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História Arrepio - Taekook - Capítulo 18


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Capítulo 18 - Epílogo


Fanfic / Fanfiction Arrepio - Taekook - Capítulo 18 - Epílogo

Epílogo (do grego epílogos ) é a parte de um texto, no final de uma obra literária ou dramática, que constitui a sua conclusão.



Kim

Quatro semanas depois

ADORO FERIADOS.Logo após os festejos de Dia das Bruxas, já começo a morrer de vontade de comer peru e torta de abóbora.Tiro minhas roupas de inverno favoritas do armário e adoro caminhar ao ar livre, sentindo o ar frio beijar meu rosto e vendo minha respiração se condensar na névoa que sai dos meus lábios.

O feriado de Ação de Graças com a família Kim é um grande evento. Mamãe e papai sempre convidam todos os parentes, não apenas os mais próximos.E comemoram no restaurante, que fica fechado ao público nesse dia.

O preparo das refeições, como de costume, fica por conta das mulheres, mas pelo menos papai e Tony, que administra o restaurante agora que nosso pai meio que está se aposentando, ficam responsáveis pelo peru.

O cheiro estava delicioso, o odor envolvendo todo o restaurante com sentimentos positivos e de alegria.

Só que eu não estava sentindo nada disso.Claro, eu estava sentindo o cheiro.Mas os sentimentos positivos e a alegria não faziam parte do meu repertório.Já era assim desde o Dia das Bruxas.

Dirigir ao longo daquela montanha, vendo Jungkookie ficando cada vez menor no espelho retrovisor, foi a coisa mais difícil que já fiz.

De longe, mais difícil até do que fugir de uma vadia psicopata armada.

Opa, a família ainda não sabe dessa parte da história.E eu não planejo lhes contar.

Eles sabem que estou chateado, é claro.Que perdi peso, que há bolsas imensas sob meus olhos e que raramente sorrio.

Todos da família sabem que estou apaixonado, bem como meu irmão Mark.Ele também é o único que sabe por quem estou apaixonado, e estou inclinado a manter a coisa toda assim.

Eu simplesmente não conseguia acreditar que Jeon não tinha entrado em contato!

– Seu bobo – sussurrei, sentado numa mesa aos fundos do salão, observando enquanto a porta se abria novamente para permitir a entrada de mais um grupo barulhento e risonho dos Kim's.

Eu sabia que tínhamos dito adeus. Mas, quando escolhi ir embora, em vez de forçar Jeon a confessar o que sentia por mim, eu tive certeza de que a separação se daria por pouco tempo.

Jeon tinha passado por um inferno.E, se havia um homem que precisava se acertar e colocar a cabeça no lugar, esse homem era ele.Não seria fácil superar todos aqueles acontecimentos.

Eu precisava deixá-lo superar.Do jeito dele.No tempo dele.

– Mas eu não achei que fosse demorar tanto – murmurei, enquanto pegava minha taça de vinho.

– O que está demorando tanto, querido? – disse alguém com um leve sotaque sulista.

Olhando para o outro lado da mesa, vi minha cunhada Rachel, que tinha se sentado à minha frente.Seu cabelo louro brilhante estava deslocado naquele mar de cabelo escuro da família Kim, mas com seu sorriso e seu coração imenso, ela se encaixava sob medida na família.

– Eu estava falando sozinho.

– Não brinca – falou alguém. – Você não tem feito nada senão se lamentar desde que chegou em casa no mês passado.Quando é que vai sair da concha e tomar uma atitude com relação a esse cara que o deixou assim?

Aquela voz também era inconfundível.Gloria, a esposa de Tony, já era parte da família desde que eu era adolescente.Ela era uma garota do centro da cidade, criada por outra grande família a poucos quarteirões de distância, exatamente como a gente.Era impetuosa e mandona, confiante e sexy.E mantinha Tony no cabresto, embora o deixasse fingir que era ele quem estava no comando de seu núcleo familiar.

