História Arquivo Morto - Capítulo 36


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Categorias Malhação
Tags Bissexualidade, Griperti, Lésbica, Limantha, Malhação, Mistério, Sexo
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Festa, LGBT, Literatura Feminina, Mistério, Orange, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 36 - Dar um tempo


A polícia apenas liberou que o corpo de Donato fosse enterrado dois dias depois de seu assassinato. O velório e o enterro foram realizados em São Paulo, com a presença de familiares e poucos conhecidos. Lica, Ellen e K1 compareceram na despedida do ex segurança. Todas estavam muito abaladas, não apenas por conta da perda de uma grande pista que ajudaria Samantha, mas pela morte em si. Embora as amigas a tranquilizassem, Lica se sentia responsável pelo fim da vida de Donato.

 

Samantha também compartilhava do mesmo sentimento, também se culpava pela morte do segurança. A polícia tinha algumas informações sobre o crime. O corpo de Renato foi encontrado cerca de doze horas depois que ele foi morto, ou seja, o assassinato ocorreu a noite. O assassino fez a escolha de uma arma branca e espetou suas costas cerca de seis vezes, perfurando os pulmões. O corpo foi encontrado por um colega do ex segurança que passou em sua casa para avisar sobre um processo seletivo em um supermercado da região e viu, através da janela da cozinha, o corpo caído no chão todo perfurado. A morte de Donato foi assunto do bairro o dia inteiro. Durante o velório, várias informações chegavam nos ouvidos de Ellen, Lica e K1. Não sabiam decifrar o que era verdade e o que era mentira. 

 

- Ele estava com uma dívida de droga que passava dos vinte mil... – Um rapaz ruivo comentava com outro ao lado de K1. – Esse pessoal da biqueira não perdoa. 

- Dizem que ele foi visto com a Luana, ex-mulher daquele traficante que foi preso, o Dado. – Uma moça negra comentou com outra que estava próxima de Lica. – Só de namorado dessa Luana, o Dado já matou três.

- Esse é o fim de quem se mete com agiota. – Um careca que jogava futebol com Donato comentou com Ellen. – Mas também, coitado... Fez de tudo pra salvar a filha.  Que Deus o tenha...

 

A polícia também chegou a ir ao velório do segurança. Lica reconheceu delegado Caetano por uma foto que saiu publicada em um jornal. Não era a toa que Caetano estava ali, Ellen, sempre muito detalhista, teve ideia para conectar Caetano ao crime, ligou ao disk denúncia anonimamente e afirmou que Donato e o traficante Leonel  Garcia foram assassinados pela mesma pessoa. 

 

Após ver o delegado conversar com algumas pessoas, Lica se aproximou dele. Seu intuito era falar sobre o dinheiro que havia sido transferido para a conta de Donato. De qualquer forma a polícia saberia que foi ela que colocou aquele dinheiro ali. Eles rastreariam a conta de sua avó Tereza e chegariam nela. Era melhor esclarecer tudo logo e ganhar a confiança do delegado. 

 

- Então você deu quinze mil reais a ele? – Lica fez um gesto afirmativo. – Só porque ele foi ex-funcionário do colégio do seu pai? 

- O meu pai não agiu de boa fé com os funcionários. Eu não concordo como ele direciona a coordenação da escola. 

- E premia todos com dinheiro?

- Não... Eu não tenho dinheiro para tanto... O Donato foi um caso especial... Eu soube que a filha dele necessitava de fazer um procedimento cirúrgico que não tem disponível no SUS e por causa da ganância do meu pai, ele e vários funcionários perderam o plano de saúde. Eu o procurei e ofereci uma ajuda financeira para que ele pudesse custear a cirurgia da menina. Como eu não tinha esse dinheiro em espécie, eu pedi emprestado pra ex-esposa da minha avó falecida que eu também considero como minha avó. 

- E você veio nos procurar exatamente por quê?

- Pra esclarecer delegado porque eu sei que vocês vão analisar as contas bancárias dele... O Donato estava enrolado com dívidas de droga... Seria estranho esse dinheiro na conta sem explicação. 

 

Caetano fez um gesto afirmativo. Ainda tinha uma pergunta a Lica. 

