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História Arte da Magia - 1 - Capítulo 3


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Capítulo 3 - O Beco Diagonal


   Dudley e Harry fugiram da sala de jantar assim que os gritos começaram. Harry sentiu pena de Tia Petúnia, nem ela merecia o temperamento de seu marido.

- EU NÃO VOU PAGAR PARA DUDLEY IR A UMA ESCOLA DE ABERRAÇÕES! – Berrava Tio Vernon, o rosto vermelho, a veia pulsando na testa.

- Ele precisa! E merece ir! – Retorquiu Petúnia.

- Achei que odiasse a laia da sua irmã!

- Eu não odeio! Eu só tinha ciúmes! Lily foi aprender magia e eu fiquei na escola secundária local! Ir para aquela escola foi o que sempre quis!

- Foi o melhor para você! ELES SÃO UM BANDO DE LOUCOS!

- NÃO OS CHAME DE LOUCOS! SEU FILHO É UM DELES!

- Eu os chamo do que quiser! DUDLEY NÃO É UMA ABERRAÇÃO! Nunca deveríamos ter aceitado o pirralho! Ele contaminou Dudley! O nosso filho!

- Não fale sobre o filho da minha irmã dessa maneira!

- O mesmo menino que você abusa psicologicamente todos os dias?!

- Eu errei! Deixei que o ciúmes afetasse meus pensamentos sobre o garoto! MAS VOCÊ BATE NELE! ISSO É ERRADO E TEM QUE PARAR!

   A discussão durou horas, era possível ouvir no andar de cima. Os meninos estavam encolhidos em um canto do quarto de Dudley, Harry chorava no colo do menino mais velho, soluços assolando seu corpo.

   Quando finalmente acabou, eles ouviram o grito de Vernon dizendo que ia sair, segundos depois, o barulho do carro saindo da garagem pôde ser ouvido.

   Som de passos leves andando em direção ao quarto de Dudley puderam ser ouvidos, então a porta se abriu, revelando Petúnia com o rosto manchado de lágrimas, a marca vermelha de uma mão muito grande na bochecha esquerda.

- Harry, oh Harry – Ela caiu de joelhos diante deles, e agarrou as mãos do menino de olhos verdes – Me desculpe! Me desculpe por tudo o que fiz! Eu estava cega de ciúmes e ódio! Você é um menino tão bom.

- Tia Petúnia, por que está se desculpando? – Perguntou Harry, genuinamente confuso.

- Harry, eu fiz coisas horríveis para você! Eu o obriguei a fazer nossas tarefas domésticas, o forcei a cozinhar nossas refeições, e eu falei coisas tão ruins para você!

- Tia Petúnia, você não precisa se desculpar, só o fato de se sentir culpada já é o suficiente para mim. Você nunca fez nada tão ruim, e não me bate como o Tio Vernon faz!

- Mãe – Dudley interrompeu, os dois se viraram para ele – Você deveria pedir divórcio.

- Mas eu não posso Dudley, todo o nosso sustento vem de seu pai! Para onde iríamos? – Disse Petúnia, balançando a cabeça tristemente.

- Eu tenho certeza de que o governo prenderia o papai se descobrissem tudo o que ele fez com Harry e você! Eles com certeza devem ter um dinheiro reservado para situações assim! Você precisa fazer algo! Não podemos viver assim! – Falou Dudley.

- Vai ficar tudo bem, raio de sol, um dia, talvez, eu possa pedir o divórcio, mas precisamos ter fundos para viver, não se preocupem, vou dar um jeito – Explicou Petúnia, um sorriso fraco adornando suas feições.

   Os meninos assentiram, e Petúnia se levantou, enxugando as lágrimas das bochechas. Ela pareceu se lembrar de algo, e sua expressão ficou levemente nervosa antes de suavizar para a neutralidade.

- Harry, pegue suas coisas, você está se mudando para o segundo quarto de Dudley, consegui convencer Vernon, você já está ficando grande para o armário.

   Harry acenou com a cabeça e correu para o andar de baixo, recolhendo suas coisas, (que não eram muitas) em um saco de supermercado. Em uma viajem, ele levou tudo para cima, pousando na pequena cama que havia no canto do quarto.

   Ele se sentou e pensou nos eventos do dia de hoje. Em menos de sete horas, sua vida deu uma reviravolta. Tia Petúnia se arrependeu de suas más ações, ele descobriu que ele e seu primo são bruxos, e que agora, ao que parecia, Tio Vernon tinha mais um motivo para espancá-lo.