Meus outros irmãos costumavam dizer que Tony era pau-mandado.Até que eles se casaram.Agora todos eles eram paus-mandados.Rá.

No entanto, eu e toda a minha família não conseguíamos imaginar o tipo de mulher conseguiria acalmar um selvagem como Nick, e esse era mais um motivo pelo qual todo mundo estava ansioso para que ele cumprisse seu dever no alistamento e voltasse para casa, são e salvo.

– Então, o que você vai fazer? – cutucou Gloria, sem perceber que meu silêncio era uma dica de que eu não queria falar.

– Não há nada que eu possa fazer. A bola está com ele.

– Parece-me que você precisa recuperar a porcaria da bola e levar para sua área então – disse Gloria, estourando uma bola de chiclete.Seus olhos percorreram a multidão, como sempre vigiando seus dois filhos, ambos com menos de 5 anos.

– Deixe-o – disse Rachel, segurando minha mão fria. – Querido, parece que seu coração vai se partir.

Eu sei que você não quer conversar agora, mas sabe que estamos todas disponíveis para você.

Atrás dela, Meg e Noelle surgiram de repente, sorrindo de forma travessa, com certeza esperando uma oportunidade para entrar na conversa.

– Minha nossa, daqui a pouco mamãe também vai sair de baixo da mesa? – resmunguei.

– Ela sabe que você não vai se abrir a respeito de tudo o que aconteceu se ela estiver aqui – confessou Meg, um rubor subindo em suas bochechas macias.Aquele rosto meigo e gentil era um contraste e tanto à personalidade forte da mulher. – Quero dizer, todas nós podemos dizer que você… mudou Taetae.

Antes que eu pudesse responder, ouvi Noelle, minha cunhada mais recente, soltando um assobio baixo.

– Uau, Taehyungie, quem é o galã que acabou de entrar logo atrás da tia Carmela?

Não consegui reunir interesse suficiente para olhar para cima.Então Gloria deixou escapar um suspiro alto.

– Por favor, me avisem se ouvirem meus joelhos tremendo.Isso é que é moreno alto e perigoso.

Congelei imediatamente.Tensão tomou conta de mim, e eu sabia que estava sendo observado.E também sabia por quê.

Lentamente olhei para cima, em direção à porta, e o vi de pé ali.Tia Carmela estava tagarelando com ele, e um de meus primos tinha se aproximado para cumprimentá-lo. Mas ele não prestou atenção.

Todos os pedacinhos dele estavam concentrados em mim.

Sentindo o desatar do nó frio e duro que já estava alojado em meu estômago há um mês, coloquei minhas mãos sobre a mesa.Sabendo que eu ia ficar bem, murmurei:

– Senhoritas, se me dão licença, acho que tenho uma bola para buscar.

Acho que levou uns cinco segundos para que elas entendessem.Então uma delas engasgou.Ou todas engasgaram.Eu mal notei.

Levantando-me, cruzei o salão bem devagar.Ele veio até mim, seus olhos escuros e ardentes completamente estáticos, queimando de emoção.

Mas então notei as mudanças.O rosto dele estava mais corado, as olheiras tinham sumido.E, muito embora ele usasse um sobretudo pesado, dava para notar que o corpo musculoso tinha se avolumado um pouco.

Na verdade, ele estava maravilhoso.

– Oi – murmurei assim que cheguei bem pertinho dele. – Feliz Dia de Ação de Graças.Ele deu mais um passo, pousando a mão na minha cintura e me puxando para si.

– E feliz Natal – grunhiu ele, antes de grudar a boca na minha, num beijo ávido, desesperado.

Ao redor, eu tinha certeza de que havia um público com olhos arregalados.Mas, francamente, não me importei.Os seus braços me envolveram com força e eu coloquei os meus no pescoço dele.Nosso beijo íntimo e profundo prosseguiu em silêncio, mas com nossos corpos cimentamos uma certeza: nenhum de nós ia soltar.Nunca mais.

