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História ARTE OBSCURA - Kim Taehyung - Capítulo 22


Escrita por:


Notas do Autor


Peço desculpas pela imensa demora, mas tive muitos problemas pessoais ultimamente. Finalmente consegui terminar o capítulo! Obrigada pela compreensão e desculpem mais uma vez.
Espero que gostem!
Boa leitura

Capítulo 22 - Leis e Valores Morais


Fanfic / Fanfiction ARTE OBSCURA - Kim Taehyung - Capítulo 22 - Leis e Valores Morais

Devemos manter por perto

Apenas aquilo que é bom para nós

Mas como saber o que é bom ou ruim?

E se o que é ruim estiver disfarçado de bom?

E se o sabor azedo for o mais doce em nossa boca?

Park Jimin

– O que ela disse, Namjoon? – Suga pergunta, impaciente.

– Ela ainda não me deu uma resposta, Suga. – nosso líder responde com pesar e suspira.

– Não temos mais tempo! – Suga pressiona. – Sabe-se lá o que esse assassino está planejando e ele ainda está por aí, solto!

– Acha que eu não sei disso? – a pergunta de Namjoon soa impaciente, então Suga suspira e cruza os braços. – Também estou sendo pressionado, Suga! Se mais alguém morrer, a culpa é nossa!

– Hyung, não se cobre tanto! – interfiro, porque posso ver em seu semblante que ele está exausto e pressionado. – Não podemos tomar a culpa toda. A situação é muito difícil! – olho para Taehyung, na esperança que ele se pronuncie e diga algo compreensivo e estimulante, mas ele continua silencioso e quieto.

– Obrigado, Jimin! – Namjoon agradece com um sorriso fraco.

– O que ela tem que pensar, Namjoon? – Suga continua. – Vidas estão em jogo! Ela não devia ter que pensar tanto e devia concordar em nos ajudar de uma vez!

– Suga, você sabe que existem riscos! – Namjoon justifica. – Ela tem todo o direito de analisar os riscos e decidir se vai arriscar a vida ou não. Não podemos obrigá-la a fazer isso!

– Ela já sabe demais... – Suga murmura e se cala.

– Na hora de ser uma enxerida e perguntar por aí sobre as vítimas e o Assassino, ela não hesitou... – Jisoo comenta igualmente impaciente a Suga. – Você precisa adiantar o lado dela, Namjoon! Não podemos adiar mais!

– Ok! Ok! – Namjoon diz, suspirando. – Eu terei uma resposta até o fim do dia. – garante, então todos ficam mais calmos.

Sinto um olhar sobre mim e ao procurar encontro Lisa. Ela está me observando e quando a encaro, ela faz um sinal para conversamos depois, assinto e volto a prestar atenção em Namjoon. Após sua garantia, todos saem. Apenas eu noto o quanto seu semblante está cansado. Namjoon está exausto. Eu não faço nem ideia do que ele está passando com toda essa pressão em cima de si, além de que ele está sendo pressionado por alguém para resolver essa situação o mais rápido possível. Ele é só um adolescente, como todos nós, mas já tem toda essa responsabilidade em cima de si. Isso não é justo com ele, então gostaria de poder aliviar seu peso de alguma forma, mas minhas palavras não são o suficiente para esse trabalho.

Saio da cede deixando-o com seus pensamentos. Como esperado, Lisa está do lado de fora, me esperando. Ela se aproxima ao me ver e para ao meu lado, então olha para mim. Ouço o que ela diz enquanto observo a paisagem à frente, pensativo.

– Jimin, eu sei que você está preocupado com o Tae. – ela começa um pouco hesitante. – Essa garota... tem algo de errado com ela e ela não faz bem para o Tae. Ele não é o mesmo depois que ela chegou.

– Não sei do que você está falando, Lisa. – fito-a por um instante, depois de voltar meus olhos para o céu estrelado da madrugada. – O Tae está diferente, sim, mas não podemos afirmar que é algo ruim.

– Você sabe que é! – diz rapidamente, irritada, então suspira e se acalma. – Eu sei que parece ciúme bobo e implicância, mas eu estou realmente preocupada com ele. Eu só quero que o Tae fique bem, e sei que você também. – olho para ela, que força um breve sorriso. – Proteja o Tae, Jimin, como sempre fez. – é a última coisa que ela diz antes de sair pela rua escura.

Suspiro e fito o céu estrelado novamente.

 

 

– Aaaaaaa! – ouço um grito alarmante e levanto em um pulo.

Olho para os lados, assustado. Acendo o abajur e procuro por alguma coisa errada. Foi o Tae que gritou. Me aproximo dele e percebo que ele ainda está dormindo. Seu sono é perturbado e seu corpo se move freneticamente. Ele solta alguns grunhidos de dor. Percebo que tem suor escorrendo pela testa e pescoço dele.

– Tae! Tae acorda! – tento sacudi-lo, mas não funciona. – Kim Taehyung! Taehyung! – seus olhos se abrem rapidamente e ele agarra minha mão que o segura com força. – Tae, sou eu! Está tudo bem! – acaricio seu ombro e ele tenta controlar a respiração ofegante enquanto põe a mão na cabeça, confuso.

