minha barriga para o resto do corpo fazia com que minha guarda caísse cada vez mais. Quando Chanyeol fez questão de lamber meu lábio superior eu já não lembrava de palavras para descrever como a áurea do quarto foi se tornando absurdamente quente.

 

Não foi preciso um pedido de passagem para que nossas bocas se entreabissem e o ósculo se aprofundasse com um leve toque de nossas línguas. Percebi que não só meus pensamentos tinham me abandonado, mas como meu corpo também, quando movi lentamente meu quadril ainda em cima do colo de Chanyeol, que deixou meus lábios para descer até meu pescoço, depositando beijos e mordidas fracas em toda a superfície. Tão estranho, tão viciante.

 

Só voltei a mim mesmo quando senti uma sensação incômoda dentro das minhas roupas íntimas, não só aí mas como também abaixo de mim: isso eu sei muito bem o que significa.

 

“Ei…”, tentei dizer de forma séria enquanto ainda tentava me controlar, mas nada saiu além de risadas altas. Chanyeol me olhou sem entender mas também logo abriu um sorriso tão grande que quase achei que seu rosto ia rasgar. “Calma... é disso que a gente precisa.”, continuei rindo. “Onde fica o banheiro? Eu preciso de um banho bem gelado.”, intensifiquei o “bem”.

 

“É a porta em frente ao meu quarto... boa sorte.”, e ele enfim entendeu o que eu queria dizer, eu acho; ainda sem abandonar o sorriso.

 

“Você também.”, disse enquanto saia de seu colo para ir em direção a porta, ainda rindo — de nervoso, provavelmente.



 

Aparentemente, na visão de cidadãos “comuns”, quase tudo no mundo já foi estudado pela ciência, mas não é bem assim. Ainda não existe um estudo que diz como Baekhyun's, também conhecidos como “eu”, conseguem se acalmar: seria por conta de longos banhos na casa de Park Chanyeol ou o próprio ser humano chamado Park Chanyeol? De fato, Intrigante.

 

Justo agora, quando o fim disso tudo tá literalmente para chegar, eu deveria estar com a cabeça pior do que nunca, pensando em todas as possibilidades da cara-de-decepção que meu pai me mostraria durante minha morte — na verdade, de um momento para o outro meus pensamentos ficaram tão diferentes que comecei a questionar se existe mesmo uma sala de tortura. Talvez alguém tenha me drogado durante a noite? É possível mudar de humor tão rápido? Eu deveria saber essa, para onde foram todos os meus conhecimentos?

 

Não dei muita atenção a água que pingava do meu cabelo, molhando todo o caminho que percorri desde que saí do banheiro: depois de tanto tempo perdido em meio aos lábios de Chanyeol, eu preciso de um tempo para pensar, definitivamente; "pensar" é o que eu faço da vida, em teoria. Pensar onde eu deveria pisar já que eu não olhava para frente, pensar em como ignorar o som que vinha do fim do corredor e pensar sobre os quadros de Chanyeol e sua família pendurados ao longo das paredes.

 

Um casal e duas crianças, a primeira uma garota, alta, mas não tanto quanto seu irmão ao lado, que compartilhava das mesmas orelhas grandes. Isso me lembra que, mesmo depois de uma semana, eu ainda não parei para conhecer Chanyeol, de fato. A família dele ainda está igual a da foto? Ele tem um sonho? O que ele faz além de jogar baseball? Quem sabe ele também goste de ler as tirinhas do jornal? Se tudo tivesse começado diferente, talvez já saberia até mais agora — eu teria outra chance se minha bagunça acabasse em paz?

 

Com todos os tipos de pensamentos se repetindo dentro da minha cabeça, não foi difícil chegar ao final do corredor e descobrir que peguei o caminho errado para o quarto de Chanyeol.

 

“Como sabia que eu estava aqui?”, e ouvi uma risada.

 

“Não sabia, errei o caminho.”, respondi como se fosse óbvio, não recebendo nada como resposta além de um olhar que dizia: “meu quarto é literalmente em frente ao banheiro, lembra?”.