   Harry estremeceu enquanto tocava levemente os hematomas mais recentes em sua barriga. Tio Vernon decidira socá-lo como punição quando Harry não completou sua lista de tarefas. Dudley havia passado uma pomada, mas ainda doía.

   Mesmo que Tia Petúnia tivesse se arrependido, ele sabe que seu tio nunca faria isso, seus gritos mais cedo confirmavam isso. Desde que Harry se lembrava, Tio Vernon o odiava, e ele sempre declarava isso em todas as oportunidades que tinha.

   Não foi até três anos atrás que Harry soube até onde o ódio de Tio Vernon poderia levá-lo.

   Harry se lembrou de sua carta e a tirou do bolso, examinando o envelope estranhamente pesado. Na frente, dizia:

Sr. H. Potter

O Menor Quarto da Casa

Rua dos Alfeneiros 4

Little Whinging

Surrey

 Ele lentamente desgrudou o selo e puxou um dos pedaços de papel que havia dentro. Ele leu, ainda não acreditando no que havia lhe acontecido, a carta tornando tudo uma realidade mágica.

ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS

Diretor: Alvo Dumbledore

(Ordem de Merlin, Primeira Classe, Grande Feiticeiro, Bruxo Chefe, Cacique Supremo, Confederação Internacional de Bruxos)

 

Prezado Sr. Potter,

Temos o prazer de lhe informar que V.Sa. tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista de livros e equipamentos necessários.

O ano letivo começa em 1 de setembro. O aguardamos ansiosamente para o início do mandato.

 

Atenciosamente,

 

     Minerva McGonagall

     Vice-Diretora

 

   Harry respirou fundo e soltou um suspiro que não sabia que estava segurando. Ele estava indo para uma escola de magia! Isso era mesmo real! Não era só algo de sua imaginação ou uma piada de mal gosto!

   Ele sabia que devia ter acreditado quando a senhora o apresentou a isso, por que senhoras da idade dela não gastariam seu tempo pregando peças em garotos malcriados, mas ele simplesmente não queria acreditar que era real. Até agora.

Toc. Toc.

   Alguém estava batendo em sua porta. Harry se levantou e abriu, se afastando para deixar um Dudley sorridente entrar. Harry achava que não via esse sorriso a muito tempo.

   Harry se sentou na cama ao lado de Dudley e ouviu enquanto ele falava animadamente sobre sua carta e as diferentes coisas que gostaria de aprender em Hogwarts. Ele não pôde deixar de pensar que por mais que sua vida fosse difícil, ele passaria por qualquer coisa se isso significasse que seu irmão estaria ao seu lado. Porque Dudley com certeza era seu irmão, não importava de não tivessem a mesma mãe ou pai, o amor era o que valia.

**

   As semanas seguintes se passaram rapidamente. Harry mal viu os dias passarem, ansioso com o dia que Profa. McGonagall voltaria para levá-los para comprar os materiais.

   Tia petúnia estava lhe dando tratamento silencioso, quase não lhe dirigiu uma palavra desde aquele dia. Toda vez que Harry a observava por tempo demais, percebia que ela estava enterrada profundamente em pensamentos, fazendo as coisas distraidamente.

   Tio Vernon, por outro lado, era tudo menos silencioso. Sempre que Tia Petúnia não estava por perto para impedi-lo, ele avançava para cima de Harry. Ele chegou a dar um tapa da bochecha de Dudley, certa vez.

   Aquela foi a primeira vez que seu pai bateu nele, então não era surpreendente que Dudley estivesse chocado. O menino ficou andando em círculos na frente de Harry mais tarde naquele dia, quando os dois estavam no quarto do menino mais velho, murmurando coisas sem sentido.

- Você está bem? – Perguntou Harry quando seu primo circulou a sua frente pelo que parecia a centésima vez. Dudley se virou para ele.

- Não! Não estou! Meu pai bateu em mim! Ele me disse que sou uma aberração! Você pode imaginar como é isso?! – Ele tinha lágrimas escorrendo pelo rosto, os punhos cerrados ao lado do corpo. Harry recuou.

- É claro que eu posso – Sussurrou lentamente – Tio Vernon me bate a mais de três anos, e ele sempre me desprezou.