– O que aconteceu? – ele pergunta depois de alguns segundos.

– Você estava tendo um pesadelo... – digo e percebo que ele engole em seco. Entrego um copo com água para ele, que bebe sem hesitar. – Não é a primeira vez. O que está acontecendo? Isso não tinha parado? Por que voltou?

– Está tudo bem, Jimin. – ele diz sério. – Volte a dormir. – deita e se vira de costas para mim.

Não está... – murmuro e volto para a minha cama.

 

 

São 04:15 da manhã e eu estou dançando no estúdio, praticando sozinho. Está muito cedo para que alguém venha aqui, então posso ficar tranquilo e me desligar do mundo enquanto movimento o meu corpo de acordo com a batida. Os pensamentos que tem me atormentado são liberados e eu sinto que posso pensar mais claramente desta forma.

Eu não consegui dormir direito. Não depois de ver que o Tae voltou a ter pesadelos. Algo o está atormentando, mas eu não acho que seja culpa da Renesmee. O Tae está sentindo pela primeira vez esse sentimento novo que ele nunca experimentou antes. É algo novo para ele e também para ele. É normal que ambos não saibam lidar, e também que reajam de formas completamente diferentes.

Minha conversa com Renesmee me assustou de início. Isso porque fiquei confuso e não sabia com qual de suas duas personalidades eu estava conversando, mas depois de ser tão intimidadora sobre as coisas que eu disse, ela ficou mais calma e suave. Pude perceber que seu interesse no Taehyung ia além de algo superficial e ela estava mesmo querendo saber mais sobre ele, conhecê-lo. Ela também me disse o quanto me admira por ter ficado ao lado dele, mesmo com sendo difícil. Ela se mostrou alguém compreensiva e calma. Eu a julguei mal.

Minha única preocupação é que o Tae não consiga lidar com os sentimentos por ela.

Paro de dançar e só então percebo o quanto minha respiração está ofegante. Eu dancei com tanta intensidade e fiquei tão imerso em meus pensamentos que me perdi do meu corpo por alguns longos segundos.

Ouço palmas atrás de mim e me viro rapidamente, encontrando Kamilla. Ela me observa com um sorriso no rosto.

– Você dança bem! – diz e me analisa.

– O que está fazendo aqui? – pergunto rapidamente.

– Wow! É assim que você reage a um elogio, Park Jimin? – ela sorri ironicamente. – Por que está falando desse jeito comigo?

– Está muito cedo. Você não devia estar acordada. – justifico, mas apenas dá de ombros.

– Essa escola é muito entediante e eu sempre acordei mais cedo que os outros.

– Sabe o quanto isso é suspeito? – semicerro os olhos e ela ri.

– Você avisou ao seu amigo sobre a Renesmee?

– Não. – respondo e ela arqueia a sobrancelha. – Eu conversei com ela e não acho que a Renesmee seja nada do que você disse que ela é. Não sei que tipo de desavença vocês duas têm entre si, mas resolvam sozinhas. Não envolvam mais pessoas nisso! – digo e pego minha bolsa para sair da sala de prática.

– Ela ganhou de novo. – diz baixo, mas eu ouço, então me viro para encarar seu rosto, que não tem uma expressão amigável. – Ela já manipulou todos.

– O que disse? – indago confuso.

– Você vai se arrepender, Park Jimin. – ela diz em tom mais claro, forçando um sorriso. – Vai se arrepender de não me ouvir e proteger o seu amigo.

 

✯✯✯

 

Renesmee

Reprimir.

Aprendi desde cedo a reprimir o que sinto, porque as pessoas não precisam ver. Elas não precisam saber o quanto está doendo ou o quanto estou sofrendo. Eu preciso apenas reprimir até que eu sufoque ou até que o sentimento desapareça. Na maioria dos casos, com quase todo mundo, ele desaparece. A única exceção dessa regra era a minha mãe, porque quando ela está presente, eles não somem, então eu sufoco. Mas, agora, também há outra pessoa que meu deu sentimentos que não podem desaparecer, então sei que mais cedo ou mais tarde eles vão me sufocar. No entanto, até agora eles estão sendo tranquilos e não me causaram problemas, mas quanto tempo vai demorar até causarem.

Talvez o meu erro seja querer saber exatamente quando algo vai acontecer. Controlar até a última lágrima que sai dos meus olhos e a quantidade de vezes em que pisco.

Taehyung foi sincero comigo, mas ele ainda está escondendo algo. Eu sei disso. É algo que ele não é capaz de me contar agora, mas devo entender pelo pouco tempo em que nos conhecemos. Ele já foi mais sincero do que eu esperava que fosse e Jimin também.

Jimin não significa uma ameaça, só está preocupado com ele.

Estou caminhando calmamente pelo corredor, quando esbarro em alguém ao virar a esquina. Ele segura meus livros antes que caiam, então ergo meu olhar para fitar seu rosto. Nathaniel Frederik.

– Olá, Renesmee! – ele diz e sorri.

Seus olhos continuam fixos nos meus enquanto ele me entrega meus livros. O sorriso de sempre permanece em seu rosto, demonstrando uma simpatia tranquila e natural.