 

Chanyeol estava sentando em um sofá…  jogando videogame? Não sei, não calculei mais nada depois que nossos olhos se encontraram, comigo ainda encostado na parede próxima ao corredor — longes um do outro, mas ao mesmo tempo muito perto; a esse nível eu já posso criar teorias sobre ele ser um ser não-humano, uma nova espécie, a primeira que eu estudaria por conta própria: aparência: estranhamente bonita, habilidades: consegue passar calmaria temporária a suas vítimas, além de fazer esta sorrir em momentos difíceis e acho que posso adicionar hipnose.

 

Ou tudo isso é só comigo?

 

“No que você tá pensando tanto—”, ele parou no meio da frase. “Baekhyun… a quanto tempo seu cabelo tá pingando água no tapete da minha mãe?”, seus olhos se arregalaram.

 

“Não sei, acho que desde que saí do banheiro, algum problema?”.

 

Não consegui dizer mais nenhuma palavra antes de Chanyeol andar — correr — até a mim: deu uma olhada no chão do corredor por onde vim e depois me puxou para sentar no sofá com ele, isso tudo depois de soltar um pequeno grito de desespero. E então suas mãos tinham agarrado a toalha em meus ombros para começar a secar, e bagunçar, principalmente, meu cabelo.

 

“É aquela mulher ali da foto que ia ficar brava?”, disse, aceitando meu destino de ficar com vários nós no cabelo.

 

“A própria, ela pode ser um monstro quando quer.”, riu de nervoso, passando a enxugar também as partes do meu rosto que estavam molhadas.

 

Eu não disse mais nada. Mesmo que as mãos de Chanyeol fossem um pouco brutas, nada que me impedisse de ficar sonolento com o tempo: quem dera se minhas manhãs fossem assim todos os dias. Eu simplesmente amo estudar no laboratório, descobrir e analisar coisas, mas… qual o sentido disso se quanto mais tempo passo lá, mais perco a sanidade?

 

Encaro o chão, sem expressão.

 

“Seu cabelo é ruivo naturalmente?”, ouvi a voz de Chanyeol, me tirando de novo de mais um dos meus transes.

 

“Sim, é sim.”, respondi depois de voltar para a realidade.

 

“Eles vieram de quem da sua família?”.

 

“Não sei, não os conheci.”, falei, simples. Chanyeol franziu as sobrancelhas, confuso.

 

“Mas e seu pai? Aquele que você falou?”.

 

“Ele é meu padrasto na verdade, não te contei?”, ri fraco. “Minha mãe morreu durante o parto, meu pai real nunca nem ouvi falar dele e o resto da família tá perdida por aí, eu acho.”, comentei como se o assunto fosse simples.

 

“Me desculpe, eu não queria—”, o interrompi, com calma pressionando meus lábios aos seus: um selar, não durou muito tempo, mas era só para calar sua boca, de qualquer forma.

 

Eu com certeza teria rido das bochechas vermelhas que Chanyeol, mas, de forma repentina, o pior voltou a tona: o relógio, atrás de Chanyeol, na parede, me mostrou exatos 14:35. 

 

"Merda.", me afastei, levantando rápido a ponto de perder o equilíbrio. "Chanyeol, por mais que eu goste de ficar aqui, assim, a gente não pode esquecer sobre o que vai acontecer hoje, na verdade, daqui a pouco. Já é tarde, temos que fazer alguma coisa."

 

"Você realmente quer agir? Por essa eu não esperava.", também se levantou, sorrindo.

 

"Como assim?".

 

"Eu não diria que aquele garoto chorando no terraço é o mesmo de agora. Acho que você estaria surtando num momento desses.", coçou a cabeça, agora rindo de nervoso.

 

"Acho que… primeiro: ter você por perto me acalmou muito desde então, segundo: eu não tenho mais tantas escolhas. É morrer ou lutar.", acompanhei sua risada, como se a situação fosse cômica - rindo do próprio desespero, a que nível cheguei?

 

"Tudo bem, então… qual o plano, senhor Byun?".

 

( . . . )

 

“Vamos invadir um banco?!”.

 

Não. Bem, mais ou menos. Considerando que até o fim do dia eu já não vou ter o título de “Byun” e nem mesmo ser cientista, poderíamos sim estar indo cometendo um crime:

 

“Mas nesse ponto, quem se importa?”, sorri de forma divertida em direção a Chanyeol, este que me encarava de forma incrédula.

 

“Você é um daqueles cientistas loucos dos filmes, não é?”.