 

- Você sabe que a vítima era dependente química... – Lica fez um gesto afirmativo. – E sabe que dificilmente recuperaria esse dinheiro... De acordo com o que você me disse, vocês não tinham uma relação de amizade... Mesmo sem previsão de ter o seu dinheiro de volta, você quis emprestar? 

- Quis porque eu sei que ninguém confia em um dependente químico, ainda mais quando é caso de dinheiro. Eu também sou dependente, delegado. A minha família felizmente teve dinheiro pra arcar com o meu tratamento, coisa que não acontece com todo  mundo. Faz mais de sete meses que eu não uso cocaína e eu estou tendo acompanhamento com um terapeuta semanalmente... Minha mãe e meus amigos confiaram e confiam em mim e eu sei quanto isso me ajuda e me fortalece. Eu emprestei o dinheiro e confiei no Donato porque eu imaginei que o voto de confiança talvez fosse o ponto que ele precisava para começar a se recuperar. Eu lamento muito por tudo que aconteceu...

 

Após tudo esclarecido, o delegado agradeceu a colaboração de Lica. Alguns minutos mais tarde, uma senhora de cabelos grisalhos veio falar com a garota de franja. Ela se identificou a Lica como a mãe de Donato, responsável por Melissa.

 

- O meu filho comentou que uma amiga dele ia emprestar o dinheiro que estava faltando para a Mel conseguir operar... Eu tenho a senha bancária e vi o depósito de quinze mil, o delegado comentou que foi você... Eu queria transferir o dinheiro de volta.

 

Lica se surpreendeu. 

 

- Transferir de volta?

- Eu não sei como o Donato combinou com você o pagamento, mas eu não vou ter condições de te pagar... Eu sou pensionista e o que eu recebo mal dá pra comer... Eu não posso arcar com uma dívida desse tamanho... 

 

Lica refletiu um pouco e então perguntou:

 

- A senhora tem uma foto da sua neta aí? 

- Claro... Eu não a trouxe porque é tudo tão triste e velório não é um ambiente para crianças... – Entregou o celular a Lica. – Está aqui...

 

Lica sorriu ao ver a foto. Era Melissa com a boca toda suja de chocolate ao lado do pai. O ser humano é incompreensível. Como aquele troglodita que quase matou Guto de pancadas podia ser um homem tão sensível ao lado daquela garotinha? Os dois pareciam tão felizes. Não ia se perdoar nunca por ter procurado Donato e ter findado momentos como aquele. Ela era uma garotinha bonita. Tinha sorriso aberto e os cabelos cacheados e escuros. Entregou o celular a mulher. 

 

- Eu não quero esse dinheiro de volta... Considere um presente meu a Melissa. 

 

A mulher arregalou os olhos. 

 

- Ninguém da quinze mil reais de presente...

- É o mínimo que eu posso fazer, por favor, aceite. 

 

Quando Lica deu por si, a mulher a apertava forte em seus braços agradecendo emocionada a bondade de Lica. Depois do enterro, quando as pessoas começaram a se dispersar, mais uma vez a mulher a abraçou. Agora na frente de K1 e Ellen. Lica deixou as duas em casa e depois seguiu para o apartamento de sua mãe. Pelo menos uma notícia boa nos últimos dias, não precisava mais conviver diariamente com o autoritarismo de Edgar e o cinismo de Malu. 

 

 

- Essas cartas estão me enlouquecendo! – Malu comentou com Rafael. – Nem dormir direito eu consigo. 

 

Apenas as palavras mudavam um pouco, mas a mensagem da correspondência era sempre a mesma: o remetente acusava Malu do assassinato de Leonel e a ameaçava entregar a Edgar. A última carta havia chegado na manhã daquele dia. Malu encontrou em seus objetos pessoais. Agora o remetente a acusava também da morte de Donato. 

 

Com os nervos em frangalhos, Malu procurou por Rafael e os dois se encontraram no flat que Malu havia alugado secretamente, há alguns meses, para que os dois tivessem mais privacidade. 

 

- A gente sabe que as cartas não chegam pelo correio. A vagabunda que fez o programa comigo também deixou aquele bilhete pessoalmente. Quem manda também deve fazer isso. Aquela empregada sonsa... Será que ela não ouviu alguma coisa?