O objetivo de Kamilla eu sei bem qual é, mas o dele ainda está em oculto. Os dois aqui são um risco, principalmente porque ninguém me conhece o suficiente para não acreditar em qualquer coisa que digam. Eu quero fazer o que o meu pai pediu, mas eles aqui são um perigo constante.

– Oi, Nathaniel. – falo sem emoção.

– Se sente melhor? – sua pergunta é cheia de atenção desnecessária.

– Por favor, não fale comigo aqui. – digo olhando firmemente para ele. – Apenas finja que não me conhece. – passo por ele e continuo a andar, mas paro ao ouvir sua voz novamente.

– Eu gostava do tempo que nós dois éramos amigos... – ele diz ainda de costas, com a cabeça baixa. – Mas agora você sempre se esquiva toda vez que nos encontramos. Desde o que aconteceu eu não tive tempo de te dizer, mas eu gostaria de dizer que eu entendo o que aconteceu.

– Entende? – esboço um sorriso irônico. – Como você poderia entender? – ele se vira para mim e me olha nos olhos, surpreso com a minha pergunta. – Você e eu não somos nada parecidos um com o outro, então mesmo que diga isso, consigo ver que está mentindo. Não precisa dizer-me mentiras, porque eu não as quero. Apenas não fale mais sobre isso. – digo por fim, e saio andando como se nada tivesse acontecido.

 

 

Chego ao meu armário e assim que o abro, encontro uma surpresa. Há um bilhete por dentro, que provavelmente foi colocado pela brecha que há na porta.

O bilhete diz: “Srta. Renesmee, eu adoraria encontrá-la às 13:00 horas no jardim posterior do campus. Por favor, compareça, gostaria de conversar com você. Não recuse o meu convite e não leve ninguém com você, apenas vá sozinha. Não tenha medo, eu não a machucarei.”

Quem me mandou isso?

Olho para os lados, buscando alguém suspeito, mas não há.

Decidindo desistir de tentar adivinhar, eu apenas me conformo e vou em direção a minha aula favorita, a aula da Profa. Hanna.

 

 

– Eu sei que ainda é muito recente, mas é algo de que precisamos falar nesta aula. É essencial para que vocês possam entender o perfil desse assassino. A arte de uma pessoa expressa da melhor forma o que ela pensa, então devemos analisar com cuidado cada detalhe, inclusive o caso de Kang Mi-rae. – A Profa. Hanna introduz, mas diferente do silêncio que ela esperava, uma voz diferente soa entre os alunos.

– E desde quando a senhora teve respeito pelas alunas que morreram? – todos se viram para fitar àquele que fala, então faço o mesmo, encontrando Mark Tuan. Seu rosto é sério e seu olhar fixo no da professora. Ele está tentando intimidá-la, mas por quê? Que ligação ele tinha com Park Jihyo ou Kang Mi-rae?

– Sr. Tuan, eu nunca desrespeitei nenhuma das alunas mortas em minhas aulas.

– Não, mas deixou que as desrespeitassem e dissessem coisas terríveis a respeito delas, mesmo depois de sua morte. Vai fazer o mesmo hoje, Profa. Hanna? O que tem a falar sobre Kang Mi-rae? Qual sua crítica sobre ela? Qual seu motivo para ela ter sido escolhida e morta pelo Assassino? – ele a desafia claramente, mas ela não perde sua confiança.

– Kang Mi-rae assistia às minhas aulas, então ela sabia bem, como qualquer outro aqui, o perfil do Assassino, mas ela escolheu ser imprudente como sua amiga, Park Jihyo.

– Está dizendo que a culpa é dela por ter sido morta? – Mark Tuan a ataca.

– Seu modo de agir foi uma escolha apenas dela, e de mais ninguém. Se tivesse preservado sua vida cuidando de seu comportamento, não teria se tornado um alvo. E isso serve para todos vocês! – ela olha para todos. – Antes de machucarem e humilharem um colega, pensem que podem ser vocês no fundo daquela piscina amanhã. – sorrio com o que ela diz, então sinto um olhar intenso sobre mim, viro-me e encontro Mark Tuan me fitando intensamente.

– Como pode afirmar com tanta certeza que a Mi-rae intimidou alguém? – ele continua, com seu tom provocativo e irritante.

– Não é novidade nenhuma que a Srta. Kang seguia fielmente os passos de sua amiga Park Jihyo. Além disso, todos sabem que na tarde do baile a Srta. Kang aproveitou que todos estavam distraídos e intimidou uma aluna. – meus olhos encontram os dela rapidamente.

Como ela sabe?

– O que aconteceu com a Srta. Kang foi um reflexo do que ela fez com esta aluna. – todos se entreolham, tensos.

– Um falso justiceiro. – ele dá uma gargalhada falsa. – Haha! Como pode chamar isso de arte?

– E por que não chamar?