 

“Eu nunca disse que não era.”, continuei a rir, ainda olhando para ele: talvez eu esteja um pouquinho apaixonado. “Olha, acho que vamos ter que fingir que você é um assistente meu quando entrarmos, tudo bem? Não fale nada, não desvie o olhar e nem respire.”, subitamente minha voz ficou séria.

 

Chanyeol, a partir daí, não falou mais nada. Não pude ignorar a rápida troca de olhares que tivemos, apreensivos. O nosso destino estava do outro lado da rua, simples, mas parecia tão longe ao mesmo tempo. Minha adolescência tinha acabado de terminar, ainda tenho medos, mas sei que já está na hora de crescer: passo após passo atravessamos a estrada até as portas automáticas que demoraram mais tempo que o normal para abrirem.

 

A ventania do lado de fora já me fazia arrepiar, mas nada comparado à sensação que senti assim que coloquei os pés para o lado de dentro: não tem muitas pessoas aqui, mas as poucas estavam jogadas no chão, provavelmente bêbadas; senti que cada par de olhos dentro da sala passou a me ter como foco, lendo todos os meus detalhes, como se soubessem de todos os meus pecados — não são poucos. O lugar parecia mais um bar, não um banco: tudo bem que é uma das construções mais antigas da cidade mas…

 

“Anestesia.”, disse, em alto e bom tom, enquanto levantava a cabeça e encarava um ponto fixo na minha frente: quase um robô; Chanyeol mais se escondia atrás de mim do que qualquer coisa, aposto que em pouco tempo ele acaba agarrando a ponta da minha blusa, que nem uma criança.

 

Não ouvi nenhuma resposta: eu entrei no lugar errado? Quando me dei conta um velhinho, atrás da bancada da recepção se levantou, tão lentamente que acho que ouvi suas costas estalarem, depois disso só consegui ouvir sua bengala batendo no chão de madeira. Meus olhos não se distraiam por nem um segundo, assistir ele andando até mim só me fez lembrar do mundo de vim, de onde cresci; por impulso levei uma mão para trás do corpo, entrelaçando com a de Chanyeol.

 

“Boa tentativa… garoto. Mas sinto em te informar que—”, ele tosse. “Essa aí não é mais a senha.”, ouço uma risada sarcástica chegar aos meus ouvidos.

 

Não tenho tempo para isso.

 

“Olha… senhor, mas sinto em te informar também, que você está falando com Byun Baekhyun. Sabe ao menos o que isso significa?”, ergui a cabeça, como se fosse superior, antes de soltar uma risada fraca.

 

“Um Byun? Fala sério, criança?”, percebi um leve desespero em seus olhos.

 

“Não te devo respostas. Me leve até você-sabe-onde e depois me traga um jaleco novo, ouviu bem?”, terminei, dando a volta no homem. Minha visão voltou a ter só um ponto: a parede branca, no fundo do banco.

 

Respiro fundo. Olho para trás: Chanyeol não tem expressão e o velho de antes passa a correr para trás do balcão de novo, apertando um botão embaixo da grande mesa: então vejo com clareza um vão se abrindo na parede, dando origem a uma porta e sua longa passagem.

 

“Desculpe senhor Byun, mas esse adolescente com o senhor não é autorizado em entrar.”, proferiu um dos guardas já dentro do corredor.

 

Tudo o que me restou foi encará-lo com desprezo, como: “quem pensa que é para me dar ordens?”. Acredito que um bom tempo se passou nessa, mas, por fim, ele não disse mais nada, então entrelacei meus dedos ao de Chanyeol de novo e comecei a andar, rápido, a ponto de virarmos no corredor e ficarmos sozinhos de novo. Tudo aconteceu em questão de minutos, mas isso parecia uma mentira, toda a tensão me fez pensar que já estava aqui por horas e horas.

 

Comparando ao lugar de antes, agora é como se estivéssemos em outro mundo ou em “casa”, para mim: no mesmo centro de pesquisas que eu conheço, com as mesmas paredes, os mesmos pisos e a luz forte e exagerada vinda do teto, tudo perfeitamente planejado. Mas aqui não passa de uma base reserva: simplesmente não é estratégico ter apenas um grande lugar para pesquisas na cidade, as chances de tudo dar errado, sempre, é grande então… não se pode arriscar.

 

“Suas mãos estão tremendo”, falei com calma, depois de um silêncio constrangedor que tinha se instalado entre mim e Chanyeol.

