História Arrasados pelos Deuses - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Assassinos, Aventura, Corrupção, Fantasia, Magia, Mistério, Suspense
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela, Seinen, Suspense, Violência
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Se tem o poder para mudar, não buscar mudança é...


No corredor onde os dois passavam, havia somente candelabros que davam uma cor carmesim às paredes de pedregulho e diversas portas de madeira revestidas em metal.

Raphiel passava o olho de relance a tudo em seu campo de visão com a mesma sensação de um jovem que foi preso pela primeira vez — uma sensação que conhece há um tempo. Analisando a temperatura um pouco quente, o ambiente com nenhuma interferência do sol em lugar algum e um pouco de poeira que caía sob sua cabeça constantemente, notou que o lugar que estava está embaixo da superfície. Algo que o deixava muito mais incomodado que antes.

Já o homem com as costas largas que o guiava, não tinha nada de especial além de seu bruto corpo, apenas o frio silêncio entre os dois. Então, Raphiel decide começar uma conversa com o assunto que mais deixava-o desconfortável:

— É..., onde exatamente nós estamos? — perguntou timidamente o garoto de cabelos ruivos.

— Nós estamos em um lugar onde costumava ser um celeiro — respondeu ainda seguindo em frente calmo em bom tom. — Cada um desses quartos carregava quilos e quilos de feno e equipamentos para, não só montaria, mas também para a criação de bois. Isto uma década atrás.

— É mesmo? — indagou curioso — Se bem que faz sentido, já que uma década  atrás os recursos entre as ilhas não era bem dividida. Erak — o homem mais odiado de toda Arcland; aquele que comandou a tomada das terras e quem governa elas atualmente — realmente sabe como administrar um lugar, embora os meios foram... Brutais — falou com amargura.

O outro ficou calado por um tempo, e respondeu um atrasado “sim”, qual ecoou por todo o lugar. Raphiel observou-o na tentativa de descobrir sua reação, qual parecia um tanto decepcionada.

— E como ela acabou deste jeito, abandonada?

— O proprietário foi morto durante a invasão, e durante a bagunça e a revolta do povo, Erak não olhou muito para a terra e então, se tornou um lugar esquecido.

— Entendo... — expressou com uma amostra de lamento. Então, ele olhou novamente para a aparente trigésima porta que passara e, curioso, perguntou: — E o que há nelas agora?

O largo homem ficou calado para o mais um tempo, algo que Raphiel já esperava da pessoa, contudo, a pausa havia inesperadamente se estendido mais. Raphiel estranhou o momento, porém, o homem finalmente falou:

 

— Isso o próprio líder irá te responder — a voz do homem de longe era assustadora. Embora calma, firme — às vezes fria — e direta, ainda havia um tom gentil nela; e nessa frase ainda era mesma voz. Porém, a frase formou um arrepio em seus braços.

Então, fora possível notar uma luz carmesim em à sua frente, o que significava o fim do corredor. Semicerrando os olhos, Raphiel notara que havia uma porta dupla com vigas com aríetes de ferro com algumas pontas sob ela.

Raphiel então olhava para a porta, ansiosamente, si perguntava quais eram os tipos de pessoas que estavam após essa porta. Até que o homem ao seu lado colocou sua enorme mão direita no ombro de Raphiel e falou:

— Não precisa ficar ansioso — consolou a ansiosa criança o brutamontes. — Eu garanto pra você que ele é de boa.

O garoto simplesmente fez um contato visual com ele, sem mensagem ou expressão em seus olhos. Ele voltou a olhar para a frente e aparentava estar pensativo. Os dois pararam em frente à porta dupla e o grandalhão ao seu lado fez um pedido:

— Antes de entrarmos lá, você pode... Tirar essas faixas de sua cabeça? Tá meio estranho.

— Ah, claro. Seria bem zoado falar com isso na cabeça — assentiu o garoto tirando o tecido em sua cabeça. — Valeu por avisar.

Ao tirar o tecido, agora era possível ver todo o cabelo do garoto: um cabelo castanho escuro bagunçado — de certa maneira charmoso —, qual aparentava simplicidade e dava destaque aos seus olhos dourados.