– Professora Hanna, você dá aula com base em uma teoria própria e com um ponto de vista único. Está olhando apenas para a direção que quer olhar, mas e se o Assassino que você tanto fala não estiver expressando nada nos assassinatos? – ela semicerra os olhos para ele e se recosta em sua mesa de braços cruzados, enquanto o escuta falar. – E se ele for apenas um monstro que tem prazer em matar e não quer expressar nada, além disso? Se ele só age pela pura violência? – ele inclina o rosto para o lado, discretamente e olha em direção a Taehyung. O que esse olhar quer dizer? Eles compartilham do mesmo pensamento. – E se o que houver dentro dele for apenas o vazio que só é preenchido quando ele mata? Isso significa que ele também pode escolher as vítimas ao acaso. – a tensão de todos aumenta, e um pequeno sorriso se forma nos lábios de Mark. – Para mim, ele é apenas um psicopata inteligente que quer pintar uma imagem de justiceiro escolhendo as vítimas com base em seu temperamento. Convém para ele que tenham uma boa imagem sua, mas isso não o torna inocente de seus crimes, nem torna seus atos artísticos e louváveis. Ele continua sendo apenas um criminoso nojento.

– Você pode estar certo, Sr. Tuan, mas a arte e a inteligência não andam tão separadas o quanto imagina. – os olhos da professora analisam a classe inteira, parando em Taehyung também, depois em mim, em seguida voltam para Mark. – A violência também é usada como um grito silencioso, como a morte. Um grito que é dado pela pessoa cujas palavras não são ouvidas. Uma forma de manifesto, de chamar a atenção para sua voz, mesmo que isso exija o uso dos piores meios. – ela começa a andar de um lado para o outro da sala, gesticulando conforme a emoção de suas palavras. – Quantos gritos essa pessoa deu antes de chegar a esse ponto? Quantos gritos ela deu e não foi ouvida? Todos estão muito ocupados com suas vidas, seus pensamentos egocêntricos e egoístas, que não dão espaço para as palavras dos outros adentrarem em suas mentes. Como estudantes da SAC, como artistas de diversas modalidades, vocês procuram se expressar através da sua arte! Vocês gritam através dela! Gritam para os olhos curiosos que a admiram! Que procuram o significado sombrio, puro e belo da sua arte! É na arte onde expressam o sentimento aprisionado em seu coração, em sua alma, àquele que arde e queima, o mais profundo e o mais doloroso. – sua emoção chega até mim e sinto o impacto dela, meus olhos brilham marejados por ela. Nunca me senti tão inspirada apenas com palavras. – O Artista está gritando! O Assassino está gritando! Ouçam o grito deles! Desde que tudo começou a mente fechada de vocês não permite que ouçam! Vocês veem, mas não ouvem!

Ela para de falar, a respiração irregular causada pela empolgação de sua fala. Os olhos agitados param em alguém, descansam nesse alguém como ponto de calma e tranquilidade. Eu o sigo, e encontro Taehyung. Ao contrário de seu estado entediado e distante, ele está tão envolvido quanto eu nas palavras dela, até mais, posso dizer. Seus olhos brilham, cintilam, ardem, enquanto ele a encara piscando brevemente. Todos estão calados, silenciosos, inclusive Mark Tuan, que não fala mais nada.

É diante de suas palavras, que eu calo minha voz. Ela entende tão sabiamente o que não é dito com palavras, apenas expresso. Não é necessário muito, ela pode desvendar apenas com o pouco e isso a torna incrível. Acima da compreensão simples dos demais.

 

 

Os alunos se agitam na hora da saída, entre conversas e sorrisos, eu me mantenho silenciosa. Espero que a maioria saia, até pode ir. Em um momento oportuno, eu me levanto e vou, mas paro ao lado de fora, já no corredor, pensando se devo ou não voltar e conversar um pouco com a professora. Decido que sim, então volto pelo curto caminho que fiz, andando contra o fluxo de pessoas, que desaparece quando chego à porta da sala novamente. Está fechada, mas consigo ver pela pequena janela de vidro que a professora está lá dentro com ele. Kim Taehyung. Imersa nas emoções que a aula me causou esqueci, na hora da saída, que ele também faz a mesma aula comigo.

As lembranças de como os dois se olharam, naquele momento, voltam à minha cabeça. Então me recosto na parede, inspirando fundo e recuperando o controle enquanto as faço sumir.

Analiso o corredor tranquilo. Os alunos se dispersaram rapidamente e não há mais sinal de ninguém além de mim. Checo a hora e percebo que ainda tenho uma hora antes de me encontrar com o remetente do bilhete.

Começo a ouvir as vozes dos dois, mesmo que distante, então transfiro o meu foco para elas para ouvir a conversa mais nitidamente.

– Você gostou da aula, Sr. Kim? – a Professora Hanna pergunta com um tom de humor.

– São sempre muito satisfatórias, Professora Hanna. – Taehyung responde com o seu charme elegante, então ouço a risadinha suave dela.

– Que bom! – ela diz – Mas ultimamente você pareceu bastante insatisfeito com as minhas palavras.

– Não pode me culpar por não compartilhar sempre do seu ponto de vista. – ele explica, de forma calma e sutil.

– Ainda os vê como monstros? – ele não responde, apenas fica em silêncio. – Isso é porque ainda não se deu a chance de ouvi-los.