 

“Você mete medo, sabia?”, riu de nervoso. “Mas eu bem que gostei desse teu lado”, e o tom da sua risada mudou completamente, não tendo o objetivo de esconder as segundas intenções. Cientificamente falando Chanyeol ainda está lidando com muitos hormônios por agora e eu já entendi quem possivelmente terá que lidar com eles a partir de agora, quero dizer, isso caso tudo fique bem: Minseok teria que sentar para ouvir toda a história.

 

“Pensei que tinha dito pra’ você não falar nada.”, disse com um tom de brincadeira, recebendo um chute fraco na canela como resposta, que eu respondi com um murro no ombro, de novo e de novo, fazendo que a gente demorasse muito mais que o esperado para chegar a onde devíamos.



 

A sala principal é escura, apenas iluminada pelas grandes e inúmeras telas de computador ao longo de quase toda a parede, ninguém sentado nas cadeiras, construindo e desconstruindo códigos com os vários teclados além de mim. Aquela não era minha área preferida dentro de um laboratório, mas cada um onde eu trabalho precisa saber pelo menos o básico de computação e, isso me inclui. Alternava entre sentar, digitar, levantar e analisar: é um péssimo momento para não lembrar como se ativar o localizador.

 

O idoso de antes realmente veio atrás de mim, só para entregar um jaleco novo, tão branco como não via a anos: isso, mais meus óculos tortos, mais o cabelo bagunçado, mais as roupas largas e os tênis velhos sou eu de verdade, meio ridículo, ao meu ver, mas não para um adolescente sentado no chão, com as pernas encolhidas e com olhos brilhando em minha direção.

 

“Não lembrava que eu era tão lindo assim.”, brinquei, fingindo jogar os meus cabelos por cima do ombro, me distraindo um pouco das telas.

 

“Pode crer…”, agora eu acho que ele já tava quase babando. “A cada tecla que tu clica aí sinto que tenho tanto para descobrir sobre você ainda, tipo, caralho, você parece tão foda agora.”, e sorriu, um dos sorrisos mais lindos que já vi vindo de Chanyeol. Ele realmente me admira assim? Sou só um estagiário. Mas então ele já tinha se levantado só para me puxar pela cintura, me dando um beijo na testa antes de descer para os meus lábios, nada tão prolongado, era apenas… carinho.

 

“Vamos acabar com aquele fantasma de merda.”, sorriu como se me chamasse para um desafio.

 

Desafio, esse, que eu aceitei sem nem pensar duas vezes.

 

“Você sabia que assim que o localizador começar a trabalhar e achar aquele fantasma, vários alarmes vão ser acionados em todos os lugares e várias pessoas dessa cidade vão saber o que está acontecendo? É muito arriscado, por isso ninguém tentou ainda.”, essa foi minha cartada final: se Chanyeol quisesse, ele ainda poderia fugir.

 

“Não, eu definidamente não sabia disso.”, riu desacreditado. “Mas… foda-se.”, soltou, como se fosse simples.

 

Ele que é louco.

 

Apenas acenei com a cabeça, concordando, se falasse mais alguma coisa não sairíamos dessa conversa e nosso tempo fica mais curto a cada segundo. Assim que voltei a sentar em frente aos computadores, já não foi tão difícil pensar e lembrar dos códigos necessários: eis Park Chanyeol usando sua mágica para me colocar em ordem, de novo. Em menos de cinco minutos o localizador tinha sido ativado e isso já era o bastante para chamar atenção de todos.

 

“Ei, você aí.”, apontei para um dos caras que guardavam a porta. “Me arrume um carro e armas específicas para um espírito de categoria dez. Rápido! É de uma situação de vida ou morte que estamos falando.”

 

E então, começa a piscar na minha tela, antes que eu possa dizer mais alguma coisa:

 

[ LOCALIZADO:

Espiríto de espécie número 2843;

divisa da cidade com a floresta. ]

 

( . . . )

 

Supostamente — com certeza — eu não sei como dirigir um carro e nem soube em toda a minha vida, até porque, não é necessário: que cientista quer sair do seu laboratório? Ainda mais se trabalhar para o governo? Poderia muito bem pedir alguém para fazer isso e agora não seria diferente, não hoje, em que eu, Byun Baekhyun, insistiu a um adolescente para dirigir um carro a mais de sabe se lá quantos quilômetros por hora. Antes eu achava mais provável eu e Chanyeol morrendo na frente de vários soldados que por ordem do meu pai atiraram na gente, mas, me enganei, tem várias outras possibilidades.

