História As 7 Vidas de um Suicida - Capítulo 1


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Prólogo


 

Eu quero morrer

 

                Eu quero morrer, mas no sentido figurado, na verdade, quero desaparecer da vida de todos vocês. Eu sei que não tenho coragem... Mas ultimamente o pensamento de tirar minha própria vida vem se tornando recorrente. Passo boa parte do meu tempo planejando “a morte perfeita”, rápida e indolor. Por outro lado, penso em como irei “justificar” tal ato.

                Bom, o tempo todo passam momentos, lembranças e possibilidades que me levam a pensar nisso, porem, agora é difícil expressar isso em palavras, e acredito que as próximas paginas ainda não serão suficientes para explicar.

                A todos os meus amigos, colegas, família, pessoas que eu apenas conheço, gostaria de dizer muitas coisas para cada um de vocês... Minha mente é algo complexo que nem eu consigo entender, crio inúmeras situações diferentes, consigo me auto sabotar, prego peças em mim mesmo. Não sei mais o que é real.  Devo ter ficado paranoico demais.

                Quando digo que vocês simplesmente não têm a noção da dimensão das coisas que dizem, me refiro a isso. Vocês não têm ideia da proporção que tem uma palavra na vida de alguém.

                Eu me tornei uma pessoa bastante insegura, em qualquer coisa que eu faça, só tenho certeza das minhas chances de fracasso. Maior parte do tempo eu me sinto inútil, o que me leva a ficar triste... Pode não parecer muitas vezes, mas 70% do meu dia eu fico triste, 20% pior ainda e 10% tentando não estar. Eu me sinto insuficiente, em todos os sentidos, para os meus amigos, para minha família então... Eu sou uma decepção.

                Mas nem sempre fui assim. Na verdade, não sei quando me perdi de mim mesmo.

                Não sei em que gênero esta escrita se encaixa, queria deixar uma carta, mas acho que esse texto irá se prolongar demais, poderia ser considerado uma auto biografia talvez, ou apenas uma ficção, drama?

                Odeio ter que admitir que esteja escrevendo outra carta de suicídio. Estou tendo muito cuidado com o que escrever, não quero culpar alguém ou faze-los sentir-se mal com o que direi, apesar de que eu queria que cada um pudesse sentir parte dessa dor que venho sentindo, só então, talvez me entendessem.

                Há muito tempo venho sentindo uma dor, começou pequena e foi aumentando, as vezes a dor diminui, as vezes chega a ser tão insuportável que choro nenhum parece ser suficiente para amenizar essa agonia... É nessas vezes que as lágrimas pesam 1 kg.

                Uma vez meu pai me disse que sabemos hora de morrer, a morte vem acompanhada da dor, e ela é insuportável! Qualquer dor que você tenha sentido na vida, será multiplicada a ponto que você não será capaz de suportar, quando finalmente atingir o ápice da dor, você morre. Logo após, toda dor, angustia, aflição, medo, tudo desaparece, como se nunca tivesse acontecido, você sentirá a verdadeira paz. Então você está morto.

                E eu penso na morte dessa forma, como um alívio.

                Também li em um livro, que há muitas formas para morrer.

“Matar não quer dizer a gente pegar o revolver de Buck Jones e fazer bum! Não é isso. A gente mata no coração. Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morre.” – Meu Pé De Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos.

                Acredito que essa seja a pior forma de morrer, e eu já morri tantas vezes em muitos corações.

                Algum filósofo, que não me lembro do nome, acreditava na morte como uma renovação. Você mata a si mesmo muitas vezes na vida, mata antigos conceitos e pré-conceitos, antigas ideias, antigos objetivos, antigos sonhos, mata seu antigo “eu” e se torna um novo alguém. É como olhar suas fotografias de anos atrás e ver como você mudou, e percebe o quanto está diferente, continua sendo você, porém, não é mais o mesmo.