   Dudley arregalou os olhos quando percebeu o que disse. Ele olhou para Harry e encontrou seu primo com a cabeça baixa, torcendo as mãos.

- Harry me desculpe! – Ele exclamou, correndo para o lado do primo. Não. Irmão. Ele definitivamente poderia considerá-lo seu irmão.

- Está tudo bem, você está em choque – Respondeu o menino menor, afundando no abraço do outro.

   Dudley soluçou, e deu um sorriso aguado.

- Como você consegue ser tão bom? – Harry deu de ombros e sorriu em resposta.

**

   Na última semana de Agosto, em uma manhã ensolarada, Minerva apareceu para levá-los. Ela estava vestindo um estranho conjunto de roupas. Um manto verde musgo que ia até o chão, e sapatos pontudos, porém elegantes.

   Tio Vernon torceu o rosto quando ela apareceu na porta, mas não comentou nada, entregando a contra gosto para Petúnia uma carteira que Harry supunha estar com dinheiro para Dudley comprar seus materiais. Como ela convencera Tio Vernon a lhe dar dinheiro para pagar a Dudley sua educação bruxa, Harry nunca saberia.

   Harry, Dudley e Petúnia acompanharam Minerva até Londres, pegando o metrô e andando por entre as ruas cheias de pessoas fazendo suas compras.

   O menino de cabelos negros não entendia onde eles conseguiriam comprar materiais para Hogwarts, ele não vira nenhuma loja que anunciava a venda de varinhas enquanto caminhavam, mas Harry pensou que a Profa. Minerva sabia onde estava indo, então continuou a andar, apertando o passo para não ficar para trás.

   Eles estavam caminhando por uma rua grande e movimentada, quando a senhora parou entre uma livraria e uma loja de discos, estendendo a mão para empurrar uma porta que Harry nunca teria visto se não prestasse atenção.

   Eles entraram e foram recebidos por uma bar sujo e escuro, mas com um ar descontraído. Todas as conversas pararam quando eles entraram, as pessoas dando acenos respeitosos a Profa. McGonagall antes de voltarem a seus afazeres.

   O Barman levantou a cabeça do trabalho que estava fazendo e sorriu.

- Boa tarde, professora! Está aqui a negócios, suponho – Ele olhou para Dudley, Harry e Petúnia, seu olhar se demorando levemente em Harry.

- Boa tarde, Tom – Profa. McGonagall assentiu em respeito, sorrindo levemente – Sim, estamos a negócios, trouxe os novos alunos para comprar seus materiais.

   Nesse momento, todos prestavam atenção na conversa, e olharam para Harry e Dudley arregalando os olhos.

- Esse é Harry Potter?! – Uma mulher exclamou, surpresa, a boca escancarada. Todos no bar olharam para Harry, e de repente, ele se viu apertando a mão de todos, que faziam uma fila. Ele apertou a mesma mão mais de uma vez, e começou a ficar frustrado com toda essa audiência.

   Profa. McGonagall os apressou para a parte de trás do bar, que tinha uma parede de tijolos e algumas latas de lixo no canto.

- Isso com certeza foi frustrante – Comentou a professora, tirando a vareta da manga, que Harry achava que era uma varinha – Mas é isso que vai acontecer quando as pessoas o reconhecerem, Sr. Potter, você é famoso, e não há nada que possamos fazer para mudar isso.

   Dudley franziu a testa e olhou para o irmão, que encarava a parede oposta, pensativo. Ele olhou para a mãe e a viu mordendo o lábio, os olhos fixos na parede de tijolos a frente deles.

   Ele se virou para olhar para lá quando a professora bateu com a vareta, que ele suspeitava ser uma varinha, em alguns tijolos, que se moveram para formar um arco, revelando uma grande rua movimentada.

- Bem vindos – Disse a professora, um brilho familiar em seus olhos, como se já tivesse feito isso várias vezes – Ao Beco Diagonal!

   Eles estavam boquiabertos. Dudley olhava para todos os lados com os olhos esbugalhados, vendo famílias passeando, objetos flutuando nas vitrines, as milhares de pessoas que atravessavam a rua, entrando em lojas, tagarelando, ou se sentando nas mesas de uma sorveteria.

   Dudley desejava se dividir em sete para conseguir ver tudo o que queria, porque não parava de virar a cabeça para todos os lados. Sua mãe ao seu lado parecia melancólica e ansiosa, parecia estar se lembrando de algo. Quando ele se deu conta, eles estavam subindo os degraus de um grande prédio branco, a professora se virou para eles.