 

“Você já pode abrir seus olhos, sabia?”

 

Nem morto. 

 

“Baekhyun, a gente já chegou.”, então eu me rendi.

 

Não fiz nenhum comentário sobre os chamados de Chanyeol, que provavelmente foram mais de dois, para dar toda a minha atenção ao lugar totalmente novo atrás das janelas do carro: cada passo daqui em diante poderia ser um passo em falso. Comecei a andar de forma cautelosa assim que me vi fora do automóvel, como se o chão estivesse cheio de armadilhas — mesmo não vendo nada no horizonte além da estrada e milhares de árvores envolta, um ótimo esconderijo para um tal espírito que ama dar sustos, por sinal.

 

Sem sinais de movimentação aos arredores, acelerei meus movimentos com a intenção de ir direto ao ponto. Não me dei o luxo de usar o pouco tempo que tinha para tentar explicar o que iria acontecer para Chanyeol, o melhor seria terminar toda essa história antes dos funcionários do centro de pesquisas terminarem o protocolo de emergência depois do alerta e chegarem até aqui, prontos para acabar com a dignidade que me resta.

 

Dando um espaço relativamente grande em relação ao carro, olhei para ambos os lados enquanto recebia o vento frio batendo contra o meu rosto, lembrando-me de quando estive no parque, a diferença sendo só no sentimento: o formigamento que sinto agora não tem nem explicação, o futuro me espera mas continua sendo totalmente incerto. Respiro fundo. Levo a mão até o bolso do meu casaco, tirando de lá e em seguida jogando na minha frente um pequeno e curioso apetrecho.

 

“Prá’ trás!”, gritei, assistindo o aparelho soltar faíscas azuis enquanto se abria e crescia, passando, então, a tomar a forma de uma caixa. Assim que notei ela começando a funcionar me senti movendo no automático, indo até Chanyeol e puxando-o pelo braço, escondendo ele junto a mim atrás do carro: ele não disse nenhuma sílaba, muito menos eu, toda nossa concentração estava no quadrado logo a frente, que parecia prestes a explodir.

 

Foi o que aconteceu: a coisa que antes parecia inofensiva passou a se assemelhar a um potente aspirador, puxando tudo em sua volta, desde das folhas e galhos das árvores até o parabrisa do carro.

 

“O que é aquilo?”, Chanyeol se aproximou do meu ouvido para perguntar, percebendo o barulho que fazia.

 

“Você nunca viu ‘Os caça fantasmas’?”, e dei um sorriso sarcástico.

 

Olhando com mais calma para dentro da floresta, consegui ver — mesmo com minha miopia absurda — uma maior concentração de movimento nas folhas: era ele. Assisti uma espécie de aura azul saindo do meio dos arbustos, claramente em tentativa de fuga ou camuflagem, uma “pena” que já é tarde demais, o espírito já estava sendo puxado para dentro da caixa.

 

“Vamos conseguir!”, gritei animado, comemorando vitória antes mesmo de ver o fugitivo entrando por completo em sua armadilha. Péssima escolha.

 

Não era por nada que aquele fantasma estava sendo estudado em laboratório, porque ainda restavam dúvidas sobre sua composição mesmo depois de anos, origem e vida: ele é mais forte do que sequer alguém um dia podia ter imaginado. Não sei quando nem como o barulho originado da caixa se transformou em puro silêncio antes de uma explosão, um grande desastre. Abrindo meus olhos de novo após o impacto senti que meus pés já não estavam tocando a terra e, para o meu medo, era verdade.

 

Tudo o que tentei enxergar dali em diante parecia como névoa, não sabia se continuava na floresta ou se Chanyeol estava vivo e menos que isso já me trazia pânico. Sabia o que estava acontecendo, eu tinha sido capturado, o fantasma brincava com minha alma, meu corpo, a fim de sufocá-lo e acabar por completo com a minha existência. Em outras palavras, havíamos o irritado e ele, agora, não queria nada mais do que me ver morto.

 

"Baekhyun!"

 

"Por favor!"