                Já me matei muitas vezes filosoficamente, mas essas “mortes” não me traziam alívio, em todas as vidas ainda sentia dor. Olhar o meu passado, presente e futuro é como ver uma mancha negra em todos os momentos mais importantes que vivi e que talvez eu venha a viver, dessa forma aprendi a ser uma pessoa pessimista. Não esperar nada de ninguém e muito menos de mim, isso evita algumas decepções.

                Será se consegui expressar bem aquilo que sinto? Pergunto-me se alguém em algum momento se identificou com qualquer parte desse texto, pelo menos um pouco... A leitura pode se tornar um pouco difícil para alguns daqui em diante.

                Agora eu deveria começar a endereçar esta carta aos devidos destinatários? Não sei por quem começar, ou por onde devo começar... Antes, deixarei algo esclarecido, nomes não serão mencionados, não quero me expor mais ainda.

                Mas olha só pessoal, eu não vou me suicidar antes de cumprir todos os itens da minha lista “anti-suicídio”!

Deixando a ironia de lado, irei contar-lhes sobre como essa lista se tornou algo muito importante pra mim. Foi algo como uma promessa minha comigo, meus principais sonhos que eu simplesmente não poderia me dar ao luxo de desistir deles, mesmo que tudo ao meu redor contribua para o meu fracasso e que ninguém mais acredite que sou capaz, morrer sem realiza-los seria meu maior arrependimento da vida.

                Minha lista anti-suicídio é como essas listas que todo mundo faz com suas respectivas metas para o próximo ano, de curto ou longo prazo. Todos sabem que é algo que ninguém corre atrás de realizar e esperamos que simplesmente um milagre aconteça para que o que desejamos se torne real. Então, na minha lista existem apenas sete itens, que eu não me esforço nenhum pouco para realiza-los e espero pelo famoso milagre, apenas para adiar meu suicídio e prolongar minhas experiências legais e infelizes nesse mundo.

                Eis aqui então, minha lista atualizada, são coisas bobas, mas é algo que irá compor todo o desfecho dos próximos capítulos.

Escrever um livro;

Escrever uma música;

Produzir um filme;

Não me apaixonar;

Plantar uma árvore;

Mochilar pelo país todo;

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Como vocês devem ter percebido, todos os itens são algo que precisam de um pouquinho de empenho para conseguir realiza-los. E bom, se a intenção era adiar o sofrimento eu consegui fazer isso bem. Já escrevi várias histórias que talvez dessem um bom livro, porém todos estão inacabados. Escrevi muitas letras de músicas, mas nenhuma melodia. Tenho muitos roteiros em mente para um filme, mas nunca fui atrás de produzir algum. Não me apaixonar, nesse item eu falhei miseravelmente inúmeras vezes, e pode ser uma das causas que vem adiando tanto o meu famoso ato final, algo muito complexo de explicar agora. Plantar uma árvore, não só uma árvore nem qualquer uma, a ideia é deixar algo de bom nesse mundo que tenha um significado pra mim. Mochilar pelo país, bom, percebi em todas as viagens que fiz que meu país tem lugares lindos e incríveis, gostaria de poder estar em todos esses lugares um dia, minha intenção na verdade é conhecer muitos lugares do mundo mas a minha condição financeira me impede  de andar até de ônibus para uma cidade vizinha. E bem, o sétimo item é algo muito intimo e pessoal que gostaria de não comentar sobre, não agora, mas é algo muito especial para mim.

Agora estou mesmo correndo atrás de realiza-los. Não é fácil viver nesse mundo cheio de ódio, decepções, onde ninguém simplesmente não se importa com suas atitudes, pessoas egoístas que vivem para agradar a si mesmas e passar por cima de qualquer um, esquecendo-se que todos somos pessoas e temos um coração que sente. E bom, algumas pessoas simplesmente sentem o impacto desse mundo cruel mais que outras pessoas, pessoas que parecem carregar um fardo o tempo todo, é como um peso invisível sobre os ombros que a cada dia que passa pode ficar mais pesado ou o contrário. Conforme esse peso aumenta chega uma hora que ninguém consegue mais carrega-lo, então os mais desesperados tomam atitudes mais extremas.

E é assim que nasce um suicida.



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