– Não sei se eu quero ouvi-los. – rebate, suavemente. – Não sei se merecem ser ouvidos.

– E por que não? – ela questiona, mas ele permanece em silêncio, então ouço mais uma leve risadinha da parte dela. – Os monstros também merecem ser ouvidos, Taehyung, não apenas temidos, para que seu coração seja salvo. Carregar o peso da escuridão não é fácil. Quando toda a luz some e tudo o que resta ao redor é a escuridão, tudo o que se espera é que alguém traga pelo menos um pouco de luz para o ambiente obscuro. Mas, os monstros não têm mais esperanças de serem salvos. Se ninguém os ouviu antes, por que ouviriam agora? Por que se importariam? Por que olhariam diretamente em seus olhos?

– Pessoas normais jamais poderão entender aberrações. – sua voz soa mais firme e ríspida. – Elas vão rir e cuspir até sentirem medo delas. Infelizmente, é assim que as coisas são. Não importa o que diga a eles, eles vão continua a ver as coisas do mesmo jeito que veem, porque o mundo os ensinou um padrão que eles não são fortes o suficiente para quebrar. Suas palavras lindas e tocantes vão entrar pelos ouvidos deles, tocá-los por um momento e depois serão esquecidas, não tomadas como aprendizado para a alma. E é assim que, mesmo com tantos riscos e um perigo evidente, pessoas como Park Jihyo e Kang Mi-rae vão cometer erros que as levarão em direção à morte. Essas pessoas são levadas por um instinto natural, algo maior que o medo. Imparável. Incontrolável.

Ambos ficam em silêncio por alguns segundos, até que Taehyung retorna a falar.

– Não me peça para entender o Artista e o Assassino, Professora. – continua monótono e firme. – Eu posso, mas não quero. Porque se eu me permitir entendê-los, vou perceber que os mocinhos da história não são tão mocinhos assim, então como vou continuar a defendê-los? Como vou continuar do lado dos bons se eu julgar que o lado dos bons não é tão inocente e bom o quanto parece? – ouço os passos dele se aproximando dela. – Se eu apenas pesar os dois lados de maneira superficial, sem me aprofundar demais em nenhum dos dois, posso apenas julgar que assassinato é o pior crime e que não pode ser defendido.

– Então, você apenas fará vista grossa e julgara como um leigo? Com base no que é comum e normal? – ela indaga, parecendo decepcionada.

– É assim que deve ser. É assim que eu devo ver. – ele diz por fim.

De repente, as correntes em meu coração parecem mais apertadas, sufocando-o. É ela quem o sufoca, por não gostar das palavras dele e não concordar com elas.

Ele é apenas um covarde.

Sua voz soa em minha mente, mesmo que eu tente silenciá-la.

Sem mais motivos para ficar, me afasto da parede – onde mantive as costas escoradas – e saio andando pelo corredor. Essa é uma conversa que eu não desejo mais ouvir, porque por mais que eu tente entender a forma como Taehyung vê as coisas, a forma como ele usa isso para se defender, eu não consigo. Ele se mantém imparcial para escolher o lado certo baseado em valores morais e leis de conduta. Eu quero compreendê-lo, mas ele ainda soa muito covarde para mim.

 

 

Caminho em direção ao jardim posterior do campus. Está na hora de me encontrar com o remetente da carta.

Eu ainda tenho tempo até a minha aula de piano, então posso fazer isso com calma. Isso vai me ajudar a focar em algo que não sejam as palavras covardes de Taehyung. Esse é um pensamento dele, mas eu esperava que ele visse as coisas de forma diferente, como eu. Pelo menos ele. Eu não esperava que os demais integrantes da Máscara pudessem entender como vejo as coisas, afinal, eles são apenas pessoas comuns. Mas, Taehyung, ele deveria saber como é ser visto com olhos normais quando você é diferente. Como é ser julgado por leis e padrões normais quando você não se encaixa neles. Como é ser incompreendido em uma sociedade onde todos são iguais. 

É decepcionante saber que ele não vê as coisas como pensei que visse.

À medida que me aproximo do jardim, eu procuro entre os cantos alguém que esteja me esperando, observando cuidadosamente, mas não consigo ver nada nem ninguém suspeito. Cheguei cedo demais?

Checo o relógio e vejo que são exatamente 12:59, faltando apenas um minuto para o horário combinado.

– Olá, Renesmee! – ouço a voz repentina atrás de mim, então me viro rapidamente. Quem eu vejo, me surpreende. – Você parece ser uma garota muito interessante... – ele sorri. – Sabe quem eu sou?

– Mark Tuan. – digo seu nome e ele tem uma breve surpresa.

– Não é de se admirar que uma garota calada como você seja tão observadora. – ele sorri outra vez. – Estou curioso... – ele se aproxima e eu recuo um passo para trás. – Não tenha medo.

– O que quer comigo? – pergunto direta.

– Eu só quero conversar. – ele me analisa e me lança outro sorriso falsamente simpático. – Podemos?

– Sobre?

– Qual sua relação com Kim Taehyung? – sua pergunta parece comum, mas está cheia de interesses. – Tenho visto que andam muito juntos.