 

"Filho…"



 

A água pingava lentamente, vindo do céu até o teto do castelo de plástico, que agora eu chamava de abrigo, até escorregar e cair no chão, deixando a terra molhada: não tinha nada mais fácil de aprender do que a chuva, tão simples, tão comum, mas, ainda assim, desde que me lembro me escondo quando ouço um trovão. Não. Não só o trovão. Eu sempre me escondo de tudo, todos.

 

Aparentemente eu tinha passado por algum tipo de perda de memória gerada pelo medo; sabia que não tinha sido um desmaio porque não teria como eu aparecer dentro da casinha de brinquedo do parquinho da cidade assim que voltasse a ter consciência. Em um momento, minha vida passava em frente aos meus olhos, em outro, sentia minhas lágrimas descendo pelo meu rosto enquanto eu abraçava meus joelhos, como uma criança com muito, muito, muito medo mesmo. Eu estava completamente sem ar também, aquilo era um ataque de pânico ou eu apenas tinha corrido muito?

 

Perguntas e mais perguntas, é o que eu sei fazer. Desde que me infiltrei na escola, conheci Park Chanyeol, vi o fantasma pela primeira vez, passei a questionar cada passo dado por mim, por quem me criou, até mesmo por quem escutei ter existido no passado, sendo que antes não contraria o que os livros científicos dizem mesmo se fosse o último dia da minha vida porquê, bem, é a verdade, não é?

 

Sim.

 

Mas quem liga?

 

"Sabia que te encontraria aqui.", e então ouvi uma voz, calma e reconfortante. Nenhum artigo, texto ou lei dizia que eu estaria mesmo aqui, então… ignorando por completo meu estado de choque, consigo levantar o rosto, encarando quem já procurava um espaço para se sentar ao meu lado.

 

"Pai? O que faz aqui? Como me encontrou?", perguntei sem pausas para respirar: eu preciso de respostas.

 

"Sabe, quando você ainda não era maior que eu, costumava correr até aqui e se esconder. Um fantasma não te assustava, já um inseto…", parou para rir. "Eu te conheço.", senti sua mão passar entre os fios do meu cabelo, depositando um leve carinho.

 

"Me conhece?", ri fraco. "Então acho que não deve estar surpreso por eu ter estragado toda a missão, né?", então quebrei nossa troca de olhares para encarar o chão.

 

Não ouvi uma resposta por longos segundos.

 

"Alguns meses atrás, eu estava pensando em criar uma situação falsa para você e alguns outros estagiários, sabe, para passar vocês para o próximo nível—"

 

"O que? Então tudo isso foi uma mentira?", tentei me levantar e gritar com o velho, mas, ao bater a cabeça no teto do brinquedo lembrei que não era possível; por fim, me afastei o máximo que pude.

 

"Deixe-me terminar.", suspirou cansado. "Realmente, tudo o que você e os outros supostamente passaram nesses últimos dias foi planejado, desde o fechamento do centro de pesquisas. Tudo foi de acordo com plano até que… eu percebi que você não voltou, justo você, eu morri de preocupação, sabia?", ele levantou a voz e arregalou os olhos por um minuto, mas logo voltou a si. “Ligando os pontos, depois recebendo uma localização nova de outra base eu já sabia que você tinha ido além.”.

 

“Eu… não entendo.”, minha cabeça doí, são muitas informações para um mesmo momento.

 

“Baekhyun… você achou um espírito de categoria dez, desconhecido pela central, por, simplesmente, pura coincidência. Somente cientistas de alto nível conseguem lidar com esse tipo e…”, falando tudo muito rápido e de uma vez, assisti ele ser obrigado a parar e puxar mais ar para os seus pulmões. “Você conseguiu… capturou ele com uma ferramenta tão simples, claro que acabou instável mas nada que não conseguimos resolver.

 

Então, quebrei meu recorde, nunca pensei que meus olhos poderiam se arregalar tanto. Cada palavra que saiu da boca do meu pai ali, agora, é como assistir um filme em que eu sou o protagonista: sou muito sortudo ou muito azarado? Sortudo, definitivamente, complemente sortudo, ainda mais quando sinto dois braços passarem ao meu redor, me trazendo para perto, trazendo segurança.

