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História As 12 Cartas Para Te Esquecer - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Prólogo


O sol beijou levemente a bochecha rosada de Melissa, que já estava corada pelos raios fortes daquela manhã ensolarada. Cecília se mexeu um pouco e foi quando se lembrou de que estava se apoiando no ombro da cacheada. Seu rosto corou um pouco mais e ela levantou a cabeça.

Ela olhou diretamente em seus olhos, conseguindo enxergar através deles. O que era isso que ela estava sentindo? Por que ela estava se aproximando de Mel? Já não estavam perto o suficiente? Ela não sabia, mas também não conseguia parar. Seu corpo estava agindo por vontade própria.

Ela conseguia sentir o hálito fresco da garota bater em seu rosto, conseguia sentir a perna dela tocando a sua, enxergava claramente as rugas que se formavam em seus lindos olhos azuis – que eram tão brilhantes que poderiam iluminar uma cidade inteira -, quando ela sorria. Ela sentiu uma energia subir por seu corpo em uma linha reta e então se espalhar perifericamente. Cecília tocou o rosto da garota a sua frente e quando ela enlaçou suas próprias mãos ao redor do pescoço dela, o sol pareceu brilhar mais forte atrás das duas. Elas sorriam.

Silêncio. O sol estava mais forte agora, ele refletia nos olhos da garota e os deixavam ainda mais cristalinos. Sua expressão era um misto de medo, indecisão e... amor? Seria muito cedo para usar esse termo? Será que realmente tem um prazo para o amor acontecer, será que realmente é algo que leva tempo ou é apenas um sentimento como felicidade, raiva ou tristeza? Porque, sentimentos são instantes. Não tem como você ser feliz, ser triste ou ser raivoso. Você sente felicidade em um instante e pode ainda a sentir no próximo, ou pode sentir outra coisa. Mas e o amor? E o ódio? Você poderia sentir amor por uma pessoa em um instante? Porque ela quase tinha certeza que sim. Ela quase poderia afirmar que sentiu amor por Melissa no primeiro instante em que seus olhos encontraram os dela. Azul no verde. Sua visão de um ciano intenso, a mistura perfeita entre aquelas duas cores que coloriam as íris, distintas em cada um, daquelas duas que, por razão do destino ou qualquer outra coisa, se encontraram. Ela a amava. Isso era verdade, mas naquele momento ela não sabia se podia afirmar isso ou não. Mas o amor estava presente, isso qualquer um poderia ver.

Então Melissa sorriu. Os dois dentes da frente notavelmente maiores que os demais de forma infantil, e a outra garota estava se perguntando por que ela se sentia atraída até mesmo pelos dentes de Mel, mas essa era uma dessas coisas que ela apenas não conseguia controlar ou explicar.

Ambas sabiam que o amor não era fácil. Ambas não viam o amor como a perfeição dos contos de fada, tampouco como o amor de perdição, o amor doentio de Camilo Castelo Branco. Quer dizer, concordavam em partes com Camilo, mais especificamente com uma de suas personagens. Mariana. Mariana e seu amor abnegado, seu amor altruísta. É isso. O único problema de Mariana foi ter sido altruísta demais, fora isso, era esse tipo de amor que as duas buscavam. O amor de Clarice Lispector, o amor que ela dera à sua personagem Ana. O amor que te machuca, que te destrói, o amor que se assemelha ao inferno de Dante. Mas também o amor que faz parte de ti, que te dá alegria, que te dá uma ânsia doce e uma risada triste. O amor paradoxo. O amor eterno, o amor instante. O amor. O amor do aborto e da mãe solteira. O amor que você deixa ir e o amor que você aceita o fardo.

Tantos amores, um amor. O amor de todos, o amor de Cecília e Melissa. O amor de duas mulheres, a revolução. O amor que elas não podiam mostrar para o mundo, que elas tinham de esconder, precisavam guardar esse amor como se fosse o corpo de alguém que elas assassinaram. O amor medroso, tímido, forte. O amor delas e de todos aqueles que passavam pela mesma situação. Um sentimento tão abrangente, mas tão específico. Um sentimento que fazia os pensamentos de Cecília formarem uma espiral que gira de forma violenta em sua mente, que permite a ela um milhão de erros, um milhão de amores, um milhão de coisas, acontecendo tudo tão rápido e ao mesmo tempo.

Ela saiu de seu devaneio e voltou a notar a garota a sua frente. Estonteante. Seus olhos estavam agora pequenos e enrugados, cegos pelo sol. Seus cachos volumosos pendiam de sua cabeça e tocavam seu ombro nu, emaranhavam-se às suas costas. No colo, macio e decorado por pequenas sardas, um colar com uma aranha da espécie Diaea ergandros, que entrava em contraste com seu vestido de um amarelo tão intenso quanto a gema de um ovo. O ovo que a fazia lembrar-se do canário de Machado de Assis, fazia-a sentir-se como ele, mudando sua definição de mundo várias vezes, sempre que olhava para Melissa.

A outra garota buscou uma folha ao chão e aproximou-a ao rosto de Cecília. O verde enferrujado que se assemelhava aos olhos da mais baixa.

- Olha, amor. – Melissa tomou toda a atenção de Cecília novamente, como sempre quando as duas estavam juntas. – Já é quase outono.

Cecília respirou fundo ao se lembrar daquele último dia de verão. Também tinha sido o último dia que passara com Melissa. Com a Melissa de verdade. Os dias que se seguiram àquele foram confusos, ela se sentia cada vez mais afastada da namorada e percebia que os laços entre as duas se enfraqueciam. Foi essa lembrança que fez com que ela decidisse escrever.

Nos momentos em que estava sozinha, com o pai viajando o mundo e a mãe sempre trabalhando, as palavras tinham sido a melhor companhia para a garota. Agora, ela corria para os braços de suas velhas amigas, decidida a colocar para fora tudo o que havia sentido naquele último ano. Tinham sido 12 meses, e por isso seriam 12 cartas. As 12 cartas que a fariam esquecer Melissa. E a cada carta, um livro e um cartão postal. Ela precisava deixar um pouquinho dela com Melissa, ela precisava fazer com que a garota lembrasse dela para que ela pudesse esquecer.

Então, Cecília pegou a caneta e levou de encontro à folha.

12 meses. 12 cartas.

No primeiro mês, te conheci duas vezes. No segundo, te conheci pela terceira.

Esta é a primeira carta, do primeiro mês. Comecemos do começo.

Comecemos com a primeira vez que te conheci.

Seu coração apertou e ela sentiu as lágrimas virem. Uma vez ouviu dizer que ninguém fica com seu primeiro amor, não achava que isso era verdade. Mas, talvez por Melissa ter sido sua primeira que doía tanto pensar nela.

Ela precisava vomitar tudo aquilo, precisava seguir em frente.

Voltou a escrever.


Notas Finais


oie! minha primeira história original aqui publicada e ela é um tanto quanto autobiográfica.
volto já com os capítulos.


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