– Qual é o seu interesse nisso? – respondo com outra pergunta e ele sorri.

– Você é esperta. – ele desvia o olhar para a paisagem ao redor, evitando o meu. – Vejo que já conseguiu perceber que não nos damos bem.

– Um confronto no meio do corredor foi mais que o suficiente para perceber isso.

– Foi? – ele ri. – E você perguntou a ele o motivo disso?

– Não. – respondo sem interesse.

– Por quê?

– Eu não tenho nada a ver com os problemas dele com você.

– Será que não tem mesmo? – seu sorriso se torna malicioso, então ele se aproxima mais um pouco. – Você, uma garota tão bonita e doce, não deveria ter se aproximado de alguém como ele. Ele faz mal para as pessoas boas.

– O que quer dizer?

– Todos acham que eu voltei por causa da Máscara. – ele vira de costas e começa a caminhar pelo jardim, eu o sigo. – Mas estão errados. O motivo da minha volta não é um grupo grande de pessoas, é apenas uma. Kim Taehyung é o motivo do meu retorno. Ele e especialmente ele. – mantenho meu olhar fixo nele, então ele se vira para me encarar com a postura entediada e as mãos nos bolsos. – Não quer saber por quê?

– Não. – respondo e ele ri.

– Renesmee... você é tão inocente... – ele segura uma mecha do meu cabelo e enrola nos dedos. – Taehyung não é o cara bonzinho que você pensa que ele é. – ele se aproxima do meu ouvido para sussurrar. – Ele é uma aberração. – o empurro com força, então ele se assusta.

– Pessoas como você, me dão nojo! – digo e me viro para ir embora.

– Não acredita em mim agora, mas você vai! Deixe eu te mostrar quem ele realmente é e você terá medo nos olhos, Renesmee. Você vai querer fugir dele desesperadamente! – viro-me e sorrio para ele.

– Me mostre, se você pode. – digo e me delicio com a expressão confusa em seu rosto.

 

❁❁❁

 

Pratiquei piano a tarde toda. A minha mãe veio me ver de perto, mas ela não se aproximou o bastante. Eu toquei perfeitamente, então ela não teve criticas, mas também não me presenteou com um elogio. Isso não me surpreende. É assim que ela é. Não pode mudar.

Procurando algo para tirar as emoções desencadeadas pela aula da Profa. Hanna, acabei tendo a ideia de pintar ao passar pela sala de pintura enquanto voltava. Eu não me inscrevi para essa aula, apesar de ter gostado um pouco quando experimentei no meu primeiro dia. Estar aqui e olhar para este lugar, me faz lembrar exatamente do momento em que o vi aqui, lindo e perfeito em sua forma mais serena.

Eu imagino que consegui capturar sua imagem perfeita naquele momento, em minha mente, com riqueza de detalhes.

Sento em um dos bancos e pego a bandeja de tintas juntamente com o pincel, me permitindo libertar as emoções na forma da arte da pintura, já que tocar não foi o suficiente.

Dou pinceladas suaves no quadro, enquanto monto a imagem que não sai da minha mente, que é motivo do meu desejo e anseio. Kim Taehyung, será que eu não posso fazer a minha mente te esquecer por um minuto? Por que é tão difícil? Talvez, o meu coração esteja preso desde o momento em que o vi pela primeira vez, mas me recusei a admitir isso. Eles quebraram você, Taehyung, mas eu sei como você é em sua plena e verdadeira essência. Eu gostaria que também não tivesse medo dele.

– O que está fazendo aqui? – ouço a voz irritante de Kamilla.

– Saia daqui. – digo sem dar importância.

– Quem é esse que você está pintando? – ela pergunta curiosa tentando olhar através de mim.

– Saia! – mando, mas ela finge não ouvir.

– Oh, minha nossa! É o Kim Taehyung! – diz em tom de surpresa exagerada. – Oh, meu Deus, Renesmee! Você está obcecada por ele!

Encaro seu rosto falso e cheio de emoções forjadas em exagero.

– Isso é doentio! – ela se aproxima do quadro que pinto e aproxima a mão para tocar com os dedos, mas eu seguro seu pulso antes que ela consiga, então ela vira o rosto rapidamente para mim. – Você não consegue mesmo se conter, não é?

– Você não tem nada a ver com isso, então fique longe!

– Por quê? Não quer que eu estrague seus planos? – ela ri. – Você sabe que... pela sua forma de falar eu sei que não está tão segura sobre as pessoas aqui em relação a você. Não deveria mesmo, porque eu posso convencê-las em um segundo da pessoa louca que você é. Basta mostrar esse quadro pintado com uma visão tão obscura sobre o cara que você deveria gostar. Você o vê como um monstro?

– Alguém como você não pode entender isso.

– Está dizendo que não entendo arte?

– Estou.

– Então, por que você acha que estou aqui?

– Nós duas sabemos muito bem o porquê está aqui.

Ela se desfaz do meu aperto em seu pulso e massageia o local.

– Eu quero ver suas lágrimas, Renesmee. – seu olhar se torna mais sombrio. – Quero que você chore, grite e corra o mais longe que puder quando eu provar que você não é a melhor aqui.