Os dois se aproximaram na porta e o grandão bateu na porta três vezes em um ritmo em específico. Após alguns curtos segundos, os dois ouviram uma voz arranhada e bastante firme dizer “Entre”.

Então o homem ao seu lado abriu as duas portas pesadas e rígidas, ecoando um som de madeira rangendo. Diferente do corredor, o lugar era extremamente bem iluminado com candelabros por todos os lados, capaz até de dar uma breve tontura.

A sala contava com várias cadeiras nas laterais da sala; uma mesa longa no meio acompanhadas de mais cadeiras e diversos folhetos; lembrava um escritório real que havia próximos das celas de prisão — algo que o próprio Raphiel já vira de perto quando foi pego uma vez pelos guardas quando mais novo.

E sentados em duas cadeiras na mesa do meio, havia uma mulher com uma pele morena, longos cabelos roxos e olhos azuis, qual aparecera anteriormente para Raphiel e se apresentou como Ullya, surpreendendo um pouco o garoto.

— E aí, garoto ­— uma voz arranhada surgia em direção de Ullya, mais precisamente a frente dela. A pessoa que havia cumprimentado o garoto havia se inclinado para poder ver os dois junto com um leve sorriso amarelado, já que Ullya estava na frente.

O homem tinha aparência robusta, olhos apertados de cor castanhos, com traços em seu rosto que resultava em alguém com sessenta anos, mesmo tendo um corpo em forma. Tinha cabelos negros com mechas brancas curtos espetados para o alto. Ele usava um colete de couro sem mangas e uma blusa fina por baixo, com um peitoral de arame qual raramente tira.

— Bom, por hora, irei me retirar para que possam conversar a sós — falou Ullya afastando a cadeira para trás e indo em direção da saída.

Ele fez um contato visual com pessoa que estava acompanhando Raphiel até o momento para que se retirasse, e foi o que fez: deu quatro passos para atrás e fechou as duas largas e pesadas portas como se fosse nada, resultando em um som contundente que ecoava pela espaçosa sala.

Então as duas portas se fecharam, ecoando uma batida contundente pela sala. Após o som cessar, o silêncio entre os dois ecoava por toda a sala, deixando o mais novo meio constrangido.

Raphiel estava meio perdido na situação que estava e não sabia bem o que fazer. O homem sentado à mesa à sua frente notara, então levantou-se levemente de sua cadeira e apontou a que estava a sua frente, mais precisamente, a cadeira que estava Ullya.

Depois de se sentar, arrastou a cadeira junto dele duas vezes para frente, fazendo um som agudo.

— Olha, Raphiel, eu serei bem direto — começou o homem a sua frente com sua voz arranhada. — Eu gostaria bastante de recompensar você, pois ajudou um de nossos pouquíssimos novatos, qual estava somente como suporte em uma missão de extrema importância. Porém, tudo foi por ladeira abaixo.

Embora Raphiel não pudesse ver, pois estavam de frente, a mão de Kaiser que antes colocava pressão sob sua perna direita, agora passou a ficar em forma de punho. Cerrou-o com bastante força tentando amenizar o sentimento de raiva por suas falhas, cujas resultou no sumiço de um companheiro.

— Eu já tinha pensado em uma maneira de te recompensar, que seria permitir que você morasse aqui caso quisesse. Seria moradia e comida de graça — prosseguiu ele com uma notícia que deu um ar de felicidade para o garoto. — Porém, preciso que me responda algumas perguntas.

Claro que a vida daria as coisas assim de graça para ele. Então, Kaiser apoiou seus cotovelos na mesa, cruzou seus dedos da mão direita com os da esquerda, encostou o queixo com um olhar pensativo e perguntou diretamente:

— Você tem magia?

A pergunta rachou a mente de Raphiel, pois não sabia como o homem chegou ao ponto de pergunta-lo isto.

— Não, caso tivesse eu daria um jeito naquele cara sem me prejudicar tanto — refutou Raphiel olhando diretamente nos olhos de Kaiser. — De onde tirou uma pergunta tão genérica quanto esta?