- Eu pensei nisso também... Mas a Regina tirou o final de semana de folga e uma das cartas chegou no domingo. Não foi ela. – Malu garantiu. – E agora ainda está me acusando da morte do Donato... Eu não fiz isso. 

- Eu sei... No jornal publicaram que ele foi morto entre as dez e a meia noite. Essa hora a gente estava junto. 

- Mas se não foi eu e nem você, quem foi? – Malu questionou curiosa.

- Aquele prego devia Deus e o mundo. – Rafael lembrou. – Isso se não foi um merdinha qualquer que matou só pra pegar o celular porque o celular e a carteira dele sumiram. 

- Alguém ia invadir uma casa e matar um homem só por causa de um celular e uma carteira? – Malu questionou chocada. – Que mundo é esse?

- As pessoas são assim... Matam por causa de quinze reais. – Rafael afirmou enojado. – Ou vai ver matou pra te incriminar. Mas o prego já foi não importa... O que a gente tem que descobrir são essas cartas... É alguém próximo de você... Você não desconfia de ninguém? 

- A única pessoa que teria o interesse de me ver assim é aquela fedelha maldita que sumiu do mapa. 

- A Samantha?

- Mais que óbvio que é ela... – Malu respondeu. - E ela está quente no jogo porque ela sabe da nossa ligação. Na última carta ela chegou a citar a arma que você conseguiu com o Donato. 

- Mas será? Eu fico pensando... E se foi o meu pai?

- Teu pai? – Malu estranhou. 

- Sei lá... Vai ver o prego do Leonel contou pra ele antes de morrer e ele está fazendo um jogo psicológico com você. 

- E o Donato?

- Vai ver ele matou o Donato pra te incriminar. Eu conheço aquele velho, o métodos dele não são de nenhum santo não...

- O Leonel ter falado sobre a gente com ele pode ser... Mas o Donato morreu no dia que ele estava jantando com o Edgar, lembra? Foi até por isso que a gente conseguiu se ver de noite, porque o Edgar e ele foram jantar juntos. 

- É... Ele estava com o meu sócio... Mas sei lá... Pode ter mandado alguém fazer o serviço... 

 

Malu fez um gesto negativo. 

 

- Ainda acho que a gente tem que se concentrar na fedelha... Eu sinto que ela está rondando e essas cartas são uma forma dela tentar me enlouquecer. Temos que intensificar as buscas por ela. 

- E se achar? Você vai seguir o plano original de assustá-la e depois tentar o acordo de ela se entregar? 

 

Malu fez um gesto negativo. 

 

- Ela é teimosa. Mesmo assustada não vai aceitar...

 

Rafael não entendeu. 

 

- E porque você quer que ela apareça?

- Porque eu não posso conviver com essa faca no pescoço pelo resto dos meus dias. E outra... Quem disse que ela precisa aparecer viva? – Malu disse em um tom intimidador. Sorriu maldosa. – Só Deus sabe o quanto essa cidade pode ser perigosa para uma menininha bonita e rebelde feito a Samantha. 

 

 

- E foi isso... Tudo muito triste... – Lica resumiu o velório de Donato a Tina, Guto e Samantha. – Muito confuso. 

 

Samantha queria ter ido ao velório e ao enterro de segurança. Estava sentindo muito remorso por ter envolvido ele em suas investigações, mas por uma questão de segurança, Lica a convenceu ficar em casa. Na cabeça de Lica, Malu e Rafael tinham assassinado Donato e aquele crime era mais uma prova que ela não estava para brincadeiras. Samantha não poderia se arriscar. Tina e Guto souberam do acontecido e ficaram na casa de Lica para fazer companhia para a garota. Ao chegar em casa, no meio da tarde, Lica relatou a namorada e aos amigos como foi tudo acrescentada a sua conversa com o delegado. 

 

- Eu estou me sentindo péssima... Eu tô com tanto medo da onde isso vai dar... Tô me sentindo tão culpada...

- Ah não, Sam... – Guto vetou. – Que culpa você teve? Você viu o que o Donato fez comigo... O cara era uma tragédia anunciada. – Guto afirmou. – É triste dizer isso, mas é verdade...