– Vá em frente. – viro-me de volta para o quadro. – Você e sua competição infantil comigo são o menor dos meus problemas agora. Se já terminou, você pode sair.

– Você... – ela solta um grunhido de raiva e abre a boca para falar novamente, mas é interrompida pelas batidas repentinas na porta, que nos fazem olhar imediatamente.

Kim Namjoon está parado nos observando. Ele pigarreia e olha para Kamilla com surpresa. Percebo que ele já a conhece, de alguma maneira.

– Você... – ele pronuncia baixo, quase inaudível. – Kamilla?

– Kim Namjoon... – ela fala e sorri. – É bom vê-lo de novo!

– Eu preciso falar com a Renesmee. – ele diz distante da informalidade dela. – Pode nos dar licença?

– Claro! – ela me lança um olhar de raiva. – Eu já estava de saída. – diz e anda em passos fortes em direção à saída. Ela lança um ultimo olhar e um sorriso para Namjoon, então desaparece pela porta.

– Podemos conversar? – ele pergunta suavemente, ainda parado na porta com as mãos nos bolsos e a postura de líder que ele tem.

– Sim – respondo ainda dando os últimos retoques no quadro. – Mas, antes, verifique se aquela garota não está no corredor e feche a porta. – olho para ele, que tem um enorme ponto de interrogação em seu rosto. – Ela gosta de ouvir as conversas dos outros.

Ele ri e assente, fazendo o que eu disse e se aproximando de mim em seguida.

– O que está pintando? – pergunta curioso, antes mesmo de olhar. É apenas uma tentativa suave de iniciar uma conversa que ele tentou evitar ao máximo, mas não conseguiu. – Uh? É o Taehyung? – pergunta confuso e surpreso. – Você pintou o Taehyung?

– Sim – afirmo e ele analisa o quadro cuidadosamente.

– É assim que o vê? Por que a máscara e o olhar tão sombrio?

– A máscara simboliza o lado oculto dele. O lado que ele esconde. Aquele que não quer que seja visto. O olhar sombrio é a forma como ele enxerga as coisas e a forma como elas verdadeiramente são. Não sei se já percebeu isso, Namjoon, mas o Taehyung não vive em um mundo fantástico como os outros, ele tem um raciocínio diferente e os pés bem no chão. Olhos abertos para a realidade obscura. A escuridão que o cerca, bom, ela pode ser interpretada de maneiras diferentes, cabe a cada um.

– Isso é tão... profundo. – ele diz enquanto pisca alguma vezes, parecendo meio confuso.

– Eu não vejo apenas a superficialidade das pessoas, Namjoon. Eu vejo o que há por dentro, aquilo que elas escondem. – ergo o canto dos lábios em um sorriso calmo, então ele o devolve depois de algum tempo, mostrando suas covinhas adoráveis.

– Bom... – ele começa a falar, ainda hesitante. – Eu tentei adiar isso o quanto pude para te dar tempo de pensar, mas estou sendo pressionado, Renesmee, então preciso de uma resposta hoje. – finalmente diz. – Preciso que me diga se você vai ou não entrar na Máscara. – ele encara meus olhos. – Você se juntará a nós? Nos ajudará?

O motivo pelo qual adiei essa decisão é porque eu e Máscara pensamos de formas diferentes sobre o mesmo caso. Eu fiquei tocada pelo motivo deles, e fiquei mais interessada por causa do Taehyung, mas quando penso melhor, eu não tenho certeza se quero seguir as ordens de pessoas com a mente tão fechada. Kim Namjoon parece um bom rapaz, mas ele tem correntes ao redor de seu corpo. Correntes que o apreendem e o impedem de ver a situação com outro olhar; que o permitem ter apenas um único olhar.

Ainda assim, eles precisam da minha ajuda e ele reconheceu que eu tenho talento. Além disso, ele não olha para mim da mesma forma que as outras pessoas normais olham. Eu devo apreciar e considerar isso. Seu desespero é visível, então sinto que devo ajudá-lo como uma forma de agradecimento pela sua confiança em mim.

– Sim. – digo e ele pisca algumas vezes, confuso. – Eu aceito o seu convite. – ele meneia a cabeça e entreabre os lábios, ainda sem acreditar. – Farei parte da Máscara.

 

❁❁❁

 

Kim Namjoon

Já anoiteceu. Estou caminhando pela rua silenciosa do campus enquanto penso sobre a resposta de Renesmee. Fiquei feliz, mas não posso deixar de me preocupar. Será mesmo que tomei a decisão certa? Será que isso vai ajudar a todos? Envolver essa garota inocente em nossos problemas vai mesmo nos ajudar ou só vai colocar a vida dela em risco? Não posso deixar de me questionar sobre isso. São muitas variáveis. Há muitas possibilidades de que tudo dê errado e a verdade é que eu não posso garantir a segurança de nenhum de nós.

– O que você faz perambulando sozinho pelas ruas uma hora dessas, Kim Namjoon? – ouço a voz familiar e ergo meu olhar, encontrando Yi Seo. Sorrio.