— Bom, não sei se você sabe, mas o corpo daqueles que tem talento em magia funciona de maneira diferente. — Fazendo gestos com a mão, prosseguiu: — Há uma energia extremamente forte que junta várias partículas ou micro-organismos para criar uma molécula, como a água, um simples exemplo, segundo os ensinamentos de “Croe”. Então ela está em todo lugar, seja na água, seja no ar, seja na luz ou escuridão. E nós utilizamos essa energia e do oxigênio para sobrevivermos, em alguns casos, mais necessário que o oxigênio. Esta energia nos possibilita usar magia, e traz mudanças ao nosso corpo.

“Mudanças...?”, perguntou-se Raphiel.

Olhando para a sua mão esquerda, Kaiser continuou com a explicação:

— Quando exagero na minha magia, eu envelheço mais rápido e fico cada vez mais expostos a doenças. Você pode achar que estou brincando mas tenho 39 anos de idade! — brincou ele, embora fosse realmente a verdade. Raphiel ficou boquiaberto com a revelação do não tão velho Kaiser e quis até indagar, mas tinha uma coisa mais importante em sua mente.

— Mas isso não tem a ver comigo, tem? — perguntou o alfinetando com os olhos.

— É aí que entramos em você... —Ajeitando-se na cadeira, confessou algo intrigante — Acontece que você estava pegando fogo. Não literalmente, mas eu quase queimei minha mão quando vim trazer você pra cá, tive de jogar água fria em você! — Encarando intensamente Raphiel, perguntou friamente: — Acha isto um comportamento de uma pessoa comum?

Raphiel parecia perdido e desconcertado com as hipóteses de Kaiser mas, acima de tudo, aparentava estar com medo. Um comportamento completamente estranho por uma pessoa que recebe a mínima chance de usar magia.

Claro que há a desvantagem que com magia você seria forçado a trabalhar na Masmorra enfrentando todos os tipos de monstros, algo que faz você pensar que seu futuro será desanimador e perigoso. Contudo, o que Raphiel expressava era medo; não só do futuro, também do passado.

Cruzando os braços, Kaiser retomou as rédeas da reunião.

— Eu não queria dar comida da boca de alguém que faz absolutamente nada em troca, isso é parte da ingratidão e covardia. Ainda mais sabendo que essa pessoa tem poder para mudar muitas coisas. Então, quero que você entre para a Akaiblood na Guarnição da Frente. — O líder falava com uma expressão extremamente séria, até intimidadora. Contudo, Raphiel também não ficava para trás. Ele o encarava de volta com um olhar afiado.

— Você acha mesmo que eu vou aceitar? Arriscar minha vida por um motivo tão idiota? — alfinetou com o tom sarcástico em sua voz — Sejamos sinceros, vocês têm quantos homens? 80 à 90 homens? E quantos tem o governo? Centenas de homens ao seu dispor! Acha que tem como bater de frente com esses números

Ele parou por um momento para ver a expressão do teimoso líder, qual não conseguia decifrar, pois era o rosto tenso de sempre.

— Números não são tudo—

— Pelo o que vocês lutam? — perguntou cortando a fala de Kaiser — Por um evento que aconteceu um pouco mais de uma década atrás? Por que vivem sob um desconfortável absolutismo?! — questionava cerrando o punho com raiva por tentarem fazê-los mudar de ideia, por mais impossível que fosse.

Arrastou a cadeira para trás, levantou-se apoiado na mesa e falou:

— Vocês têm de aprender a esquecer o passado, aturar o presente e sobreviver o amanhã, seguindo os mesmos passos.

Mais uma vez o silêncio preenchia o vácuo entre os dois. Raphiel, achando que tinha feito o velho repensar o mínimo de suas ações, fazia uma expressão séria. Mas ao mesmo tempo perguntava-se quem era ele para dar uma lição de moral dessas. Pois, além de ser muito mais jovem, nem o mesmo seguia esse mandamento perfeitamente.

— Sabe, Raphiel Loki... — relaxando as rugas que estavam contraídas em sua testa, começou — Eu discordo completamente de você.

— O quê? — indagou para si mesmo arqueando uma de suas sobrancelhas o garoto.

Kaiser lentamente se levantava da cadeira, encarando intensamente o rosto tenso do garoto.