- Esse é o banco dos bruxos, Gringotts – Explicou – É aqui que vamos trocar as libras por dinheiro bruxo e ir ao cofre do Sr. Potter. Agora, ele é administrado por duendes, que não são exatamente amigáveis, então não os incomodem. Iremos encontrar com outro funcionário de Hogwarts enquanto estivermos aqui, mas será rápido, vamos lá.

   Harry tem que admitir que o poema o assustou um pouco, mas qualquer medo que tinha se foi quando ele passou pela segunda porta. Gringotts tem um teto alto e decorado, e vários duendes estavam sentados em balcões altos, pesando moedas ou examinando pedras preciosas, era impressionante.

   Harry estava boquiaberto. Ele nunca fora a um banco antes, mas tinha certeza de que esse seria o banco mais impressionante que encontraria. Eles foram até um balcão, onde um homem muito grande estava parado, ele e Minerva começaram uma conversa que era impossível entender, dizendo nomes que não faziam nenhum sentido para Harry.

   O homem se virou para Harry e Dudley com um sorriso:

- Olá garotos! Meu nome é Rúbeo Hagrid, e vou acompanhá-los para pegar o dinheiro do cofre de Harry enquanto a professora fica aqui com ela – Ele indicou Tia Petúnia, que estava olhando nervosamente ao redor.

- Oi, Hagrid – Disseram os meninos timidamente. Eles seguiram Hagrid até outro balcão, Tia Petúnia ficando para trás. O duende olhou para cima de seus papéis quando eles pararam a sua frente, erguendo a sobrancelha. Hagrid apenas sorriu.

- Bom dia – Ele disse – Viemos sacar dinheiro do cofre do Sr. Harry Potter.

- Você tem a chave?

- Ah, sim, está aqui em algum lugar – Harry e Dudley observaram de olhos arregalados enquanto Hagrid tirava coisa após outra de seu grande casaco, as colocando em cima da mesa do duende, que parecia enjoado. Finalmente, ele tirou uma pequena chave de ouro de um dos bolsos – Aqui está.

   O duende a examinou minuciosamente.

- Parece estar tudo em ordem.

- E tenho também uma carta do professor Dumbledore – Disse Hagrid, parecendo orgulhoso de si mesmo – É sobre Você-Sabe-O-Quê, no cofre setecentos e treze.

   Harry franziu a testa, curioso, mas decidiu não perguntar. Ele trocou um olhar com Dudley, sinalizando silenciosamente que eles conversariam mais tarde.

   Eles seguiram Hagrid e o novo duende a uma das portas que havia no saguão. Harry foi surpreendido por encontrarem-se em uma passagem estreita, que parecia uma caverna, que terminava em trilhos. Grampo, o duende que os acompanhava, assoviou e um vagonete veio até eles.

   A viagem no vagonete, embora conturbada, até que foi divertida. Pelo menos para Harry. Dudley e Hagrid pareciam um pouco verdes quando o veículo finalmente parou na frente de um cofre. Eles desembarcaram, e Dudley desabou de joelhos próximo a eles, vomitando. Grampo fez uma careta como se aquela não fosse a primeira vez que isso que via isso acontecer e pediu a chave.

   Grampo destrancou a porta, uma fumaça verde saindo por ela, mas quando se dissipou, Harry estava boquiaberto. Dudley apoiou a mão em seu ombro em apoio, igualmente chocado.

   Enormes pilhas de moedas de ouro prata e bronze repousavam no cofre, cintilando levemente. Harry nunca vira tanto dinheiro em sua vida, e não podia acreditar que seus pais o haviam deixado tudo aquilo. Hagrid sorriu:

- É todo seu, Harry.

   Depois de se recuperar do choque, Harry aceitou a bolsa de couro que Hagrid ofereceu e junto com Dudley encheu com o que achou suficiente. Hagrid lhes explicou como as moedas funcionavam, e quando eles chegaram ao próximo cofre, estavam zunindo de tanta informação.

   Eles observaram Hagrid pegar um pequeno pacotinho de um cofre de segurança máxima, se perguntando o que era aquilo e porque estava tão fortemente guardado.

   Quando voltaram a se encontrar com a Profa. Minerva e Tia Petúnia, que tinha uma bolsinha se couro semelhante à de Harry na mão, estavam radiantes, ansiosos para ver mais. Eles se despediram de Hagrid, que ia em direção ao caldeirão furado, e seguiram caminho entre as lojas.