– Yi Seo... – digo seu nome, então ela revira os olhos. – Ainda está cedo. E você? O que faz aqui? – me aproximo dela. Ela não responde. – Ainda fugindo da sua colega de quarto? – ela suspira.

– Sei que você quer me zoar por eu ter pensado que ela era inocente e ingênua. – ela diz em tom amargo e impaciente. – Faz isso logo!

– O que é isso? – não consigo evitar rir. – A Yi Seo que eu conheço não se rende desse jeito.

– Eu fui enganada por uma garotinha, Namjoon! Você não precisar esconder o quanto está satisfeito com isso... – bufa e revira os olhos.

Suspiro e encaro o céu.

– O que foi? – ela pergunta com os olhos em mim. – Quer voar e fugir para as estrelas?

– Quero! – respondo imediatamente e ela se surpreende um pouco. – Eu gostaria de tirar todo esse peso dos meus ombros por pelo menos alguns minutos. Queria poder esquecer todas as preocupações que rondam a minha mente e relaxar, mas isso parece inalcançável, assim como as estrelas.

Ela fica em silêncio por alguns segundos.

– O que te preocupa tanto? – finalmente pergunta.

– Não sei tomei a decisão certa, Yi Seo. – admito e ela me encara com curiosidade.

– O que houve? – pergunta com sarcasmo. – Quem foi a pessoa que conseguiu abalar a confiança do incrível Kim Namjoon? Você não estava tão certo disso antes?

– Ela tem a mesma condição que o Taehyung. – digo sério. – Isso não deveria ser um problema, mas quando penso melhor, a diferença nela é notável se você olhar bem. Renesmee não é uma garota comum. Antes eu estava disposto a desconsiderar e doença dela e tratá-la como alguém comum como nós, mas toda vez que olho para ela, que falo com ela, percebo que ela está muito distante de nós. Sua forma de ver as coisas, de pensar, de agir, tudo é diferente de nós. Isso não me ajuda a tratá-la normalmente.

– E te deixa inseguro.

– Não sei quais são os limites dela. – confesso. – Nem sequer a conheço direito. Me deixei levar por uma única demonstração de habilidades que vi dela. Me impressionei e talvez eu tenha me precipitado. A chamei para isso e agora eu não tenho coragem de admitir para os outros que talvez eu tenha cometido um erro e agido de forma precipitada.

– A culpa não é sua, Namjoon. – ela diz e me surpreende. – Você está com muito peso em suas costas e só quer aliviá-lo de alguma forma. Fez o que era preciso para isso. Chamar Renesmee foi à única solução que viu em sua frente, então não pode se sentir culpado por tomar uma decisão precipitada. – ela sorri para mim. – Situações desesperadas pedem por medidas desesperadas.

Sorrio para ela.

– Falou a garota que não consegue nem estar no mesmo quarto que ela. – debocho. – Por quanto tempo vai evitá-la?

– Só estou irritada com tudo o que aconteceu... – ela olha para mim. – Você deveria ter me avisado antes!

– Ela entrou na Máscara, Yi Seo.

– O quê?! – pergunta surpresa. – Ela aceitou?

– Sim. – suspiro. – Eu dei a ela a chance de analisar os riscos e decidir por conta própria, mas não posso deixar de me sentir culpado por colocá-la no meio de tudo isso.

– Não carregue toda essa culpa para si.

– Como não? Mesmo com o interesse incomum dela pelo assunto, ela ainda é só uma garota inocente. Ela nem deve saber o quanto está arriscando sua vida nisso e mesmo assim eu a deixei participar. – suspiro cansado e olho para ela, então me aproximo mais uns passos. – Eu gostava de quando tinha você ao meu lado para me dizer se minhas decisões eram boas ou não.

– Namjoon...

– Yi Seo! – chamo sua atenção. – Sei que toda essa situação te assusta e sei que a situação com o Taehyung também te assustou, mas você devia voltar para a Máscara também. Neste momento crítico, precisamos de toda a ajuda possível!

– Não posso, Namjoon... – diz com pesar e suspira. – Sabe que não posso.

– Mas você ainda se envolve nas coisas da Máscara indiretamente, Yi Seo! Você ajudou a Lisa naquele dia sendo um alvo para ela! Você nos ajudou! Por que não pode reconsiderar sua decisão? Eu preciso de você! Nós precisamos de você...

– Sinto muito, Namjoon. – diz e suspira. – Mas os assuntos da Máscara não são mais meus assuntos. Principalmente agora que envolve algo tão perigoso. Eu acho que vocês não deveriam se envolver também. Isso não é nada como alunos rebeldes e irresponsáveis! Estão lindando com um assassino! Alguém que está tirando vidas e que não se importa com isso! – ela se aproxima de mim e olha firmemente nos meus olhos. – Acha mesmo que pode lidar com isso, Namjoon? Quantas pessoas vão ter que morrer até você perceber que tudo isso se tornou sério e perigoso demais? – segura nos meus ombros. – Vai ter que arriscar sua própria vida nisso?

– Sacrifícios são necessários, Yi Seo. – digo firme. – E eu não vou fugir das minhas responsabilidades.

 

 

CONTINUA...

 

 

 



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