- A bad não combina em nada com você... – Tina afirmou enquanto massageava os ombros da amiga. – Eu sei que é difícil, mas você não pode deixar se abater, Sam...

- Se tem alguém culpado nessa história, essa pessoa sou eu, amor... – Lica disse um tanto melancólica. – Eu fui uma idiota... Burra! Devia ter me ligado que o Donato era visado. – Passou a mão pelo rosto. – Eu devia ter tomado mais cuidado... Fui agir por impulso, a merda que deu.

- Foi alguma de vocês que entrou na casa daquele homem e esfaqueou ele? – Tina questionou.

- Claro que não, Tina! – Lica reagiu. – Que pergunta!

- Então vamos parar com esse “mea culpa”? Aconteceu. Como o Guto disse, o cara era uma tragédia anunciada, uma bomba relógio. Vocês nem sabem porque ele foi morto e já estão se flagelando...

 

Lica e Samantha se entreolharam e depois encaram a garota sansei. Tina estava certa. Ninguém sabia se Donato foi morto porque sabia demais, por dívida de drogas, por latrocínio ou outra causa escusa. Não podiam se matizar daquele jeito por conta de hipóteses. Lica sorriu pra amiga.

 

- É samurai, você tem razão...

- E quando eu não tenho, meu querubim narigudo?! – Lica ergueu o dedo do meio aborrecida, Samantha e Guto morreram de rir ao lado de Tina. – Lica, olha os modos... Eu não te dei amor, carinho e leite ninho pra você me tratar assim.

- Guto, tô doando uma amiga retardada, quer levar? – Lica disse se oferecendo a Tina que mostrou a lingua.

- Uma mostra a lingua, outra mostra o dedo do meio, vocês tão discutindo ou se convidando pra um sexo lésbico? – Guto questionou fazendo as garotas pararem com as implicâncias para gargalharem. – Porque eu sinto que estou sobrando...

 

Samantha riu.

 

- Imagina, meu Gutoso... Você não nasceu para ser sobra... – Samantha disse entre risos. Se jogou em uma poltrona. – Aí, aí... Só vocês pra me fazer rir nessa altura do campeonato. 

 

Tina se sentou ao lado de Samantha. 

 

- É isso que você está precisando, gata... Você e a mocinha do nariz avantajado ali... – Apontou a Lica. – Vocês estão precisando rir um pouco, falar besteira, pegar no sono vendo filme velho na TV, namorar... Esse lance tá muito pesado e vocês estão lidando com isso há vários dias. 

- A Tina está certa... – Guto concordou.

- Eu estou dizendo meus bombons... Eu sempre estou... – Brincou. Mas em seguida disse em tom mais sério. – Vocês estão esgotadas desse assunto. Deviam tirar uma folga de tudo isso... 

- Mas como a gente vai tirar folga disso? – Lica questionou. – Se a gente não resolver esse assunto, como vai ser? 

- Não estamos falando pra vocês não tocarem mais nesse assunto... – Guto explicou. - Mas dar um tempo. É tipo quando você cria algo... As vezes você para em um ponto e trava. Aí você precisa parar, respirar, se inspirar de novo pra retomar com o projeto entende?

 

Um celular começou a vibrar. Era o de Tina. A garota leu. 

 

- Amores da minha vida... Falando em folga a minha acabou. – Disse a garota platinada. – Meu pai me procurando, o dever me chama... 

- Eu também tenho que ir. – Guto disse já se levantando do sofá. – Eu tenho uma apresentação em um hotel lá no Alto da Lapa. – A Lica, Samantha e Tina. – Aliás... Quando esse lance da Malu Vudu acabar, vocês estão intimadas a ir me ver... 

- Você vai descer, Guto? 

- Vou. 

- Que bom... Aí você me dá uma carona até o restaurante do meu pai. – Tina disse. A Lica e Samantha. – E vocês, juízo sozinhas. – As duas riram. - Usem camisinha porque a tia Marta é muito nova para ser avó. – Disse arrancando mais risadas das duas. 