   Eles passaram a tarde toda indo de uma loja para outra, passaram um tempo a mais no que parecia uma livraria, porque Harry queria livros para leitura livre além dos exigidos da lista de material. Harry estava lendo um livro que se chamava Hogwarts: A história, quando Dudley finalmente o encontrou, segurando um livro que queria comprar para sua mãe.

- Harry, olhe! Eu achei esse livro que a mamãe poderia gostar! – Ele mostrou animadamente a capa, que dizia: Guia para Nascidos Trouxas no mundo bruxo.

- Interessante, Dud, mas você não acha que deveria pegar esse para si mesmo também? Afinal, você é um nascido trouxa – Argumentou Harry enquanto se dirigiam ao caixa. Dudley deu de ombros, dizendo que leria depois daria a sua mãe.

   Eles voltaram para Tia Petúnia e a Profa. McGonagall, que estavam segurando seu pacotes na frente da loja.

- Agora vamos comprar seus uniformes, na Madame Malkin – Disse a professora, os guiando para o que parecia uma loja de roupas, com um letreiro que dizia: Madame Malkin – Roupas para todas as ocasiões.

   As duas se sentaram em um banco próximo da loja para esperá-los enquanto os meninos entravam na loja.

- Hogwarts, queridos? – Perguntou uma senhora. Eles assentiram e ela os guiou para dois banquinhos nos fundos da loja, onde um menino loiro que parecia ter a idade deles, já estavam sendo atendido.

- Olá – cumprimentou o menino, que tinha um ar arrogante ao seu redor – Hogwarts também?

- Sim – Afirmou Harry. Dudley, que estava prestando atenção na conversa, decidiu não falar.

- Meu pai está na loja ao lado comprando meus livros e minha mãe está mais adiante procurando varinhas – Disse o garoto, uma expressão orgulhosa em seu rosto – Depois vou levar os dois para dar uma olhada nas vassouras de corridas. Não vejo por que os alunos do primeiro ano não podem ter vassoura individuais, meu pai concorda com isso, embora ainda não me deixe levar uma vassoura.

   O garoto se virou para Harry.

- Você tem uma vassoura?

- Não.

- Sabe jogar quadribol?

- Já joguei algumas vezes na casa de meu tio – Respondeu Harry, recebendo um olhar interrogativo de Dudley. Harry olhou para ele, transmitindo a mensagem de que explicaria mais tarde.

- Meu pai falou que vai ser um crime não me escolherem para jogar pela minha casa, e sou obrigado a dizer que concordo. Já sabem em que casa vão ficar?

- Acho que ficaria na Sonserina, embora Corvinal não seja tão ruim – Respondeu, Harry, deixando Dudley a cada segundo mais confuso, se perguntando por que ele estava fazendo amizade com um garoto tão arrogante como esse.

   Isso pareceu ser a coisa certa a se dizer, porque o menino loirosorriu e continuou.

- Bem, ninguém sabe até realmente chegar lá, mas sei que vou ficar na Sonserina, minha família inteira foi de lá. Imagine ficar na Lufa-Lufa, acho que eu saia da escola, você não?

   Harry deu de ombros, uma expressão neutra em seu rosto, o que fez Dudley franzir a testa, o que seu irmão estava fazendo?

- De qualquer forma, qual é o seu sobrenome? – Indagou o menino – Sou o Herdeiro Malfoy – Ele disse o nome como se fosse algo realmente importante.

- Sou Herdeiro Potter. Esse é o meu primo Dudley – Draco pareceu surpreso por um momento, antes que seu rosto adotasse uma máscara neutra e levemente interessada. Harry indicou Dudley, e Draco se virou para ele, olhando-o como se o estivesse medindo – Foi ótimo conhecê-lo, Herdeiro Malfoy, espero vê-lo em Hogwarts.

   Quando Dudley saiu da loja junto a Harry, ele se virou para o menino mais novo, o encarando seriamente.

- O que acabou de acontecer?! – Exclamou Dudley, chamando a atenção de Petúnia e Profa. McGonagall, que agora vinham caminhando em direção a eles – Por que você fez amizade com aquele garoto?! Ele era arrogante e mesquinho! E que história é essa de Herdeiro Potter?