— Enquanto você batalhava com Rak Chagnnér, você fez um emocionante discurso enquanto lutava. Ainda mais sobre o passado, sendo que ele não é de Callahan.

Quando Kaiser havia citado o momento, veio em sua mente a lembrança de seu corpo estar em chamas de puro ódio. E logo após o sonho que tivera, qual Rak, por motivo desconhecido, estava nele com sua cabeça decepada.

— Você certamente tem problemas com o seu passado, todos temos! — seguiu Kaiser, contraindo suas sobrancelhas e cerrando os olhos — E nós não podemos voltar no tempo para refazê-lo.

— Se você entende isso, então por que ainda—

— Mas nós podemos refazê-lo! — interrompeu-o Kaiser, com uma resposta que fez o coração de Raphiel bater mais forte.

— Como é?

— Isso mesmo que você ouviu — afirmou com firmeza em sua voz. — Nós podemos trazer o que diversas pessoas perderam no passado e preencher o vácuo em seu cotidiano metódico. Mas, para isso, precisamos que pessoas não deem sua mão para a realeza ou esconde-a por causa do medo.

Estendendo a mão para o garoto, qual expressava uma mistura de surpresa com medo dos planos de Kaiser, impetrou com orgulho:

— Então é por isso que, eu, Kaiser zi Artoria, impressionado com as ações do espadachim Raphiel Loki, convido-o para participar da tropa principal do grupo terrorista Akaiblood. Aceitarias o convite?

O silêncio dominava a sala mais uma vez. “O que ele tem na cabeça?”, passava na cabeça do garoto. “O que ele busca ao me fazer achar dizendo que pode ‘refazer’ o passado? Sinto que estou caindo na tentação...”

— O que acontece se eu recusar? — indagou o garoto com hesitação na voz — Serei morto?

— Sim — afirmou Kaiser com frieza e de forma direta.

— Então se eu quiser viver eu tenho de aceitar assassinar pessoas...?

— Sim — assegurou mais uma vez com frieza —, mas não são pessoas: são monstros disfarçados de pessoas. Pessoas são aqueles que você vai proteger!

— Se eu recusar, serei morto... Isso não é a mesma coisa que, segundo vocês, os ‘monstros’ fazem?

Kaiser interiormente havia ficado um pouco surpreso, só um pouco. Pois já havia se deparado com estas contradições mais de uma vez na vida.

— Não, garanto que é diferente — negou ele com os olhos fechados. — Então creio que já esteja decidido, mas para complementar, você não vai para as linhas de frente já de cara, não.

— Não? — indagou Raphiel.

— Não. Você primeiramente terá de passar por alguns ensinamentos sobre magia ou teremos problemas... Ah, digo da “liberação instantânea”.

Liberação instantânea é um evento que ocorre quando um receptáculo — não usuário — de magia tem mais energia do que é capaz de suportar. E isso geralmente ocorre quando o receptáculo ainda não liberou essa energia usando os poderes mágicos. Esse evento trazia um enorme desconforto ao garoto, fazendo arrepios subirem das mãos aos ombros.

— Certo, a conversa acaba por aqui. — O homem de pé que transbordava uma enorme confiança e orgulho estendeu a mão para Raphiel, seguido de um sorriso de superioridade e prosseguiu — Será um prazer ter seus serviços por aqui!

Raphiel olhou para a mão dele por alguns segundos, talvez com desconfiança, talvez com esperança... Porém, simplesmente, virou as costas e seguiu em direção às duas portas.

— Não se engane — falou o garoto com firmeza na voz. — Darei o fora daqui na primeira chance que aparecer!

Kaiser ficou surpreso no começo, mas esboçou um sorriso com os lábios.

— Sei, sei. Boa sorte nesta sua fuga! Mas antes de tentar fugir, por favor, peça ao cara que te trouxe até aqui, levar você até Ullya e chame-a para mim.

— Claro... — respondeu o garoto, desconfiando que Kaiser esteja com mais algo em mente.

Olhou para trás com o canto de olho, e viu somente Kaiser lendo alguns documentos em sua mesa. Virou-se novamente para frente e abriu, com dificuldade, as duas grandes e grossas portas. E seguiu, novamente, em direção do escuro e longo corredor.

“Sou tão covarde assim...?”

 



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