Por fim, aparentemente percebendo que todos em volta tinham parado de conversar e estavam observando em estado de choque, Jeon encerrou o beijo e olhou nos meus olhos.

– Eu amo você.

– Eu também amo você.

– Sim.Eu sei.Estou pronto agora.

Ele não precisou explicar. 

Eu entendi.

– Eu estou bem, Taehyung.Estou inteiro.

Assenti.

Dava para notar.Não havia mais nenhuma sombra ali.A dor e a culpa finalmente tinham sumido do seu belo rosto.Aquele era o Jeon que eu tinha passado a enxergar gradativamente na Casa Seaton.O outro, sombrio, irritado, havia desaparecido.

– Estou muito bem – acrescentou. Ele ergueu a mão e ajeitou meu cabelo para trás, então analisou meus olhos cansados. – Você está bem?

Pegando sua mão, eu a levei aos lábios para um beijo.

– Eu também estou bem agora.Eu estava ficando um pouco cansado de esperar.

– Obrigado.Obrigado por esperar.

– Você vale a pena.Como me encontrou aqui? Ele deu de ombros.

– Você disse que sempre que não estava em casa, estava aqui.Não foi difícil encontrar este local.E meu trabalho envolve descobrir ótimos restaurantes, lembra-se?

– É o melhor da cidade.

À nossa volta, as conversas recomeçaram, e de soslaio notei um de meus sobrinhos saindo da cozinha numa corrida, com meu pai e meu irmão mais velho em seu encalço.Já dava para imaginar a história que eles tinham ouvido sobre o titio Tae beijando um desconhecido no meio do salão.

– Tem certeza de que está pronto para isso? – Meneando a cabeça para minha família, acrescentei: – Eles são um pouco… avassaladores.

Jungkook finalmente soltou minha cintura e deu um passo para trás.

– Bem, acho que eles deveriam me conhecer nas condições certas. – Ele tirou uma caixinha de veludo preto do bolso. – Qual deles é o seu pai?

– Ai, meu Deus, ele tem um anel.Taetae vai se casar! 

Gloria.A rainha da discrição atacava novamente.

– Bem-vindo à família – sussurrei com um suspiro.

– Isso quer dizer que sua resposta é “sim”?

– Se você conseguir fazer o pedido – falei –, vai ser “sim”. – Abraçando o pescoço dele e lhe dando mais um beijo nos lábios, sussurrei: – Ah, sim.

E então fomos cercados.Meus irmãos formaram um meio círculo em torno de Jungkook.Eu fui até eles e disse:

– Se qualquer um de vocês passar dos limites com meu futuro marido, eu juro que vou fazer vocês lamentarem por eu ter nascido nesta família.

– Ah, como se a gente já não tivesse lamentado todos os dias da nossa infância! – comentou Lucas.

– Marido? – disse Tony, obviamente alheio ao que fora dito por sua esposa espalhafatosa. – Ele vai se casar com Taehyung? Bem, qual é o problema, então? 

 Ele dirigiu-se a papai. – Alarme falso, papai.O Taetae botou uma aliança no dedo. – Ele olhou para seus irmãos, acrescentando: – Não precisamos pegar as espingardas.

Gemi, imaginando a expressão de Jungkook.Mas de repente Tony explodiu em risadas, juntamente com meus outros irmãos.

Então Tony se aproximou e me pegou nos braços, me esmagando contra seu peito musculoso.

– Você devia ter visto sua cara, Tae.Realmente achou que a gente fosse fazer alguma coisa com o cara que o deixou o mês inteiro deprimido? 

Ele olhou para Jeon. – Por favor, por favor, leve-o… meu irmão se lamentando é mais chato do que berrando.Eu não acho que qualquer um de nós consiga aguentar mais um minuto.

– Atenção! Atenção! – disse um dos outros.

Meus irmãos.Eu já mencionei o quanto amo os grandes bobalhões?