 

“Fico feliz que está bem. Eu perdi a cabeça quando sua mãe se foi e não saberia o que fazer se você também sumisse. Desculpe ser tão rude e chato as vezes, você ainda não é nem um adulto direito e, sabe, eu nunca tive um filho ou perto disso, sei que tem suas necessidades, escolhas e você precisa me ajudar a entender elas.”, ele não estava chorando, mas pelo abraço, ouvi seu coração bater forte.

 

O que deu em mim? Passei as últimas noites sem dormir, pensando se meu pai brigaria comigo, me denunciaria para o governo e, no pior dos casos, concordasse com minha morte: eu tinha tanto medo de falhar a esse ponto? Sim. Medo da morte? Sim. Medo de não ter amor do meu pai, amigos e Chanyeol? Sim.

 

Me deixei levar pelo abraço. Talvez — com certeza — eu ou meu pai nos esforçamos o suficiente para fazer nossa relação de pai e filho funcionar mas eu queria que desse certo, de alguma forma: eu não tenho muitos amigos e se meu velho pudesse ser um deles eu gostaria muito. eu o amo no final das contas. Em meio às minhas lágrimas não pensei em muita coisa, nada além de recapitulações e como supostamente enquanto eu permaneci apagado acabei derrotando um fantasma forte para um caralho: melhor feito da minha vida e eu nem lembrava, como não lembrava do exército chegando e nem de... 

 

“Pai… você por acaso viu um cara, um adolescente, quando chegou na divisa?”, falei enfim depois de longos minutos em silêncio no abraço, minha voz soou meio desesperada.

 

Não

 

“Não?”, minha voz aumentou, não era possível que eu estava delirando sobre Chanyeol também. “Eu preciso ir procurá-lo, ele é… bem importante.”

 

A resposta do meu pai não foi nada mais que um sorriso, como se entendesse cada detalhe da situação sem eu nem mesmo falar algum detalhe. Por fim, ele me perguntou se eu o encontraria no centro de pesquisas mais tarde:

 

Talvez.

 

( . . . )

 

Baseado-se na velocidade dos meus passos e na falta de expressão no rosto, não tinha como notar como meu coração batia mais rápido que já bateu em toda a minha vida. Uma vez que li um conto de fadas quando ainda era pequeno, desde então venho me perguntando o sentido do “e foram felizes para sempre”, quero dizer, para sempre é muito tempo e cientificamente falando é impossível alguém ser feliz 24 horas por dia, sete dias por semana mas… eu realmente queria me sentir uma criança de novo e sonhar que Chanyeol estaria bem e que nós podemos começar uma história juntos se tudo não tiver sido um puro delírio meu. 

 

Se alguém pudesse ler o pensamentos das pessoas, com certeza desistiria de mim nos primeiros cinco minutos: às vezes pensando na razão, outras na emoção, mas principalmente no “não tenho a menor ideia”, certamente um louco. Não discordo, mas eu sou assim, pelo menos, agora eu sei disso, se eu não tivesse saído daquele laboratório acho que continuaria me definindo como uma larva devoradora de livros. 

 

E são pensamentos como esses que giravam na minha cabeça dessa vez, enquanto andava de lá pra cá pela cidade, procurando tudo mas ao mesmo tempo nada. Meu ponto de partida foi a divisa da cidade, mas nada havia lá além de cientistas, viaturas e muito barulho, depois, passei pela escola e nem tive a chance de procura, estava trancada.

 

Não me diga que humano é mais difícil de encontrar do que um fantasma? Não Park Chanyeol, com aquela altura e orelhas eu poderia reconhecê-lo no meio de uma multidão — desconsiderando totalmente o fato que a gente se conhece a tão pouco tempo. Admito, eu não estava vivendo um conto de fada, tá mais para uma história em revistas de adolescente. 

 

“Mas quem sou eu pra’ reclamar, é mais que perfeito… se você ao menos aparecesse.”, disse para mim mesmo enquanto sentava no banco daquela mesma praça que já tinha certa intimidade. Ainda restava muito da cidade para procurar mas eu era preguiçoso demais para isso.

 

“Você tá’ chorando?”.

 

Chanyeol.

 

“Chanyeol!”, e então pulei em cima do corpo que permanecia em pé na minha frente, isso antes deste cair na grama comigo junto. “É você mesmo? Você é real? Eu estou sem meus óculos.”, e abracei aquele estranho de voz calmante. 