- Em primeiro lugar, concordo que ele era arrogante e mesquinho, mas você era exatamente daquele jeito antes de nos tornarmos próximos, em segundo lugar, eu percebi que ele sempre falava “meu pai” quando expressava opinião sobre algo, talvez possamos ajuda-lo a pensar por si mesmo, e em relação a herdeiro, isso foi uma coisa que li em um livro quando estávamos na livraria, se chama Bruxos e suas Tradições, posso emprestar para você. Além do que, Draco Malfoy é o primeiro bruxo que conhecemos, sabe muito mais sobre esse mundo do que nós, ele poderia ser um bom aliado – Explicou Harry, com um ar de superioridade e sabedoria que Dudley nunca viu nele.

  Dudley suspirou, até que por esse lado fazia sentido, mas isso não significava que ele tinha que gostar. Nesse instante, Petúnia e Profa. McGonagall pararam ao lado deles.

- Agora que temos os uniformes, temos que pegar os itens de poções, então as varinhas serão as últimas coisas que vamos pegar – Disse a professora. Eles foram até a loja de poções, que tinha um cheiro de ovo estragado e repolho podre, fez Petúnia franzir tanto o nariz que ela pediu para ficar do lado de fora, dando o dinheiro para a professora.

   Dentro da loja havia frascos que tinham desde ervas até coisas viscosas e nojentas, que flutuavam em líquido amarelado. Parada no balcão, uma mulher de aspecto autoritário conversava com o vendedor, enquanto um menino de rosto redondo olhava nervosamente ao redor. O garoto parecia ter a idade deles, e sorriu timidamente ao ver Dudley e Harry, que foram até ele.

- Olá – Disse o menino, olhando para avó antes de se virar novamente para eles. Ele estendeu a mão para Harry, que se adiantou e agarrou o antebraço do outro, fato que confundiu Dudley – Prazer em conhecê-lo, sou Herdeiro Longbottom.

- Prazer em conhecê-lo, Herdeiro Longbottom, sou Herdeiro Potter – Disse Harry, soltando o antebraço do outro – Esse é meu primo, Dudley, ele é nascido trouxa, espero que não se importe.

   Harry ergueu as sobrancelhas para o garoto, como se estivesse pronto para refutá-lo e se afastar. O menino arregalou os olhos e negou com a cabeça, boquiaberto com algo que Dudley não soube dizer.

- Não! Claro que não! Eu estou bem com nascidos trouxas! Prazer conhecê-lo Dudley – Ele estendeu a mão, Dudley olhou nervosamente para Harry, que deu de ombros. Dudley se adiantou e apertou a mão do outro garoto, que não pareceu se importar – Vocês podem me chamar de Neville. Estou com a minha avó comprando meus materiais, vão para Hogwarts também?

- Sim, esperamos nos sair bem, estamos ansiosos para ir – Respondeu Harry, rapidamente entrando em uma conversa sobre a escola, falando sobre o pouco que ele sabia até agora. Dudley se sentiu deixado de lado, mas ele não se importou, seu irmão aparentava estar se divertindo, e Neville era legal, ao contrário de Malfoy.

   Dudley fez uma careta. Malfoy era insuportável. Ele não entendia como Harry poderia fazer amizade, (se você pudesse chamar assim) com um garoto tão arrogante como aquele. Ele compreendia os motivos, mas eles agora tinham Neville, que parecia saber várias coisas também, Dudley esperava que Harry deixasse Malfoy para lá.

   Quando precisaram ir embora, eles deram adeus a Neville, prometendo o procurar em Hogwarts. Dudley esperava que o resto do dia corresse sem intercorrências, esperançosamente seria assim. Oh, Mas como ele estava errado. Afinal, quando o dia poderia ser comum com Harry Potter ao seu lado?


Notas Finais


Helloooo! Estou de volta! E então? O que acharam? Desculpem por deixar o Olivaras de fora, mas estava ficando muito grande, 3928 palavras! Prometo que vai estar no próximo capítulo! Sobre as tradições bruxas, achei que isso deixaria a história mais realista, vou tentar adicionar mais ao longo da história. Sobre Draco e Neville, principalmente o primeiro, bem, eles foram o foco do capítulo, confesso que só pensei em Neville quando já estava escrevendo, mas acho que ficou bom. Eu queria que Draco tivesse um foco especial, espero trabalhar mais no personagem dele ao longo da história. De qualquer forma, espero que tenham gostado! Comentem o que acharam!

- Gabry 🦉


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