– Você é o Jeon? – perguntou Mark, aproximando-se e estendendo a mão.Jungkook aceitou, mas seus olhos estavam em todos os outros, e não apenas em Mark.

– Sim. E não precisa de espingarda.Seu irmão e eu estamos grudados.Eu não vou a lugar algum.Mark assentiu uma vez.

– Ótimo.

– Agora – disse mamãe, os braços no alto enquanto recebia o mais novo membro da família, dando- lhe um beijo em cada bochecha – venha, você está pele e osso. – Então ela recuou e lhe deu uma olhada de cima a baixo. – Mas, em você, isso não parece tão ruim.Não mesmo.

– Obrigado, senhora, mas eu gostaria de falar com seu marido primeiro.

Minhas cunhadas me cercaram enquanto a família o levava até papai.Ouvi um monte de comentários do tipo “Ai, meu deus, que gato” e “Aqueles olhos, aquele corpo”, mas não prestei atenção.E não tinha notado que estava prendendo a respiração até meu pai e Jungkookie apertarem as mãos e papai lhe dar tapinhas no ombro, num gesto ímpar de aceitação masculina.

Ufa.

Então os dois vieram até mim.

Papai colocou as mãos no meu rosto e disse:

– Meu garotinho. Você vai ser um noivo lindo. – Seus olhos brilhavam. – Mas saiba que não estou entregando você a ele.Só vou deixar que ele tome você emprestado por um tempinho.Certo?

Chorando, assenti, em seguida dei um beijo e um abraço apertado no meu pai.Depois de um bom tempo, ele me soltou, chamando Tony.

– Vamos lá.Para uma comemoração assim, precisamos de mais comida! – E lá foram eles para a cozinha, minha mãe sendo a mais apressada.

Jungkook ainda me observava a alguns metros de distância.As mulheres se dissiparam, desaparecendo, mas eu apostava que ainda estavam ao alcance para nos ouvir.

– Obrigado por ter feito isso.Minha família às vezes é meio antiquada.

– Eu não esperaria nada diferente. Vou exigir a mesma coisa um dia.

– Posso pelo menos lhe entregar o anel em particular? – perguntou ele, aproximando-se e beijando minha têmpora.

Suspirei, baixando os cílios para esconder minha decepção.Não sou o tipo mais paciente.Mas, quando ouvi ele caindo na risada, eu soube que ele estava me provocando.

E foi por isso que, sem remorso algum, eu disse:

– A tradição não exige uma determinada posição para isso?

Ele meneou as sobrancelhas sugestivamente, então murmurou:

– Eu consigo pensar em muitas posições.

Ai, cara, que bom que meus pais não estavam por perto para ouvir aquele comentário.Já era ruim o suficiente Noelle e Meg terem ouvido e começado a rir.

Então Jungkook ficou de joelhos na minha frente e, mais uma vez, toda a conversa cessou.Tomando minha mão, ele olhou para mim, a emoção brilhando em seus olhos.

– Kim Taehyung, você me trouxe de volta à vida.Por favor, me diga que vai me deixar viver o que resta dela ao seu lado.

Fungando um pouco e mordendo o lábio, assenti, e ele deslizou um anel lindo no meu dedo.

– Nós vamos ser muito felizes, Jeon Jungkook. Ele levantou-se.

– Eu sei.

Ele teve apenas tempo suficiente para me dar um beijo doce nos lábios, pois mais uma vez fomos varridos pela loucura que perdurou pela noite inteira de comemoração.

Eu o vi conhecer toda minha família. Eu o ouvi repetir seus nomes durante toda a noite, sem nunca se esquecer de nenhum.Eu o vi se encantar com eles.E me apaixonei por ele ainda mais.

Quando tudo acabou, eu o levei para casa e dormi em seus braços, sabendo de mais uma coisa.Eu não tinha trazido ele de volta à vida; nós tínhamos criado uma nova vida juntos.

E eu mal podia esperar para começar a vivê-la.




FIM.




Notas Finais


Triste que acabou.
Espero que tenham gostado.😘


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