 

“Claro que sou eu, seu puto! Sabe o quão preocupado eu fiquei com você naquela hora? Eu só queria ir atrás de você mas uns caras maiores que um prédio me puxaram para um interrogatório… por sorte seu pai me salvou.”, e passou sua mão entre os fios do meu cabelo, fazendo um leve cafuné enquanto permanecemos jogados no chão.

 

“Como ele…”, me levantei um pouco, saindo de cima de Chanyeol para enfim sentar ao seu lado. “Quer saber, foda-se, não ligo, só estou tão feliz por você ser de verdade, por um momento pensei que toda essa história tinha me deixado tão louco que você também era um delírio.”

 

Ele não disse mais nada, apenas se sentou ao meu lado, olhando profundamente nos meus olhos que ainda pareciam estar inchados e deu um sorriso triste este que logo virou uma gargalhada.

 

“Ei, vamos parar com esse clima tenso, você conseguiu! Capturou aquele bicho e de quebra ainda me pegou de jeito!”, assim senti Chanyeol me abraçando para logo levantar e me girar junto a si.

 

“Porra, não me faça rir!”, mas eu ri mesmo assim.

 

“Porque não? O seu sorriso é lindo…”, nossos olhos se encontraram. Não deixei aquele momento durar ainda mais, apenas por pura vontade próprio subi naquele banco e puxei Chanyeol para mais perto, selando nossos lábios só para confirmar como eu amava fazer aquilo.

 

A partir daí não sei quanto tempo ficamos jogando conversa fora e trocando beijos em banco, na praça, debaixo de uma grande árvore, no fim da tarde e sem esquecer das faixas de “área restrita” que vinham da divisa até ali: muito romântico — digo, é uma boa história para se contar. Mas ainda restava uma dúvida que não cansava de martelar a minha cabeça repetidas vezes.

 

“Sabe, Yeol… meu pai me perguntou mais cedo se eu voltaria para o laboratório hoje mas, de alguma forma, senti que era algo muito maior.”, meu rosto se fechou por um momento, encarando o céu por meio das folhas das árvores. 

 

“Não sabe se quer voltar a trabalhar lá?”, perguntou ele: era um gênio mesmo.

 

“Eu amo pesquisar, estudar, analisar e criar mas, ainda assim, lá parece uma prisão. Agora que eu vi o mundo real de perto eu sinto que posso ir tão além, entende?, olhei para ele com os olhos arregalados, como se esperasse aprovação.

 

“Baekhyun, você pode ser e viver tudo o que quiser e muito mais. Não digo só em relação à ciência mas sim sobre tudo! Você é tão incrível, inteligente e criativo, aposto que se um dia começar suas próprias pesquisas conseguirá tocar nas estrelas.”, então ele sorriu e meu coração se acelerou mais uma vez.

 

“É tudo o que eu mais quero…”

 

“Não cresça rápido demais, cedo demais. Guarde algum tempo para sonhar… é o que tento fazer pelo menos.”, ele coçou o cabelo em sua nuca, envergonhado de alguma forma; suas orelhas estavam vermelhas.

 

“Você é um anjo?”, tombei a cabeça para o lado enquanto deixava meu sorriso nascer e ele ria. “Tudo bem, como primeira decisão da minha mais nova vida eu declaro que você, Park Chanyeol, nos leve para tomar sorvete e conte sobre você, aceita?

 

“Sim senhor!”.

 

 


Notas Finais


Oi gente, eu voltei! Mesmo depois de quase oito meses... admito que fiquei todo esse tempo me remoendo na culpa de não ter postado antes mas justamente tudo deu errado nessa época e só agora que eu posso dizer em alto e bom tom que eu estou bem de novo! E eu fico muito feliz de ver que muitas pessoas esperaram ansiosas por este capítulo então tá aí 6k para vocês <3

Essa história era para ser bem simples mas virou o meu bebê, era pra' ser a primeira de muitas e ainda continua assim: vou arrumar meus horários e achar um espaço só para escrever tudo que tem na minha cabeça então não desistam de mim, por favor askaskaks

Eu espero de verdade que vocês tenham gostado dos três capítulos e desse final!

Enfim, até uma próxima história...

[ o capítulo ainda não foi betado | os créditos por essa capa maravilhosa vão todos à @Suhomyeon ♥ ]

Twitter: @InANeverland


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...