 

Lica e Samantha acompanharam Guto e Tina até a porta e despediram-se dos dois. Após a porta do elevador se fechar, Lica abraçou Samantha pela cintura e carinhosamente a guiou de volta a casa. A mais nova fez uma careta. Não pelas carícias de Lica, aquelas a agradavam bastante. O problema era voltar para o apartamento. Lica percebeu a expressão da namorada. 

 

- A Tina tem razão... Que ela não me ouça... – Lica disse fazendo Samantha rir e então continuou. – A bad não tem nada a ver com você. – As duas entraram no apartamento. Lica encostou a porta e beijou seu rosto. – Não fica assim. 

- Eu sou uma ingrata, né?!  Você, os meus amigos tudo se esforçando pra que eu fique bem e eu aqui nessa deprê... - As duas se sentaram. Lica no sofá e Samantha ao seu lado deitou com a cabeça em suas pernas. – Desculpa de estar agindo assim...

 

Lica fez um carinho em seus cabelos.

 

- Você tá frustrada... Eu entendo você... Eu também fiquei mal... Mas a gente sabia que não ia ser fácil... 

- Sabe o que mais me machuca nisso tudo? – Samantha interrogou Lica. – É que a gente demorou tanto pra se acertar e quando a gente tá finalmente junta, a gente não pode levar uma vida normal... Eu sei que isso não vai ser pra sempre, mas é que eu não vejo a hora de poder andar de mãos dadas com você no meio da rua... – Samantha afirmou a Lica que sorriu. – Não vejo a hora de poder te ligar e chamar pra tomar um sorvete, pra causar numa balada no Baixo Augusta, passar um domingo na Paulista, ou fazendo um piquenique no Ibirapuera. Não vejo a hora da gente poder viver o nosso namoro por aí, entende... E agora eu me meti nesse rolo e meti você também...

- E a gente vai passar por isso juntas... Essa confusão toda da Malu é temporária... O que eu sinto por você não é...

 

Samantha riu. 

 

- O que eu sinto por você também não é... 

 

As duas trocaram um sorriso seguido de um olhar cúmplice e carinhoso. 

 

- Se a gente seguisse o conselho da Tina? Tentar desligar desse assunto de Leonel, de Malu por um tempo?Pelo menos esse fim de semana. 

- Você acha que pode ser bom?

- Acho... A gente podia sei lá... Acampar e voltar só domingo a noite. 

- Acampar? 

- A ideia não é se desligar de tudo? – Animada, Samantha fez um gesto afirmativo. – Então, nada melhor que se mandar para o mato... 

- Mim ser Tarzan e você ser Jane? 

- Olha... – Lica disse em um tom malicioso. – Se for pra te ver andando só de tanguinha por aí eu sou o que você quiser... – As duas riram, Samantha ergueu a cabeça e deixou um beijo nos lábios sorridentes da namorada. – Bom... A gente só tem hoje a noite para se preparar pra sair amanhã de madrugada. – Lica comentou. – Melhor a gente pesquisar e ver um lugar logo. 

- Não precisa...  Eu sei de uma praia ótima que fica há uma hora e meia daqui... – Lica se animou. Se Samantha já tinha um lugar em mente as coisas ficavam mais descomplicadas. - Eu sempre ia com o meu pai...

 

O sorriso de Lica se desfez. Não por ouvir Samantha se referir a Lambertini. Já estava conversando com o homem por mensagem durante dias e eles se entendiam bem. Seu problema era outro. Lambertini havia pedido sua ajuda e ela não sabia como chegar e conversar com Samantha sem aborrecê-la. Aquela era a melhor hora. 

 

- Sammy... Antes da gente viajar e esquecer o mundo tem uma coisa que você precisa ficar sabendo... Sobre o seu pai... Ele me procurou. 

- O meu pai? – Samantha se espantou. – Ele te destratou? Ele fez alguma coisa com você, ele...

- Ele tem sido incrível comigo. A gente se da bem... Ele me pediu ajuda. 

- Ajuda pra que? 

- Pra falar com você... Sammy, o seu pai parece que se arrependeu de tudo que fez. – Samantha encarou Lica de um modo desconfiado. – Samantha ele pediu minha ajuda porque... Ele quer conversar. Ele quer se reaproximar de você como fez comigo. – Fez uma pausa. – E você? Você quer se reaproximar dele?



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